quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil 2012: estupro de mulheres é sinônimo de amor para a rede Globo de televisão

Por Adriano Favarin e Clarissa Menezes


Conivência e encobertamento de crime pela rede Globo: após exibição de estupro ao vivo no Big Brother Brasil e da emissora tentar mostrar o estupro como algo consentido, Daniel é expulso do programa por ter “infringido as regras do jogo”.


No dia 15 de janeiro de 2012 foi ao ar a maior inovação da rede Globo de televisão: o estupro ao vivo. Circularam pela internet vídeos que mostram o momento em que Daniel entra debaixo do edredom onde Monique se encontra deitada e durante alguns minutos abusa sexualmente da garota, que permanece imóvel, totalmente desacordada. Após as primeiras manifestações de indignação começarem a circular pelas redes sociais, a emissora tenta retirar os vídeos de circulação da web. Na noite de domingo, na apresentação do programa em rede aberta, a edição do programa faz parecer que toda a situação foi consentida, terminando a exibição com a exclamação de um sorridente Pedro Bial: “o amor é lindo!”.


Além de não ter intercedido para impedir que o crime acontecesse, a emissora, sua direção e produção, agora se valem da lógica machista para encobertar com um véu (no caso, um edredom) de ‘amor’, a sujeira nojenta do crime com o qual foram coniventes! Mas a mídia é podre, e os programas de fofoca também quiseram tirar uma ‘casquinha’ do abuso sofrido pela Monique e ‘sensacionalizaram’ aos quatro ventos o “possível” abuso, cada um tentando abocanhar o maior ponto na corrida pelo IBOPE. Frente a todo esse alarde e a indignação crescente nas redes sociais, na noite do dia 16 de janeiro, o mesmo Pedro Bial da "beleza do amor", anunciou a eliminação do Daniel por ter “infringido as regras do jogo” e só! Em apenas dois dias, a Monique foi violentada por Daniel, Pedro Bial, ‘Boninho’, Sonia Abraão, entre outros...


Enquanto a mídia lucra com a mercantilização da violência à mulher e reproduz a ideologia dominante do machismo, milhares de mulheres são estupradas todos os dias por seus pais e padrastros, irmãos, parentes, amigos, namorados, maridos, com a mesma naturalidade que ocorreu no BBB, e guardam para si a violência, em silêncio, porque o machismo é tão naturalizado, que o homem se sente no direito de violentar, e a mulher se sente envergonhada e culpada por ter sido violentada.


O programa de reality show, Big Brother Brasil, que aliás de reality nada tem, é uma verdadeira exibição de opressões. Para dar ao programa um conteúdo menos alheio à realidade e supostamente mais democrático a emissora tem adotado “cotas” e escolhido em suas edições uma ou outra pessoa chamada hoje de “minorias”, como negros e negras, gays e lésbicas, e uma ou outra mulher fora do padrão estético da ditadura da beleza esbelta, ou que seja bissexual. Na “realidade” da rede Globo, as mulheres e homens têm corpos moldados, esbeltos, malhados. Uma “grande” contribuição para a sociedade presta essa emissora, que faz grande alarde midiático em torno de um programa que nada acrescenta à ninguém, e que é pautado em valores burgueses espúrios, como a competição a todo custo, mostrando relações superficiais e falsas entre os participantes, pois tudo não “passa de jogo” no qual todos querem ganhar.

A mulher enquanto objeto a ser o mais moldado e lustrado da prateleira



Dentro de uma sociedade que sobrevive da repressão sexual, da imposição de valores castos, de uma inibição em forma de tabu acerca da sexualidade e de uma moral voltada para a reprodução e manutenção da família patriarcal monogâmica, a mídia tanto se vale desse recalque sexual da sociedade para lucrar em cima da exploração dos corpos femininos, quanto para reproduzir os valores machistas e sexistas que alimentam essa sociedade sexualmente repressora. Não a toa que, dia-a-dia, nos mais diversos programas, a ditadura da beleza é exposta: seja nos ‘reality shows’, nos programas de auditório, nas novelas, nos programas de fofoca e até nas reportagens de telejornais. Em uma parceria inescrupulosa com as indústrias de cosméticos e com a medicina da beleza.


Na mesma medida que essa exploração gera lucros milionários para esses empresários, reproduz a ideologia de que à mulher não pertence o seu corpo, expropria-se da mulher o seu corpo enquanto totalidade e o seu ser enquanto sujeito e a transformam em partes-objetos a serem degustados: uma bunda, um seio, uma vagina, uma boca, uma coxa, um rebolado, etc. Ao mesmo tempo, a mulher perde todo o seu direito de determinação e se torna a eterna Eva de sua desgraça. A mulher, vítima dessa serpente que é o capitalismo – onde alguns poucos empresários burgueses lucram com a apropriação e exploração sexual do corpo feminino – terminam por serem culpadas do abuso que sofrem, na medida que, nessa empreitada lucrativa, esses mesmos empresário burgueses reproduzem a ideologia opressora machista que permite a continuidade dessa exploração! É hora de transmutarmos essa culpa para os veículos da mídia e as indústrias de cosméticos e da ditadura da beleza que nos exibem como objetos e se valem da nossa utilização enquanto corpos violáveis e disponíveis para lucrarem milhões!


Milhares de mulheres já sofreram abusos sexuais. Muitas na infância, pelo pai, padrasto, tios, parentes próximos ou amigos de familiares. A imposição de uma “ditadura da beleza” é parte do nicho de mercado desses grandes monopólios de comunicações e industrias e é alimentado por estes no ideário de um padrão de beleza pautado na juventude eterna regrada à muitas plásticas, cirurgias e cosméticos, bem como na coisificação da mulher desde a sua mais tenra infância, transformando uma menina em uma mulher, não uma mulher-sujeito, mas desde pequena em uma mulher-objeto.


Além da lucratividade, essa prática gera a reprodução ideológica da própria estrutura social construída na base da moral repressora sexual, que além de criarem mulheres para serem frágeis e submissas, criam homens para serem brutos e violentos que só são capazes de garantir sua satisfação sexual na base da força e da possessão do corpo feminino, aqueles que não conseguem cumprir com sua “obrigação social” de possuir uma mulher se sentem no direito de utilizar da sua força física ou de aproveitar determinada situação (quando a mulher está desorientada ou desacordada, seja pelo álcool, seja pela indução de substancias adicionadas sem seu consentimento, conhecidas como o “boa noite cinderela”) ou relação de poder (como abusos de crianças e adolescentes em geral por parte de familiares) para garantir a sua satisfação sexual.


Enfrentar a gigante Globo, as indústrias da beleza e as demais mídias não é tarefa fácil, ainda mais quando esse enfrentamento representa um combate aos pilares que sustentam a manutenção desse sistema social. Não nos espantaria se Monique viesse a público afirmar que foi um ato consentido. Assim como a maioria das mulheres violentadas terminam obrigadas a regressarem de volta às suas casas, caladas, amedrontadas e desmoralizadas.


A luta contra o machismo que é perpetrado diariamente em nossas vidas, desde que nascemos, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia tem que se enfrentar contra a moral sexual que constrói ideologicamente os sujeitos e suas relações. Essa moral propagada e reproduzida, porém, é fruto das necessidades econômicas da sociedade, e hoje, ela emana das bases da sociedade capitalista. Combater seriamente o machismo, o sexismo e a homofobia não é tarefa fácil exatamente porque significa combater tanto o sistema capitalista de produção quanto a sua reprodução moral e de valores.


Nesse sentido não podemos esperar nada dos governos para além de promessas e barganhas de direitos pontuais em troca de acordos políticos. Demonstração disso foi a tímida manifestação da Ministra petista Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres que solicitou ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro que apurasse o caso, enquanto isso, milhares de mulheres continuam sendo abusadas sexualmente e o governo nada faz para atacar o cerne da reprodução dessa lógica social, muito pelo contrário, mantém sua posição contra os mais democráticos direitos da mulher como a legalização ao aborto ou a educação sexual nas escolas em favor do Acordo Brasil-Vaticano pelo ensino religioso! Segundo o jornal O Dia, a polícia foi até o Projac na tarde do dia 16/01 colher depoimento da vítima e do agressor, sendo à noite anunciada por Bial a saída de Daniel por “infringir as regras do programa”. Desde quando a rede Globo possui foro privilegiado? Estupro é crime e devem ser punidos, não somente o Daniel, como a rede Globo, o apresentador, a produção e a direção do programa BBB12 que poderiam ter impedido e não o fizeram, se omitiram, foram coniventes e ainda tentaram transformar o estupro em uma “ linda cena de amor!”.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

II Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP: "Opressão - Repressão - Perseguição"

Quinta-feira, dia 15 de dezembro na Faculdade de Educação – Sala 102 Bloco B

10h – MESA de abertura “Opressão, repressão, perseguição”
- Diana Assunção, diretora do Sintusp e do grupo de mulheres Pão e Rosas
- Rosi Santos, estudante e militante do Práxis – Socialismo ou Barbárie
- Ex-trabalhadoras terceirizadas da UNIÃO

13h – Intervalo para Almoço 14h – Roda de discussão sobre a situação da universidade e resoluções

O II Encontro de mulheres trabalhadoras da USP ocorre num ano marcado pelas lutas contra a opressão, a repressão e a perseguição. Esses três pilares em que a Reitoria e o governo do estado se baseiam para aprofundar a nossa exploração e para conseguirem implementar o seu projeto privatista de universidade tem se intensificado. Logo nos primeiros dias do ano, tivemos 270 companheiras/os demitidas/os. Dentre eles, vimos companheiras que perderam uma parte essencial de sua renda que sustentava não só a elas e seus filhos, como netos e outros membros da família. Tal medida já anunciava o grande corte que a Reitoria promete fazer no quadro de funcionários, que prepara com a aprovação do PROADE. E com esse projeto pretende demitir também com base em critérios políticos, no caso do funcionário ter participado ou não de greves e manifestações, numa clara perseguição aos lutadores e lutadoras.

Justamente em decorrência de uma paralisação que realizamos contra as 270 demissões, mais diretores do Sindicato e ativistas dentre eles 4 mulheres estão sendo processadas com risco de demissão por justa causa, se somando aos outros tantos processos que a diretoria do sindicato está respondendo e à demissão inconstitucional de Brandão que ao exercer o seu papel de representante sindical em atividades e inclusive defendendo o direito das trabalhadoras terceirizadasfoi demitido por justa causa.Também no primeiro semestre, nossas companheiras terceirizadas realizaram uma importante greve que desvendou a intenção da Reitoria em cada vez mais aumentar o trabalho semiescravo na universidade, apoiado na opressão que todas nós sofremos que nos relega aos salários mais rebaixados e às piores condições de trabalho em todo o país. Mais uma greve que fez mais de 400 mulheres levantarem as cabeças e não mais aceitarem a opressão e extrema exploração a que ficam submetidas.

Nesse momento, passamos por uma greve das/os nossas/os companheiras/os estudantes que estão lutando contra a presença da polícia no campus e nas favelas e periferias, colocando um questionamento profundo ao papel social dessa instituição em todo o nosso país, e denunciando seu profundo caráter machista, racista e homofóbico, e assassino. Nesse processo, vemos a repressão utilizada pela reitoria atingir um alto grau de ofensividade, ao prender 73 companheiras/os, dentre elas/es 4 funcionários, sendo dois CDBs e uma das diretoras do Sintusp, por se manifestar politicamente.

Nessa prisão, a opressão, a repressão e a perseguição se somaram para intensificar ainda mais o ataque da reitoria. Os policiais a mando de Rodas e de Alckmin perseguiram os envolvidos no movimento, reprimiram os que ocupavam, e oprimiram as companheiras que estavam sendo presas. Deixaram-nas numa sala sozinhas com policiais homens que as humilharam e as ameaçaram, e uma das companheiras foi torturada em uma sala isolada por mais de 30 minutos.

Esse ano o Reitor mostrou que realmente quer destruir quem luta, quem estuda e quem trabalha, prepara para todos os funcionários (as), estudantes e professores, a intensificação desta verdadeira ditadura. E vemos que claramente nós, mulheres, trabalhadoras, seremos ainda mais atacadas. Nossas companheiras terceirizadas e estudantes já começam a se levantar fortemente contra tudo isso, nos dando força para todas juntas, com nossos companheiros, impedirmos o avanço desses ataques.

Por isso, convidamos as trabalhadoras a participar desse II Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP, para que possamos nos organizar para discutir essa opressão e a escalada de perseguições que está posta, e para combatermos com todas as nossas forças a política do Reitor e o governo que querem impor cada vez mais o medo, o silêncio, a submissão. Este é um encontro aberto a todas as mulheres da universidade, bem como as trabalhadoras terceirizadas e as estudantes!

Abaixo à repressão, abaixo à opressão!
Fora Rodas!
Anulação dos inquéritos contra os 73 presos políticos!
Retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores!
Readmissão de Brandão!

- PARA SE INSCREVER LIGUE OU ENVIE UM E-MAIL PARA O SINTUSP COM NOME COMPLETO E UNIDADE
- Telefone: 30913480
- E-mail: sintusp@sintusp.org.br

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nota pública dos presos políticos da USP [08/11/11]

NOTA PÚBLICA DOS PRESOS POLÍTICOS DA USP 
São Paulo, 08 de novembro de 2011 - 14h15.

Nós, estudantes da USP, que lutamos contra a polícia na universidade e pela retirada dos processos administrativos contra estudantes e trabalhadores, viemos por meio desta nota pública, denunciar a ação da tropa de choque e da polícia militar na madrugada do dia 8/11.

Numa enorme demosntração de intransigência em meio ao período de negociação e na calada da noite, a reitoria foi responsável pela ação da tropa de choque da PM que militarizou a universidade numa repressao sem precedentes. Num operativo com 400 homens, cavalaria, helicópteros, carros especializados e fechamento do Portão 1 instalou-se um clima de terror, que lembrou os tempos mais sombrios da ditadura militar em nosso pais.

Resistimos e nos obrigaram a entrar em salas escuras, agrediram estudantes, filmaram e fotografaram nossos rostos (homens sem farda nem identificação). Levaram todas as mulheres (24) para uma sala fechada, obrigando-as a sentarem no chão e ficarem rodeadas por policiais homens com cacetetes nas mãos. Levaram uma das estudantes para a sala ao lado, que gritou durante trinta minutos, levando-nos ao desespero ao ouvir gritos como o das torturas que ainda seguem impunes em nosso país. Tudo isso demonstra o verdadeiro caráter e o papel do convênio entre a USP e a polícia militar.

A ditadura vive na USP. Tropa de choque, polícia militar, perseguições a estudantes e trabalhadores, demissão de dirigentes sindicais, espionagem contra ativistas e estudantes, repressão através de consultas psiquiátricas aos moradores do CRUSP (moradia estudantil).

Nós, que estamos desde as 5h sob cárcere e controle dos policias, chamamos todos a se manifestarem contra a prisão de 73 estudantes e trabalhadores por lutarem com métodos legitimos por seus direitos.

Responsabilizamos o reitor Joao Grandino Rodas, e toda a sua burocracia acadêmica e o governador do estado de SP Geraldo Alckmin, junto ao seu secretário de seguranca pública, por toda a repressao dessa madrugada. Reafirmamos nossa luta contra a polícia, dentro e fora da universidade, que reprime a população pobre e trabalhadora todos os dias.

Fora PM! Revogação do convênio! Retirada dos processos! Liberdade aos presos políticos!

"Pode me prender, pode me bater, pode até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião! Porque da luta eu não saio não!"

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Exigimos a liberdade imediata de Diana Assunção, diretora do SINTUSP e lutadora pelos direitos das mulheres e a de todos/as os/as presos/as!

DECLARAÇÃO DO PAN Y ROSAS ARGENTINA E MÉXICO EM APOIO À LUTA DA USP


Exigimos a liberdade imediata de Diana Assunção, diretora do SINTUSP e lutadora pelos direitos das mulheres e a de todos/as os/as presos/as!


Liberdade para Diana e todos/as os/as presos/as da USP! 



Desde o começo do semestre, a reitoria da USP se encontra tomada por jovens estudantes, docentes e não docentes, que se organizaram para repudiar a livre circulação das forças policias no interior da Universidade. Essa militarização foi levada adiante pelo reitor João Grandino Rodas, que em nome de uma “educação de excelência” privatista, cercou o prédio da USP com policiais.



No inicio da semana, milhares de estudantes tomaram as ruas da Cidade Universitária e bloquearam a entrada da Universidade exigindo a retirada da policia. Hoje de madrugada, com métodos próprios da ditadura militar, um operativo de 400 adentrou pela força a reitoria detendo 70 estudantes, entre os quais se encontra Diana Assunção, fundadora da agrupação Pão e Rosas Brasil, e diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP.

Na luta estudantil ainda aberta no Chile, na UNAM no México e agora na luta contra a militarização na Universidade de São Paulo, vimos as mulheres participar ativamente. Por isso, desde o grupo de mulheres Pão e Rosas Argentina, chamamos a todas as organizações de mulheres, de trabalhadoras/es, estudantes, políticas, sociais e de direitos humanos, a apoiar a luta da USP, denunciando a ação da policia enviada pelo Governador Geraldo Alckmim e o reitor Rodas e exigir a imediata liberdade de todos/as os/as presos/as!

Basta de criminalização ao movimento estudantil e as/os trabalhadoras/es em luta!


Fora a policia da USP! Abaixo o convênio entre USP e a PM! Fora policia das Universidades, periferias e favelas!

Pan y Rosas Argentina 
Pan y Rosas México

URGENTE: Liberdade imediata aos presos políticos da USP! Abaixo a ditadura de João Grandino Rodas!


URGENTE: Liberdade imediata aos presos políticos da USP! Abaixo a ditadura de João Grandino Rodas!



Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, repudiamos a brutal repressão aos lutadores e  lutadoras da Universidade de São Paulo e nos manifestamos pela IMEDIATA liberdade aos presos políticos do reitor da USP, João Grandino Rodas. 

Na madrugada de hoje (08/11) um enorme aparato policial, com cerca de 400 policiais da tropa de choque que arrombaram a reitoria ocupada pelos estudantes, prendeu cerca de 70 pessoas, dentre elas Diana Assunção, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas e diretora do Sindicato de Trabalhadores da USP. Nessa ofensiva que militariza a Universidade, como não se via desde os tempos da ditadura militar (aclamada por Rodas), o reitor da USP junto ao governador Geraldo Alckmin quer calar as vozes de lutadores e lutadoras que lutam contra a presença da PM na universidade, nos morros e favelas!  

Estudantes de Letras da USP estão agora paralisados em repúdio à militarização da USP e prisão dos estudantes que lutam, assim como estudantes de Ciências Sociais da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP).  Não vão nos calar! Pedimos a mais ampla solidariedade, envio de manifestações de repúdio, apoio de organizações de direitos humanos, sindicatos, entidades estudantis, intelectuais.

Grupo de mulheres Pão e Rosas. 
08/11/11 - 9h25

paoerosasbr@gmail.com

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Até quando decidirão por nós? Aborto legal, livre, seguro e gratuito!


28 de setembro - Dia latino-americano e caribenho pelo direito ao aborto


Por Rita Frau

Faz quase um ano que Dilma foi eleita a primeira mulher presidenta do Brasil com o discurso de que sua vitória representaria a transformação na vida das mulheres brasileiras, mas desde as eleições, vimos os direitos democráticos das mulheres serem trocados por votos retrocedendo a luta pelo direito ao aborto.
No Brasil aproximadamente 1 milhão de mulheres realizam abortos clandestinos, e segundo o Ministério da Saúde, 50% são em condições insalubres, feitos pelas próprias mulheres que chegam a levar à morte. Isso, porque as mulheres pobres não podem pagar os altos preços que são cobrados nas clínicas clandestinas. Sendo a quarta causa de morte entre as brasileiras, em alguns estados, é a primeira, como na Bahia, aonde a maioria são mulheres negras, que correm o risco de morte 2,5 vezes a mais do que as mulheres brancas. A curetagem após abortos realizados em condições anti-higiênicas foi a cirurgia mais realizada pelo SUS, entre 1995 e 2007. A Pesquisa Nacional de Aborto (2010), afirma que 1 em cada 5 mulheres, ao completar 40 anos, já fez aborto. Estes dados mostram que apesar da criminalização, a prática do aborto clandestino é uma triste realidade, e o Estado brasileiro junto à Igreja condenam as mulheres à morte e à humilhação.

As garras da Igreja pedófila seguem sobre os corpos das mulheres

O Estado segue de mãos dadas com a Igreja pedófila, nos fazendo acreditar que a realização máxima da vida de uma mulher é a maternidade, enquanto mulheres são presas, estupradas e morrem. O ex-nazi Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, e parte de seu escalão clerical foram denunciados, dessa vez para ao Tribunal Penal Internacional, por tolerância e proteção aos padres envolvidos a crimes de pedofilia. Não são poucos os casos de pedofilía e barbaridades cometidas pelas Igrejas contra as mulheres e a classe trabalhadora, como o apoio as ditaduras militares em países da América Latina. A Igreja sempre esteve ao lado da burguesia para defender seus interesses difundindo uma moral cristã, que mantém as mulheres subjugadas, com suas vidas destinadas à construção familiar e proibidas de decidirem pelos próprios corpos. A Igreja além de sustentar o machismo, o patriarcalismo, também legitima a violência contra homossexuais, ao defender a sexualidade destinada apenas à reprodução. E o governo Dilma, em continuidade à política de Lula, segue privilegiando os interesses da Igreja católica e evangélica em detrimento de milhares de mortes de mulheres, e à manutenção da homofobia, como vimos com o veto do governo do Kit-antihomofobia.
O Acordo Brasil-Vaticano assinado por Lula, que até hoje se mantém, permite o ensino religioso, reproduzindo a moral cristã que nega a liberdade de discussão nas escolas, o livre exercício da sexualidade, e que nega a anticoncepção e o uso de preservativos. No mês de agosto, o papa fez uma viagem à Espanha que custou R$ 230 milhões, financiada pelo governo Espanhol, e hipocritamente fez uma campanha reacionária para perdoar as jovens que já abortaram, causando protestos de diversos setores que foram reprimidos pela polícia. Nossa luta deve ser completamente independente da Igreja pedófila e assassina!

A criminalização do aborto: um apoio à exploração capitalista no Brasil

O Estado e os capitalistas ao mesmo tempo, que criminalizam o aborto, não permite que as mulheres tenham o direito à maternidade plena, pois legitimam a dupla jornada de trabalho para que sigam responsáveis pelas tarefas domésticas, garantindo assim as necessidades da família e desta maneira negando salários que cubram os reais custos de vida e a existência de restaurantes públicos, lavanderias e creches em todos os locais de trabalho. Além disso, as mulheres trabalhadoras ocupam a maioria dos postos de trabalhos precarizados, permitindo o rebaixamento de toda a mão de obra dos trabalhadores, a divisão entre os trabalhadores e maior exploração, e para isso é fundamental difundir uma ideologia que mantenha a mulher subjugada e refém de uma sexualidade destinada à reprodução, mantendo uma heteronormatividade que não permita que decidam sobre seus próprios corpos e exerçam a sexualidade livremente. É toda esta realidade imposta pelo capitalismo e o Estado que legitima a violência contra as mulheres, tratando-as ora como mercadorias para satisfazer o prazer sexual de outros, ora como seres frágeis, sensíveis por “natureza” incapazes de decidirem sobre as suas vidas. E a criminalização do aborto significa mais uma forma de violência do Estado contra as mulheres para perpetuar ideologia que divide homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, enfraquecendo a luta da classe trabalhadora, da juventude, dos homossexuais e negra(o)s contra a opressão e exploração.

Com que estratégia lutamos pelo direito ao aborto?

Em agosto, a Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher do Senado, presidida pelas Senadoras Angela Portela (PT-RR) e Lídice da Mata (PSB – BA), e representantes do movimento sindical e feminista, a Marcha Mundial de Mulheres, União Brasileira de Mulheres (PcdoB), CUT e a Frente Nacional pela Legalização do Aborto, se reuniram para discutir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. O debate se centrou na denúncia dos projetos de leis reacionários, como o Estatuto do Nascituro, e a necessidade da legalização do aborto e sua realização pelo SUS, mas não votaram um plano de luta para organizar as mulheres em torno deste direito. Por isso perguntamos, como arrancar este direito? Concordamos com a necessidade de um projeto de lei que obrigue o Estado a atender todas as necessidades das mulheres, como se propõe a plataforma elaborada pela Frente pela Legalização do Aborto (ainda que, achamos necessário rever vários pontos desta plataforma), mas já tivemos provas suficientes ao longo dos 8 anos de governo Lula, que Dilma, seguindo a mesma política, não aprovará legalização do aborto. Como é possível o PT se dizer defensor dos direitos das mulheres, se a principal comemoração no 4° Congresso do partido, foi aprovação de 50% de participação feminina na composição das direções, enquanto mantém a política de conciliação com a Igreja e os capitalistas e milhares de mulheres seguem morrendo na clandestinidade do aborto? Esta é a vitória de mulheres como Dilma, mas não da maioria de mulheres trabalhadoras que sofrem com a precarização, a violência e risco de morte. Por isso achamos fundamental que as feministas da MMM revejam seus métodos e que em frente-única arranquemos de fato o direito ao aborto. Precisamos nos auto-organizar nos locais de trabalho, nas escolas, nos bairros, universidades, através de um plano de luta que mobilize as mulheres e juventude junto à classe trabalhadora pra defender este direito com independência do Estado, dos patrões, e da Igreja .
Estamos próximo do dia 28 de setembro, dia latino americano e caribenho pelo direito ao aborto, e em todos os locais de estudo e trabalho que estamos faremos atividades em defesa do direito ao aborto e fazemos um chamado aos setores de esquerda, como ANEL, CSP-Conlutas , PSTU e PSOL, entidades estudantis, sindicatos, para possamos impulsionemos uma campanha pelo:

- Direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito!

- Basta de mulheres mortas por abortos clandestinos!

- Anticoncepcionais e contraceptivos gratuitos e de qualidade!

- Separação da Igreja e do Estado!

- Educação sexual em todos os níveis escolares para decidir!

- Direito ao casamento e adoção homossexuais!

- Revogação imediata do acordo Brasil-Vaticano!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lançamento do livro "A precarização tem rosto de mulher" no Rio: debate com Vírginia Fontes, Camila Valle, Nilzete de Souza e Diana Assunção

 
 Dia 07/07 ocorreu no IFCS-UFRJ uma importante atividade de lançamento do livro “A precarização tem rosto de mulher” organizado por Diana Assunção, dirigente da LER-QI, diretora do Sintusp e fundadora do Pão e Rosas Brasil, contando com a presença da mesma, da historiadora da UFF Virgínia Fontes, da advogada e professora da UNIRIO Camila Valle, e Nilzete de Souza, ex-trabalhadora da União e uma das protagonistas da greve d@s terceirizad@s da USP. Camila Valle abriu o debate saudando o lançamento do livro e diversas questões levantadas no mesmo. Já a partir de sua primeira fala abriu-se um rico debate programático sobre a incorporação dos terceirizados sem concurso. Ela apontou como muitos setores devem argumentar que o programa de “incorporação sem concurso” seria inconstitucional, porém que esta colocação seria uma interpretação limitada da própria constituição uma vez que sim a constituição afirma a necessidade de concursos, mas ao mesmo tempo afirma o direito à dignidade humana e que neste caso o programa de incorporação sem concurso deveria ser entendido como uma maneira de garantir a mesma. Logo em seguida Virgínia Fontes argumentou concordar com o mesmo programa, mas que, ao mesmo tempo, devemos encarar e problematizar este programa com a antiga luta pelos concursos públicos como uma luta que foi voltada contra as nomeações e privilégios, também apontando a necessidade de incorporação nas empresas privadas, destacando como a luta por igual trabalho e igual salário é uma luta histórica da classe trabalhadora, que na situação atual necessita ser recuperada.

Em sua fala a historiadora da UFF também pontuou a importância que o livro trás ao trazer a tona três elementos centrais para pensarmos e lutarmos contra o capital, a questão do trabalho, de gênero e de raça, e como o racismo seria um traço estrutural da dominação capitalista no Brasil.

Nilzete de Souza mostrou com sua fala emocionada como foi o aprendizado seu e de seus companheiros de luta as tradições que o SINTUSP e os estudantes lhes ajudaram a recuperar, com a importância das assembléias, da unidade de ação dos trabalhadores a partir do que era votado e como saia daquele conflito com a certeza que não se pode ficar de braços cruzados, pois “quem não luta, não vence”. Diana Assunção pontuou como a precarização do trabalho insere-se no marco da ofensiva neoliberal voltada a garantir uma maior exploração para recuperar a taxa de lucro bem como para imprimir uma divisão também ideológica dos trabalhadores. Sua fala pontuou diversos aspectos de como os revolucionários da Liga Estratégia Revolucionária encaramos não só a luta contra a precarização do trabalho mas também a atuação nos sindicatos e nas lutas não em si, mas como parte de uma estratégia para que a classe trabalhadora vença na luta contra os capitalistas.

O debate foi um primeiro e importante passo inicial para iniciar uma campanha contra a precarização do trabalho e pela incorporação dos terceirizados às empresas em que trabalham e sem concurso público no caso do serviço público, e encarar, a luta contra a precarização do trabalho como parte da luta contra o capital. O exemplo da luta das trabalhadoras da USP bem como o exemplo de programa e orientação levantadas pelo SINTUSP que defende a incorporação dos terceirizados na universidade, sua sindicalização no SINTUSP e que estes trabalhadores tenham os mesmos direitos como creche, hospital, etc, marcaram o debate como um exemplo a ser levado pelos trabalhadores também no Rio de Janeiro. Deu-se um rico debate entre a mesa e o plenário sobre como aqui em nosso estado, onde apesar de vários sindicatos serem dirigidos por setores anti-governistas impera em suas bases uma divisão entre efetivos e terceirizados sem que estes sindicatos sequer levantem um programa aos mesmos, como é o caso do SEPE (sindicato dos profissionais da educação) com as merendeiras e outras funções nas escolas.

Todo o debate ficou marcado pelas falas das debatedoras de como se deve encarar esta luta contra a opressão das mulheres, com suas especificidades, mas ligadas (e não subsumidas - ou homogenizadas nas palavras de Virgínia) pela luta do conjunto dos trabalhadores contra o capital. Não se trata de pensar que a tomada do poder acaba com a opressão, mas como este passo estratégico da classe trabalhadora é necessário para combater a opressão e como a mesma deve ser combatida desde hoje e não só no futuro. Também ficou marcado em todo o debate como não se trata de um problema de tal empresa, de tal tipo de terceirização ou de tal forma de exploração entendida como um “excesso”, mas da luta contra o capitalismo. As centenas de lutas de setores precários que ocorrem no país, como as da USP, de Jirau e centenas de outras, mostram a espontaneidade e como diversos setores se levantam contra suas situações específicas, mas como faz falta uma preparação das organizações de esquerda e dos sindicatos para encarar estes conflitos para além de seus limites específicos e sim como escolas de guerra como parte da preparação para que a classe trabalhadora triunfe.