Mostrando postagens com marcador Lançamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lançamento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Wendy Goldman lança "Mulher, Estado e revolução" no Brasil




Em maio de 2014, a historiadora Wendy Goldman estará no Brasil para um ciclo de conferências de lançamento de seu premiado  Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936, publicado pela Boitempo Editorial. Durante os dias 19, 20 e 21 de maio ela passará pelas cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro em eventos gratuitos e sem necessidade de inscrição, seguidos de sessões de autógrafos.

Ganhador do prêmio Berkshire Conference, o livro examina as mudanças sociais pelas quais passou a sociedade da União Soviética nas duas décadas após a revolução de 1917, com foco nas mulheres e a relação que estabeleceram com o Estado revolucionário. Analisando a estrutura familiar, a sexualidade, o casamento e o divórcio na União Soviética, a obra explora como as mulheres responderam às tentativas bolcheviques de redefinição da instituição familiar.

Programação completa:

Campinas
Quando: 19/05 | 17h30 | Debate “A emancipação das mulheres: o debate e os desafios da luta contra o machismo como parte da experiência da revolução russa”
Com: Wendy Goldman, Diana Assunção e Renata Gonçalves
Onde: Unicamp | Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
Realização: Boitempo, Edições Iskra e Grupo de Pesquisa “Para Onde vai o Mundo do Trabalho?”
Apoio: Programa de Pós-Graduação de Sociologia da Unicamp, Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais da Unicamp e Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH)

São Paulo
Quando: 20/05 | 19h30 | Debate com Wendy Goldman, Andrea D’Atri (Argentina), Sofia Manzano e Diana Assunção
Onde: USP | Anfiteatro de História | FFLCH 
Realização: Boitempo, Edições Iskra e FFLCH/USP
Apoio: Sintusp

Rio de Janeiro
Quando: 21/05 | 16h | Debate com Wendy Goldman, Andrea D’Atri (Argentina), Diana Assunção e Carlos Eduardo Martins
Onde: UFRJ | Sala 109, Evaristo de Moraes Filho | Térreo | IFCS 
Realização: Boitempo, Edições Iskra e Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) Apoio: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Confirme presença na página do evento no Facebook
Confira mais informações dos eventos no site da Boitempo
Acompanhe a página especial do livro no Facebook aqui

*****
Mulher, Estado e revolução
Política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936
Wendy Goldman

A Boitempo, em parceria com a Edições ISKRA, publica o premiado livro Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936. Escrito por Wendy Goldman, historiadora e professora da Universidade Carnegie Mellon (EUA), especializada em estudos sobre a Rússia e a União Soviética, a obra ganhou o Berkshire Conference Book Award ao examinar as mudanças sociais pela qual passou a sociedade soviética nas duas primeiras décadas pós-revolução, com foco nas mulheres, e na relação que estabeleceram com o Estado revolucionário.

O livro retrata as grandes experiências da libertação da mulher e do amor livre na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) depois da Revolução – e por que falharam, quando entrou em cena a burocracia stalinista. “Seu tema é a difícil relação entre vida material e belos ideais”, afirma Goldman. O livro examina as condições materiais da União Soviética logo após a Revolução e explora questionamentos relevantes para qualquer movimento social: quando um novo mundo poderá ser criado? Quais são as condições necessárias para se realizar ideais revolucionários? É possível que se crie total liberdade sexual para homens e mulheres sob condições de desemprego, discriminação e persistência de atitudes patriarcais? O que podemos apreender dessa experiência, depois da Revolução Russa? Combinando história política e social, o livro recupera não apenas as lições discutidas por juristas e revolucionários, mas também as lutas diárias e ideias de mulheres trabalhadoras e camponesas.

Ao chegarem ao poder em 1917, como resultado de uma revolução, e com esperanças de construir um mundo novo, muitos juristas, educadores e outros militantes sonharam com novas possibilidades. Os bolcheviques lutavam para que, sob o socialismo, a instituição “família” definhasse; para que o trabalho doméstico não remunerado das mulheres fosse substituído por lavanderias, creches e refeitórios comunitários; para que o afeto e o respeito mútuos substituíssem a dependência jurídica e financeira como base das relações entre os gêneros. Uma geração de legisladores soviéticos se empenhou em concretizar essa visão e como parte dela, em 1920, legalizaram o aborto, que passou a ser considerado um serviço público e gratuito.

É importante destacar que os bolcheviques tiveram uma política aberta sobre as relações pessoais, especialmente considerando o atraso social e cultural da Rússia. A ideia de “amor livre” e as relações hierárquicas entre pais e filhos foram temas amplamente debatidos. “Em uma cultura patriarcal, os pais exerciam um controle tremendo sobre as mães e as crianças. Tomavam decisões sobre o matrimônio, a educação e o trabalho. Os bolcheviques queriam abolir esse controle, em favor dos direitos do indivíduo, do ser humano”, afirma Goldman. "Questionaram as hierarquias de todo tipo, não somente aquelas dentro da família. O Exército Vermelho foi reconstruído sob novas regras, mais democráticas em termos de relações entre oficiais e soldados. As escolas tornaram-se mistas, e os professores, estudantes e trabalhadores criaram Sovietes para governá-las. Os juristas discutiam o ‘desaparecimento’ da lei e do Estado e faziam leis destinadas a alentar esse objetivo. Inclusive desafiaram as hierarquias na arte e na música. Na década de 1920, os músicos soviéticos experimentaram uma ‘orquestra sem diretor’. Foi um momento de grande nivelamento e de experimentação apaixonante em todas as áreas da vida”.

No entanto, uma década e meia depois, com a atuação de forças contrarrevolucionárias, a legalidade do aborto foi revogada e a experimentação social deu cada vez mais lugar a soluções conservadoras, que reforçaram as amarras da família tradicional e o papel reprodutivo da mulher. A autora analisa nesse contexto como as mulheres responderam às tentativas de refazer a família, com Stalin defendendo a “volta à família e ao lar”; e como suas opiniões e experiências foram utilizadas pelo Estado para atender as suas próprias necessidades. A edição brasileira do livro será enriquecida com fotografias da época e textos complementares, como o texto de capa de Liliana Segnini, professora do Departamento de Ciências Sociais da Unicamp, e o prólogo escrito por Diana Assunção, historiadora e militante dos direitos das mulheres.
Dia Internacional da Mulher, 1917, Pitsburgo, Rússia


Trecho do livro:
“Uma vez que havia expectativa generalizada de que a família iria definhar, a questão de como organizar o trabalho doméstico provocou extensa discussão. Lenin falou e escreveu repetidas vezes sobre a necessidade de socializar o trabalho doméstico, descrevendo-o como ‘o mais improdutivo, o mais selvagem e o mais árduo trabalho que a mulher pode fazer’. Sem poupar adjetivos duros, escreveu que o trabalho doméstico banal ‘esmaga’ e ‘degrada’ a mulher, ‘a amarra à cozinha e ao berçário’ onde ‘ela desperdiça seu trabalho em uma azáfama barbaramente improdutiva, banal, torturante e atrofiante’. Lenin obviamente desprezava o trabalho doméstico. Argumentava que ‘a verdadeira emancipação das mulheres’ deve incluir não somente igualdade legal, mas também ‘a transformação integral’ do trabalho doméstico em trabalho socializado.”

Sobre a autora:
Wendy Goldman é professora do Departamento de História da Carnegie Mellon University e especialista em estudos políticos e sociais sobre a Rússia e a União Soviética. Autora de diversos livros sobre o terror stalinista, gênero e classe trabalhadora, já foi traduzida para o russo, espanhol, italiano, alemão, francês, tcheco e japonês.  Com o livro Mulher, Estado e revolução, ganhou o Berkshire Conference Book Award, em 1994. É diretora de um intercâmbio universitário entre a Carnegie Mellon e a Universidade Estadual para Humanidades, em Moscou.

Ficha técnica:
Título: Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936
Título original: Women, the State and Revolution: Soviet Family Policy and Social Life, 1917-1936
Autora: Wendy Goldman
Prólogo: Diana Assunção
Orelha: Liliana Segnini
Páginas: 400
ISBN: 978-85-7559-364-6
Preço: R$ 49,00
Editoras: Boitempo e Edições ISKRA

*****

terça-feira, 6 de maio de 2014

Boletim Pão e Rosas - Especial Metroviárias



Não podemos aceitar operar um trem e trabalhar nas estações com mulheres sendo assediadas!

          A realidade da violência contra a mulher e estupros no nosso país é gritante. São mais de 50 mil mulheres estupradas por ano e uma média de 5 mil mulheres mortas. Contando com as que não denunciam por medo, vergonha ou por desacreditar da polícia, que na maioria dos casos comprem um papel de humilhá-la ainda mais (até mesmo nas Delegacias da Mulher), os números são ainda piores. Essa discussão ficou evidente pela pesquisa publicada pelo IPEA, que divulgou um dado de que 65% dos entrevistados concordavam com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Posteriormente, assumiram o erro e divulgaram o dado correto de 26%, que não deixa de ser um número alto. Também ganhou destaque o assédio nos transportes depois da propaganda do Metrô e do governo do estado de SP que dizia que “o trem cheio é bom porque dá pra xavecar a mulherada”. O que eles querem é justificar os assédios, justificar o machismo e tirar o foco da responsabilidade que têm por conta da superlotação.
            O Metrô de São Paulo está no olho do furacão. Somente este ano já foram registrados cerca de 20 casos. Nós, trabalhadoras e trabalhadores do Metrô, não podemos aceitar trabalhar em estações ou operar trens normalmente, enquanto tem mulheres sendo assediadas ou violentadas! Por isso nós do Pão e Rosas interviemos no Seminário da Campanha Salarial do Metrô propondo uma verdadeira campanha contra o assédio sexual. Achamos que trabalhadores e trabalhadoras do Metrô podem, junto com a população usuária, fazer efetivamente diferença para dar um basta nessa situação!
            Lutamos para que a Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários elabore, junto às metroviárias e usuárias, uma ampla campanha com fotos, cartazes, vídeos e painéis, além de um anúncio sonoro nos vagões contra o assédio. Que o Metrô disponibilize espaço na TV do trem e nos painéis publicitários para esta campanha. E nós, operadores e operadoras de trem e funcionários das estações, devemos emitir esse anúncio, deixando claro que os metroviários estão do lado das mulheres no combate à violência, chamando a que as mulheres denunciem os casos para a secretaria de mulheres do sindicato e denunciando a responsabilidade do governo e da empresa. Devemos lutar por comissões de metroviárias e usuárias a partir da Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários para apurar os casos de assédio e exigir punição dos agressores. As mulheres violentadas ou assediadas devem ter direito a licenças remuneradas no trabalho e assistência financeira garantida pelo Metrô, com tratamento físico e psicológico!
                 Acreditamos que essa é a forma de colocar as metroviárias e metroviários em ação, buscando fazer a diferença na luta contra o assédio e se aliar a população usuária, em especial às mulheres. Nada a ver com a política do PSTU (em nome do Movimento Mulheres em Luta) de distribuição de alfinetes, que não à toa perdeu a votação no Seminário da Campanha Salarial do Metrô, já que os trabalhadores não consideram que se trata de uma campanha efetiva ou a política também defendida pelo PSTU da implantação dos vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico, uma medida que segrega a mulher, naturalizando a situação de assédio.
                 Chamamos todos que tem acordo com a perspectiva que apresentamos aqui a se somar na luta cotidiana contra a opressão às mulheres!


 Lutar pelas demandas das trabalhadoras terceirizadas nessa campanha salarial!

Recentemente, as trabalhadoras da Higilimp (limpeza da L1 Azul) se organizaram e fizeram uma grande campanha nas eleições da CIPA, com apoio dos Metroviários pela Base e do Pão e Rosas. Conseguiram eleger uma bancada da CIPA que pela primeira vez não tem nenhuma representante direto da empresa, o que representa um novo passo no sentido da luta contra as condições de trabalho semi-escravas que essas trabalhadoras estão submetidas! Nós do Pão e Rosas defendemos que, além de nossas demandas e das demandas dos usuários, devemos defender também as demandas das trabalhadoras terceirizadas (maioria mulheres) nessa campanha salarial para fortalecer ainda mais essa luta!
- bilhete de serviço para todos os terceirizados do Metrô!
- Pagamento do VA para as trabalhadoras da Higilimp!
- Plano de saúde para os terceirizados! Que qualquer atestado seja aceito pelas empresas e que não tenha nenhum desconto por falta justificada!
- Licença maternidade de 6 meses para as terceirizadas!


É só uma piada?!
 
            Por meio de declarações feitas por pessoas que participaram de treinamentos oferecidos pelo metrô, sabemos que há instrutores fazendo colocações machistas, racistas e homofóbicas. Israel Cravo, instrutor do treinamento de bilheteria, é um deles e, não à toa, foi e é alvo de muitas reclamações vindas de pessoas que se sentem ofendidas e desrespeitadas por seus comentários. Quando questionado sobre o caráter preconceituoso do que diz, este instrutor afirma que está apenas fazendo brincadeiras e piadas “inofensivas”.
             Há muito tempo ocorrem casos de abuso sexual no metrô de São Paulo e percebemos que ao invés de promoverem discussões críticas sobre o assunto, contribuindo para que haja a compreensão de como essa situação é humilhante e agressiva às vítimas, alguns instrutores reforçam e perpetuam preconceitos através de suas observações e “piadas”.
          No Brasil, 15 mulheres são mortas por dia, uma a cada uma hora e meia. Negros são assassinados três vezes mais do que brancos e um homossexual é morto a cada 28 horas no país, sendo que 44% de todos os casos letais de homofobia do planeta ocorreram aqui.
            Não deve haver nenhum espaço para comentários e piadas preconceituosas no treinamento do metrô de São Paulo. Este comportamento deve ser completamente repudiado e combatido, pois reproduz e perpetua graves preconceitos e, sendo assim, contribui para que pessoas continuem sendo desrespeitadas, excluídas, agredidas e assassinadas.
         Por tudo que foi colocado, exigimos a retirada do instrutor Israel Cravo do treinamento de bilheteria! Já houve inúmeras reclamações sobre a postura preconceituosa deste instrutor e não existe justificativa para que ele continue dando o treinamento. É urgente que uma pessoa que respeite as diversidades humanas assuma este treinamento! Estaremos atentas a qualquer comportamento e colocação preconceituosa.
            Há, além disso, o anúncio de que o metrô conta com mil agentes de segurança treinados para receberem as vítimas de assédio sexual. No entanto, sabemos que esta é uma propaganda enganosa! O metrô não oferece treinamento para que os funcionários saibam lidar de maneira adequada com essa situação e assim, além de fazer com que a vítima não tenha o acolhimento necessário, a empresa coloca os funcionários em uma posição delicada ao terem que enfrentar uma realidade para a qual não foram preparados.
          É imprescindível que o metrô forneça um treinamento voltado para o atendimento às vítimas de opressão, com participação das secretarias de mulheres e de negros do sindicato.
Todxs merecem dignidade e respeito!

***

Venha junto com o Pão e Rosas ao Lançamento da Cartilha sobre Violência contra a Mulher do Movimento Mulheres em Luta!
Dia 10/05, a partir das 14h, no sindicato dos Metroviários!

***

GRANDE LANÇAMENTO do livro A MULHER, O ESTADO E A REVOLUÇÃO!
Inédito em português!
Com a presença da autora, a historiadora norte-americana Wendy Goldman e também Andrea D’Atri (autora do prefácio da edição Argentina e dirigente do Pan y Rosas Argentina), além de Diana Assunção (autora do prólogo à edição brasileira e dirigente do Pão e Rosas Brasil)
Dia 20 de Maio em São Paulo!


terça-feira, 29 de abril de 2014

As lições de 1917 na luta pela emancipação das mulheres

LANÇAMENTO MULHER, ESTADO E REVOLUÇÃO

Por Rita Frau, professora e da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta

Artigo publicado no Jornal Palavra Operária, n 104.                                                              
http://www.ler-qi.org/As-licoes-de-1917-na-luta-pela-emancipacao-das-mulheres

Nos dias 19, 20 e 21 de maio, em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente ocorrerão as conferências de lançamento do livro “Mulher, Estado e revolução” com a presença da autora, a historiadora norte-americana Wendy Goldman. A publicação, uma coedição da Boitempo Editorial e Edições ISKRA, conta com prólogo de Diana Assunção.

Nem mesmo as mais avançadas “democracias” capitalistas conseguiram conceder às mulheres de forma simples e rápida direitos elementares como o direito ao aborto ou a possibilidade de se divorciar quando quisesse, de acordo com seus sentimentos. Mas foi com a classe operária chegando ao poder, em uma revolução que desatou com uma greve de mulheres operárias, que foi possível conhecer as medidas mais avançadas no que diz respeito a luta pela nossa emancipação. “Mulher, Estado e revolução” vem a publico mostrar os grandes debates entre os bolcheviques para lidar com o avanço nas medidas de libertação das mulheres e o fato de que só seria possível a emancipação completa das mulheres em uma sociedade efetivamente comunista, onde se impusesse o fim do valor, do dinheiro, da mais-valia e assim de todas as classes sociais. Por isso o estado operário de transição colocou em cena todo o processo de “metamorfose” interna da revolução, como já apontava Leon Trotsky em sua Teoria da Revolução Permanente.
Da socialização das tarefas domésticas para livrar as mulheres deste serviço atrofiante até a necessidade de que as mulheres passassem a dirigir o estado operário, muito se debateu e avançou no processo de libertação das mulheres. Como muitos bolcheviques diziam, todas as leis implementadas no estado operário deveriam, conforme se avançasse para o fim das classes, definhar. As leis eram dialeticamente implementadas também como forma de proteger as mulheres diante das mudanças radicais da sociedade, a contradição entre a forma de organização familiar capitalista – que impunha a dependência financeira das mulheres em relação aos homens – e o ideal do amor livre onde as relações estariam livres dos entraves capitalistas e cada relação seria definida por sentimentos mútuos.
Como Edições ISKRA queremos que esta elaboração seja um aporte para a luta das mulheres no Brasil, mas queremos retomar o debate que já completa mais de um século entre marxistas e feministas sobre qual a estratégia de luta das mulheres. Enquanto o feminismo da igualdade é expressão da integração cada vez mais profunda ao Estado burguês através de ONG´s e grupos feministas ligados ao governo que continuam enaltecendo a possibilidade de emancipação das mulheres no capitalismo, vemos também uma série de “feminismos” que se reivindicam radicais e que voltam a negar as contradições de classe voltando-se exclusivamente para a implementação de medidas individuais contra os homens. Todos estes feminismos são funcionais uns aos outros, algumas vezes com roupagem mais de esquerda, outras vezes mais radical, mas todos nutrem-se de um profundo ceticismo na classe operária – e às vezes ódio de classe – para buscar respostas imediatas a opressão cotidiana que vivem as mulheres.

Este livro é portanto uma ferramenta científica para trabalhadores e trabalhadoras, jovens e estudantes, avançarem em uma compreensão revolucionária da emancipação das mulheres, e também uma ferramenta de combate a todo tipo de ideologia feminista que em sua estratégia terminam negando a única possibilidade de emancipação para as mulheres: a tomada do poder pela classe operária, como fizeram as operárias e operários russos em 1917. Estamos na primeira fileira das demandas mais sentidas das mulheres, sobretudo as trabalhadoras, negras e pobres, e intervimos no movimento real de mulheres existente, mas com estas perspectiva revolucionária porque queremos ser sujeito do fim desta sociedade que nos relega somente miséria e opressão.