quarta-feira, 31 de março de 2010

Todos e todas em apoio aos professores! Abaixo à repressão aos professores/as em luta! Viva à greve de professores/as!

Por Jenifer Tristán - Pão e Rosas ABC

Neste ultimo dia 26 de Março vimos o poder da classe trabalhadora e como juntos podemos enfrentar o aparato repressivo do estado e até mesmo os sindicatos pelegos que na hora da briga deixam os trabalhadores na mão. Os professores como sabemos estão em greve, que só se estende pela falta de interesse do estado na educação e agora vimos qual é a política do governo Serra e como é que eles tratam com trabalhadores que lutam pelos seus direitos, neste caso trabalhadores da educação que foram fortemente reprimidos pelos policiais, na tentativa de chegar ao palácio dos bandeirantes e exigir suas demandar para que o governo os ouça, professoras(res.), que estão pedindo salários justos e melhores condições de trabalho para dar aula e educar os filhos de muitos de nós, por uma educação de qualidade, e que vivem sob o trabalhado precarizado.
Indivíduos que formam a sociedade, pois é deles que vem a educação, e que por conta disso são reprimidos, pois o estado quer a população burra para ser fácil de controlar, quer reprimir e trazer seu exercito de policiais para que recuemos, mas não vão conseguir temos que ser fortes e MANTER A GREVE!! “Pois só as trabalhadoras (res.) é que podem defender-se e lutar pela melhora desta situação”.

Todas as professoras (res.) se reuniram no entorno do Palácio dos Bandeirantes para fazer uma passeata pacífica e seguir até o palácio quando foram surpreendidos pelos policiais que fizeram barreiras em todas as ruas no entorno e inclusive onde os professores iam passar fazendo com que a caminhada não seguisse reivindicando suas demandas, e não passássemos, abafando assim, nossas vozes de professoras (res.) e estudantes, e mostrando como o Estado trata das bocas que não se calam.

Numa tentativa de seguir avante com a luta, as professoras (res.) seguem a caminhada quando os policiais começam a atacar com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, spray de pimenta. Também participaram do conflito o grupo de mulheres Pão e Rosas, junto com estudantes de várias universidades companheiros da Ler-qi e da Plenos Pulmões, montamos o bloco Classe contra Classe que estava lá ao lado das professoras (res.), pois além de ser uma luta dos professores, aí o que se mostrava era a luta de classes, vimos o estado burguês atacando o proletariado, e os burocratas do sindicado em cima dos caminhões livres de balas e outras agressões deixou com que os professores apanhassem. Depois de muitos professores machucados e feridos, o sindicato pediu para que os mesmos ficassem atrás do caminhão, pois eles iam passar. (!!!) É muito fácil os burocratas se colocarem dessa maneira já que estavam protegidos dentro do caminhão, mas os professores lá em baixo sem proteção e puderem ver claramente o papel do sindicato e começaram a gritar enfurecidos : ‘’ “Desce do caminhão a luta é aqui no chão’’.Temos que exigir que as decisões sejam tomadas pelos professores e que possam se organizar por base elegendo delegados para que suas demandas sejam atendidas, só assim de fato se expressará a posição da maioria de forma democrática.

E a policia não arredou pé até que os manifestantes fossem embora. Mostrou que é covarde, que machuca e manda bala pelas costas da população. Acha que detém poder na mão por causa das balas, por isso, atacou e feriu os professores. Mas não vacilamos e enfrentamos sem medo pois “se a mente reprimida resolver se rebelar não tem para o exercito nem para a policia militar” e que mesmo na covardia e desigualdade pois não estávamos armados fomos para o enfrentamento e gritamos dizendo: ‘’Abaixo a repressão! ‘’Milhares de governadores e o Estado roubam o nosso dinheiro e se mantém aí dizendo que estão nos representando. A quem representam? A burguesia? Não somente o Serra, mas Lula também, governo estadual e federal, são os culpados, são subdivisões de um mesmo estado burguês.

Não podemos aceitar que o dinheiro para a nossa educação e de nossos filhos sejam dados a banqueiros para, para se livrarem da crise, crise essa que não foi causada por nós,mas que temos que pagar todos os dias, enquanto os nossos salários são de fome. Temos que levantar agora mais do que nunca uma política forte de nossas demandas e contra o Serra mas não só,temos que também questionar o papel do Lula e do Estado que deveria estar lá para representar os interesses do povo, e das mulheres que sofrem diariamente as duplas e até triplas, múltiplas jornadas de trabalho, que apesar do avanço ainda somos vistas como donas de casa, temos que mostrar que temos força que somos mulheres combativas e lutadoras.

Fazemos um forte chamado as professoras (res.), estudantes, pais e todos os coniventes com essa luta, uni-vos!

Viva a luta dos professores de São Paulo!
Abaixo a precarização das/os nossos professores!
Pelo reajuste salarial e efetivação dos temporários já!
Todas e todos ao ATO
Dia 31/03 às 15h no MASP


Professora se organize com o Pão e Rosas!
Entre em contato conosco, escreva para paoerosasbr@gmail.com,
ou acesse o nosso blog http://nucleopaoerosas.blogspot.com

terça-feira, 30 de março de 2010

Na semana de mulheres da Ciências Sociais da USP, gritamos pelas professoras do estado e pelas terceirizadas!

Entre os dias 15 e 19 de março aconteceu a Semana de Mulheres na Ciências Sociais da USP, organizada pelo centro acadêmico deste curso, o Ceupes, com o objetivo de discutir a opressão às mulheres. Contando com a presença de estudantes não só deste curso, mas também da Letras, Psicologia, Nutrição e Enfermagem, os debates e a plenária final propostas pelo CA poderiam ter sido uma grande oportunidade de organizar concretamente as estudantes da USP no combate a opressão após uma semana de discussões teóricas e políticas.
Eventos como esses - cuja realização é importantíssima, afinal, sabemos que o machismo e a exploração das mulheres se expressam também nas universidades - muitas vezes se restringem ao debate abstrato da opressão das mulheres, como muitas vezes aconteceu nas mesas dessa semana. Para nós, do Pão e Rosas, não basta refletirmos sobre como se dá a construção social do gênero (tema trabalhado em uma das mesas), é preciso que saibamos que essa construção está à serviço da nossa opressão e da exploração, que sofremos com a dupla-jornada de trabalho, que recebemos menores salários, que ocupamos os cargos mais precarizados. Somente partindo dos interesses sociais que fundamentam a nossa opressão, entendendo que ela está a serviço do lucro dos capitalistas e da manutenção de sua sociedade de classes, é que poderemos apontar para uma saída mais de fundo para esses problemas.

Mulheres no poder da universidade elitista e racista e do estado burguês não significam um avanço contra a opressão das mulheres!

Atuamos nessa Semana discutindo em cada espaço que não podemos ter ilusões em ascensões sociais de algumas mulheres. Isso ficou claro durante a gestão da ex-reitora Suely Vilela que autorizou a invasão policial na USP e a repressão aos trabalhadores e estudantes em greve, e nem nos governos e grandes capitalistas aos quais elas servem. A superação definitiva da opressão das mulheres só pode ocorrer com a derrubada deste sistema de exploração. Por isso, devemos lutar ao lado daquelas que só têm a perder com este sistema: as trabalhadoras e trabalhadores. É nesse marco que deve se dar a organização das mulheres, na luta, junto aos trabalhadores, na defesa dos nossos direitos e também dos direitos dessa classe!

Lutamos por uma ampla campanha contra a terceirização na USP, pela efetivação imediata dos trabalhadores terceirizados, sem concurso público!

Para nós não basta somente afirmarmos que o machismo também se expressa nas universidades e nos indignarmos com o absurdo caso da estudante Geyse Arruda. No debate sobre este tema, Diana Assunção, trabalhadora da USP, membro da comissão coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP e militante do Pão e Rosas, colocou que é fundamental que as estudantes e trabalhadoras se organizem em torno de suas demandas, começando pela luta contra as estruturas de poder antidemocráticas das universidades - que na USP é representada pelo interventor de Serra, Grandino Rodas - que incentivam e perpetuam o trabalho semi-escravo das terceirizadas da limpeza e dos bandeijões, que mantém a universidade racista e elitista com o filtro social do vestibular, que não garante vagas nas moradias e creches para as estudantes mães e seus filhos, que se cala diante dos inúmeros casos de assédio moral e sexual nos locais de estudo e trabalho. Na semana do Ceupes, discutimos que ser consequente no combate à nossa opressão é estar na linha de frente da luta pela incorporação imediata sem concurso público das trabalhadoras terceirizadas, é lutarmos pelo fim do vestibular e pela estatização das particulares, para que os filhos da classe trabalhadora possam estudar gratuitamente, é lutar por mais vagas nas moradias e nas creches. O debate sobre o machismo na universidade deve servir para nos organizar em torno dessas lutas!

Lutamos para que as estudantes estejam ao lado dos professores em greve: Hoje são eles, amanhã seremos nós!

Durante a semana, levantamos a centralidade de apoiarmos a greve em curso dos professores da rede estadual, prestando nossa solidariedade concreta contra a precarização do trabalho docente. Isso, inclusive, se levamos em conta que a categoria é composta por uma maioria de mulheres que sofrem há anos com a precarização do trabalho e com as medidas de precarização do ensino de José Serra. Iná Yakamura, professora estadual e integrante do Pão e Rosas, expressou esses principais problemas na mesa “As mulheres e movimentos sociais”, chamando as estudantes a se unirem com as professoras nessa luta. Por isso nós levamos à frente a resolução votada por consenso de colocar toda solidariedade estudantil à greve dos professores, lutando pelo fim da precarização do trabalho e do ensino.

Mulheres pela retirada das tropas de Lula e do imperialismo do Haiti!

Propusemos também que as estudantes reunidas em tal semana se colocassem à frente de uma campanha pela retirada das tropas do governo Lula e das imperialistas do Haiti, sabendo que são muitas nossas irmãs haitianas que são estupradas e oprimidas pelos soldados a mando do imperialismo e que se trata de todo um povo oprimido por essas tropas, mandadas ao Haiti com o apoio também de Hilary Clinton.

Conformar um grupo de mulheres da USP com independência da REItoria e dos governos, junto às trabalhadoras!


Na plenária final, expressamos a luta dos professores em greve e conseguimos que por consenso fosse aprovada uma ampla campanha em solidariedade a essa greve, como parte de uma luta em comum contra a precarização do ensino. Também conseguimos conquistar o apoio daquelas mulheres à ocupação dos moradores do Crusp (moradia da USP), e juntas votamos também uma campanha contra a mercantilização de nossos corpos.


Porém, após uma semana de discussões, a primeira polêmica da plenária final revelou o que não podia deixar de se aparecer: a posição daquelas estudantes frente a Rodas. Mais uma vez se mostrou que o diálogo que o Ceupes (majoritariamente dirigido pelo PSOL, mesmo grupo da direção do DCE) vem assumindo com Rodas coloca entraves para a organização dos estudantes em geral e das mulheres em particular, já que foram contra que existam assembleias que discutam democraticamente qual o posicionamento dos estudantes frente a Rodas, assim como foram contra que aquelas mulheres presentes se colocassem contra o diálogo com Rodas, e que querem, ao invés disso, abrir o diálogo com as trabalhadoras efetivas e terceirizadas da universidade, e com os estudantes de dentro e fora da universidade etc. Achamos que esta política implementada centralmente pelo PSOL, também entre as mulheres, é a que impede que avancemos para uma atuação independente e combativa, junto às trabalhadoras efetivas e terceirizadas da USP e às professoras do ensino básico. Os frutos da atuação do Pão e Rosas junto a mulheres independentes, durante a semana do Ceupes, mostrou-se também na prática: no ato de professores, as mulheres do Pão e Rosas se colocaram lado a lado dos professores em greve, e com um bloco que contou com cerca de 300 pessoas, entre professores, militantes da LER-QI e do Movimento A Plenos Pulmões e com estudantes independentes de diversas universidades, com toda força cantamos: “Somos todos professores, efetivos e temporários, contra a precarização, igual trabalho, igual salário!” e “Hoje são eles, amanhã seremos nós. Professor e estudante, nossa luta é uma só!”


***


Leia, na íntegra, a intervenção de Diana Assunção na mesa do debate “O machismo na universidade”:


Boa tarde. Meu nome é Diana Assunção, sou membro da comissão coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP e integrante do Pão e Rosas.


Pra começar este debate é preciso dizer que a opressão dentro da universidade não é um problema individual de cada estudante. Tampouco se expressa somente nos trotes violentos quando as mulheres entram na universidade. A opressão, neste caso, é uma reprodução consciente da opressão que sofrem as mulheres na sociedade de classes, e que, portanto, tem relação direta com a exploração dos trabalhadores e trabalhadoras.


Dizemos então que se trata de uma universidade de classes. Mas porque? Porque impede que a juventude negra, pobre e trabalhadora entre nesta universidade, através do filtro social que é o vestibular. Porque tem uma estrutura de poder que representa os interesses de uma minoria, que é a burocracia acadêmica. Porque enquanto desenvolve altas tecnologias mantém o trabalho semi-escravo dentro da universidade, trabalho que é realizado majoritariamente por mulheres negras que cuidam do asseio, da organização, da manutenção da estrutura física que são tarefas também essenciais para seu funcionamento. Porque nos currículos contribui para a manutenção desta mesma sociedade, porque produz um conhecimento a serviço das empresas, do governo e do estado, e não um conhecimento a serviço da maioria da população, por exemplo, qual a utilidade de botox ou qual seria a utilidade de produzirmos uma vacina contra a dengue? Ou qual utilidade social de desenvolver novos cursos de Segurança Pública para aprimorar a repressão contra o povo, como na Universidade Federal Fluminense-UFF/Niterói, enquanto não se desenvolvem pesquisas na área de engenharia e arquitetura para que o estado construa moradias decentes, para estruturar as cidades de modo que se previnam as conseqüências sociais das enchentes em SP, ou mesmo terremotos como no Haiti, no Chile?


E o que tudo isto tem a ver com a opressão da mulher? A relação disto com a opressão da mulher é que não é possível discutir esta opressão em si mesma, como um aspecto ou um conceito por fora da sociedade de classes em que vivemos, ou seja, por fora do capitalismo – como afirmam muitas teorias pós-modernas. Ao contrário, todos os aspectos que são reflexos diretos da sociedade dentro da universidade estão diretamente ligados com o problema de nossa opressão.


Ora, o problema do acesso à universidade não se restringe somente aos muros da USP. Toda esta juventude da qual falei, que é impedida de entrar nas universidades públicas, acabam ou desistindo de estudar ou sendo obrigadas a pagar mensalidades nas universidades privadas, que também são reprodutoras – e algumas vezes de forma mais gritante – da opressão das mulheres. Vale lembrar-se do caso da jovem Geisy Arruda, que por utilizar um vestido curto foi perseguida por centenas de estudantes e, mais que isso, expulsa da universidade. Neste momento, a luta não era somente contra a instituição em si e o seu “machismo”, mas era contra um sistema de ensino que privilegia as relações de poder, de lucro e de dominação, em detrimento da educação pública e de qualidade. Por isso, exigimos neste momento repúdio e punição aos culpados, mas principalmente a estatização imediata da Uniban, para que toda a juventude do ABC pudesse estudar sem ter que pagar por isso. Na USP não vemos de forma diferente. Assim como em muitas universidades estaduais, o problema do assédio sexual nas moradias estudantis é de um silêncio ensurdecedor nos corredores destas moradias (e silêncio entre muitos professores). Mas a luta contra esta situação, não está por fora da luta pela permanência estudantil, que nos leva diretamente a luta que demos durante a greve de 57 dias no ano de 2009 que tinha como uma de suas bandeiras o acesso à universidade. Porque entendemos também que são muitas as mulheres que têm seus filhos excluídos pelos muros da USP – mulheres que muitas vezes estão mais perto do que nós, como as moradoras e donas de casa da favela São Remo. Essa situação é sustentada por uma estrutura de poder completamente anti-democrática. No último ano, ficou evidente dentro da USP que o fato de terem mulheres no poder não altera a situação das mulheres mais oprimidas e explorados. Por acaso Suely Vilela contribuiu para resolver a situação das mulheres terceirizadas da limpeza dentro da USP, que ganham um salário mínimo, com recorrentes atrasos, assédio moral e poucos direitos? Não, absolutamente nada foi feito em relação a isso. A estratégia de muitas feministas, de querer galgar espaços no “poder público” para avançar num suposto “poder feminimo” só pode ser uma utopia reacionária, afinal, só podemos dizer que no último ano Suely Vilela representou a burocracia acadêmica, o governo do Estado e a burguesia – e não as mulheres da USP. Vale lembrar, também, que foi esta reitora que demitiu o principal dirigente sindical da USP, Claudionor Brandão, e um dos motivos foi a luta contra a precarização do trabalho, quando o mesmo buscou defender as trabalhadores terceirizadas da Faculdade de Educação, onde eu trabalho, contra o assédio moral e as humilhações da chefia. Bom, é evidente que o simples fato de ser mulher não pode nos fazer pensar que há algo em comum entre estas trabalhadoras humilhadas e a ex-Reitora Suely Vilela – ainda que muitas feministas queiram afirmar que sim. Vale lembrar também que toda a política de Suely Vilela tem continuidade agora na gestão Rodas – peça colocada na universidade pelo governador José Serra, para “pacificar” a universidade, mas com cacetetes, como vimos durante sua posse.


O que quero dizer é que, se sabemos que a opressão da mulher perpassa todas as classes sociais dentro desta sociedade, é necessário afirmar que sua combinação com a exploração lhe dá uma conotação diferente, e que necessita também de uma resposta diferente. Isto porque, a própria opressão da mulher é utilizada como forma de dividir os trabalhadores explorados, inculcando o machismo, a violência e as humilhações dentro de nossa própria classe. Combinado a isso, a precarização do trabalho, que se dá majoritariamente sobre trabalhadores mulheres e negras, é mais uma forma eficaz de perpetuar esta divisão.


Contraditoriamente, uma universidade de “excelência”, que reúne o mais avançado do conhecimento, altas tecnologias e projetos visionários mantém em seus espaços físicos esta semi-escravidão de homens e mulheres que se tornam invisíveis no dia-a-dia. Mas é se utilizando também do próprio conhecimento produzido na universidade, que a classe dominante consegue perpetuar sua dominação, pois coloca este conhecimento a serviço de seus interesses. Quantas mulheres saíram da USP pra contribuir diretamente pra manutenção da sociedade de classes? Centenas, como mostraram Eva Blay e Ruth Cardoso no livro “As mulheres da USP” tratando de sociólogas e historiadoras da burguesia brasileira. Ao contrário, é preciso lutar por um conhecimento que se coloque a serviço dos interesses da maioria da população, que incluem os homens e as mulheres da classe trabalhadora, mas também o povo pobre, a juventude que não tem direito a seu futuro, a população negra humilhada diariamente pelo racismo, os moradores das favelas em torno da USP, os trabalhadores precarizados que não se sentem parte de uma mesma classe. Combinado isso, queremos um conhecimento a serviço de resgatar a história daquelas mulheres rebeldes e revolucionárias que contestaram o sistema capitalista, que buscaram subverter a ordem, e que estão no silêncio da academia, que não entraram para os anais da universidade. Destas mulheres podemos tirar lições pra hoje e pro futuro de nossa luta contra a opressão e contra a exploração.


Por acreditar que a luta contra a opressão das mulheres dentro da universidade não está por fora destes debates, que apontei acima, é que, como parte do grupo de mulheres Pão e Rosas construo e coordeno junto a outras companheiras a Secretaria de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP. Queremos transformar nossa Secretaria numa ferramenta de luta das trabalhadoras da USP, não somente as efetivas, mas também as terceirizadas e fundacionais. Queremos que esta ferramenta nos ajude a avançar no conjunto de nossa categoria para que a luta contra a opressão da mulher seja uma bandeira que se faça ouvir nas vozes de homens e mulheres trabalhadoras desta universidade, entendendo que é uma luta do conjunto da classe trabalhadora, lutando contra uma classe dominante que quer humilhar as mulheres para nos enfraquecer ainda mais. Para esta luta, que demos início desde a greve de 2009, com diversas atividades, debates e manifestações envolvendo as mulheres trabalhadoras, acreditamos ser fundamental a aliança com as estudantes que compreendam que para lutar contra a opressão da mulher dentro da universidade é necessário se aliar com aquelas mulheres mais humilhadas aqui dentro, que estão ao nosso lado, a começar pelas terceirizadas, mas também por todas as trabalhadoras da USP. Ao mesmo tempo, é preciso enxergar, principalmente vocês estudantes de humanidades, que a luta dos professores do Estado que ocorre hoje, é também a nossa luta, de hoje e de amanhã. Porque uma categoria composta majoritariamente por mulheres com o trabalho de educar a milhões de jovens e crianças tem muito a ver com o que discutimos aqui hoje, sobre opressão e sobre universidade. Por isso, muitos debates podem ser feitos, e é fundamental que continuem, pra além do 8 de março. Mas hoje, se coloca preemente, a necessidade de questionar esta universidade de classes e também esta sociedade de classes, organizando as mulheres na luta contra esta opressão, mas como parte das lutas mais sentidas das mulheres trabalhadoras, como a luta contra a precarização do trabalho dentro da universidade mas também o apoio incondicional à greve de professores e professoras da rede estadual, nos colocando contra a precarização dos professores e do ensino e buscando unificar as nossas lutas.


Qualquer debate sobre a opressão da mulher que se coloque por fora destas lutas não pode dizer que busca seriamente a nossa emancipação. Porque se entendemos que a opressão das mulheres está completamente vinculada com esta sociedade de classes, devemos entender que só alcançaremos nossa emancipação com a superação desta sociedade e fazer parte das lutas que questionam este sistema é parte de nosso combate contra a opressão das mulheres, lutando lado a lado com as jovens e trabalhadoras, pelos nossos direitos, pelas nossas reivindicações, lutando por uma revolução social, por uma outra sociedade livre de toda opressão e exploração. Por fim, queria dedicar minha fala às mulheres haitianas que lutam contra as tropas brasileiras que dirigem a MINUSTAH, às trabalhadoras e estudantes da USP que protagonizaram a greve de 2009 em defesa de nosso sindicato e da universidade pública e gratuita, e especialmente às sapateiras de Franca que hoje se enfrentaram com a polícia no seu primeiro dia de greve por melhor salários e as professoras da rede estadual que vem protagonizando uma importante greve que se iniciou no último dia 8 de março, dia internacional da mulher. Obrigada.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Viva a greve de professores/as de SP! Abaixo a repressão da polícia de José Serra!

Todo apoio à greve de
professoras e professores!

Abaixo a repressão policial àqueles
que lutam por seus direitos!


O governo Serra reprime com sua polícia
a luta daquelas/es que educam a nossa juventude!


Retrucamos dizendo:

Viva a luta dos professores de São Paulo!

Abaixo a precarização das/os nossos professores!

Pelo reajuste salarial e efetivação dos temporários já!

Todas e todos ao ATO
dia 31/03 às 15h no MASP!

Vamos juntos dizer um BASTA!

Na universidade, nos livros de história, no mercado de trabalho... A precarização tem rosto de mulher!

Por Pão e Rosas – RJ
(especial para o jornal "Desatai o Futuro" Calourada UFRJ)

Não podemos deixar de relacionar a realidade imposta às mulheres, com a realidade da universidade brasileira atual. Sabemos que hoje o espaço universitário é um ambiente machista, elitista e racista, onde a imensa maioria da população não consegue se inserir através do filtro social que é hoje o vestibular que exclui a imensa parcela da população negra, dos pobres, e reproduz um conhecimento machista e patriarcal. Apenas 20% dos jovens brasileiros conseguem cursar uma graduação, e via de regra, esses jovens não são aqueles que precisaram trabalhar durante o colégio, mas sim aqueles que tiveram condições de cursar colégios particulares. E para nós mulheres, sabemos todas as dificuldades que enfrentamos na universidade, como os recorrentes casos de violência contra as estudantes, assim como nas Moradias Estudantis. Sem contar na falta de creches para os filhos das estudantes, das trabalhadoras efetivas e das terceirizadas do espaço universitário!

Dizem que as mulheres como nunca antes estão ocupando os espaços de poder e que são cerca de 50% que ingressam na universidade. Isso é verdade, mas a verdade não é tão romântica como querem que acreditemos. As mulheres que ingressam na universidade o fazem em grande parte nos redutos historicamente femininos, tendo máxima expressão em cursos como Serviço Social, Letras, Enfermagem, entre outros, que são cursos cujas características remetem ao papel social imposto para as mulheres sobretudo através das tarefas domésticas e na suposta “natureza feminina” em cuidar, educar, organizar, etc, tudo isso com paciência, amor, dedicação maternas. Também somos nós mulheres quem recebemos menores salários, sofremos assédio sexual e moral, e ocupamos os postos de trabalhos mais precarizados. Nas universidade as mulheres são a maioria entre as trabalhadoras terceirizadas, que recebem baixos salários, não tem os mesmos direitos que os efetivos, são humilhadas, muitas vezes têm que trabalhar nos finais de semana e feriados sem receber nada a mais por isso e sem poder dizer não aos seus patrões, sob o risco de perder seu emprego.

Desde a Revolução Industrial, as mulheres e crianças foram empurradas para dentro das fábricas como força de trabalho “inferior” e mão de obra desqualificada para os capitalistas. Porém, com o advento do neoliberalismo e a reestruturação produtiva ocorrida nas últimas décadas do século XX, esta exploração ganha novos contornos. O neoliberalismo, conhecido como um grande projeto de enxugamento do Estado e conseqüentemente uma enorme onda de privatização em diferentes setores que antes eram de responsabilidade do Estado, representou inúmeros e profundos ataques aos trabalhadores, trazendo uma intensa flexibilização de seu trabalho e de seus direitos. Significou também o desaparecimento de milhares de postos de trabalho assim como grande ampliação dos setores terceirizados, trabalhadores informais e temporários, com vínculos empregatícios cada vez menos sólidos e condições de trabalho cada vez mais precárias. A terceirização representa para o capital maiores ganhos: além da obtenção de maiores lucros, a terceirização divide a classe trabalhadora, criando um abismo entre os terceirizados e efetivos.

A grande questão a se pensar, é que apesar da opressão contra as mulheres ter origens anteriores ao atual sistema em que vivemos, é fato que o capitalismo faz uso das diversas formas de opressão já existentes, sustentando-as e legitimando-as, de forma a se fortalecer. Um dos outros motivos para que se justificasse o rebaixamento dos salários das mulheres (conseqüente de uma menor jornada de trabalho) é o trabalho doméstico do qual foi jogado às suas costas, como a criação e educação dos filhos, limpeza da casa, preparação da comida para toda a família, o que a isentaria do direito de maiores salários por parte dos patrões (conseqüente de uma maior jornada). Porém, o que vemos hoje é que além de terem jornadas extenuantes, as mulheres também encontram em suas casas uma segunda jornada de trabalho, impossibilitando assim que as trabalhadoras possam ter acesso ao lazer, cultura e qualquer tipo de organização política.

Atualmente, a classe trabalhadora em geral é extremamente afetada pela precarização e terceirização do trabalho, porém as mulheres são aquelas que ocupam os cargos mais precários, como terceirizados e temporários, sendo ainda mais exploradas se forem negras. As trabalhadoras chegam a ganhar apenas 65% dos salários dos homens mesmo ocupando os mesmos cargos, e além disso sofrem inúmeras outras formas de violência, como assédio sexual ou moral no ambiente de trabalho, falta de creches para seus filhos, e ainda por cima são ameaçada de demissão se engravidarem! Desde o início da crise econômica mundial pudemos ver que foram as mulheres as mais afetadas, tendo seus postos de trabalho cortados e seus salários ainda mais rebaixados.

É preciso lutar contra essa estrutura nada democrática da universidade, de modo que saibamos compreender as origens históricas de seus problemas enquanto reflexos das contradições mais gerais de nossa sociedade, dividida em classes. E para isso, temos que nos unir aos setores mais atacados da classe trabalhadora e do povo pobre, nos colocando desde já contra as medidas de precarização do ensino encabeçadas por Lula e os governos estaduais, e além disso, lutar incessantemente para que os jovens pertencentes à classe trabalhadora possam ter acesso a um ensino de qualidade nas universidades! Temos que nos aliar às trabalhadoras e trabalhadores, colocando nossa campanha de pé mais uma vez pela efetivação dos/as terceirizados, exigindo que o DCE cumpra a resolução aprovada no CNE e na reunião estadual da ANEL, e impulsione uma grande campanha em defesa desses trabalhadores!

Nós do Pão e Rosas fazemos um chamado a todas as estudantes e trabalhadoras, efetivas e terceirizadas, para lutarmos contra todas as formas de opressão às mulheres, seja dentro ou fora da universidade, tendo a compreensão de que é necessário lutarmos juntas como um só punho contra os patrões que nos exploram, contra a estrutura de poder anti-democrática da universidade e o conhecimento que serve para reproduzir a opressão e a exploração, contra esse sistema de exploração e opressão que se chama capitalismo!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Viva a luta dos professores e professoras!

Boletim especial Greve de Professoras/es mar/2010

Viva a luta dos professores e professoras!

Efetivação dos professores temporários!

Assembléias para organizar a greve desde a base!

Pelos direitos das mulheres da categoria!

Nós, professoras, integrantes do grupo de mulheres Pão e Rosas e do movimento Classe contra Classe, estamos atuando ativamente nesta greve lutando por nossos direitos e principalmente contra a precarização do trabalho das professoras e professores. O governo Serra criou mais uma forma de atacar nossa categoria, dividindo os temporários em várias subcategorias, para enfraquecer nossa luta, retirando todos os nossos direitos e decretando o desemprego para milhares de temporários que já atuam na educação pública há anos. Nossa luta será vitoriosa se tivermos unidade entre efetivos e temporários. Abaixo a divisão entre professores temporários e efetivos! Pela efetivação dos professores temporários sem concurso público, nem provas esdrúxulas e meritocráticas!

Nós mulheres, que em geral ainda recebemos salários mais baixos do que os homens e ocupamos os postos de trabalhos mais precarizados, somos quase 80% da categoria de professores, submetidas a péssimas condições de trabalho, com salas superlotadas, e vítimas de jornadas triplas, pois além de nos dividirmos entre várias escolas, quando voltamos para nossas casas temos o peso das tarefas domésticas, e ainda, muitas de nós, nos dedicamos aos estudos para melhor nos formarmos enquanto educadoras. Com essa rotina, somos vítimas de doenças como estresse, depressão, problemas nas cordas vocais, tendinite, problemas de circulação, além de muitos professores e professoras serem vitimas da Síndrome de Burnout . Sem falar nos baixos salários que não alcançam o custo de vida familiar, nosso vale refeição e vale transporte não cobrem um mês de trabalho, e muitas vezes não conseguimos pleitear uma vaga em creches públicas para nossos filhos. E ainda o estado quer justificar o aumento salarial através de uma prova meritocrática que atingiria apenas 20% dos professores. É por isso que: Exigimos já reposição das perdas e reajuste salarial de 34,3% ! Avançar numa forte luta pelo salário mínimo do DIEESE para todas professoras e professores! Salas com no máximo 25 alunos! Melhores condições de trabalho! Abaixo provinhas de mérito e dos OFAS, que já possuem seu mérito por fazer este trabalho com dedicação há anos! Por um sistema de saúde público e de qualidade!

Com o aprofundamento da precarização do ensino público e as modificações econômica e social implementadas pelas políticas neoliberais a partir do anos 90 (desde FHC, que não só permanece e se intensifica até hoje com Lula e Serra), houve uma intensificação da jornada de trabalho que carregamos em nossas costas, por um lado dando mais aulas por conta das perdas salariais, mas por outro continuamos a executar todo trabalho doméstico e o cuidado com nossos filhos e parentes idosos ou doentes, o que chamamos de dupla jornada de trabalho. Se por um lado, o papel de educadoras, sobretudo no ensino fundamental I, é tido socialmente como uma extensão do trabalho doméstico que já realizamos sem remuneração, que é educar e cuidar dos nossos filhos, concretamente isso se expressa no fato de que as/os professoras/es PEB 1 ganhem menores salários, e é requerida “menor” qualificação (pois seria algo que “naturalmente” já fazem as mulheres nas suas famílias). É por isso que precisamos lutar contra a dupla jornada de trabalho, por salário igual para os mesmos trabalhos, por creches públicas para todos os nossos filhos nos locais de trabalho, por licença maternidade remunerada de 6 meses nos empregos públicos e privados sem isenção fiscal; e por lavanderias e restaurantes coletivos e públicos garantidos pelo Estado!

A nossa greve está forte, mas precisamos ainda mais para garantir nossa vitória, ampliá-la em sua adesão e em apoio. Isso é possível nos organizando em cada escola, não só professores, chamando inclusive os estudantes, os pais, os funcionários, para juntos debater sobre as condições de trabalho e de ensino. Só assim podemos ampliar cada vez mais nossa mobilização e o apoio à nossa greve, para fortalecer nossa luta pelo ensino de qualidade. Estamos nas ruas pelos nossos direitos como professoras, ao mesmo tempo em que queremos discutir com os alunos e a comunidade que não podemos deixar que a educação se mantenha cada vez mais sucateada, com um ensino precário e controlado pelas apostilas elaboradas pelo estado, que servem para amordaçar a atuação do professor em sala de aula e para moldar o pensamento dessa nova geração de acordo com os interesses do próprio estado. Profesores, funcionários, pais e alunos unidos pela educação pública de qualidade em todos os níveis do ensino!

Fala professora:

Acredito que a greve seja sim um instrumento de luta muito forte e que nenhum tipo de pressão ou ameaça deve nos fazer retroceder sem vitória alguma. Taína Z. Fermino, integrante do Diretório Acadêmico da UNESP de Rio Claro, professora eventual da rede estadual e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas.

Não podemos deixar que a luta pelos nossos direitos seja enfraquecida pela divisão de nossa categoria. A verdadeira luta pelas melhores condições de trabalho está na unidade entre efetivos e temporários contra a precarização de nosso trabalho! Pela efetivação de todos os professores temporários! Rita Frau, professora da rede estadual de SP, integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas e do Movimento Classe contra Classe.

É preciso ser forte para ter uma idéia e uma convicção, mas mais fortes ainda para levá-la adiante. Contruamos um grupo que se faça ouvir tudo isto que para nossos ouvidos já é óbvio. Para que nos outros se faça refletir e construir uma nova forma de atuação em professores. Não só isso: se entre professores nossa luta é a mesma, também temos que nos reconhecer como trabalhadores e ver que as outras categorias de trabalhadores são nossas aliadas e temos que lutar juntos. Iná Yakamura, professora da rede estadual, militante do Movimento Classe contra Classe e da LER-QI.
***
É primordial nesse momento que cada professora e professor tomem em suas mãos as decisões dessa greve, organizando assembléias com poder de decisão em suas escolas e elegendo seus próprios representantes que irão levar à assembléia geral tudo o que foi discutido na assembléia. Essa é a única forma de não sermos reféns de manobras políticas da direção de nosso sindicato, que é dirigido pela CUT/PT, que nesse ano de eleições tem objetivos alheios as nossas necessidades. Pois para vencermos, não podemos deixar novamente que a direção negocie os pontos da greve por debaixo da mesa. Afinal, também sabemos que estamos em ano eleitoral, e muitos interesses entram em jogo, principalmente porque nossa greve se coloca diretamente em choque com o governador José Serra, e o partido de Lula, que está à frente em nosso sindicato, pode querer utilizar nossa greve como margem de manobra eleitoral, pois querem eleger sua candidata, a Dilma Roussef, que assim como Lula continuaria governando para os patrões, os grandes empresários, etc, também sucateando o ensino público com o PDE que tem como referência educacional a LDB e o PNE, implementados no governo FHC, sem romper com a lógica neoliberal a serviço dos ditames do Banco Mundial e do FMI. A diferença é que Lula atualiza este projeto inserindo algumas concessões para a juventude trabalhadora, como o PROUNI, que significa créditos para o ensino privado e bolsa de estudos, ou o REUNI, que significa a expansão de vagas nas universidades federais de maneira precária, pois também precariza o ensino e o trabalho. Que a Oposição Alternativa, que co-dirige nossa categoria saia do adaptacionismo em relação à direção do sindicato, e venha a ter um papel importante, e juntos podemos buscar confrontar a diretoria do nosso sindicato, convencendo centenas e milhares de professores a lutarem ao nosso lado. O governo, só tem a ganhar quando estamos separados, por isso é importante que as categorias estatais se unifiquem, para impor uma grande derrota ao governo José Serra, mas também mostrar para o governo federal de Lula, que nós sabemos que seu plano para o ensino, para a saúde, para o conjunto social, não é muito diferente do que de Serra, pois ambos defendem o mesmo Estado capitalista, e vão fazer, a todo custo, que sejam sempre nós as trabalhadoras e trabalhadores a pagarem duplamente pelos interesses de lucro dos patrões cujos governos estão a servir, legislar.
Professoras e professores:
A SUA LUTA É NOSSA LUTA!

Lutar juntas por uma educação pública de qualidade!
Nos solidarizamos com a greve das e dos professores estaduais paulistas e nos colocamos lado a lado para lutar contra a precarização do trabalho, por uma educação pública de qualidade, por melhores condições de trabalho. E a terceirização, a precarização do trabalho, somente serve para nos dividir e nos enfraquecer para lutar pelos nossos direitos e por uma educação pública de qualidade, em todos os níveis do ensino. Por isso acreditamos que é preciso a unificação de nossas forças, a começar pelos efetivos e precarizados, mas também entre as categorias da educação, do funcionalismo público estadual, para que juntos, possamos ser mais fortes para lutar e arrancar nossos direitos!
Diana Assunção, integrante da comissão coordenadora da Secretaria das Mulheres do Sindicado dos Trabalhadores da USP.

Viva a greve dos professores e professoras! Estamos juntos nessa luta!
Diante da forte greve de professores da rede pública de São Paulo, nós estudantes, nos colocamos ao lado dos professores em solidariedade ativa. Essa luta se coloca num marco fundamental, para que nós do movimento estudantil possamos, de fato, concretizar uma aliança com a classe trabalhadora, para fortalecer nossa luta por uma educação de qualidade e contra a precarização do trabalho dos professores. Nós estudantes de Ciências Sociais temos que estar juntos nessa luta, pois se hoje são eles, amanhã seremos nós, pois a cada ano que passa a educação e o direito dos professores é cada vez mais atacada pelo projeto de sucateamento do ensino do governo Serra, é necessário respondermos desde já!
Ariane, integrante da gestão “Rosa Luxemburgo” do Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UNESP de Marília e estagiária na educação neste mesmo município.

Devemos tomar as reivindicações dos professores como sendo nossas próprias reivindicações
Nós do Grupo Pão e Rosas do curso de Letras da USP, entendemos a importância de tomar a luta e as revindicações dos professores como sendo nossas próprias revindicações. Hoje o curso de Letras forma muito mais mulheres do que homens, sua tradição majoritária feminina nos obriga a pensar no papel e na problemática que essas trabalhadoras enfrentam, entre tantas deficiências, ainda são as mulheres as que mais sofrem, além de salários absurdos dos quais não representam essa classe trabalhadora, essas professoras são obrigadas a enfrentar uma dupla ou uma tripla jornada de trabalho, pois só assim é possível manter o seu lar e sua família. São varias as perguntas sem resposta: Quais são as necessidades das professoras da rede pública? Que tipo de lei protege essas trabalhadoras? Quais são os seus benefícios? O que lhe são negadas? Exigimos respostas a todas as perguntas e sobre tudo soluções a todos esses questionamentos. O Pão e Rosas como grupo de mulheres e sobre tudo como estudantes e futuras integrantes dessa classe, gritamos um basta ao lado de todos os professores da rede pública de ensino.
Natália, estudante da Letras – USP e integrante do Pão e Rosas

Nesta luta devemos dizer não ao ensino homofóbico, racista e machista!
Qualidade no ensino, diz diretamente respeito a boas condições de trabalho daqueles que ensinam, que são nossas professoras e professores estaduais. Por isso apoiamos a greve de professores e estamos juntos nessa luta! Mas qualidade também diz respeito ao conteúdo ensinado, e por isso também somos obrigadas a dizer um não ao ensino homofóbico, racista, e machista! O governo Lula que assinou um Acordo com o Vaticano dando voltas para trás na roda da história, “propondo” ensino religioso nas escolas públicas, além de deixar a riquíssima Igreja isenta de impostos. Diante disso, é também preciso dizer um basta e exigirmos a anulação desse Acordo Brasil-Vaticano!
Beatriz Michel, integrante da gestão “PAGÚ” do Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC-SP.

***

Não precisamos partir do zero em nossas lutas. Precisamos conhecer a história daquelas mulheres que lutaram antes de nós, e que os governos e os patrões querem apagar para que não nos inspirem em nossas lutas presentes. É por isso que te convidamos a conhecer os livros:

Pão e Rosas: identidade de gênero e antagonismo de classe no capitalismo. Andrea D’atri. Edições Iskra, 2008.

Lutadoras. Histórias de mulheres que fizeram história. Andrea D’atri e Diana Assunção (orgs.). Edições Iskra, 2009.

Professora se organize com o Pão e Rosas!
Entre em contato conosco, escreva para paoerosasbr@gmail.com,
ou acesse o nosso blog http://nucleopaoerosas.blogspot.com

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ibiúna, 1968: "Com muito orgulho e emoção revi minhas companheiras de luta! Muitas já se foram mas muitas continuam aguerridas na batalha..."

Publicamos abaixo o depoimento de Bia Abramides, professora de Serviço Social na PUC-SP, e presidente da APROPUC, sobre a repressão e cerceamento político na ditadura militar, quando era estudante de Serviço Social nesta mesma Universidade onde hoje é professora. Seu relato foi enviado juntamente a um arquivo com as fotos das estudantes presas. Para ter acesso ao arquivo completo escreva para paoerosasbr@gmail.com.
***
Na recuperação histórica das lutadoras, do direito à memória vão as fotos das estudantes presas em Ibiúna em 1968. Estou na fileira de número 47. Todas jovenzinhas. .. Com muito orgulho e emoção revi minhas companheiras de luta! Muitas já se foram mas muitas continuam aguerridas na batalha por uma sociedade emancipada.
Em outubro de 1968 ocorreu o XX Congresso da UNE (na ilegalidade) em Ibiúna, em um sítio. Éramos cerca de 1000 estudantes de todo o Brasil (entre rapazes e moças; as moças são as que aparecem nas fotos que enviei). A polícia chegou com camburão e fomos tod@s pres@s. O Congresso não se realizou. Na noite anterior foi a mesa de abertura e mal raiou o dia a repressão chegou. Primeiramente separaram homens de mulheres e fomos levad@s tod@s para o presídio Tiradentes(onde ficamos os primeiros dias) depois de andarmos uns 10 kilômetros escoltados até chegar no camburão. A seguir transferid@s para o Carandiru @s estudantes de São Paulo) e @s de outros estados foram transferidos para os presídios de seus estados. Nas celas éramos cerca de quarenta mulheres, que dormíamos em valete, bem espremidas. O banho era frio e a comida servida em latas de cera, e fria. Ficamos incomunicáveis. A Madre Cristina (do Sedes Sapientia) criou um comitê em defesa d@s presos polític@s de Ibiúna com @s pais e professores. Apesar de não haver tortura física, sofremos humilhações e tortura psicológica. Nos chamavam de prostitutas por termos nas bolsas pílulas anticoncepcionais e uma a uma fomos levadas para o Deops para prestar depoimento. Cada uma, em uma sala, isoladas, a noite toda ouvindo berros!!! Nos ameaçavam dizendo para tomar cuidado senão seríamos nós. Nos depoimentos nos identificamos como representantes d@s estudantes de nossas faculdades (e éramos), havíamos sido eleito@s nas assembleias de curso. Eu era aluna da PUCSP, do Serviço Social. No Tiradentes nos deixavam tomar um pouco de sol. Neste momento conversávamos com as presas comuns que nos contavam o seu sofrimento e humilhações. Depois que saímos fomos enquadrad@s na Lei de Segurança Nacional, prestando depoimentos periódicos, sem poder sair do pais e sem conseguir trabalhar, pelas delações. Quando conseguíamos um trabalho, mal sabiam que havíamos sido presas éramos demitidas. Comigo aconteceu no Hospital das Clínicas. Posso lhe dizer que o ano de 68 foi o mais importante para a minha convicção política e ideológica e da necessidade da revolução proletária para a conquista da emancipação humana.

Um grande beijo da Bia.

"Pão e Rosas. Identidade de gênero e antagonismo de classe no capitalismo." Livro de Andrea D'atri

Prefácio
à edição em português

As mulheres chegaram ao poder? Pela primeira vez na história — quando publicamos a edição em português do Pão e Rosas — se conjectura que uma mulher possa ser a próxima presidente dos Estados Unidos da América. Recentemente, na Argentina, Cristina Fernández de Kirchner foi eleita presidente. O Chile é governado por uma mulher, bem como a Alemanha, e o mesmo acontece em países tão remotos como a Libéria. O destino de milhares de iraquianos é decidido (Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo) por uma mulher tão poderosa como Condoleeza Rice, e outras mulheres não só ocupam os ministérios da Saúde e Ação Social, como também os de Economia ou de Segurança em distintos governos.

Mas enquanto o mundo assiste a esse acontecimento e os meios de comunicação prognosticam que se inaugura o “século das mulheres”, a vida de milhões de seres humanos, majoritariamente mulheres e meninas, transcorre entre as piores humilhações que se pode imaginar. Aumenta o trabalho precário das mulheres, chegando em alguns casos à escravidão; o negócio da prostituição e o tratamento dado às mulheres e meninas não deixam de crescer, amparados por redes mafiosas que envolvem funcionários, forças repressivas e o Estado. A violência sexista encontrou, inclusive, novas denominações, como a do femicídio, coma qual se tenta descrever o horror dos crimes contra as mulheres, os quais são antecedidos por torturas e violações sexuais, seguidos por impunidade e silêncio. As mulheres terem chegado ao poder não possibilitou que isso deixasse de ocorrer, mostrando uma vez mais — como se fizesse falta — que o problema não é só uma questão de gênero.

A barbárie que ameaça milhões de seres humanos, mas particularmente as mulheres e crianças, é também o resultado da combinação do patriarcado ancestral com a selvageria imposto pelo mais moderno sistema capitalista. Esse sistema econômico funciona, melhor ainda, sob a envoltura dos regimes democráticos, que apenas recentemente dão passos na participação das mulheres nos parlamentos, ministérios, tribunais, exércitos e, inclusive, nos mais altos cargos do poder executivo. Para milhões de mulheres, entretanto, a igualdade nos marcos deste sistema capitalista se apresenta como uma utopia inalcançável. Igualdade com quem? Não há igualdade sequer com o companheiro que, ao nosso lado, sofre também a exploração imposta pela minoria de proprietários dos meios de produção. Jamais se alcançará a igualdade com essa minoria que vive na abundância enquanto existir a propriedade privada, dividindo a sociedade em uns poucos que têm tudo e uma imensa maioria que só possui a força de seus braços para se manter na vida.

Hoje, duas classes se enfrentam para definir o futuro da humanidade: a burguesia imperialista e o proletariado. Como afirmou a revolucionária Rosa Luxemburgo, diante dessa situação só se pode esperar “socialismo ou barbárie”.Mas para construir o socialismo a classe trabalhadora não só necessita de toda a sua força, toda a sua resolução, toda a sua audácia, como também se desfazer das ficções com que a classe dominante encadeia seu pensamento para mantê-la domesticada. Entre as ficções das quais é necessário que a classe operária se liberte, se encontram os preconceitos sexistas que mantêm a submissão, a humilhação e os maus-tratos às mulheres, embrutecendo também os homens explorados que legitimam, justificam e reproduzem tais costumes.

Esperamos que agora, quando se acabam de cumprir os 90 anos da Revolução Russa, e este trabalho é publicado em sua versão em português, as reflexões aqui plasmadas sejam um pequeno incentivo que anime as novas gerações a se incorporar à luta consciente por um mundo liberado das cadeias que hoje pesam, duplamente, sobre as costas de milhões de mulheres.

Andrea D’Atri
Buenos Aires, fevereiro de 2008

Clique na imagem para ler o livro em pdf.

Título Original: Pan y Rosas. Pertenencia de género y antagonismo de clase en el capitalismo
Título: Pão e Rosas. Identidade de gênero e antagonismo de classe no capitalismo
Autor: Andrea D’Atri
Páginas: 200
Ano de publicação: 2008
ISBN: 978-8561474-00-3

Inclui um anexo de declarações, manifestos e documentos da história da luta do movimento feminista e de mulheres trabalhadoras.

Para adquirir um exemplar escreva para: iskra@ler-qi.org

terça-feira, 16 de março de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI: “Nós acreditamos que a reconstrução que estão falando não é possível sem haitianos”

Entrevistamos Guylande Mesadieu, Coordenadora Regional da Coalizão contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e Caribe, AC (CATW-LAC).

“Sabemos que redes de tráfico de negros e de mulheres e meninas operam ao redor do mundo todo. Nossa organização luta contra o tráfico e as redes de prostituição que funcionam no Haiti e na República Dominicana.”

Pão e Rosas: A situação foi agravada pela presença da Minustah?

De fato, existem graves problemas com a presença das tropas da ONU. Elas estão promovendo a prostituição de mulheres e meninas, especialmente nas bases onde está a MINUSTAH. É bom lembrar que houve um problema com os soldados do Sri Lanka, em 2008, várias organizações de mulheres denunciaram este fato, mas até agora não tiveram nenhuma resposta. Os soldados que vêm ao nosso país só buscam como diversão sair de noite nas boates, nas ruas em busca de mulheres. Por hora, podemos dizer que é algo que merece denúncia, pois se trata de um fenômeno que só tem avançado nessas regiões.

P&R: Como são as redes de prostituição nessas regiões?

De dia e de noite mulheres e meninas se prostituem, a dignidade delas não é respeitada nessas áreas onde não há supervisão de ninguém. Elas já são vítimas da pobreza e agora também sofrem com as violações. Não têm casos oficialmente registrados porque têm muitos acobertamentos e, também, porque quando ficamos sabendo e saímos para acudir e quanto elas chegam em suas casas dizem que é alarme falso, que não aconteceu nada, que ali estão com seus pais. (Estas são algumas das razões pelas quais seu trabalho é dificultado).

P&R: Que mensagem envia às mulheres do mundo neste 8 de Março?

A mensagem que teríamos para enviar é que a situação das mulheres e do povo haitiano piorou quando enviaram as forças militares para “ajudar”. O que acontece é uma ocupação mascarada e o que precisamos é de ajuda, não de ocupação. Necessitamos de ajuda para retirar as vítimas dos escombros, até agora Porto Príncipe não foi restabelecida. Os militares estão passeando, não estão fazendo nada no país. Nós pedimos que os militares saiam imediatamente do país e pedimos a solidariedade de todas as pessoas para que nos ajudem a retirar os militares do país porque não precisamos de militares.

Nós acreditamos que a reconstrução que estão falando não é possível sem haitianos, pois nós somos cidadãos e os responsáveis pelo país. Queremos participar da reconstrução do país. Se os governos estrangeiros e a comunidade internacional não nos vêem como cidadãos haitianos esta reconstrução não vai a lugar algum. Nossa proposta (como povo) é a melhor porque sabemos o que é melhor para nosso povo.

P&R: O que tem a dizer sobre a campanha do Pão e Rosas?

Parabenizamos e agradecemos as organizações que estão nos ajudando a difundir a nossa mensagem, que nós no Haiti somos um povo independente e livre, em nosso pais não temos guerra, não precisamos de militares.

*Traduzido por Babi Delatorre

domingo, 14 de março de 2010

Realizamos a 3ª plenária do grupo de mulheres Pão e Rosas!!! Venha você também construir o Pão e Rosas com a gente!

Pelo Dia Internacional da Mulher, as mulheres do Pão e Rosas saíram às ruas para manifestar indignação e dizer: “nossa história não vão apagar”. Gritamos no ato de Mulheres da Conlutas em alto e bom som “Somos as negras do Haiti”, exigindo a imediata retirada das tropas brasileiras enviadas por Lula que comandam a ação da ONU de invasão do Haiti, que massacram as mulheres e o povo haitiano, impedindo que se organizem, que levantem suas bandeiras históricas e decidam o rumo de seu país, há séculos marcado pelo saque imperialista e por ditaduras sangrentas patrocinadas pelo mesmo imperialismo. E também denunciamos o imperialismo com rosto de mulher, representada pela figura de Hillary Clinton, que esteve na América Latina, além de exigir que Michele Bachelet, a então presidente em exercício do Chile, retirasse as tropas militares que reprimem a população chilena após o terremoto. Além disso, organizamos junto ao sindicato dos/as sapateiros/as de Franca (SP) um debate sobre os 100 anos do Dia Internacional da Mulher, na qual interviemos colocando a necessidade de lutar contra a precarização do trabalho, apontando a necessidade de lutar pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários a fim de acabar com o desemprego em Franca.

Após uma intensa atividade e intervenção do Pão e Rosas em 2009, a um ano do surgimento de nossa agrupação, nos reunimos no dia 07 de março e realizamos nossa 3° plenária. Também foi realizada a primeira reunião de mulheres negras do Pão e Rosas que constituirá um grupo de estudos no qual buscaremos abordar a situação da mulher negra hoje e resgatar a origem do povo negro e o papel das mulheres negras na resistência à escravidão e ao racismo. Debatemos os rumos para nossa agrupação de mulheres para 2010, além de termos feito um importante debate sobre as perspectivas do grupo, no qual pudemos confluir na necessidade de nos colocarmos ativamente contra a divisão da classe trabalhadora re-lançando com ainda mais força nossa campanha contra a terceirização e precarização do trabalho. Também saudamos as trabalhadoras da USP, que recentemente fundaram a Secretaria de Mulheres do SINTUSP, que no 8 de março também saíram às ruas para lutar contra as tropas brasileiras no Haiti, e que hoje buscam fazer com que todas as mulheres tomem para si o sindicato e a secretaria de mulheres como uma importante ferramenta de luta.

Discutimos que neste ano eleitoral compreendemos que uma mulher como Dilma Rousseff não vai modificar a situação das mulheres no Brasil, e não vai defender os interesses das mulheres, para nada vai defender os interesses da classe trabalhadora Dilma é uma mulher para defender os interesses do capitalismo, que assim como Hillary Clinton veio para defender os interesses do imperialismo e não das mulheres, assim como Obama não governa pelos negros e sim pela burguesia imperialista.. E frente a isso nós, enquanto mulheres classistas, temos que desmascarar dizendo em alto e bom som que essas mulheres não nos representam de forma alguma, pois representam os interesses dos patrões, da burguesia.
Com todo o trabalho que o Pão e Rosas vem fazendo ao longo deste um ano, lutas e combates que travamos em nossos locais de trabalho e estudo, demos um passo à frente muito qualitativo em nossa última plenária, e o que não era tão evidente para algumas de nós, vem se demonstrando necessário e será parte das discussões do Pão e Rosas em todos os locais em que estamos:: temos que ser mulheres que lutam pelos nossos direitos mais elementares no capitalismo, como o direito a melhores salários, licença maternidade, direito ao aborto para não morrermos, salário igual para o mesmo trabalho, combatendo a violência contra a mulher, mas também que devemos ao calor de nossa luta por melhores condições de vida e por nossos direitos, construir um grande movimento de mulheres que seja classista, revolucionário e socialista, pois compreendemos que somente acabando com o capitalismo e com a sociedade de classes, poderemos acabar com a opressão e a exploração, e assim poderemos realmente caminhar para uma completa emancipação das mulheres e da humanidade. É por isso que nos colocamos o desafio de construir um forte movimento de mulheres em toda a América Latina, buscando contribuir para forjar uma nova tradição que resgate as lições das lutas passadas, das lutadoras que deram suas vidas na luta pela derrubada do capitalismo, como Rosa Luxemburgo e Clara Zetkin, entre muitas outras mulheres que colocam até hoje medo na burguesia e por isso sua trajetória são apagadas de nossa história. Por isso estamos re-escrevendo o nosso manifesto para que através dele façamos um chamado a todas mulheres que estão imersas na miséria que o capitalismo nos relega todos os dias pelas catástrofes, pela exploração e pela opressão, a construir conosco o Pão e Rosas no Brasil e em toda a América Latina.

Encerramos nossa 3ª plenária ao som de Mara Onijá, e todas juntas cantamos: “Nosso canto é o espanto dos que nos julgaram mortas, sou Pão e Rosas, Pão e Rosas”.

GREVE DE PROFESSORES EM SP: “Temos que decidir as pautas de reivindicação em nossas escolas e eleger representantes em assembléias”

Entrevistamos Rita Frau, professora da rede estadual de São Paulo, integrante do Movimento CLASSE Contra CLASSE e do Pão e Rosas, sobre a greve dos professores e professoras.

Pão e Rosas: A greve das e dos professores estaduais paulistas teve início exatamente no dia 8 de março, quando fazem 100 anos de luta e resistência das mulheres. Fale-nos um pouco sobre a greve.

É realmente interessante que nossa greve tenha iniciado justamente nesse dia. Numa categoria onde as mulheres são a ampla maioria, e que também é uma categoria bastante precarizada. Recebemos salários muitos baixos, o que nos faz ter que dar aulas em várias escolas num mesmo dia, ir para lá e para cá, salas superlotadas podendo chegar a 50 alunos, e não é à toa que muitos professores tem vários problemas de saúde. Hoje, mais da metade de nós professoras e professores, somos temporários, e além disso, o governo decretou que temos que fazer uma prova obrigatória para continuar dando aulas, com bibliografias super extensas, para “avaliar” o que muitas e muitos de nós já faz por décadas, que é fornecer alguns fundamentos básicos para a educação da juventude. Isso é na verdade jogar nas costas dos professores o custo da precária estrutura do ensino que temos hoje, não só no estado, mas também no municípios, por falta de políticas (investimento) do estado para nosso aperfeiçoamento permanente, pela falta de infra-estrutura, e pelas próprias condições que os jovens tem que estudar, pois grande parte desses jovens também tem que trabalhar. Mas não pára aí, porque por trás disso, o governo Serra, quer precarizar ainda mais o trabalho dos professores efetivos e dos temporários (OFAS), por um lado estendendo a jornada de trabalho dos efetivos que agora com a opção da carga de trabalho de 40h, recebendo um salário muito baixo para o custo de vida de uma família, e fazer com que a nova divisão de categorias entre os temporários acabe com a estabilidade, direitos trabalhistas e que estejam ameaçados à demissão. O tucano secretário da educação Paulo Renato, anunciou concurso de 10 mil vagas, mas isso não chega à nem 1/3 dos professores OFAS, que são em torno de 120 mil. Por mais que vários professores passem na prova, não terá vaga para todos, e muitos ficaram sem trabalho. Hoje, por exemplo, professores que estão na categoria “O”, são contratados em regime temporário, como a relação de um trabalhador com uma empresa privada, e seus direitos são limitados em apenas duas abonadas e dois atestados médicos por ano. Ou seja, esses professores não podem adoecer, se não são ameaçados a perderem seus empregos. Nós do movimento Classe contra Classe, acreditamos que esta greve deve levantar com tudo o problema da precarização e da fragmentação da categoria. Como eu disse, mais da metade dos docentes são OFAS, temos que nos unir entre efetivos e OFAS para lutar contra precarização exigindo a efetivação de todos os professores temporários, que em muitos casos, já estão na sala de aula há mais de 15 anos. Por isso esta greve deve ser por reajuste salarial que não nos é dado há muito tempo, e melhores condições de trabalho como está na pauta elaborada pela direção do sindicato, mas para lutarmos por melhores condições de trabalho temos que garantir que nossos companheiros que há muitos anos atuam por uma educação de qualidade não sejam jogados na rua como se fossem incompetentes, como o Serra que fazer parecer com suas propagandas enganosas nos grande veículos burgueses de comunicação.

PeR: Qual a relação da greve de professores com a luta pela educação gratuita e de qualidade a serviço de toda a população e da classe trabalhadora?

Ao contrário do que querem que acreditem e do que a direção do sindicato se propõe, para os/as professores/as esta é uma greve a favor de toda a classe trabalhadora e de todo o povo pobre. Isso porque, uma população deseducada, uma população que não conhece sua história, suas lutas passadas, é uma população mais fácil de ser enrolada e enganada pelos governos, porque tem que partir do zero para lutar por seus direitos. Mas nós, professores, trabalhadores, nós mulheres, não partimos do zero, temos em nossa história diversos exemplos de erros e acertos daqueles que lutaram. Temos a recente história de uma cidadezinha no México, que se chama Oaxaca, que chegou a ser comandada pelos trabalhadores e pelo povo. Isso foi há menos de 4 anos atrás, e sabe como isso aconteceu? Como se iniciou? Foi numa greve de professores. A greve foi reprimida pela policia, e a população se solidarizou, e cada vez mais as ruas foram sendo tomadas. Mas essa história, esses jornais com noticias que pretendem fazer com que nossa greve e nossas reivindicações sejam vistas como corporativistas, essa história de como de uma greve de professores, a cidade, as emissoras de rádios e de TV, as escolas e universidades, hospitais, foram colocados a serviço da população, essa historia não se conta. E as mulheres, estiveram na frente de tudo isso, ao lado de companheiros. É por isso também que não podemos deixar que o governo Serra e o Estado engesse o conteúdo das disciplinas através de um material “didático” centralizador cujo conteúdo é superficial. Assim como a história das mulheres que lutaram é escondida, querem apagar um pouquinho da nossa história, emburrecendo o ensino, para que assim fiquemos calados. Mas a voz dos professores e professoras hoje, têm que ser, assim como em Oaxaca, a voz de toda a juventude, de todas as mulheres que são confinadas nos lares, a voz de todos trabalhadores que assim como nós, também são mal remunerados e explorados.

PeR: Como você acha que os professores e professoras devem se organizar para levar esta greve até a vitória?

Eu vejo que nessa greve se a gente conseguir se organizar em cada escola, não só os professores, chamando inclusive os estudantes, os pais, os funcionários, para juntos debater sobre as condições de trabalho e de ensino, podemos ampliar cada vez mais nossa mobilização e apoio, para fortalecer nossa luta pelo ensino de qualidade. É também importante, não deixar novamente que a direção do nosso sindicato, ligada ao PT, vá negociar os pontos da greve por debaixo da mesa, sem a gente nem saber. Temos que decidir nossas pautas de reivindicação em nossas escolas e escolher os nossos representantes para levar as nossas posições. Afinal, também sabemos que estamos em ano eleitoral, e muitos interesses entram em jogo, principalmente porque nossa greve se coloca diretamente em choque com o governador José Serra, e o partido de Lula, que está à frente em nosso sindicato, pode querer utilizar nossa greve como margem de manobra eleitoral, pois querem eleger sua candidata, a Dilma Roussef, que pelo fato de ser mulher, não vai mudar a situação das mulheres e nem dos trabalhadores, assim como tem feito Lula continuaria governando para os patrões, os grandes empresários, etc. Mas cabe a nós, não permitir que isso ocorra, por isso penso que a Oposição Alternativa, por co-dirigir a categoria deve sair do adaptacionismo em relação à direção do sindicato, e vir a ter um papel importante, e juntos podemos buscar confrontar a diretoria do nosso sindicato, convencendo centenas e milhares de professores a lutarem ao nosso lado. O governo, só tem a ganhar quando estamos separados, por isso é importante que as categorias estatais se unifiquem, para impor uma grande derrota ao governo José Serra, mas também mostrar para o governo federal de Lula, que nós sabemos que seu plano para o ensino, para a saúde, para o conjunto social, não é muito diferente do que de Serra, pois ambos defendem o mesmo Estado capitalista, e vão fazer, a todo custo, que sejam sempre nós as trabalhadoras e trabalhadores a pagarem duplamente pelos interesses de lucro dos patrões cujos governos estão a servir, legislar. Devemos lutar pelo nosso direito a melhores condições de trabalho e contra a precarização do trabalho, que também é ter salário e garantia de emprego, assim como a população deve lutar por um ensino de qualidade, que se por um lado também diz respeito às nossas condições de trabalho, por outro também diz respeito ao acesso ao conhecimento, porque é preciso conhecer nossa história, para a gente transformar nosso presente e nosso futuro e o futuro de nossos filhos.
Para entrar em contato com o movimento Classe contra Classe escreva para: classecontraclasse_prof@yahoo.com.br

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher: nesse 8 de março o Pão e Rosas também marchou em Porto Príncipe no Haiti

Por Sofia Yañez, enviada especial Pan y Rosas – México


Entre os escombros e com a dor por mais de 300 mil mortes, as mulheres haitianas passaram esse dia vivendo nas ruas e parques, fazendo filas para receber alimentos, suportando os já rotineiros bloqueios militares. Enquanto isso, centenas de mulheres de distintas partes do mundo realizaram um ato acendendo velas, que simbolizaram a continuidade na luta de milhares de mulheres haitianas que morreram pela liberdade deste povo e, agora, vítimas da catástrofe.
Junto de outras feministas e ativistas dominicanas e haitianas, o Pan y Rosas se manifestou contra a presença das tropas imperialistas. Desta forma, terminamos nossa viagem à ilha caribenha na qual, durante um mês, atuamos como correspondentes, nos solidarizando ativamente, difundindo o pronunciamento que o Pan y Rosas impulsiona com mulheres e organizações feministas de mais de quatorze países da América Latina e do Caribe.

HOJE: Pão e Rosas, Mulheres em Luta, 13 de Maio e Assembléia dos estudandes do Alô(jamento) debatem sobre a violência contra a mulher

Debate “Violência contra a Mulher” às 19h no Fundão - UFRJ

Mulheres em Luta
Clarissa (Pão e Rosas)
Teca (13 de Maio)
Deise (Assembléia dos estudantes do Alô)

Organização: Assembléia dos estudantes do Alojamento da UFRJ

Terremoto no Chile: Declaração do Pão e Rosas Brasil

Mais um terremoto abala a América Latina e Caribe, e o governo de Michele Bachelet coloca tropas militares das ruas chilenas para reprimir a população.

800 mortos. 500 feridos. 500 mil casas e prédios destruídos. 1,5 milhão de pessoas sem eletricidade e outras 800 mil sem água. 14 mil militares presentes nas ruas...

Este é o cenário atual no Chile após o grande terremoto na madrugada do último sábado, dia 27/02. Ao contrário do que muitos de nós pensamos, esses militares não estão nas ruas para uma ajuda humanitária, seja para distribuição de água, alimentos ou na busca de mortos nos escombros. Prova disso são os inúmeros depoimentos relatando a demora na ajuda à população mais afetada, sendo esta composta majoritariamente de homens, mulheres e crianças trabalhadores e pobres. Assim como as tropas da Minustah e do Brasil no Haiti, as tropas chilenas estão nas ruas para “manter a ordem”, para defender a propriedade privada, ou seja, para reprimir as manifestações da população, suas medidas de organização e sobrevivência, que para garantir comida e água precisam esvaziar as prateleiras dos supermercados.

Em declaração à imprensa, a presidente Michelle Bachelet, em reunião com Hillary Clinton, não deixou dúvidas de quais interesses sua política está a favor, anunciando suas medidas em relação aos recorrentes saques nos supermercados: “Esse tipo de ação não será tolerado”. Hillary Clinton por sua vez, representando o imperialismo assassino norte-americano, visitou o Chile para anunciar que os EUA estão “prontos para ajudar”, isto é, assim como no Haiti, Iraque, Afeganistão, seus soldados estarão dispostos a tudo para defender o imperialismo e a propriedade privada. Também levantou a suposta necessidade da extensão do estado de emergência já declarado pela direita reacionária, o que nada mais é do que uma maior repressão e contenção da população chilena.

Assim como o terremoto no Haiti, as enchentes no Brasil e na Europa, o recente terremoto no Chile não é uma mera expressão de uma “tragédia natural”. Não podemos evitar um terremoto, mas podemos sim prevenir seus efeitos! E as respostas dos governos têm sido a repressão.

Nós, mulheres do Pão e Rosas, devemos lutar para que as organizações de trabalhadores, sindicatos, conselhos de bairro, sindicatos de saúde e alimentação e as organizações de estudantes sejam responsáveis pela organização e distribuição dos alimentos e água que chegam ao país! Queremos gritar com todas nossas forças que estas mulheres no poder não nos representam! Bachelet, Hillary, Condolezza Rice e Dilma Roussef são defensoras dos interesses dos patrões e da burguesia, e não da classe trabalhadora e pobre!
Fora as tropas militares da América Latina e do Caribe! Pelo amplo apoio operário e popular!

Fora as tropas militares das ruas chilenas!

100 anos de luta e resistência do 8 de março: Secretaria de mulheres do sindicato dos sapateiros de Franca e Pão e Rosas organizam debate

Mais de 80 sapateiras de Franca/SP participam de discussão em homenagem aos 100 anos de luta e resistência do 8 de março

Na última segunda-feira, dia 08 de março, a Secretaria de Mulheres do Sidicato de Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Franca (CUT) junto ao grupo de mulheres Pão e Rosas Franca organizou um grande debate entitulado “100 anos do 8 de março: luta e resistência”. Apesar da dupla jornada que pesa sobre a classe trabalhadora feminina de Franca, mais de 80 sapateiras estiveram presentes no debate junto a seus filhos e parentes. A mesa foi composta por Edvânia Angela de Souza Lourenço, Profa. de Serviço Social da Unesp de Franca; Diana Assunção, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP e integrante do Pão e Rosas e Maria da Graça Bá, coordenadora da Pastoral Afro-Descendente e membro do Conselho da Comunidade Negra de Franca. Além disso, coordenou a atividade Marta Roseli Pereira da Secretaria de Mulheres do Sindicato de Sapateiros de Franca e Tássia Correa, do grupo de mulheres Pão e Rosas Franca, que fez uma saudação a todas as sapateiras e trabalhadoras domésticas presentes no debate.

Edvania fez uma exposição sobre a situação da mulher no mercado de trabalho hoje, resgatando as formas com que o capitalismo se apropriou da opressão da mulher pra incorporá-la à produção. Resgatou aspectos da Revolução Industrial, do pós-guerra, entre outros, também demonstrando a forma como isso se deu, rebaixando salários e diminuindo direitos. Diana Assunção buscou explicar o fenômeno da precarização do trabalho e que formas adquiriu nos últimos anos, resultando numa política não somente de aumento de lucros pra patronal, mas principalmente de profunda divisão entre as fileiras operárias. Isso, ligado a opressão da mulher faz com que as mulheres hoje estejam nos piores postos de trabalho, com salários menores e menos direitos, além de sofrerem com a dupla jornada. Diana demonstrou que o aumento de empregos no governo de Lula se deu de forma profundamente precarizada e questionou o projeto de lei apresentado pela CUT que busca regulamentar a situação dos terceirizados que cumprem a "atividade-fim" da empresa, mantendo os trabalhadores da limpeza, de serviços entre outros na miséria e na humilhação. Também resgatou a luta que os trabalhadores e trabalhadoras da USP vêm dando desde a greve de 2009 pela incorporação de todos os terceirizados. No caso de Franca, Diana ressaltou que “é uma tarefa de todas as sapateiras e sapateiros lutar em defesa das trabalhadoras das bancas de pesponto, que trabalham em péssimas condições, com jornadas de trabalho intermináveis e sem nenhum direito”, apontando a necessidade de lutar pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários afim de acabar com o desemprego em Franca.

Houveram várias intervenções, entre elas Débora, jovem sapateira e militante do Pão e Rosas que ressaltou a importância da aliança das estudantes com as mulheres trabalhadoras, colocando isso como um ponto fundamental na luta pelos direitos das mulheres. Clara, da Secretaria de Mulheres do Sindicato de Sapateiros de Franca fez uma saudação à atividade dizendo que “a CUT Nacional orientou a organizarmos o 8 de março dizendo ‘100 anos de luta e igualdade’, mas junto com as companheiras do Pão e Rosas resolvemos dizer ‘100 anos de luta e resistência’ para expressar mais profundamente o caráter do 8 de março”.

Ao final, Diana Assunção denunciou o governo Lula em relação a permanência das tropas no Haiti dizendo “Não é possível lutar de forma conseqüente pelos direitos das mulheres neste 8 de março se não exigirmos a imediata retirada das tropas brasileiras comandadas pelo governo Lula no Haiti. Neste sentido, o Sindicato de Sapateiros de Franca e a CUT, ambos ligados ao governo, tem a tarefa de exigir imediatamente que sejam retiradas as tropas que humilham, reprimem e estupram as mulheres haitianas”. A prof. Edvânia fechou o debate expressando a necessidade de lutar cotidianamente contra a opressão da mulher nos locais de trabalho e de se organizar politicamente.

quarta-feira, 10 de março de 2010

PÃO E ROSAS NO HAITI: "As necessidades continuam sem ser atendidas tanto no Chile quanto no Haiti, a resposta oficial é a repressão"

Como parte da campanha que o Pão e Rosas vem desenvolvendo em diferentes países da América Latina e Caribe em solidariedade às mulheres e ao povo pobre e trabalhador do Haiti, Sofía Yañez do Pan y Rosas México, viajou à ilha caribenha com a colaboração do Pão e Rosas da Argentina, Brasil, Chile e Bolívia.
Por Sofía Yañez, enviada especial do Pan y Rosas - México

(Batey 8, Barahona, República Dominicana) A mais de 50 dias após o terremoto ocorrido no Haiti, as organizações independentes ainda lidam com a crescente escassez de recursos e as necessidades imediatas do povo haitiano.

“A fase de emergência não foi totalmente resolvida. As pessoas ainda continuam precisando de alimentos, de abrigo, de medicamentos... existem muitas necessidades. Nós estamos levando ajuda e brigadas médicas, mas ao mesmo tempo fazendo tudo o que está a nosso alcance para que o povo retome a dinâmica de sua situação em suas próprias mãos”, afirma Beneco Enecia, diretor do CEDESO (Centro de Desenvolvimento Sustentável), uma organização que trabalha nos bateyes* na fronteira da República Dominicana com o Haiti.
O processo de reconstrução é impensável sem o suporte feminino já que, em sua maioria, as casas já eram sustentadas por mulheres e hoje, são elas que devem fazer funcionar os albergues com os poucos recursos. “Nós temos trabalhado diretamente com elas porque conhecem a comunidade e sabem de suas necessidades específicas”, assinala Beneco. “A presença dos militares, tanto dos EUA como os da Minustah, acredito que seja negativa e contribui para vender a idéia de que o povo haitiano é violento. Eu acredito que não é assim. O que existe é uma explosão da sociedade como conseqüência de tantos anos de privação, mas a resposta não deveria ser assim, não tinham que enviar soldados porque a maneira de convencer o povo haitiano não é com baionetas. O Haiti expressou que não queria militares”.
Beneco compara a situação haitiana com a reposta do governo chileno diante do terremoto que sacudiu a nação andina no último 1º de março: “É a mesma resposta militarista que têm os governos, baseados em seu enfoque de repressão, pois como não são capazes de satisfazer as necessidades da população aproveitam de situações como estas para conter o povo pela força. E eu penso que não deve ser assim. Fortalecendo as redes sociais de cada comunidade as coisas vão bem, mas não com militares.”

*Os Bateyes são as comunidades de imigrantes haitianos que se estabeleceram desde o século passado, perto dos engenhos de açúcar.
(Tradução de Babi Delatorre)