terça-feira, 12 de maio de 2009

Pão e Rosas PUC-SP em defesa das trabalhadoras terceirizadas que denunciaram suas condições de trabalho

Essa semana foi publicado no jornal PUCViva uma denúncia de trabalhadoras terceirizadas da limpeza sobre suas condições de trabalho:

"Nós, da empresa terceirizada, estamos trabalhando em condições precárias. Nosso café da manhã é com pão mofado e café com sujeira dentro. Na hora do almoço as baratas passam na parede e na mesa que almoçamos. Recebemos nosso vale-transporte em datas diferentes e com valores diferentes tendo que pagar do próprio bolso para trabalhar. Nosso vale refeição e alimentação vem todo errado e muitas vezes nem recebemos. Ficamos doentes e trazemos atestado e mesmo assim é descontado do salário. Mesmo com atestado perdemos a cesta básica.Somos tratados que nem cachorro pela supervisora Eloisa e pela encarregada Jaqueline. Queremos respeito e dignidade para trabalhar.Trabalhamos o mês inteiro e queremos receber aquilo que temos direito.Não temos material decente para trabalhar. Falta vassouras, pano de chão, Veja e outros produtos. Queremos que mudem a encarregada e a supervisora, e esperamos que o Sr. Reitor resolva os nossos problemas, pois queremos ser respeitadas que é um direito de todo funcionário. Auxiliares de Limpeza da PUC-SP."

Publicamos abaixo panfleto escrito por Debora, estudante de ciências sociais da PUC-SP e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas, sobre a denúncia das trabalhadoras:

Escravidão Nunca Mais!

Na audiência pública que ocorreu no final do mês passado nosso “digníssimo” reitor sugeriu que a terceirização dentro da PUC pode ser interessante para o bom andamento da universidade. Aí nos perguntamos: é interessante para quem a terceirização? Com certeza não é para as trabalhadoras terceirizadas da limpeza que no último PUC Viva denunciaram as péssimas condições de trabalho às quais estão sujeitas, comendo, por exemplo, “pão mofado”; não recebendo vale-transporte na data certa e sendo descontadas e perdendo a cesta básica quando faltam por motivos de saúde, mesmo quando apresentam atestado.
Para o reitor e a Igreja (Fundação São Paulo) esse tipo de contratação nada mais é do que uma maneira de diminuir gastos, às custas da super-exploração e da retirada de suas responsabilidades perante esses trabalhadores terceirizados. Mas não é só isso, uma das principais características da terceirização é a divisão dos trabalhadores, que num mesmo local de trabalho, muitas vezes exercendo a mesma função, os trabalhadores por não fazerem parte da mesma empresa (parte dos trabalhadores da PUC são efetivos, parte de empresas terceirizadas) acabam não se enxergando como partes da mesma classe. A que leva a divisão dos trabalhadores? Por não se enxergar pertencentes a uma mesma classe a unidade desses trabalhadores é cada vez mais difícil, o que fortalece os ataques dos patrões aos direitos dos trabalhadores.
Frente a essa situação, achamos que a luta pela efetivação dos trabalhadores terceirizados deve ser levada a diante pelos efetivos e pela AFAPUC, pois os efetivos da PUC serão os próximos a perderem seus empregos com o aumento desses tipos de contratos cada vez mais precários.
Diante dessa realidade, onde cada vez mais os trabalhadores são atacados, perdendo seus direitos e tendo condições de trabalhos desumanas, nós gritamos bem alto:
Vocês não estão sozinhas nessa luta!
· Pela efetivação imediata de todas as terceirizadas e todos os terceirizados da PUC!
· Pelo fim do trabalho precário!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pão e Rosas USP: Estamos em greve!

Dentro de uma universidade elitista e racista como a USP, onde a opressão da mulher se expressa desde o conhecimento produzido nas salas de aula até a superexploração de mulheres como as terceirizadas da limpeza, e de outras funções como as trabalhadoras das fundações, os trabalhadores (as) da USP se levantaram para dizer um não àqueles que querem destruir nosso sindicato e nossas formas de organização, àqueles que demitem nosso dirigente sindical, Claudionor Brandão, colocam em risco o emprego de mais de 5 mil funcionários que estão supostamente com suas vagas irregulares, segundo o Tribunal de Contas da União e correndo o risco de terem seus contratos de trabalho anulados e àqueles que perseguem os lutadores e lutadoras abrindo sindicâncias, instaurando processos administrativos, abrindo inquéritos policiais e processos crimes.

Mas o nosso não vai além.. o nosso não é também contra essa estrutura de universidade que deixa fora os filhos da classe trabalhadora, a juventude negra e pobre. É um não à escravidão dentro da universidade, que muitos dão o nome de “terceirização” mas que é na verdade uma forma de escravizar, humilhar e dividir os trabalhadores entre efetivos e terceirizados. E ainda dão lucro às empresas que recebem milhões da verba pública da universidade. Dizemos um não à humilhação cotidiana das mulheres numa sociedade capitalista que joga em nossas costas o peso da dupla jornada, que persegue as mulheres que recorrem a um aborto clandestino, que cria muros pra esconder os pobres das favelas, que permite que a Igreja diga que o aborto é um crime pior que estupro... tudo isso enquanto os políticos corruptos fazem festa nos parlamentos!

Nós, mulheres trabalhadoras da USP, que apoiamos e construímos o Pão e Rosas, estamos em greve. Mas queremos fazer ecoar na nossa luta a voz de todas as mulheres pobres e trabalhadoras que hoje sofrem com esse sistema que nos relega a agonia e a opressão. E por isso, chamamos todas as mulheres a estarem de pé pra enfrentar a crise que querem descarregar sobre nossas costas, gritando bem forte: que a crise seja paga pelos capitalistas!

Trabalhadoras da USP iniciam campanha pela efetivação dos terceirizados e terceirizadas


As trabalhadoras da USP que apóiam e impulsionam o grupo de mulheres Pão e Rosas iniciam essa semana, durante a greve de trabalhadores e trabalhadoras da USP a campanha "A terceirização escraviza, humilha, divide..." exigindo a efetivação imediata de todos os terceirizados e terceirizadas da universidade com os mesmos direitos e salários. Publicamos abaixo, entrevista do Jornal Palavra Operária com Dinizete, trabalhadora da USP e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas, sobre a greve da USP e a campanha em defesa das trabalhadoras terceirizadas.

JPO: Nós estamos vendo que a mídia burguesa tem divulgado a greve da USP como mais uma campanha salarial, qual é a sua visão sobre isso?

Primeiro, sobre a greve da USP, de fato começou com uma reivindicação política, e não somente uma reivindicação econômica e salarial. Como trabalhadora reivindico isso, dadas as necessidades, dados os ataques que a reitoria esta cometendo contra estudantes e trabalhadores. Fazemos esta greve para dizer que a reitoria não tem que demitir trabalhadores e nem colocar trabalhadores na rua, para dizer que ela não pode passar por cima da legislação. Não que eu reivindique as leis do Estado burguês, mas já que ela existe, e nós ainda vivemos nesse sistema, não podemos permitir que a reitora passe por cima dela, e é isso que ela tem feito ao demitir um dirigente sindical. É por isso que eu batalho para que façamos uma forte greve em que a gente mostre pra reitora que a repressão não pode passar aqui na USP.

JPO: Ficamos sabendo de fortes denúncias sobre a terceirização na universidade. Como isso se articula com a greve?

Recentemente tivemos uma séria denúncia de que um companheiro terceirizado que estava sem receber seus direitos e, por reivindicar seus direitos fazendo greve de fome, foi reprimido por membros da guarda universitária que são funcionários da USP como eu, e disso eu me envergonho. Por isso, junto com nossa luta contra a repressão a gente tem que batalhar o máximo para acabar com a terceirização nas universidades públicas e nos órgãos públicos, porque a terceirização só escraviza, sub-emprega, humilha e divide os trabalhadores. Então depois dessa denuncia está na ordem do dia nós intensificarmos ainda mais a denúncia contra a terceirização e massificarmos a luta contra a terceirização.

JPO: Nesta greve as companheiras do Pão e Rosas estão abrindo uma discussão sobre a precarização do trabalho das mulheres, qual a ligação disso com a greve?

Sobre a opressão das mulheres terceirizadas, eu digo o seguinte: esse sistema que vem sendo implementado pela reitoria, que aumenta a terceirização faz parte de um projeto do Banco Mundial de privatizar a universidade, que nós já denunciamos há tempos. Privatizar a universidade não é leiloar a universidade para uma grande empresa, pois a massa sairia para a rua, mas aos poucos fazem contratos que terceirizam setores para privilegiar os empresários e os donos de empresas dos setores de limpeza e de vigilância, que, para lucrarem sub-empregam trabalhadores com um salário mínimo. Pagam um salário mínimo de 450 reais para as mulheres, como por exemplo no meu setor em que as mulheres criam seus filhos sozinhas com 450 reais e se faltarem tem desconto em sua cesta básica. Pra mim isso é o pior crime político que essa reitoria promove aqui dentro e deve ser combatido incansavelmente.

JPO: O que você acha que as mulheres trabalhadoras poderiam fazer para combater essa situação?

As mulheres trabalhadoras deveriam organizar todas as mulheres e organizar um plano de luta que impusesse à reitora opressora algo possível para incorporar essas trabalhadoras aos quadros da universidade com todos os seus direitos e benefícios garantidos. É possível que as trabalhadoras da USP organizem as companheiras terceirizadas. Tem pessoas que riem e dizem “vocês estão brincando”. No CSEB (Centro de Saúde Escola Butantã) tem trabalhadoras terceirizadas de todos os tipos, da fundação, da empresa privada, e lá as companheiras lutam conosco lado-a-lado, pelos nossos direitos e pelos direitos delas.

JPO: Como você acha que o Pão e Rosas pode contribuir nesta luta?

O Pão e Rosas pode contribuir muito, nós já estamos iniciando uma campanha na universidade contra a super exploração e depois pretendemos expandir para fora, mas aqui já estamos dando um exemplo combatendo diariamente esta situação.

Pão e Rosas PUC-SP grita ao lado da chapa Abaporu "Basta de intervenção da Igreja em nossos corpos e na universidade!"


Na última sexta-feira as companheiras do Pão e Rosas da PUC-SP em conjunto com a chapa Abaporu organizaram uma atividade com música, cerveja e exposições, como parte da campanha contra a intervenção da Igreja dentro da universidade e nos direitos das mulheres.


O espaço político-cultural também foi utilizado para exigir a efetivação de todas as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da PUC-SP, com os mesmos direitos e salários.


“O Pai da Pátria”

Por Marina Fuser, estudante de Ciências Sociais da PUC-SP e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas

Acusado de ser “o pai da pátria”, e alvo de diversas sátiras por parte da opinião pública internacional, o presidente paraguaio e ex-bispo de São Pedro enfrenta uma crise que coloca em xeque a sua legitimidade de governância. O presidente foi pressionado a assumir publicamente a paternidade de Guillermo Armindo Carrillo Cañete, um menino que está prestes a completar 2 anos concebido enquanto ocupava o cargo de bispo. Em conferência de imprensa no Palácio do Governo, Lugo admite: “Perante minha consciência e em homenagem a toda a população que depositou sua confiança em minha pessoa, manifesto com a mais absoluta honestidade, transparência e sentido do dever, em relação à polêmica suscitada por uma suposta demanda de filiação, é certo que houve uma relação com Viviana Carrillo. Diante disso, assumo com todas as responsabilidades que pudessem derivar de tal fato, reconhecendo a paternidade do menino”.

A mãe da criança, Viviana Carrillo, alega ter relações com o até então bispo desde que tinha 16 anos de idade, o que, de acordo com a legislação paraguaia, caso comprovado, seria qualificado como “estupro” (o que no Brasil seria tratado como um caso de pedofilia). Como se isso não bastasse, outras acusações vêm à tona: Eis que Benigna Leguizamón, apontou-o como pai de um de seus 4 filhos, Lucas Fernando, de 6 anos, nascido em setembro de 2002. Após ter supostamente interrompido o envio de auxílio financeiro ao filho, o presidente teria o prazo de 24 horas para que reconhecesse a paternidade da criança. Caso contrário, a mãe recorreria à Justiça. De acordo com o advogado da Presidência, Marcos Fariña, o presidente aceitou submeter-se ao exame de DNA, mas negou ter tido relações sexuais com Leguizamón. Para complicar ainda mais as coisas, uma terceira mãe, Hortensia Morán Amarilla, também alega ter carregado um filho de Lugo: Juan Pablo, de 1 ano e 4 meses. De acordo com Morán, o presidente é pai de pelo menos 6 filhos não reconhecidos. Porém ela diz que não pretende levar o caso à Justiça. Pressionado, o presidente responde: "Com relação aos acontecimentos que são de público debate, que tem a ver com informes de paternidade referidos à minha pessoa, quero expressar o seguinte: sou um ser humano e por tanto nada humano me é alheio".

Um ser humano que até o momento em que se recorre à opinião pública, prejudicando, portanto, a sua imagem como presidente, recusa-se a assumir a paternidade de outro ser humano (possivelmente outros seres humanos). De todo modo, a sua demagogia vem a tona, e de acordo com os relatos divulgados pela mídia, Lugo não só negligenciava à paternidade de seu(s) filho(s), como não cumpria com o auxílio financeiro que lhe cabia enquanto pai, demonstrando-se bastante alheio a outros seres humanos- nesse caso, envolvendo também a(s) mãe(s). Todas as responsabilidades referentes ao sustento, à criação e à educação de se(s) filho(s) recaem sobre a mulher, como se o homem não tivesse participado de sua concepção. Eis uma das expressões mais agudas do machismo ainda imperante na atual sociedade: a idéia de que “a culpa é da mãe”, enquanto os pais lavam suas mãos.

O tão clamado “bispo dos pobres” se alçou como um suposto “ícone” na luta pela reforma agrária e por melhor distribuição das riquezas em um país que se destaca entre aqueles que apresentam maior clivagem sócio-econômica entre ricos e pobres. Conformando uma ampla coalizão entre os partidos de esquerda, “centro-esquerda” e setores diretamente burgueses, em uma aberta conciliação de classes, a sua eleição teve por mérito a interrupção de 61 anos de domínio da direita sob a sigla do Partido Colorado. Suas medidas tomadas enquanto presidente, apoiando-se em setores da burguesia e lançando mão da política de “morde e assopra”, com um assistencialismo e algumas concessões sobretudo no meio agrário (sua principal base de apoio) e severos ataques à classe trabalhadora, que se vê obrigada a se desdobrar pra manter seus empregos frente à política governamental que diz se enfrentar com o imperialismo, mas segue à risca as diretrizes estabelecidas pelos organismos internacionais do imperialismo para lidar com a crise econômica: descarregar sobre as costas dos trabalhadores através da superexploração, da flexibilização das leis trabalhistas, da contenção de gastos empresariais (ou em outras palavras, demitindo em massa). Após sua vitória nas urnas, em 30 de julho de 2008, Lugo perdeu seu status clerical por via de um decreto assinado pela Congregação para os Bispos, eximindo-o dos votos religiosos perante a Sociedade do Verbo Divino. O celibato seria um deles.

As turbulências que tramitam em torno dos processos judiciais, que incluem a solicitação de reconhecimento oficial da paternidade de dois filhos e acusação de “estupro” por manter relações sexuais com uma menina de 16 anos, deixam o clima favorável à oposição direitista, que já fala em “impeachment”. A colorada Lílian Samaniego, principal porta-voz da denúncia de “estupro” opina: “Se o caso do estupro se comprovar, creio que é viável um julgamento político. Eu não vou me fazer de distraída porque um delito é um delito”. Os escândalos serviram evidentemente como pedra de toque para a campanha pelo impeachment do presidente paraguaio. Lugo tem a seu favor o apoio da maioria dos deputados do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), principal partido governista. Para levar a cabo a deposição do presidente, a oposição teria que contar com o voto de 53 dos 80 parlamentares da Câmara. Eis que o PLRA atualmente sofre de uma cisão interna, que aproxima o vice-presidente Federico Franco dos opositores do governo Lugo, em um cenário que parece estar muito longe de um desfecho.

As críticas, contudo, não se restringem à oposição, abrangendo, inclusive, membros da sua acessoria, como a ministra da Criança e do Adolescente, Liz Torres, e ministra da Mulher, Gloria Rubin: “Como ministras do Poder Executivo, esperamos que o presidente assuma, como fez na primeira vez, uma postura clara e que facilite o esclarecimento do caso, com firmeza e transparência. Que mostre que as mudanças (prometidas na campanha eleitoral) começam pelo presidente”.

A opinião pública não ficou alheia aos acontecimentos. Após os episódios conturbados que abalaram a legitimidade do presidente Lugo, seu índice de aprovação caiu de 64% para 48%. A opinião pública parece oscilar entre aqueles que tratam do assunto como um problema político mais sério, e outros que o vêem como assunto pertinente ao foro íntimo, satirizando-o, como um grupo de cúmbia que canta: ( Lugo) “tiene corazón, pero no usó el condón” (“tem coração, mas não usou camisinha”).

De acordo com o departamento de registro civil paraguaio, 7 em cada 10 crianças são registradas apenas com o nome materno. O fato de se tratar de um presidente da república, e sobretudo, por um bispo da Igreja Católica (que só renunciou ao cargo clerical após o fato consumado) traz a tona um problema social de enorme envergadura. É notável o oportunismo da direita paraguaia e os estratagemas para se aproveitar da situação para se alçar com um programa reacionário, mas por outro lado, as máscaras caíram e revelaram na figura do presidente paraguaio como uma amostra do machismo e da hipocrisia orquestrada pela Igreja Católica, que prega a castidade para os seus membros, mas só no Brasil, foram denunciados 1700 membros do sacerdócio por assédio sexual de crianças e adolescentes, o que corresponde a 10% da instituição no país. Isso se soma às múltiplas atrocidades que a Igreja comete no cotidiano, como a condenação do uso de preservativos, a privação das mulheres do direito de decidir sobre o próprio corpo culminando em cerca de 68.000 mortes por ano devido a abortos clandestinos, a disseminação da homofobia, entre outros “pecados capitais”.

Abaixo à hipocrisia da Igreja!

Tirem os seus rosários dos nossos ovários: pelo aborto legal e gratuito a todas as mães que desejarem não ter filhos. Basta de mortes de mulheres por abortos clandestinos!

Pelo direito à maternidade! E por maternidade, pressupõe-se a garantia de seus direitos e condições de dar luz a uma nova vida, como saúde, educação e moradia. Que as mulheres não sejam as únicas responsabilizadas por essa nova vida! Que o presidente Lugo sirva de exemplo pra desmascarar a hipocrisia da Igreja e o machismo da sociedade!

Nem Lugo, nem os colorados! Que os trabalhadores paraguaios tomem para si os rumos da sociedade, apoiando-se no que há de mais avançado em seus métodos e tradições.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pelo direito ao aborto livre e gratuito

Por Pan y Rosas [Estado Espanhol]

A igreja católica com os bispos e as organizações “pró-vida” à frente iniciaram uma ofensiva contra o direito ao aborto, com a desculpa de uma das medidas da última lei aprovada pelo governo, na qual dentro dos parâmetros da atual lei é permitido às jovens a partir dos 16 anos realizarem aborto sem a necessidade do consentimento dos pais.
Na realidade esta campanha é voltada não contra esta lei, mas contra a liberdade das mulheres a decidirem sobre seu corpo. Atrás desta campanha, que é um insulto contra a liberdade das mulheres, está a direita e o PP, a própria Soraya Sáez de Santa Maria se declarava a favor da convocatória da igreja. Isto se centra por detrás de um modelo de família conservador, na qual a mulher é destinada unicamente para a reprodução e aos trabalhos de casa. Não somente pregam contra o direito ao aborto, mas isto está vinculado contra o uso do preservativo, pois o melhor preservativo segundo a igreja é a abstenção, as relações sexuais dentro do matrimônio e para a reprodução, um modelo ultra-conservador reproduzido do modelo franquista.
É paradoxal que os herdeiros da inquisição espanhola encabecem sua campanha com o lema “Pelo direito a viver”, colocando de forma hipócrita por debaixo dos panos a cruel realidade à qual nos enfrentamos hoje em dia. A realidade é que milhões de mulheres e meninas em todos os lugares do planeta se vem obrigadas a abortar, muitas inclusive após serem agredidas sexualmente. A política contra o aborto leva milhares de mulheres à morte e à mutilação, pois se vem obrigadas a realizar abortos nas mãos de verdadeiros carniceiros, em condições deploráveis, já que em seus países, não somente não existe o direito ao aborto, mas que esta prática é um crime que as pode levar desde a prisão até a morte.
A igreja prega o não uso de métodos contraceptivos o que causa milhares de mortes diárias pela transmissão da AIDS. Os dados da ONU de 2001 são desalentadores: 3 milhões de pessoas, das quais 580 mil eram crianças menores de 15 anos. Esta é a política “pelo direito à vida” da igreja e da direita. É claramente uma política que relega à morte a milhões de pessoas em todos os lugares do planeta.

A política restritiva do governo Zapatero
O governo de Zapatero realizou uma política populista em torno do direito ao aborto. O direito ao aborto do governo de Zapatero é um direito parcial que somente se pode realizar sob condições muito restritas. Na Espanha o aborto foi um delito punível pelo Código Penal sem exceções até 1985, ano em quem uma reforma do Código conhecida popularmente como “lei do aborto”, estabeleceu alguns condicionantes que, por ocorrer em determinadas circunstâncias, o aborto não será punível. O aborto na Espanha é um delito regulado pelo Código Penal, no Título VI (“delitos contra as pessoas”), Capítulo III, artigos 411 a 417, inclusos. Nestas regras estabelecem-se penas para quem aborta.
A reforma da lei é claramente restritiva já que reduz o número de condições e nos deixa novamente com uma lei que regula o direito ao aborto e que comprimi o direito de livre escolha da mulher sobre seu corpo. Estas condições tão restritivas fazem com que a imensa maioria das mulheres que fazem aborto no Estado Espanhol o façam em clínicas particulares, sendo quase irrisório o número de mulheres que podem realizar na saúde pública. O direito ao aborto se converte assim em num negocio suculento para o capitalismo no Estado Espanhol. Segundo um informe do ministério da saúde e consumo de 2008 foram praticados 112.138 abortos no Estado Espanhol, dos quais 97.969 foram praticados em clínicas particulares. Estas clínicas cobram entre 500 e 700 euros (1.411 e 1.976 em reais) pela intervenção, se fazemos uma média são cerca de 58 milhões 781 mil e 400 euros anuais (quase R$ 160 milhões) sobre os dados oficiais, sem contar financiamento público, no contexto de que na atual crise se torna ainda mais difícil à mulher trabalhadora ou a jovens estudantes terem acesso a esse direito.
Nos manifestamos totalmente contra que o direito ao aborto seja um negócio. O sistema capitalista é tão devastador que converte em negócio todos os âmbitos da vida, assim também o da saúde pública. As clínicas privadas devem ser nacionalizadas e integradas na rede pública de saúde, e o direito ao aborto das mulheres deve ser público, livre (sem estar regulado por nenhuma lei restritiva) e gratuito, somente assim podemos garantir a livre decisão da mulher em relação ao seu corpo.
Desde "Pan y Rosas" denunciamos o governo, o qual impede que todas as mulheres possam ter acesso a este direito fundamental independentemente de sua situação social e econômica.
É necessário que todos os coletivos feministas, de esquerda, os sindicatos, lutadores, organizações de estudantes, etc., enfrentemos o projeto de Lei de Zapatero e a campanha da direita ultra-reacionária e católica, pelo direito ao aborto livre, gratuito e público (sem nenhum tipo de restrição). Existem forças para se fazer uma campanha unitária de todos os coletivos pelo “Direito ao aborto e de decisão das mulheres sobre seu próprio corpo”, por uma educação sexual sem tabus, gratuita, e pela gratuidade e livre acesso aos diversos métodos contraceptivos.
Pan y Rosas - Estado Espanhol
Segunda-feira, 4 de maio de 2009.

terça-feira, 5 de maio de 2009

"Lutadoras" na UFSC durante o Colóquio Gênero, Feminismo e Ditaduras no Cone Sul

Na última segunda-feira, Diana Assunção, organizadora do livro Lutadoras. Histórias de mulheres que fizeram história e do grupo de mulheres Pão e Rosas esteve na UFSC durante o Colóquio Gênero, Feminismo e Ditaduras no Cone Sul para apresentar o a publicação, ao lado de Claudia Mazzei Nogueira, professora da UFSC e autora da apresentação do livro.

Acompanhe através desse blog as próximas atividades de lançamento do livro Lutadoras, que ocorrerão na USP, UFRJ, Fundação Santo André e Mackenzie São Paulo.

domingo, 3 de maio de 2009

"Sou Pão e Rosas! Não vim para festejar... e a crise capitalista, a burguesia que vai pagar!"

Nesse 1º de maio, nós do grupo de mulheres Pão e Rosas saimos às ruas novamente para continuar a luta que iniciamos no 8 de março. Como parte do Bloco Classista, ao lado dos companheiros e companheiras da LER-QI, do Movimento A Plenos Pulmões e do Movimento Unidade Operária, lutamos por uma política classista no ato anti-governista da Praça da Sé. Não bastasse que os setores da esquerda que convocaram o ato tenham convocado também uma missa antes da manifestação, chamando os trabalhadores a rezar com Dom Odilo Scherer - Arcebispo de São Paulo que participou do ato "em defesa da vida" e contra o direito ao aborto em 28 de março - o microfone foi aberto para Eduardo Suplicy, deputado do PT e parte do governo de Lula. Por isso, gritamos bem forte "Aqui no Bloco Classista / não tem Suplicy governista!".
O 1º de maio também foi um momento de luta pelos nossos direitos, em especial o direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito, principalmente no Brasil, onde estamos vivenciando uma ofensiva reacionária da Igreja. Durante o ato, gritamos "Basta de estupros / de morte e de dor / Hipócrita Igreja / Está com o estuprador! / E basta de sangue / de mutilações / Eu quero meu corpo / Sem esses grilhões! / Sou Pão e Rosas / Direito ao aborto já! / E na América Latina / mulheres mortas não vamos deixar!", fazendo menção à Campanha Latino Americana pelo direito ao aborto, impulsionada pelo Pão e Rosas Brasil, Argentina e Chile, ao lado de companheiras da Venezuela, do México e da Bolívia.

Por fim, nós mulheres do Pão e Rosas deixamos clara nossa posição: nem bispos, nem governistas em nosso ato! Pelos direitos das mulheres trabalhadoras! Pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! Basta de intervenção da Igreja em nossos corpos! Basta de estupros e assassinatos de mulheres! Pela efetivação de todas as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados! Nenhuma demissão! E que os capitalistas paguem a crise!
Vozes do bloco Pão e Rosas no 1º de maio

"Estamos construindo o grupo Pão e Rosas com várias mulheres trabalhadoras que sofrem com a exploração capitalista. O 1º de maio é um dia de luta e é por isso que não podemos ficar somente em nossas casas cuidando dos maridos e dos filhos... Neste dia marchamos e estavamos muito bem organizadas mas ainda não nos contentamos... queremos chegar a muitas outras companheiras"
Silvana, trabalhadora do comércio e militante do Pão e Rosas

"Em primeiro lugar acho importante que as mulheres se organizem para recuperar a sua auto-estima que todos querem jogar lá embaixo... Marchei no 1º de maio com um bloco do Pão e Rosas pois quero dizer a todos que as mulheres têm opiniões próprias... que não somos um objeto nas mãos de um homem... Quero dizer a muitas companheiras que não devemos aceitar somente deveres, deveres e mais deveres... queremos gritar e lutar por nossos direitos!!! Na minha opinião precisamos discutir com as companheiras nos locais de trabalho e em casa que precisamos nos descobrir como mulheres, discutir nossas opiniões... e que a política não deve ser assunto somente para os homens. Digo isso porque, por exemplo, nesta crise econômica as mulheres estão sofrendo com muitas demissões. Somos mais exploradas do que os próprios trabalhadores homens e na hora das demissões somos as primeiras da lista. Nossos patrões nos exploram pra valer o tempo todo mas agora nos dizem que as mulheres são dispensáveis... e não posso me conformar com isso."
Fabiana, trabalhadora terceirizada da limpeza e militante do Pão e Rosas
"A composição do grupo de mulheres Pão e Rosas no ato de 1º de maio foi de extrema importância não somente para sua divulgação, mas principalmente para mostrar que as mulheres estão também na luta, principalmente por ser um setor que sofre diversos ataques cotidianamente. Enfim, conseguimos reivindicar nosas demandas e desmistificar naquele momento, a falsa idéia de que somos 'sexo frágil'."
Márcia, estudante de Serviço Social da Unesp Franca e militante do Pão e Rosas

NAS ELEIÇÕES DO CACS DA PUC-SP...

Pão e Rosas está com a chapa Abaporu!

Os grupos de mulheres em sua grande maioria, por suas próprias reivindicações contestatórias ao status quo vigente de machismo e opressão contra as mulheres, acabam por vezes ficando marginalizados diante dos temas candentes da realidade. Nas universidades, isso não é diferente, e é também uma via de mão de dupla. Se por um lado os grupos acabam se isolando, por outro lado o movimento estudantil dificilmente trata de forma séria o problema da opressão da mulher na universidade, que se expressa desde o conhecimento produzido dentro das salas de aulas até a superexploração das mulheres terceirizadas da limpeza.

É por isso que esse ano, nós do grupo de mulheres Pão e Rosas da PUC-SP, nos posicionamos diante do importante espaço político das eleições do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS), defendendo o programa apresentado pela chapa Abaporu, do qual muitas de nós fazemos parte. Acreditamos que é necessário questionar a estrutura dessa universidade elitista e racista, comandada pela Igreja, instituição que historicamente cumpriu um papel reacionário diante dos direitos das mulheres – e hoje não é diferente, já que Dom Odilo Scherer é um dos precursores das campanhas “em defesa da vida” que se colocam contra o elementar direito ao aborto legal, seguro e gratuito para evitar a morte de milhares de mulheres ensanguentadas na clandestinidade do aborto. Essa mesma instituição também quer que o conhecimento produzido dentro da universidade seja feito “à luz da fé católica”. Por isso nessas eleições gritaremos bem forte: Basta de intervenção da Igreja em nossos corpos! Basta de intervenção da Igreja na Universidade!

Para lutar pelos nossos direitos é necessário, portanto, um Cento Acadêmico militante, que organize os estudantes nas salas de aula, que questione os currículos e o conhecimento produzido, e principalmente, a estrutura da universidade, lutando pelo acesso, pela redução de mensalidades, por bolsas de estudo, pelo fim do vestibular. Ao mesmo tempo, lutando por uma verdadeira aliança entre estudantes e trabalhadores na luta pela incorporação dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas, e também questionando essa ordem de opressão que dentro e fora das universidades é destinado às mulheres.

Grupo de mulheres Pão e Rosas PUC-SP
São Paulo, 04 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Que os capitalistas paguem pela crise!

Declaração do grupo de mulheres Pao e Rosas (LER-QI + independentes) diante do 1º de maio, onde conformamos o Bloco Classista no ato da Praça da Sé.

Neste 1º de maio, nós do grupo Pão e Rosas saímos às ruas, dando continuidade à luta pelos direitos das mulheres. Assim como declaramos no 8 de março, nada temos a comemorar! Há quase um século atrás, trabalhadoras de Massachusetts, Estados Unidos, numa greve que enfrentou dura repressão da patronal e da polícia, já disseram: “Não pedimos, exigimos nosso direito ao pão, mas também às rosas”.

O capitalismo tem reservado às mulheres trabalhadoras as mais brutais condições de opressão e exploração. Seguimos enfrentando a dupla jornada de trabalho, enquanto o Estado e as empresas não garantem creches, restaurantes e lavanderias gratuitamente. Nossa média salarial segue sendo inferior, mesmo quando exercemos a mesma função – e quando falamos da mulher negra, essa situação é ainda mais gritante. Somos grande parte dos trabalhadores com empregos precários e terceirizados, com salários de miséria, péssimas condições de trabalho e persistente assédio moral. Além de tudo isso, com o desenvolvimento da crise capitalista, muitos lares já vivenciam o desemprego, gerado pelos ataques que os patrões nos lançam para que não tenham que pagar pela crise que eles mesmos geraram. Nós viemos dizer o contrário, que são eles quem tem que pagar essa crise.

Enquanto isso, o governo Lula segue destinando muito dinheiro aos empresários, os mesmos que reduzem nossos salários e nos demitem. A existência de uma secretaria de políticas para as mulheres no governo não muda em nada a nossa realidade. Na verdade, o PT demonstra que governando o Estado burguês só pode atacar ainda mais os direitos das mulheres. Um exemplo gritante está no estado do Pará, governado por Ana Julia Carepa, onde meninas são violentadas brutalmente, como o caso da menina de 14 anos que ficou presa por quase um mês numa cela com homens, sendo estuprada sistematicamente. Casos de estupro também ocorrem dentro de campus universitários e precisam urgentemente ser denunciados.

A Igreja, por sua vez, vem despejando seu discurso reacionário, condenando as mulheres que se vêem na necessidade de praticar um aborto. Em Pernambuco a Igreja chegou ao absurdo de dizer que o aborto é um crime pior que o estupro! Portanto, participamos criticamente do ato convocado pela esquerda que chama os trabalhadores, trabalhadoras e a juventude a assistirem uma missa e não ficaremos caladas diante de um ato com setores da Igreja. É por isso também que neste 1º de maio, como parte do Bloco Classista, saímos às ruas em defesa das mulheres condenadas a morrer por complicações de abortos feitos clandestinamente e exigimos o direito a decidir sobre os nossos corpos!

Que a crise seja paga pelos capitalistas! Nenhuma demissão!
Efetivação de todas as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados!
Abaixo a dupla jornada, por creches, lavanderias e restaurantes comunitários! Trabalho igual, salário igual! Por assistência estudantil, moradia e creches para as jovens trabalhadoras e universitárias!


Direito ao aborto legal, seguro e gratuito!
Basta de mulheres mortas por abortos clandestinos em toda a América Latina! Basta de intervenção da Igreja em nossos corpos!


Basta de violência contra as mulheres!
Fora as Tropas do governo Lula do Haiti que reprimem em especial as mulheres negras!
Pelo fim da violência sexual a estudantes dentro de campus universitários! Contra a mercantilização do corpo feminino!