segunda-feira, 26 de abril de 2010

Chuvas, enchentes, deslizamentos... Para os capitalistas: bilhões. Para as mulheres, a classe trabalhadora e o povo: mortes, miséria e dor. BASTA!

Por Babi Dellatorre
(integrante do Diretório Acadêmico da Unesp - Rio Claro)
e Clarissa Menezes (estudante da UFRJ)

Após a tragédia social vivida pelo Rio de Janeiro neste último mês, Salvador (BA) é atingida por intensa chuva que durou cerca de 7h ininterruptas. A causa é a mesma frente fria que passou pelo Rio. A previsão que esta frente seguiria em direção ao nordeste foi realizada uma semana antes do início das enchentes em Salvador. Além da tecnologia para fazer esta previsão, o conhecimento de que as fortes chuvas têm caracterizado este período (ano passado foram mais de 300 mil pessoas entre desabrigados e desalojados no nordeste devido a enchentes) poderiam ter antecipado as ações do governo para evitar as mortes. Contudo, não é isso que observamos.

Os governos de distintos países já mostraram sua verdadeira política para a classe trabalhadora e o povo pobre: foi assim nos EUA quando o furacão Katrina abalou New Orleans e o governo lá deixou a população pobre e negra; foi assim neste ano no Chile quando Michele Bachelet colocou 14 mil tropas nas ruas após o terremoto para reprimir a população que sedenta e faminta saqueava os lucrativos supermercados; foi assim no Haiti, após o terremoto, com os EUA enviando milhares de soldados e intensificando a repressão e opressão do povo haitiano que vive há quase 6 anos sob o jugo da invasão militar das tropas de “paz” da ONU comandadas pelas tropas do Brasil; e assim tem sido também em nosso país.
Só nestes 4 primeiros meses de 2010 assistimos ao descaso da prefeitura de São Paulo em socorrer a população atingida com as enchentes; a demora da defesa civil em chegar aos morros cariocas, o cinismo de Eduardo Paes/PMDB, Sérgio Cabral/PMDB e Lula/PT em culpar a população por viver nas áreas de risco, a falta de medidas rápidas e efetivas para atender as famílias desabrigadas. No Haiti, vimos a assombrosa combinação de um terremoto com a miséria do país mais pobre do continente deixando mais de 300 mil mortos e uma população submetida ao imperialismo fardado que assegura a ‘paz armada’ sob o comando, há quase seis anos, das tropas brasileiras enviadas por Lula .

O que há por trás destas catástrofes, que de naturais nada têm, são as políticas públicas dos governos capitalistas diante da pobreza. Políticas racistas e segregacionistas que constroem mais pobreza e miséria, que condenam o povo a viver sobre lixões e morros arriscando suas vidas enquanto o presidente ex-operário e o governador Sérgio Cabral investem o dinheiro da classe trabalhadora com repressão como por exemplo as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), na construção de muros ao redor das favelas e nas grandiosas obras do PAC com o objetivo de esconder as desigualdades e embelezar o Rio de Janeiro para a Copa e as Olimpíadas. Isso evidencia que o verdadeiro papel dos governos é mediar e defender os lucros dos patrões e dos burgueses, salvando os grandes empresários e banqueiros em momentos de crise, como vimos em 2008 e 2009, enquanto mantêm a pobreza criada pelo próprio sistema capitalista para garantir a mão-de-obra barata necessária ao enriquecimento e poucos[1].

Aconteceu, na semana passada, o 9º Fórum de Empresários, que inclui o Fórum de Prefeitos de capitais e o 3º Fórum de Governadores, organizado pelos grandes lideres empresariais para discutir sustentabilidade ambiental. E o que os trabalhadores e o povo podem esperar deste encontro? Mais miséria, repressão e muita hipocrisia com o discurso de sustentabilidade. Yeda Crusius (PSDB), governadora do RS, reprime e criminaliza movimentos sociais além de estar envolvida em escândalos de corrupção. Os prefeitos Gilberto Kassab, São Paulo, e Eduardo Paes, Rio de Janeiro, já mostraram sua política nefasta que mantém a população no abandono e imersas em repressão policial. O fato é que apenas 11% das pessoas expostas às intempéries da natureza vivem em países pobres, mas 53% das mortes decorrentes dessas catástrofes ocorrem justamente nos países pobres[2]. Estes dados mostram a hipocrisia da preocupação dos governos e empresários com a sustentabilidade ambiental, pois tínhamos a tecnologia para evitar as mortes e desabrigados no Rio de Janeiro, na Bahia, em Sergipe, em São Paulo, Santa Catarina, mas a tecnologia não está a serviço de atender as necessidades da população, mas aos lucros.

Nós, mulheres, e o conjunto da classe trabalhadora e o povo, não podemos esperar que a solução venha dos governos e dos empresários. É preciso construir com nossas próprias mãos através de uma forte campanha de solidariedade levantada por sindicatos, pelo movimento estudantil nas escolas e universidades, pelas organizações populares e de moradores, de direitos humanos e feministas.

Além disso, não podemos permitir que os governos reprimam e removam a população dos lugares em que moram de maneira precária por falta de uma estrutura urbana adequada a suas necessidades para colocar a classe trabalhadora e o povo pobre longe “das vistas” e dos grandes centros. Por isso é preciso lutar por um plano de obras públicas controlado pelas organizações operárias e populares que são quem realmente sabem quais as suas próprias necessidades. E, para colocá-lo em prática, é necessário traçar um plano de luta para impor aos governos e grandes empresários que se colocarão contra a organização da classe trabalhadora e do povo para solucionar suas necessidades em detrimento do lucro. Diante da repressão que os governos nos submetem quando sofremos com as catástrofes “naturais” e quando nos mobilizamos, é preciso unificar nossa luta, pois a mesma polícia que reprime os professores e professoras que lutam pelos seus direitos, reprime também o movimento estudantil, o movimento operário quando fazem greve, reprime e assassina a juventude nas periferias e morros de São Paulo, do Rio de Janeiro, da Bahia. Te chamamos a marchar junto do grupo de mulheres Pão e Rosas nesse 1º de Maio e junt@s gritar:

Em São Paulo, na Bahia, no Rio: Abaixo a repressão policial!

Fora as UPPs dos morros cariocas!

Organizar uma campanha de solidariedade operária e popular aos atingidos pelas chuvas e enchentes!

Lutar por um plano de obras públicas para construir moradias dignas, escolas, creches e hospitais, que seja controlado pelas organizações operárias e populares!

[1] O governo brasileiro destinou R$300 bilhões para tirar da crise empresários e banqueiros; tem R$169,1 bilhões em gastos com a dívida pública. E, para ajudar o Rio de Janeiro diante das enchentes, deu apenas R$200 milhões.
[2] Dados do “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento”.

2 comentários:

julie disse...

Isso é um absurdo. Cabral melhorou muito nossa segurança. A idéia da UPP é maravilhosa e melhorou a moradia de muitas famílias. Temos problemas com salários sim, mas Cabral prometeu aumento de salário. Esse aumento melhorará ainda mais o trabalho maravilhoso que os pms têm feito por essas família e sei que elas agradecem.

Cla disse...

A política de Sérgio Cabral para a população pobre que mora nas favelas é uma só: repressão. As UPPs significam na prática toque de recolher, proibição de manifestações artísticas e culturais (como no Morro Dona Marta é exemplo paradigmático). Isso era a prática da ditadura, que muitos hoje relembram com orgulho dessa "democracia" que vivemos hoje... Sem falar da ordem de Cabral de reprimir os professores do SEPE que são aqueles bravos que educam a juventude. Lembrando ainda que Cabral acusa os médicos de "vagabundos" mas paga pouco mais de 600 reais, e seria dos médicos individualmente a culpa de um sistema de saúde tão precário no RJ, que leva as mulheres a perderem seus filhos e até mesmo morrer? E aumentar salário dos policiais... ao invés de aumentar o salário dos professores, dos médicos, enfermeiros, assistentes sociais... é realmente algo que somente algumas famílias privilegiadas por sua situação econômica e de classe pode reivindicar. Por isso dizemos "Abaixo à repressão!" A população precisa de moradia e condicção de vida digna, não de fuzis apontados para suas cabeças.