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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Por um 8 de Março contra os ataques do governo Dilma

Por: Odete Cristina

Rumo ao 8 de Março, as mulheres precisam se organizar para fazer uma grande manifestação contra as primeiras medidas tomadas pelo “novo” governo de Dilma com ataques e ajustes aos direitos trabalhistas, como é a reforma no setor previdenciário.

Rumo ao 8 de Março, as mulheres precisam se organizar para fazer uma grande manifestação contra as primeiras medidas tomadas pelo “novo” governo de Dilma com ataques e ajustes aos direitos trabalhistas, como é a reforma no setor previdenciário. Não seremos nós, as mulheres, que pagaremos pela crise que os capitalistas criaram! Por isso gritamos que não somos uma no poder, sejamos milhares nas ruas neste 8 de Março contra os ajustes e os ataques de Dilma!
Se apoiando no exemplo de milhares de mulheres trabalhadoras que foram linha da frente das greves que tomaram o país nos últimos meses, neste 8 de março é fundamental unir os trabalhadores e a juventude para defender os direitos das mulheres, demonstrando que é uma luta que deve ser tomada pelo conjunto do movimento estudantil e operário, não de maneira separada ou exclusiva das mulheres. É preciso dizer que este 8 de Março também será TRANS*! Também será das mulheres lésbicas, negras, terceirizadas, das mais oprimidas e mais exploradas! Para enfrentar a profunda crise da água, aumento dos preços dos alimentos o aumento dos transportes, cuja maioria dos usuários são mulheres que sofrem cotidianamente com a péssima qualidade e os inúmeros casos de assédio sexual e violência.
Queremos dar voz a todas as mulheres brutalmente assassinadas e violentadas pelo machismo estrutural do sistema capitalista em que vivemos. Por isso, devemos lutar para que as organizações de trabalhadores como os sindicatos e os partidos de esquerda, assim como as entidades estudantis tomem em suas mãos a luta contra a violência, organizando uma verdadeira campanha tornando vivo o debate e o combate a esta prática reacionária para garantir a igualdade na vida das mulheres, que qualquer lei ou decreto, por si só, será incapaz de garantir.
Não vamos nos calar diante das inúmeras mortes por aborto clandestino em nosso país. Enquanto o governo Dilma segue nos negando o direito a maternidade, milhares de mulheres recorrem a clínicas clandestinas para a realização do aborto, já que não possuem condições de cuidar dos filhos, colando suas vidas em riscos, principalmente as mulheres negras. Não aceitaremos mais Jandiras ou Elisangelas! Basta de mulheres mortas por aborto clandestino! Queremos aborto legal, seguro e gratuito e nosso direito a maternidade garantido.
Por isso, a você trabalhador e trabalhadora, jovem estudante universitária ou secundarista, dona de casa, que talvez tenha nos conhecido através de uma amiga, de um ato de rua, de um panfleto entregue no seu local de trabalho ou de estudo, te convidamos a organizar conosco um 8 de Março de luta contra os ajustes e a precarização de nossas vidas! Venha organizar um bloco de homens e mulheres, estudantes e trabalhadores, que lutamos como uma tarefa de toda Nossa Classe, pelo direito ao Pão e também às rosas.
Original: Palavra Operária
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Governo Alckmin ameaça direito à licença-maternidade

Por: Milena Bagetti

Governo Alckmin move uma ação direta no supremo tribunal federal para que todas as servidoras públicas em estágio probatório compensem os seis meses de afastamento antes de cumprirem prazo para obter estabilidade no emprego.

Governo Alckmin move uma ação direta no supremo tribunal federal para que todas as servidoras públicas em estágio probatório compensem os seis meses de afastamento antes de cumprirem prazo para obter estabilidade no emprego. Com a aprovação desta ADI haverá uma pressão psicológica e material para a mulher não engravidar, que levará a assédio moral e interferência direta das patronais (diretorias, chefias) na vida mulheres. Trabalhadoras terceirizadas e temporárias não possuem direito a licença maternidade, pois o assédio moral para que não engravidem é tanto que muitas deixam de engravidar, são demitidas quando engravidam.
Em cenário de ataques deflagrados contra os trabalhadores através de medidas que buscam retirar uma série de direitos trabalhistas por parte do governo Dilma (abono-salarial, seguro-desemprego, pensão por morte, auxílio-doença, seguro pescador), o governo do estado de SP, também busca ferir fortemente um direito das funcionárias públicas, a licença maternidade. Geraldo Alckmin (PSDB) moveu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal contra a lei que regulamenta a licença-maternidade de funcionárias públicas em estágio probatório - período de três anos em que o funcionário público fica sob avaliação até adquirir estabilidade. Na Unicamp, na gestão do atual reitor Tadeu, conforme a Resolução GR-032/2013, a contagem de tempo e o período de avaliação especial de desempenho dos funcionários são suspensos no caso de licença maternidade, entre outros casos.
Além dos ataques já mais conhecidos do professorado paulista, categoria do funcionalismo público de maioria feminina, como os contratos de professores categoria O que acabam sem rescisão, mais este ataque vem à tona. Este atingiria as professoras que conseguiram se efetivar no cenário caótico da educação pública paulista, em que somente no último concurso PEB II (2014), uma grande jogada eleitoreira de Alckmin, ainda não foram convocados grande parte dos aprovados para assumir o cargo, mas sim para atribuir aulas como remanescentes, sem que nem ao menos estas aulas existam, já que muitas salas de aula foram fechadas, intensificando a precarização do trabalho e da vida.
Muitas mulheres que estão em período de estágio probatório podem resolver engravidar ou podem vir a ter uma gravidez indesejada, que precisará ser bancada do seu próprio bolso, pois são oferecidos precários serviços de saúde, além dos planos de saúde ser absurdamente caros e ligados ao mercenário complexo médico-industrial-hospitalar. Se esta ADI for aprovada, além do forte assédio moral e interferência das patronais na vida das mulheres, também colocará a mulher grávida em desvantagem profissional, pois ela vai demorar 6 meses a mais pra poder ter a estabilidade. Neste momento em que os trabalhadores se preparam para lutar contra os ataques em seus locais de trabalho e estudo e que as mulheres se preparam para um 8 de março de muita luta contra os governos e patrões, nenhum direito a menos.
Não ao ADI de Alckmin!
Basta de assédio moral contra as mulheres trabalhadoras que engravidam!

Licença-maternidade de 1 ano para todas as trabalhadoras, incluindo as terceirizadas.
Original: Palavra Operária
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mais uma vez prepara-se a impunidade dos “peixes grandes” da máfia do aborto clandestino

Por: Rita Frau, professora e da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta


Seguem ocorrendo prisões da quadrilha do aborto realizada pela Operação Herodes no Rio de Janeiro. Chega ao número de 63 presos envolvidos na quadrilha (...) 

Seguem ocorrendo prisões da quadrilha do aborto realizada pela Operação Herodes no Rio de Janeiro. Chega ao número de 63 presos envolvidos na quadrilha. A Polícia Civil expediu 75 mandados de prisão através da Operação Herodes e ainda faltam 12 a serem cumpridos. Entre os membros da quadrilha que já foram presos estavam policiais civis, militares, bombeiros e médicos. A máfia chegava a lucrar milhões por mês.
Numa escuta telefônica, o médico Aloísio Soares Guimarães, considerado um dos chefes da quadrilha, quem realizava abortos desde 1972 no bairro de Copacabana e foi preso em sua casa com R$ 532 mil em dólares, dizia para seu neto que pagava de propina para a polícia “no máximo 20 mil reais”, e ganhava “300 mil por mês”. Além disso, tinha 5 milhões de reais numa conta na Suíça.
A advogada que sempre defendeu os integrantes da máfia do aborto em situações anteriores está foragida, pois também ajudava no contato com as mulheres que buscavam o procedimento do aborto clandestino. E muito provavelmente não será punida, pois tem as “costas quentes”. Ela também era advogada de membros da máfia do bicho, e muito provavelmente havia uma relação entre a máfia do aborto e a máfia do bicho no Rio de Janeiro.
Todos esses médicos já têm algum processo por várias infrações desde a década de 60. Outros têm condenações, mas continuavam lucrando com a indústria do aborto e nunca tiveram os registros no CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) caçados, sem o qual não poderiam exercer a profissão.
É vergonhoso que o CREMERJ, que se diz favorável à legalização do aborto, tenha mantido os registros desses médicos gananciosos que moravam nos bairros mais caros do Rio Janeiro às custas do desespero, angústia e mutilações de mulheres que recorriam ao aborto clandestino que custava em média R$ 3 mil reais. Os peixes-grandes da máfia do aborto são os médicos, oficias e autoridades que sempre conseguem se livrar das condenações, seguindo com seus negócios.
O médico Evangelista Pinto segue foragido e a Operação Herodes usa a desculpa esfarrapada que está em contato com a Interpol em busca do médico que deve ter propriedades em condomínios luxuosos, fácil de ser encontrado em Miami.
Este ano foi divulgado o valor do procedimento de aborto pelo SUS em R$ 443, pela portaria 415, que estabelecia que o procedimento nos casos previstos em lei passassem a fazer parte na tabela do SUS. O aborto nas clínicas clandestinas custavam no mínimo sete vezes a mais do que o procedimento feito pelo sistema público de saúde, mostrando que os médicos da quadrilha só estavam preocupados no quanto ganhariam com cada aborto, mesmo que isso custasse a vida de mulheres, como aconteceu com Jandira.
Apesar de em 2013 o Conselho Nacional de Medicina ter apresentado à comissão do Congresso Nacional que analisa a reforma do código penal a proposta favorável à interrupção voluntária da gravidez até a 12 semanas, passa longe a possibilidade da mudança na legislação do aborto que seja favorável às mulheres.
O Ministério de Saúde revogou a portaria 415 este ano devido a pressão dos setores reacionários da bancada conservadora “pró-vida”, que nega o direito da aborto.
A luta por este direito deve ser organizada o quanto antes através da unidade do movimento feminista com as organizações da classe trabalhadora. Nós do pão e Rosas chamamos o Movimento Mulheres em Luta da Conlutas e as mulheres feministas do PSOL a organizarmos nos locais de trabalho e estudos debates entre trabalhadores e jovens para levarem adiante uma campanha real pela legalização do aborto no Brasil.
A Marcha Mundial de Mulheres deve romper sua submissão ao governo Dilma, que nos 12 anos do governo do PT não foi capaz de liderar e conceder este direito básico e privilegiou a aliança com a Igreja e setores reacionários das bancadas evangélicas e católicas do Congresso. Só a partir dessa ruptura poderá participar seriamente de uma campanha nacional que unifique os diversos movimentos feministas para romper o cerco dos setores conservadores e reacionários e levar até o final a luta para aprovação de um projeto de lei que garanta a interrupção voluntária da gravidez da forma mais segura, garantida pelo Estado.
Muitos eleitores votaram contra os candidatos que se declararam contrários a este direito democrático. Esta é a base social desta grande campanha que propomos.
No dia 25 de novembro, dia internacional de luta contra à violência às mulheres, a denúncia das mortes, mutilações e sofrimentos por abortos clandestinos devem ser encaradas como a violência do Estado contra as mulheres.
A Operação Herodes escancara a hipocrisia das instituições deste Estado que criminaliza o aborto. São as mesmas instituições que estão envolvidas na indústria das clínicas clandestinas e que mantém a impunidade dos “peixe-grandes” desta máfia.
Mesmo com uma série de condenações, foram soltos seguindo com a fonte de ganância enquanto centenas de mulheres que recorrem ao procedimento são criminalizadas no país, carregando o sentimento de culpa e a marca de um aborto mal feito. Tendo que pagar fianças e muitas vezes obrigadas a cumprir penas com trabalho em creches, estabelecidas por juízes, como forma de “reconciliação com a maternidade que um dia elas negaram”, encaradas como verdadeira criminosas.
Não podemos confiar nas instituições do Estado. O movimento feminista deve ser parte das investigações desta máfia, para que os verdadeiros culpados sejam punidos. Precisamos lutar para que nenhuma mulher que tenha realizado aborto nestas clínicas seja criminalizada.
Por isso, o movimento feminista deve ser organizar independente dos governos e instituições capitalistas para lutar sem trégua pelos direitos democráticos das mulheres.


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O exame Papanicolau, a decadência da saúde pública e a luta pelos nossos direitos

Nos marcos da vergonhosa crise de assistência médica e frente a todo o descaso do governo para com as condições de vida da população pobre e, em especial da mulher, e levando em consideração a importante campanha da Secretaria de Mulheres do Sintusp para colocar fim à fila de mais de 1.000 mulheres aguardando para ter acesso ao exame do papanicolau na USP o site Palavra Operária entrevistou Gilson Dantas, médico, setentista e doutor em sociologia pela Universidade de Brasília, e procuramos levantar questões sobre a importância de exames como o Papanicolau para a saúde da mulher e também sobre o descaso do Estado burguês sobre a assistência básica à saúde e os processos de saúde e doença. 




Qual a importância do exame de colo de útero, o Papanicolau, para a saúde da mulher?
Gilson Dantas: Para a mulher de vida sexualmente ativa e também na faixa aproximada dos 25 aos 65 anos, este exame, que é simples, rápido e barato, é o mais indicado para surpreender uma inflamação, uma infecção ou até uma doença sexualmente transmissível no início; também pode descobrir algum foco no colo uterino onde está se iniciando um processo pré-cancerígeno ou mesmo um câncer inicial. Pode descobrir uma verruga vaginal, uma candidíase, enfim é um bom exame de rotina, para ser feito anualmente, no caso de mulheres mais sadias, ou de 3 em 3 anos em outros casos, e que pode surpreender no início uma enfermidade ou até uma inflamação que não está dando, por exemplo, sintomas ainda. Uma doença que não é “visível” passa a ser visível com esse exame de citologia do colo do útero. Essa é sua importância. Em outras palavras, este exame elementar, que integra a chamada “atenção à saúde básica”, é um direito mais do que óbvio e natural de toda mulher que dele necessita. Jamais poderia ser negado ou dificultado. Ele pode, vale sempre repetir, dentre outras coisas, descobrir um câncer de colo uterino (chamado de câncer cervical) quando ele está mal começando. Como é um câncer que demora dez anos para se desenvolver, sua descoberta quando ele ainda é pré-câncer, permite mudar estilo de vida, alimentação, higiene e, dessa forma, fazer com que em dois anos, aquele foco que poderia se desenvolver como câncer, seja completamente curado. E lembremos, só para dar um número, que segundo dados do próprio governo (do INCA, Instituto Nacional do Câncer), em 2011 tivemos 15 mil casos de câncer uterino, com 5 mil mortes; e este câncer é o 4º que mais mata mulheres com câncer no Brasil; em ordem de frequência, ele é o 3º mais frequente (os outros dois são mama e intestino). Ora, todos nós sabemos que a mulher rica tem total acesso a qualquer tipo de exame e à qualidade de vida; a conclusão portanto é que negar o Papanicolau é escolher QUEM vai morrer de câncer uterino. É simples assim. E cruel assim: tanto que um estudioso do assunto procurou traçar o perfil de qual é o tipo de mulher que morre desse tipo de câncer e o que foi que ele descobriu? Que quem mais morre dele é a mulher não-branca, de menos escolaridade, mais pobre, e também a mais cheia de filhos, com ênfase na mulher da zona rural. É claro que esses estudiosos, de resto bem pagos, não vão se indignar com esse apartheid organizado, com essa crônica de um crime anunciado – executado contra as mulheres pobres, negras e de periferia – mas penso que é nosso dever nos indignarmos e organizarmos a luta contra isso, no sentido de mudar esse “destino” que os diferentes governos burgueses organizam contra nós, cotidianamente.
Então o Papanicolau vem a ser um exame preventivo, a mais importante medida de prevenção do câncer de colo de útero?
Gilson Dantas: Em primeiro lugar é uma brutal irresponsabilidade do governo não oferecer este exame para toda mulher, com rapidez, gratuito e em todo bairro. Ele dá uma ideia de como está a saúde da parede vaginal e uterina, se tem inflamação ou alguma alteração de qualquer tipo, verruga, candidíase etc. Mas prevenção mesma, mais profunda, tem que ser entendida de outra forma. Pense comigo: se uma população é obrigada a morar no meio do esgoto e pega muita verminose, qual é a verdadeira prevenção: o exame de fezes, para descobrir que você tem a parasitose ou eliminar o esgoto? Você vai fazer o exame, vai tomar o medicamento e vai voltar a pegar o verme ao pisar de novo no esgoto. Esse é o xis da questão. Portanto, é certo que o Papanicolau é aquela coisa imediata, um direito natural, como tantos outros, e que são sistematicamente negados ao povo pobre. Essa é a primeira coisa. A outra é que nem toda mulher desenvolve câncer uterino. Ele não é um problema de “qualquer mulher”. Compare aquelas que moram no Morumbi ou Jardins com aquelas que vivem em Carapicuíba. A taxa de câncer é brutalmente diferente. A verdadeira prevenção tem a ver com as condições do bairro, transformar as condições de vida e de trabalho que o governo degrada ou deixa degradar todos os dias enquanto suga nosso sangue, nosso suor para gerar sua riqueza e ainda por cima arranca impostos e tarifas públicas caras sem retribuir em serviços. Grandes epidemias e doenças foram vencidas no século XIX através da urbanização, da coleta de esgoto, da oferta de água e outros meios de vida, muito mais por essa via do que pela medicina em si mesma. Portanto cuidado com o discurso do governo: ele adora vender vacinas, tratamentos caros e NUNCA discutir como se origina o câncer e outras doenças. Por exemplo, por que 90% das mulheres têm contato alguma vez na vida com o HPV – um vírus comum – e apenas algumas delas desenvolvem câncer? O vírus está ali, passa por ali, mas somente algumas irão adoecer por conta dele. A resposta é que a causa do câncer uterino nunca foi e nem é o vírus mas sim falta de boa alimentação, a conquista de menos horas de trabalho, melhor higiene, melhores condições de vida, mais lazer. No caso do povo pobre: o fim da exploração do trabalho. O controle da própria atenção médica e da vida, escola, creches públicas e urbanização do bairro, que tem que ser obra dos próprios trabalhadores e suas famílias. Por isso junto com o Papanicolau temos que arrancar todos os nossos direitos à vida. Total proteção à saúde da mulher para sua vida sexual, reprodutiva e saúde em geral terá que ser conquista dos próprios trabalhadores.
Nós temos uma presidente mulher, governos que se sucedem e nunca a saúde da mulher e nem da classe trabalhadora pobre é prioridade. Como você vê essa questão?
Gilson Dantas: Veja que nós estamos diante de um problema de classe. Ter ou não ter acesso ao Papanicolau, no Brasil, é um problema de classe. Antes de ser presidente mulher, ou presidente petista, tucano, peemedebista, todos eles são governos que defendem os interesses da classe que vive do nosso trabalho. Sua prioridade são os grandes banqueiros e o empresariado. São eles que financiam as campanhas daqueles. A nossa resposta também tem que ser de classe. Temos que tomar nosso destino nas nossas mãos. De novo vamos ao exemplo do Papanicolau: é um exame muito necessário já que antes da mulher ter os sintomas de um câncer instalado, que são sangramento, dor após o sexo, o Papanicolau permite descobrir a doença; pois bem, trata-se de um exame pouco invasivo, barato, custaria menos de 50, 70 reais, portanto de baixa tecnologia; o governo poderia contratar pessoas do próprio bairro, em massa, treiná-las para aprender a colher a amostra (aprender o jeito de colher, de preparar a lâmina, reconhecer as células no microscópio, montar equipes, estruturas e pronto, em um mês nenhuma mulher em nenhum bairro, ficaria sem o seu exame. E perto de casa, não é necessário estrutura de hospital. Treinamento, microscópios, iodo e vinagre, espátulas, uniforme, luvas algumas coisas mais e não tem mistério, estaria tudo resolvido e barato. Por que não é? Porque não é prioridade de governo. Mas e as 15 mil mortes em 2011? Ué, e quem disse que o governo vai se importar se forem 20 ou 40 mil? São mulheres pobres! A madame rica se cuida e se trata. Quanto ao governo, dos ricos, só está preocupado com as aparências, o ministério da saúde é aparência, os postos de saúde são aparência, o INCA é aparência (aliás, o INCA outro dia fazia campanha de coleta de chinelos e arroz para doar para as pacientes com câncer, imagine só onde anda a prioridade!!). O ministério da Saúde tem um orçamento que não chega a meio bilhão de reais, mas esse mesmo governo paga juros todo dia de uma dívida do tamanho do PIB, isto é, assumiu dívida de 2,2 trilhões de reais com os banqueiros. Para os banqueiros, trilhões, para a saúde nem meio bilhão... Compare os números e avalie você mesmo se saúde é prioridade. Os leitos do SUS, que por si mesmos já são horrorosos, crescem menos que a população. Mas não é só leitos e nem apenas falta de Papanicolau: quem disse que água, transportes, mobilidade urbana, emprego, qualidade de vida para o povo pobre é prioridade para Dilma ou para Alckmin? Ou para Aécio? Alckmin deixou a água entrar em colapso em São Paulo, enganou a opinião pública o quanto pôde, apenas preocupado com sua reeleição! Dilma é mulher e onde está o Papanicolau para a mulher brasileira? São governos do blábláblá, de jogo de cena com programas do tipo “minha mulher minha vida”, mas a verdade definitiva é que temos que tomar nosso destino nas nossas mãos e levantar um movimento a partir do bairro, dos trabalhadores da saúde, da aliança combativa bairro-juventude trabalhadora e estudantil para impor nossos direitos mais elementares e naturais – como o da água, da assistência básica de saúde – arrebatados por governos de classe cujos interesse jamais será o Papanicolau, nem creches e nem atenção integral à saúde da mulher pobre e trabalhadora.


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Diana Assunção: "Já são mais de 950 mulheres na fila do papanicolau, não podemos aceitar"

Neste mês de novembro será organizado o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, organizado pela Secretaria de Mulheres do Sintusp. Uma das campanhas que a Secretaria vem levando adiante este ano diz respeito ao exame do papanicolau. Sobre esta campanha, Diana Assunção, diretora do Sintusp e responsável pela Secretaria de Mulheres declarou que: "Além das inúmeras demandas das mulheres trabalhadoras da USP por creches, melhores condições de trabalho e contra o assédio moral, este ano também estamos levantando uma bandeira que diz respeito ao conjunto das mulheres que é o direito de fazer o elementar exame de papanicolau, que previne doenças como o câncer do colo de útero. Trabalhadoras do Centro de Saúde Escola Butantã, como Dinizete Xavier, também da Secretaria de Mulheres do Sintusp, vêm denunciando há meses esta grave situação exigindo a contratação imediata de profissionais para atendar a demanda e acabar com esta desumana fila".
Em relação à posição da Reitoria, Diana declarou que: "Uma das primeiras medidas do Reitor Zago neste ano foi o congelamento de contratações o que leva a não haver reposição dos quadros. A contratação imediata de poucas enfermeiras poderia terminar com a fila, mas a Reitoria mostra com esta atitude que não tem nenhuma preocupação com a saúde das mulheres. Estamos falando das mulheres que vivem na São Remo, Vila Indiana, São Domingos, Morro do Querosene e alguns bairros do Jardim Bonfiglioli, as trabalhadoras que nos atendem nas padarias, supermercados e lojas da região, as operárias das fábricas, as estudantes das universidades privadas. Ao mesmo tempo, devemos exigir por exemplo que para as trabalhadoras da USP o papanicolau seja parte do próprio exame periódico dos trabalhadores".
Diana finalizou dizendo: "Neste V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, que contará com a presença da professora Renata Gonçalves, da Unifesp da Baixada Santista, queremos levar esta campanha com força junto a vários outros temas que foram discutidos em reuniões de mulheres durante a greve de 116 dias, no combate à opressão as mulheres. Continuaremos exigindo a contratação imediata de profissionais e buscando estas mulheres da região para colocar de pé uma grande campanha".
Neste mês de novembro será organizado o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, organizado pela Secretaria de Mulheres do Sintusp. Uma das campanhas que a Secretaria vem levando adiante este ano diz respeito ao exame do papanicolau.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Para Além do 0%: As Condições de Trabalho e a Saúde do Trabalhador

por Marcela Johnson, estudante de Educação de Física da USP

      Nesses últimos dias fui convidada para participar de uma mesa, junto ao companheiro Pablito do SINTUSP e os companheiros do SESMT. Como estudante de Educação Física tive a oportunidade de socializar os meus conhecimentos com trabalhadores em greve da USP discutindo sobre saúde do trabalhador, foi uma grande experiência, pela primeira vez pude ver um pequeno germe de como poderia ser uma universidade que colocasse seu conhecimento a serviço da classe trabalhadora.
       Ouvimos vários casos de trabalhadores que perderam sua juventude e sua saúde na Universidade, companheiros que chegaram ao limite de tentar tirar suas próprias vidas pois não viam nada mais forte que o assédio moral das chefias.
         Acidentes de trabalho, restrições médicas e assédio moral fazem parte do cotidiano dos trabalhadores de uma das “melhores universidades da América Latina”, mas não só deles como de todos os trabalhadores de nosso país.
        Vivemos números de guerra, por ano são  2.503 mortes por acidentes de trabalho, ocupamos o quarto lugar no mundo nesse ranking, sem contar milhares de trabalhadores inválidos e até mesmo afastados por problemas mentais.
         Parto de uma concepção onde a Saúde não se refere só ao bom funcionamento do nosso corpo físico, mas também o psicológico e social. Vejo na verdade que devemos olhar para a saúde como um processo de saúde/doença onde existem vários fatores que vão determinar a sua situação, como moradia, alimentação, o trabalho, as relações sociais, a classe social, e etc.
      Sendo assim, é impossível fazer uma analise consequente sobre saúde do trabalhador por fora de colocá-la dentro da divisão social do trabalho de nossa sociedade, pois esse é o plano de fundo que determina muitos dos fatores que contribuem para essa relação Saúde/Doença.
        Nós fazemos parte de uma parcela da sociedade que só tem sua força de trabalho para sobreviver. Existe outra parte, os patrões e grandes empresários que se organizam para sugar a nossa força física no momento da vida onde temos melhor condição de produzir.
        Dentro dessa lógica todo o desenvolvimento tecnológico e de produção, ao contrário de estar a serviço do bem comum tem servido ao lucro. As máquinas não estão a serviço de auxiliar os trabalhadores para preservar sua força de trabalho, mas para conseguir retirar o máximo possível dela, aumentando a produção e o lucro.
        São os trabalhadores que pagam com sua saúde e sua vida pela ganancia dos patrões e quando entramos em uma crise, assim como a que a reitoria diz existir, pagamos dobrado para manter essas margens de lucro e de produção.
          Mesmo os trabalhadores da USP não estão fora dessa lógica, pois apesar de não existir a mesma lógica de LUCRO dos patões, reproduz a lógica de PRODUÇÃO em que todos os trabalhadores são mergulhados. Todas as medidas aprovadas pelo governo como o repasse de verba para educação, saúde, transporte e etc. Refletem no nosso cotidiano.
            Então para manter o funcionamento da universidade as reitorias jogam nas costas dos trabalhadores os prejuízos. E quando vemos um pequeno corte de orçamento, ou o congelamento de verbas para a educação, isso reflete não nas grandes pesquisas, financiadas por Fundações Privadas e grandes empresas, mas no cotidiano dos trabalhadores e no corte de serviços para a comunidade .
            Todas as medidas refletem no aumento da exploração real no nosso cotidiano, mais assédio moral para que trabalhemos ainda mais em situação cada vez mais precária, mais trabalho, menos contratações, mais terceirização e como consequência um grande prejuízo para a nossa saúde.            Para garantir resultados de produção nos rankings internacionais formamos dentro de nossa universidade um exercito de trabalhadores doentes.
            É preciso ficar bem claro que nenhum trabalhador é responsável pelos acidentes de trabalho nem pelas doenças adquiridas, tudo isso é culpa de uma divisão do trabalho desumana que pensa apenas na produção e não nas vidas que são responsáveis por produzir.
            Se a nossa força de trabalho é a única forma de garantir nosso sustento, é preciso levar uma forte luta por melhores condições de trabalho. Ou garantimos isso ou estaremos junto com milhares de trabalhadores que por perder sua condição física, não conseguem se quer vender a sua força de trabalho devido as suas restrições.

Terceirização

            Como observamos em todas as unidades as condições de trabalho são muito ruins para os efetivos, para os terceirizados a situação é muito pior. Com menos direitos, menores salários suas condições de vida são muito piores e pela sua vulnerabilidade são os primeiros a serem atacados com demissões e etc.
          Um exemplo disso é o José Ferreira, jovem negro, trabalhador terceirizado da Faculdade de Medicina morreu em acidente de trabalho.
            Silvana, trabalhadora terceirizada que dirigiu a primeira greve de terceirizadas dessa Universidade, depois de passar anos deixando toda a sua saúde para limpar os prédios, hoje não consegue arrumar emprego devido ao número de restrições que essa companheira adquiriu nesses anos de trabalho. Agora nem mesmo sua força de trabalho pode oferecer.
           Esses são pequenos exemplos do que sofrem esses companheiros e com a demissão de terceirizados em todas as unidades essa situação tende a piorar. Por isso também é nosso dever defender os postos de trabalho desses companheiros e avançar na luta para Efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público.

As Mulheres Trabalhadoras

            Para as mulheres trabalhadoras, como se não bastassem as condições precárias no trabalho, ainda tem que aquentar a dupla jornada de trabalho. Chegam em casa, cuidam dos filhos, cozinham e lavam roupa, um segundo trabalho não remunerado que também gasta sua energia e sua força de trabalho.
            Esse trabalho essencial para garantir que os trabalhadores consigam estar todo os dias em seus postos de trabalho, por conta do machismo é feito quase que exclusivamente pelas mulheres. Isso significa que além do desgaste físico e psicológico no seu local de trabalho, as mulheres ao chegarem em casa ainda tem mais uma segunda jornada de trabalho que também interfere em sua saúde.
            É preciso lutar para que o Estado se responsabilize por esses trabalhos, que existam creches para que as mães possam deixar seus filhos para trabalhar, restaurantes e lavanderias públicos e isso só pode ser feito a partir da luta dos trabalhadores.
            Na USP temos vários exemplos de como a luta dos trabalhadores e trabalhadoras ajudaram a avançar também na luta pelo direito das mulheres. As creches na USP foram conquistadas pelos trabalhadores, nas greves do HU por muitas vezes direito elementares das mulheres foram conquistados e nessa greve não tem sido diferente, as companheiras do Centro Saúde Escola tem como uma de suas reivindicações nessa greve mais contratações de enfermeiras para conseguir dar conta das 800 mulheres que hoje estão na fila do papanicolau.

O Conhecimento

        Não podemos permitir que em uma universidade tão importante quanto a nossa o conhecimento continue servido para as grandes empresas, para pensar tratamento para os grandes craques do futebol enquanto centenas de trabalhadores apodrecem em suas máquinas de moer gente. É preciso uma universidade à serviço dos trabalhares, gerenciado não pelos burocratas donos das empresas terceirizadas, mas pelos que trabalham e estudam.
            Parte da luta acabar com as doenças criadas nos locais de trabalho da universidade é nos apropriar de todo o conhecimento produzido nas salas de aula e laboratórios dessa universidade para melhorar as condições de vida de cada trabalhador.
            Hoje o conhecimento da universidade está a serviço de acabar com a saúde de nossa classe, de nos explorar o máximo possível, de fazer mais lucro para as grandes empresas. Para nós esse tipo de conhecimento de nada serve, por isso a luta pela saúde dos trabalhadores deve abarcar também a luta por uma educação a serviço dos trabalhadores e do povo pobre, para que possamos formar pessoas capazes de responder ao nosso problemas.

Como Avançar Nessa Luta, o Exemplo de Zanon

            A experiência dos trabalhadores nos mostram que é possível se organizar e dar um fim às maquinas de moer gente, mas que para isso não existe cooperação com a classe que quer nos tirar a saúde, nem mesmo com os seus representantes.
          Na Argentina, os trabalhadores de Zanon ocuparam a fábrica ceramista e a colocaram para funcionar sobre controle operário e sem patrões conseguiram a partir da auto-organização produzir. Lá praticamente inexistem acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
            Nessa experiência estudantes se juntaram aos trabalhadores para junto pensarem quais as melhores formas de produzir sem serem guiados pelo lucro, mas pelas melhores condições de vida para cada um dos que trabalhavam ali. Contrataram mais trabalhadores e partir da sua experiência e do conhecimento dos estudantes construiu-se ali um grande exemplo para todos os trabalhadores.

Quem está afim de por o seu futuro na reta para tudo isso mudar?

          Por fim em meio ao debate uma trabalhadora abriu uma reflexão: “Quem está afim de por o seu futuro na reta para isso tudo mudar?”
        Fazemos parte de uma classe poderosa, que já derrubou patrões, governos e até mesmo os poderosos de países inteiros. Pode ter certeza que esses trabalhadores não fizeram isso sem medo, se por um lado entrar na luta pode significar sofrer derrotas, por outro, não lutar significa aceitar adoecer nos nosso locais de trabalho, aceitar que uma pequena camada de privilegiados é mais forte do que as massas que são oprimidas cotidianamente.
         A história nos mostra que só podemos confiar nas nossas próprias forças, que se existe uma classe capaz de mudar as rumos da história, de construir uma sociedade que não se balize na exploração, mas na socialização de toda a riqueza produzida, essa é a classe trabalhadora.
         Há pouco tempo atrás tivemos o grande exemplo dos Garis do Rio de Janeiro, que mesmo com a mídia, o governo contra eles não retrocederam, tentaram intimidar esses companheiro com a policia e a resposta que essa categoria deu a todos os que tentavam os atacas é que Não Tem Arrego! Esses trabalhadores acreditaram na força de sua classe e conseguiram apoio de várias categorias no mundo inteiro, quando seu ato passava pelas ruas do RJ viam papeis de apoio colado nas janelas, aplausos e até chuva de papel.
        Nesses anos de USP conheci grandes guerreiros, que não hesitaram em se organizar contra os ataques da reitoria e só governo, que já se enfrentaram com os chefes, com os diretores, com a reitoria e até mesmo com a policia. Estamos a mais de 40 dias em greve e não vão nos cansar, porque em nossa greve ainda ecoa o grito dos nossos companheiro de classe, os garis do RJ e para todos os que tentarem nos atacar responderemos: NÃO TEM ARREGO.
         Nossa luta é por melhores condições de trabalho e salário, mas também é a luta por uma universidade a serviço dos trabalhadores. Nossa vitória não é só da categoria, mas de toda a classe trabalhadora que poderá se fortalecer para novas lutas e é com muita garra e determinação que devemos avançar para que essa greve seja vitoriosa, mas também para que a luta pela vida dos trabalhadores avance a passos largos por todo o mundo!



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dizemos basta aos assassinatos de LGBTs em Belo Horizonte!


Por Iaci Maria e Víctor Menotti

Nas últimas semanas, a região metropolitana de Belo Horizonte foi palco de ao menos dois ataques transfóbicos: duas travestis foram assassinadas de maneira brutal, sendo uma morta a pedradas em Contagem, e outra a facadas na região oeste de Belo Horizonte. No começo de junho, também em Contagem, outra travesti foi assassinada com um tiro no rosto!
Os casos acima foram os que vieram a tona na região, mas sabemos que todos os dias travestis e transexuais são espancadas e assassinadas, e nada se fala sobre o assunto. No começo do mês, a travesti Luisa Marilac denunciou em seu canal no youtube, o assassinato de uma travesti em Guarulhos, que tomou vinte facadas no rosto e teve o pênis cortado, e nenhuma mídia noticiou tal caso. Não podemos mais permitir que os setores trans* sejam assassinados e nem que esses assassinos saiam impunes sem que a sociedade saiba que há praticamente um genocídio LGBT velado acontecendo!

Basta de homolesbotransfobia!
           
            Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter eliminado a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças, gays, lésbicas e bissexuais seguem sendo perseguidos e atacados por setores conservadores. No país do trabalho precário, esses setores estão relegados ou a esses cargos, ou a se esconder atrás de uma aparência heteronormativa para conseguir melhores empregos e salários.
Isso nos mostra como o setor trans* está condenado à precarização do trabalho e da vida, restando a eles trabalhos invisíveis – muitas vezes terceirizados –, como no telemarketing, em estoques e caixas de supermercados e na limpeza, isso quando conseguem fugir do destino quase certo da prostituição, o que as deixam mais vulneráveis aos ataques e assassinatos transfóbicos. Além disso, xs trans* – que são a parcela mais criminalizada até mesmo entre os LGBTs – ainda sofrem com a patologização de suas identidades, sendo a travestilidade, a transexualidade, e a identidade consideradas de gênero que não condiz com o que a pessoa foi designada ao nascimento, são patologias pela Classificação Internacional de Doenças [1], elaborada pela OMS e tratadas como transtornos psiquiátricos de identidade sexual. A autodeterminação do corpo, gênero e sexualidade não pode mais ser atacada por políticas conservadoras e reacionárias como essa da OMS!

No Brasil e no mundo, os ataques são também institucionais!

            O Brasil possui o maior índice de assassinatos a homossexuais, sendo que a cada 26 horas um homossexual é morto, concentrando 44% das mortes a homossexuais em todo mundo em 2012 [2]. A violência ao público LGBT se estende ainda mais aos trans*: a expectativa de vida de uma travesti é de 35 anos; as transexuais tem seu direito à saúde pública negligenciado, as operações, medicamentos e tratamento necessários para a construção física do gênero são dependentes de um acompanhamento psiquiátrico que comprove a construção como um transtorno psiquiátrico e dependente de inúmeras burocracias extremamente difíceis de cumprir,  o que diminui ainda mais a expectativa de vida de uma travesti, cuja principal causa é  a marginalização. Por isso, como gritávamos nas ruas em Junho, é preciso que tenhamos um único sistema de saúde, público, gratuito e de qualidade e que estatizemos os demais serviços privados, para que possamos garantir atendimento de qualidade para todos, sendo este serviço controlado por quem mais conhece suas necessidades: os próprios trabalhadores da saúde. Para que não mais se morram mulheres e trans-homens por abortos clandestinos, nem travestis e transexuais para poderem construir fisicamente suas identidades.
         
Dilma, apesar de mulher, não pode garantir nossos direitos!

            Após quase 11 anos de governo PT, sendo os últimos 3 da primeira presidenta mulher, as questões voltadas ao público LGBT tiveram alguns avanços – como a proibição à recusa dos cartórios de realizarem casamentos entre pessoas do mesmo sexo – mas acompanhado de um aumento expressivo de agressões e homossexuais como resposta de setores conservadores aos avanços legais dos LGBTs. Logo no começo de seu mandato, Dilma, por pressão de setores conservadores, vetou o kit anti-homofobia que seria utilizado nas escolas de todo o país. O esdrúxulo argumento utilizado por esses setores era de que o kit estimularia a homossexualidade. O dito veto mostra como o governo, para manter suas alianças reacionárias com setores conservadores de sua base aliada, se cala diante da violência e da série de assassinatos cometidos aos LGBTs.
            Tais alianças com setores conservadores, como a bancada evangélica e instituições religiosas, são fundamentais para a permanência do poder nas mãos do governo. Elas permitem que homofóbicos, machistas e racistas como Marco Feliciano presidem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e levem adiante políticas conservadoras que representam verdadeiros ataques à comunidade LGBT, tal como a polêmica “cura gay”, que abre uma brecha para o retorno da patologização da homossexualidade. Essas alianças legitimam também ataques aos direitos das mulheres, como o avanço que vem tendo a aprovação do Estatuto do Nascituro.
            Por isso, é necessário lutar por um Estado efetivamente laico que garanta de fato que os direitos das minorias não sejam mais atacados por políticas conservadoras vindas de setores religiosos. A ideologia machista, homofóbica e muitas vezes racista propagada pelas instituições religiosas não podem ser impostas à toda sociedade através da intervenção de tais instituições no governo e suas políticas. A não laicidade real do Estado é o que garante que mulheres continuem morrendo por abortos clandestinos, casais homossexuais não possam adotar filhos, e também legitima que mulheres e LGBTs sigam sendo espancados e mortos.
            Mas o Brasil não é um país homofóbico isolado no mundo. Vimos nas últimas semanas a Rússia ser cenário de assassinatos e torturas aos homossexuais, que eram legitimados por políticas homofóbicas do governo Putin. Na França, a aprovação do casamento igualitário gerou uma reação de mais de 100 mil pessoas nas ruas, se manifestando contra tal política. Além disso, a América Latina continua abrigando verdadeiros campos de concentração para curar sexualidades e identidades que desviem da heteronormatividade.

É preciso se organizar para barrar os ataques! 

                Não podemos ter nenhuma confiança nos governos que, com suas alianças inescrupulosas, não apenas não garantem os direitos dos LGBTs, como atacam e retiram os poucos direitos arrancados. Vimos, com as Jornadas de Junho, que a juventude nas ruas pode barrar ataques, como foi com o projeto de “Cura Gay”! Mas não podemos achar que em outros momentos, se a luta recuar, tais projetos não possam voltar com mais força.


                Assim como Dilma, presidenta e mulher, não garantiu os direitos das mulheres, não podemos confiar em parlamentares como Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual, que diz defender interesses LGBT, mas avança com o projeto de lei Gabriela Leite, que em nome de garantir mais direitos às prostitutas, que seguem sem direitos e garantias mínimas como de receber pelo trabalho, de não ser agredida e não ser presa pela polícia; tem de fundo a regulamentação da cafetinagem, permitindo que se lucre até 50% sob a brutal violência de vender seu próprio corpo. Esse projeto que é defendido pelo deputado do Rio de Janeiro e alguns grupos de TTs (travestis e transexuais) e mulheres que estão nessa condição, também causa revolta em muitas outras mulheres que sabem que essa regulamentação, em meio aos grandes eventos como a Copa do Mundo, no país conhecido pela exportação sexual de mulheres e crianças, é parte de fortalecer ainda mais a cultura machista do abuso sexual e das mulheres e trans* brasileiras com a mercantilização dos corpos. É preciso lutarmos pela descriminalização da prostituição e encarar esta questão como um sério problema social que existe para rebaixar os salários médios com um imenso exército de reserva ao mesmo tempo que mantém a hipocrisia da sociedade capitalista que define mulheres para casar, e mulheres – que vivem em precárias condições de vida – para estes serviços. Lutemos para garantir os máximos direitos para as prostitutas, sem permitir nenhum ataque! Isso rumo a alcançar o pleno emprego para todas, a partir da repartição das horas de trabalho para gerar mais emprego.
No entanto, não podemos também confiar que a criminalização da homofobia, como defende o PSTU, será a solução para os assassinatos de travestis, e para diversas outras violências à comunidade LGBT. Apesar de vermos a criminalização como uma forma educativa para a sociedade de que não se pode agredir setores oprimidos, não nos esquecemos que a igualdade da lei, não é a mesma coisa que igualdade na vida.
Por isso é preciso se organizar e confiar em nossas próprias forças para garantir a igualdade na vida! Somente uma saída independente pelos LGBTs organizados e ligados aos trabalhadores – única classe capaz de derrubar o sistema capitalista de miséria e opressão – poderá barrar esses ataques institucionais, as violências e os assassinatos!  

- PUNIÇÃO AOS ASSASSINOS E AGRESSORES DE TRAVESTIS EM BH! Por uma comissão de investigação entre organizações de esquerda, LGBTs, mulheres e negros, com independência do governo.

- BASTA DE ASSASSINATOS AOS TRANS! BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA OS LGBT!

- POR UM ESTADO LAICO, SEPARAÇÃO DA IGREJA DO ESTADO!

- PELO DIREITO AO PRÓPRIO CORPO! CONTRA A PATOLOGIZAÇÃO DOS TRANS! CONTRA A “CURA-GAY”!

- PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DA SEXUALIDADE!

- POR UM ÚNICO SISTEMA DE SAUDE NACIONAL! ESTATIZAÇÃO DO SERVIÇOS DE SAÚDE PRIVADOS, SEM INDENIZAÇÃO AOS QUE QUEREM LUCRAR SOB NOSSAS VIDAS! PARA GARANTIR ABORTO LEGAL, SEGURO E GRATUITO E TOTAL LIBERDADE DE CONSTRUÇÃO FÍSICA DE NOSSA IDENTIDADE!

- NÃO A REGULAMENTARIZAÇÃO DA PROSTITUIÇÃO! DESCRIMINALIZAÇÃO JÁ! PELO EMPREGO PARA TODOS OS LGBTS, SEM DISCRIMANAÇÃO! IGUAL TRABALHO, IGUAL SALÁRIO, IGUAIS DIREITOS!


sábado, 27 de outubro de 2012

Do armário para às ruas de Antofagasta sem deixar de lado o "dia pela despatologização trans"


por Pan y Rosas - Chile

Tal como aconteceu nas cidades mais importantes do mundo, na capital regional se realizou uma manifestação onde se chamou a não tolerar as posturas discriminatórias que sem base cientifica alguma propõem alguns setores.

Com o fim de rechaçar as afirmações realizadas por setores conservadores do país que rotularam a homossexualidade como uma doença, cerca de 30 pessoas se reuniram durante este sábado nas ruas centrais da capital regional exigindo igualdade de direitos e respeito a diversidade sexual.


Trataram de comemorar o Dia Internacional pela despatologização da transsexualidade, que contou com atividades ao redor do mundo e que em Antofagasta foi convocada pela agrupação Pan y Rosas.
Somos combativos, revolucionários, somos gays e lésbicas que queimamos o armário’, gritavam os manifestantes em pleno centro da capital, despertando interesse entre os que passavam.
Desde a agrupação fizeram mais um chamado a participar durante esta quinta-feira (25) de uma “funa” contra o psicólogo local Peter Radic – quem em anúncios publicou ser capaz curar a homossexualidade, o lesbianismo, entre outros – por tentar lucrar mediante a difusão de teorias que são rechaçadas pela comunidade cientifica, que não considera a homossexualidade como uma doença.
Tradução: Virginia  Guitzel
Veja o video do ato


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Até quando decidirão por nós? Aborto legal, livre, seguro e gratuito!


28 de setembro - Dia latino-americano e caribenho pelo direito ao aborto


Por Rita Frau

Faz quase um ano que Dilma foi eleita a primeira mulher presidenta do Brasil com o discurso de que sua vitória representaria a transformação na vida das mulheres brasileiras, mas desde as eleições, vimos os direitos democráticos das mulheres serem trocados por votos retrocedendo a luta pelo direito ao aborto.
No Brasil aproximadamente 1 milhão de mulheres realizam abortos clandestinos, e segundo o Ministério da Saúde, 50% são em condições insalubres, feitos pelas próprias mulheres que chegam a levar à morte. Isso, porque as mulheres pobres não podem pagar os altos preços que são cobrados nas clínicas clandestinas. Sendo a quarta causa de morte entre as brasileiras, em alguns estados, é a primeira, como na Bahia, aonde a maioria são mulheres negras, que correm o risco de morte 2,5 vezes a mais do que as mulheres brancas. A curetagem após abortos realizados em condições anti-higiênicas foi a cirurgia mais realizada pelo SUS, entre 1995 e 2007. A Pesquisa Nacional de Aborto (2010), afirma que 1 em cada 5 mulheres, ao completar 40 anos, já fez aborto. Estes dados mostram que apesar da criminalização, a prática do aborto clandestino é uma triste realidade, e o Estado brasileiro junto à Igreja condenam as mulheres à morte e à humilhação.

As garras da Igreja pedófila seguem sobre os corpos das mulheres

O Estado segue de mãos dadas com a Igreja pedófila, nos fazendo acreditar que a realização máxima da vida de uma mulher é a maternidade, enquanto mulheres são presas, estupradas e morrem. O ex-nazi Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, e parte de seu escalão clerical foram denunciados, dessa vez para ao Tribunal Penal Internacional, por tolerância e proteção aos padres envolvidos a crimes de pedofilia. Não são poucos os casos de pedofilía e barbaridades cometidas pelas Igrejas contra as mulheres e a classe trabalhadora, como o apoio as ditaduras militares em países da América Latina. A Igreja sempre esteve ao lado da burguesia para defender seus interesses difundindo uma moral cristã, que mantém as mulheres subjugadas, com suas vidas destinadas à construção familiar e proibidas de decidirem pelos próprios corpos. A Igreja além de sustentar o machismo, o patriarcalismo, também legitima a violência contra homossexuais, ao defender a sexualidade destinada apenas à reprodução. E o governo Dilma, em continuidade à política de Lula, segue privilegiando os interesses da Igreja católica e evangélica em detrimento de milhares de mortes de mulheres, e à manutenção da homofobia, como vimos com o veto do governo do Kit-antihomofobia.
O Acordo Brasil-Vaticano assinado por Lula, que até hoje se mantém, permite o ensino religioso, reproduzindo a moral cristã que nega a liberdade de discussão nas escolas, o livre exercício da sexualidade, e que nega a anticoncepção e o uso de preservativos. No mês de agosto, o papa fez uma viagem à Espanha que custou R$ 230 milhões, financiada pelo governo Espanhol, e hipocritamente fez uma campanha reacionária para perdoar as jovens que já abortaram, causando protestos de diversos setores que foram reprimidos pela polícia. Nossa luta deve ser completamente independente da Igreja pedófila e assassina!

A criminalização do aborto: um apoio à exploração capitalista no Brasil

O Estado e os capitalistas ao mesmo tempo, que criminalizam o aborto, não permite que as mulheres tenham o direito à maternidade plena, pois legitimam a dupla jornada de trabalho para que sigam responsáveis pelas tarefas domésticas, garantindo assim as necessidades da família e desta maneira negando salários que cubram os reais custos de vida e a existência de restaurantes públicos, lavanderias e creches em todos os locais de trabalho. Além disso, as mulheres trabalhadoras ocupam a maioria dos postos de trabalhos precarizados, permitindo o rebaixamento de toda a mão de obra dos trabalhadores, a divisão entre os trabalhadores e maior exploração, e para isso é fundamental difundir uma ideologia que mantenha a mulher subjugada e refém de uma sexualidade destinada à reprodução, mantendo uma heteronormatividade que não permita que decidam sobre seus próprios corpos e exerçam a sexualidade livremente. É toda esta realidade imposta pelo capitalismo e o Estado que legitima a violência contra as mulheres, tratando-as ora como mercadorias para satisfazer o prazer sexual de outros, ora como seres frágeis, sensíveis por “natureza” incapazes de decidirem sobre as suas vidas. E a criminalização do aborto significa mais uma forma de violência do Estado contra as mulheres para perpetuar ideologia que divide homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, enfraquecendo a luta da classe trabalhadora, da juventude, dos homossexuais e negra(o)s contra a opressão e exploração.

Com que estratégia lutamos pelo direito ao aborto?

Em agosto, a Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher do Senado, presidida pelas Senadoras Angela Portela (PT-RR) e Lídice da Mata (PSB – BA), e representantes do movimento sindical e feminista, a Marcha Mundial de Mulheres, União Brasileira de Mulheres (PcdoB), CUT e a Frente Nacional pela Legalização do Aborto, se reuniram para discutir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. O debate se centrou na denúncia dos projetos de leis reacionários, como o Estatuto do Nascituro, e a necessidade da legalização do aborto e sua realização pelo SUS, mas não votaram um plano de luta para organizar as mulheres em torno deste direito. Por isso perguntamos, como arrancar este direito? Concordamos com a necessidade de um projeto de lei que obrigue o Estado a atender todas as necessidades das mulheres, como se propõe a plataforma elaborada pela Frente pela Legalização do Aborto (ainda que, achamos necessário rever vários pontos desta plataforma), mas já tivemos provas suficientes ao longo dos 8 anos de governo Lula, que Dilma, seguindo a mesma política, não aprovará legalização do aborto. Como é possível o PT se dizer defensor dos direitos das mulheres, se a principal comemoração no 4° Congresso do partido, foi aprovação de 50% de participação feminina na composição das direções, enquanto mantém a política de conciliação com a Igreja e os capitalistas e milhares de mulheres seguem morrendo na clandestinidade do aborto? Esta é a vitória de mulheres como Dilma, mas não da maioria de mulheres trabalhadoras que sofrem com a precarização, a violência e risco de morte. Por isso achamos fundamental que as feministas da MMM revejam seus métodos e que em frente-única arranquemos de fato o direito ao aborto. Precisamos nos auto-organizar nos locais de trabalho, nas escolas, nos bairros, universidades, através de um plano de luta que mobilize as mulheres e juventude junto à classe trabalhadora pra defender este direito com independência do Estado, dos patrões, e da Igreja .
Estamos próximo do dia 28 de setembro, dia latino americano e caribenho pelo direito ao aborto, e em todos os locais de estudo e trabalho que estamos faremos atividades em defesa do direito ao aborto e fazemos um chamado aos setores de esquerda, como ANEL, CSP-Conlutas , PSTU e PSOL, entidades estudantis, sindicatos, para possamos impulsionemos uma campanha pelo:

- Direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito!

- Basta de mulheres mortas por abortos clandestinos!

- Anticoncepcionais e contraceptivos gratuitos e de qualidade!

- Separação da Igreja e do Estado!

- Educação sexual em todos os níveis escolares para decidir!

- Direito ao casamento e adoção homossexuais!

- Revogação imediata do acordo Brasil-Vaticano!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PÃO E ROSAS ARARAQUARA-SP CONVIDA

"A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO: COMO E POR QUE DEVE ACONTECER"





Debate dia 07/10 às 14h

na sala 17 do prédio da
Faculdade de Ciências e Letras

UNESP campus Araraquara

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Declaração do Pão e Rosas em repúdio a morte de uma trabalhadora de Kraft Terrabusi

(Argentina, 15/09/2010) As mulheres trabalhadoras e estudantes da agrupação Pan y Rosas nos solidarizamos com todas as trabalhadoras/es de Kraft Terrabusi que neste momento se encontram paralisados em repúdio a morte de uma trabalhadora, falecida no consultório médico da própria empresa.

Marcela Ortega tinha apenas 32 anos e três crianças pequenas. Sua morte, por parada cardíaca, escancara os maus-tratos que recebiam diariamente as/os trabalhadoras/es dessa empresa multinacional e de seu serviço médico, que omitem sistematicamente as reclamações que têm sido feitas pela Comissão Interna sobre as centenas de denúncias de maus-tratos médicos, desconhecimento de certificado médico e falta de tratamento às enfermidades, muitas delas patologias laborais, produto do alto ritmo da produção que vem realizando principalmente as trabalhadoras da fábrica. Cabe recordar a negligência desta empresa durante a pandemia da gripe A, em julho de 2009, que foi enfrentada heroicamente por milhares de trabalhadoras da Kraft que se negaram a expor sua saúde e de seus filhos por conta da sede de lucro desta multinacional norte-americana que não tomou nenhuma medida preventiva.

A morte de Marcela mostra nitidamente que é preciso, de uma vez por todas, deter todas estas patronais: NÃO PODEM CONTINUAR EXPLORANDO NOSSOS CORPOS E NOSSAS VIDAS!

Desde o Pan y Rosas nos colocamos a disposição de todas as medidas que as/os trabalhadoras/es decidam tomar em repúdio a esta morte e em busca de melhores condições de trabalho, higiene e saúde. Porque sabemos que com sua disposição de luta independente da patronal, do governo e do sindicato, amplamente demonstrada em seu conflito e com o triunfo de suas demandas, é possível impedir que haja mais mortes laborais, deter as patronais e os terríveis ritmos da produção que mutilam nossos corpos e nos deixam seqüelas irreversíveis, é possível alcançar todas as nossas demandas e direitos.

Agrupação de Mulheres PAN Y ROSAS

General Pacheco, 15/09/2010

“Não aceitem o habitual como coisa natural, pois em tempos de desordem, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar...” Bertold Brecht