Mostrando postagens com marcador Pão e Rosas no Haiti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pão e Rosas no Haiti. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de março de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI: “Nós acreditamos que a reconstrução que estão falando não é possível sem haitianos”

Entrevistamos Guylande Mesadieu, Coordenadora Regional da Coalizão contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e Caribe, AC (CATW-LAC).

“Sabemos que redes de tráfico de negros e de mulheres e meninas operam ao redor do mundo todo. Nossa organização luta contra o tráfico e as redes de prostituição que funcionam no Haiti e na República Dominicana.”

Pão e Rosas: A situação foi agravada pela presença da Minustah?

De fato, existem graves problemas com a presença das tropas da ONU. Elas estão promovendo a prostituição de mulheres e meninas, especialmente nas bases onde está a MINUSTAH. É bom lembrar que houve um problema com os soldados do Sri Lanka, em 2008, várias organizações de mulheres denunciaram este fato, mas até agora não tiveram nenhuma resposta. Os soldados que vêm ao nosso país só buscam como diversão sair de noite nas boates, nas ruas em busca de mulheres. Por hora, podemos dizer que é algo que merece denúncia, pois se trata de um fenômeno que só tem avançado nessas regiões.

P&R: Como são as redes de prostituição nessas regiões?

De dia e de noite mulheres e meninas se prostituem, a dignidade delas não é respeitada nessas áreas onde não há supervisão de ninguém. Elas já são vítimas da pobreza e agora também sofrem com as violações. Não têm casos oficialmente registrados porque têm muitos acobertamentos e, também, porque quando ficamos sabendo e saímos para acudir e quanto elas chegam em suas casas dizem que é alarme falso, que não aconteceu nada, que ali estão com seus pais. (Estas são algumas das razões pelas quais seu trabalho é dificultado).

P&R: Que mensagem envia às mulheres do mundo neste 8 de Março?

A mensagem que teríamos para enviar é que a situação das mulheres e do povo haitiano piorou quando enviaram as forças militares para “ajudar”. O que acontece é uma ocupação mascarada e o que precisamos é de ajuda, não de ocupação. Necessitamos de ajuda para retirar as vítimas dos escombros, até agora Porto Príncipe não foi restabelecida. Os militares estão passeando, não estão fazendo nada no país. Nós pedimos que os militares saiam imediatamente do país e pedimos a solidariedade de todas as pessoas para que nos ajudem a retirar os militares do país porque não precisamos de militares.

Nós acreditamos que a reconstrução que estão falando não é possível sem haitianos, pois nós somos cidadãos e os responsáveis pelo país. Queremos participar da reconstrução do país. Se os governos estrangeiros e a comunidade internacional não nos vêem como cidadãos haitianos esta reconstrução não vai a lugar algum. Nossa proposta (como povo) é a melhor porque sabemos o que é melhor para nosso povo.

P&R: O que tem a dizer sobre a campanha do Pão e Rosas?

Parabenizamos e agradecemos as organizações que estão nos ajudando a difundir a nossa mensagem, que nós no Haiti somos um povo independente e livre, em nosso pais não temos guerra, não precisamos de militares.

*Traduzido por Babi Delatorre

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher: nesse 8 de março o Pão e Rosas também marchou em Porto Príncipe no Haiti

Por Sofia Yañez, enviada especial Pan y Rosas – México


Entre os escombros e com a dor por mais de 300 mil mortes, as mulheres haitianas passaram esse dia vivendo nas ruas e parques, fazendo filas para receber alimentos, suportando os já rotineiros bloqueios militares. Enquanto isso, centenas de mulheres de distintas partes do mundo realizaram um ato acendendo velas, que simbolizaram a continuidade na luta de milhares de mulheres haitianas que morreram pela liberdade deste povo e, agora, vítimas da catástrofe.
Junto de outras feministas e ativistas dominicanas e haitianas, o Pan y Rosas se manifestou contra a presença das tropas imperialistas. Desta forma, terminamos nossa viagem à ilha caribenha na qual, durante um mês, atuamos como correspondentes, nos solidarizando ativamente, difundindo o pronunciamento que o Pan y Rosas impulsiona com mulheres e organizações feministas de mais de quatorze países da América Latina e do Caribe.

quarta-feira, 10 de março de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI: "As necessidades continuam sem ser atendidas tanto no Chile quanto no Haiti, a resposta oficial é a repressão"

Como parte da campanha que o Pão e Rosas vem desenvolvendo em diferentes países da América Latina e Caribe em solidariedade às mulheres e ao povo pobre e trabalhador do Haiti, Sofía Yañez do Pan y Rosas México, viajou à ilha caribenha com a colaboração do Pão e Rosas da Argentina, Brasil, Chile e Bolívia.
Por Sofía Yañez, enviada especial do Pan y Rosas - México

(Batey 8, Barahona, República Dominicana) A mais de 50 dias após o terremoto ocorrido no Haiti, as organizações independentes ainda lidam com a crescente escassez de recursos e as necessidades imediatas do povo haitiano.

“A fase de emergência não foi totalmente resolvida. As pessoas ainda continuam precisando de alimentos, de abrigo, de medicamentos... existem muitas necessidades. Nós estamos levando ajuda e brigadas médicas, mas ao mesmo tempo fazendo tudo o que está a nosso alcance para que o povo retome a dinâmica de sua situação em suas próprias mãos”, afirma Beneco Enecia, diretor do CEDESO (Centro de Desenvolvimento Sustentável), uma organização que trabalha nos bateyes* na fronteira da República Dominicana com o Haiti.
O processo de reconstrução é impensável sem o suporte feminino já que, em sua maioria, as casas já eram sustentadas por mulheres e hoje, são elas que devem fazer funcionar os albergues com os poucos recursos. “Nós temos trabalhado diretamente com elas porque conhecem a comunidade e sabem de suas necessidades específicas”, assinala Beneco. “A presença dos militares, tanto dos EUA como os da Minustah, acredito que seja negativa e contribui para vender a idéia de que o povo haitiano é violento. Eu acredito que não é assim. O que existe é uma explosão da sociedade como conseqüência de tantos anos de privação, mas a resposta não deveria ser assim, não tinham que enviar soldados porque a maneira de convencer o povo haitiano não é com baionetas. O Haiti expressou que não queria militares”.
Beneco compara a situação haitiana com a reposta do governo chileno diante do terremoto que sacudiu a nação andina no último 1º de março: “É a mesma resposta militarista que têm os governos, baseados em seu enfoque de repressão, pois como não são capazes de satisfazer as necessidades da população aproveitam de situações como estas para conter o povo pela força. E eu penso que não deve ser assim. Fortalecendo as redes sociais de cada comunidade as coisas vão bem, mas não com militares.”

*Os Bateyes são as comunidades de imigrantes haitianos que se estabeleceram desde o século passado, perto dos engenhos de açúcar.
(Tradução de Babi Delatorre)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI e na Mídia: Crônicas de um país com cheiro de morte

Como parte da campanha que o Pão e Rosas vem desenvolvendo em diferentes países da América Latina e Caribe em solidariedade às mulheres e ao povo pobre e trabalhador do Haiti, Sofía Yañez do Pan y Rosas México, viajou à ilha caribenha com a colaboração do Pão e Rosas da Argentina, Brasil, Chile e Bolívia.
.
Esta reportagem foi também publicada em pela agência CIMAC, com o título "Destacado papel das mulheres nos acampamentos haitianos".

Por SOFÍA YAÑES, enviada especial do Pan y Rosas- México
.
A pouco mais de um mês do terremoto que sacudiu o Haiti, as deploráveis condições de vida das quais padecem os habitantes de Leogane não deixam dúvidas de que as penúrias aqui vêm de muito antes do dia 12 de Janeiro. Tudo o que foi dito ou escrito fica pequeno diante da impressionante realidade.

Na visita que fizemos junto a uma brigada médica em comunidades como a de Petit Rivière, se observa que a maioria da população são mulheres que chegam com seus filhos e filhas nos braços em busca de consulta médica, muitas delas com infecções vaginais e problemas gastrointestinais de seus filhos, devido à má qualidade da água e contaminação ambiental.
Aqui existem vários acampamentos dos que se consideram “pequenos”, reúnem cerca de sessenta famílias, e são organizados pelos próprios habitantes, onde a ajuda oficial simplesmente não chegou. Neles também o papel das mulheres é importante.

Joseph e Guetty, dirigentes locais, pertencentes à organização Grupo Ecológico pelo Desenvolvimento Sustentável do Haiti (Groupe Ecologique pour le Developement Durable en Haiti - GEDDH), falaram do descontentamento que existe com o governo pela falta de agilidade na ajuda. Não há escolas e as meninas e meninos que estudam devem viajar quatro horas até a mais próxima. Também não há hospitais. Em outra brigada, dirigida a três orfanatos para a divisão de fraldas e alimentos para bebês, pode-se constatar que, ainda que a ajuda quase não tenha chegado e as necessidades sejam muitas, a distribuição é absolutamente ordenada, pois quem a garante é a própria comunidade. Os voluntários participantes desta ação asseguram que decidiram fazê-la sem militares, pois eles “espantam a população com suas armas e tanques”. Isto, sem dúvida, é a clara demonstração de que os supostos distúrbios nas entregas da ajuda são causados justamente pela presença militar.

Em todo lugar se vê a miséria acompanhada da destruição que o terremoto provocou. Pessoas vivendo literalmente nas ruas, improvisando casas nos lugares mais insalubres. Um mercado que se instala temporariamente em um prédio que parece ter sido um depósito de lixo, se converteu em um dos poucos lugares onde a população pode encontrar comida e, ao mesmo tempo, se transformou em um lar para as mulheres grávidas.

Descontentamento com a presença militar

Em Puerto Príncipe só estivemos por algumas horas. Aqui toda a cidade cheira mal. Entre a sujeira, os escombros que estão sobre as ruas e o chamado “odor da morte”, a cidade se movimenta como se fosse possível a “normalidade”.
Os maiores acampamentos que se encontram aqui são também os mais vigiados pelos militares. Se diz que, de conjunto, mais de um milhão de pessoas estão vivendo em barracas em todo Haiti, em ruas e parques... Quase não há lojas pois estão destruídas e as poucas que se mantêm em pé estiveram fechadas em função dos dias de luto. Nas ruas, em muros semi-derrubados, se vê pichações eleitorais e de protesto, mas dizem que elas já existiam antes do terremoto. Muitas contra Aristide e algumas contra Preval.
O constante fluxo de caminhões, jeeps e tanques militares complementam o panorama que se assemelha ao pós-guerra. Nas ruas, até os soldados que organizam o trânsito estão armados e muitos deles fazem tudo sem tirar o dedo do gatilho.

Ainda que não tenha tido nenhum relato de grandes mobilizações de protesto ao chegarmos a um mês do terremoto, o descontentamento com a presença militar é generalizado. Isto é, sem dúvida, o que motiva as exageradas ações de controle por parte do governo e dos exércitos estrangeiros, situação que nos próximos dias poderia gerar novos levantes populares de um povo que historicamente se caracteriza pela luta incansável por seus direitos.
*Traduzido por Bruna Bastos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI: “Ninguém melhor que as próprias comunidades para determinar quais são suas necessidades e quais suas prioridades”

Por Sofía Yáñez, enviada especial do Pan y Rosas - México

Como parte da campanha que o Pão e Rosas vêm desenvolvendo em distintos países da América Latina e no Caribe, em solidariedade com as mulheres e o povo pobre e trabalhador do Haiti, Sofía Yáñez do Pan y Rosas – México viajou para a ilha caribenha, com a colaboração do Pão e Rosas da Argentina, Brasil, Chile e Bolivia.
.
(Léogâne, Haiti) O hospital Cardenal Leger, localizado neste município, hospedou até alguns dias atrás o acampamento “Ajuda ao Haiti”, que durante as últimas semanas tem atendido mais de 3.500 pacientes por semana, oferecendo atenção médica, psicológica e social às comunidades da zona 3 de Léogâne.

Esta iniciativa está conformada por várias organizações, como o Coletivo Mujer y Salud da República Dominicana, e por dezenas de voluntários haitianos, dominicanos e estrangeiros, que têm se entregado a este trabalho com uma dedicação “que não se via em nenhum trabalho pago”, assinala em seu informe de trabalho Rafael Taveras, coordenador geral do acampamento.

Em um contexto onde a ajuda internacional para dezenas de comunidades empobrecidas flui de forma muito lenta, esta iniciativa tem encontrado a chave de seu funcionamento na organização do próprio povo haitiano, sem necessidade do controle militar.

Começou com a visita a umas 15 comunidades da zona, e estabeleceu vínculos com organizações e líderes locais para organizar clínicas móveis e distribuição de alimentos.
"Estamos reforçando as redes sociais onde existem ou promovendo sua formação onde não existem. Ninguém melhor que as próprias comunidades para determinar quais são suas necessidades e quais suas prioridades. Não somos nós, os estrangeiros, que vamos decidir por eles. Eles deverão tomar suas decisões e a nós, cabe apoiá-los e acompanhá-los durante o processo”, afirma Rafael Taveras.
.
As crianças de Léogâne, uns dos principias afetados
.
No Haiti, a metade da população são crianças e jovens. Por isso são maioria no número de mais afetados: maior quantidade de mortos, feridos ou mutilados, órfãos …

Por este motivo, a "Ajuda ao Haiti" tem focado boa parte de seus esforços neste setor da população, privilegiando as consultas pediátricas e oferecendo também apoio emocional e lúdico. Além disso, tem se dirigido diretamente a orfanatos.

Gesner Cledo, um jovem encarregado de atender mais de 40 órfãos em Léogâne, acompanha regularmente o acampamento também em busca de ajuda para seu orfanato. Antes do terremoto as condições para mantê-lo eram quase impossíveis. Hoje, apesar de que o panorama continua difícil, através do acampamento tem conseguido um pouco de ajuda também para outras crianças de sua comunidade.

Mesmo que o acampamento mude sua localização, seguirá trabalhando como até agora, dentro do mesmo município de Léogâne. A organização independente de cada setor das comunidades haitianas, sem dúvida, pode ser seu melhor aporte.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI: “Continuemos levantando a voz, porque as tropas têm que ir embora”

Como parte da campanha que o Pão e Rosas vem desenvolvendo em distintos países da América Latina e do Caribe, em solidariedade com as mulheres e o povo pobre e trabalhador do Haiti, nós do Pan y Rosas México decidimos viajar para a Ilha de Espanhola (Haiti e República Dominicana), com a colaboração de nossas companheiras da Argentina, Brasil, Chile e Bolívia. Recém chegando na República Dominicana, onde acompanharei as ações do acampamento feminista na fronteira com o Haiti e as viagens solidárias à cidade de Leogane à 17 km de Porto Príncipe, me encontrei com Julio Garcia, voluntário do acampamento de jovens dominicanos e haitianos Kiskeya Action e com Mirla Hernández, feminista lésbica autônoma, que rapidamente me apresentaram um panorama da situação do país vizinho. Por Sofía Yañez, enviada especial do Pan y Rosas (México)

Julio denuncia a corrupção e a demora na qual se vê envolta a ajuda humanitária, e assegura que quando fizer um mês do terremoto haverão “mobilizações massivas contra a ineficiência do Estado haitiano, uma ineficiência que sempre existiu, mas que agora é mais evidente. As organizações têm mantido o fluxo da ajuda, mas ocorreram muitos entraves provocados tanto pelo Estado haitiano como pelas ONG’s, ou seja, a ajuda tem que passar por muitos ‘controles’. Tem muita corrupção e roubo. Aqui, na República Dominicana, por exemplo, foi perdido um dos contêineres”. Claro que estes fatos não são os que vêm à tona nos grandes meios de comunicação. Mirla agrega: “Soubemos de algumas mobilizações de pessoas que estavam protestando para que a ajuda seja distribuída; mas, levando em consideração como se manipulam os meios de comunicação, isso não noticiaram”.

Julio, comenta que no acampamento dos jovens dominicanos e haitianos no qual ele colabora, ajudam mais de duas mil pessoas, mas que o ritmo no qual essa ajuda chega foi reduzido. Onde está, então, tudo aquilo que chega na ilha? Ele não hesita em responsabilizar os comandos militares por estocar e distribuir a ajuda a seu bel-prazer. “Todos os grandes carregamentos os militares estão controlando: a comida, a água, o controle da construção de mercados ... tudo!” E também denuncia os operativos montados pelas tropas norte-americanas: “Em nosso acampamento, vimos que, para ‘entregar ajuda’, se realizou um deslocamento militar parecido com as escoltas de Obama, iam três caminhões Hummer, cada um com umas seis pessoas, todos fortemente armados e um posicionamento territorial espetacular para criar um ambiente de hostilidade, de guerra. Para quê? Para um povo faminto?”

Mas não somente as tropas que ocupam militarmente o Haiti são repudiadas por Julio e Mirla, mas também as organizações que vem lucrar com a tragédia. Mirla diz que “muitas organizações vem fazer mérito para ganhar patrocínios; somente para isso. E depois, com os investimentos obtidos, dedicar-se a viver bem, a custa de dizer ‘ajudamos haitianos’. Quando a alternativa deve ser que sejam eles [o povo haitiano] os que decidam, os que levantem seu país. Com nossa ajuda, mas eles tomando o comando”. Julio agrega que, “além disso, estas organizações repetem o discurso que foi algo ‘natural’, quando todos sabemos que as conseqüências – disse referindo-se ao terremoto – são produto da pobreza que já havia no país. Esta catástrofe não teria as mesmas conseqüências nem sequer aqui, na República Dominicana. O cúmulo é que têm crianças que estão morrendo desidratados, quando muita ajuda que chega é água...”.

Antes de nos despedir, perguntamos o que opinam da campanha que o Pão e Rosas lançou e Mirla no responde: “Primeiro, quero dizer que precisamos do Pão e Rosas nesta parte do Caribe. A iniciativa – disse, se referindo à declaração unitária na qual ela também aderiu – me parece muito boa, para que sigamos denunciando e levantando a voz, para que os capitalistas e as empresas que, historicamente têm saqueado o Haiti, sejam as que se responsabilizem. E que seja perdoada a dívida, que depois não venha o FMI querer criar novos empréstimos. É necessário que continuemos levantando a voz, porque as tropas tem que ir embora, porque é claro que tem a intenção de invadir e explorar o país. Por isso é importantíssima a campanha que o Pão e Rosas está fazendo, porque faz uma clara denúncia a qual nenhum grupo se atreveu a fazer porque se focam no assistencialismo. É necessário difundir mais a declaração, já me somei a essa tarefa”.

Amanhã uma longa viagem me espera até Leogane, a 17 km de Porto Príncipe, o epicentro do terremoto que sepultou milhares de pessoas sob os escombros. Lá, 90% dos edifícios foram destruídos e, como a ajuda se concentra na capital haitiana, os sobreviventes da tragédia, se vêm obrigados a esperar mais do que o humanamente possível por alimentos, água, assistência médica... As mulheres dominicanas da coletiva Mulher e Saúde reservaram um lugar para mim em seu veículo rumo ao acampamento que montaram nesta cidade haitiana, onde recebem voluntários e voluntárias que podem ir até por sete dias, desde São Domingos.

De volta ao hotel, penso nas palavras de Mirla ... “continuemos levantando a voz, porque as tropas tem que ir embora”. Aqui ninguém mais acredita que são necessários tantas equipes militares, tantos milhares de soldados e armar de fogo para brindar “ajuda humanitária” a um povo que, antes do terremoto, já sabia que a pior catástrofe era o domínio imperialista.