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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Diana Assunção: “Na Faculdade de Medicina da USP há métodos profissionalizados de estupro”

Esta matéria contribui muito para quebrar o silêncio de anos nesta instituição. Os casos relatados são revoltantes. Estamos falando de pessoas que estão se formando como médicos e utilizam entorpecentes e inclusive outros produtos para facilitar um abuso sexual. Os relatos mostram que já há um método profissionalizado de estupro.

Esta semana o site ponte.org publicou uma completa e detalhada matéria com o título“Violência sexual, castigos físicos e preconceito na Faculdade de Medicina”(http://ponte.org/violencia-sexual-castigos-fisicos-e-preconceito-na-faculdade-de-medicina-da-usp/) que escancara os atos aberrantes de violência que permeiam esta renomada Faculdade. Sobre esta matéria e suas denúncias, Diana Assunção, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP e responsável pela Secretaria de Mulheres do Sintusp declarou que “Esta matéria contribui muito para quebrar o silêncio de anos nesta instituição. Os casos relatados são revoltantes. Estamos falando de pessoas que estão se formando como médicos e utilizam entorpecentes e inclusive outros produtos para facilitar um abuso sexual. Os relatos mostram que já há um método profissionalizado de estupro. Que médicos estão se formando? E quando se escancara esta situação a preocupação de muitos é com a imagem da Faculdade de Medicina. Alguém está preocupado com a vida de talvez centenas de jovens que vão viver com o trauma de um estupro e um abuso? Ou que simplesmente tem que aguentar uma humilhação pelo simples fato de ser mulher?”
Diana Assunção também responsabiliza a Universidade de São Paulo pela situação “A Faculdade de Medicina simplesmente não toma nenhuma atitude em relação a situação, portanto encoberta esses casos. Inclusive o deputado Adriano Diogo (PT) que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa declarou que foi pressionado pelo próprio diretor da Faculdade, o professor José Otávio Costa Auler Junior, para não realizar a Audiência ocorrida no último dia 11. O Reitor Zago, também médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, simplesmente não se pronuncia sobre esta situação. Além disso, é um fato que o campus da USP hoje é palco para um número de estupros que desconhecemos a quantidade porque a Reitoria não divulga os números”.
Frente a esta situação e à proximidade do dia 25 de novembro, dia internacional contra a violência às mulheres, Diana considera necessária uma grande campanha e medidas de frente-única que reúnam sindicatos, movimentos feministas, de direitos humanos. “É fundamental neste momento a mais ampla unidade pra enfrentar este pacto do silêncio na Faculdade de Medicina, pois irá mexer com a burocracia universitária que fica calada pra não manchar a considerada melhor Faculdade de Medicina do país. Devemos fazer atos, manifestações, videos, cartazes, tudo o que for necessário para enfrentar estes burocratas e também os futuros médicos que praticam o estupro nesta Faculdade. Se trata de uma luta necessária que pode se tornar um exemplo no combate ao assédio sexual e aos estupros. Exigimos que a Reitoria da USP se posicione sobre este caso, bem como sobre o caso de machismo e racismo na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e divulgue de uma vez por todas os números de denúncias de estupro dentro da USP”. Para finalizar, Diana completou dizendo que “Em nossa greve buscamos colocar com força a luta das mulheres e contra o machismo, a homofobia, a transfobia. No próximo mês teremos o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP que queremos que ajude na organização das mulheres trabalhadoras e que também possamos levantar com força a luta contra todas as formas de violência às mulheres”.


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Diana Assunção: "Já são mais de 950 mulheres na fila do papanicolau, não podemos aceitar"

Neste mês de novembro será organizado o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, organizado pela Secretaria de Mulheres do Sintusp. Uma das campanhas que a Secretaria vem levando adiante este ano diz respeito ao exame do papanicolau. Sobre esta campanha, Diana Assunção, diretora do Sintusp e responsável pela Secretaria de Mulheres declarou que: "Além das inúmeras demandas das mulheres trabalhadoras da USP por creches, melhores condições de trabalho e contra o assédio moral, este ano também estamos levantando uma bandeira que diz respeito ao conjunto das mulheres que é o direito de fazer o elementar exame de papanicolau, que previne doenças como o câncer do colo de útero. Trabalhadoras do Centro de Saúde Escola Butantã, como Dinizete Xavier, também da Secretaria de Mulheres do Sintusp, vêm denunciando há meses esta grave situação exigindo a contratação imediata de profissionais para atendar a demanda e acabar com esta desumana fila".
Em relação à posição da Reitoria, Diana declarou que: "Uma das primeiras medidas do Reitor Zago neste ano foi o congelamento de contratações o que leva a não haver reposição dos quadros. A contratação imediata de poucas enfermeiras poderia terminar com a fila, mas a Reitoria mostra com esta atitude que não tem nenhuma preocupação com a saúde das mulheres. Estamos falando das mulheres que vivem na São Remo, Vila Indiana, São Domingos, Morro do Querosene e alguns bairros do Jardim Bonfiglioli, as trabalhadoras que nos atendem nas padarias, supermercados e lojas da região, as operárias das fábricas, as estudantes das universidades privadas. Ao mesmo tempo, devemos exigir por exemplo que para as trabalhadoras da USP o papanicolau seja parte do próprio exame periódico dos trabalhadores".
Diana finalizou dizendo: "Neste V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, que contará com a presença da professora Renata Gonçalves, da Unifesp da Baixada Santista, queremos levar esta campanha com força junto a vários outros temas que foram discutidos em reuniões de mulheres durante a greve de 116 dias, no combate à opressão as mulheres. Continuaremos exigindo a contratação imediata de profissionais e buscando estas mulheres da região para colocar de pé uma grande campanha".
Neste mês de novembro será organizado o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, organizado pela Secretaria de Mulheres do Sintusp. Uma das campanhas que a Secretaria vem levando adiante este ano diz respeito ao exame do papanicolau.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A greve da USP e a luta contra a opressão às mulheres

Reproduzimos a fala de Odete, estudante da Letras-USP e militante do Pão e Rosas e da LER-QI, no debate "Desatai o Futuro: o que devemos aprender com a greve da USP?"



            É muito difícil conseguir sintetizar o que foram esses quatro meses de greve e a importância que eles tiveram pra nossa concepção de feminismo e emancipação das mulheres. Somos um grupo de mulheres classistas e revolucionárias e acreditamos que a emancipação das mulheres não vai ocorrer dentro desse sistema capitalista, que usa dessa opressão, para se consolidar enquanto sistema. Acreditamos que é necessário uma revolução proletária para acabarmos com a exploração de uma classe por outra e só assim conseguirmos acabar com a opressão de um gênero por outro.
Essa greve foi muito importante para entendermos como uma fração revolucionária deve atuar nos momentos agudos da luta de classes. Nesse sentido entender a opressão às mulheres e as dificuldades que ela causa para a organização das mulheres como parte dos problemas da organização da própria greve foi fundamental. As mulheres não constituem uma classe separada. Levantar a bandeira da emancipação das mulheres e de todos os setores oprimidos é fundamental para unidade de toda a classe operária.
Por esse motivo garantir o cantinho das crianças para que as mães e pais pudessem participar de todo o processo político da greve, realizar um debate sobre a questão negra, a questão palestina, sobre a homolesbotransfobia, ou como uma de nossas camaradas, estudante de educação física fez realizando um debate sobre saúde do trabalho, colocando o seu conhecimento a serviço dos trabalhadores... Tudo isso é necessário, não porque em si mesmas são ações que resolvem os problemas que a sociedade burguesa nos impõe, mas são pequenas experiências, ainda restritas à uma categoria, que mostra pra toda a classe os problemas concretos que ela vai ter que enfrentar pra conseguir organizar e unificar suas fileiras com a perspectiva de se fazer uma revolução.
Essa greve foi uma pequena “Escola de Guerra” sobre quais são os temas que a classe operária precisa tomar pra si para conseguir se organizar e superar a exploração a que está submetida. Seja organizando debates sobre as opressões, lutando para que as 970 mulheres que estão na fila do papa Nicolau possam realizar o exame ou fazendo um ato pela São Remo, defendendo a efetivação dos terceirizados, entendendo que os trabalhadores compõem uma única classe. Dessa forma, nós rompemos com a ideologia burguesa de separação e fragmentação da classe.
Defendemos a hegemonia operária não só por que a classe operaria é a única que pode levar até o final todas as demandas democráticas que o regime burguês não consegue garantir, mas porque ela necessita fazer isso. A classe operária precisa combater as opressões e a divisão imposta pela burguesia, entre homem e mulher, negros e brancos, heterossexuais e LGBTTs. Por que esse é o único meio de unificar suas fileiras e mostrar a sua força enquanto classe.
Não nos adaptamos como a esquerda em geral faz que é não ligar a luta contra as opressões à luta por salários e melhores condições de trabalho, por exemplo. Acreditamos que essas duas questões estão profundamente ligadas por dois motivos. O primeiro é que a classe operária precisa unificar suas fileiras para lutar pelas suas demandas e o segundo é que os trabalhadores são o sujeito revolucionário que podem modificar as bases materiais e dessa forma modificar os valores e a cultura da sociedade.
O capitalismo cria tendências que não pode levar até o final. Ao contrario da classe trabalhadora que não só pode, como precisa levá-las até o final para conseguir se emancipar.  Com o capitalismo surge o processo de feminização do trabalho, acentuado a partir da década de 70. Que é uma das grandes contradições desse sistema, pois, ao mesmo tempo que ele proporciona a mulher as condições e o direito de sair de casa e conquistar sua independência faz isso mantendo o trabalho doméstico como obrigação da mulher e submetendo-nas aos trabalhados mais precários e com salários menores.
O capitalismo cria a possibilidade de socialização do trabalho doméstico, com a possibilidade de criação de creches, restaurantes e lavanderias públicas. Mas ele mantém esse trabalho atrelado à mulher, porque o capitalismo visa o lucro e é muito mais vantajoso para a burguesia ter uma mulher que faça esses serviços sem receber nada. A dupla ou tripla jornada de trabalho da mulher é vantajosa pro capitalismo porque garante os lucros do capitalista, mas também porque impede que uma mulher possa se colocar como sujeito político na luta por seus direitos. Ou seja, impede que grande parte da classe operária se coloque contra a exploração a que estão submetidos.
A classe media é um setor que está em disputa pelo projeto de sociedade de duas grandes classes, a burguesia e o proletariado. Os trabalhadores precisam mostrar que são o sujeito revolucionário e que são o único setor que podem levar até o final as demandas democráticas que esse sistema não garante. Os trabalhadores têm necessariamente que acabar com o racismo, com a opressão de gênero, com a falta de liberdade sexual, com a xenofobia e com a divisão entre efetivos e terceirizados, porque eles precisam unificar as suas fileiras e disputar esses setores da classe média. Mostrar que só acabando com a divisão da sociedade em classes é que vamos avançar para acabar com todas as outras divisões impostas por essa sociedade.
A classe operária cumpre esse papel não só pela sua expressão numérica, os trabalhadores são a maioria nessa sociedade, mas também pelo papel que cumprem na produção. Os trabalhadores controlam a produção e como marxistas acreditamos que as relações de produção determinam as relações sociais. Por isso é preciso modificar a estrutura econômica pra modificar os valores e a cultura.
E para fechar gostaria de citar um trecho da Andrea D’Atri, uma das fundadoras do Pão e Rosas na Argentina e dirigente do PTS:

Cada vez que uma mulher é abusada, golpeada, humilhada, considerada um objeto, discriminada, submetida, a classe dominante se perpetua um pouco mais no poder. E a classe trabalhadora, por outro lado, se enfraquece. Porque essa mulher perderá a confiança em si mesma e em suas próprias forças. Atemorizada, passará a crer que a realidade não é passível de mudança e que é melhor submeter-se a opressão do que enfrentá-la e por sua vida em risco. A classe trabalhadora, por outro lado, se enfraquece, também, porque esse homem que golpeou sua companheira, que a humilhou, que a considerou sua propriedade, está mais distante que antes, de transformar-se num trabalhador consciente de suas algemas, está um pouco mais longe de reconhecer que, na luta para romper seus grilhões, deve propor libertar toda a humanidade de sua cadeia e contar com todos os oprimidos como seus aliados.
Por essa razão, o programa do trotskismo defende o oposto ao que sustentam os populistas: se a unidade dos trabalhadores é necessária, então é imperioso erradicar os prejuízos contra os imigrantes, as barreiras que se levantam entre efetivos e terceirizados, combater a ideologia que impõe a repressão do adulto sobre o jovem e, nesse sentido, lutar decididamente contra a opressão das mulheres. “



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Secretaria de Mulheres do Sintusp: Até quando mulheres perderão suas vidas?

Declaração da Secretaria de Mulheres do Sintusp 

 28 de setembro - dia latino americano e caribenho pela descriminalização e legalização do aborto


Mais recentemente vimos notícias de dois casos, em menos de um mês, de mulheres que perderam suas vidas ao recorrerem à prática do aborto ilegal. Jandira Magdalena de 27 anos e Elisângela 32 anos viviam no estado do Rio de Janeiro e o que mais essas mulheres tinham em comum? Eram trabalhadoras, mães de dois filhos e com muito esforço economizaram entre 3 e 4 mil reais para realizar o aborto. O motivo que as levaram à isso? Falta de condições de vida dignas e medo de perder o emprego.

Esta semana foi confirmado através de um exame de DNA que o corpo encontrado na zona oeste do Rio carbonizado, era de Jandira. E Elisângela teve o útero e intestino perfurados e morreu no hospital. Estes dois casos trouxeram à tona o debate sobre o tema do aborto e as consequências de sua ilegalidade mostrando através dos dados que esta questão precisa ser encarada de fato por toda sociedade e que é necessário acabar com a impunidade das máfias de clínica clandestinas que fazem do aborto um “negócio” com envolvimento de policiais e outras instituições do próprio Estado.

Um milhão de mulheres realizam abortos clandestinos todos os anos, e os dados do SUS mostram que são realizadas cerca de 243 mil curetagens, aproximadamente o mesmo número de internações por doenças como câncer, sendo o aborto ilegal a quarta causa de morte entre as mulheres.

Ao mesmo tempo que o Estado nega o direito ao aborto legal para todas as mulheres, fazendo com que a maternidade seja uma “obrigação”, não dá as condições básicas e dignas de atendimento à saúde e educação gratuita e de qualidade para que as mulheres exerçam a maternidade, além da precarização do trabalho, que faz com que as mulheres tenham os salários mais baixos e direitos negados.

Na USP acabamos de sair uma greve vitoriosa com a participação de muitas trabalhadoras de várias unidades, e uma de nossas bandeiras foi mais creche para todas as funcionárias e funcionários, luta histórica na USP, escancarando que este direito básico e democrático para todas trabalhadoras é negado pelos governos. Uma de nossas pautas centrais foi contra a desvinculação dos Hospitais Universitários (HU e HRAC) proposta pelo reitor Zago, e também dos Centros de Saúde, pois entendemos que este projeto visa a privatização da saúde pública que atende à população da ZO da cidade de SP, e através da Secretaria de Mulheres também lutamos pela contratação de enfermeiras para realização de 850 exames de Papa Nicolau para mulheres que estão na fila de espera à muito tempo, necessário para a prevenção de câncer. Queremos avançar neste e em outros debates com o conjunto dos trabalhadores, pra que mais nenhuma mulher morra por aborto clandestino.

Entendemos que a luta pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito garantido pelo SUS é lutar para que as mulheres deixem de morrer e para que possam decidir, uma luta que deve estar junto à luta pelo direito à maternidade e pela saúde das mulheres. Achamos que esta luta deve ser tomada por toda a classe trabalhadora para que nenhuma Jandira e Elisângela seja mais vítima. Justiça para Jandira, Elisângela e todas as mulheres mortas ou mutiladas por aborto clandestino!

A Secretaria de Mulheres do Sintusp estará presente no ato do dia 28 de setembro, dia latino americano e caribenho pela legalização do aborto, às 12h na Praça do Ciclista, e convidamos a todos a se somarem a esta luta.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Para Além do 0%: As Condições de Trabalho e a Saúde do Trabalhador

por Marcela Johnson, estudante de Educação de Física da USP

      Nesses últimos dias fui convidada para participar de uma mesa, junto ao companheiro Pablito do SINTUSP e os companheiros do SESMT. Como estudante de Educação Física tive a oportunidade de socializar os meus conhecimentos com trabalhadores em greve da USP discutindo sobre saúde do trabalhador, foi uma grande experiência, pela primeira vez pude ver um pequeno germe de como poderia ser uma universidade que colocasse seu conhecimento a serviço da classe trabalhadora.
       Ouvimos vários casos de trabalhadores que perderam sua juventude e sua saúde na Universidade, companheiros que chegaram ao limite de tentar tirar suas próprias vidas pois não viam nada mais forte que o assédio moral das chefias.
         Acidentes de trabalho, restrições médicas e assédio moral fazem parte do cotidiano dos trabalhadores de uma das “melhores universidades da América Latina”, mas não só deles como de todos os trabalhadores de nosso país.
        Vivemos números de guerra, por ano são  2.503 mortes por acidentes de trabalho, ocupamos o quarto lugar no mundo nesse ranking, sem contar milhares de trabalhadores inválidos e até mesmo afastados por problemas mentais.
         Parto de uma concepção onde a Saúde não se refere só ao bom funcionamento do nosso corpo físico, mas também o psicológico e social. Vejo na verdade que devemos olhar para a saúde como um processo de saúde/doença onde existem vários fatores que vão determinar a sua situação, como moradia, alimentação, o trabalho, as relações sociais, a classe social, e etc.
      Sendo assim, é impossível fazer uma analise consequente sobre saúde do trabalhador por fora de colocá-la dentro da divisão social do trabalho de nossa sociedade, pois esse é o plano de fundo que determina muitos dos fatores que contribuem para essa relação Saúde/Doença.
        Nós fazemos parte de uma parcela da sociedade que só tem sua força de trabalho para sobreviver. Existe outra parte, os patrões e grandes empresários que se organizam para sugar a nossa força física no momento da vida onde temos melhor condição de produzir.
        Dentro dessa lógica todo o desenvolvimento tecnológico e de produção, ao contrário de estar a serviço do bem comum tem servido ao lucro. As máquinas não estão a serviço de auxiliar os trabalhadores para preservar sua força de trabalho, mas para conseguir retirar o máximo possível dela, aumentando a produção e o lucro.
        São os trabalhadores que pagam com sua saúde e sua vida pela ganancia dos patrões e quando entramos em uma crise, assim como a que a reitoria diz existir, pagamos dobrado para manter essas margens de lucro e de produção.
          Mesmo os trabalhadores da USP não estão fora dessa lógica, pois apesar de não existir a mesma lógica de LUCRO dos patões, reproduz a lógica de PRODUÇÃO em que todos os trabalhadores são mergulhados. Todas as medidas aprovadas pelo governo como o repasse de verba para educação, saúde, transporte e etc. Refletem no nosso cotidiano.
            Então para manter o funcionamento da universidade as reitorias jogam nas costas dos trabalhadores os prejuízos. E quando vemos um pequeno corte de orçamento, ou o congelamento de verbas para a educação, isso reflete não nas grandes pesquisas, financiadas por Fundações Privadas e grandes empresas, mas no cotidiano dos trabalhadores e no corte de serviços para a comunidade .
            Todas as medidas refletem no aumento da exploração real no nosso cotidiano, mais assédio moral para que trabalhemos ainda mais em situação cada vez mais precária, mais trabalho, menos contratações, mais terceirização e como consequência um grande prejuízo para a nossa saúde.            Para garantir resultados de produção nos rankings internacionais formamos dentro de nossa universidade um exercito de trabalhadores doentes.
            É preciso ficar bem claro que nenhum trabalhador é responsável pelos acidentes de trabalho nem pelas doenças adquiridas, tudo isso é culpa de uma divisão do trabalho desumana que pensa apenas na produção e não nas vidas que são responsáveis por produzir.
            Se a nossa força de trabalho é a única forma de garantir nosso sustento, é preciso levar uma forte luta por melhores condições de trabalho. Ou garantimos isso ou estaremos junto com milhares de trabalhadores que por perder sua condição física, não conseguem se quer vender a sua força de trabalho devido as suas restrições.

Terceirização

            Como observamos em todas as unidades as condições de trabalho são muito ruins para os efetivos, para os terceirizados a situação é muito pior. Com menos direitos, menores salários suas condições de vida são muito piores e pela sua vulnerabilidade são os primeiros a serem atacados com demissões e etc.
          Um exemplo disso é o José Ferreira, jovem negro, trabalhador terceirizado da Faculdade de Medicina morreu em acidente de trabalho.
            Silvana, trabalhadora terceirizada que dirigiu a primeira greve de terceirizadas dessa Universidade, depois de passar anos deixando toda a sua saúde para limpar os prédios, hoje não consegue arrumar emprego devido ao número de restrições que essa companheira adquiriu nesses anos de trabalho. Agora nem mesmo sua força de trabalho pode oferecer.
           Esses são pequenos exemplos do que sofrem esses companheiros e com a demissão de terceirizados em todas as unidades essa situação tende a piorar. Por isso também é nosso dever defender os postos de trabalho desses companheiros e avançar na luta para Efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público.

As Mulheres Trabalhadoras

            Para as mulheres trabalhadoras, como se não bastassem as condições precárias no trabalho, ainda tem que aquentar a dupla jornada de trabalho. Chegam em casa, cuidam dos filhos, cozinham e lavam roupa, um segundo trabalho não remunerado que também gasta sua energia e sua força de trabalho.
            Esse trabalho essencial para garantir que os trabalhadores consigam estar todo os dias em seus postos de trabalho, por conta do machismo é feito quase que exclusivamente pelas mulheres. Isso significa que além do desgaste físico e psicológico no seu local de trabalho, as mulheres ao chegarem em casa ainda tem mais uma segunda jornada de trabalho que também interfere em sua saúde.
            É preciso lutar para que o Estado se responsabilize por esses trabalhos, que existam creches para que as mães possam deixar seus filhos para trabalhar, restaurantes e lavanderias públicos e isso só pode ser feito a partir da luta dos trabalhadores.
            Na USP temos vários exemplos de como a luta dos trabalhadores e trabalhadoras ajudaram a avançar também na luta pelo direito das mulheres. As creches na USP foram conquistadas pelos trabalhadores, nas greves do HU por muitas vezes direito elementares das mulheres foram conquistados e nessa greve não tem sido diferente, as companheiras do Centro Saúde Escola tem como uma de suas reivindicações nessa greve mais contratações de enfermeiras para conseguir dar conta das 800 mulheres que hoje estão na fila do papanicolau.

O Conhecimento

        Não podemos permitir que em uma universidade tão importante quanto a nossa o conhecimento continue servido para as grandes empresas, para pensar tratamento para os grandes craques do futebol enquanto centenas de trabalhadores apodrecem em suas máquinas de moer gente. É preciso uma universidade à serviço dos trabalhares, gerenciado não pelos burocratas donos das empresas terceirizadas, mas pelos que trabalham e estudam.
            Parte da luta acabar com as doenças criadas nos locais de trabalho da universidade é nos apropriar de todo o conhecimento produzido nas salas de aula e laboratórios dessa universidade para melhorar as condições de vida de cada trabalhador.
            Hoje o conhecimento da universidade está a serviço de acabar com a saúde de nossa classe, de nos explorar o máximo possível, de fazer mais lucro para as grandes empresas. Para nós esse tipo de conhecimento de nada serve, por isso a luta pela saúde dos trabalhadores deve abarcar também a luta por uma educação a serviço dos trabalhadores e do povo pobre, para que possamos formar pessoas capazes de responder ao nosso problemas.

Como Avançar Nessa Luta, o Exemplo de Zanon

            A experiência dos trabalhadores nos mostram que é possível se organizar e dar um fim às maquinas de moer gente, mas que para isso não existe cooperação com a classe que quer nos tirar a saúde, nem mesmo com os seus representantes.
          Na Argentina, os trabalhadores de Zanon ocuparam a fábrica ceramista e a colocaram para funcionar sobre controle operário e sem patrões conseguiram a partir da auto-organização produzir. Lá praticamente inexistem acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
            Nessa experiência estudantes se juntaram aos trabalhadores para junto pensarem quais as melhores formas de produzir sem serem guiados pelo lucro, mas pelas melhores condições de vida para cada um dos que trabalhavam ali. Contrataram mais trabalhadores e partir da sua experiência e do conhecimento dos estudantes construiu-se ali um grande exemplo para todos os trabalhadores.

Quem está afim de por o seu futuro na reta para tudo isso mudar?

          Por fim em meio ao debate uma trabalhadora abriu uma reflexão: “Quem está afim de por o seu futuro na reta para isso tudo mudar?”
        Fazemos parte de uma classe poderosa, que já derrubou patrões, governos e até mesmo os poderosos de países inteiros. Pode ter certeza que esses trabalhadores não fizeram isso sem medo, se por um lado entrar na luta pode significar sofrer derrotas, por outro, não lutar significa aceitar adoecer nos nosso locais de trabalho, aceitar que uma pequena camada de privilegiados é mais forte do que as massas que são oprimidas cotidianamente.
         A história nos mostra que só podemos confiar nas nossas próprias forças, que se existe uma classe capaz de mudar as rumos da história, de construir uma sociedade que não se balize na exploração, mas na socialização de toda a riqueza produzida, essa é a classe trabalhadora.
         Há pouco tempo atrás tivemos o grande exemplo dos Garis do Rio de Janeiro, que mesmo com a mídia, o governo contra eles não retrocederam, tentaram intimidar esses companheiro com a policia e a resposta que essa categoria deu a todos os que tentavam os atacas é que Não Tem Arrego! Esses trabalhadores acreditaram na força de sua classe e conseguiram apoio de várias categorias no mundo inteiro, quando seu ato passava pelas ruas do RJ viam papeis de apoio colado nas janelas, aplausos e até chuva de papel.
        Nesses anos de USP conheci grandes guerreiros, que não hesitaram em se organizar contra os ataques da reitoria e só governo, que já se enfrentaram com os chefes, com os diretores, com a reitoria e até mesmo com a policia. Estamos a mais de 40 dias em greve e não vão nos cansar, porque em nossa greve ainda ecoa o grito dos nossos companheiro de classe, os garis do RJ e para todos os que tentarem nos atacar responderemos: NÃO TEM ARREGO.
         Nossa luta é por melhores condições de trabalho e salário, mas também é a luta por uma universidade a serviço dos trabalhadores. Nossa vitória não é só da categoria, mas de toda a classe trabalhadora que poderá se fortalecer para novas lutas e é com muita garra e determinação que devemos avançar para que essa greve seja vitoriosa, mas também para que a luta pela vida dos trabalhadores avance a passos largos por todo o mundo!



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Histórica greve do Hospital Universitário da USP

Entrevista feita pelo Jornal Palavra Operária com Dinizete Xavier que foi trabalhadora do HU e atualmente é membro do comando de greve do Centro de Saúde Escola do Butantã e militante do Pão e Rosas.

Veja também em: http://www.ler-qi.org/Historica-greve-do-Hospital-Universitario-da-USP


 JPO: Há 19 anos o HU não entrava em greve, como está a mobilização entre os trabalhadores neste momento?
Aqui no HU a greve está sendo construída todos os dias, porque tem pessoas que nunca tiveram experiência de greve e os outros que já tiveram experiência estão há muito tempo sem fazer uma greve na saúde. Vários setores aderiram, porem tem alguns que precisam ser convencidos da necessidade dessa luta, mesmo assim as pessoas que saíram em greve estão dispostas também a lutar. O hospital vem há anos sendo sucateado, está superlotado, não tem contratação, renovação de contratação, reposição dos quadros necessários e o reitor ainda barrou as contratações. Tinham pelo menos 3 médicos que estavam prontos pra entrar e acabaram sendo barrados, mandados para casa por ordem do reitor. As pessoas estão sobrecarregadas, existem muitas pessoas com LER-DORT por trabalhar em excesso, uma das pautas de reivindicações é para que tenha a reposição de todos os quadros necessários. Também tem a questão da desvinculação do hospital, todos os anos os reitores vem colocando que o hospital tem que ser a parte da universidade, porque dizem que o hospital dá muito gasto e a universidade não é obrigada a bancar toda a extensão, quem tem que bancar é o SUS. A gente diverge porque a intensão dos reitores é mandar o HU, ou para o município ou pra secretaria estadual de saúde, porem sabemos que ao desvincular da universidade, o hospital vai ser entregue para uma Organização Social de Saúde (OSS), no caso daqui a Fundação Faculdade de Medicina (FFM) que está dentro do Projeto Zona Oeste de saúde e ensino da região. Esse ponto foi crucial para fazer com que os trabalhadores da saúde entrassem em greve foi a não desvinculação do HU da USP.

JPO: Como a luta em defesa da saúde, dialoga com as necessidades da população?
O problema da saúde está muito grave no Brasil e a população sofre muito com isso. Por isso a gente está conversando bastante com a população, os trabalhadores do hospital foram várias vezes à São Remo desde o inicio da greve, distribuindo materiais no metro Butantã como a carta aberta que diz à população o motivo da nossa greve e chamando a população a apoiar. Há 30 anos que na região só tem o HU e a população vem crescendo sem que nenhum governo, nem estadual, nem municipal construa mais hospitais na região principalmente que atenda as urgências, cirurgias de urgência e emergência. Essa região fechou hospitais porque não tinham funcionários suficientes e a população ficou lá sem atendimento. No Centro de Saúde Escola Butantã (CSEB) estamos com um problema pois há uma proposta da municipalização, ou seja, separar o CSEB da universidade e entregar ao município para depois entregar para OSS. Para lutarmos juntos contra tudo isso estamos defendendo a proposta de convocar a população para fazer um grande Fórum Popular para discutir a saúde aqui na região oeste.

JPO: Como foi a história de luta dos trabalhadores e trabalhadoras no HU?
O HU foi o protagonista de uma greve depois de uma ditadura, ainda não tinham promulgado a constituição, mas teve uma ampla greve em 1988 por reivindicações também específicas. Já naquele momento a maioria que estava mais mobilizada eram as trabalhadoras mulheres e a nossa reivindicação era que tivesse redução de jornada de 40 para 36hs, creche no local de trabalho, que as mulheres tivessem o direito de amamentar seus filhos no horário de trabalho, correção dos salários, porque estavam defasados. Lutávamos também para saber o que estava acontecendo com a verba do SUS que devia ter que ser repassada para o equipamento, o hospital, para os próprios trabalhadores na forma de uma cesta básica que ajudasse os trabalhadores e com essa pauta na mesa o HU foi o primeiro a sair em greve. Nessa época descemos até a Prefeitura do Campus, onde naquele momento os companheiros estavam acomodados nos seus setores, trabalhando como se nada tivesse acontecendo. Fizemos um arrastão dentro da prefeitura e tiramos os trabalhadores, em sua maioria homens, para fora e aí a greve foi crescendo, foi vitoriosa, tivemos mais de 80% de reajuste e conquistamos a creche no local de trabalho, a redução da jornada para 36hs e ainda expulsamos o superintendente.
De lá para cá, talvez por conta de muitas conquistas o HU não se organizou mais para as greves e chegou a ter uma organização em 1994, porem acabou não saindo em greve. Já em 1995 o HU entrou em greve junto com outros setores, mas a greve não cresceu, minguou e acabou sendo derrotada e isso provocou muitas represálias, mais de 200 trabalhadores foram demitidos e depois as pessoas ficaram anos a fio submetidos e sem conseguir se organizar. Eu mesma também fui punida pela greve, eu era do plantão noturno e tivemos companheiros que tiveram 8,10 dias descontados e eu mesma tive 20 dias de desconto, recebi advertência e fui processada. Depois de 95 continuamos lutando contra o diretor do HU, o fascista Tolosa.

JPO: Como você vê a situação de trabalho das mulheres na área da saúde? 
As mulheres que trabalham na área da saúde são sobrecarregadas por ter que trabalhar em excesso, com a superlotação do hospital que leva a que elas adoeçam a ponto de muitas ficarem com problemas de saúde mental, se afastarem do trabalho por causa das lesões por esforços repetitivos e mesmo assim não deixam os pacientes abandonados. Tem a questão da pressão de que pelo fato de ser mulher, as chefias acham que você aguenta mais e temos que suportar o peso do hospital superlotado para um número ínfimo de trabalhadores que tem que dar conta de toda a necessidade do quadro de paciente. Por isso, a jornada não está mais a contento, 36h já não é mais uma jornada viável para as trabalhadoras da saúde e além disso carregamos a dupla jornada, ou seja, ainda temos que fazer os trabalhos domésticos como lavar, passar, criar os filhos etc., por isso, lutamos pela redução da jornada para 30 horas semanais inclusive para atender melhor os pacientes.

JPO: Como você vê a situação das mulheres que são usuárias do sistema de saúde?

No CSEB, onde trabalho atualmente, antes mesmo de iniciar a greve, a gente já estava com 500 mulheres aguardando o exame de Papa Nicolau que não podiam ser atendidas, pois os reitores não vem contratando o quadro necessário de enfermeiras. Quando iniciamos a greve já eram mais de 800 mulheres e a fila continua crescendo. Antigamente as técnicas podiam colher esse exame e a peãozada que não tinha ensino superior ralava duro, mas teve uma lei que dizia que apenas as enfermeiras poderiam colher o papa Nicolau, mas hoje no CSEB temos apenas 4 enfermeiras que precisam fazer vigilância epidemiológica, saúde da família e outros atendimentos e não vão conseguir colher o exame de 500 ou 800 mulheres. Por isso, estamos nessa luta para que o reitor contrate emergencialmente mais enfermeiras, pois senão vão inviabilizar várias outras atividades. Também tem a questão da farmácia que, pela legislação só permitem que sejam atendidos medicamentos de controle especial, que seria o atendimento de saúde mental, com a presença do farmacêutico, e por isso, estamos há anos reivindicando que seja contratado um novo farmacêutico e não estão contratando, porque o reitor barrou essas contratações.

Cada mulher a mais na luta fortalece a greve das trabalhadoras e trabalhadores da USP


 



No dia 07/07, durante a assembleia dos trabalhadores da USP aconteceu a atividade CRIANÇA NA GREVE. Essa atividade foi impulsionada pela comissão de Cultura dos trabalhadores da USP em greve, pelo grupo de mulheres Pão e Rosas, pelo coletivo Juventude às Ruas e por estudantes independentes da Faculdade de Pedagogia. A greve dos trabalhadores da USP segue forte mesmo em meio às férias  e atividades criativas como esta fortalecem ainda mais a luta. Um pequeno exemplo disto foi uma trabalhadora que desde o início da greve não participou das atividades, mas esteve presente nesta última assembleia com seus dois filhos. Cada mulher a mais na luta fortalece a greve das trabalhadoras e trabalhadores USP e sabemos que as mulheres têm mais dificuldade de participar dos espaços políticos de construção da greve e de se organizar por causa das tarefas de casa e do cuidado com os filhos.

Brincando com espadas de espuma, as crianças lutavam contra o 0%. No final da atividade mães, pais e crianças fizeram uma grande roda cantando pela abertura das negociações, contra o arrocho salarial e a precarização da educação entre poemas e repentes. Para nós, do Pão e Rosas e da Juventude às Ruas, que estamos lado a lado as trabalhadoras e trabalhadores da USP em cada piquete e em cada ato nesses 40 dias de greve, foi uma grande alegria ajudar nesta atividade que garantiu que mais mulheres mães se colocassem como sujeito político ativo na assembleia. Aprendemos muito com esta greve que é levada a frente com os métodos de luta da classe trabalhadora e com democracia operária, através de um comando de greve que possibilita que a greve seja dirigida pela base dos trabalhadores em cada unidade. Lutamos pra acabar com o vestibular para que os filhos dos trabalhadores possam estudar e achamos que isso só será possível atraves da luta dos próprios trabalhadores da educação garantindo uma universidade realmente pública, gratuita e de qualidade organizada pelos e para os trabalhadores. Por isso nos colocamos lado a lado dos trabalhadores da usp nessa greve. 


Continuaremos construindo estes espaços em todas as assembleias e atividades da greve e chamamos os demais estudantes da USP, coletivos de mulheres e agrupações (principalmente aqueles dirigidos pelo PSOL e PSTU, que compõem a atual gestão do diretório central dos estudantes da USP), para se somarem nessa iniciativa ao lado dos trabalhadores. É um pequeno exemplo de como os estudantes podem colocar na prática a aliança operário estudantil!Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/proxy/AVvXsEgXF18eA86nTr5LV5M6dP-XIGfahckRutHPb42GUNt0IGbiEPIsRlLb5o9rRA7beTzp02p2c1rjFStQEjhs4iyCMU5Pp5EfdFR-sFd3Ww0oc0YWljUESM6AHidQPNIsUhQy_46ayMvycIVobjV0Duy32liQmB6PUEB8enLj=s0-d-e1-ft

TRABALHADORES
PODEM LUTAR
QUE A JUVENTUDE TÁ AQUI PRA TE APOIAR!

ABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES!
QUE TODAS AS REIVINDICAÇÕES SEJAM ATENDIDAS!
LIBERDADE IMEDIATA À FABIO HIDEKI!