domingo, 19 de dezembro de 2010

México: Chamado urgente diante do assassinato da companheira Marisela Escobedo Ortiz

CAMPANHA NACIONAL CONTRA O FEMINICÍDIO:
NENHUMA MORTA MAIS!

Por Pan y Rosas - México

Ativista incansável na lita contra os feminicídios e pela punição do homicida de sua filha Rubí Marisol Frayre Escobedo, vítima de seu parceiro na Ciudad Juárez em 29 de agosto de 2008.

O caso de Marisol, deixa completa indignação diante da impunidade dos feminicidios ignorados pelo governo e a morte de ativistas no marco da guerra contra as drogas e a militarização.

Rubi Frayre tinha 16 anos quando foi assassinada por Sergio Rafael Barraza Bocanegra e seu corpo foi encontrado numa fazendo de porcos, uma parte queimado e outra carcomido por cães. Sergio Barraza continua foragido e foi condenado à revelia a 50 anos de prisão, deveria ser preso em julho de 2009, graças a informação dada por Marisela sobre seu paradeiro. Marisela pedia pena máxima de 60 anos de prisão.

Permaneceu preso por homicído grave até abril de 2010 quando foi absolvido num julgamento oral aplicado pelo Estado, apesar de ser um assassino confesso e ter conduzido a polícia até o corpo de Rubí! O Tribunal considerou que a investigação carecia de evidências.

Diante desta injustiça, Marisela, uma enfermeira aposentada, que deixou sua vida de lado para lutar por justiça para sua filha e recolher provas que permitiram a condenação, redobrou os protestos realizados anos atrás, incansável marchou, realizou foros, palestras, fez investigações, organizou-se com mães de outras jovens assassinadas no estado, fez caravanas para a Ciudad de México exigindo a Calderón justiça e fim da impunidade dos feminicidios.

Sem dúvida, em mais um ato de impunidade, na noite de ontem Marisela foi assassinada em frente ao Palácio do Governo, por um homem que disparou com uma arma de fogo em sua cabeça, no acampamento que mantinha para exigir a prisão de Sergio Barraza. “Não sairei daqui até que prendam o assassino de minha filha” foi o que disse ao montar seu pequeno acampamento, onde estava disposta a passar o fim do ano, onde recentemente denunciara os feminicidios no estado, 300 vítimas somente em 2010.

O assassinato de Marisela Escobedo rapidamente se transformou em noticia internacional e a ONU emitiu um comunicado onde condena seu assassinato e a falta de proteção no México aos ativistas sociais. Diante desse escândalo o governador do PRI (Partido Revolucionário Institucional), recém eleito, Cesar Duarte, responsabiliza Rafael Barraza e solicita ao poder judiciário do estado o afastamento dos três juízes envolvidos na liberação do assassino, que lhes retirem os diplomas (fuero), para poder responsabilizá-los pela liberação do assassino e iniciou as investigações sobre a morte de Marisela.

A organização Nossas Filhas de Regresso à Casa, se pronunciou pela punição aos responsáveis e anunciou que não cessarão sua luta contra os assassinatos de mulheres em todo o país.

Como Pan y Rosas nos solidarizamos com as companheiras e, também, com todas as ativistas, feministas e lutadoras por justiça do estado. Exigimos a proteção para todas elas.

Exigimos julgamento e punição para os assassinos de Marisela Escobedo e a prisão imediata e definitiva de Rafael Barraza.

Basta de feminicidios em todo o país. Basta de impunidade!

Fim da militarização do país!

Propomos a todas as organizações de mulheres do país, feministas, ativistas e organizações de direitos humanos, implementar uma campanha nacional contra os feminicidios e reunirmos para discutir ações contra a impunidade.

AGRUPAÇÃO DE MULHERES PAN Y ROSAS
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sábado, 18 de dezembro de 2010

MAIS UM ANO DE LUTA SE PASSA!

 Secretaria de Mulheres do Sintusp
Gestão Sempre na Luta! Piqueteiros e Lutadores - 2008/2010
Boletim Dezembro/2010

Foram muitas batalhas que as mulheres tiveram de travar juntamente com outros trabalhadores em resposta aos ataques dos governos. As mulheres como sempre são as mais oprimidas e atacadas em se tratando da luta de classes. Exemplo ocorreu no acampamento indígena revolucionário, quando a polícia do governo Lula atacou os indígenas , arrastando as mulheres para fora das barracas, muitas seminuas, espirrando gás pimenta nos olhos das meninas, espancando uma mulher grávida que inclusive sofreu aborto, machucando bebês e suas mães. Essas mulheres indígenas lutaram bravamente ao lado dos homens que estavam defendendo a manutenção de seu povo contra a extinção da FUNAI. Bravas guerreiras travaram luta no congresso nacional contra a política de destruição de seus povos.

As mulheres uspianas lutaram bravamente junto com os outros trabalhadores contra a quebra da isonomia salarial feita por Rodas. Mulheres cruspianas ocuparam o bloco G do CRUSP ao lado de outros estudantes exigindo moradia estudantil, e estão até hoje lutando bravamente, contra os processos que o reitor Rodas está fazendo na tentativa de expulsá-las(os). Mulheres na USP e no Fórum Popular de Saúde estão lutando bravamente contra a privatização da saúde e por saúde de qualidade na USP.

Mulheres como Patrícia, lutadora, está sendo punida por Rodas sendo suspensa por trinta dias, fruto de um processo forjado por sua chefia imediata e a CJ. Mulheres como a coordenadora do núcleo de consciência negra que luta pela manutenção da entidade, que Rodas quer destruir. Mulheres como Neli, Solange e Rosana que por lutarem estão sofrendo sindicâncias. Em meio a essas batalhas e ataques foi lançada a Secretaria de Mulheres do Sintusp. E realizado o 1º Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP cujas resoluções publicamos no verso deste boletim.

Houve uma onda reacionária de violência contra negros(as), nordestinos(as), homossexuais. E contra mulheres gordas, quando estudantes da UNESP lançaram o absurdo “Rodeio das Gordas” oprimindo as estudantes tentando montá-las. Houve muita violência às mulheres com espancamentos e mortes. Mulheres mortas por abortos clandestinos. E a Secretaria de Mulheres esteve nos atos contra tudo isso e em defesa da legalização do aborto para que mulheres não morram.

Muita força e muita garra para lutar nesse ano que vai entrar.
A LUTA CONTINUA!
COMPANHEIRA SELMA PRESENTE!
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RESOLUÇÕES DO 1º ENCONTRO DE MULHERES TRABALHADORAS DA USP


Seguem as resoluções do 1º Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP, ocorrido em 24 de setembro de 2010, no Clube dos Funcionários da USP.

- Algumas resoluções já aprovadas em assembléias, Congressos das funcionárias (os) da USP foram reafirmadas, como a efetivação de todas e todos trabalhadores terceirizados, temporários e fundacionais, sem necessidade de concurso público, com os mesmos salários e direitos.

- Que as trabalhadoras terceirizadas se organizem no Sindicato junto à Secretaria de Mulheres. Creche, bandejão e CEPEUSP para todos!

- Mais creches na USP! Construção da Creche Sudoeste (ICB, Fofito, HU, Odontologia) e construção de creches em todos os campi que ainda não têm! Ampliação de vagas e contratação de funcionários não precários! Implementação do projeto que altera a nomenclatura dos Técnicos de Apoio Educativos reconhecendo-os como professores e professoras de Ensino Infantil, conforme acordo no final da greve de 2009.

- Mais vagas na Escola de Aplicação, e distribuição de merenda escolar para todas as crianças!

- Abaixo o assédio moral aos trabalhadores, em especial às mulheres e abaixo qualquer tipo de perseguição às trabalhadoras grávidas e mulheres que amamentam, como ocorreu com Alessandra ex funcionária do HU e não suportando o assedio moral pediu demissão. Construir uma grande campanha contra o assédio moral na Universidade de São Paulo!

- Direito às mães acompanharem seus filhos menores que estiverem de licença médica, sem perda da remuneração! Licença-maternidade de 1 ano!

- Aplicação da lei que prevê a lavagem dos uniformes das trabalhadoras (es) das áreas insalubres como Hospitais, laboratórios químicos etc. Criação de lavanderias para auxílio no combate a dupla jornada das mulheres!

- Prioridade nos exames periódicos para as mulheres que estão na pré e pós menopausa. Facilidade de agendamento para ginecologista, sem necessidade de aguardar apenas uma vez ao mês para isso, contratação de mais ginecologistas para vagas constantes. Retorno dos exames periódicos e prioridade aos setores insalubres onde a maioria são mulheres, e todos e todas correm risco maior de saúde.

- Basta de super-exploração nos Restaurantes da COSEAS! A maioria são mulheres, e por fazerem esforços físicos e repetitivos e também pelas péssimas condições de trabalho estão adoecidas com LER/DORT. Readaptação imediata as adoecidas, e melhoria das condições de trabalho bem como contratação imediata de mais funcionários(as) para distribuição de tarefas de forma que não afete a saúde de quem ainda não adoeceu. Contratação de funcionários não precários para acabar com as enormes filas! Ampliação dos restaurantes e refeição 100% gratuita (almoço e janta!).

- Que a Secretaria de Mulheres junto ao sindicato leve adiante a luta internacional contra a violência às mulheres e toda forma de opressão!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mais de 1000 pessoas participam do I Festival Interunesp Contra as Opressões numa grande resposta ao “rodeio das gordas” e à política repressiva da reitoria

por DCE Unesp-Fatec

A construção do festival foi marcada por uma ampla campanha, que envolveu o apoio de diversos setores (veja no BLOG DO DCE), além de várias manifestações políticas e culturais.

Mesmo com o esforço da reitoria da UNESP para impedir que acontecesse, realizou-se com grande êxito nos dias 03 e 04 de dezembro no campus da UNESP de Marília o “I Festival Inter UNESP Contra as Opressões”. Até mesmo a grande imprensa noticiou a truculência da reitoria, como a Folha de São Paulo e o Portal IG. Nem a proibição e a ameaça de punição por parte da reitoria, nem a falta de recursos, nem a pressão do final do semestre para “deixar para o ano que vem”, nem a chiadeira dos setores mais conservadores da universidade foram capazes de barrar a indignação e o espírito combativo dos estudantes da UNESP frente ao repulsivo “rodeio das gordas” e a escalada dos casos de homofobia e racismo dentro e fora das universidades. Não nos conformamos com a universidade opressora, preconceituosa e elitista que temos hoje. Ao senhor Herman, reitor da Unesp, dizemos: o “I Festival InterUnesp Contra as Opressões” é expressão da primeira batalha do movimento estudantil combativo da Unesp, na guerra contra as opressões. Batalharemos para que seja o primeiro de muitos. Somos por uma universidade acessível a toda população e que coloque seu conhecimento a serviço do fim das opressões e explorações, inclusive em sua estrutura e ambiente.

Além dos estudantes do próprio campus de Marília, participaram outros dos campus de Rio Preto, Araraquara, Ourinhos, Botucatu, Franca, Assis, Rio Claro, além de estudantes da USP, com uma destacada delegação de estudantes do CRUSP que estão por moradia, contra a expulsão dos estudantes que Rodas está ameaçando e denunciando a omissão de socorro da reitoria ao estudante Samuel de Souza que morreu na universidade. Também vieram estudantes da UNICAMP e da Fundação Sto André, onde o Diretório Acadêmico (DAFafil) e alguns estudantes estão sendo punidos por lutarem pela redução das enormes mensalidades e em defesa dos que não possuem condições de pagá-las. Estiveram presentes também uma delegação da Chapa 1 do Sintusp, que venceu as eleições desse combativo e aliado Sindicato com 76% dos votos. Como a direção da faculdade não liberou o espaço das salas de aula para as pessoas se alojarem, barracas foram montadas nos gramados. Estudantes e jovens da cidade de Marília, que em sua imensa maioria são impossibilitados de estudarem na UNESP como reflexo do elitismo do vestibular, e também não frequentam os espaços da universidade pública, que cada vez mais se fecha para a comunidade, também compareceram em número significativo. Nos dois dias de festival, circularam mais de 1000 pessoas nas atividades, o que mostra a profundidade da indignação das pessoas e o profundo êxito da atividade político-cultural impulsionada pelo DCE.

À reitoria e aos demais setores que conservam a opressão na universidade e na sociedade em geral deixamos bem claro que não nos calaremos diante de suas ameaças. Esse festival, que foi organizado em pouco mais de duas semanas de forma independente pelos estudantes e que acabou sem qualquer incidente ou depredação da faculdade rebatendo as críticas preconceituosas neste sentido, mostra que estamos dispostos a ir até o final para que casos como o do “rodeio das gordas” não aconteçam de novo e para que as dezenas de agressores sejam punidos. Nesse sentido, rechaçamos o conteúdo discriminatório do jornal Correio Mariliense que no domingo, 05 de dezembro, publicou matéria com o título “UNESP de Marília vira ‘terra de ninguém’ em festival proibido” e com conteúdo que prepara a opinião pública e praticamente convoca a direção do campus para punir os estudantes responsáveis.

A abertura do Festival aconteceu no fim da tarde de sexta-feira com a apresentação, pela companhia Mobiles de teatro, da peça Brutas Flores no saguão do prédio de aulas, relatando a opressão cotidiana que sofrem as mulheres.


Em seguida, a relação da arte com a política, e o papel que o artista pode cumprir, tanto na sociedade em geral, como no movimento estudantil, foram tratados em debate organizado no Diretório Acadêmico.

Durante toda à noite de sexta-feira, já circularam mais de 500 pessoas, e tocaram várias bandas com distintos estilos musicais se apresentaram até de manhã no palco principal montado na quadra da faculdade.








No sábado, as atividades foram retomadas às 15h com o debate “Machismo, Homofobia e Racismo na Universidade” do qual participaram Thiago Sabatine, da Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e Transexuais de Marília (ALGBTT), Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado (MNU), Babi, estudante da Unesp de Rio Claro e do Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Marília, estudante da Unesp de Rio Preto e membro do DCE e Carlos Latuff, cartunista conhecido mundialmente por colocar suas obras a serviço da luta dos setores oprimidos e explorados. Como forma de expressar os setores que lutam, a mesa foi em homenagem ao estudante de filosofia, morador do CRUSP, Samuel Souza, de 41 anos, que morreu na última quinta-feira (02/12) dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), por omissão de socorro da reitoria, do resgate, da guarda e do hospital universitário que, mesmo chamados, não apareceram para garantir a vida do estudante, que teve seu corpo estirado, dentro da USP por 6 horas.

O debate, além de aprofundar a análise sobre as distintas formas em que se reproduzem as opressões, contextualizou o tema frente a conjuntura nacional na qual percebemos o ressurgir dos setores mais conservadores e preconceituosos da sociedade estimulados pelo papel reacionário de Dilma e Serra que durante as eleições disputaram quem atacaria mais os direitos democráticos das mulheres e dos homossexuais, avançando no atrelamento do Estado com a Igreja, na criminalização do aborto e no combate ao casamento igualitário. Latuff, morador e ativista do Rio de Janeiro, trouxe para o debate o relato sobre a ocupação policial e militar nos morros e favelas cariocas, denunciando a violência com que a população vem sendo tratada, a relação umbilical do Estado e da Policia com o tráfico de drogas e armas e o papel criminoso que cumpre a grande mídia em legitimar a ação assassina das forças de repressão. Saímos do debate com a importante tarefa de reforçar a luta pela ampliação dos diretos democráticos dos oprimidos e o embate decisivo com os setores conservadores que começam a se organizar.

Depois disso, as bandas voltaram a se apresentar no palco enquanto eram realizadas oficinas e Latuff e outros artistas deixavam suas marcas de protesto em algumas das paredes da faculdade.

Sobre o festival, Latuff declarou, entre outras coisas, que: “Como erva daninha brotando nas calçadas, ressurge a violência reacionária, contra seguimentos da sociedade e do movimento social. A mídia presta valioso serviço ao Estado, glorificando a repressão, seja através do cinema ou de programas sensacionalistas na TV. Nestes tempos de retrocesso, de situações que pensávamos já superadas, é preciso uma resposta firme e organizada, como esta promovida pelos estudantes da UNESP de Marília, uma resposta militante não só ao infame "Rodeio das Gordas" como também ao autoritarismo daquela reitoria.”

Ao todo, tocaram cerca de 20 grupos, que foram acompanhados por atividades circenses, apresentações de dança, grafitte, com novamente mais de 500 pessoas circulando durante toda a noite.

Apesar dos limites impostos pela falta de tempo e pela postura proibitiva da direção da universidade, o festival conseguiu atingir seu objetivo. Que era, primeiro, o de repudiar o “rodeio das gordas” e o projeto de universidade que cria as condições para que casos de agressão como esses aconteçam cotidianamente. Segundo, o de permitir que o que ocorreu não seja esquecido, dando continuidade à campanha contra o machismo, a homofobia, o racismo e todas as formas de opressão. E também mostrar que o movimento estudantil pode construir ambientes de sociabilidade e de confraternização que procuram ser livre de preconceitos, diferente do que são as festas universitárias em geral. Além do mais, possibilitar à população e à comunidade acadêmica a liberdade de utilização dos espaços públicos da universidade. Este festival foi também um grande grito contra todas as formas de opressão que vem se expressando pelo país com uma onda de ataques homofóbicos, racistas e machistas.

Sabemos que na luta contra a opressão teremos que nos enfrentar com os setores mais conservadores da sociedade que legitimam relações sociais que queremos desconstruir. E, infelizmente, cada vez temos mais clareza de que a reitoria da Unesp, apesar de tentar dizer o contrário, se encontra nesse campo adversário. Primeiro foi a tentativa de intimidar a atual gestão do DCE com uma notificação em que ameaçava “punir nos termos da lei” alguns membros porque denunciávamos na declaração do DCE em repúdio ao “rodeio das gordas” a conivência das direções e reitorias da UNESP pelos vários casos de opressão que, voltamos a repetir, fazem parte do cotidiano de nossas universidades. O descaso e o boicote em relação à organização do Festival também evidenciam isso. Diversas vezes procuramos as diretorias de cada campus e a reitoria para pedirmos que no mínimo nos auxiliassem no transporte das centenas de estudantes que se interessaram em ir para o festival. Além de não liberarem nenhuma ajuda neste sentido, nos responderam com ameaças constantes de punição caso levássemos a organização do evento até o fim (leia nota do DCE no blog). A Reitoria chegou ao absurdo de mentir para a imprensa dizendo no sábado pela manhã que o festival não tinha acontecido e que as portas do campus de Marília estariam fechadas (http://www1.folha.uol.com.br/saber/840804-acesso-ao-campus-de-marilia-da-unesp-estara-fechado-neste-fim-de-semana-diz-reitoria.shtml), quando na verdade só na sexta-feira mais de 500 pessoas participaram do festival. Enquanto isso, o reitor Herman e seus assessores se negam a averiguar até o final as agressões e a punir os mais de 50 agressores do INTERUNESP. Apenas um processo administrativo foi aberto apenas no campus de Assis contra dois agressores e as informações sobre o andamento do processo - cujos depoimentos sequer são divulgados - é de que ele terá fim no dia 27 de dezembro, momento propício para que tudo acabe em pizza.

Sabemos que, por outro lado, não faltam medidas punitivas e repressivas a todos aqueles que se colocam contra esse projeto opressor elitista de universidade, como os 20 processos de expulsão à estudantes da USP, 16 contra os estudantes da moradia retomada e 4 contra estudantes que participaram das lutas contra os decretos de José Serra em 2007. Da mesma forma se deram recentemente sindicâncias a estudantes da Unesp de Bauru e da UNICAMP, além de demissões de funcionários e sindicalistas, como do Fred em Franca e do Brandão do Sintusp. Ou seja, trata-se de uma política repressiva das reitorias das três universidades estaduais paulistas, sob jugo e acordo do mesmo governo estadual e do mesmo projeto de educação, fator comprovado quando analisamos a seqüência com a qual os ataques à educação pública acontecem nas 3 estaduais. Portanto, se de um lado o que vemos é conivência das reitorias a agressores do “rodeio das gordas”, aos homofóbicos e aos machistas, do outro é repressão imediata aos que lutam por uma universidade aberta ao conjunto da população, de qualidade e realmente democrática.

Vemos como tarefa fundamental para o movimento estudantil da UNESP, em especial do próprio DCE (Diretório Central dos Estudantes) - que a partir do festival dá passos importantes em demonstrar sua capacidade política real e de mobilização - organizar uma ampla e combativa Calourada Unificada, como maneira de seguirmos nossa luta pela transformação real da universidade e contra qualquer manifestação de opressão dentro ou fora das universidades - como os novos casos de agressão a homossexuais na Avenida Paulista que ocorreram no domingo à noite e aos quais manifestamos nosso completo repúdio.

Chamamos todas as entidades do movimento estudantil combativo, em primeiro lugar a ANEL da qual fazemos parte, a impulsionar calouradas com este conteúdo questionador dos trotes e do vestibular, fortalecendo a luta contra a opressão a partir do movimento estudantil, que foi a tarefa que nos demos com essa campanha contra o “rodeio das gordas” e com o festival. Para o movimento estudantil da Unesp, acreditamos que foi mais um importante passo no sentido de forjar uma nova tradição no movimento estudantil, que seja não somente combativo, pró-operário e anti-burocrático, mas também contra a opressão dentro e fora da universidade.

E é dentro dessa perspectiva que reivindicamos o apoio de diversos sindicatos, organizações e entidades estudantis à realização desse Festival, como foi o caso da ADUNESP Central, ADUNESP de Marília, LER-QI, APROPUC, DA da Fafil FSA, SINTUSP, Sindicato dos Metroviários, Sindicato dos Químicos de Marília, CEUPES, Apeoesp de Marília, entre outros, assim como o apoio financeiro de dezenas de professores de Rio Preto, Rio Claro e Franca por meio de doações. Esse festival só foi possível devido a união do movimento estudantil, destas organizações e de todos os setores que divulgaram e apoiaram por meio de moções e ações a sua realização. O seu sucesso é a demonstração de como podemos combater os projetos privatistas, elitistas, repressivos e opressores das reitorias e do governo do Estado com a construção de um novo movimento estudantil que, junto dos trabalhadores, professores e intelectuais, impulsione uma ampla campanha democrática por um novo projeto de universidade, não elitista, não racista, realmente democrático e aberto a toda a população.

Por fim, queremos dar uma saudação especial a todos os estudantes que estiveram presentes, e todos aqueles que apoiaram nossa iniciativa mas não puderam estar presentes, a junto conosco construir um festival maior e mais forte para o próximo ano, juntos na luta para fortalecer um amplo movimento democrático contra a opressão dentro e fora da universidade, uma luta ligada ao questionamento do projeto de universidade que vem sendo implementado e contra a repressão aos que lutam.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Somos as negras nos morros! Dor estampada nos rostos!

por Pão e Rosas RJ

Nesses últimos dias, houve um estado de pânico instaurado nas ruas do Rio de Janeiro. O que antes eram alguns carros incendiados, culminou em uma verdadeira missão de guerra nos últimos dias, da qual sabemos que o verdadeiro alvo não é o tráfico.

São quase 3.000 policiais dentre civis, militares, polícia federal, CORE, Choque, Bope, convocados para a chamada “Guerra ao terror”, como diz a mídia burguesa. Com o diferencial que, além deles, tivemos agora a presença de soldados já experientes em exterminar negros e pobres. São atiradores de elite, helicópteros da aeronáutica, soldados da marinha junto a seus blindados que são verdadeiras máquinas de destruição e mais 800 soldados do Exército, sendo que grande parte deles compunham as tropas brasileiras enviadas por Lula e a ONU ao Haiti.

A recente militarização ocorrida nos principais morros e favelas da zona norte do Rio (Penha, Complexo do Alemão) significa na verdade um projeto de paz para as áreas mais nobres da cidade (Zona Sul e região Central) enquanto fica reservado aos moradores dos morros mortes, humilhação e subjugação por parte de uma das policias mais assassinas do mundo. Assim como as UPP´s, ou o muro construído ao redor das favelas nas linhas vermelha e amarela, a ação da polícia e dos militares nessa semana tem como um dos intuitos, não deixar chegar à zona sul da cidade os reflexos de um sistema de miséria e violência inerentes ao capitalismo.

O projeto de Lula, Dilma, Cabral e a burguesia carioca frente às Olimpíadas e a Copa sediados no Rio

Desde o dia 21 de novembro, quando foram incendiados os primeiros carros na cidade, a mídia soube muito bem como criar um estado de pavor no cidadão carioca. Assaltos viraram “arrastões” e os carros e ônibus incendiados eram incansavelmente filmados.

Tudo isso nos prova o objetivo de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, junto à mídia e burguesia cariocas de fazer ser legitimado seu projeto de limpeza social na cidade, baseado no controle e na dura repressão aos negros e pobres nos morros da cidade que sediará a Olimpíadas em 2012 e Copa em 2014. Com todo esse pânico estampado nas manchetes dos jornais, buscam o aval da população para que continue sendo implantada a pena de morte a essa parte da população carioca.

Lula, que encabeçou o PAC da segurança nos morros cariocas, e esteve por trás também no massacre do Complexo do Alemão em 2007 (do qual foram registrados oficialmente apenas 19 pessoas, mas que seguramente o número é muito maior), embora tenha representado um papel coadjuvante durante toda a operação na semana, já se disse “emocionado” e “orgulhoso” com a “bem sucedida” operação policial e militar, e além disso, deixou bem claro que “a ação apenas começou”. A presidente eleita Dilma, que também já havia declarado total apoio aos apelos de Cabral no “enfrentamento com o mal”, e diga-se de passagem, que já declarou durante as eleições que uma de suas metas era tornar as UPP´s um projeto nacional, elogiou a ação encabeçada por Cabral e disse que no seu governo suas intenções são estreitar a relação do governo federal com o governo do estado do RJ, ou seja, sabemos que isso significará mais negros e pobres mortos nos morros e favelas cariocas.

Portanto, essa é a paz defendida por Lula e Dilma aos 400 mil moradores do Complexo do Alemão, além dos outros milhares nos outros morros e favelas cariocas: uma polícia que esculacha e humilha os moradores, estupra as mulheres, entra nas casas, rouba e quebra os pertences dos moradores e revista até crianças e idosos durante suas operações. Sabemos que além de corrupta, a polícia é a instituição cão de guarda da burguesia e do Estado, e que seu objetivo de manter a ordem a qualquer custo deve ser entendido como brutal violência e repressão as manifestações de resistência por parte do povo, incluindo greves de trabalhadores, protestos e manifestações.

Após vários porta vozes da burguesia carioca escreverem em seus reacionários artigos, conteúdos do tipo do jornalista Guilherme Fiúza de que “o ideal seria que o capitão Nascimento assumisse o lugar do secretário Beltrame e acabasse de vez com a raça dos vilões, cuja vocação é essa mesma, apanhar”, a mídia chega ao absurdo de celebrar o sucesso da ação policial e militar afirmando que não houveram mortos nem sequer feridos nos morros. Porém, mesmo após os dados oficiais divulgados sabemos que o número real de mortos e feridos é muito maior, e conhecemos a recorrente prática tanto da mídia quanto da própria polícia de esconder o número de moradores atingidos, e assim, divulgar o número de mortos como sendo todos de traficantes.
Queremos saber onde estão os mortos durante toda a ação sangrenta da polícia e o exército!!!

O Haiti é aqui!

O que a mídia reacionária assim como Lula, Dilma e Cabral chamam de “experiência em combates nas favelas haitianas” quando se referem aos soldados presentes no Rio significa na verdade que os mesmos tiveram como escola de extermínio, os 6 longos anos de sangrenta atuação da MINUSTAH no país, primeiro da América Latina a declarar independência, após a revolução negra, em 1804. No fim de 2009, com o grande terremoto que o país sofreu matando mais de 200.000 pessoas e deixando mais milhares de famílias desabrigadas, a miséria que já era gritante se intensificou terrivelmente.

Além da brutal violência perpetrada pelos soldados, os haitianos denunciavam que as doações coletadas em todo o mundo, assim como a água e os alimentos que deveriam ser destinados ao país, simplesmente não chegaram. E a resposta às manifestações foi mais repressão e descaso por parte da ONU e das ONG´s internacionais.

No último mês, com a pouca noticiada epidemia de cólera no Haiti, que rendeu até agora mais de 1.100 mortos, a população haitiana também denunciou o descaso dos governos e entidades internacionais, e mais repressão foi efetuada.

Esse é o histórico do exército que envia estes soldados presentes hoje nos morros cariocas: de negros e pobres massacrados, e negras estupradas, seus currículos estão cheios! Não podemos deixar que esses soldados assassinos continuem violentando e oprimindo nossas irmãs haitianas, assim como não podemos aceitar que reprimam e assassinem essa heróica população em suas manifestações!

Devemos continuar defendendo que a própria população tenha em suas mãos o controle e organização dos suprimentos enviados ao país! Devemos lutar de forma intransigente para a imediata retirada das tropas do Haiti!!!

Violência contra as mulheres cada vez mais legitimada
Estamos frente a uma onda de inúmeros ataques brutais a nós mulheres, homossexuais, negros e nordestinos por parte do estado, dos governos e também da Igreja, em especial a Católica. Desde as eleições presidenciais pudemos ver Serra e Dilma afirmando que não defenderiam o direito ao aborto, bandeira histórica do movimento de mulheres, enquanto grande parte da Igreja fazia uma ofensiva brutal pedindo a seus fiéis que votassem em Serra. Também vimos declarações de Dilma contra a união homoafetiva e contra a concretização da Lei contra a Homofobia.

Inúmeros foram os reflexos absurdos nessa situação onde reacionários ganharam espaço: declarações totalmente racistas contra uma estudante negra da PUC de São Paulo, comentários fascistas na internet contra os nordestinos, os diários assassinatos ou tentativas contra homossexuais como o do militar que baleou um jovem no Arpoador durante a Parada Gay no Rio ou as agressões na Avenida Paulista em São Paulo, a declaração homofóbica do reverendo da Universidade Mackensie e claro, o lamentável “Rodeio das Gordas”, ocorrido no Interunesp em Araraquara.

Essas absurdas violências são por sua vez legitimadas, reforçadas e também perpetradas pelo Estado e Igreja, considerando que temos um Estado que reforça a idéia de que as mulheres não devem ser vistas enquanto sujeitos assim como não são donas dos próprios corpos. A Igreja por sua vez, cria e incita violências homofóbicas quando diz que as mulheres e homossexuais não tem direito a exercer sua sexualidade livremente.

A recente ação policial e militar nos morros cariocas, assim como ações recorrentes de violência, também representam uma afronta aos direitos humanos, onde o principal alvo são os jovens negros e pobres dos morros. Ação esta que recebe o pleno aval de Lula, Dilma e inclusive do próprio Papa. Bento XVI declarou no dia 30 que apóia a ação militar e policial coordenada por Sérgio Cabral e solicita ainda que a ordem seja recomposta na cidade o quanto antes! Sabemos qual é esta ordem defendida pela Igreja: a mesma ordem que defende Cabral quando diz que as mulheres dos morros são máquinas de produzir marginais!!! Não podemos aceitar que nem Estado, nem a Igreja e nem os governos decidam por nós mesmas e muito menos que arranquem nossos direitos! Sabemos que nessas ações policiais somos nós mulheres que pagamos com nossas lágrimas e sangue por nossos companheiros e filhos mortos e presos sem justificativa pela policia assassina!

Essa é a hora em que a esquerda deve se organizar contra todos esses ataques, e não fugir da batalha como aconteceu aqui no Rio de Janeiro no dia 25 de novembro. Neste dia, Dia Internacional da Luta contra a Violência às Mulheres, tínhamos um importante ato marcado para acontecer na UFRJ na região central, mas “devido a situação na cidade” a esquerda simplesmente cancelou o ato!!!

A onda de ataques está colocada e não podemos deixar de responder: Não passarão!!! Vamos lutar com unhas e dentes e é neste sentido que chamamos as organizações de mulheres, direitos humanos, LGBTT e organizações de negros a compor com o Pão e Rosas uma forte campanha contra a militarização dos morros e pela imediata retirada da polícia e dos soldados dos morros e favelas cariocas!!!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

I FESTIVAL INTERUNESP CONTRA OPRESSÃO


O cenário aberto pelas eleições - onde Dilma e Serra fizeram todo o possível para garantir à Igreja e setores conservadores da sociedade que continuariam criminalizando o aborto - mostra aos setores oprimidos por esta sociedade o que significa Dilma, uma mulher, na presidência. Significa a continuidade do atrelamento do Estado com a Igreja Católica, garantindo a impunidade de seus bispos pedófilos, o direito de ensinar seus valores reacionários nas escolas públicas que só contribuem com a construção da violência como homossexuais, pois pregam um sexo somente para a reprodução, proibem o uso de preservativos e, para tudo isso, ainda tem isenções fiscais.

Nenhuma confiaça é possível no governo de Dilma! Uma mulher no poder não significa avanço para as mulheres trabalhadoras que morrem com abortos clandestinos e são super exploradas cotidianamente nos postos de trabalho mais precarizados. Frente a pressões da Igreja, Dilma abriu mão do direito ao aborto, uma demanda histórica das mulheres, para garantir sua eleição Do que mais abrirá mão frente a futuras exigências dos empresários, banqueiros em crise? O direito das mulheres à vida, a liberdade de exercer a sexualidade, a igualdade entre raças não são negociáveis.

Mostrando a pouca importância que dá a vida das mulheres (mortas em abortos clandestinos, assassinadas brutalmente por seus companheiros e ex companheiros), de homossexuais etc., Dilma está ajudando a cavar espaço para os setores mais preconceituosos da sociedade se manifestarem impunemente! É só observar como estes setores se sentem confiantes de criar comunidades no orkut, blogs, agredir pessoas nas ruas. É preciso a mais completa intransigência frente às demonstrações de opressão. O acordo Lula-Vaticano, a tática eleitoreira de Dilma e a omissão constróem a homofobia, o machismo, o racismo.

Parabenizamos a iniciativa dos estudantes da Unesp e construimos ativamente o ato em frente a reitoria da Unesp, no dia 17/11, desmascarando o papel conivente da reitoria com a violência às mulheres. Chamamos à todas/as a construir e participar do I Festival InterUnesp, organizado pelo DCE da Unesp, contra todas as formas de opressão e violência contra mulheres, homossexuais, negros/as.

PARA AVANÇAR PELO FIM DA OPRESSÃO,
                                    SEJAMOS INTRANSIGENTES NA LUTA PELOS NOSSOS DIREITOS!

03 e 04 de DEZEMBRO
em MARÍLIA


Performance Contra Opressão - Pão e Rosas Marília

UNICAMP: BASTA DE VIOLÊNCIA SEXUAL NO CAMPUS!

CHAMAMOS À MAIS AMPLA FRENTE-ÚNICA
CONTRA A VIOLÊNCIA ÀS MULHERES E HOMOSSEXUAIS
Coletivo Feminista e Grupo de mulheres "Pão e Rosas"


Na última segunda-feira uma aluna da Unicamp sofreu uma tentativa de estupro na saída da Funcamp. Sabemos que não se trata de um caso isolado e que são recorrentes situações deste tipo dentro e fora da universidade, assim como os últimos casos absurdos de violência que vem acontecendo: o espancamento de homossexuais na Av. paulista, e em uma festa na ECA na USP, até a útima barbaridade ocorrida no InterUnesp, que foi o intitulado "rodeio das gordas".

Nós mulheres vivemos ameaçadas pelo risco eminente dessa violência. Sabemos que a superação dessa forma brutal de opressão exige transformações profundas em nossa sociedade mas, por outro lado, medidas simples e essenciais como mais seguranças (não terceirizados e sim contratados via concurso público e orientados para saber como lidar em casos de violência) em locais de risco e melhor iluminação, poderiam ser tomadas pela Unicamp para coibir alguns desses casos. Não se trata de permitir a entrada da polícia no campus ou de restringir ainda mais o acesso e uso desse espaço público, nem que estes seguranças sirvam para reprimir os estudantes e trabalhadores que se contrapõe aos interesses da reitoria, o que condenamos veementemente, mas de tomar medidas concretas que coíbam essas e outras formas de violência e opressão machista e homofóbica, para as quais a universidade infelizmente fecha os olhos. Exigimos medidas imediatas da universidade. A omissão é uma forma de consentimento com a violência. Uma violência que tolhe cotidianamente nossa liberdade e que mutila nossos corpos.

ATO EM FRENTE À SAÍDA DA CASA DO LAGO/FUNCAMP
DIA 01/12, QUARTA-FEIRA, ÀS 17:30
(CONCENTRAÇÃO PRÓXIMA À CANTINA DO IFCH ÀS 17H, E CAMINHADA ATÉ O LOCAL DO ATO)

UNICAMP: Eleições do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas): Pão e Rosas apóia a chapa "A poesia está nas ruas"

NÃO PASSARÁ NENHUMA OPRESSÃO!

Já basta de mulheres mortas e estupradas, de negros espancados e escravizados ou de homossexuais surrados sem a liberdade de expressarem seu amor e sexualidade. Nos últimos meses vimos uma serie de casos de violência e opressão brotarem feito baratas de um bueiro, tão asqueroso quanto foram os rapazes que montaram em cima das meninas no intitulado “rodeio das gordas”, no InterUnesp, ou uma estudante de direito de São Paulo que disse desvergonhosamente que seria um favor ao Brasil se matassem os nordestinos afogados ou a agressão de um grupo de jovens de classe média contra homossexuais na Av.Paulista, sem falar as milhares de mulheres que morrem por abortos clandestinos, ou assassinadas pelos companheiros, dos estupros, e outras barbaridades.

Mas essa serie de casos de opressões não são individuais e sim um reflexo de um conservadorismo que se alastra livremente. As eleições deste ano é uma mostra disto, com um discurso que ressaltava a primeira mulher no poder como um avanço na vida das mulheres, mostrando na realidade sua posição reacionária para angariar votos ,sendo um dos principais elementos na disputa entre os presidenciáveis, a criminalização do aborto, além do discurso contra os direitos dos homossexuais, etc. E deste ínterim conservador, as Universidades não estão imunes: os homossexuais espancados em festas como na ECA, as meninas estupradas na Unicamp, entre outras, tudo isso está ligado ao projeto de universidade capitaneado pelos interesses da burguesia junto ao Estado, que sustentados nesses setores conservadores de estudantes, vem privatizando, terceirizando e elitizando cada vez mais as universidades, restringindo o conhecimento produzido nesta, a uma parcela parasita da sociedade e deixando de fora juventude pobre, trabalhadora e negras. E as reitorias são culpadas por estas barbáries quando se calam, ou muitas vezes “premiam” os agressores com bolsas para que saiam das moradias ou mesmo suspendem os agressores apenas no período de férias.

Assim, nós do Pão e Rosas, viemos expressar o nosso apoio à chapa “A Poesia está nas Ruas”, que tem uma concepção de movimento estudantil e entidade militante, entende a questão de opressões ligada a uma conjuntura socioeconômica, tendo que os estudantes responder a ela de forma cotidiana, militando em conjunto com as outras demandas do movimento estudantil, uma vez que não estão de forma alguma dissociadas. Fim do vestibular e uma universidade aberta para a população com cursos noturnos, significa, para além da democratização do acesso ao conhecimento, também uma Universidade viva, com pessoas a ocupando, ao contrario da morte atual, onde as meninas são estupradas nos campus vazios. Políticas concretas de permanência estudantil, significa também moradias para as meninas e creches. Voto universal com maioria estudantil para que os estudantes e trabalhadores possam decidir os rumos da Universidade e voltá-la aos seus interesses e da população.

Por um movimento estudantil que subverta a estrutura opressora das Universidades, chamamos a todos a conhecerem a chapa “A Poesia está nas Ruas”.

Basta de violência às mulheres, homossexuais, negros e nordestinos!

Basta de estupros e assédios moral e sexual nas moradias e universidades!

Por comissões de estudantes, trabalhadora(e)s e professoras de apuração dos casos de violência independentes das reitorias!

Por creches e moradias para todas as estudantes mães, casadas ou solteiras! Pelo fim da terceirização que escraviza, humilha e divide a(o)s trabalhadora(e)s!

 Pela contratação de toda(o)s os terceirizada(o)s sem concurso público!

Aborto legal, livre, seguro e gratuito! Pelo direito de decidir sobre nossos corpos e sexualidade!

 Pela separação da Igreja do Estado! Pela revogação do acordo Brasil-Vaticano assinada em 2008 no governo Lula!

TODOS AO ATO CONTRA A VIOLÊNCIA SEXUAL NO CAMPUS!
DIA 01/12 - CONCENTRAÇÃO NO IFCH ÀS 17H.

ATIVIDADE: CONJUNTURA NACIONAL E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E HOMOSSEXUAIS - DIA 30/11 - 14h NO IFCH.

www.apoesiaestanasruas.blogspot.com


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ATO CONTRA A HOMOFOBIA DO CHANCELER DO MACKENZIE

Estudantes do Mackenzie organizaram um ato com 500 manifestantes contra o posicionamento do chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes de defender o direito de ser homofóbico, sendo contrário a lei que criminaliza a homofobia. O ato teve apoio de estudantes USP e UNESP e, também, de integrantes de grupos feministas, movimento GLBTT.
O movimento estudantil mostra sua força e sensibilidade organizando atos como este, como o ato organizado pelos estudantes da UNESP, dia 17/11, em frente a reitoria exigindo a punição dos responsáveis pelo rodeio de gordas, com a organização do I FESTIVAL INTERUNESP CONTRA A OPRESSÃO. Este é o papel que o movimento estudantil cumpriu em maio de 68, na luta contra a ditadura e é a tarefa que deve se dar para os próximos períodos: defesa intransigente dos direitos democráticos.

Pela criminalização da homofobia! Pelo direito civil ao casamento homossexual!

Pela completa separação do Estado e a Igreja!

Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, 
aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!  



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma mulher no poder e mais violência contra as mulheres e homossexuais. No dia 25 de novembro: construir um grande ato contra a violência as mulheres, homossexuais , negra(o)s e nordestina(o)s!

por Rita Frau,
profa. da rede estadual de SP


Chegamos no dia 25 de novembro, dia internacional da luta contra a violência as mulheres, quase um mês depois de ter sido eleita a primeira mulher presidente do Brasil. A corrida eleitoral do segundo turno teve como um de seus temas centrais a questão do aborto e dos direitos aos homossexuais. No pós-segundo turno a Igreja consolidou suas posições em relação à proibição do aborto e contrárias a direitos aos homossexuais, e os setores mais reacionários passaram a expressar seu profundo preconceito social em relação aos votos nordestinos na eleição de Dilma acompanhados das diversas denúncias na grande mídia da realidade da violência homofóbica aos homossexuais. O ultimo processo eleitoral mostrou que, quanto mais se faz concessões aos setores conservadores, mais espaço político eles ocupam e não o contrário, como quer nos fazer crer setores reformistas que votaram e fizeram campanha para Dilma Rousseff como a Marcha Mundial de mulheres e centenas de intelectuais. Setores do movimento de mulheres apoiaram Dilma com o discurso de que uma mulher no poder daria maior visibilidade para as mulheres e traria avanços nos direitos nas mulheres. Mas Dilma já deu provas que não significa este avanço, pois dará continuidade ao governo Lula, que assinou o Acordo Brasil-Vaticano em 2008, dando maiores poder à Igreja católica para disseminar seus valores que subjuga as mulheres e prega contra os homossexuais tratando-os como seres enfermos. Também não garantirá o direito ao aborto e a união civil entre casais homossexuais, assim como manterá as tropas brasileiras no Haiti, legitimando a exploração, miséria e violência de milhares de haitianas.

A violência no Brasil de Dilma

É neste Brasil de Lula e Dilma, que 1 milhão de mulheres recorrem ao aborto, realizados em sua maioria de maneira insalubre, sendo as mulheres pobres, trabalhadoras e negras, as que mais sofrem as seqüelas da clandestinidade. Em estados como Bahia e Pernambuco, aonde Dilma teve grande porcentagem de votos (70,85% e 75,65%), chega a ser a primeira causa de morte entre as mulheres. A cada 15 segundos no Brasil, uma mulher é espancada e uma em cada cinco mulheres declarou ter sofrido algum tipo de violência por um homem. Segundo a ONU, aproximadamente 140 mil mulheres são vítimas da rede do tráfico sexual na Europa, sendo cada vez maior o número de mulheres brasileiras traficadas. O índice de prostituição infantil segue aumentando junto com a indústria do sexo brasileira, que fatura R$ 4 milhões por ano. E com o grande empreendimento da Copa do Mundo 2014, se intensificará ainda mais a indústria do turismo sexual no país.

Casos de violência aos homossexuais aparecem nas páginas de jornais confirmando apenas a cruel realidade a que vivem, sendo a cidade de São Paulo a que conta com mais crimes a homossexuais, colocando o país como um dos primeiros no ranking de homicídios contra homossexuais, bissexuais e transsexuais sendo um morto a cada dois dias. Exemplo expresso na mais recente violência a dois casais homossexuais na Avenida Paulista por um grupo de jovens da classe média paulistana. Na parada gay ocorrida no RJ, um rapaz homossexual foi baleado por um militar em mais uma violência homofóbica. Ainda no RJ, dois rapazes homossexuais foram agredidos no vestiário da moradia estudantil da Universidade Rural por um estudante que se sentiu ofendido com a presença deles. Na capital paulista em uma festa universitária da Atlética da USP, mais um casal homossexual foi agredido.

Nossa luta contra a violência é todo dia e não com data marcada!

O dia 25 de novembro foi criado pela ONU em 1999 em homenagem as irmãs Mirabal, da República Dominica, mulheres que lutaram contra a ditadura de Leônidas Trujillo e foram mortas neste dia no ano de 1960 à serviço do imperialismo norte-americano. O surgimento desta data fez com que obrigasse a sociedade a encarar e debater uma realidade de milhares de mulheres, mas isso não significou uma luta real contra a violência as mulheres. Não podemos nos adaptar à lógica dos setores reformistas nos manifestando apenas nas datas do calendário estabelecido pela ONU, nos dividindo na luta pelos direitos democráticos das mulheres, homossexuais e negros.

Nossa luta é todo dia pois a violência contra mulheres e homossexuais é incentivada pelo capitalismo para adestrar o corpo e a sexualidade como forma de perpetuar diferenças sociais e de classe naturalizando a violência e tornando-a cotidiana, tentado disciplinar os corpos e as mentes até sua estupidez, contando com agentes preconceituosos para levar a frente sua ideologia reacionária, como por exemplo os organizadores do “Rodeio das Gordas”. Nesse sentido não compartilhamos com grupos de mulheres e LGBTT’s que colocam a violência às mulheres e homossexuais como um problema de saída individualista a partir da consciência individual ou apenas de dar maior visibilidade à questão; e nem com os que dizem que apenas com reformas dentro do capitalismo poderia-se acabar esse tipo de violência.

Assim como Lula, para nada Dilma lutará pelos direitos das mulheres, dos homossexuais e da classe trabalhadora. No primeiro capítulo da crise capitalista Lula liberou bilhões para salvar banqueiros e empresários, Dilma o apoiou e segue seu mesmo caminho, anunciando uma possível reforma da previdência entre outros ataques sobre classe trabalhadora que estão por vir diante do cenário de crise mundial. Frente a esse cenário de nada adianta que Dilma forneça a mulheres 30% dos cargos ministeriais num governo atrelado à Igreja e aos grandes conglomerados industriais e financeiros. A presença da mulher no poder do estado burguês não significa mais direitos às mulheres e Dilma sabe disso, e assim abre espaço para a maior cooptação dos movimentos feministas para que estes continuem se calando frente verdadeiro Brasil: o que mata e violenta as mulheres e os homossexuais.

Enquanto mulheres e homossexuais morrem a Igreja pedófila ganha audiência!

O espaço aberto nessas eleições para o reacionarismo da Igreja abriu precendentes para setores da Igreja presbiteriana se declararem abertamente contra o PL122, que criminalização a homofobia, como ocorreu na universidade Mackenzie, alegando que esta lei tirava a liberdade de expressão das Igrejas de pregarem para contra a homossexualidade. Na PUC-SP os clérigos clamaram pela demissão de uma professora que defendeu o direito ao aborto. É esta mesma Igreja, homofóbica e machista, que e se cala diante da morte de milhares de mulheres por abortos clandestinos e assassinatos de homossexuais, que comete milhares de crimes de pedofilia. E ainda querem nos falar em defesa da vida! Mas exemplos no mundo mostram uma luta contra a Igreja como na Argentina com a aprovação do casamento gay e mais recentemente na Espanha com o “beijaço”, na passagem do Papa, como manifestação contra a homofobia e pedofilia da Igreja católica. Em São Paulo o movimento LGBTT e setores de esquerda, saíram as ruas para se manifestarem contra a violência ocorrida na Av. Paulista, onde um grupo de classe média atacou casais de homossexuais. E novamente, no dia 24/11, se colocará nas ruas uma manifestação contra a homofobia, repudiando o pronunciamento homofóbico dos administradores do Mackenzie.

Por uma ampla campanha contra a violência as mulheres, aos homossexuais, negros e nordestinos! Pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! Pela livre identidade sexual! Pela separação da Igreja com o Estado!

Nos somamos aos grupos de mulheres, LGBTT´S, movimento negro e direitos humanos para lutar contra toda forma de violência, assim como também nos somamos ao ato convocado pela Marcha Mundial de Mulheres no dia 25 de novembro em São Paulo, mas acreditamos que a luta deva ser cotidiana em nossos locais de trabalho e estudos, impulsionando campanhas reais contra a violência e os direitos democráticos. Neste sentido é fundamental que as entidades estudantis se coloquem nesta luta- assim como vem dando exemplo o DCE da Unesp organizando um festival contra a opressão, mostrando qual o papel que deve cumprir uma entidade estudantil combativa na defesa dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Cabe à CSP-Conlutas e a ANEL colocarem-se à frente dessa luta e organizar suas entidades na luta contra a violência às mulheres e aos homossexuais, como faz por exemplo a campanha da chapa 1 das eleições do Sindicato de Trabalhadores da USP (do qual algumas integrantes impulsionaa a Secretaria de Mulheres do Sintusp), com a necessidade de fazer um chamado ofensivo a todas entidades sindicais e estudantis do país a lutarem no dia 25 contra a violência às mulheres, pelo direito ao aborto, pelo direito ao casamento homoafetivo assim como o direito à livre identidade sexual como parte de uma luta feroz pela definitiva separação da Igreja com o Estado!

No dia 25/11, todos ao ato contra a violência a mulheres!

15 horas, em frente à Secretaria da Justiça de São Paulo
Pátio do Colégio (Próximo ao Metrô Sé)
MAIS BARBÁRIE CONTRA AS MULHERES E O POVO HAITIANO

Chegam a 900 o números de mortos por conta da epidemia de cólera no Haiti. Os culpados destas mortes tem nome e se chamam EUA, ONU e sua missão militar no Haiti, dirigida pela tropas brasileiras de Lula e Dilma. Essas tropas são as mesmas que matam e estupram as mulheres haitianas e mantém a miséria e exploração sobre o povo haitiano. Para amenizar as denúncias de violência sexual contra as tropas da ONU, o governo brasileiro estabeleceu um acordo de cooperação com o Haiti para treinar a polícia haitiana em casos de violência sexual contra as mulheres. Mas é essa mesma polícia que ajuda as tropas da ONU a assassinar e reprimir o povo haitiano, como ocorreu dia 14/11 quando vários haitianos se manifestaram contra o descaso do governo e das tropas da ONU com a expansão da cólera. Como podemos acreditar que uma mulher como Dilma pode representar as mulheres e defender nossos direitos se é conivente com tanta morte, miséria e estupros? Como podemos acreditar se é ela que apóia as tropas brasileiras que treina no Haiti como um grande laboratório para atuar nas favelas brasileiras matando o povo negro e matando homossexuais?

Basta de violência e estupros contra as mulheres haitianas!

Pela retirada das tropas brasileiras e ONU no Haiti!

Que toda a ajuda humanitária seja controlada pelas organizações dos trabalhadores e populares!







NOTA DE APOIO DO GRUPO de MULHERES PÃO E ROSAS À CHAPA ANEL ÀS RUAS PARA O DCE DA USP

Assistimos nas universidades do país a uma onda reacionária de ataques às liberdades democráticas e de casos de opressão que estouram cotidianamente, tais como a brutalidade contra mulheres no InterUnesp, a agressão física a homossexuais em uma festa da ECA e os dizeres xenofóbicos de uma estudante de direito após as eleições nacionais: “Faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado”. As reitorias são completamente coniventes com todos esses escândalos porque esses estudantes compõe a base social nas quais elas se apoiam para implementar seu projeto de universidade que está cada vez mais ligado ao grande capital.

Enquanto os opressores ficam impunes, os que se levantam para lutar contra esse projeto seguem sendo punidos. Exemplos são os 17 estudantes do CRUSP e os 4 que participaram da ocupação da Reitoria de 2007 que hoje são ameaçados de expulsão, os vários estudantes sindicados, os diversos dirigentes sindicais processados e demitidos políticos como Brandão.

Entendemos que o movimento estudantil e suas entidades devem estar aliados às mulheres, aos negros, nordestinos e homossexuais na luta contra a opressão. Por isso, nas eleições para a gestão 2011 do DCE da
USP, o grupo de mulheres Pão e Rosas se coloca em apoio e se integra à chapa ANEL ÀS RUAS, na luta contra as opressões, a repressão, o REItor Rodas e seu projeto privatista de universidade.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pão e Rosas no ato contra a violência homofóbica em São Paulo

O grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente no importante ato que aconteceu hoje, dia 21, às 15h, em protesto à recente agressão homofóbica contra um casal que caminhava pela Av. Paulista. Ao lado de militantes dos direitos humanos, LGBTTs, de agrupações feministas como a Marcha Mundial de Mulheres, e organizações operárias como a Ler-qi e o PSTU, gritamos neste domingo: “abaixo a homofobia!”.

A agressão de homossexuais, que hoje completa uma semana, não é um caso isolado. No último período, os setores mais conservadores e reacionários têm expressado publicamente todos os seus valores retrógrados e preconceituosos. A menos de um mês um casal de estudantes homossexuais da Usp foi agredido em uma festa da mesma universidade. No Rio de Janeiro houve agressões também durante a Parada Gay. Mulheres são tratadas como “gado” por estudantes durante o Interunesp, outros estudantes se organizam contra os nordestinos, incitando a violência e o afogamento pela internet! A reitoria da Mackenzie faz declarações homofóbicas e heteronormativas! E tudo isso acontece em um contexto político pós-eleitoral, em que Serra e Dilma se posicionaram claramente contra o direito elementar e democrático do aborto e do casamento igualitário para uniões homoafetivas!

Não podemos nos calar diante de tamanha ofensiva contra os nossos direitos civis e políticos, nossos corpos e sexualidade! Basta de agressões aos homossexuais, às mulheres, negr@s e nordestin@s! Precisamos lutar todos juntos por nossos direitos! Sigamos o exemplo de nossos irmãos argentinos, que ocuparam as ruas de seu país e conquistaram o direito ao casamento igualitário! Todos juntos – na luta e na rua - contra o machismo, racismo, homofobia e xenofobia!

Dando continuidade a esta luta nos somamos ao chamado para compor o ato contra a posição homofóbica da administração do Mackenzie, ligada à Igreja Presbiteriana, que se pronunciou contra o PL122 que criminaliza a homofobia.

Basta de violência contra os homossexuais! Pela liberdade de nossa sexualidade e nossos corpos! Pela separação da Igreja do Estado!

Todos ao ato de protesto contra o posicionamento homofóbico do Mackenzie!

Dia: 24/11 – Quarta Feira

Concentração às 17h30

Manifestação às 18h00

LOCAL: RUA ITAMBÉ, 45- Consolação

SURTO DE CÓLERA NO HAITI: Revolta popular é reprimida brutalmente pela Minustah

Simone Ishibashi

O Haiti encontra-se imerso em uma nova onda de crise por conta do surto de cólera. Uma revolta popular se abriu como resposta aos mais de mil mortos pela cólera, e mais de quinze mil infectados em apenas um mês por conta da atual epidemia que atingiu metade das 10 províncias do país. A cólera é uma doença que estava ausente do país há cerca de cem anos. A própria ONU estima que deve haver cerca de 200 mil pessoas infectadas pela doença em todo o país, que ainda desconhecem estar doentes. Não há água potável o suficiente para a população, e nem assistência médica, o que eleva a taxa de mortalidade. Toda esta situação desatou a onda de protestos atual.

As manifestações populares se abriram após o vazamento de uma informação divulgada por laboratórios norte-americanos de que a origem do vírus seria similar à encontrada no Nepal, país de onde provém parte do contingente que compõem as forças de ocupação da ONU, a Minustah, chefiada pelas tropas brasileiras, e composta ainda por tropas de países como a Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Equador, Espanha, França, Guatemala, Jordânia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka e Uruguai. Além disso, desde o terremoto que assolou o país no começo do ano, destruindo sua infra-estrutura e criando as condições insalubres para a disseminação da epidemia, seguem presentes milhares de efetivos militares norte-americanos. A revolta haitiana contra a ocupação pode estar prestes a atingir um ponto culminante, com a população tendo se levantado para exigir a retirada imediata da Minustah do país.

As forças da Minustah e do imperialismo norte-americano estão mostrando cada vez mais seu caráter criminoso. A justa revolta do povo haitiano atende a uma situação insuportável. Há tempos os haitianos estão sendo castigados com a fome, a miséria, a doença e a total ausência de assistência médica e social em que o país está mergulhado, além da violência e a opressão desferida pelas tropas da Minustah que estão ocupando o país desde 2005. Esta revolta popular se transformou em enfrentamentos contra as tropas da ONU em diversas regiões do país, como em Cap-Haitien, Quartier Morin (ambas a cerca de 300 km de Porto Príncipe), Hinche (130 km da capital) e diversas vilas e cidades do norte. As tropas de ocupação não tiveram dúvidas: abriram fogo contra a população que se manifestava, e há pelo menos duas pessoas mortas, e dezenas de feridos. “Primeiro eles atiraram para dispersar a manifestação, mas em seguida, atiraram para matar”, declarou a testemunha Bimps Noël ao jornal El País.

Cinicamente, a ONU, numa tentativa de mascarar que a revolta da população haitiana é motivada pela situação de miséria e opressão que as tropas da Minustah só fazem aumentar, tem divulgado que a revolta popular não passaria de uma manipulação promovida por grupos contrários à realização das eleições presidenciais, previstas para acontecer em 28 de novembro. O próximo presidente do Haiti cumpriria com o papel de abrir o balcão de negócios que seria a “reconstrução do Haiti”, do qual a construtora brasileira Odebrechet já está demonstrando interesse. Seguramente esta “reconstrução” se daria em base ao lucro dos grandes monopólios e não para atender às necessidades mais sentidas do povo haitiano. Ainda que possa haver setores que sejam contrários às eleições, o fato é que as recentes manifestações são motivados e expressam um repúdio massivo e generalizado contra a ocupação criminosa da ONU e da Minustah. O imperialismo norte-americano, a ONU e os governos dos países que compõem a Minustah demonstram seu caráter profundamente reacionário. Ao contrário de enviar médicos para atender à população, ou prover assistência médica decente, aumentaram o contingente militar que ocupa o país, demonstrando que sua política visa reprimir e assassinar a população haitiana. Enquanto o povo do Haiti sucumbe, Lula estava reunido no G20 elogiando a “maturidade” dos governos imperialistas para tratar a crise capitalista internacional, em mais uma mostra de sua subserviência em relação ao imperialismo. Enquanto, Obama, o primeiro presidente negro da história dos EUA gasta US$ 600 bilhões de dólares em um pacote que visa garantir a competitividade dos produtos norte-americanos internacionalmente, o povo negro do Haiti, primeira nação independente da América Latina, está imersa em sofrimentos inauditos.

Isso demonstra que os únicos aliados do povo haitiano são os trabalhadores e a juventude latino-americana. É necessário redobrar a campanha que levante as bandeiras de:

Não à repressão ao povo haitiano! Punição aos assassinos!
 
Pela retirada imediata das tropas de ocupação do imperialismo norte-americano e da Minustah!
 
Por comissões independentes formadas pelos sindicatos e organizações populares para investigar as causas da tragédia e punição aos responsáveis!

Que os lucros dos grandes monopólios e toda ajuda humanitária sejam utilizadas para o atendimento médico e social da população!

Que os recursos sejam controlados pelas organizações populares e dos trabalhadores!



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Amanhã na USP Seminário "Precarização, Apartheid e desmanche". Com Diana Assunção e Ricardo Antunes.

DESFORMAS
Centro de Estudos Desmanche e Formação de Sistemas Simbólicos

DESFORMAS - CENEDIC – CEMARX

Seminário – PRECARIZAÇÃO, APARTHEID E DESMACHE

19.NOV.10 - Sala 100 Prédio das Ciências Sociais- FFLCH

14:30 - DIANA ASSUNÇÃO
(Secretaria de Mulheres do Sintusp e do Pão e Rosas)

A precarização tem rosto de mulher

Com a ofensiva neoliberal que se impôs contra a classe trabalhadora nas últimas décadas, os capitalistas procuraram tirar proveito de todo tipo de divisão nas fileiras do proletariado, para enfraquecer suas lutas e impor condições diferenciadas de exploração. As condições de opressão sobre as mulheres forneceram um dos fatores mais eficazes para esse objetivo.

Nesse sentido, o combate contra a opressão às mulheres, do ponto de vista classista, deve estar conscientemente ligado ao combate a todo tipo de divisão das fileiras da classe trabalhadora, numa perspectiva de luta de classes.

A constituição da Secretaria de Mulheres do Sintusp, não por acaso realizada após a importante greve protagonizada pelo Sindicato em 2009, visa responder a essa questão. De acordo com seus objetivos abertamente declarados, a Secretaria é uma ferramenta de luta do conjunto das trabalhadoras, em aliança com as estudantes. Buscamos desde o início estabelecer uma relação especial com as trabalhadoras terceirizadas da USP, explicando a essas mulheres que queremos estar lado a lado com elas na luta contra a divisão imposta a nossa classe.

15:10 - RICARDO ANTUNES
(IFCH/ UNICAMP)

Do infoproletariado à informalidade ampliada: as formas de ser da precariedade

Nossa aula pretende apresentar algumas teses que conformam o modo de ser da precarização do trabalho hoje.

Vamos explorar analiticamente, os seguintes pontos: a degradação do trabalho no século xx e xxi e suas diferenciações; a era da informatização e informalização do trabalho; a perenidade e a superfluidade do trabalho; o trabalho imaterial e as novas formas do valor, bem como a nova morfologia do trabalho hoje, com destaque para o infoproletariado e a precariedade, dentre outros pontos.


PARA CONFERIR A PROGRAMAÇÃO COMPLETA (2010-11) ACESSE O BLOG DO DESFORMAS: http://desformas.blogspot.com/

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pão e Rosas convida: debate sobre "violência contra as mulheres"

DIA 19/11, SEXTA, ÀS 19h


Local: Casa Hermínio Sacchetta de Cultura e Política,
Av. Anchieta, 51, Centro- Campinas, ao lado do "Pastel Voga

domingo, 14 de novembro de 2010

SINTUSP: Uma chapa combativa e classista para defender os lutadores!

Por Diana Assunção
trabalhadora da Faculdade de Educação e
membro da Secretaria de Mulheres do SINTUSP

Enquanto o governo e a Reitoria tentam destruir nosso Sindicato e a organização independente dos trabalhadores, inicia-se o processo de eleições para o SINTUSP. Trata-se de um momento importantíssimo, onde devemos buscar organizar os setores mais combativos que se expressaram durante as últimas greves para avançar em seu classismo, ou seja, para a compreensão profunda de que mesmo divididos em diferentes funções, categorias, regimes de trabalho (efetivos, temporários, terceirizados) e até em diferentes países os trabalhadores são uma só classe que têm em comum a exploração que lhes impõem os patrões e o governo. Devemos a partir desta ótica avançar na construção de um sindicalismo diferente do que temos visto nacionalmente – em especial os que já são diretamente dirigidos pela burocracia sindical, mas também os que se contentam em fazer um sindicalismo de esquerda que não se coloca no enfrentamento direto com a burguesia e o governo.

Para nós, revolucionários, as organizações operárias e seus partidos devem intervir nos Sindicatos para construir frações revolucionárias, que, como dizia Trotsky, lutem inicialmente por dois pontos essenciais: a independência do Sindicato em relação aos patrões e ao Estado Burguês; e a democracia sindical. Desde este ponto de vista que nos últimos anos viemos intervindo como uma ala minoritária na Diretoria do Sintusp, buscando aportar para avançar nos elementos classistas de programa e prática sindical, por uma verdadeira democracia operária. Ao mesmo tempo, buscamos profundamente unir, em primeiro lugar, programaticamente os setores de trabalhadores de nossa categoria com todos os setores explorados e oprimidos da sociedade, começando pelos trabalhadores terceirizados e temporários da própria universidade, pois partimos de que os sindicatos ainda representam setores minoritários da classe operária e para chegar em setores mais amplos precisam romper com o corporativismo.

Nós, que estamos construindo uma corrente político-sindical nas três universidades estaduais paulistas, fizemos um chamado ao Coletivo Piqueteiros e Lutadores, que hoje compõe a direção majoritária do Sintusp, a organizar uma chapa unificada dos setores combativos nestas eleições, pois consideramos que, apesar de nossas diferenças, seria um erro gravíssimo nos dividir neste momento. Propusemos este chamado, a partir de uma discussão programática que leve em consideração tudo que até hoje aprovamos em nossos Congressos e Assembléias, que já expressam uma base importante para um programa de classe. Diante da resposta positiva dos companheiros – que infelizmente se negaram a organizar uma convenção aberta para discutir o programa com os setores combativos de maneira mais ampla e democrática – nós vamos organizar reuniões em diversas unidades com outros ativistas e trabalhadores, buscando novos companheiros para fazer parte deste processo tendo como tarefa nº 1 a defesa dos lutadores e lutadoras.

SURTO DE CÓLERA NO HAITI: Mais um capítulo criminoso da política de ocupação

Por Simone Ishibashi

O Haiti encontra-se imerso em meio ao agravamento de fome, miséria e sofrimentos inauditos para a população. Em semanas o país se viu sendo assolado pelo pior surto de cólera. Desde meados de outubro cerca de 583 pessoas morreram, enquanto estima-se que cerca de 7 mil pessoas teriam sido infectadas. O surto já atingiu a capital Porto Príncipe. Agravando ainda mais a situação, o país também foi assolado pela passagem do furacão Tomas, que matou 21 pessoas.

Porém, nada disso tem “causas naturais”. O surto de cólera que castiga a população haitiana é uma decorrência direta da política do imperialismo norte-americano, que segue com um imenso contingente de tropas no país, e da ocupação da Minustah, chefiada pelo governo brasileiro de Lula desde 2005. O Haiti, que há cinco anos sofre os efeitos da ocupação foi assolado por um imenso terremoto em janeiro deste ano, que matou milhares de pessoas, e arrasou sua capital. A política dos EUA, da Minustah e da ONU foi de aumentar os efetivos militares e investir em incrementar a repressão sobre o povo. Enquanto isso, a infra-estrutura, precária mesmo antes do terremoto, e reduzida a pó após este, além dos hospitais, escolas e moradias destruídas seguem formando montes de entulhos nas cidades, o que cria as condições para a proliferação de todos os tipos de doenças, gerando uma situação completamente insalubre. A atuação das tropas imperialistas e da Minustah frente ao surto de cólera é mais uma demonstração de que para estes a vida dos haitianos nada vale.

Enquanto o povo haitiano sucumbe na miséria, doença, humilhação e opressão, o governo brasileiro chefiado por Lula, em um de seus últimos atos no poder acaba de aprovar cerca de R$ 10, 1 milhões de indenizações para os familiares de 18 militares que serviram na Minustah. Ao povo haitiano a única coisa que o governo brasileiro dá são mais mortos, mulheres estupradas e repressão a todos que lançados pelo desespero tomam ações que questionam a ordem. Sabe-se que as tropas brasileiras que foram ao Haiti são responsáveis por sangrentos assassinatos em massa, e pela brutal opressão que agrava ainda mais as péssimas condições de vida dos haitianos, que ao contrário do que propaga a imprensa burguesa encontra-se em franca piora desde o início da ocupação em 2005. A reacionária ocupação do Haiti é uma das políticas que será continuidade pela presidente eleita, Dilma Roussef. É preciso acabar com a ocupação do Haiti, reivindicando que toda a ajuda humanitária seja controlada pelas organizações dos trabalhadores e populares.



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A respeito do InterUnesp, da homofobia na USP e do racismo contra os nordestinos. Espectros do capitalismo em decadência: respondamos à altura!

Por Simone Ishibashi, diretora da revista Estratégia
Internacional Brasil e dirigente da LER-QI
"Até agora, os homens formaram sempre idéias falsas sobre si mesmos, sobre aquilo que são ou deveriam ser. Organizaram as suas relações mútuas em função das representações de Deus, do homem normal, etc., que aceitavam. Estes produtos do seu cérebro acabaram por os dominar; apesar de criadores, inclinaram-se perante as suas próprias criações. Libertemo-los, portanto, das quimeras, das idéias, dos dogmas, dos seres imaginários cujo jugo os faz degenerar."
Marx, A ideologia alemã

Nas últimas semanas as páginas dos jornais foram inundadas com notícias que chocaram amplamente a opinião pública, ou pelo menos um setor desta que conserva o mínimo de razão e humanidade. Primeiro, a contaminação total e completa do debate eleitoral com temas como a religião, transformando discussões que deveriam ser políticas e em torno de direitos democráticos elementares, como o direito ao aborto, em um referendo sobre a religiosidade, que mais bem lembrava a Idade Média. Serra, cujo partido já encampa a “campanha pela vida”, que ao lado da Igreja se lança raivosamente contra o direito ao aborto, aproveitou para bradar em alto e bom som suas reacionárias opiniões sobre o tema. Dilma, para constrangimento de todas as mulheres do país, mergulhou com tudo na onda do obscurantismo e publicou uma vergonhosa carta se comprometendo a “não tomar nenhuma ação que fira a família brasileira”, entre outras declarações do estilo. Algum dos candidatos da burguesia se declarou, aproveitando a presença do “Santíssimo papa” em terras brasileiras em meio ao processo eleitoral, para condenar os escândalos de pedofilia – prática que data dos tempos imemoriais – da Igreja? Para questionar a atuação do papa, que todos sabem ter encoberto com um véu tecido com a mais asquerosa impunidade os padres que por décadas abusaram sexualmente de crianças em países como a Irlanda? Evidentemente, não. Ao contrário, todos rifaram o seu “espírito republicano” em troca do apoio da “imaculada” Igreja.

É com este pano de fundo que em um intervalo curtíssimo de tempo aconteceram o caso de agressão por homofobia a estudantes homossexuais da USP, o infame (para colocar um adjetivo publicável, pois o episódio merece outros impublicáveis para descrevê-lo à altura dos fatos) “rodeio das gordas” no InterUnesp, e após as eleições vieram à tona as declarações de uma estudante de Direito incitando a que se “afogasse” um nordestino e várias outras do mesmo teor. Em um intervalo de alguns dias tivemos diante de nossos olhos o inaceitável e repugnante show de horror condensado do reacionarismo capitalista em doses cavalares: homofobia, machismo e racismo expressados de maneira tal que realmente nos obriga a refletir mais pausadamente sobre o seu conteúdo mais profundo. Enquanto o Tea Party se alça à política norte-americana, com quatro senadores e dezenas de parlamentares, sob o lema “patriotas norte-americanos para retomar o que é nosso,” em nosso país os ventos regressivos sopram nos episódios acima citados. Enquanto nos EUA os direitistas mascaram que os arranha-céus e todas as riquezas norte-americanas emergiram sobre o sangue e o suor dos imigrantes, aqui em São Paulo, cuja construção teria sido impossível não fossem as mãos e a inteligência dos trabalhadores nordestinos, há poeiras de humanidade que clamam pelo seu afogamento! A quê isso corresponde?

Num nível mais imediato vemos que todos os três episódios recentemente ocorridos aqui foram executados por jovens, estudantes universitários (dois deles oriundos das principais universidades do país, a USP e a UNESP), provenientes da classe média. Isso questiona noções fartamente aceitas pelo senso comum segundo o qual estes seriam os setores ilustrados da sociedade e, portanto, os portadores de uma visão mais avançada. Não é de todo chocante que isso ocorra ai, pois de espaços de questionamento à ordem instituída, cada vez mais os planos dos governos para as universidades é transformá-las em centros de formação e reprodução da ordem capitalista. Isso inclui ideologia, valores e comportamentos. Em regra geral, não há, por exemplo, disciplinas que se dediquem a estudar a luta das mulheres ao longo da história. Poucas são dedicadas à trajetória das mobilizações dos negros. Porém, são iniciativas isoladas que obrigam a que se pense mais profundamente a serviço de quê e de quem está a universidade. A transformação desta realidade, a partir do combate pela real democratização da universidade, colocando-a a serviço dos interesses dos trabalhadores, é uma necessidade imperiosa.

De uma perspectiva mais profunda, porém, estas ações correspondem em primeiro lugar à própria decadência da dominação burguesa e do capitalismo, que se faz sentir de maneira cada vez mais aberta no nosso presente imediato. Lênin, em sua famosa obra, O Imperialismo, tratou de demonstrar como a fusão do capital bancário com o capital industrial, transformando-se em capital financeiro, levaria à uma crescente tendência à criação de monopólios. Estes, por sua vez, tornariam as disputas por mercados mais acirradas e violentas. Daí a caracterização famosa de que vivemos em uma época de crises, guerras e revoluções. Só a classe trabalhadora e sua revolução poderiam dar uma saída progressista a esta situação. Porém, a revolução mundial teve sua dinâmica congelada, por uma série de fatores objetivos e subjetivos, o que culminou na restauração burguesa após a ofensiva neoliberal, e varreu, momentaneamente, o horizonte da revolução do imaginário da classe trabalhadora. A isso correspondeu a instauração de uma ideologia baseada no ultra-individualismo e consumismo exacerbado. Portanto, há a adoção de uma ideologia padronizada de comportamento, objetivo e estético, em que a humanidade se realizaria plenamente apenas na sua relação de consumo com as mercadorias. É o fetichismo das mercadorias elevada à sua máxima potência. Entretanto, hoje, a grande questão que se abre é que a crise capitalista mundial, a despeito dos ventos de crescimento econômico (até quando?) do Brasil, demonstra a validade da caracterização de nossa época feita por Lênin. Não é possível mais sustentar a realização humana nas mercadorias adquiridas a crédito. O sistema está se decompondo. E os setores mais reacionários da sociedade já começam a colocar em marcha sua reação ideológica, em doses ainda muito pequenas se comparadas aos anos 30 do século passado, já que a classe trabalhadora ainda não expressou sua força. Vemos isso no Tea Party. Com outras características, vemos isso de maneira menos diretamente política nos episódios de homofobia, racismo e machismo ocorridos nas últimas semanas.

Em segundo lugar há que se partir de que sem o preconceito, a homofobia, o machismo e o racismo, o capitalismo não se sustenta. O motivo é bastante concreto. Tem suas origens na própria acumulação de mais-valia, elemento básico e essencial do funcionamento da lei do valor que rege o capitalismo. A burguesia, para poder ampliar seus lucros, distingue os seres humanos entre várias categorias, alguns valem mais no mercado de trabalho, outros menos. Assim, características físicas, de gênero, de origem nacional e social regulam o valor da mão-de-obra. Se você é mulher, receberá menos pelo mesmo trabalho realizado por um homem. Se for mulher e negra, menos ainda. Se for mulher, negra e nordestina, é provável que o que receberá mal possa ser chamado de salário. E, por qual motivo, se muitas vezes faz o mesmo trabalho que outros que recebem muito mais? É aí que entra a importância dos preconceitos disseminados pela burguesia para sustentar o capitalismo. Por exemplo, a segregação racial nos Estados Unidos só foi abolida em 1964, justamente no momento em que o país abre as portas para a entrada massiva de mão-de-obra estrangeira, sobretudo mexicana. Ainda que o preconceito contra os negros persista, e nunca acabará enquanto houver capitalismo, houve um pacto através das “ações afirmativas”, que só pôde ocorrer por que a burguesia imperialista passou a extrair lucros da mão-de-obra proveniente dos imigrantes latino-americanos e hispânicos. O grande trunfo da burguesia imperialista norte-americana foi assim separar os trabalhadores hispânicos dos trabalhadores negros, impedindo que unissem seu combate ao preconceito em um combate contra a exploração.

De outro prisma, podemos dizer que da mesma maneira que a burguesia não pode explicar sua permanência como classe dominante, num sentido materialista-histórico profundo, pois se isso fosse feito se chegaria à conclusão que seu jugo atual é regressivo e provedor das misérias econômicas, morais e intelectuais que afligem a humanidade, tampouco os preconceitos disseminados pelo capitalismo podem ser apreendidos de acordo com um sentido minimamente coerente. Existem como afirmações apriorísticas, construídas historicamente, para garantir a extração de lucro e atender aos interesses das burguesias na exploração de suas próprias classes trabalhadoras, e no caso das burguesias imperialistas, para justificar o massacre e o espólio sobre os demais povos do mundo. Foi assim com a perseguição do nazismo aos judeus. É assim na perseguição de palestinos pelos israelenses hoje. Os preconceitos legitimam a idéia de que os dominadores são mais humanos que os dominados. De que a dominação não se dá por conta de interesses de uma classe, mas tem origens “naturais”.

Os preconceitos e a opressão acabam tomando vida própria, rompendo as amarras da dominação econômica direta. Não se sabe se os três grupos de indivíduos do caso de homofobia da USP, do “rodeio das gordas” do InterUnesp, e a figura que clama pela morte dos nordestinos são parte da patronal diretamente. Mas o que eles manifestaram não era mera “alienação” juvenil, como muitos poderiam acreditar, mas uma posição inconsciente de classe, que antecipa uma ideologia perigosamente já experimentada na história. Digamos inconsciente porque nenhum deles se declarou abertamente membro de uma organização ultra-direitista. Porém, longe está de ser uma manifestação, condenável decerto, mas que não é para nada inocente.

Os nazistas, não nos esqueçamos, davam aulas em suas universidades sobre como as características físicas dos judeus demonstravam que seriam inferiores e que, portanto, seu extermínio era não só legítimo, mas necessário para que a humanidade se desenvolvesse em base a seus “melhores genes”. Menghele, o odioso médico que chefiou o campo de Aushwitz, realizou milhares de experimentos para alterar as características físicas dos detentos, como por exemplo, injetar tinta azul nos olhos das vítimas, numa tentativa de “arianizar” os que ali estavam. Mas estas lições de bestialidade que só as mais execráveis poeiras de humanidade poderiam executar foram antecedidas por uma preparação ideológica e material de anos a fio. Paralelo ao apoio nas classes médias arruinadas da Alemanha contra as organizações do movimento operário, os nazistas edificaram a ideologia segundo a qual as diferenças não poderiam existir. De que tudo que não seguisse os conceitos determinados pela “beleza e pureza” arianas deveria perecer. De que a superioridade de uns sobre os outros seria natural… Isso justificaria o comportamento de humilhação e opressão em proporções bárbaras de uns sobre outros? Em escala bastante menor, é certo, mas não estaríamos diante da emergência do embrião de uma ideologia similar, adequada às condições históricas atuais?

Trotsky, o grande revolucionário russo, analisando a situação francesa dos anos 30 da década passada, quando o país atravessava uma grave crise econômica, política e social, estando sob a dominação de um governo bonapartista de inspirações fascistas, questionará contundentemente a noção de que as classes médias são por definição os setores moderados e democráticos da sociedade capitalista. “Quando a classe média perde as esperanças é facilmente atacada pela raiva e se dispõe a abandonar-se a medidas das mais extremas. (…) O fascismo unifica e dá armas às massas dispersas; de uma ‘poeira’ de humanidade – segundo nossa expressão – faz destacamentos de combate. Assim dá à pequena-burguesia a ilusão de ser uma força independente. Ela começa a imaginar que, realmente, comandará o Estado. Não há nada de surpreendente em que estas ilusões e esperanças lhe subam à cabeça!”.

Assim, Trotsky dizia que uma parcela da pequena-burguesia se alia ao proletariado, enquanto outra se lança aos braços da burguesia. Evidentemente não estamos em uma situação em que isso ocorra da maneira como Trotsky aqui descreve. A polarização social está ainda longe de atingir um grau que abra este tipo de situação, sobretudo pela ausência de protagonismo da classe trabalhadora. Porém, a crise capitalista internacional segue vigente, e anuncia que estes momentos virão. Sua resolução muito dependerá da capacidade da esquerda de nos momentos preparatórios como o que vivemos, responder aos ensaios reacionários da classe antagônica de maneira contundente. É preciso, portanto, que a esquerda de conjunto se levante contra os episódios ocorridos, de maneira veemente, rompendo os limites da superficialidade, com que a mídia (e no caso da Unesp a própria reitoria) busca retratar tais casos, apesar de ter que condenar tais ações. O que está em jogo é a seriedade com a qual serão encarados os embates do futuro. Lênin, outro gigante da revolução, nunca esqueceu de chamar a atenção da juventude e das massas trabalhadoras para o fato de que a consciência da classe operária – certamente a classe mais prejudicada com o avanço de tais manifestações apodrecidas de vida, como a homofobia, o racismo e o machismo – não pode ser uma consciência política verdadeira, se os operários não estiverem habituados a reagir contra todo abuso, toda manifestação de arbitrariedade, de opressão e de violência, onde quer que se produza, quaisquer que sejam as classes atingidas; e a reagir justamente do ponto de vista revolucionário, e não sob qualquer ponto de vista. Nesse sentido, fazemos coro à pronta nota de repúdio solta pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) acerca do caso InterUnesp.

A esquerda, a classe trabalhadora, os movimentos de mulheres e de direitos humanos, bem como a juventude, sobretudo das universidades em questão, tem de responder à altura, não apenas punindo os culpados, mas criando um ambiente de completa e resoluta intolerância contra este tipo de manifestação. Colocamos nossos corpos, vozes, força e vontade na mais decidida defesa contra todas as opressões e discriminações!