quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pão e Rosas México: O feminismo precisa se reorganizar!

Quase uma centena de pessoas encheram o salão da “Casa de Ondas” na palestra intitulada O feminismo e a crise mundial. Perspectivas sobre as lutas das mulheres, com Andrea D’Atri, do grupo Pão e Rosas da Argentina. Ao finalizar a exposição, trabalhadoras do Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME), da saúde, professoras e estudantes universitárias, junto com ativistas feministas lésbicas e de agrupações de esquerda, integrantes de “La Otra Campaña” e outros coletivos políticos e sociais debateram entusiasmadamente sobre as perspectivas levantadas para a luta das mulheres no nosso continente.
Sandra Romero, militante da Liga dos Trabalhadores Socialistas, que organizou o evento, fez um resgate sobre os acontecimentos mais importantes da luta de classes no México na última década, para assim assinalar o papel destacado que tiveram as mulheres trabalhadoras, camponesas, indígenas e estudantes, passando pela Comuna de Oaxaca até a recente luta do Sindicato Mexicano de Eletricistas. Em sua fala, Alejandra Totiz, integrante da agrupação universitária Contracorrente, destacou a necessidade de por em pé no México, uma agrupação de mulheres que defenda a luta pela emancipação desde uma perspectiva anticapitalista, socialista e revolucionária. Nesse sentido, chamou a construir o Pão e Rosas no México, para que junto com as agrupações já existentes na Argentina, Chile, Bolívia e Brasil, se converta em um poderoso movimento de mulheres na América Latina que retome as melhores tradições das feministas e dos setores populares. (...) Clique aqui para ler a fala completa de Andrea D'Atri.
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Comentário
A organização feminina no México virá a trazer uma luz mais abrangente do que na década de 70 já que hoje existe a possibilidade de uma organização internacional mais sólida. Por décadas as mulheres mexicanas são ignoradas na arte, na história e em qualquer representação coletiva e social, isso sem falar no sofrimento das mulheres da cidade de Juarez que são massacradas, escravizadas e mortas aos montes e tudo isso fica escondido debaixo de pedras. A organização mexicana é uma voz a mais no nosso canto! Mais um pilar levantado! Mais uma mostra de união das latinas. Em frente! Aline Dias

“Querem que desocupemos o Centro de Saúde e não sabemos para onde vamos nem como ficará a população”

Reproduzimos abaixo depoimento de Dinizete Xavier, funcionária do Centro de Saúde Escola Butantã e militante do Pão e Rosas, publicado no Jornal Palavra Operária da Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional

O Centro de Saúde Escola Butantã vem passando por um processo de sucateamento através da falta de manutenção do prédio, a ponto de chegar a cair o forro do teto, a falta de rampa ou elevador para portadores de necessidades especiais, entre outros. Através da não contratação e de reposição dos profissionais de saúde como médicos(as), trabalhadores(as) de enfermagem, assistentes sociais e outros. Enquanto isso a universidade de São Paulo através da ex Reitora Suely Vilela e do diretor da Faculdade de Medicina assinaram um contrato de gestão entregando para a Fundação Faculdade de Medicina toda a administração e gerenciamento das unidades básicas de saúde da região Oeste. Ou seja, o prefeito Kassab terceirizou esses equipamentos de saúde entregando para a Fundação.

O diretor do Centro de Saúde acha que se ficarmos fora do contrato de gestão estaremos no “limbo”, porém estar dentro deste contrato é ser terceirizado também. E para forçar mais a barra, o prefeito está retirando seus médicos do Centro de Saúde, são médicos e médicas que são funcionários da Prefeitura e prestam atendimento lá. E quando foram negociar com a Prefeitura para assinar convênio SUS para manter a parte que cabe à população e manter os médicos lá, foi proposto pelo secretário adjunto da saúde que municipalizasse o Centro de Saúde, pois municipalizando esse centro entra no contrato de gestão, ou seja, será terceirizado passando para as mãos das OSs (Fundação Faculdade de Medicina).
E ao mesmo tempo querem reformar o posto sem os trabalhadores lá, querem que desocupemos o prédio, então nem temos certeza se voltaremos, como ficaremos, onde ficaremos e como fica a população. O desmonte é tanto que até a pediatria já saiu de lá dando desculpas que era para reformar, porém nem houve ainda a licitação. O mais grave é que o atual diretor do Centro de Saúde Escola está defendendo a municipalização dizendo que é só por enquanto, e que até estar a Fundação administrando essa região e terminando o contrato nós todos voltaremos.

Só que isso não é verdade, pois municipalizar o Centro Escola é o mesmo que desvincular da USP e passar para o município e, mais grave ainda, terceirizar. Para o CSEB sobreviver, é preciso que a Reitoria da USP assuma a sua parte, contratando mais trabalhadores e contribuindo com a sustentação. E com a prefeitura seria preciso assinar um convênio pelo SUS para a manutenção dos médicos e de outros materiais para a população. Ainda assim, é necessário que todos os trabalhadores da USP em aliança com a população resistam a este ataque e defendam o Centro de Saúde Escola Butantã!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Somos as negras do Haiti! Contra as tropas de Lula estamos aqui!

No último sábado, 12 de dezembro, aconteceu na Casa Socialista Karl Marx em São Paulo o lançamento da campanha Somos as negras do Haiti, impulsionada pelo grupo de mulheres Pão e Rosas. Com debate e exposição sobre a ocupação da ONU, que já dura 5 anos, a atividade trouxe à tona a resistência haitiana contra a ocupação e um pouco da história do povo haitiano, em geral tão desconhecida.

Mara Onijá deu início à atividade reivindicando a importância de impulsionar uma campanha como esta, buscando dar voz às mulheres do Haiti que sofrem diariamente com a violência da Polícia Nacional Haitiana e das tropas da ONU, comandadas pelo exército brasileiro. Enquanto Lula mantém um discurso de que o envio das tropas destina-se a ajudar a implementar um regime democrático no país, a realidade demonstra o verdadeiro papel desses contingentes militares: atuam na repressão a uma população que vive sob condições miseráveis e não se cala frente às sistemáticas intervenções estrangeiras. No início de 2008, por exemplo, quando os haitianos saíram às ruas para protestar contra a fome e o aumento do preço dos alimentos, as tropas da ONU estiveram presentes nas ruas pra reprimir e matar. Combatendo a idéia de que os haitianos não são capazes de decidir sobre o destino de seu país, Mara contou um pouco sobre o processo revolucionário em São Domingos em fins do século XVIII e início do século XIX. Apenas dois anos depois da Revolução Francesa, os negros escravizados de São Domingos – que, aliás, era uma colônia extremamente lucrativa, representando cerca de 2/3 do comércio exterior francês na época – se levantaram num processo que durou 12 anos em que combateram forças militares de nada menos que França, Inglaterra e Espanha. A expulsão dos colonizadores franceses culminou no fim da escravidão e na independência de São Domingos em 1804, hoje Haiti. No entanto, desde então não foram poucos os esforços para impedir que o exemplo dos “jacobinos negros” se expandisse para outros países. Mais que isso, ainda no início do século XIX a França envia tropas novamente até impor uma dívida como forma de aceitar a independência.

A atual ocupação da ONU não é um fato novo na história haitiana. O século XIX foi repleto de intervenções de vários países europeus. O século XX esteve marcado principalmente pela intervenção do imperialismo norte-americano que ajudou a implementar ditaduras sangrentas, como foi a ditadura dos Duvalier por cerca de 30 anos. Aristide, presidente deposto em 2004, meses antes do início da ocupação da ONU, já havia sofrido um golpe em 1994. Demonstrando a contradição da esperança ainda depositada em Aristide, um ex-sacerdote católico inspirado na Teologia da Libertação, este conseguiu voltar ao poder na década de 90 após o golpe apoiado numa intervenção organizada pelos Estados Unidos que culminou em cerca de seis anos de manutenção de tropas da ONU no país.

O atual presidente do Haiti, René Preval, por sua vez, é uma demonstração cabal de como alguns negros no poder, que atuam de acordo com as políticas opressoras do imperialismo, nada podem representar na libertação do povo negro. Preval defende a manutenção das tropas da ONU, além de atuar diretamente pela implantação de fábricas maquiladoras que garantem às transnacionais um funcionamento sob brutal ultra-exploração da força de trabalho – uma média salarial de 1,75 dólares por dia, sem direito a organização sindical, sob condições de trabalho precárias e ameaçadoras, com seguranças fortemente armados dentro das empresas.

Por tudo isso, nós do Pão e Rosas nos colocamos ao lado das mulheres e do povo haitiano para que possam decidir seus destinos sem intervenção estrangeira. Enquanto a ONU mantém seus discursos humanitários, nós gritamos: Basta de estupros, repressão e assassinatos! Não podemos deixar de nos indignar frente ao fato de que várias organizações do movimento de mulheres e do movimento negro no Brasil continuem se calando frente à tamanha brutalidade que representa a chamada missão de paz, ou no máximo pronunciando-se contra as tropas sem sequer mencionar que é o governo Lula quem manda o exército que comanda a missão. É preciso colocar de pé uma ampla campanha que se faça presente nas ruas, nos locais de trabalho, nas universidades, nos sindicatos, nas escolas para que as tropas sejam retiradas do Haiti imediatamente.

Ainda que com nossas pequenas forças, queremos fazer ecoar as vozes das mulheres haitianas: das meninas e mulheres estupradas pelos soldados, das mulheres famintas produzindo bolos de lama, das mulheres que perdem seus filhos assassinados mesmo dentro de suas casas, das mulheres que não se calam e saem às ruas protestando contra as tropas da ONU.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pão e Rosas e chapa Rosa Luxemburgo para o CACS Unesp-Marília realizam exposição em homenagem à Rosa!


Apóie e vote na chapa Rosa Luxemburgo para o Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS) da Unesp de Marília!
As eleições são nos dias 16 e 17!
Para ler o programa da chapa, clique aqui.













segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Grande atividade de lançamento da campanha "Somos as negras do Haiti!" na Casa Socialista Karl Marx















Em breve mais fotos e informações da atividade de lançamento da campanha:

Somos as negras do Haiti!
Quer levar a campanha para sua escola, universidade, local de trabalho, bairro, ocupação... entre em contato: paoerosasbr@gmail.com

domingo, 13 de dezembro de 2009

O grupo de mulheres Pão e Rosas apóia a chapa Rosa Luxemburgo para o CACS da Unesp - Marília!

Nós, mulheres do Pão e Rosas, compreendemos que uma entidade estudantil deve ser militante e combativa, colocando o movimento estudantil a lutar e refletir sobre o caráter elitista, racista e machista da universidade de classe, e que para além de travar uma luta efetiva pela transformação profunda da universidade, entenda que esta está diretamente ligada a uma transformação da sociedade, e que tal só será possível, se ligando a única classe capaz de derrubar essa estrutura opressora, a classe trabalhadora.

Vemos a necessidade de uma entidade militante, que, dentro do movimento estudantil, através de uma prática militante, levante as demandas das mulheres. Lutando contra a opressão, a violência e o assédio,e que tenha a preocupação de se ligar a sociedade, para que essas discussões não fiquem apenas dentro dos muros da universidade. Assim como se colocar como tribuno do povo, das mulheres exploradas e oprimidas, das/os trabalhadoras/es explorados por esse sistema, como as/os trabalhadoras/es terceirizadas/os, as quais fazem parte do nosso dia-a dia na universidade.

Por isso, nós do Pão e Rosas apoiamos a chapa “Rosa Luxemburgo” para o CACS, pois levantam em seu programa todas essas questões que para nós são centrais, e assim, como nós, se colocam na perspectiva de lutar contra a opressão às mulheres, e a tornar uma discussão viva no Movimento Estudantil e espaços de debates acadêmicos. Com a preocupação também de utilizar desses espaços para resgatar a história de grandes lutadoras, como Rosa Luxemburgo, uma grande revolucionária internacionalista, que dedicou a sua vida a transformação efetiva dessa sociedade opressora, e muitas outras lutadoras, as quais suas histórias foram apagadas dos currículos acadêmicos. É necessário através da atuação no Movimento Estudantil, forjar uma nova tradição no movimento de mulheres: classista e militante.

E nós, do pão e rosas, nos colocamos a tarefa de estar apoiando e somando forças a toda entidade que se proponha a isso.Que enxergue o movimento estudantil de forma estratégica para uma transformação profunda da sociedade ao lado das/os trabalhadoras/es.

Por uma entidade militante e combativa, nós do Pão e Rosas - Marília dizemos:

para o CACS da Unesp de Marília, estamos com a chapa "Rosa Luxemburgo"!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Novo ENEM: a falsa democratização do ensino superior

Por Iaci Maria, estudante pré-vestibular e militante do Pão e Rosas

Nos dias 5 e 6 desse mês ocorreu o tão falado e esperado ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. Este exame foi criado em 1998 com a finalidade de avaliar o desempenho do estudante que conclui o ensino médio. Nos últimos dez anos, o que ele fez foi acrescentar alguns pontos à nota dos vestibulares para dar uma “forcinha” aos vestibulandos, e também foi utilizado como método de seleção de bolsistas para o Programa Universidade para Todos (ProUni), após a criação deste em 2004. Mas, em 2009, houve mudanças: “O Ministério da Educação apresentou uma proposta de reformulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e sua utilização como forma de seleção unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais”[1]. Os principais objetivos seriam democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acadêmica e induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio.

Mudança feita (sem aprovação geral dos vestibulandos), chega a semana do exame e uma bomba estoura na mídia: o Exame foi cancelado por suspeita de fraude! A prova vazou, e a credibilidade do Inep, logicamente, despencou. No primeiro ano do Novo Enem, o ano que serviria de exemplo de "democratização" para os próximos - segundo o Governo Federal – ocorre essa imensa falha que leva os vestibulandos a duvidar da segurança dos vestibulares mais concorridos. E não podemos tirar-lhes a razão.

Passados dois meses do vazamento, os inscritos enfim realizaram a nova prova, mas sem esquecer-se do absurdo acontecimento, e ainda cobertos de indignação. Esta prova mostrou-se na verdade uma prova de resistência, e não de conhecimentos gerais, pois as questões eram longas, mal redigidas, confusas e em nível de grandes vestibulares concorridos. Isso me leva a crer que o tal “processo seletivo democrático” não passou de um funil social, elitizando cada vez mais o acesso ao ensino superior ao invés de democratizar, como dizia a proposta governista. Sem contar as cidades do Espírito Santo, onde não houve prova devido aos alagamentos.

Mas além de tudo isso, uma das coisas que mais me chamou atenção neste exame promovido pelo Governo Federal foi uma questão onde a única resposta correta incentivava a exploração do trabalhador rural em prol do lucro gerado[2]. Em vésperas de ano eleitoral fica claro que o Novo Enem serviu para alavancar uma campanha política petista, com um discurso esperançoso de democratização. E se uma questão desse tipo é colocada para cerca de 2,5 milhões de estudantes do Brasil inteiro[3], é porque é este tipo de política que o atual governo compactua e não nega.

Foi em meados da década de 70 do século passado que se deu início à reforma do ensino no Brasil seguindo os moldes da educação estadunidense, o que levou à desvalorização do ensino fundamental e médio público e ao crescente número de escolas particulares oferecendo ensino de qualidade por mensalidades altíssimas. O ensino superior conseguiu resistir a essa reforma por um tempo, mas é fato que sua privatização é o próximo passo, pois o governo, que tem condições de investir em educação e garantir vagas presenciais a todos, não o faz para investir em banqueiros e empresários, e em vagas nas particulares através dos programas de bolsa, sucateando assim o ensino superior público e suas pesquisas.
O que devemos fazer é mostrar para a juventude trabalhadora brasileira que sonha com uma vaga em uma universidade pública que eles têm este direito! Temos que desmascarar o discurso de campanha de Novo Enem e sua democratização do ensino superior, pois a única maneira realmente democrática de acesso à universidade é o fim do vestibular e a estatização das particulares. Vamos unir forças para mostrar ao governo Lula que o modelo de democracia que ele propõe não é a democracia que queremos. Queremos a real democracia, onde quem trabalha e paga pela universidade pública esteja lá dentro, sem precisar passar por “Novo Enem”!

[1] http://www.enem.inep.gov.br/enem.php
[2] A questão citada pertencia à prova de Matemática e suas tecnologias, e era: "Uma cooperativa de colheita propôs a um fazendeiro um contrato de trabalho nos seguintes termos: a cooperativa forneceria 12 trabalhadores e 4 máquinas, em um regime de trabalho de 6 horas diárias, capazes de colher 20 hectares de milho por dia, ao custo de R$10,00 por trabalhador por dia de trabalho, e R$1000,00 pelo aluguel diário de cada máquina. O fazendeiro argumentou que fecharia contrato se a cooperativa colhesse 180 hectares de milho em 6 dias, com gasto inferior a R$25000,00. Para atender às exigências do fazendeiro e supondo que o ritmo dos trabalhadores e das máquinas seja constante, a cooperativa deveria
A) manter a proposta
B) oferecer 4 máquinas a mais
C) oferecer trabalhadores a mais
D) aumentar a jornada de trabalho para 9 horas diárias
E) reduzir em R$400,00 o valor do aluguel diário de uma máquina "
Pelo gabarito oficial, e fazendo todos os cálculos, chega-se a alternativa D: aumentar a jornada de trabalho para 9 horas diárias, sem aumento de custo.
[3] Havia 4,1 milhões de inscritos no exame, mas a abstenção foi de 37,7%, a mais alta dos 11 anos

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Neste sábado: Lançamento da campanha "Somos as negras do Haiti!"


Lançamento da campanha "Somos as negras do Haiti!".
Com debate, exposição de fotos e vídeos. Seguido de uma festa com muita música!
É neste sábado, 12 de dezembro, às 15h. Na Casa Socialista Karl Marx (Pça Américo Jacomino, 49 - Metrô Vila Madalena).
Não percam! Convidem suas amigas, familiares, colegas de trabalho.
Vamos juntas gritar: "Pra ter o destino nas mãos a resistência não se esgota, sou negra haitiana pela saída das tropas!"

Chapa Pagu ganha as eleições no CASS da PUC-SP!

Por Bia Michel, integrante do Pão e Rosas e da chapa Pagu

No último período, nós, mulheres do Pão e Rosas junto com companheiros e companheiras independentes organizamos a chapa PAGU para disputar o Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC (CASS). Essa iniciativa partiu de entendermos que nós mulheres devemos ocupar os espaços políticos do Movimento Estudantil para podermos discutir nossas demandas e fazer com que todos os companheiros levantem nossas bandeiras conosco.

Nosso programa e campanha foram baseados na importância da construção de um CA militante e combativo ligado a base dos estudantes de Serviço Social por entendermos que essa é a única forma de nos organizarmos para intervirmos nos fatos políticos da atualidade, lutando em defesa do MST e dos movimentos sociais que vem sistematicamente sendo perseguidos, contra a repressão policial nas periferias e denunciando o papel do governo Lula no ataque aos trabalhadores e ao povo pobre. Também colocamos em pauta a questão da democratização da Universidade, levantando a questão do acesso e permanência estudantis, a questão da precarização do trabalho, entre outras.

E no dia 02/12, os estudantes de Serviço Social decidiram por essa proposta de organização do nosso CASS! A chapa PAGU foi eleita com 91 votos contra 83 para a chapa Na Práxis, formada por setores apoiados pelo PCB. Agora, desde o Centro Acadêmico, junto com os estudantes, começaremos esse novo período organizando uma grande calourada com esses eixos chamando os estudantes a se colocarem ativamente nessas lutas.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Trabalhadoras eletricistas em greve de fome no México: "Estamos com fome de justiça"

Por Sofia Andrade

(México, 30/11/09) Desde o dia 23 de novembro, onze companheiras eletricistas se mantêm em greve de fome. Apesar dos perigos que isto causa em sua saúde, a determinação de continuar a luta é inesgotável. No acampamento improvisado na avenida “Insurgentes y Reforma”, que agora é sua casa, expressam sua voz.

“Enquanto o governo Federal não tiver uma resposta favorável para nós, os eletricistas, vamos continuar nas ruas. Se eles querem que morramos aqui, então morreremos. Nós não nos cansaremos. Estamos dispostas a chegar até as últimas conseqüências”, disse de forma decidida Mónica Jiménez Acosta, registradora da empresa e quem hoje coordena o movimento de Eletricistas em Resistência. Esta difícil medida, tirada na assembléia das mulheres, busca ser uma referência à fome e à miséria dos quais estão padecendo no país, milhares de desempregados que o governo e as empresas têm jogado às ruas, aos quais de um só golpe se somam mais de 44 mil trabalhadores da Luz y Fuerza del Centro.

“Queremos um emprego digno, queremos uma proposta para estes trabalhadores, para este sindicato. Estamos com fome, porém com fome de justiça”, continua Mónica. Eis que, após o arbitrário decreto de extinção da empresa Luz y Fuerza del Centro, a vida dos trabalhadores do Sindicato Mexicano de Eletricistas deu uma tremenda reviravolta, que já está deixando uma grande experiência de luta. “Depois do horrível momento de como nos tiraram de nossa casa Luz y Fuerza, hoje estamos contentes de participar deste movimento, porque estamos com a convicção de que vamos vencer (…) estamos emocionadas de quantas pessoas têm nos apoiado”, assinala Alejandra Rojas, quem desde o depto. pessoal atendia seus próprios companheiros eletricistas. “Calderón não vai nos atacar com sua polícia ou com quem queira para nos espantar. Estaremos nas ruas, até encontrar uma solução”, enfatiza. As companheiras sabem que este ataque sobre os e as eletricistas repercute em todo o conjunto da classe operária.

Judith García, trabalhadora aposentada a quase três anos, também participante desta greve de fome, está convencida de que os direitos dos aposentados não estão livres de desaparecer. “O contrato coletivo está vigente até 16 de março. Apesar da promessa do poder executivo de que respeitarão nossos direitos e salários, a verdade é que não confiamos neles. No meu caso as pessoas poderiam dizer: 'Mas você já está aposentada, o que está fazendo nesta luta?'. Minha aposentadoria ninguém me deu de presente, trabalhei longos 25 anos por ela, desde meus 15 anos... a mim ninguém deu nada de presente. Pois enquanto os filhos do presidente aos 15 anos estavam brincando com seus bonecos de neve, eu já estava trabalhando e estudando. A mim, ninguém deu nada de graça, nem a nenhum de meus companheiros... nenhum dos benefícios que temos foram senão graças a luta de nossos pais e avós. A luta de meus companheiras também é minha. Arriscamos nossa vida porque não temos nada a perder”, enfatiza.

A mais jovem das participantes nesta greve de fome é Isabel Pérez López de 22 anos de idade, quem teve um tempo recorde de oito meses trabalhando para a LyFC. Ela, compartilha uma mensagem com o resto dos trabalhadores do país e da América Latina que, assim como elas, estão pagando os custos da crise econômica com desemprego e precarização de seus trabalhos.

“É preciso colocar toda a vontade, toda luta se pode ganhar, e se sofrem algum dano laboral, que se organizem e lutem por seus direitos. Nós podemos! Nós temos muita fé de que tudo isto que estamos fazendo vai fazer-nos avançar e que voltaremos a nossa fonte de trabalho. Só está vencido aquele que não luta! Depois de conhecer a rejeição pela Câmara dos Deputados a entrar em uma controvérsia constitucional pelo decreto, as companheiras retomam novas forças e sabem que por esta via dificilmente poderemos chegar a uma solução. Para que servem os deputados e senadores? Eles sim tem privilégios, salários e bônus milionários, sendo que nós os trabalhadores somos quem produzimos a riqueza. Eles justificam sua arbitrariedade sobre nós, por isto seguiremos na luta, não vão nos vencer, enquanto nossos corpos nos permitam, vamos seguir aqui apesar das conseqüências que isto traga”, reitera Mónica. “Apesar de que nossos filhos estão nos esperando em nossas casas, porque não estamos dispostos a entregar-lhes um país onde tenham que se curvar diante dos neoliberais e fascistas, por isso vamos seguir o tempo que for necessário”.

De fato, o futuro de muitos trabalhadores e seus filhos estão em jogo, disso estão conscientes os trabalhadores e trabalhadoras eletricistas e demais setores de trabalhadores e o povo que está participando deste importante combate. “Esta não é uma luta apenas dos eletricistas, pelas condições que o mesmo governo nos tem levado, teremos uma situação geral e privilegiada para que, neste momento, se nos unimos todos os que sempre somos os mais afetados, os operários, os camponeses, as donas de casa (…), teremos a grande oportunidade de fazer uma transformação neste país, e tirar toda esta gente que só tem feito privilegiar os interesses de todas as grandes empresas estrangeiras, dos órgãos financeiros e daqueles que ficam com os monopólios dos grandes negócios neste país”, finaliza Judith.

Para saber mais visite o blog "Em defesa de Luz y Fuerza".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Todo apoio à luta das trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da Fiocruz!

Por Livia Barbosa, assistente social e militante do Pão e Rosas e da LER-QI

Na manhã do dia 2 de dezembro tivemos uma grande demonstração de que apesar da demagogia do “fim da crise” e do “aumento do número de empregos” sustentado pelo governo Lula, a classe trabalhadora sofre ataques diários e por isso mesmo não vai se calar. Os trabalhadores, que se vêem numa situação de aumento da precarização do trabalho e, por essa via, de diminuição ou simplesmente não cumprimento das leis trabalhistas, enfrentaram os patrões e a polícia para terem seus direitos garantidos.

Nada menos que 300 trabalhadores terceirizados da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz, da administração federal) localizada em Manguinhos, no Rio de Janeiro, se organizaram em busca de seus elementares direitos trabalhistas, reivindicando seus salários dos quais não foram pagos nos últimos meses, assim como férias e 13°. Os trabalhadores da jardinagem e limpeza, deram um primeiro passo se enfrentando com as profundas barreiras que muitas vezes dificultam a organização dos trabalhadores terceirizados, - como a intensa precarização do trabalho, o grande abismo existente entre funcionários efetivos e não efetivos, a opressão ainda mais forte às mulheres trabalhadoras, as concretas e constantes ameaças da patronal e o total descaso das burocracias sindicais – e conseguiram se organizar.

E como não poderia deixar de ser, a polícia, cão de guarda da propriedade privada e inimiga da classe trabalhadora, reprimiu covardemente os manifestantes. É o que a polícia faz todos os dias nos morros cariocas, nas greves de trabalhadores e é também o que vai fazer na preparação da Copa e nas Olimpíadas de 2016 contra o povo pobre e negro! Os trabalhadores, em sua maioria moradores das comunidades de Manguinhos, que já se enfrentam diariamente com a opressão policial e os assassinatos de moradores cometidos por esta força assassina, tiveram novamente que se enfrentar contra dois batalhões da polícia por estarem reivindicando seus direitos elementares e poder ir às ruas defender suas mínimas condições de trabalho.

Num momento em que as páginas dos jornais e todos os noticiários estão estampados com imagens de deputados e governadores literalmente fazendo a festa com dinheiro vivo de toda a população, os trabalhadores terceirizados da Fiocruz são espancados por exigirem o mínimo que lhes é de direito! Um retrato do Brasil de Lula, onde os banqueiros e empresários lucram muito, e os trabalhadores e o povo pobre não tem nada. Nós, mulheres militantes do Pão e Rosas, nos colocamos em total apoio aos bravos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas da Fiocruz, e gritamos:

Pagamento imediato dos salários atrasados, 13º e férias proporcionais!

Nenhuma repressão aos trabalhadores em luta!

Incorporação imediata de todos os terceirizados ao quadro de efetivos da Fiocruz, com os mesmos salários e direitos, sem a necessidade de concurso público ou processo seletivo!

Que as organizações de esquerda se coloquem em apoio ativo à esta luta!

Que a Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (ASFOC) se levante em defesa dos terceirizados para pôr fim às divisões entre os trabalhadores incorporando os terceirizados e autônomos!

Pela organização de uma comissão interna dos terceirizados para continuidade desta luta e continuidade de sua organização!


Que os estudantes e seu grêmio da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) se solidarizem com os trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas. Fazemos também um chamado à ANEL-RJ e todas as suas entidades a se colocarem em defesa dos terceirizados!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pão e Rosas e Movimento A Plenos Pulmões convidam para assistir e debater o filme Terra e Liberdade

mais informações: paoerosas.campinas@gmail.com

Debate: O caso de Geisy Arruda, estudante da Uniban, e a Violência contra as mulheres


Debate com

TEREZINHA MARTINS
Doutora em Psicologia Social, professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva - UFRJ

ANNA MARINA PINHEIRO
Doutora em História Social, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais - UFRJ

CLARISSA MENEZES
Mestranda em Saúde Coletiva - UFRJ e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas

Mediação: LUDMILA CARDOSO
Pesquisadora do Laboratório Territorial de Manguinhos ENSP/Fiocruz, estudante de Lic. em Ciências Sociais/UFRJ e integrantedo Mov. A Plenos Pulmões

08 de dezembro (terça-feira) às 19h
Local: IFCS/UFRJ – (térreo)
Largo São Vicente de Paula, 01 – Centro – RJ

Organização:
Grupo de mulheres Pão e Rosas
Movimento A Plenos Pulmões

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amanhã apresentação da peça teatral "E Agora, Nora?" seguida do debate "Movimentos políticos e sociais e as mulheres hoje"

A companhia Temporária de Investigação Cênica apresenta seu novo espetáculo, E Agora, Nora?!, na Casa Livre. A peça é formada por quatro blocos em que se é discutido o papel da mulher na sociedade e as transformações femininas ao longo do tempo, seus clichês e manias.

A montagem parte da cena final de Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, em que a personagem principal decide romper com seus "papéis de mulher" - mãe, esposa e filha - para buscar sua individualidade. O avanço do feminismo na sociedade, a importância da mídia e de suas revistas voltadas para esse público e as experiências das próprias atrizes permeiam a ação. (Fonte: Guia da Semana São Paulo).

Ficha Técnica
Dramaturgia: Cia. Temporária de Investigação Cênica
Concepção e Direção: Joana Dória de Almeida
Elenco: Joana Dória de Almeida, Júlia Novaes e Sofia Boito
Assistente de Direção: Diogo Spinelli
Intervenções Poéticas: Roberta Estrela D´Alva
Orientação: Cibele Forjaz
Desenho de Som: Pedro Semeghini
Desenho de Luz: Sofia Boito
Cenário e Figurinos: Cia. Temporária de Investigação Cênica
Vídeos: Carolina Mendonça e Fernanda Gomes

Após a apresentação da peça, o Pão e Rosas - Letras USP participará do debate "Movimentos sociais e políticos e as mulheres hoje". Dia 02/12 às 20h na Sala Experimental Plínio Marcos do TUSP (Teatro USP) na Rua Maria Antônia, 294 - Consolação.

domingo, 29 de novembro de 2009

O dia de luta contra a violência às mulheres em Honduras: Nem golpe de Estado, nem violência contra as mulheres!

Por Andrea D´Atri, diretamente de Tegucigalpa

(Tegucigalpa, 26/11/09) O dia de Violência contra as mulheres, foi vivido de maneira especial em Tegucigalpa, sob o regime golpista de Micheletti, e a poucos dias de realizar-se as eleições fraudulentas convocadas pelo regime, que são repudiadas pela resitência. A comemoração começou com uma conferência à imprensa da plataforma de Direitos Humanos, que inclui diversos organismos da região, onde denunciaram o processo eleitoral e a repressão sistemática e generalizada, como também as capturas e detenções ilegais por parte da polícia e exército, contra as pessoas que em seguida foram assassinadas ou apresentam sinais de tortura.

Gilda Rivera, Del Centro de Derechos de Mujeres, encerrou a conferência convocando as mulheres ali presentes a marchar até a “Plaza de la Merced” (Praça de Mercedes), onde se encontra a sede parlamentar, para comemorar o Dia da luta contra a violência às mulheres, sob a consigna que já fizeram mundialmente conhecida as Feministas em Resistência: “ Nem golpe de Estado, nem golpe às mulheres!”

Centena de mulheres, marcharam desde a sede da conferência, pelas ruas centrais de Tegucigalpa cantando consignas contra o regime golpista e a favor da assembléia constituinte, enquanto recebiam o apoio das vizinhas, comerciantes e pedestres que as acompanhavam com aplausos, saudações e bozinaços. Adelay Carias, do Centro de Direitos da Mulher (CDM), nos falou sobre o informe que deram as Feministas em Resistência, sobre as violações dos direitos humanos das mulheres, perpetuada pelas forças repressivas do regime. Elas denunciaram que muitas mulheres durante as detenções, sofreram abusos e violações sexuais. “Na confusão me perdi do grupo... Somente eu fiquei diante da patrulha. Não sei que rumo tomaram. (...) Me violentaram quatro policiais, logo me ultrajaram, me estupraram com a coisa negra que a polícia utiliza.” Disse uma das mulheres que testemunhou sobre a repressão e manifestção de Choloma de 14 de agosto. Uma professora de El Durazno denunciou: “ Me cuspiam, e atiravam terra e pedras com o sapato, me bateram com o cacetete nos braços e em todo corpo. Caí na sargeta de tanta pancada, e fraturei o pé esquerdo. Enquanto me batiam, gritavam: “ Filha da puta, vamos te deixar aleijada para que deixeis de nos foder.”

Jessica Islã, feminista independente, enviou uma saudação em solidariedade às trabalhadoras de Kraft-Terrabusi da Argentina que seguem exigindo a reincorporação de seus companheiros despedidos e para as trabalhadoras do Sindicato Mexicano de Eletricistas que iniciaram recentemente uma greve de fome em luta pela reincorporação dos mais de quarenta mil trabalhadores e trabalhadoras demitidas.

Faltando somente quatro dias para as eleições convocadas pelo regime golpista sob a astúcia do imperialismo norte americano, as feministas seguem em resistência, denunciando os crimes cometidos pela ditadura. Junto a elas, e em toda América Latina as mulheres lutam para que caiam os golpistas e denunciamos as negociações que serviram somente para fortalecer Micheletti, dizemos: Wendy Carolina, presente! Todas e todos os lutadores assassinados presentes hoje e sempre! Abaixo ao golpe! Não às eleições! Por uma greve geral até que caiam os golpistas. Que as organizações operárias, campesinas e populares da resistência convoquem uma assembléia constituinte revolucionária para refundar o país sob as necessidades das maiorias exploradas e oprimidas do povo hondurenho.

Traduzido por Bruna Bastos, do Pão e Rosas - Franca

O Pão e Rosas – Campinas está com a Chapa TERRA EM TRANSE nas eleições do CACH!

Nós do Pão e Rosas – Campinas julgamos ser importante nos posicionarmos frente às eleições do Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH) da Unicamp. Enquanto um grupo de mulheres que quer muito mais do que discutir o machismo e a opressão e como eles se expressam na universidade, atuando concretamente no seu combate cotidiano, entendemos a importância de que as entidades estudantis tenham um caráter claramente militante no que tange as demandas dos estudantes e trabalhadores de dentro e de fora da universidade, e também das mulheres.

A necessidade de um C.A militante se coloca com ainda mais força em um contexto em que o governo estadual e as reitorias atacam o ensino público com projetos como a Univesp, reprimem os lutadores das universidades como fazem com o SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e restringem a organização cultural dos estudantes e a ocupação do espaço público aqui na Unicamp. É fundamental que as entidades estudantis tenham um posicionamento político claro em relação a tudo isso. E que se dêem a tarefa de combater este projeto de universidade, no sentido de lutar pela democratização do acesso, da permanência e do próprio funcionamento das universidades, para que os milhares de estudantes que não passam no filtro social que é o vestibular possam estar nas universidades públicas.

Reivindicamos a tradição do CACH de ser um centro acadêmico militante também no que diz respeito às bandeiras específicas das mulheres. O ato organizado por este C.A, há pouco menos de dois meses, durante um evento em que estava presente o ex-arcebispo de Olinda (que diante da gravidez de uma criança de 9 anos decorrente de abusos sexuais disse que o aborto é um crime pior do que o estupro), as constantes discussões sobre a terceirização nas universidades e fora delas, que atinge particularmente as mulheres negras, e a luta pela permanência estudantil contra os assédios sexuais e casos de estupro na universidade e moradias estudantis são exemplos disso. O CACH deve continuar tomando as bandeiras das mulheres como suas!

Por tudo isso, chamamos a tod@s estudantes de Ciências Sociais e História do IFCH a conhecer e discutir o programa da chapa Terra em Transe. Entendemos que esta chapa levante as discussões e as propostas em defesa da democratização da universidade e de seus lutadores, bem como as bandeiras das mulheres.
NAS ELEIÇÕES DO CACH CHAMAMOS VOTO PARA A CHAPA TERRA EM TRANSE!

Pão e Rosas - Campinas

Para ver o programa completo da chapa: http://www.chapaterraemtranse.blogspot.com/

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Chapa Terra em Transe para o CACH da Unicamp: Por uma entidade militante contra o racismo, o machismo e a homofobia

Ao contrário do que muitos pensam, o machismo, a homofobia e o racismo também se expressam nas universidades. Estas, tidas como espaço privilegiado de reflexão e pensamento crítico, são muitas vezes palco de casos absurdos de preconceito e opressão. O recente escândalo da Uniban, em que uma estudante que usava um vestido tido como “inadequado” quase foi agredida por seus próprios colegas, chegando a ser expulsa pela direção da universidade é a prova mais gritante disso. Nas universidades públicas não é diferente. Há alguns meses estudantes da Unesp de Araraquara sofreram com assédios sexuais dentro da moradia e, na Unicamp, todos sabemos que o cotidianamente acontecem estupros dentro do campus, além dos casos de assédio moral contra trabalhadoras, estudantes e professoras. Na nossa moradia, as estudantes mães passam por situações constrangedoras durante a seleção para os estúdios (casas para famílias), tendo que provar que possuem uma relação estável. Nas relações de trabalho, o machismo e o racismo também se expressam, não por acaso a maior parte das funções mais precarizadas nas universidades, e também fora delas, são exercidas por mulheres negras, as terceirizadas que limpam o IFCH são um exemplo disso. Para nós, membros da chapa Terra em Transe, é fundamental que o movimento estudantil de conjunto e suas entidades, como os centros acadêmicos, impulsionem a auto-organização dos negros, das mulheres e dos GLBTT, além de tomarem toda a luta contra as opressões como sua. Nesse sentido, o CACH deve ser uma entidade militante contra o racismo, o machismo e a homofobia, levantando as bandeiras e as demandas desses setores, sendo um espaço permanente de expressão e luta contra as opressões. Clique aqui para o ver o programa completo da chapa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"O Movimento Estudantil não é apenas um flash mob. Viva os estudantes que lutaram ao lado dos trabalhadores contra a entrada da polícia na USP!"

Por Dinizete Xavier, trabalhadora da USP e militante do Pão e Rosas

Movimento estudantil não é apenas um flash mob. Movimento estudantil é a parcela mais consciente de estudantes que entendem que sempre que necessário lutar lutarão. A tal chapa dos anti-greve, a turma do flash mob que está concorrendo as eleições do DCE deu entrevista no Estadão dizendo que são contra a radicalização do movimento estudantil da USP. Mas a radicalização de que eles falam é contra os estudantes que lutaram e apoiaram a greve dos trabalhadores e que lutaram lado a lado dos trabalhadores contra a entrada da PM no Campus e pela readmissão de Brandão demitido por perseguições políticas.

Esse nome (Reconquista) é apelação para voltar o fascismo pelo menos dentro da USP, não dando o direito das pessoas se manifestarem ou serem ligados a partidos políticos. Dizem ser apartidários, porém se for pelo menos Tucanos, tudo bem. O que não pode é ser pró operário. Preferem ser independentes e autônomos em relação às reivindicações dos trabalhadores! É claro que sim, algum desses sabe o que é trabalhar para sobreviver? Sabe quanto custa ao menos um quilo de feijão? Sabem quantos meses cada trabalhador deixa de salário para o governo? Será que sabem quem sustenta a Universidade?

Talvez até saibam, porém o projeto é estudar para gerenciar a empresa do papai e usar a universidade para produzir pesquisas apenas para o lucro, e não para a maioria que mantém a Universidade. Viva os estudantes que lutaram ao lado dos trabalhadores na greve de 2000, contra o projeto lei que privatizava a Universidade, o deputado também tucano naquela época teve de recuar. Viva os estudantes que lutaram em 2005 contra o veto ao aumento das verbas para as universidades, vetada pelo governo também tucano. Viva a ocupação de 2007 que impediu que o decreto de Serra, também Tucano, acabasse com a autonomia Universitária e que o obrigou a recuar com a Univesp. Viva o movimento estudantil que lutou ao lado dos trabalhadores contra a entrada da PM no Campus.

São esses estudantes compromissados com a luta em defesa da universidade, contra as fundações privadas, contra a terceirização, por ensino gratuito de qualidade em defesa de salários e condições de trabalho que tem de estar na diretoria do DCE. Parabéns aos estudantes e funcionários conscientes que defendem a Universidade. Fora os fascistas do flash mob. Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas, as margens que o comprimem.

Agradecimento da Federação Anarquista Gaúcha à solidariedade do Pão e Rosas

(Rio Grande do Sul, 26/11/09) Estimadas companheiras e companheiros do Coletivo Pão e Rosas. Ficamos gratos com estas palavras e a atitude solidária. Nossa melhor forma de agradecer é seguir em frente lutando contra o Neoliberalismo no RS. Nesta peleia, sem abrir mão de posições e estratégia estamos junto a todas as forças vivas da esquerda gaúcha e do movimento popular do pago. Um forte abraço, da FAG www.vermelhoenegro.org/fag

terça-feira, 24 de novembro de 2009

As estudantes e trabalhadoras do Pão e Rosas Brasil gritam pelas mulheres eletricistas do México: Não aos ataques de Calderón!

(Brasil, 24/11/09) Nós, estudantes e trabalhadoras que construímos o grupo de mulheres Pão e Rosas Brasil mandamos toda a solidariedade às mulheres eletricistas que ontem iniciaram uma greve de fome. Acreditamos que o ataque de Calderón à empresa Luz e Fuerza e ao Sindicato Mexicano de Eletricistas é um brutal ataque que deve ser respondido pelo conjunto da classe trabalhadora e das mulheres latino-americanas. Nós, que sempre nos levantamos quando o imperialismo ou os governos entreguistas atacam nossas irmãs, queremos deixar marcado aqui nossa completa solidariedade às bravas lutadoras do SME. Estamos do lado de vocês nas reivindicações pela revogação do decreto de extinção da Luz e Fuerza, retorno ao trabalho dos 44 mil sindicalizados despedidos e respeito ao contrato coletivo de trabalho. Essa nota de apoio será lida pelas companheiras do Pan y Rosas México na Conferência de Imprensa que será dada pelas mulheres eletricistas em greve de fome nesta quarta-feira. Clique aqui para ler a nota no site da Liga de Trabajadores Socialistas - Contracorriente, organização que impulsiona, junto a independentes, o Pan y Rosas - México.

Leia também o comunicado de imprensa:

Mulheres eletricistas iniciam greve de fome. Carregando seus filhos pequenos nos ombros, as trabalhadoras do Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME), chegaram anteontem ao acampamento improvisado ao lado de fora do edifício da Comissão Federal de Eletricidade (CFE), localizado na avenida Reforma e Insurgentes, onde começaram uma greve de fome por tempo indefinido. São 11 mulheres eletricistas, que após as duas da tarde do dia 23 de novembro se instalaram em pequenas barracas, onde vão levar a cabo esta forma extrema de luta, e se manterão em plantão permanente. Disseram estar dispostas a chegar às últimas conseqüências para que o governo federal atenda suas demandas: revogação do decreto de extinção da empresa Luz y Fuerza, retorno ao trabalho dos 44 mil sindicalizados despedidos e respeito ao seu contrato coletivo de trabalho.

25 de novembro: Dia de Ação Contra a Violência às Mulheres! Organize um amplo e impactante 25 de novembro com o grupo de mulheres Pão e Rosas!

“Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem”

Por Pão e Rosas Letras USP

Esses versos de Brecht expressam a nossa visão sobre a polêmica que se estabeleceu no curso de Letras em relação ao ocorrido na noite de quinta-feira da semana passada. Em meio à apuração da votação para o Caell, um grupo de pessoas entoou um grito de “gostosa”. Se dirigiam a uma militante que estava na mesa da apuração. Queríamos então que os autores da atitude machista se retratassem. E o que ouvimos, já do lado de fora do prédio, foram mais provocações e frases machistas. Filmaram, se esconderam e se trancaram no espaço dos estudantes; exigimos que apagassem as imagens, lembrando de todas as vezes em que os antigreves(istas) na universidade se utilizaram de edições bem arquitetadas postadas no Youtube para criminalizar o movimento estudantil e de trabalhadores na USP nesse mesmo ano. Apagaram, e então abrimos um corredor para que fossem embora. Demoraram, mais enfim saíram ao som das mulheres que mostravam que não engoliriam mais as manifestações machistas de setores de direita no curso em relação a mulheres do movimento estudantil.

Isso tudo se deu em meio a um clima de provocações e polarização que os setores próximos à “chapa do Fusca” – que é uma chapa que em seu programa defende o sistema em que vivemos, sistema esse que oprime e explora a imensa maioria da humanidade, e ainda com mais intensidade as mulheres, negros e homossexuais – levaram adiante contra as chapas “Estado de Exceção”, que compúnhamos, “Uma Flor nasceu na rua”, “Para que Poetas” e “AJR”. O “gostosaaa!” foi mais uma forma desse setor tentar desmoralizar o movimento estudantil que tanto detestam.

A nossa resposta não foi só em relação ao “gostosa”, mas a todas as provocações daqueles que querem destruir o movimento estudantil da Letras, este mesmo que se une aos trabalhadores para lutar pela universidade pública. Eles se utilizaram da opressão secular que o sistema capitalista impõe às mulheres para desmoralizar-nos. Foi um exagero? Vejamos: na universidade não encontramos um mundo de igualdades, nem entre as pessoas de diferentes sexos, nem de diferentes cores, nem de diferentes extratos sociais; aqui acontece exatamente como lá fora. A estrutura da nossa universidade é uma das mais elitistas, machistas e racistas desse país. Nela, são poucos os negros que entram para estudar e muitos os que entram para limpar o chão e ganhar um salário de miséria, e boa parte destes são mulheres. Nela, vemos uma burocracia encastelada que exclui a comunidade universitária e a sociedade – que a sustenta – das suas decisões, e que coloca cada vez mais nossa produção para gerar lucro para alguns poucos da FIESP e cia. Nela, vemos o silêncio dessa mesma burocracia frente aos atos de violência sexual contra estudantes mulheres nas moradias, que saem impunes. Nela, vemos o silêncio e a condescendência em relação ao assédio moral e sexual a trabalhadoras (como pudemos ver no caso da gripe A em que as trabalhadoras grávidas, que eram grandes alvos, não foram dispensadas, sob ameaças de terem seus salários cortados). Nela, vemos a academia, com suas teses rebuscadas, reproduzindo e muitas vezes justificando o machismo, a opressão, a exploração. E nela é que vemos que os estudantes não são iguais: alguns se colocam em defesa DESTA universidade (explícita ou veladamente), e outros querem transformá-la.

Esta universidade de uma só classe, a dominante e exploradora, abre espaço para a reprodução de uma opressão machista também entre estudantes. E nesse caso, a divisão entre nós também a trouxe, e esta só poderia estar a favor da direita. É contra a atitude desses estudantes, que reiteram a opressão existente na universidade, que nos revoltamos. E é dessa forma que nós, movimento estudantil, precisamos lutar contra a opressão às mulheres e contra aqueles que querem afundar o movimento.

Agora, com Rodas nomeado reitor, não podemos deixar que esses setores cavem espaço entre os estudantes. Temos que dizer abertamente que os que propõem que o CA seja um mero distribuidor de riquezas “para mostrar que o capitalismo dá oportunidades a todos”, para tirar dos estudantes a sua ferramenta de luta, que são os CAs e DCE, estão do lado da reitoria que quer destruir o movimento estudantil e de trabalhadores. E sabemos que Rodas virá com pequenas concessões, por um lado, e com mão de ferro, por outro, para continuar a desenvolver aquele projeto de universidade. É como dissemos: “Fusca não anda sem Rodas!”. E na greve, onde estavam esses estudantes? Votaram contra a greve e em nenhum momento a construíram. E nas assembleias, aparecem? Se sim, somente na hora de votar contra greve e paralisação. Nos outros momentos não, pois não querem discutir dentro do movimento estudantil as suas posições ou fazer críticas para tornar o ME mais efetivo em sua luta.

Outra coisa que ninguém diz é que no meio do conflito e ao lado dos opressores estava o estudante da Letras que integra o CDIE, o mesmo grupo que chamou a polícia para reprimir o ME, que invadiu uma assembleia dos trabalhadores ameaçando Brandão e o Sintusp, que hoje levanta uma chapa para o DCE que institucionalize (por parte dos estudantes) a presença da PM no campus e que se diz abertamente antigreve. É esse tipo de estudante que Rodas quer: o que desarticule o ME e sua luta junto aos trabalhadores em prol de uma universidade democrática e pública.

Perante tudo isso, se coloca a necessidade de abrirmos um debate com a chapa eleita “Veredas”. Durante este ano diversos membros da gestão Olhos Livres e estudantes que compõem a nova gestão estiveram ao nosso lado para defender o Sintusp e combater os estudantes do flashmob (CDIE) que se organizaram contra a greve, dissolvendo o seu “ato”; estiveram ao nosso lado para lutar contra os professores fura-greves que intimidavam os alunos com provas e trabalhos; estiveram ao nosso lado para boicotar as eleições para reitor e impedir a entrada dos professores no CO. Quando os estudantes de direita, a mídia e a reitoria classificaram a luta dos trabalhadores e seus métodos legítimos de organização, como os piquetes e a greve, como violentos e intransigentes, a Olhos Livres/Veredas defendeu conosco o direito de lutarmos com intransigência em relação à direita e a burocracia acadêmica. Agora, em sua campanha, disseram que “o sertão aceita todos os nomes”. Foi um de seus apoiadores quem primeiro iniciou o coro machista. Em seguida, alguns integrantes da chapa se colocaram como protetores dos agressores, e agora cabe perguntar-lhes: são estes nomes os que aceitam?

Este é o primeiro momento em que a nova gestão terá de decidir que vereda irá trilhar: a das mulheres que se organizam contra a opressão – como uma luta que deve ser assimilada até o final pelo ME – ou a daqueles que as oprimem como uma “brincadeirinha”, com a intenção de desmoralizar o movimento. As divergências que temos dentro do ME devem ser debatidas politicamente, e não com os métodos da direita. Ou utilizam o mesmo argumento que os antigreves utilizaram contra a greve na USP, dizendo que somos truculentos e violentos ao nos organizarmos para lutar, ou se colocam claramente em defesa da luta contra a opressão, dizendo junto conosco que a organização e a luta dos oprimidos é justa e legítima, e injustos são os que oprimem e querem se safar como se nada houvesse acontecido; e com esses não há como abrir diálogo. Esperamos que os companheiros da Veredas revejam a atitude de alguns de seus integrantes e se coloquem, mais uma vez, ao nosso lado nesta luta.

Assim esperamos que se coloquem também os companheiros das chapas “Para que poetas?” e “AJR”, que se colocam como combativos e que agora tem mais uma chance concreta de mostrarem se estão dispostos a construir isto na prática, ou se sua combatividade serão palavras ao vento. Não estavam lá; mas esperamos que travem essa luta junto a nós.

Reivindicamos o ato que fizemos junto aos companheiros da chapa “Uma flor nasceu na rua!” como um exemplo, portanto, de luta contra o machismo e contra os estudantes de direita no curso. É preciso ver que medidas incisivas devem ser tomadas frente a violências contra as mulheres que se reproduzem na universidade, e que fora dela tomam proporções enormes. Não podemos nos esquecer que no Brasil mais de 90% dos casos de maridos que matam e LINCHAM suas mulheres saem impunes. Dizemos em alto e bom som: Queremos que a USP seja o exemplo de uma nova tradição no movimento estudantil nessa luta!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

No Haiti, nos morros e favelas, nos locais de trabalho, no campo, nas universidades, em nossas casas...

Basta
de violência contra as mulheres!

Chegamos ao mês da consciência negra num contexto de recrudescimento da violência policial e racista que sofrem as mulheres e o povo negro nas periferias e favelas do Brasil. Por isso, o 20 de novembro tem que ser um dia de denúncia e combate às atrocidades contra o povo negro, apesar de todos os discursos de que o racismo é coisa do passado. A presidenciável Dilma Roussef, declarou que o crime organizado cresceu nas favelas pela falta de intervenção do Estado, propondo a “disputa do bem”, que significa reforço e investimento da polícia nos morros, com controle militar sobre o cotidiano dos moradores e constantes humilhações à comunidade negra e pobre.

Obama, primeiro presidente negro dos EUA, desde sua candidatura fortaleceu um discurso a favor dos negros, mulheres e imigrantes, mas rapidamente prova que veio para aprofundar a política imperialista e não irá parar com a violência contra as mulheres dos povos oprimidos. Assim que assumiu a presidência, sua política foi de injetar bilhões de dólares no sistema financeiro para salvar os capitalistas da crise. Mantém suas tropas no Iraque, Paquistão e Afeganistão (e ainda assim ganhou o Nobel da Paz!) justificando ser a verdadeira “guerra contra o terrorismo”. Foi conivente com o golpe de estado em Honduras, que teve uma brava mostra das feministas em resistência, junto ao povo hondurenho se mobilizando contra o golpe. E no último dia 13/10 aprovou no Conselho de Segurança da ONU a manutenção das tropas no Haiti, dirigida pelas tropas brasileiras do governo Lula que quer “mostrar serviço” para o imperialismo e hipocritamente faz seu discurso humanitário, mas que significa para as mulheres, crianças e todo o povo haitiano, nada menos do que mais violência, estupros, assassinatos e repressão às mobilizações populares. Contra a violência às mulheres e crianças haitianas, gritamos: Somos as negras do Haiti! Fora as tropas da ONU!

No Brasil, vemos pela TV Lula se vangloriar que foi o primeiro país a sair da crise, mas esconde que a saída só valeu para os capitalistas que se beneficiaram com a injeção de 360 bilhões de reais, enquanto os trabalhadores e o povo brasileiro pagam os prejuízos. No campo, enquanto o MST é criminalizado, os capitalistas do agro-negócio ganham milhões com ajuda do governo. A Síntese de Indicadores Sociais, recente pesquisa publicada pelo IBGE, demonstra que o crescimento do país beneficiou apenas os grandes capitalistas, mas a miséria, a fome, a baixa escolaridade, a falta de um sistema de saúde digno se mantém para a maioria da população.

As mulheres, apesar de terem mais anos de escolaridade que os homens, continuam recebendo salários menores. A maioria das crianças continua em situação de pobreza. O povo negro continua tendo menor escolaridade que os brancos, recebendo menores salários, e se tratando das mulheres negras a situação é pior ainda, são as que ocupam os postos de trabalhos mais precarizados e sofrem cotidianamente com a violência policial nas favelas, vendo seus filhos serem mortos, além de serem estupradas pela polícia em suas operações facínoras nos morros. O governo está comemorando a vitória do Brasil para sediar as Olimpíadas em 2016 no Rio de Janeiro, mas isso significa maior repressão ao povo pobre das favelas, para afirmar a imagem do país receptivo fazendo a “segurança” dos turistas. Terá o aumento da prostituição infantil, do turismo sexual e da exploração das mulheres negras mercantilizando seus corpos com o slogan das “mulatas do carnaval”. Violência e repressão que será exercida também sobre mulheres e povo sul africano, com a Copa 2010 na África do Sul.

Diante do respiro econômico que se liga a uma maior precarização do trabalho, recentemente diversas categorias se mobilizaram e enfrentaram a patronal, o governo e a burocracia sindical em importantes greves. Correios, metalúrgicos, professores, garis, bancários, INSS, só para enumerar alguns... Ainda que muitas destas greves tenham sido por reivindicações de melhorias de salários e condições de trabalho, esta é a prova de que a classe trabalhadora mobilizada e disposta a lutar, é capaz de derrubar os diários ataques de que são vítimas. O grande exemplo de luta foi a greve impulsionada pelos trabalhadores e trabalhadoras da USP, que vêm travando uma importante batalha junto aos estudantes e professores, e têm sido vítimas da intensa repressão por parte do governador Serra, a reitora Suely Villela e a polícia: todos representando os interesses burgueses e agora com seu mais novo representante, o novo reitor Grandino Rodas. Esses lutadores, como os trabalhadores do MST, que além de brutalmente assassinados são massacrados pelo governo de Yeda Crusius e difamados pela mídia burguesa, são ainda chamados de vândalos pelo presidente, deixando claro seu forte atrelamento com os latifundiários e políticos envolvidos em assassinatos de trabalhadores rurais sem terra. Recentemente, o governo Yeda mandou invadir a sede da FAG (Federação Anarquista Gaúcha) como mais uma demonstração de repressão por parte do Estado contra a mobilização dos movimentos populares e da classe trabalhadora. Basta! Diante disso gritamos: Abaixo a repressão! Por uma ampla campanha nacional contra a repressão aos movimentos sociais, sindicais e camponeses e contra a repressão policial aos negros e pobres nas favelas e periferias!

A caminho do dia 25 de novembro, dia internacional de combate à violência contra a mulher, nos deparamos com barbáries sustentadas, legitimadas e potencializadas pela exploração capitalista. São estupros, espancamentos, assassinatos, exploração sexual e tráfico de mulheres e meninas. Mulheres imigrantes vindas da Bolívia são vítimas da exploração das indústrias têxteis. Além de violência física e sexual, a precarização e superexploração do trabalho feminino também são uma forma de violência contra as mulheres, assim como o assédio moral nos locais de trabalho. O Estado e a Igreja nos privam de decidirmos sobre nossos próprios corpos, enquanto o aborto clandestino tem como conseqüência a morte de milhares de mulheres. E o direito à maternidade plena segue sendo negado com um sistema de saúde público precário, pressões dos patrões para que as mulheres não engravidem, entre outros fatores. E o que faremos agora com o acordo entre Lula e o Vaticano, que somente dá mais privilégios à Igreja? A mesma Igreja que se impõe sobre a vida das mulheres que morrem por conseqüências de abortos clandestinos, também se impõe sobre a vida de milhões de pessoas quando condena o uso de camisinhas que além de prevenir gravidez indesejada, previne várias DST’s, quando nos aproximamos do Dia Internacional de luta contra a AIDS, 01 de dezembro.

E nesse mesmo Brasil, o país onde a burguesia brasileira nos oferece uma demagógica “emancipação” através de uma suposta “liberdade sexual” e da exposição de nossos corpos, casos como o da estudante Geisy, ao ser ameaçada de estupro e agredida pelos estudantes da UNIBAN por usar um vestido curto na universidade, é produto de uma moral burguesa que mercantiliza o corpo da mulher, para controlá-lo. Mas é também produto de uma sociedade dividida em classes, onde o poder de uma instituição de ensino como a UNIBAN está nas mãos de uma cúpula de diretores onde os estudantes e funcionários não têm voz. Tanto é que a resposta da UNIBAN foi a expulsão da jovem, com um recuo rápido, quando distintos setores da sociedade se pronunciaram diante de tamanho reacionarismo. É preciso lutar pela punição e destituição da direção desta universidade, assim como pela estatização e por uma estrutura de poder democrática como única saída real para que a comunidade universitária tome para si os destinos da universidade. Enquanto isso não acontecer, novas Geisys surgirão, talvez de forma mais dissimulada, latente, escondida, mas sempre como forma de perpetuação dessa opressão milenar que sofremos. As estudantes vítimas de assédio sexual nas moradias estudantis devem se unir às estudantes das universidades privadas numa luta contra a opressão às mulheres, mas entendendo que se trata de uma luta maior contra esse sistema de ensino excludente, machista e racista, e conseqüentemente, contra toda esse sistema capitalista.

A violência contra a mulher não é uma questão individual ou privada. A violência está diretamente ligada à opressão histórica da mulher que se inicia junto com o surgimento da propriedade privada. Nos dias de hoje, o capitalismo se beneficia super-explorando as mulheres, dividindo a classe trabalhadora e lucrando de maneira exorbitante, além de legitimar e justificar a violência contra as mulheres. Por isso dizemos que nossa luta não é apenas contra o machismo, e sim contra esta sociedade de opressão e exploração chamada capitalismo. E por mais que haja leis em defesa das mulheres, esbarram numa grande contradição: essas leis são feitas pelo mesmo Estado que garante manutenção dos órgãos de repressão e da propriedade privada, o mesmo Estado que reprime e mata.

Mulheres, é necessário que acreditemos em nossas próprias forças. É por isso que neste mês de novembro queremos organizar um amplo e impactante dia contra a violência às mulheres que seja combativo, contra o governo, classista e anti-capitalista. Também por tudo isso, estamos lançando a campanha pela retirada das tropas “Somos as negras do Haiti” e estamos participando de eleições estudantis na PUC-SP, na USP, na Unicamp e na Unesp, colocando toda essa luta como parte das chapas que impulsionamos. Também com esse espírito estivemos no Congresso Estatutário do SINTUSP, onde aprovamos a organização anual de um Encontro de Mulheres Trabalhadoras. Queremos que você, mulher trabalhadora, efetiva ou terceirizada, estudante, camponesa, dona de casa, desempregada, junte-se a nós nessa luta para gritar: Seja no Haiti, nos morros e favelas, em nossos locais de trabalho, no campo, nas universidades, em nossas casas: Basta de violência contra as mulheres!
...e que as mulheres do Haiti escutem nossas vozes!

O jornal do Pão e Rosas tem um espaço que é seu!

Abrimos as páginas do nosso jornal para as mulheres trabalhadoras em luta, para aquelas que sofrem assédio moral em seus locais de trabalho, para as estudantes, para as mulheres desempregadas e donas de casa... para todas que são oprimidas e exploradas e querem fazer escutar as suas vozes na luta contra esse sistema capitalista! Mande seu depoimento, texto, comentário, denúncia, relato, entrevista, poema para o email paoerosasbr@gmail.com


“A bala dos fuzis têm invadido nossas casas”

A violência policial vivida pela população e sofrida mais intensamente por moradores dos morros e favelas não tem limites! A bala dos fuzis têm invadido nossas casas e levado nossos amigos e familiares. Soldados da polícia com suas imundas botinas têm invadido as casas de moradores das favelas cariocas para roubar, matar e abusar das filhas e trabalhadoras.

No mês de setembro foi noticiado nos principais jornais o que a mídia hegemônica citou como “suposta violência sexual” de uma jovem no morro da Mangueira. A noticia no site G1 da Globo tem título “ Moradora da Mangueira acusa policial do BOPE de estupro” dando margem a manchete para uma invenção da menina. Toda a reportagem faz referência à moça como suposta vítima, levando sempre o leitor a indagar sobre a acusação. E muitos da população, comentários de fóruns nos jornais, insinuam que a moça era mulher de traficante, como se um fato justificasse o outro. Mesma postura quando algum morador de favela é assassinado por “bala perdida”, sempre a pergunta/justificativa é “ele era bandido?”. Porque se as respostas são afirmativas a população a favor da morte tem um argumento para o policial de “dever cumprido”.

Apresentada a introdução sobre o abuso sexual dessa moça, pensei antes de começar a escrever tal artigo na quantidade de violências que a mulher na sociedade sofre, moças namoradas de traficantes que são espancadas, ou quando com 13 ou 14 anos citadas nas letras de funk carioca como “novinhas” vendem seus corpos para homens muito mais velhos para sobreviverem. Independente do que diz a reportagem da moça ser ou não namorada de um traficante, que provavelmente já devia sofrer agressões, e a policia que além de invadir e violentar, já existe um ESTADO que a violenta em seus direitos de mulher e cidadã da falta de hospitais de qualidade, escola, lazer e todo conjunto de deveres que tem o ESTADO que só abastece o caveirão.

L. estudante de Ciências Sociais que reside numa comunidade no Rio de Janeiro


“Não vou esperar a massa do pão crescer e nem o jardineiro colher as flores”

Quando recebi o convite para escrever para o jornal, fiquei muito surpresa, pois hoje em dia é quase que impossível achar espaços disponíveis para secundaristas assim como eu, onde possamos expressar nossos pensamentos e ideais.

Talvez não exista um fator responsável por isso. Nós secundáristas talvez estejamos fechando os olhos para a realidade e deixando assim que outros decidam nosso futuro.

Em meados de agosto, a chapa da qual faço parte foi eleita com 98% de aprovação dos alunos. Esta aceitação nos tornou mais conscientes da realidade demonstrando assim a expectativa e a ânsia dos mesmos em ter um órgão representativo,que supra suas necessidades dentro da escola.

Algo perceptível desde o inicio da formação da chapa foi o sexismo junto com o machismo impregnado em alguns integrantes. Via-se de forma clara a exclusão de nós mulheres. Os homens sempre querendo ter voz ativa, assim ofuscando a voz feminina, tirando-nos assim uma das poucas situações em que pudéssemos nos sentir livres pra nos expressar, sem a presença da opressão que vivenciamos em nosso cotidiano ocasionado pelo machismo, ali sempre presente.

Em meio a tudo isso, fiquei espantada em perceber em como um órgão, cujo objetivo é o de tentar acabar com o preconceito, machismo e sexismo dentro do nosso meio escolar, que ainda esteja encarcerado essas práticas.

Por desprezar essas atitudes não pude me abster de cumprir meu dever em declarar que a mulher também tem poder. Assim criando a coordernadoria de opressões, até então nunca mencionada em reuniões. Logo de início houve a repulsa de alguns integrantes do grêmio e o julgamento pré- concebido de ser desnecessária a abertura para uma nova coordenadoria, mesmo tendo esta devida importância. Após várias tentativas os mesmos que se colocavam contra, baixaram a guarda dando abertura para poder começar a prática de um projeto de conscientização feminina com o preceito a valorização da mulher.

Até o presente momento nesta coordenadoria a única integrante sou eu, sendo que na sua maioria o grêmio é formado por mulheres.Na minha opinião o principal causador deste número lamentável é a falta de espaços parar divulgar os projetos e o moralismo aliado ao machismo presentes nas decisões dos(as) integrantes do grêmio, resultando assim na votação de todos os projetos apresentados por mim,sem alegações de motivos concretos.

Mais decidi: - Sou a voz que não irá se calar.

No meu mundo não vou esperar a massa do pão crescer e nem o jardineiro colher as flores.Vou ceifar o trigo, preparar a massa, para só depois colher as rosas e sentir o seu perfume.

Ana Caroline, estudante secundarista da ETE Albert Einstein, São Paulo

Trabalhadoras, vamos juntas lutar contra a dupla jornada!

Sheila Diaféria, militante do Pão e Rosas e servidora do Judiciário Paulista


Olho o relógio e dou um suspiro de alívio. 19 horas, enfim acaba mais um dia de trabalho. Bato o ponto e dirijo-me para a rua com uma sensação boa de ter cumprido minha jornada de trabalho. Durante o percurso até o ponto começam a surgir em minha cabeça as tarefas que me aguardavam em meu lar:
“Preciso preparar o jantar, lavar a louça, colocar a roupa para lavar, verificar o banheiro, recolher o lixo, os brinquedos e tudo o mais que estiver espalhado pelo caminho, conversar com minha neta, saber do seu dia e isto inclui neste curto espaço de tempo brincar um pouco também. Minha filha também cobra sua cota de atenção, quer conversar, contar o seu dia, seus problemas, pois sente necessidade de conversar com um adulto”.

Ao lembrar disso tudo tento criar forças e ânimo, pois são tarefas que não posso deixar para o dia seguinte. E assim, a noite se torna longa.

A classe trabalhadora feminina com toda certeza compreende o que estou falando.

Este trabalho “invisível”, feito majoritariamente pelas mulheres, permite que milhões de assalariadas e assalariados se levantem todos os dias para ir a seu trabalho. Mas a outra parte deste trabalho necessário, o que se realiza gratuitamente entre as quatro paredes da casa – ou seja, no mundo destinado exclusivamente à reprodução da força de trabalho – ninguém percebe.

Em todas as sociedades divididas em classes existem três processos para a reprodução da força de trabalho: em primeiro lugar, certas atividades diárias para re-estabelecer a energia dos produtores como descrito nas primeiras linhas permitindo-lhes voltar a trabalhar; em segundo lugar, a responsabilidade em cuidar dos membros inativos (no sentido capitalista de “não produtivo”) das classes exploradas – crianças, idosos, doentes, desempregados – que cabe exclusivamente às “donas de casa” consideradas também improdutivas; em terceiro, os processos de “substituição” que renovam a força de trabalho, substituindo os membros das classes exploradas que morrerem ou não puderem trabalhar por novas gerações (gerar filhos).

Por tudo que foi explicado até agora, precisamos ter como meta nos reunir para trocar idéias sobre as nossas vidas e sobre tudo o que nos oprime. Ter clareza do que acontece no nosso país e no mundo como um todo, politicamente, socialmente, as tragédias do mundo e procurar explicações para tudo o que acontece. Com isso, veremos que a opressão da mulher foi construída historicamente a partir do estabelecimento da propriedade privada e que nossa luta contra a opressão passa pelo combate ao capitalismo – a burguesia, os governos, o Estado e todas as suas instituições. Com essa perspectiva, lutamos pelas nossas demandas. Pela efetivação das/os terceirizadas com salário e direitos iguais, pelo salário mínimo do DIEESSE para conseguir sustentar nossas famílias, por lavanderias e restaurantes comunitários, por creches e escolas 24 horas.

- A auto-organização para debater nossas dificuldades perante esta sociedade machista e capitalista;

- Unificação das fileiras de trabalhadoras terceirizadas com as trabalhadoras efetivas com salário e direitos iguais. Pelo fim das diferenças salariais entre homens e mulheres.

- Salário mínimo necessário para uma família (conforme cálculos do Dieese);

- Creche-escola 24horas (não apenas para trabalhar, mas para podermos ter uma vida social, cultural, política);

- A decisão de ter ou não filhos depende unicamente da mulher, por isso o direito ao aborto é um direito à vida. Não é certo que só as mulheres com dinheiro possam ter direito a esta escolha, porque têm condições de pagar por uma clínica cara e boa.

- Lavanderias e restaurantes comunitários para que não percamos horas com essas tarefas e tenhamos tempo para nos relacionar com nossas famílias, nossos companheiros e podermos estudar e nos reunir para debater nossos interesses.

Faço um chamado às mulheres que desejam mudar de fato esta sociedade elitista e racista a se reunir no grupo Pão e Rosas para que juntas possamos encontrar saídas para a exploração e opressão que sofremos nesta sociedade capitalista.

Falam as sapateiras de Franca...

Publicamos abaixo os depoimentos de Débora e Claudinha, integrantes do Pão e Rosas – Franca:

Quando falamos em Franca, logo pensamos: ”Capital Mundial do Calçado”, mas não sabemos o que vem por trás desse titulo. Uma realidade dura pra todos trabalhadores e trabalhadoras que somos explorados diariamente pra construir o império de nossos patrões. Trabalhamos em um ambiente sujo, sob forte calor, com uma carga horária intensa, com barulho quase que insuportável e em condições desumanas.

E a situação se agrava ainda mais para as mulheres. Nós, sapateiras, somos desvalorizadas – a maioria ganha um salário mínimo – trabalhamos em quantidade desproporcional ao que recebemos. Muitas de nós exercemos funções iguais de homens e nem por isso ganhamos o mesmo. E ainda enfrentamos dupla jornada, sim porque as que não são estudantes são em grande maioria mães de família que, além de trabalharem fora, ainda cuidam da casa, dos filhos, do marido, etc.

Quando abordamos a problemática da exploração feminina, das sapateiras, por exemplo, não tratamos de uma guerra de sexos nem de transformar a sociedade em matriarcal, com um feminismo sem nexo. Trata-se apenas de uma luta por melhores condições de trabalho, para nós, de valorização da mulher, de construção de um local de trabalho que não exija de nós a exaustão, que nos permita trabalhar, estudar, cuidar da família, sem esgotar nossas forças, e principalmente, que nos permita sermos MULHERES.
Mulheres que se amam, que se gostam, se valorizam, que gostem de si.
Para que ser sapateira, um dia, possa ser orgulho, não uma decepção.

Débora, sapateira e estudante de História

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Tenho dezenove anos, curso Serviço Social pela UNESP e trabalho há dois anos numa empresa de calçados. Há pouco tempo faço parte do grupo Pão e Rosas – Franca, que atua unificando estudantes e trabalhadoras, por exemplo, trazendo à universidade discussões sobre a realidade das sapateiras.

Acredito que iniciativas como essa são de fundamental importância, uma vez que, como tenho presenciado no meu dia-a-dia, minhas colegas de trabalho não se dão conta da dupla, ou até mesma tripla exploração à que são submetidas. Mulheres estas, que não apresentam nenhuma perspectiva de independência, e que em muitos casos, já se conformaram com a realidade em que estão inseridas.

Sei que não vai ser uma tarefa fácil, visto que, pela necessidade do emprego e medo de perdê-lo, muitos se negam a reivindicar seus direitos, e lutar por melhores condições de trabalho. Mas o que eu tenho aprendido com o grupo, é que não devemos desistir dessas trabalhadoras, planejando os meios corretos para chegarmos a elas, e fazer um processo de conscientização, não só dessas mulheres trabalhadoras, mas dos trabalhadores como um todo.

Então, tendo consciência da exploração sofrida, e de que a união e a organização entre eles são indispensáveis para lutar contra tais injustiças, os trabalhadores lutarão por si só, transformando esse projeto do grupo junto às sapateiras, apenas no primeiro passo rumo à vitória da classe trabalhadora.
Claudinha – sapateira e estudante de Serviço Social

Pão e Rosas no Congresso de Trabalhadores da USP

"Congresso do SINTUSP avança no classismo, na democracia operária e aprova organização de Encontro Anual de Mulheres Trabalhadoras da USP"

Após 57 dias de greve na luta em defesa de nosso sindicato, e agora na campanha que fazemos contra a repressão aos lutadores e lutadoras e pela democratização real da universidade, nós trabalhadores e trabalhadoras da USP realizamos nosso V Congresso Estatutário, que foi um momento de importantes discussões políticas sobre essa fundamental ferramenta dos trabalhadores que tanto vem sendo atacada pela Reitoria e pelo governo - o que tende a piorar com a "eleição-indicação" de Grandino Rodas para reitor. Somente um sindicato que prime pela independência política do Estado, dos governos e dos patrões, ao mesmo tempo em que se utilize do princípio da democracia operária, baseado nas assembléias das categorias, na rotatividade dos dirigentes sindicais e na organização pela base, poderá ser uma ferramenta a altura dos desafios e enfrentamentos que teremos pela frente. Para as mulheres trabalhadoras significou um grande avanço, porque o classismo aplicado no dia a dia é o que pode permitir que avancemos na luta pelos nossos direitos, lutando contra a dupla jornada e contra qualquer forma de violência às mulheres, e que nesse Congresso demos um primeiro passo, com a aprovação por aclamação de uma Secretaria de Mulheres que organize, entre outras atividades, um Encontro Anual das Mulheres Trabalhadoras da USP aberta a todas as categorias.

Diana Assunção, dirigente da LER-QI, integrante do Pão e Rosas e trabalhadora da Faculdade de Educação da USP