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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Levy Fidelix: um discurso para matar homossexuais

Fernando Pardal

http://www.ler-qi.org/A-homofobia-de-Levy-Fidelix-expressa-a-podridao-da-democracia-brasileira

Levy Fidelix é um desses personagens folclóricos que só a política brasileira é capaz de produzir. Encabeçando uma legenda de aluguel, o PRTB, Fidelix passou eleição após eleição sendo conhecido pelo povo brasileiro como o homem de uma única proposta, que em nada dialoga com os anseios de qualquer setor da população: o seu lendário “aerotrem”.

E poderia continuar sendo assim, apenas uma figura inexpressiva que demonstra o ridículo da política burguesa, se ele não tivesse ganhado o espaço nos debates que as emissoras burguesas se recusam a conceder para as candidaturas operárias como a de Zé Maria, do PSTU, ou Rui Costa Pimenta, do PCO.

Foi utilizando o espaço de um debate televisivo que, ontem, Levy Fidelix expressou o que há de mais reacionário e fascistizante na política brasileira, dando voz ao que setores conservadores como a bancada evangélica impõem de forma sistemática, mas menos escancarada, aos programas de todos os candidatos dos patrões. Perguntado sobre o direito ao matrimônio igualitário à população LGBTT pela candidata do PSOL, Luciana Genro, o candidato Levy Fidelix destilou seu ódio reacionário e homofóbico.

“Dois iguais não fazem filho”; “aparelho excretor não reproduz”, “não podemos deixar que tenhamos (...) esses que aí estão achacando a gente no dia-a-dia, querendo escorar essa minoria à maioria do povo brasileiro.”; “Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar.” Esses foram alguns dos termos que Fidelix utilizou para se posicionar no debate, não apenas dizendo que é contra o casamento igualitário, mas incentivando abertamente a violência contra os LGBTT, que no Brasil chega a níveis recordes, sendo o país com mais assassinatos e agressões homofóbicas no mundo.

Incrivelmente, a esse verdadeiro incitamento à violência homofóbica com tamanho entusiasmo, a candidata Luciana Genro se limitou em sua réplica a defender o casamento homoafetivo como forma de reconhecer qualquer tipo de família, e afirmou ainda ser “uma das que mais defende a família nessa campanha eleitoral” por ser a única que está “defendendo todas as famílias”. É dessa forma, “moderada”, que o PSOL pretende se apresentar como alternativa eleitoral: contra o ódio reacionário e homofóbico, seu programa limita-se ao nível mais elementar, que é a defesa do casamento igualitário, mas sem dar nenhum nível de resposta aos absurdos que Levy Fidelix disse ao afirmar que “não se deve tolerar essa minoria”.

Em sua tréplica, Fidelix ficou à vontade, sem nenhuma resposta à altura de Genro, para continuar dizendo que, se o casamento igualitário for “estimulado”, a população brasileira seria reduzida pela metade e que se você andar na Paulista (avenida central de São Paulo) vai ver que “é feio o negócio” e concluir afirmando: “vamos ter coragem, somos maioria, vamos enfrentar essa minoria” e que “esses que tenham esses problemas sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”.

Na chamada democracia brasileira, um candidato se vê livre para, em um debate em rede nacional, incitar o ódio, e intolerância e a violência contra a população LGBTT, comparando-os aos pedófilos da Igreja Católica e dizendo que são doentes; enquanto isso, os crimes homofóbicos continuam batendo níveis recordes, e todas as candidaturas dos partidos dos ricos seguem à risca os mandamentos da bancada evangélica e dos poderosos pastores como Edir Macedo, dono da Rede Record de televisão, que são os mais ativos defensores da homofobia como política de Estado.

As candidaturas operárias sequer podem se expressar na televisão, e a única candidata de esquerda que pode debater se coloca o vergonhoso papel de limitar sua defesa da população LGBTT à defesa de um único dos tantos direitos civis que lhes é negado cotidianamente, sem denunciar de forma contundente a postura criminosa de Fidelix. Essa é uma demonstração não apenas da podridão da política dessa democracia dos ricos, mas de que os direitos dos LGBTT só poderão ser conquistados no Brasil com uma aliança desses setores à classe trabalhadora, que lute contra a homofobia e transfobia de forma independente da burguesia e contra os manda-chuvas das Igrejas evangélicas e seus políticos fantoches.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dizemos basta aos assassinatos de LGBTs em Belo Horizonte!


Por Iaci Maria e Víctor Menotti

Nas últimas semanas, a região metropolitana de Belo Horizonte foi palco de ao menos dois ataques transfóbicos: duas travestis foram assassinadas de maneira brutal, sendo uma morta a pedradas em Contagem, e outra a facadas na região oeste de Belo Horizonte. No começo de junho, também em Contagem, outra travesti foi assassinada com um tiro no rosto!
Os casos acima foram os que vieram a tona na região, mas sabemos que todos os dias travestis e transexuais são espancadas e assassinadas, e nada se fala sobre o assunto. No começo do mês, a travesti Luisa Marilac denunciou em seu canal no youtube, o assassinato de uma travesti em Guarulhos, que tomou vinte facadas no rosto e teve o pênis cortado, e nenhuma mídia noticiou tal caso. Não podemos mais permitir que os setores trans* sejam assassinados e nem que esses assassinos saiam impunes sem que a sociedade saiba que há praticamente um genocídio LGBT velado acontecendo!

Basta de homolesbotransfobia!
           
            Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter eliminado a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças, gays, lésbicas e bissexuais seguem sendo perseguidos e atacados por setores conservadores. No país do trabalho precário, esses setores estão relegados ou a esses cargos, ou a se esconder atrás de uma aparência heteronormativa para conseguir melhores empregos e salários.
Isso nos mostra como o setor trans* está condenado à precarização do trabalho e da vida, restando a eles trabalhos invisíveis – muitas vezes terceirizados –, como no telemarketing, em estoques e caixas de supermercados e na limpeza, isso quando conseguem fugir do destino quase certo da prostituição, o que as deixam mais vulneráveis aos ataques e assassinatos transfóbicos. Além disso, xs trans* – que são a parcela mais criminalizada até mesmo entre os LGBTs – ainda sofrem com a patologização de suas identidades, sendo a travestilidade, a transexualidade, e a identidade consideradas de gênero que não condiz com o que a pessoa foi designada ao nascimento, são patologias pela Classificação Internacional de Doenças [1], elaborada pela OMS e tratadas como transtornos psiquiátricos de identidade sexual. A autodeterminação do corpo, gênero e sexualidade não pode mais ser atacada por políticas conservadoras e reacionárias como essa da OMS!

No Brasil e no mundo, os ataques são também institucionais!

            O Brasil possui o maior índice de assassinatos a homossexuais, sendo que a cada 26 horas um homossexual é morto, concentrando 44% das mortes a homossexuais em todo mundo em 2012 [2]. A violência ao público LGBT se estende ainda mais aos trans*: a expectativa de vida de uma travesti é de 35 anos; as transexuais tem seu direito à saúde pública negligenciado, as operações, medicamentos e tratamento necessários para a construção física do gênero são dependentes de um acompanhamento psiquiátrico que comprove a construção como um transtorno psiquiátrico e dependente de inúmeras burocracias extremamente difíceis de cumprir,  o que diminui ainda mais a expectativa de vida de uma travesti, cuja principal causa é  a marginalização. Por isso, como gritávamos nas ruas em Junho, é preciso que tenhamos um único sistema de saúde, público, gratuito e de qualidade e que estatizemos os demais serviços privados, para que possamos garantir atendimento de qualidade para todos, sendo este serviço controlado por quem mais conhece suas necessidades: os próprios trabalhadores da saúde. Para que não mais se morram mulheres e trans-homens por abortos clandestinos, nem travestis e transexuais para poderem construir fisicamente suas identidades.
         
Dilma, apesar de mulher, não pode garantir nossos direitos!

            Após quase 11 anos de governo PT, sendo os últimos 3 da primeira presidenta mulher, as questões voltadas ao público LGBT tiveram alguns avanços – como a proibição à recusa dos cartórios de realizarem casamentos entre pessoas do mesmo sexo – mas acompanhado de um aumento expressivo de agressões e homossexuais como resposta de setores conservadores aos avanços legais dos LGBTs. Logo no começo de seu mandato, Dilma, por pressão de setores conservadores, vetou o kit anti-homofobia que seria utilizado nas escolas de todo o país. O esdrúxulo argumento utilizado por esses setores era de que o kit estimularia a homossexualidade. O dito veto mostra como o governo, para manter suas alianças reacionárias com setores conservadores de sua base aliada, se cala diante da violência e da série de assassinatos cometidos aos LGBTs.
            Tais alianças com setores conservadores, como a bancada evangélica e instituições religiosas, são fundamentais para a permanência do poder nas mãos do governo. Elas permitem que homofóbicos, machistas e racistas como Marco Feliciano presidem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e levem adiante políticas conservadoras que representam verdadeiros ataques à comunidade LGBT, tal como a polêmica “cura gay”, que abre uma brecha para o retorno da patologização da homossexualidade. Essas alianças legitimam também ataques aos direitos das mulheres, como o avanço que vem tendo a aprovação do Estatuto do Nascituro.
            Por isso, é necessário lutar por um Estado efetivamente laico que garanta de fato que os direitos das minorias não sejam mais atacados por políticas conservadoras vindas de setores religiosos. A ideologia machista, homofóbica e muitas vezes racista propagada pelas instituições religiosas não podem ser impostas à toda sociedade através da intervenção de tais instituições no governo e suas políticas. A não laicidade real do Estado é o que garante que mulheres continuem morrendo por abortos clandestinos, casais homossexuais não possam adotar filhos, e também legitima que mulheres e LGBTs sigam sendo espancados e mortos.
            Mas o Brasil não é um país homofóbico isolado no mundo. Vimos nas últimas semanas a Rússia ser cenário de assassinatos e torturas aos homossexuais, que eram legitimados por políticas homofóbicas do governo Putin. Na França, a aprovação do casamento igualitário gerou uma reação de mais de 100 mil pessoas nas ruas, se manifestando contra tal política. Além disso, a América Latina continua abrigando verdadeiros campos de concentração para curar sexualidades e identidades que desviem da heteronormatividade.

É preciso se organizar para barrar os ataques! 

                Não podemos ter nenhuma confiança nos governos que, com suas alianças inescrupulosas, não apenas não garantem os direitos dos LGBTs, como atacam e retiram os poucos direitos arrancados. Vimos, com as Jornadas de Junho, que a juventude nas ruas pode barrar ataques, como foi com o projeto de “Cura Gay”! Mas não podemos achar que em outros momentos, se a luta recuar, tais projetos não possam voltar com mais força.


                Assim como Dilma, presidenta e mulher, não garantiu os direitos das mulheres, não podemos confiar em parlamentares como Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual, que diz defender interesses LGBT, mas avança com o projeto de lei Gabriela Leite, que em nome de garantir mais direitos às prostitutas, que seguem sem direitos e garantias mínimas como de receber pelo trabalho, de não ser agredida e não ser presa pela polícia; tem de fundo a regulamentação da cafetinagem, permitindo que se lucre até 50% sob a brutal violência de vender seu próprio corpo. Esse projeto que é defendido pelo deputado do Rio de Janeiro e alguns grupos de TTs (travestis e transexuais) e mulheres que estão nessa condição, também causa revolta em muitas outras mulheres que sabem que essa regulamentação, em meio aos grandes eventos como a Copa do Mundo, no país conhecido pela exportação sexual de mulheres e crianças, é parte de fortalecer ainda mais a cultura machista do abuso sexual e das mulheres e trans* brasileiras com a mercantilização dos corpos. É preciso lutarmos pela descriminalização da prostituição e encarar esta questão como um sério problema social que existe para rebaixar os salários médios com um imenso exército de reserva ao mesmo tempo que mantém a hipocrisia da sociedade capitalista que define mulheres para casar, e mulheres – que vivem em precárias condições de vida – para estes serviços. Lutemos para garantir os máximos direitos para as prostitutas, sem permitir nenhum ataque! Isso rumo a alcançar o pleno emprego para todas, a partir da repartição das horas de trabalho para gerar mais emprego.
No entanto, não podemos também confiar que a criminalização da homofobia, como defende o PSTU, será a solução para os assassinatos de travestis, e para diversas outras violências à comunidade LGBT. Apesar de vermos a criminalização como uma forma educativa para a sociedade de que não se pode agredir setores oprimidos, não nos esquecemos que a igualdade da lei, não é a mesma coisa que igualdade na vida.
Por isso é preciso se organizar e confiar em nossas próprias forças para garantir a igualdade na vida! Somente uma saída independente pelos LGBTs organizados e ligados aos trabalhadores – única classe capaz de derrubar o sistema capitalista de miséria e opressão – poderá barrar esses ataques institucionais, as violências e os assassinatos!  

- PUNIÇÃO AOS ASSASSINOS E AGRESSORES DE TRAVESTIS EM BH! Por uma comissão de investigação entre organizações de esquerda, LGBTs, mulheres e negros, com independência do governo.

- BASTA DE ASSASSINATOS AOS TRANS! BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA OS LGBT!

- POR UM ESTADO LAICO, SEPARAÇÃO DA IGREJA DO ESTADO!

- PELO DIREITO AO PRÓPRIO CORPO! CONTRA A PATOLOGIZAÇÃO DOS TRANS! CONTRA A “CURA-GAY”!

- PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DA SEXUALIDADE!

- POR UM ÚNICO SISTEMA DE SAUDE NACIONAL! ESTATIZAÇÃO DO SERVIÇOS DE SAÚDE PRIVADOS, SEM INDENIZAÇÃO AOS QUE QUEREM LUCRAR SOB NOSSAS VIDAS! PARA GARANTIR ABORTO LEGAL, SEGURO E GRATUITO E TOTAL LIBERDADE DE CONSTRUÇÃO FÍSICA DE NOSSA IDENTIDADE!

- NÃO A REGULAMENTARIZAÇÃO DA PROSTITUIÇÃO! DESCRIMINALIZAÇÃO JÁ! PELO EMPREGO PARA TODOS OS LGBTS, SEM DISCRIMANAÇÃO! IGUAL TRABALHO, IGUAL SALÁRIO, IGUAIS DIREITOS!


sábado, 27 de outubro de 2012

Do armário para às ruas de Antofagasta sem deixar de lado o "dia pela despatologização trans"


por Pan y Rosas - Chile

Tal como aconteceu nas cidades mais importantes do mundo, na capital regional se realizou uma manifestação onde se chamou a não tolerar as posturas discriminatórias que sem base cientifica alguma propõem alguns setores.

Com o fim de rechaçar as afirmações realizadas por setores conservadores do país que rotularam a homossexualidade como uma doença, cerca de 30 pessoas se reuniram durante este sábado nas ruas centrais da capital regional exigindo igualdade de direitos e respeito a diversidade sexual.


Trataram de comemorar o Dia Internacional pela despatologização da transsexualidade, que contou com atividades ao redor do mundo e que em Antofagasta foi convocada pela agrupação Pan y Rosas.
Somos combativos, revolucionários, somos gays e lésbicas que queimamos o armário’, gritavam os manifestantes em pleno centro da capital, despertando interesse entre os que passavam.
Desde a agrupação fizeram mais um chamado a participar durante esta quinta-feira (25) de uma “funa” contra o psicólogo local Peter Radic – quem em anúncios publicou ser capaz curar a homossexualidade, o lesbianismo, entre outros – por tentar lucrar mediante a difusão de teorias que são rechaçadas pela comunidade cientifica, que não considera a homossexualidade como uma doença.
Tradução: Virginia  Guitzel
Veja o video do ato


terça-feira, 14 de junho de 2011

"ANEL discute HOMOFOBIA"

 
Ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal aprova a união estável homoafetiva, Dilma veta o kit anti-homofobia e o deputado Jair Bolsonaro (assumidamente hommofófico) conta com o apoio dos setores que espancam e matam homossexuais e travestis. Quais foram os avanços e retrocessos na luta contra a homofobia hoje?
 
Já estão confirmados para a atividade:

- Guilherme
 (estudante da USP e militante da ANEL São Paulo, este ano foi agredido vítima de homofobia)
- Prof. Dr. Omar Ribeiro
 (Antropologia - Unicamp)
- Rita Frau
 (professora da rede pública estadual, militante do grupo de mulheres Pão e Rosas)
Data: 16 de junho (quinta-feira)
Horário: 17h30
Local: Auditório I do IFCH

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dilma, basta de trocar nossos direitos para salvar seus políticos corruptos!


É uma realidade concreta a discriminação e agressão sofrida pelos homossexuais em nosso país, são vários os casos de violência contra eles por parte de grupos de ultra-direita, que ainda contam com a o apoio ideológico de deputados reacionários como Bolsonaro. E nas escolas não é diferente, alunos, professores e funcionários homossexuais são vítimas constante de agressões, perseguições e assédio moral.

Esse debate ganhou espaço na mídia, nas salas de aula e entre professores em virtude da confecção de um kit anti-homofóbico elaborado pelo MEC e ONGs, que seriam distribuídos nas escolas de todo o país. De novo os setores conservadores saíram da toca e pressionaram o governo para que retrocedesse na distribuição desse material, e Dilma mostrou a que veio! Na semana passada proibiu a distribuição do kit por conta de uma negociata com a bancada evangélica e católica em troca da não acusação ao ministro Palocci, que mais uma vez foi pego em trambiques. A direção da Apeoesp, inclusive a nossa presidenta, Bebel (Chapa 1), se calou vergonhosamente!

Se por um lado, a cartilha do MEC não é o suficiente para combatermos a homofobia e a violência contra homossexuais, por outro lado, este é um debate fundamental de fazermos dentro de nossas salas de aula e como conjunto do professorado. Sabemos que a atividade do professor tem um caráter particularmente ideológico e podemos ser um contraponto de reflexão e crítica para nossos alunos. 

Precisamos colocar de pé uma ampla campanha contra a homofobia e violência aos homossexuais em todas as escolas!

 É preciso lutar pela educação sexual em todos os níveis de ensino, com a escolha do conteúdo decidida pelos professores e estudantes através de seminários em cada local de ensino! 

É preciso cobrar do nosso sindicato que organize uma ampla campanha em defesa dos direitos dos homossexuais, além de estarmos, os professores da rede estadual, ao lado dos ativistas LGBTT lutando por seus direitos!

Pelo exercício da livre sexualidade!

Por uma educação laica sem a interferência da Igreja!


Pão e Rosas entrevista a professora potiguar Amanda Gurgel (entrevista na íntegra)

Publicamos abaixo a entrevista na íntegra com Amanda Gurgel, professora do Rio Grande do Norte e militante do PSTU, onde buscamos a opinião desta professora - que tornou-se nacionalmente conhecida - sobre os eixos da campanha que o Pão e Rosas vem levando adiante como parte da Chapa 2. Como expressamos neste material, há uma série de debates que queremos travar com as companheiras de outras correntes que compõe a Chapa 2, como a necessidade de lutar pela efetivação sem necessidade de concurso público, ou a necessidade de levar de frente a discussão sobre a legalização do aborto. Abaixo, as opiniões de Amanda e sua luta.


Flavia Vale - Pão e Rosas - Belo Horizonte - MG: O fenômeno do vídeo na internet expressa que há um enorme espaço para lutar contra as péssimas condições de trabalho do professor e para lutar pela educação pública de qualidade. Como você vê a questão, como acha que podemos coordenar as lutas efetivamente?

Amanda Gurgel: Então, o fenômeno do vídeo realmente abriu esse espaço pro debate da educação de um jeito que a gente nunca tinha visto. Inclusive com um espaço na grande mídia, que é um espaço que nós devemos utilizar na tentativa de ganhar a opinião pública para essa questão, já que existe todo um trabalho da ideologia feito para a divisão da classe trabalhadora, para que os pais dos alunos acreditem que os professores são responsáveis pelo caos da educação. Então, é um espaço agora que estamos tendo em diversos veículos, tanto da imprensa alternativa como da imprensa burguesa, da gente divulgar nossa campanha pelos 10% do PIB e esclarecer as pessoas quanto a essa questão, dos verdadeiros responsáveis pelo caos da educação que são os governos. Então, do ponto de vista prático, além das redes sociais, que nós não podemos desconsiderar o poder que essas redes sociais tem, além da atuação nesse ambiente da internet, estamos tentando ampliar essa luta à luta clássica, a luta nas ruas. Isso não é uma tarefa fácil, mesmo porque nossa principal entidade, a entidade que nos reúne em medida nacional, que é a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), ela não está imbuída desse mesmo sentimento que nós estamos. Mesmo porque é uma entidade que está atrelada ao governo, e nós estamos tendo que construir essa mobilização nacional por outras vias. Nesse final de semana, eu vou me reunir com o pessoal na reunião da CONLUTAS nacional, eu estarei presente para que a gente possa desenvolver alternativas de mobilização real da categoria em nível nacional. Levando em consideração, ainda que se não tivermos o apoio da CNTE, e se as mobilizações não forem chamadas pela CNTE, isso vai ser um enfraquecimento para o movimento, já que uma paralisação que não seja convocada por uma entidade reconhecida oficialmente é considerada uma falta como outra qualquer. Assim, muitos trabalhadores talvez não queiram aderir pelo fato de não ter uma coisa oficial, mas a nossa batalha é para que a CNTE perceba esse momento que nós estamos vivendo agora, um momento histórico para o debate da educação, entenda a importância dessa mobilização nacional e que esteja junto com as redes sociais, enfim, com a minha imagem também que nesse momento, apesar de eu não ter qualquer tipo de vaidade nem me achar especial ou diferente de qualquer professor, mas afinal de contas a minha imagem está associada a esta luta, e que a CNTE venha somar suas forças à nossa.

FV: Sobre o kit anti-homofobia, como a Dilma cedeu à bancada católica e evangélica e retrocedeu mais em nossos direitos democrático. Qual o papel dos professores desde as escolas na luta pelos direitos dos homossexuais, como o casamento igualitário, a criminalização da homofobia, colocando os professores como aliados dos jovens para que todos possamos expressar livremente nossa sexualidade?

AG: Olha, se nós tivéssemos uma escola ideal, uma escola que fosse um ambiente favorável à construção do conhecimento, a função do professor seria a de realizar esses debates dentro da escola. No entanto, as nossas estruturas hoje na escola são estruturas que impedem qualquer tipo de debate, mesmo porque a maior parte do tempo dentro das salas de aula – isso você pode confirmar com qualquer professor – a maior parte do tempo nas escolas a gente passa para administrar o caos dentro da própria sala de aula. A hiperatividade dos alunos, a super lotação, no caso nosso no Rio Grande do Norte, o calor. Então, assim, nós não temos muitas condições de realizar debates dentro das salas de aula. Se nós tivéssemos uma educação, uma escola que fosse comprometida realmente com a educação transformadora, a nossa função seria essa, mas como nós não temos, infelizmente nós ainda precisamos entender e ter a consciência que precisamos ser pacientes com nossos colegas professores, que muitos ainda não alcançaram esse nível de consciência em relação aos segmentos que são oprimidos na sociedade, mais oprimidos que os trabalhadores de modo geral, que são as mulheres, os negros e negras, os homossexuais. Enfim, nesse modelo que nós temos hoje de escola, que é um modelo em que a escola funciona como um depósito - não é um chavão, é um fato - e que os professore têm atuado apenas como guardiões dessa crianças, o professor está um pouco limitado. Não tem muito como realizar esse debate, como contribuir pra isso dentro do ambiente escolar. Agora, em relação à Dilma, acho que não é uma surpresa, não podemos dizer que é uma atitude surpreendente, mesmo porque durante a campanha dela, ela utilizou como moeda de troca também a questão do aborto, entendeu? E cedeu à pressão dos evangélicos, negando uma luta histórica do próprio partido dela. Então, não só o kit gay, como a questão da defesa do aborto, como qualquer outra demanda que seja levantada dentro do governo Dilma, mesmo que seja uma luta histórica do próprio PT, a gente não tem dúvida que ela vai ser utilizada como moeda de troca, e que vai ser relegada ao mais baixo patamar, desde que seja pra atender os interesses do governo.

FV: ...do governo e desses setores também ...

AG: ...exatamente, a bancada evangélica, as bancadas moralistas fundamentalistas. Infelizmente...

FV: Agora, em relação ao aborto. Nós fazemos parte de uma categoria que mais de 60% são mulheres, como a luta por uma escola publica, gratuita, de qualidade e laica continua sendo fundamental, pra colocar mais do ponto de vista dos professores, apesar de todo atraso que tem na categoria, essa luta que a gente tem como CSP-CONLUTAS como ANEL.

AG: Sim, isso é um debate difícil demais porque, pra questão do aborto, por exemplo, existe todo um trabalho da ideologia e da mídia pra que seja, em primeiro lugar, feito uma confusão entre a legalização do aborto, o direito da mulher de fazer um aborto, e a defesa do aborto em si. Porque o nosso movimento não defende que as mulheres saiam por aí abortando ou que o aborto seja uma forma contraceptivo. Não é isso que nós defendemos. O que defendemos é que a mulher tenha o direito de decidir sobre seu próprio corpo e que ela não seja considerada uma criminosa por causa disso. Mas não é isso que é propalado pela mídia. O que é propalado é que nós somos mulheres que estão querendo fazer aborto a todo o momento e querendo que todas as mulheres façam aborto. E isso coloca já em choque essas mulheres, que constituem a maioria da nossa categoria, e que muitas são cristãs, e que já têm essa dificuldade de realizar na sua própria prática pedagógica a isenção do que se refere a essa ideologia, e que é reforçada ainda pela mídia dessa forma, distorcendo nosso discurso, distorcendo a nossa bandeira. Então, é um debate que nós, que estamos na vanguarda, temos a obrigação de levar pra dentro das escolas com muita paciência, porque eu tenho visto no meu espaço, onde atuo, nas escolas do RN, a mudança de concepção de alguns colegas. Então, em alguns momentos, eu passo a considerar algumas mulheres muito mais avançadas do que eu, porque são mulheres que tiveram uma formação cristã tradicional, que foram educadas para o casamento, para o cuidado com o lar e de repente estão defendo isso, defendendo que a mulher precisa ter o direito de decidir sobre o próprio corpo. Que se ela decidiu que ia fazer um aborto, é porque ela tinha essa necessidade e por isso ela não será considerada criminosa. Mulheres que tiveram essa formação extremamente tradicional e que estão voltando nas suas memórias e lembrando que as suas avós realizaram aborto, que as suas mães realizaram aborto, e que isso não fez delas mulheres criminosas ou menos cristãs. Então é um compromisso nosso, nós, que estamos na vanguarda, temos o compromisso de levar o debate pra dentro das escolas. Mas eu tenho ainda uma certa crítica ao nosso próprio movimento, que é a forma como nós levamos que não é muito didática. E eu percebo que no momento que você consegue trazer pra vida concreta, como esse exemplo que eu estou dizendo, como a minha avó, por exemplo, eu não tenho vergonha de dizer, eu chego na escola e digo: “olha, minha avó ela realizou dois abortos, minha avó era cristã, católica”. Então, assim, eu acho que nós devemos ter essa forma mais didática de dialogar com as pessoas. Uma das coisas, um dos elementos que as pessoas têm destacado para essa questão do vídeo e tal, do sucesso e tudo, é a minha linguagem, a forma como eu me expresso e tal, e que é minha, tudo bem, não tô dizendo que é melhor nem pior do que a de ninguém, mas que nós precisamos levar em consideração nesses momentos de dialogar sobre esse debate, entendeu? Nós não estamos abrindo, eu não to abrindo mão de nenhuma bandeira do nosso movimento, nem do movimento de mulheres, nem do movimento gay, não tô abrindo mão de nenhuma bandeira mesmo, nem do meu partido, nem da minha central, não tô abrindo mão de nada, mas, a forma como eu tenho me dirigido as pessoas, entendeu?, tem sido mais fácil delas compreenderem, apenas isso.

FV: Mas sendo você essa porta voz, como você faria o diálogo em relação ao direito à maternidade, ao direito ao aborto na nossa categoria, como você pensa em fazer isso?

AG: Mas eu faço, é isso que eu tô dizendo, eu já faço, já tenho dentro das escolas essa tarefa, entendeu? Me sinto nessa obrigação de fazer esse debate, e eu faço dessa forma. Gente, o que as mulheres, o que nós, mulheres feministas, estamos defendendo não é o aborto como uma forma de contraceptivo, de jeito nenhum, entendeu? Não é isso que nós estamos defendendo. O que nós estamos defendendo é que se uma mulher compreende que ela precisa realizar um aborto, ela não pode ser encarada como uma criminosa por causa disso. É apenas isso que nós estamos defendendo, né? E que principalmente ela possa ter acesso a esse serviço na rede básica de saúde, na rede pública, porque se é uma mulher que tem dinheiro, ela pode fazer, eu levo exatamente assim, entendeu? Se é uma mulher que tem dinheiro, se é a prefeita da cidade, por exemplo, que a gente não tem como ter acesso a informações sobre a vida privada das pessoas, nem interessa, mas se é qualquer pessoa que tenha dinheiro, ela faz num consultório médico, e isso não vai ser problema nenhum, nem ela vai ser exposta nem ridicularizada por causa disso, mas se é uma mulher da classe trabalhadora, ela vai colocar a vida dela em risco.A nossa única defesa é essa.

FV: Agora só para finalizar, última pergunta: Em São Paulo, no Rio Grande do Norte e em quase todos os Estados, a categoria de professores é dividida ao meio, entre efetivos e temporários, uma forma de enfraquecer nossa categoria e manter os trabalhadores com muita desigualdade de salários e direitos. Como é essa situação no Rio Grande do Norte, e que programa vocês levantam para acabar com esse problema?

A.G: Olha, no Rio Grande do Norte é muito parecida. É, na rede municipal nós temos, além dos professores concursados, normais né?, aqueles que são efetivos, nós temos educadores infantis, que é uma coisa que nem era mais para existir, né?, que foi num concurso recente, 4 anos atrás, a primeira turma de educadores infantis que entrou na rede municipal, que são professores que tem apenas o ensino médio, certo? E que pra uma jornada de 40 horas semanais, elas recebem o mesmo salário que nós recebemos pra uma jornada de 20. Então, a maioria, mulher, certo? E mulheres extremamente exploradas, né? Numa situação de exploração gritante, assim, até pelas condições que elas têm dentro das creches. Essas educadoras infantis que trabalham com as crianças de três meses até cinco anos de idade. Então, a primeira divisão que tem na rede municipal é essa, de professores efetivos, concursados, de nível superior e os de nível médio, que são os educadores infantis, além dos contratados, que são os precários, que a qualquer momento podem ter seus contratos rescindidos ou não renovados, e que estão, por exemplo, esse ano trabalhando desde o início do ano letivo sem receber um centavo. Não receberam ainda nenhum centavo, e não sabem sequer o valor do salário, qual vai ser o valor desse salário que eles não receberam ainda, certo? Na rede estadual, nós temos os concursados, que são os efetivos, temos os estagiários, que são os precários dos precários, que recebem menos da metade do nosso salário, e temos ainda (eu falei os estagiários e os contratados?) os efetivos, os contratados e os estagiários. Então, você até perguntou se não seria o caso da gente efetivar os professores que são contratados...

FV: Sem necessidade de concurso...

AG... sem necessidade de concurso. A bandeira nacional que a gente defende é a bandeira do concurso, entendeu? Agora, no caso aqui de Belo Horizonte, pelo que eu estou vendo, é tanto professor contratado que eu não sei se seria o caso da gente rever isso, e ter uma bandeira local que fosse para a contratação, a efetivação desses professores contratados. Agora, nacionalmente o que a gente defende é o concurso, entende? Eu não sei, realmente eu não poderia nem opinar sobre isso aqui, localmente, entende? Porque a bandeira que nós defendemos é que nós tenhamos concurso já, e que não tenhamos professores contratados, porque os professores contratados trabalham em condições ainda mais precárias do que nós, entendeu? Hoje, por exemplo, no Rio Grande do Norte a nossa categoria está quase que 100% em greve, mas o Estado se apóia nos professores contratados para dizer que as escolas estão funcionando. Porque são professores que não têm coragem assim, porque precisam desse dinheiro né? Precisam desse salário, que um dia eles vão receber, porque eles também estão trabalhando sem receber, até hoje na rede estadual né? E assim, nós não trabalhamos para fazer poupança, eu não conheço nenhum professor que tenha dinheiro guardado. Nosso salário ele é todo, tem o destino todinho, recebe o salário e ele já tá todo repartidinho para pagar nossas despesas. Então, o Estado se apóia nesses professores precários pra dizer que nosso movimento não é tão forte quanto a gente tá dizendo, entende? Então por isso nós não defendemos contratação, defendemos que haja concurso público imediatamente, e que sejam concurso que ofereça vagas suficiente para suprir as demandas da escola, entende? Essa é nossa bandeira a nível nacional.

FV: Ta ótimo. Você quer colocar alguma coisa mais?

AG: Queria pedir desculpas porque eu não respondi sua pergunta...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mais de 1000 pessoas participam do I Festival Interunesp Contra as Opressões numa grande resposta ao “rodeio das gordas” e à política repressiva da reitoria

por DCE Unesp-Fatec

A construção do festival foi marcada por uma ampla campanha, que envolveu o apoio de diversos setores (veja no BLOG DO DCE), além de várias manifestações políticas e culturais.

Mesmo com o esforço da reitoria da UNESP para impedir que acontecesse, realizou-se com grande êxito nos dias 03 e 04 de dezembro no campus da UNESP de Marília o “I Festival Inter UNESP Contra as Opressões”. Até mesmo a grande imprensa noticiou a truculência da reitoria, como a Folha de São Paulo e o Portal IG. Nem a proibição e a ameaça de punição por parte da reitoria, nem a falta de recursos, nem a pressão do final do semestre para “deixar para o ano que vem”, nem a chiadeira dos setores mais conservadores da universidade foram capazes de barrar a indignação e o espírito combativo dos estudantes da UNESP frente ao repulsivo “rodeio das gordas” e a escalada dos casos de homofobia e racismo dentro e fora das universidades. Não nos conformamos com a universidade opressora, preconceituosa e elitista que temos hoje. Ao senhor Herman, reitor da Unesp, dizemos: o “I Festival InterUnesp Contra as Opressões” é expressão da primeira batalha do movimento estudantil combativo da Unesp, na guerra contra as opressões. Batalharemos para que seja o primeiro de muitos. Somos por uma universidade acessível a toda população e que coloque seu conhecimento a serviço do fim das opressões e explorações, inclusive em sua estrutura e ambiente.

Além dos estudantes do próprio campus de Marília, participaram outros dos campus de Rio Preto, Araraquara, Ourinhos, Botucatu, Franca, Assis, Rio Claro, além de estudantes da USP, com uma destacada delegação de estudantes do CRUSP que estão por moradia, contra a expulsão dos estudantes que Rodas está ameaçando e denunciando a omissão de socorro da reitoria ao estudante Samuel de Souza que morreu na universidade. Também vieram estudantes da UNICAMP e da Fundação Sto André, onde o Diretório Acadêmico (DAFafil) e alguns estudantes estão sendo punidos por lutarem pela redução das enormes mensalidades e em defesa dos que não possuem condições de pagá-las. Estiveram presentes também uma delegação da Chapa 1 do Sintusp, que venceu as eleições desse combativo e aliado Sindicato com 76% dos votos. Como a direção da faculdade não liberou o espaço das salas de aula para as pessoas se alojarem, barracas foram montadas nos gramados. Estudantes e jovens da cidade de Marília, que em sua imensa maioria são impossibilitados de estudarem na UNESP como reflexo do elitismo do vestibular, e também não frequentam os espaços da universidade pública, que cada vez mais se fecha para a comunidade, também compareceram em número significativo. Nos dois dias de festival, circularam mais de 1000 pessoas nas atividades, o que mostra a profundidade da indignação das pessoas e o profundo êxito da atividade político-cultural impulsionada pelo DCE.

À reitoria e aos demais setores que conservam a opressão na universidade e na sociedade em geral deixamos bem claro que não nos calaremos diante de suas ameaças. Esse festival, que foi organizado em pouco mais de duas semanas de forma independente pelos estudantes e que acabou sem qualquer incidente ou depredação da faculdade rebatendo as críticas preconceituosas neste sentido, mostra que estamos dispostos a ir até o final para que casos como o do “rodeio das gordas” não aconteçam de novo e para que as dezenas de agressores sejam punidos. Nesse sentido, rechaçamos o conteúdo discriminatório do jornal Correio Mariliense que no domingo, 05 de dezembro, publicou matéria com o título “UNESP de Marília vira ‘terra de ninguém’ em festival proibido” e com conteúdo que prepara a opinião pública e praticamente convoca a direção do campus para punir os estudantes responsáveis.

A abertura do Festival aconteceu no fim da tarde de sexta-feira com a apresentação, pela companhia Mobiles de teatro, da peça Brutas Flores no saguão do prédio de aulas, relatando a opressão cotidiana que sofrem as mulheres.


Em seguida, a relação da arte com a política, e o papel que o artista pode cumprir, tanto na sociedade em geral, como no movimento estudantil, foram tratados em debate organizado no Diretório Acadêmico.

Durante toda à noite de sexta-feira, já circularam mais de 500 pessoas, e tocaram várias bandas com distintos estilos musicais se apresentaram até de manhã no palco principal montado na quadra da faculdade.








No sábado, as atividades foram retomadas às 15h com o debate “Machismo, Homofobia e Racismo na Universidade” do qual participaram Thiago Sabatine, da Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e Transexuais de Marília (ALGBTT), Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado (MNU), Babi, estudante da Unesp de Rio Claro e do Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Marília, estudante da Unesp de Rio Preto e membro do DCE e Carlos Latuff, cartunista conhecido mundialmente por colocar suas obras a serviço da luta dos setores oprimidos e explorados. Como forma de expressar os setores que lutam, a mesa foi em homenagem ao estudante de filosofia, morador do CRUSP, Samuel Souza, de 41 anos, que morreu na última quinta-feira (02/12) dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), por omissão de socorro da reitoria, do resgate, da guarda e do hospital universitário que, mesmo chamados, não apareceram para garantir a vida do estudante, que teve seu corpo estirado, dentro da USP por 6 horas.

O debate, além de aprofundar a análise sobre as distintas formas em que se reproduzem as opressões, contextualizou o tema frente a conjuntura nacional na qual percebemos o ressurgir dos setores mais conservadores e preconceituosos da sociedade estimulados pelo papel reacionário de Dilma e Serra que durante as eleições disputaram quem atacaria mais os direitos democráticos das mulheres e dos homossexuais, avançando no atrelamento do Estado com a Igreja, na criminalização do aborto e no combate ao casamento igualitário. Latuff, morador e ativista do Rio de Janeiro, trouxe para o debate o relato sobre a ocupação policial e militar nos morros e favelas cariocas, denunciando a violência com que a população vem sendo tratada, a relação umbilical do Estado e da Policia com o tráfico de drogas e armas e o papel criminoso que cumpre a grande mídia em legitimar a ação assassina das forças de repressão. Saímos do debate com a importante tarefa de reforçar a luta pela ampliação dos diretos democráticos dos oprimidos e o embate decisivo com os setores conservadores que começam a se organizar.

Depois disso, as bandas voltaram a se apresentar no palco enquanto eram realizadas oficinas e Latuff e outros artistas deixavam suas marcas de protesto em algumas das paredes da faculdade.

Sobre o festival, Latuff declarou, entre outras coisas, que: “Como erva daninha brotando nas calçadas, ressurge a violência reacionária, contra seguimentos da sociedade e do movimento social. A mídia presta valioso serviço ao Estado, glorificando a repressão, seja através do cinema ou de programas sensacionalistas na TV. Nestes tempos de retrocesso, de situações que pensávamos já superadas, é preciso uma resposta firme e organizada, como esta promovida pelos estudantes da UNESP de Marília, uma resposta militante não só ao infame "Rodeio das Gordas" como também ao autoritarismo daquela reitoria.”

Ao todo, tocaram cerca de 20 grupos, que foram acompanhados por atividades circenses, apresentações de dança, grafitte, com novamente mais de 500 pessoas circulando durante toda a noite.

Apesar dos limites impostos pela falta de tempo e pela postura proibitiva da direção da universidade, o festival conseguiu atingir seu objetivo. Que era, primeiro, o de repudiar o “rodeio das gordas” e o projeto de universidade que cria as condições para que casos de agressão como esses aconteçam cotidianamente. Segundo, o de permitir que o que ocorreu não seja esquecido, dando continuidade à campanha contra o machismo, a homofobia, o racismo e todas as formas de opressão. E também mostrar que o movimento estudantil pode construir ambientes de sociabilidade e de confraternização que procuram ser livre de preconceitos, diferente do que são as festas universitárias em geral. Além do mais, possibilitar à população e à comunidade acadêmica a liberdade de utilização dos espaços públicos da universidade. Este festival foi também um grande grito contra todas as formas de opressão que vem se expressando pelo país com uma onda de ataques homofóbicos, racistas e machistas.

Sabemos que na luta contra a opressão teremos que nos enfrentar com os setores mais conservadores da sociedade que legitimam relações sociais que queremos desconstruir. E, infelizmente, cada vez temos mais clareza de que a reitoria da Unesp, apesar de tentar dizer o contrário, se encontra nesse campo adversário. Primeiro foi a tentativa de intimidar a atual gestão do DCE com uma notificação em que ameaçava “punir nos termos da lei” alguns membros porque denunciávamos na declaração do DCE em repúdio ao “rodeio das gordas” a conivência das direções e reitorias da UNESP pelos vários casos de opressão que, voltamos a repetir, fazem parte do cotidiano de nossas universidades. O descaso e o boicote em relação à organização do Festival também evidenciam isso. Diversas vezes procuramos as diretorias de cada campus e a reitoria para pedirmos que no mínimo nos auxiliassem no transporte das centenas de estudantes que se interessaram em ir para o festival. Além de não liberarem nenhuma ajuda neste sentido, nos responderam com ameaças constantes de punição caso levássemos a organização do evento até o fim (leia nota do DCE no blog). A Reitoria chegou ao absurdo de mentir para a imprensa dizendo no sábado pela manhã que o festival não tinha acontecido e que as portas do campus de Marília estariam fechadas (http://www1.folha.uol.com.br/saber/840804-acesso-ao-campus-de-marilia-da-unesp-estara-fechado-neste-fim-de-semana-diz-reitoria.shtml), quando na verdade só na sexta-feira mais de 500 pessoas participaram do festival. Enquanto isso, o reitor Herman e seus assessores se negam a averiguar até o final as agressões e a punir os mais de 50 agressores do INTERUNESP. Apenas um processo administrativo foi aberto apenas no campus de Assis contra dois agressores e as informações sobre o andamento do processo - cujos depoimentos sequer são divulgados - é de que ele terá fim no dia 27 de dezembro, momento propício para que tudo acabe em pizza.

Sabemos que, por outro lado, não faltam medidas punitivas e repressivas a todos aqueles que se colocam contra esse projeto opressor elitista de universidade, como os 20 processos de expulsão à estudantes da USP, 16 contra os estudantes da moradia retomada e 4 contra estudantes que participaram das lutas contra os decretos de José Serra em 2007. Da mesma forma se deram recentemente sindicâncias a estudantes da Unesp de Bauru e da UNICAMP, além de demissões de funcionários e sindicalistas, como do Fred em Franca e do Brandão do Sintusp. Ou seja, trata-se de uma política repressiva das reitorias das três universidades estaduais paulistas, sob jugo e acordo do mesmo governo estadual e do mesmo projeto de educação, fator comprovado quando analisamos a seqüência com a qual os ataques à educação pública acontecem nas 3 estaduais. Portanto, se de um lado o que vemos é conivência das reitorias a agressores do “rodeio das gordas”, aos homofóbicos e aos machistas, do outro é repressão imediata aos que lutam por uma universidade aberta ao conjunto da população, de qualidade e realmente democrática.

Vemos como tarefa fundamental para o movimento estudantil da UNESP, em especial do próprio DCE (Diretório Central dos Estudantes) - que a partir do festival dá passos importantes em demonstrar sua capacidade política real e de mobilização - organizar uma ampla e combativa Calourada Unificada, como maneira de seguirmos nossa luta pela transformação real da universidade e contra qualquer manifestação de opressão dentro ou fora das universidades - como os novos casos de agressão a homossexuais na Avenida Paulista que ocorreram no domingo à noite e aos quais manifestamos nosso completo repúdio.

Chamamos todas as entidades do movimento estudantil combativo, em primeiro lugar a ANEL da qual fazemos parte, a impulsionar calouradas com este conteúdo questionador dos trotes e do vestibular, fortalecendo a luta contra a opressão a partir do movimento estudantil, que foi a tarefa que nos demos com essa campanha contra o “rodeio das gordas” e com o festival. Para o movimento estudantil da Unesp, acreditamos que foi mais um importante passo no sentido de forjar uma nova tradição no movimento estudantil, que seja não somente combativo, pró-operário e anti-burocrático, mas também contra a opressão dentro e fora da universidade.

E é dentro dessa perspectiva que reivindicamos o apoio de diversos sindicatos, organizações e entidades estudantis à realização desse Festival, como foi o caso da ADUNESP Central, ADUNESP de Marília, LER-QI, APROPUC, DA da Fafil FSA, SINTUSP, Sindicato dos Metroviários, Sindicato dos Químicos de Marília, CEUPES, Apeoesp de Marília, entre outros, assim como o apoio financeiro de dezenas de professores de Rio Preto, Rio Claro e Franca por meio de doações. Esse festival só foi possível devido a união do movimento estudantil, destas organizações e de todos os setores que divulgaram e apoiaram por meio de moções e ações a sua realização. O seu sucesso é a demonstração de como podemos combater os projetos privatistas, elitistas, repressivos e opressores das reitorias e do governo do Estado com a construção de um novo movimento estudantil que, junto dos trabalhadores, professores e intelectuais, impulsione uma ampla campanha democrática por um novo projeto de universidade, não elitista, não racista, realmente democrático e aberto a toda a população.

Por fim, queremos dar uma saudação especial a todos os estudantes que estiveram presentes, e todos aqueles que apoiaram nossa iniciativa mas não puderam estar presentes, a junto conosco construir um festival maior e mais forte para o próximo ano, juntos na luta para fortalecer um amplo movimento democrático contra a opressão dentro e fora da universidade, uma luta ligada ao questionamento do projeto de universidade que vem sendo implementado e contra a repressão aos que lutam.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

UNICAMP: Eleições do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas): Pão e Rosas apóia a chapa "A poesia está nas ruas"

NÃO PASSARÁ NENHUMA OPRESSÃO!

Já basta de mulheres mortas e estupradas, de negros espancados e escravizados ou de homossexuais surrados sem a liberdade de expressarem seu amor e sexualidade. Nos últimos meses vimos uma serie de casos de violência e opressão brotarem feito baratas de um bueiro, tão asqueroso quanto foram os rapazes que montaram em cima das meninas no intitulado “rodeio das gordas”, no InterUnesp, ou uma estudante de direito de São Paulo que disse desvergonhosamente que seria um favor ao Brasil se matassem os nordestinos afogados ou a agressão de um grupo de jovens de classe média contra homossexuais na Av.Paulista, sem falar as milhares de mulheres que morrem por abortos clandestinos, ou assassinadas pelos companheiros, dos estupros, e outras barbaridades.

Mas essa serie de casos de opressões não são individuais e sim um reflexo de um conservadorismo que se alastra livremente. As eleições deste ano é uma mostra disto, com um discurso que ressaltava a primeira mulher no poder como um avanço na vida das mulheres, mostrando na realidade sua posição reacionária para angariar votos ,sendo um dos principais elementos na disputa entre os presidenciáveis, a criminalização do aborto, além do discurso contra os direitos dos homossexuais, etc. E deste ínterim conservador, as Universidades não estão imunes: os homossexuais espancados em festas como na ECA, as meninas estupradas na Unicamp, entre outras, tudo isso está ligado ao projeto de universidade capitaneado pelos interesses da burguesia junto ao Estado, que sustentados nesses setores conservadores de estudantes, vem privatizando, terceirizando e elitizando cada vez mais as universidades, restringindo o conhecimento produzido nesta, a uma parcela parasita da sociedade e deixando de fora juventude pobre, trabalhadora e negras. E as reitorias são culpadas por estas barbáries quando se calam, ou muitas vezes “premiam” os agressores com bolsas para que saiam das moradias ou mesmo suspendem os agressores apenas no período de férias.

Assim, nós do Pão e Rosas, viemos expressar o nosso apoio à chapa “A Poesia está nas Ruas”, que tem uma concepção de movimento estudantil e entidade militante, entende a questão de opressões ligada a uma conjuntura socioeconômica, tendo que os estudantes responder a ela de forma cotidiana, militando em conjunto com as outras demandas do movimento estudantil, uma vez que não estão de forma alguma dissociadas. Fim do vestibular e uma universidade aberta para a população com cursos noturnos, significa, para além da democratização do acesso ao conhecimento, também uma Universidade viva, com pessoas a ocupando, ao contrario da morte atual, onde as meninas são estupradas nos campus vazios. Políticas concretas de permanência estudantil, significa também moradias para as meninas e creches. Voto universal com maioria estudantil para que os estudantes e trabalhadores possam decidir os rumos da Universidade e voltá-la aos seus interesses e da população.

Por um movimento estudantil que subverta a estrutura opressora das Universidades, chamamos a todos a conhecerem a chapa “A Poesia está nas Ruas”.

Basta de violência às mulheres, homossexuais, negros e nordestinos!

Basta de estupros e assédios moral e sexual nas moradias e universidades!

Por comissões de estudantes, trabalhadora(e)s e professoras de apuração dos casos de violência independentes das reitorias!

Por creches e moradias para todas as estudantes mães, casadas ou solteiras! Pelo fim da terceirização que escraviza, humilha e divide a(o)s trabalhadora(e)s!

 Pela contratação de toda(o)s os terceirizada(o)s sem concurso público!

Aborto legal, livre, seguro e gratuito! Pelo direito de decidir sobre nossos corpos e sexualidade!

 Pela separação da Igreja do Estado! Pela revogação do acordo Brasil-Vaticano assinada em 2008 no governo Lula!

TODOS AO ATO CONTRA A VIOLÊNCIA SEXUAL NO CAMPUS!
DIA 01/12 - CONCENTRAÇÃO NO IFCH ÀS 17H.

ATIVIDADE: CONJUNTURA NACIONAL E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E HOMOSSEXUAIS - DIA 30/11 - 14h NO IFCH.

www.apoesiaestanasruas.blogspot.com


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pão e Rosas no ato contra a violência homofóbica em São Paulo

O grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente no importante ato que aconteceu hoje, dia 21, às 15h, em protesto à recente agressão homofóbica contra um casal que caminhava pela Av. Paulista. Ao lado de militantes dos direitos humanos, LGBTTs, de agrupações feministas como a Marcha Mundial de Mulheres, e organizações operárias como a Ler-qi e o PSTU, gritamos neste domingo: “abaixo a homofobia!”.

A agressão de homossexuais, que hoje completa uma semana, não é um caso isolado. No último período, os setores mais conservadores e reacionários têm expressado publicamente todos os seus valores retrógrados e preconceituosos. A menos de um mês um casal de estudantes homossexuais da Usp foi agredido em uma festa da mesma universidade. No Rio de Janeiro houve agressões também durante a Parada Gay. Mulheres são tratadas como “gado” por estudantes durante o Interunesp, outros estudantes se organizam contra os nordestinos, incitando a violência e o afogamento pela internet! A reitoria da Mackenzie faz declarações homofóbicas e heteronormativas! E tudo isso acontece em um contexto político pós-eleitoral, em que Serra e Dilma se posicionaram claramente contra o direito elementar e democrático do aborto e do casamento igualitário para uniões homoafetivas!

Não podemos nos calar diante de tamanha ofensiva contra os nossos direitos civis e políticos, nossos corpos e sexualidade! Basta de agressões aos homossexuais, às mulheres, negr@s e nordestin@s! Precisamos lutar todos juntos por nossos direitos! Sigamos o exemplo de nossos irmãos argentinos, que ocuparam as ruas de seu país e conquistaram o direito ao casamento igualitário! Todos juntos – na luta e na rua - contra o machismo, racismo, homofobia e xenofobia!

Dando continuidade a esta luta nos somamos ao chamado para compor o ato contra a posição homofóbica da administração do Mackenzie, ligada à Igreja Presbiteriana, que se pronunciou contra o PL122 que criminaliza a homofobia.

Basta de violência contra os homossexuais! Pela liberdade de nossa sexualidade e nossos corpos! Pela separação da Igreja do Estado!

Todos ao ato de protesto contra o posicionamento homofóbico do Mackenzie!

Dia: 24/11 – Quarta Feira

Concentração às 17h30

Manifestação às 18h00

LOCAL: RUA ITAMBÉ, 45- Consolação

domingo, 24 de outubro de 2010

Sejamos intransigentes na luta pelos nossos direitos

Reproduzimos abaixo artigo publicado no Jornal Palavra Operária n71. Por Diana Assunção, dirigente da LER-QI e membro da Secretaria de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP.

O segundo turno das eleições foi marcado por uma intensa polêmica sobre o aborto. O que vimos pela televisão e jornais foi uma corrida eleitoral entre os candidatos para ver quem era o mais “anti-aborto” ou quem tinha mais “fé”, para assim conquistar votos de setores religiosos. Este debate já esteve desenhado quando da publicação do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), no qual estava presente o apoio a meros projetos de lei que defendiam a descriminalização do aborto e o casamento e adoção por homossexuais. O PT lançou tal programa que contempla setores minoritários dentro de seu partido, mas não passou de pura demagogia. Lula retirou todas estas passagens do PNDH-3 e agora nessas eleições, após a inesperada proeminência de Marina Silva e sua campanha contra os direitos das mulheres, as Igrejas e setores reacionários (com a ajuda da mídia burguesa) estão numa escalada ofensiva para avançar ainda mais sobre os corpos das mulheres e direitos dos homossexuais, e no atrelamento das Igrejas ao Estado.

Entretanto, mais do que uma disputa eleitoral, o que esteve por trás de todo este show midiático, foi a estratégia da Igreja Católica e de seus aliados de, por um lado, reconquistar a legitimidade que se viu abalada após os escandalosos casos de pedofilia envolvendo padres e bispos, e por outro lado avançar na influência de suas posições e de seu projeto clerical diante de amplos setores das massas, entre os trabalhadores e o povo pobre. Ainda que o debate tenha perdido a efervescência inicial, que teve seu auge com a publicação da “Mensagem de Dilma”, onde a mesma garantia que não iria descriminalizar o aborto, o fato é que esta campanha reacionária significa um enorme ataque aos nossos direitos democráticos a serem conquistados.

Estamos diante de um importante retrocesso para as lutas democráticas no nosso país, um prelúdio de como serão tratados os nossos direitos nos próximos anos. Trata-se de um pacto entre o PSDB e o PT, mas também o PV de Marina Silva, com todos estes setores que tem insistido em escandalizar toda a população em torno do tema do aborto, deixando claro que ambos candidatos não irão legalizar o aborto, e permanecerão perseguindo mulheres e permitindo a morte de centenas diante da clandestinidade do aborto. Seja num governo Dilma, que tenta fazer uma campanha “feminista” e vergonhosamente conta com a militância ativa da Marcha Mundial de Mulheres; seja num governo Serra, declaradamente contra as mulheres, nossos direitos estão ameaçados pelo pacto burguês que alguns tentam passar apenas como mais uma polêmica eleitoral para conquistar votos. A Igreja e a burguesia brasileira com estas medidas procuram, de antemão, precaver-se de que no Brasil possa haver movimentações no caminho da Argentina onde recentemente conquistou-se o direito ao casamento igualitário para pessoas do mesmo sexo.

Num momento em que os capitalistas já começam a descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores, como vemos na França e em outros países da Europa, temos que nos preparar para situações de maiores tensões também em nosso continente. Ao mesmo tempo, é preciso saber que a burguesia também se prepara para esses cenários, e justamente conquistar posições políticas conservadoras e reacionárias entre amplos setores fazendo retroceder importantes lutas dos movimentos democráticos significa impor um retrocesso inclusive para a consciência de classe e a subjetividade do conjunto das massas pobres e trabalhadoras, conquistando terreno para implementar mais facilmente os seus projetos e ataques. Todo o show midiático e clerical está a serviço disso.

No Brasil mais de 1 milhão de mulheres recorrem ao aborto, sendo que a cada dois dias uma mulher morre em conseqüência de abortos clandestinos. Nós defendemos a educação sexual sem interferência de nenhuma religião para que as mulheres possam decidir sobre sua sexualidade. Defendemos a distribuição gratuita de todos os tipos de contraceptivos, e que sejam de qualidade, para que as mulheres não engravidem quando não o desejarem. E defendemos que o Estado garanta, através de um sistema de saúde único, gratuito e de qualidade, o direito ao aborto para todas as mulheres, para que nenhuma mulher tenha que morrer, ficar mutilada ou com problemas psicológicos por ter que se submeter às mais sórdidas formas da clandestinidade do aborto. Sobre este direito, de decidir sobre o próprio corpo, lutamos de forma intransigente, porque sabemos que a maioria das mulheres que morrem são as mulheres da classe trabalhadora, negras e pobres.

Hoje, diante das eleições presidenciais, reforçamos nosso chamado ao voto nulo. Defendemos este voto não só porque ambos os candidatos atacam os direitos dos trabalhadores e governam para os capitalistas mas também porque se mostraram ferrenhos inimigos de nossos direitos democráticos mais elementares. Ao mesmo tempo, queremos ser parte do mais amplo movimento em defesa destes direitos e por isso consideramos de extrema importância que a esquerda, em especial o PSTU e a CSP-Conlutas, até o momento pouco ativos neste debate, se pronunciem colocando toda sua militância nas ruas. Precisamos ser milhares nas ruas para arrancar nossos direitos!

Não vote nos candidatos dos capitalistas, como Dilma e Serra, que são contra os direitos dos setores oprimidos. No segundo turno VOTE NULO e se some a nossa campanha por:

Educação sexual para decidir. Contraceptivos para não engravidar. Aborto legal, livre, seguro e gratuito para não morrer! Separação da Igreja e do Estado! Revogação imediata do acordo Brasil-Vaticano! Direito ao casamento e adoção para casais do mesmo sexo! Basta de perseguição às mulheres do Mato Grosso do Sul!



Organizar JÁ um grande ato pelo direito ao aborto!
O grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente no ato do dia 28 de setembro em São Paulo convocado pela Frente pela Legalização do Aborto, que reúne diversos setores, incluindo a Marcha Mundial de Mulheres. Neste ato, muitas feministas nos rechaçaram por termos declarado que “Dilma não iria nos dar o direito ao aborto”. Pois bem, algumas semanas depois, não foi necessário repetirmos essa frase, mas ouvirmos da boca da própria candidata do PT que ela não iria descriminalizar o aborto. Isso expressa a enorme contradição na qual se encontram hoje estas feministas que depositam ilusões no governo Lula ou diretamente fazem parte do mesmo. Nós consideramos que todos os setores que verdadeiramente se colocam na luta por este direito devem se mobilizar JÁ nas ruas, locais de trabalho e universidades para não deixar que sejam os setores reacionários, a Igreja e aqueles que se curvam a eles, os que pautem nossos direitos. Chamamos a organização JÁ de um grande ato pela legalização do aborto e colocar de pé um plano de luta concreto pra nos organizar!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Gritamos por Camille: nota sobre o ato em Campinas contra a homofobia

No último sábado, dia 7 de agosto, o grupo Pão e Rosas de Campinas participou do ato convocado pelo Grupo Identidade, que perdeu no dia 27 de julho sua militante, Camille Gerin. Esta foi assassinada brutalmente por um homem, pelo simples fato de ser uma travesti.


Reuniram-se cerca de 300 pessoas, integrantes de diversos grupos políticos, como LER-QI, Centro Acadêmico de Humanas (CACH), PSOL, coletivo feminista, entre outros. Foi realizada uma marcha fúnebre da Estação Cultura, seguindo pela principal rua comercial de Campinas até a Catedral no centro da cidade. Todos vestidos de preto, em silêncio, marcharam para manifestar sua tristeza e indignação. O Pão e Rosas e a CiênciasLER-QI denunciaram o Estado burguês que perpetua e legitima a opressão, ligando-se a setores mais reacionários da sociedade, como a Igreja, com o acordo Brasil -Vaticano, no qual o governo lhes concede direitos fiscais e prevê o ensino religioso nas escolas, ao invés de educação sexual, ou ainda ao condenar milhares de mulheres a morte por abortos clandestinos, impedir as pessoas de exercerem sua sexualidade, privando-as dos direitos mais democráticos, como a legalização do aborto e o casamento entre homossexuais. Além disso, ainda é através de um dos aparatos repressores do Estado, a polícia, que vários LGBTTs, negros, pobres e mulheres são mortos e abusados diariamente nas cidades. A população chocou-se ao passarmos pelo centro, mas ao distribuirmos panfletos e esclarecer a elas do acontecido, a maioria se surpreendia e se indignava. Em seu encerramento, os integrantes da marcha reuniram-se na frente da Catedral e foram expostos vários nomes de pessoas que sofreram violência causada pelo machismo ou homofobia, muitos dos casos praticados pela própria polícia.

O grupo Pão e Rosas de Campinas considerou o ato um importante momento de diálogo com a população e de enfrentamento com o Estado, a Polícia e a burguesia conservadora. Porém, não compartilhamos do diálogo feito pelo grupo Identidade, no qual culpavam individualmente cada pessoa pela morte de Camille, como expresso no panfleto que eles soltaram que começava com a seguinte frase: 'Você que lê essa carta, ajudou a matar Camille!', além de cartazes com um espelho dizendo: “veja mais um cúmplice da violência”. Da mesma forma que culpam os indivíduos pela morte, também reivindicam uma saída individual para a violência e opressão através de uma mudança de consciência de cada um. Enquanto o Pão e Rosas, pelo contrário, acredita que a opressão, é socialmente construída desde o começo da divisão do trabalho e da propriedade privada, sendo hoje legitimada e conservada pelo Estado, a Igreja e a classe dominante, ou seja, a burguesia. Assim, uma luta consequente contra a opressão deve esta ligada a uma luta contra toda a estrutura socioeconômica Capitalista em que vivemos hoje, através da auto organizaçao da classe trabalhadora, sem influência dos patrões e governantes.
Portanto, estando o Brasil em ano de eleição com duas mulheres presidenciáveis, devemos combater o falso discurso de igualdade e avanços democráticos, pois tanto Dilma como Marina só darão continuidade a um governo burguês que em nada poderá avançar de forma consequente para o fim da opressão, sabendo que esta, tendo se constituído dentro da sociedade burguesa também só poderá ter seu fim com o fim dessa mesma estrutura social. Por isso devemos denunciar e combater a democracia burguesa e todo tipo de opressão e violências sofridas pela classe trabalhadora, principalmente quando essa demonstra qualquer tipo de manifestação, seja ela sexual ou comportamental, que ameacem a ordem familiar instituída e a moral cristã.
Essa luta deve continuar de forma independente do Estado, da Igreja e de todas as formas de dominação e legitimaçao da violência, denunciando a demagogia do Estado Capitalista, a hipocrisia da Igreja pedófila Não podemos nos calar diante de todas as injustiças à que somos submetidos para nos enquadrarmos dentro de um sistema burguês e excludente. Dizemos um basta bem visível neste sábado à violência e à opressão e pretendemos continuar nessa luta.

Pela punição dos assassinos!
Abaixo a violencia policial contra a juventude negra e homossexual!
Basta de perseguição da Igreja pedofila!
Pelo direito ao livre exercicio da sexualidade! Basta de discriminação e violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais nas universidades, locais de trabalho e lazer!