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sábado, 29 de novembro de 2014

Todo apoio às trabalhadoras terceirizadas da FCL-Unesp!

Não é novidade que a precarização do trabalho é uma dura realidade no país, os contratos terceirizados de trabalho agudizam a precarização quando, com ausência de direitos trabalhistas imprescindíveis, os trabalhadores ficam muito mais vulneráveis à ganância dos patrões. Recentemente tivemos mais uma notícia que merece todo nosso repúdio. A S&S empresa terceirizada responsável pela limpeza na FCL-UNESP de Assis não pagou o salário das trabalhadoras no quinto dia útil. As trabalhadoras resolveram não se calar, e, indignadas, se organizaram e paralisaram o trabalho do dia 11 ao dia 14 de novembro, o que gerou uma pressão da direção do campus à empresa.

No dia 14/11 enfim o pagamento caiu, deixando vitoriosa a mobilização das trabalhadoras. No entanto, não se concretizou a promessa de uma suposta reunião de esclarecimento da empresa às trabalhadoras e pagamento das cestas básicas atrasadas no dia 20. Portanto, as cestas básicas seguem atrasadas. Exigimos que caiam imediatamente!

Na Unesp, diversas funções antes desempenhadas por trabalhadores efetivos hoje são terceirizadas! Desta forma, é de total responsabilidade não apenas da empresa, mas também da instituição, que terceiriza o serviço, criando péssimas condições de trabalho, além deste tipo de situação! Não é possível que uma instituição queira se alçar como uma das mais bem colocadas nos rankings internacionais, enquanto funciona com trabalho semiescravo!

Enquanto brotam os escândalos dos super-salários dos reitores, e de professores das estaduais paulistas, despejam sobre os trabalhadores efetivos e terceirizados as piores condições, aumentando cursos e prédios sem aumentar o número de trabalhadores, crescendo através do sangue, suor, das dores nas costas e da insegurança no trabalho.

Sabemos que a precarização do trabalho, chamada de terceirização, atinge toda a classe trabalhadora, porém, é a mulher trabalhadora a que mais sente o peso de toda a precarização e exploração vigente. A opressão e exploração às mulheres, tem sua funcionalidade para os governos e patrões para manter as mulheres trabalhadoras submetidas a superexploração capitalista, com os salários mais baixos, trabalhos mais precarizados, além das duplas e triplas jornadas de trabalho. Isto porque a mão-de-obra feminina, sendo considerada pela sociedade capitalista como inferior à masculina, recebe salários menores, e este fato serve como pretexto para que o salário de toda a classe trabalhadora seja rebaixado.  São, portanto, as mulheres, em sua maioria negras, que ocupam os postos de trabalho mais precarizados, com menor remuneração e com serviços que são, em sua maioria, extensão do serviço doméstico.

Nós, trabalhadores e estudantes, devemos tomar com centralidade a luta contra a terceirização, pois está é parte fundamental da luta contra a precarização do trabalho, dos serviços públicos, da privatização e pela unidade dos trabalhadores. Lutar sem ver a terceirização como um poderoso inimigo e os trabalhadores terceirizados como fundamentais aliados, seria ceder a uma pressão corporativista e não responder a altura os ataques que sofremos.

As trabalhadoras de Assis dão um exemplo, e tem toda solidariedade de nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, no apoio às companheiras!

Pelo imediato pagamento das Cestas Básicas!
Pela efetivação imediata das trabalhadoras terceirizadas, sem concurso público!

Pela unidade dxs trabalhadorxs! Igual trabalho, igual salário! Pelos direitos da mulher trabalhadora!


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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Diana Assunção: “Na Faculdade de Medicina da USP há métodos profissionalizados de estupro”

Esta matéria contribui muito para quebrar o silêncio de anos nesta instituição. Os casos relatados são revoltantes. Estamos falando de pessoas que estão se formando como médicos e utilizam entorpecentes e inclusive outros produtos para facilitar um abuso sexual. Os relatos mostram que já há um método profissionalizado de estupro.

Esta semana o site ponte.org publicou uma completa e detalhada matéria com o título“Violência sexual, castigos físicos e preconceito na Faculdade de Medicina”(http://ponte.org/violencia-sexual-castigos-fisicos-e-preconceito-na-faculdade-de-medicina-da-usp/) que escancara os atos aberrantes de violência que permeiam esta renomada Faculdade. Sobre esta matéria e suas denúncias, Diana Assunção, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP e responsável pela Secretaria de Mulheres do Sintusp declarou que “Esta matéria contribui muito para quebrar o silêncio de anos nesta instituição. Os casos relatados são revoltantes. Estamos falando de pessoas que estão se formando como médicos e utilizam entorpecentes e inclusive outros produtos para facilitar um abuso sexual. Os relatos mostram que já há um método profissionalizado de estupro. Que médicos estão se formando? E quando se escancara esta situação a preocupação de muitos é com a imagem da Faculdade de Medicina. Alguém está preocupado com a vida de talvez centenas de jovens que vão viver com o trauma de um estupro e um abuso? Ou que simplesmente tem que aguentar uma humilhação pelo simples fato de ser mulher?”
Diana Assunção também responsabiliza a Universidade de São Paulo pela situação “A Faculdade de Medicina simplesmente não toma nenhuma atitude em relação a situação, portanto encoberta esses casos. Inclusive o deputado Adriano Diogo (PT) que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa declarou que foi pressionado pelo próprio diretor da Faculdade, o professor José Otávio Costa Auler Junior, para não realizar a Audiência ocorrida no último dia 11. O Reitor Zago, também médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, simplesmente não se pronuncia sobre esta situação. Além disso, é um fato que o campus da USP hoje é palco para um número de estupros que desconhecemos a quantidade porque a Reitoria não divulga os números”.
Frente a esta situação e à proximidade do dia 25 de novembro, dia internacional contra a violência às mulheres, Diana considera necessária uma grande campanha e medidas de frente-única que reúnam sindicatos, movimentos feministas, de direitos humanos. “É fundamental neste momento a mais ampla unidade pra enfrentar este pacto do silêncio na Faculdade de Medicina, pois irá mexer com a burocracia universitária que fica calada pra não manchar a considerada melhor Faculdade de Medicina do país. Devemos fazer atos, manifestações, videos, cartazes, tudo o que for necessário para enfrentar estes burocratas e também os futuros médicos que praticam o estupro nesta Faculdade. Se trata de uma luta necessária que pode se tornar um exemplo no combate ao assédio sexual e aos estupros. Exigimos que a Reitoria da USP se posicione sobre este caso, bem como sobre o caso de machismo e racismo na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e divulgue de uma vez por todas os números de denúncias de estupro dentro da USP”. Para finalizar, Diana completou dizendo que “Em nossa greve buscamos colocar com força a luta das mulheres e contra o machismo, a homofobia, a transfobia. No próximo mês teremos o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP que queremos que ajude na organização das mulheres trabalhadoras e que também possamos levantar com força a luta contra todas as formas de violência às mulheres”.


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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A greve da USP e a luta contra a opressão às mulheres

Reproduzimos a fala de Odete, estudante da Letras-USP e militante do Pão e Rosas e da LER-QI, no debate "Desatai o Futuro: o que devemos aprender com a greve da USP?"



            É muito difícil conseguir sintetizar o que foram esses quatro meses de greve e a importância que eles tiveram pra nossa concepção de feminismo e emancipação das mulheres. Somos um grupo de mulheres classistas e revolucionárias e acreditamos que a emancipação das mulheres não vai ocorrer dentro desse sistema capitalista, que usa dessa opressão, para se consolidar enquanto sistema. Acreditamos que é necessário uma revolução proletária para acabarmos com a exploração de uma classe por outra e só assim conseguirmos acabar com a opressão de um gênero por outro.
Essa greve foi muito importante para entendermos como uma fração revolucionária deve atuar nos momentos agudos da luta de classes. Nesse sentido entender a opressão às mulheres e as dificuldades que ela causa para a organização das mulheres como parte dos problemas da organização da própria greve foi fundamental. As mulheres não constituem uma classe separada. Levantar a bandeira da emancipação das mulheres e de todos os setores oprimidos é fundamental para unidade de toda a classe operária.
Por esse motivo garantir o cantinho das crianças para que as mães e pais pudessem participar de todo o processo político da greve, realizar um debate sobre a questão negra, a questão palestina, sobre a homolesbotransfobia, ou como uma de nossas camaradas, estudante de educação física fez realizando um debate sobre saúde do trabalho, colocando o seu conhecimento a serviço dos trabalhadores... Tudo isso é necessário, não porque em si mesmas são ações que resolvem os problemas que a sociedade burguesa nos impõe, mas são pequenas experiências, ainda restritas à uma categoria, que mostra pra toda a classe os problemas concretos que ela vai ter que enfrentar pra conseguir organizar e unificar suas fileiras com a perspectiva de se fazer uma revolução.
Essa greve foi uma pequena “Escola de Guerra” sobre quais são os temas que a classe operária precisa tomar pra si para conseguir se organizar e superar a exploração a que está submetida. Seja organizando debates sobre as opressões, lutando para que as 970 mulheres que estão na fila do papa Nicolau possam realizar o exame ou fazendo um ato pela São Remo, defendendo a efetivação dos terceirizados, entendendo que os trabalhadores compõem uma única classe. Dessa forma, nós rompemos com a ideologia burguesa de separação e fragmentação da classe.
Defendemos a hegemonia operária não só por que a classe operaria é a única que pode levar até o final todas as demandas democráticas que o regime burguês não consegue garantir, mas porque ela necessita fazer isso. A classe operária precisa combater as opressões e a divisão imposta pela burguesia, entre homem e mulher, negros e brancos, heterossexuais e LGBTTs. Por que esse é o único meio de unificar suas fileiras e mostrar a sua força enquanto classe.
Não nos adaptamos como a esquerda em geral faz que é não ligar a luta contra as opressões à luta por salários e melhores condições de trabalho, por exemplo. Acreditamos que essas duas questões estão profundamente ligadas por dois motivos. O primeiro é que a classe operária precisa unificar suas fileiras para lutar pelas suas demandas e o segundo é que os trabalhadores são o sujeito revolucionário que podem modificar as bases materiais e dessa forma modificar os valores e a cultura da sociedade.
O capitalismo cria tendências que não pode levar até o final. Ao contrario da classe trabalhadora que não só pode, como precisa levá-las até o final para conseguir se emancipar.  Com o capitalismo surge o processo de feminização do trabalho, acentuado a partir da década de 70. Que é uma das grandes contradições desse sistema, pois, ao mesmo tempo que ele proporciona a mulher as condições e o direito de sair de casa e conquistar sua independência faz isso mantendo o trabalho doméstico como obrigação da mulher e submetendo-nas aos trabalhados mais precários e com salários menores.
O capitalismo cria a possibilidade de socialização do trabalho doméstico, com a possibilidade de criação de creches, restaurantes e lavanderias públicas. Mas ele mantém esse trabalho atrelado à mulher, porque o capitalismo visa o lucro e é muito mais vantajoso para a burguesia ter uma mulher que faça esses serviços sem receber nada. A dupla ou tripla jornada de trabalho da mulher é vantajosa pro capitalismo porque garante os lucros do capitalista, mas também porque impede que uma mulher possa se colocar como sujeito político na luta por seus direitos. Ou seja, impede que grande parte da classe operária se coloque contra a exploração a que estão submetidos.
A classe media é um setor que está em disputa pelo projeto de sociedade de duas grandes classes, a burguesia e o proletariado. Os trabalhadores precisam mostrar que são o sujeito revolucionário e que são o único setor que podem levar até o final as demandas democráticas que esse sistema não garante. Os trabalhadores têm necessariamente que acabar com o racismo, com a opressão de gênero, com a falta de liberdade sexual, com a xenofobia e com a divisão entre efetivos e terceirizados, porque eles precisam unificar as suas fileiras e disputar esses setores da classe média. Mostrar que só acabando com a divisão da sociedade em classes é que vamos avançar para acabar com todas as outras divisões impostas por essa sociedade.
A classe operária cumpre esse papel não só pela sua expressão numérica, os trabalhadores são a maioria nessa sociedade, mas também pelo papel que cumprem na produção. Os trabalhadores controlam a produção e como marxistas acreditamos que as relações de produção determinam as relações sociais. Por isso é preciso modificar a estrutura econômica pra modificar os valores e a cultura.
E para fechar gostaria de citar um trecho da Andrea D’Atri, uma das fundadoras do Pão e Rosas na Argentina e dirigente do PTS:

Cada vez que uma mulher é abusada, golpeada, humilhada, considerada um objeto, discriminada, submetida, a classe dominante se perpetua um pouco mais no poder. E a classe trabalhadora, por outro lado, se enfraquece. Porque essa mulher perderá a confiança em si mesma e em suas próprias forças. Atemorizada, passará a crer que a realidade não é passível de mudança e que é melhor submeter-se a opressão do que enfrentá-la e por sua vida em risco. A classe trabalhadora, por outro lado, se enfraquece, também, porque esse homem que golpeou sua companheira, que a humilhou, que a considerou sua propriedade, está mais distante que antes, de transformar-se num trabalhador consciente de suas algemas, está um pouco mais longe de reconhecer que, na luta para romper seus grilhões, deve propor libertar toda a humanidade de sua cadeia e contar com todos os oprimidos como seus aliados.
Por essa razão, o programa do trotskismo defende o oposto ao que sustentam os populistas: se a unidade dos trabalhadores é necessária, então é imperioso erradicar os prejuízos contra os imigrantes, as barreiras que se levantam entre efetivos e terceirizados, combater a ideologia que impõe a repressão do adulto sobre o jovem e, nesse sentido, lutar decididamente contra a opressão das mulheres. “



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Reunião da Secretaria de Mulheres do Sintusp

 Na última semana as trabalhadoras da USP em greve, com importante presença das trabalhadoras do Hospital Universitário, se reuniram pra discutir a necessidade das mulheres se organizaram por seus direitos e contra toda a forma de opressão, demandas que devem ser tomadas pelo conjunto categoria e da classe trabalhadora. 
Ficou indicado organizar novos debates sobre o tema - como o debate "Contra o machismo, a homofobia e a transfobia" a ser realizado dia 16/09 no Sintusp com todos os trabalhadores - e novas reuniões da Secretaria de Mulheres. 
Muitos debates surgiram de como as trabalhadoras da USP estão sendo um grande exemplo de luta, na linha de frente de várias atividades da greve, incluindo os piquetes e enfrentamentos com a polícia. Também surgiram debates sobre a necessidade de dar uma luta política na própria categoria para que as demandas das mulheres não sejam apenas "adendos" mas bandeiras tomadas pelo conjunto dos trabalhadores. Muitos exemplos foram dados, como a experiência da Comissão de Mulheres de Donnelley na Argentina, que estão mostrando ser um grande exemplo de luta frente à ocupação da fábrica pelos trabalhadores. 
Para o dia 28 de setembro, dia latino-americano pelo direito ao aborto será organizada atividade específica de debate sobre a luta pela legalização e descriminalização do aborto. 
As próximas reuniões da Secretaria de Mulheres devem dar conta de debater os vários temas que surgiram como a questão do assédio moral, da terceirização - que tem rosto de mulher -, da luta por creches, da situação das trabalhadoras da saúde, da luta por contratação de enfermeiras para atender as mais de 850 mulheres da região na fila do exame do Papanicolau, a situação das educadoras e trabalhadoras das creches e muitos outros temas. Para o mês de novembro ficou indicada a realização do IV Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP.












domingo, 13 de abril de 2014

Nota de repúdio ao ataque racista e machista ocorrido na UNESP de Presidente Prudente!


O Grupo Pão e Rosas, vem através desta nota repudiar o ocorrido com a militante Thaís Telles, na UNESP – Universidade Estadual Paulista – campus de Presidente Prudente, como também manifestar nossa solidariedade à companheira.



Nas paredes do banheiro feminino de alunas da Geografia havia escrito: THAIS TELLES, PRETA, MACACA, SAFADA”. Estes escritos racistas e elitistas tem como objetivo amedrontar e calar dois setores historicamente oprimidos: as mulheres; e o povo negro! Além disso, o conteúdo possui um viés extremamente machista, que se faz necessário para manter as bases de toda opressão. Quando nos deparamos com frases como essas – ainda mais no interior de uma das faculdades mais elitistas do país – é notório a reprodução de toda uma ideologia dominante, assim como também legitima o projeto de universidade em vigor, que se mostra excludente desde sua entrada, que através do filtro social do vestibular seleciona quem adentrará à universidade, colocando a classe trabalhadora, majoritariamente negra, as margens desse projeto de educação. Ainda sim, quando conseguem adentrar às Universidades, não estão isentos de praticas machistas, racistas e também homofóbicas, não sendo raro caso de agressões como esta.



Frente a casos como estes, se faz necessário travarmos discussões políticas com toda a comunidade acadêmica, sobretudo discussões que abarquem o conteúdo histórico dos setores tidos como oprimidos socialmente, como é o caso das inúmeras práticas machistas, racistas e homofóbicas no interior das universidades, que muitas vezes são silenciadas ou tratadas como atos banais, naturalizando assim essas questões.



Em nota, a companheira Thaís coloca a questão e nos mostra sua garra e coragem, saindo do silênciamento muitas vezes imposto à nós mulheres, tornando público o ataque dirigido à ela, dizendo às pessoas que ousam romper com o silêncio diante de uma sociedade assassina e cruel, que não tenham medo, que sigam em frente!



Esse ser anônimo, covarde, RACISTA e asqueroso expôs aquilo que é o sentimento de muitos dentro desta universidade. Essa é apenas uma amostra grátis do que é sociedade brasileira, RACISTA.
Proferiu meu nome, com o intuito de me abalar, humilhar e subjugar a minha ancestralidade NEGRA.
Proferiu os dizeres “PRETAS”, querendo endossar a sua ofensa inescrupulosa.
Continuou com “MACACA” , é assim que meus irmãos de cor são chamados desde de que estes foram colocados na condição de ESCRAVOS em favorecimento de uma lógica perversa que persiste até os dias de hoje; nos Ônibus, mercados, hospitais, campo de futebol , áreas dos Shopping center e nas Universidade Brasileiras.
Sim, são nesses espaços e em muitos outros que cotidianamente somos ofendidos e humilhados. Não quero que você leitor sinta pena, NÃO muito obrigada, não preciso dela.
Eu e todas essas pessoas que são VITIMAS DE RACISMO DIARIAMENTE, precisamos que você entenda essa luta como sua também, e que de uma vez por todas, encarre o fato de que o RACISMO EXISTE NO BRASIL SIM, lembre-se que aceitar é o primeiro passo para exigir a transformação
Ainda os insultos não pararam por ai... me chamou de “SAFADA”. Tenho certeza que este veio do seu mais intimo e repugnante machismos.
Enquanto as pessoas olharem nós mulheres que se colocam como dona de seus corpos, dos seus desejos e autônoma de todo e qualquer mando e desmando de uma lógica que padroniza e coisifica as mulheres; essas serão comumente chamadas de SAFADAS, isso é mais uma prova da necessidade que esses vermes tem de nós subjugar...
Infelizmente acho que o racismo no Brasil se manifesta da pior maneira possível: sempre atrás de alguma coisa; das portas de banheiros, nas carteiras de sala de aula, nas piadas do cotidiano. Afetando constantemente aqueles que ainda não conseguiram se colocar diante deste desafio que é encarar o “racismo á brasileira” de fato.

Pois sim senhor (a) RACISTA.

Eu vos encaro; e sei que te incomodo, mas foi justamente para isso que eu vim . Para tirar todos nós PRETOS e PRETAS da INVISIBILIDADE da INSEGURANÇA e do Medo de se assumirem enquanto PRETOS E PRETAS e ainda lutar para que nossos irmãos não se deparem com essa ‘ TRADIÇÃO’ NOJENTA que nosso país ainda carrega e que o Estado brasileiro legitima.”


Nós do Grupo Pão e Rosas Marília, queremos manifestar toda solidariedade à camarada e dizer que nos colocamos abertas ao debate para pensar ações conjuntas de como elaborar práticas que dialoguem com esses ataques que sofremos diariamente, seja fruto de racismo, machismo ou homofobia. Assim como lutaremos pelo fim desse projeto de universidade elitista, que não se mostra à serviço de todxs, que exclui e que também mantém seu caráter racista.



POR UMA SOCIEDADE LIVRE DE RACISMO PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO! FORA MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA DAS UNIVERSIDADES E SOCIEDADE!


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pão e Rosas RJ apóia a chapa 1 "Por todxs xs Amarildxs" para o CASS (Serviço Social)/ UERJ

Estudante, Mulher, trabalhadora e Negra: 
Por que votar na chapa “Por todxs xs Amarildxs”?

Vivemos numa sociedade capitalista e o machismo é um dos seus pilares para exploração e opressão da classe trabalhadora e na universidade não é diferente, todo ano na UERJ e nas universidades acontecem os trotes machistas, isso é o que sofremos nos primeiros dias de aulas, nem as reitorias e nem os governos fazem nada para impedir que esses casos aconteçam depois muitas de nós somos submetidas a duplas, triplas e às vezes quadruplas jornadas de trabalho, temos que cuidar da casa, dos filhos, trabalhar e estudar, aqui não tem creche, para poder estudar sem ter que se preocupar com os filhos sozinhos em casa, não têm matérias na faculdade que resgate o papel histórico que as mulheres, xs negxs cumpriram. Saímos do trabalho e pegamos transporte lotado nos submetendo ao assedio sexual, não nos sobra tempo para participar nem da vida politica, nem do movimento estudantil. E o que a chapa tem haver com isso? Uma entidade estudantil deve ser o espaço dos setores mais relegados a lutar para que xs trabalhadorxs, xs negrxs e homossexuais possam também viver dessa vida universitária e ser parte dela.
Nós que militamos no grupo de mulheres Pão e Rosas fazemos parte da chapa “Por todxs xs Amarildoxs” para combater ao lado dxs estudantes e trabalhadoras a opressão que enfrentam cotidianamente dentro e fora da universidade, como os trotes opressores, defender as mulheres terceirizadas da universidade, que seus trabalhos sejam valorizados com a efetivação de todas sem concurso, para ter melhores condições de vida, ressaltando a importância de combatermos todas as formas de opressão, pois a opressão não tem fim enquanto ainda tivermos mulheres deixando a vida em trabalhos subvalorizados, sendo invisíveis para a ampla maioria dentro da Universidade! Para impulsionar debates e campanhas junto com xs estudantes sobre as mulheres, negrxs e homossexuais. E a luta por uma gestão proporcional, para que todas as posições eleitas pelos estudantes sejam expressas democraticamente na gestão e a partir desse espaço também nos ligarmos xs trabalhadorxs de dentro e fora da universidade e a toda ampla juventude que não furou o filtro de classe do vestibular. É ao lado desses setores, essas mulheres, que o Pão e Rosas chama todas as estudantes a VOTAR NA CHAPA 1 Por todxs xs Amarildxs!

Visite o facebook e conheça o programa da chapa: https://www.facebook.com/porumcassdeluta?fref=ts




terça-feira, 4 de março de 2014

Pão e Rosas nas calouradas


Todo começo de ano acontecem, nas universidades, as recepções dos ingressantes, conhecidas como “Calouradas”. Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, atuamos, construímos e intervimos nas calouradas que estão acontecendo na USP, Unicamp e UFMG.

Desde a universidade, pautamos nossa atuação sempre a partir da necessária e fundamental aliança operário-estudantil! Sabemos que nas universidades as opressões são reproduzidas entre professores, estudantes e funcionários, mas principalmente tendo como base o machismo institucional desde as reitorias e os governos por trás delas, que reproduzem a opressão, se calam e são coniventes. São responsáveis pela falta de estrutura física (iluminação, podas, circulares noturnos etc) e também de permanência, em que os mais afetados são os jovens de escola pública que furaram o filtro social do vestibular e precisam da assistência da universidade para permanecer estudando. A moradia estudantil não atende à demanda todos os anos, a ajuda de custo das bolsas são baixas, muitos tendo que trabalhar e estudar, sendo o caso de mães estudantes ainda pior, pois não recebem licença maternidade, tendo que abandonar pesquisas e se deparam com a inconciliável tripla jornada de trabalho: trabalho, estudo e cuidado da criança. Também por política da estrutura de poder há o “uso da terceirização como ferramenta”[i], colocando em condições precárias de trabalho na universidade milhares de trabalhadores, que são na maioria mulheres e negras, não por acaso. 

Militamos no Pão e Rosas para combater ao lado das estudantes e trabalhadoras a opressão que enfrentam cotidianamente dentro e fora da universidade, como os trotes opressores, ressaltando a importância de combatermos todas as formas de opressão, pois a opressão não tem fim enquanto ainda tivermos mulheres deixando a vida em trabalhos subvalorizados, sendo invisíveis para a ampla maioria dentro da Universidade! Por isso nos ligamos a essas trabalhadoras, aos trabalhadores de fora da universidade e à toda ampla juventude que  não furou o filtro de classe do vestibular. É ao lado desses setores, dessas mulheres, que o Pão e Rosas chama todas as estudantes a se organizar!

Em 2014, ano da Copa e último ano do mandato de Dilma – que é parte  dos dez anos de governo PT –, nossa intervenção nas calouradas não passou por fora do que significou esse governo de uma mulher e o que significa a organização das mulheres hoje, que sentem mais do que nunca os efeitos da aliança do governo com a FIFA e dos investimentos públicos na Copa, enquanto milhares de mulheres, jovens e trabalhadoras, em sua maioria negras, seguem sendo agredidas, sofrendo com a precariedade e os assédios do transporte público, morrendo por abortos clandestinos, morrendo e vendo seus filhos morrerem nas filas do SUS, a falta de creches. Atuamos nas calouradas, também como parte de nossa preparação para o 8 de março, colocando que da Copa abrimos mão, lutamos pelos direitos das mulheres, contra a Dilma e o patrão!

Na USP, fomos parte da organização do “Pedágio contra o trote machista!” no Curso de História e da Faculdade de Educação, que foi parte da campanha financeira organizada para ajudar no tratamento de Suzane, estudante de História que sofreu uma brutal violência machista em 2013, e segue necessitando de fisioterapia devido às sequelas de sua agressão. Organizamos também no curso de Letras uma importante roda de apresentação do grupo, junto a companheiras trabalhadoras, militantes do Pão e Rosas de fora da universidade, que contou com a presença de cerca de 50 estudantes e trabalhadoras, que se interessaram em discutir o combate à opressão contra a mulher desde uma perspectiva classista e antigovernista, buscando entender as raízes de nossa opressão na estrutura capitalista de nossa sociedade, e a necessidade de nossa luta ser anticapitalista para conseguirmos emancipar as mulheres e os trabalhadores. Também fizemos uma reunião aberta para organizar o 8 de março, e chamamos todas as companheiras que buscam se colocar de maneira classista, antigovernista e anticapitalista a compor nosso bloco nesse 8 de março!

Na Unicamp e na UFMG, atuamos nas calouradas também desde as entidades militantes que compomos: o CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas) e o CAFCA (Centro Acadêmico da Filosofia), respectivamente. Somos partes dessas gestões por acreditar na necessidade de entidades estudantis militantes e combativas, que se coloquem na linha de frente do combate ao machismo, racismo e homofobia; aos trotes que reproduzem essas opressões, e ao lado dos trabalhadores terceirizados, lutando por suas efetivações, sem necessidade de concurso público.

Com essa perspectiva, organizamos na Unicamp a Mesa “Queimando Armários”, que contribuiu com o debate no combate às opressões homofóbicas, com um diálogo aos constantes episódios de homolesbobitransfobia[ii] e como esses setores devem se ligar aos trabalhadores para combater a opressão. Nessa Mesa contamos com a presença de Virgínia Guitzel na mesa, militante travesti do Pão e Rosas, e, após, também organizamos uma festa com o mesmo tema, que ocorreu de maneira auto-organizada, livre e sem expressão de opressões. Somos parte também, da Frente Feminista da Unicamp e, junto às outras companheiras que compõem essa frente, organizamos uma mesa de lançamento da FFU. Desde o Pão e Rosas, compomos a mesa com Silvana Araújo, militante do grupo que foi linha de frente da luta das terceirizadas da USP, e que dialogou com a necessidade da aliança entre as estudantes e as trabalhadoras e deixou claro que o governo Dilma, mesmo sendo uma mulher, não governou para as mulheres, e sim para o patrão!

Na UFMG, onde estamos a frente das Secretaria de Mulheres e LGBTTI e Secrataria da Questão Negra do CAFCA, compusemos a mesa “Da Copa abrimos mão! Queremos saúde, transporte e educação!”, parte da calourada organizada pelo CAFCA. Colocamos nossa perspectiva da necessidade das mulheres se organizarem de maneira independente dos governos e reitorias, desde a perspectiva classista e antigovernista, pelos direitos das mulheres desde os mais históricos e urgentes, como o direito ao aborto legal, e que este seja garantido por um SUS 100% estatal, que seja controlado pelas trabalhadoras e usuárias. Colocamos também a necessidade de lutarmos contra o trabalho precário, pela efetivação das trabalhadoras terceirizadas, tudo isso se aliando aos trabalhadores e todas mulhere e juventude de fora da universidade. Como parte da calourada da Filosofia, colaboramos com a organização a festa “Korpo de Batalha”, em homenagem a Kaique Augusto, jovem negro e homossexual assassinado em SP em janeiro deste ano. Intervimos na assembleia da Filosofia, que votou a composição de um bloco para o 8 de março com os eixos centrais: legalização do aborto, SUS 100% estatal sob controle dos trabalhadores e usuários, efetivação dos trabalhadores terceirizados sem concurso, a partir de uma organização antigovernista e aliada aos trabalhadores. Também tivemos uma importante intervenção na calourada governista organizada pelo DA FAFICH, onde deixamos bem claro que a saída para o combate às opressões se da a partir da organização independente das estudantes aliadas às trabalhadoras, sem nenhuma confiança nas diretorias e reitorias, em resposta a intervenção da professora Marlize Matos, intelectual do PT e da MMM, professora do curso de Ciências Sociais, que disse que o combate às opressões deve ser dado de maneira institucional, e é por isso que as estudantes devem se organizar.

Chamamos todas as mulheres, estudantes e trabalhadoras, que participaram das calouradas, viram nossa intervenção e acreditam na necessidade da aliança operário-estudantil e na organização desses setores de maneira classista e antigovernista, independente dos governos, reitorias e patrões, a conhecer e militar no Grupo de Mulheres Pão e Rosas! Pelo fim do vestibular, contra o trabalho precário, pela efetivação de todas as trabalhadoras terceirizadas, sem concurso público! Venham fazer parte também de nosso bloco nesse 8 de março, pois da Copa eu abro mão! Pelos direitos das mulheres, contra a Dilma e o patrão!




[i] Foi assim que o reitor da USP, Zago, usou esse termo ao responder um questionamento sobre a terceirização na universidade, que completou dizendo que não importa as condições precárias desses milhares de trabalhadores
[ii] Refere-se à situações de violência/opressão aos setores homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros. 


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Pão e Rosas - Campinas chama à conhecer!

"Gênero, sexualidade e a precarização do trabalho"

Reunião na Unicamp - IFCH - Sala IH-08
04/04 - às 17h30



Trabalhadoras do Brasil e da França falam de gênero e luta de classes


Por Diana Assunção


Na última terça-feira, dia 26 de março, os Coletivos Feministas Garçes e ROSA, junto ao Coletivo de Estudantes Solidários aos Trabalhadores em Luta, organizaram na Escola de Ciência Política de Paris, França, um importante debate com o tema « Mulher e Trabalho: a luta segue! ».

Na mesa estavam Severine, trabalhadora demitida do grupo 3 Suisses e militante do Coletivo Licenci’elles, Diana Assunção, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) do Brasil e militante do grupo de mulheres Pão e Rosas ademais de Sarah do Coletivo de Estudantes Solidários aos Trabalhadores em Luta e do grupo feminista francês ROSA.

As intervenções de Severine e Diana colocaram experiências concretas de luta das trabalhadoras para pensar o tema de gênero na luta de classes. Severine relatou todo o processo de organização das mulheres do grupo 3 Suisses e a necessidade que encontraram de unir-se a outros trabalhadores em luta, como os operários da Goodyear e da PSA Aulnay.

Diana, a partir da experiência das trabalhadoras precárias no Brasil, que está retratado em seu livro « A Precarização tem rosto de mulher », defendeu uma visão marxista revolucionária sobre o tema da opressão e a necessidade de lutar de forma combinada contra a exploração capitalista. Com mais de 70 pessoas passando pelo debate, fez-se uma importante discussão que expressa os principais debates do fmeinismo francês: há uma classe burguesa e uma operária, ou há uma classe de mluheres e uma classe de homens? Severine, a partir de sua luta, demonstrou como a unidade concreta entre mulheres e homens trabalhadores, lutando contra todos os preconceitos na própria classe operária, é o caminho para levar as lutas até a vitória.

Diana colocou categoricamente que o que define uma classe é sua localização na produção, e que portanto há uma classe que é dona dos meios de produção, e que essa classe não é formada somente por homens. As feministas burguesas que defendem a unidade d einteresses entre todas as mulheres teriam que explicar como, por exemplo Hillary Clinton poderia fazer uma aliança com as mulheres do Oriente Médio que vivem sob a intervenção imperialista de seu país. Diana terminou dizendo que era utopia pensar na emancipação das mulheres enquanto se mantinha uma sociedade baseada na exploração, e que na França as mulheres tinham as melhores tradições para resgatar hoje, como das combatentes da Comuna de Paris, que além de lutar por seus direitos como mulheres, foram parte da luta por impor a primeira experiência de poder da classe operária da história.

A estudante Sarah interveio chamando todos os estudantes a aliar-se à classe operária, apoiando suas lutas, e lutando junto às mulheres trabalhadoras para conquistar todos os nossos direitos.

Entrevista com Séverine, ex-trabalhadora de 3 Suisses e membro das Licenci'elles

« Pensavam que o assunto acabaria rapidamente. Certamente porque éramos mulheres, dispersas, não-organizadas. [...] Hoje, lutamos por nossa dignidade»

No fim de janeiro de 2012, o grupo 3 Suisses decide fechar as 35 lojas distribuídas por toda a França para se concentrar nas vendas pela internet e por correspondência. Nessa marcha, são 149 trabalhadorxs que deverão ser demitidxs, a despeito dos lucros colossais registrados pelo grupo Otto. 68 trabalhadorxs se opuseram a essas demissões e decidiram lançar um combate diante do tribunal do trabalho. Ao mesmo tempo, fundam a associação Licenci’elles para sustentar sua luta e propor a outras mulheres assalariadas que encontram as mesmas dificuldades de isolamento e precariedade, um quadro de organização e de apoio. Hoje, perto de uma centena, as Licenci'elles fazem barulho na mídia e se unem às lutas atuais como a dos trabalhadores da Goodyear. Séverine de Licenci'elles, ex-trabalhadora de 3 Suisses, nos conta o percurso dos combatentes.

Révolution Permanente: Em quais condições ficou você sabendo do projeto de fechamento das lojas 3Suisses e de tua demissão?

À época, eu era responsável pela loja em Saint-Etienne. Havia então 35 pontos de venda e 152 empregados envolvidos (147 mulheres e 2 homens). Já em 2009, tinham-se tornado 850 pessoas e somente 36 foram atacadas. Éramos os próximos na lista. E ela não parava de se estender com o anúncio de uma nova deslocalização daquilo que resta dos centros de chamada.

Sobre o que nos diz respeito, foi em fevereiro de 2011 que ficamos sabendo da notícia... por uma conferência telefônica! Foi assim! Os distintos chefes responsáveis pela loja lá foram convocados. Em seguida, ficou a nosso encargo, sozinhos, de anunciar isto a nossas equipes. Não houve qualquer acompanhamento, não se tinha nenhuma informação sobre as datas exatas, nenhuma resposta a nossas questões. A direção mentiu para nós igualmente sobre a possibilidade de uma recontratação potencial. Claro, essa possibilidade nunca apareceu. No espaço de um ano, houve uma só e única vista do setor de RH. Não fizeram nenhuma proposta de remanejamento, e sim propostas falsas. Eu, por exemplo, se me propunha tornar responsavel de logística. Mas isso não tinha nada a ver, eu trabalho na  venda de roupa. Em verdade, eles não nos tomaram a sério. Pensavam que não tínhamos a capacidade para responder essa falcatrua. Se quisessem fazer as coisas corretamente, nos fariam propostas de remanejamento que fossem sérias. Verdadeiramente, não há nenhum respeito. Nos enganaram por muito tempo. Atacaram-nos pessoalmente em nossa dignidade, nos tratando como merda. Foi isso, creio, que nos prontificou a reagir...

Grosso modo, pensavam que o assunto rapidamente seria ultrapassado. Certamente porque éramos majoritariamente mulheres, dispersas pelos quatro cantos da França. Porque, é verdade, a maioria das companheiras não eram sindicalizadas, não se tinha qualquer cultura de luta. Eu, por exemplo, era a primeira vez que fazia uma greve. A primeira ação foi de nos agruparmos na Croix, à sede, para contestar as demissões, depois de uma reunião organizada pelos responsáveis sindicais, no estacionamento. Desde então, começaram as medidas de intimidação da parte da direção. Discurso de culpabilização, chamado à “razão”, propuseram além do mais aos assalariados assinar um acordo individual, no qual acordavam um cheque de 6 a 9 meses de salário contra a promessa de não criar problemas se presentando no Tribunal do Trabalho.

Foi totalmente ilegal, pois nossas demissões não tinham sido ainda notificadas. Alguns cederam a esta chantagem, sob os golpes da pressão, das obrigações financeiras e familiares. Foi verdadeiramente muito duro.

Os fechamentos aconteceram em janeiro de 2012. Para 68 dentre nós, decidimos denunciar a situação no Tribunal do Trabalho. O processo está em curso, posto que hoje contestamos sua “justificativa econômica”.

RP: Em que momento apareceu a ideia de fundar o coletivo Licenci’elles?

Na primavera de 2012, começamos a tomar contato com os assalariados envolvidos pelas mesmas medidas que nós no setor têxtil. Com os “Paru-Vendu”, nos manifestamos diante da Assembléia Nacional em abril de 2012. Ademais, quando se é mulher, se é frequentemente mais precária. Nos persuadimos de que era preciso nos associar com as companheiras que vivem a mesma situação que nós. Por conseguinte, reencontramos os ex-trabalhadores de Lejaby, de Samsonite, via nosso advogado, Fiodor Rilov, que os defendeu. Entramos também em contato com uma trabalhadora nos caixas do supermercado ED, que conhecimos depois de uma reunião das mulheres em luta organizada pelo Front de Gauche. É o mesmo procedimento que se aplica muito entre eles, e que cria o isolamento e o fatalismo. A ideia apareceu de criar uma associação para contribuir com um apoio àqueles que se encontram nas mesmas dificuldades, em um setor muito feminizado, que raramente é sindicalizado, portanto débeis frente aos ataques ao emprego. Mas também para lutar contra as demissões nos grupos e empresas que têm lucro.

De golpe, montamos essa associação com as 68 companheiras que foram à justiça contra a 3 Suisses. No começo, tratava-se de criar uma ajuda específica, jurídica, mas também de transmitir uma experiência num setor que não tem uma cultura de luta. Esses diferentes encontros nos inspiraram muito, notadamente aqueles com os Lejaby. Nós, ao início, não éramos cobertos pela mídia. Depois começamos a interpelar a mídia, a fazer barulho ao nosso redor. Fizemos barulho pela via das redes sociais. É verdadeiramente a partir de abril que começamos a nos fazer conhecidas, notadamente conduzindo ações ao lado de outros trabalhadores em luta.

RP: Efetivamente, hoje, nos vemos vocês ao lado dos trabalhadores da Goodyear, que não são portanto do mesmo setor que vocês, nem de um setor muito feminino. Como você explica essa evolução?

Encontramos os trabalhadores da Goodyear em um piquete de greve em fevereiro de 2012. Eles nos lançaram: “Onde estão os pneus?” Marie, uma Licenci'elles, lhe respondeu: “Estaremos no Tribunal do Trabalho no dia 22 de março. Venham com os pneus.” Eles responderam ao chamado e vieram nos apoiar no tribunal depois de nossa primeira conciliação. O acolhimento foi maravilhoso, verdadeiramente dava prazer. Com efeito, nos encontramos na mesma perspectiva. Nós lutamos pelos empregos, e não pelos cheques. Sabemos que as indenizações vão depois de alguns anos à Pôle Emploi (agência oficial de procura de emprego), sem recuperar o trabalho, nas regiões onde o desemprego se tornará massivo, como em Amiens na Goodyear. E depois, no momento em que constituímos o coletivo, nos demos conta que não éramos as únicas envolvidas, que a coisa ia muito além do setor da venda de roupa. As demissões massivas, com a PSA, Sanofi, Virgin, Goodyear, Candia, e os outros, tocam todos os setores e todo o mundo está envolvido. E para fazer as coisas mudarem, é preciso que combatamos todos juntos. É preciso sair de nosso próprio caso pessoal, de isolamento, no qual acreditamos estar quando somos deixados à porta da rua. Certamente, há diferenças, mas a causa é a mesma. São os trabalhadores que sofrem, esperam, as empresas não se importam. Eles pensam que com um cheque vão calar a nossa boca.

De golpe, decidimos empreender um projeto de lei contra as demissões nas empresas que têm lucro com os representantes de 30 fábricas diferentes (Faurecia, Candia, Sanofi, Goodyear, Bigard...). Colocamos uma proposta de lei ao Ministério do Trabalho a 12 de fevereiro, então que diante de suas janelas, estávamos reunidos com os trabalhadores de Candia, de Sanofi, de Goodyear. Uniram-se também a nós uma delegação da PSA Aulnay. Que as fábricas demitam enquanto têm lucros acumulados, com dividendos aos acionários, é inaceitável. Não podemos os trabalhadores pagarmos por isso. É absolutamente necessário evitar os fechamentos de fábrica. É preciso também desconfiar dos números que nos são mostrados: são manipulados para nos fazer engolir qualquer coisa. Por exemplo, o grupo 3 Suisses atacou as ajudas públicas da região, mas disso ninguém fala. É um escândalo! E é por isso que é necessário lutar.

RP: Que repercussão você tem sobre teu engajamento enquanto mulher que luta pelo seu emprego?

Integrar-me em uma associação de mulheres, é isso que me deu forças. Pois é preciso poder resistir a tudo. Como fazer para te construir, retomar confiança em si mesma, manter uma vida social, quando se chega a ser demitida aos 35 anos, e se está sem emprego?

Para mim, o fato de me mobilizar me transformou. Se você me tivesse dito, há três anos, que eu entraria em greve contra o meu patrão, eu teria rido. Para mim, tudo isso era desconhecido. Minha demissão, eu a vivi muito mal. Me coloquei muitas vezes em questão. Mas, havia duas opções: assino e me deprimo, ou levanto a cabeça. Eu, prefiro ser capaz de me olhar no espelho pela manhã. É uma questão de dignidade.

Eu estou orgulhosa porque não me deixei comprar. A luta me permitiu encontrar pessoas excepcionais, descobrir uma nova faceta de mim mesma que não conhecia antes. Eu me abro mais, tomei confiança. Mesmo se é difícil – há a excitação na mobilização, depois quando volta para casa, é o down, a depressão – há muitas gratificações. Eu conhecí Marie das Licenci'elles e outras pessoas excepcionais. E depois você colhe sementes na luta, aprende com a experiência dos outros. No contato com os trabalhadores da Goodyear, melhoramos muito  a comunicação com a imprensa. Do fato de nossas irrupções frequentes na mídia, aprendemos a transmitir nossas convicções, nossas ideias, a torná-las mais fortes. E é por isso que cumpre conduzir conjuntamente o combate!


Entrevistamos Bia Abramides, professora da PUC-SP sobre a luta de estudantes, professores e funcionários


Nos últimos meses de 2012 se desenvolveu uma importante e destacada luta de professores, estudantes e trabalhadores da PUC-SP. O Jornal Palavra Operária esteve presente em atos e manifestações defendendo um movimento independente para que a comunidade triunfasse contra a Fundação São Paulo, pelo “fora” Anna Cintra e por nenhuma ilusão em Dirceu de Mello. Publicamos a seguir entrevista de com Bia Abramides, professora de Serviço Social da PUC-SP sobre a luta da comunidade universitária no último semestre.

1) Qual é o papel da Igreja na PUC-SP? Essa intervenção nas decisões políticas da universidade é algo novo?

A PUCSP tem a Fundação São Paulo-FUNDASP, como sua mantenedora que é da Igreja Católica. Isto se dá desde a criação da PUCSP, em 1946, ou seja, há 67 anos. Porém a PUC não pode se confundir, se diluir, se dissolver na FUNDASP. A PUC é uma universidade e como tal tem que ter autonomia e democracia, estar desvinculada da Fundação. A Intervenção política na Universidade não é algo novo. Nos anos 80 a PUCSP sofreu intervenção da Fundação por conta da questão administrativa. Depois conseguiu-se retomar a autonomia da PUCSP. Porém, a partir de 2005, na gestão da reitora Maura Veras, a PUC sofreu nova intervenção da Fundação que permanece até os dias atuais. Naquele período ocorreram as demissões em massa de professores e funcionários, chegando a quase mil trabalhadores demitidos. Houve a invasão da tropa de choque durante a ocupação da reitoria pelos estudantes, e sindicância a 12 alunos que participaram do movimento de ocupação contra o redesenho institucional. Desde então tem ocorrido uma sucessão de medidas de destruição do ensino e do trabalho: o não pagamento dos 7,66% devidos de reajuste aos professores desde 2005, tabelas salariais diferenciadas para a mesma função, repressamento na ascensão da carreira, maximização de contratos, com uma sobrecarga de trabalho, redesenho institucional em acordo com a Fundação, numa lógica instrumental racionalista, criação do CONSAD-Conselho da Administração, acima do Conselho Universitário com três votos: o do reitor e dos dois padres que representam a FUNDASP. Em relação aos alun@s um aumento das mensalidades acima da inflação, redução de bolsas, e, em relação ao ensino, curso aligeirados, cursos de ensino a distancia. Para os funcionários além da redução numérica, estão com plano de carreira bastante defasado. Para enfrentar a questão financeira em 2006, a PUCSP juntamente com a FUNDASP se curvaram aos bancos, Santander e Bradesco, que passaram a ditar como a universidade deveria ser saneada, o que consubstanciou nas medidas que recaíram sobre funcionários, professores e estudantes. Em 2012 ocorreram as eleições e o Cardeal indicou para assumir a reitoria, a terceira e última colocada no pleito. Desde 80 a PUC tem eleições diretas para reitoria, e, embora estatutariamente haja a lista tríplice encaminhada ao Cardeal para sua indicação, durante 32 anos, o Cardeal sempre indicou @ reitor(a) escolhida pelos três seguimentos: estudantes, professores e funcionári@s, o que garantia a soberania das urnas.

2) Qual a relação entre o processo de elitização e o projeto da universidade da FUNDASP?

O Projeto de Universidade da FUNDASP é o projeto da Igreja que pretende sempre formar seus quadros. Isso não é novo. Porém o Projeto da Igreja dos anos 60, 70, 80 estava identificado com um projeto humanista da Igreja vinculado a Teologia da Libertação, em toda a América Latina, longe da posição conservadora, reacionária que hoje está presente no Vaticano com Bento XVI. Nos anos 80 a PUCSP era a universidade privada mais barata do país, isto porque ao ser confessional recebia recurso público do Estado na esfera federal que reduziu drasticamente a partir dos anos 90. De fato o dinheiro público deve ser aplicado na educação pública, gratuita, universal, laica e ñao nas universidades privadas. Sabemos porém que com a implantacão do neoliberalismo desde 89 nos governos Collor, Itamar, FHC, Liula e Dilma, mais acentuadamente pós FHC, os recursos públicos para educação pública são irrisórios e a política desde o governo Lula, é a de deslocar uma parte do recurso público para a esfera privada pelo Prouni, que é um programa "salvacionista" `a inadimplência do ensino privado e que cada alun@ neste corresponderia a possibilidade de três alun@s cursarem na universidade pública. Na universidade pública também tem ocorrido uma precarização do ensino com a implantação do Reuni como um programa que desqualifica o ensino e precariza o trabalho. A contrareforma do ensino superior no país está subordinada aos interesses do grande capital, do FMI, da OMC que dita sua programática no âmbito internacional. A PUCSP sobrevive das mensalidades que estão cada vez mais caras, elitizando cada vez mais o ensino, e precarizando cada vez mais as condições de trabalho. Um número significativo de cursos que são considerados de baixa procura, na realidade são cursos com demanda reprimida, pois @s alun@s que procuram esses cursos não tem poder aquisitivo para pagá-los e assim se inscrevem nas universidades privadas mercantis, em que a mensalidade é bem inferior. Esses cursos são basicamente da área das ciências sociais, da educação, do serviço social, de letras, da filosofia. Ao invés de se pensar em mensalidades mais reduzidas para todos estes cursos, garantindo a existência dos mesmos, que dão sentido a uma universidade, esses cursos estão fechando turmas e poderão até ser extintos. Na realidade os trabalhadores e seus filhos não tem como suportar os preços das mensalidades. O caráter elitista se aprofunda nesta direção.

3) Como você enxerga a atitude da FUNDASP e de Dom Odilo na nomeação da prof. Anna Cintra- 3º colocada da lista tríplice - a reitora da PUC-SP?

Esta atitude coloca na prática a intervenção da Igreja na Universidade não somente do ponto de vista financeiro, mas também acadêmico, e de concepção de universidade. Creio que é uma atitude de ir às últimas consequências o projeto da Igreja para a Universidade. Este é um fenômeno mundial, em que a Igreja não suporta mais uma universidade como a PUCSP, mesmo com sua democracia extremamente limitada. Nos EEUU houve intervenção em PUCS progressistas, e, recentemente o Vaticano fez com que a PUC do Peru deixasse de ser PUC. Ou seja, segue o receituário ou se desvincula. Basta analisar as declarações da candidata ilegítima em que diz claramente que a PUC é da Igreja, e, portanto deve seguir a ela. Aí nos perguntamos como debater temas tão fundamentais como a questão do aborto, das drogas, da sexualidade, da criminalização dos movimentos sociais, da luta contra o capital e por uma sociedade igualitária, sem exploração de classe e opressão social, de gênero, étnico-racial, em uma universidade que possa vir a reprimir a liberdade de manifestação, expressão, do conhecimento e da práxis necessária a uma vida emancipada?

4) Na sua opinião até onde esse forte movimento democrático contra a Igreja na PUC-SP deveria chegar?

Na minha opinião a luta é longa. A nomeação da indicada por D. Odilo foi impugnada pelo CONSUN, pelo fato de ela ter publicamente se comprometido em não assumir, caso não fosse a primeira colocada, e assumiu. D. Odilo não acatou a deliberação do Consun que desomologou a lista tríplice e a colocou por mérito na ilegalidade por descumprimento da palavra. Houve uma liminar que reafirmou que a indicada está juridicamente impedida de assumir. A Fundação recorreu e aguarda-se o fim do recesso do judiciário para uma decisão definitiva. Acredito que teremos um início de ano com muita luta. Tivemos uma greve de estudantes, bem significativa, que foi ampliada com a greve dos professores, em muitos cursos, por um mês. Os estudantes, professores e funcionários devem seguir na Luta do Fora Anna Cintra, impedindo que assuma, por ser ilegítima e agora, ilegal por deliberação do CONSUN e do Judiciário. A proposta do Movimento é a de que façamos uma Convenção dos três setores para debater que PUC queremos, e aí temos que avançar com uma nova estatuinte, pois a que temos hoje é um remendo da anterior, negociada por cima, pela burocracia da PUCSP, com a Igreja, por ocasião do redesenho. De fato tem que se avançar na separação da PUC em relação á FUNDASP. Se tivermos força retomar a luta de imediato pela estatização. À Igreja não interessa esta forte mobilização, e vem a ameaça com Intervenção de nomeação direta, disseminada pelos setores que apoiam Anna Cintra. Na realidade Anna Cintra é já esta intervenção, o projeto que a Igreja quer sedimentar. “Contra a vontade do cardeal, a vontade Geral” e “Pela autonomia e democracia universitária”.