quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Por um 8 de Março contra os ataques do governo Dilma

Por: Odete Cristina

Rumo ao 8 de Março, as mulheres precisam se organizar para fazer uma grande manifestação contra as primeiras medidas tomadas pelo “novo” governo de Dilma com ataques e ajustes aos direitos trabalhistas, como é a reforma no setor previdenciário.

Rumo ao 8 de Março, as mulheres precisam se organizar para fazer uma grande manifestação contra as primeiras medidas tomadas pelo “novo” governo de Dilma com ataques e ajustes aos direitos trabalhistas, como é a reforma no setor previdenciário. Não seremos nós, as mulheres, que pagaremos pela crise que os capitalistas criaram! Por isso gritamos que não somos uma no poder, sejamos milhares nas ruas neste 8 de Março contra os ajustes e os ataques de Dilma!
Se apoiando no exemplo de milhares de mulheres trabalhadoras que foram linha da frente das greves que tomaram o país nos últimos meses, neste 8 de março é fundamental unir os trabalhadores e a juventude para defender os direitos das mulheres, demonstrando que é uma luta que deve ser tomada pelo conjunto do movimento estudantil e operário, não de maneira separada ou exclusiva das mulheres. É preciso dizer que este 8 de Março também será TRANS*! Também será das mulheres lésbicas, negras, terceirizadas, das mais oprimidas e mais exploradas! Para enfrentar a profunda crise da água, aumento dos preços dos alimentos o aumento dos transportes, cuja maioria dos usuários são mulheres que sofrem cotidianamente com a péssima qualidade e os inúmeros casos de assédio sexual e violência.
Queremos dar voz a todas as mulheres brutalmente assassinadas e violentadas pelo machismo estrutural do sistema capitalista em que vivemos. Por isso, devemos lutar para que as organizações de trabalhadores como os sindicatos e os partidos de esquerda, assim como as entidades estudantis tomem em suas mãos a luta contra a violência, organizando uma verdadeira campanha tornando vivo o debate e o combate a esta prática reacionária para garantir a igualdade na vida das mulheres, que qualquer lei ou decreto, por si só, será incapaz de garantir.
Não vamos nos calar diante das inúmeras mortes por aborto clandestino em nosso país. Enquanto o governo Dilma segue nos negando o direito a maternidade, milhares de mulheres recorrem a clínicas clandestinas para a realização do aborto, já que não possuem condições de cuidar dos filhos, colando suas vidas em riscos, principalmente as mulheres negras. Não aceitaremos mais Jandiras ou Elisangelas! Basta de mulheres mortas por aborto clandestino! Queremos aborto legal, seguro e gratuito e nosso direito a maternidade garantido.
Por isso, a você trabalhador e trabalhadora, jovem estudante universitária ou secundarista, dona de casa, que talvez tenha nos conhecido através de uma amiga, de um ato de rua, de um panfleto entregue no seu local de trabalho ou de estudo, te convidamos a organizar conosco um 8 de Março de luta contra os ajustes e a precarização de nossas vidas! Venha organizar um bloco de homens e mulheres, estudantes e trabalhadores, que lutamos como uma tarefa de toda Nossa Classe, pelo direito ao Pão e também às rosas.
Original: Palavra Operária
XXXXX

Governo Alckmin ameaça direito à licença-maternidade

Por: Milena Bagetti

Governo Alckmin move uma ação direta no supremo tribunal federal para que todas as servidoras públicas em estágio probatório compensem os seis meses de afastamento antes de cumprirem prazo para obter estabilidade no emprego.

Governo Alckmin move uma ação direta no supremo tribunal federal para que todas as servidoras públicas em estágio probatório compensem os seis meses de afastamento antes de cumprirem prazo para obter estabilidade no emprego. Com a aprovação desta ADI haverá uma pressão psicológica e material para a mulher não engravidar, que levará a assédio moral e interferência direta das patronais (diretorias, chefias) na vida mulheres. Trabalhadoras terceirizadas e temporárias não possuem direito a licença maternidade, pois o assédio moral para que não engravidem é tanto que muitas deixam de engravidar, são demitidas quando engravidam.
Em cenário de ataques deflagrados contra os trabalhadores através de medidas que buscam retirar uma série de direitos trabalhistas por parte do governo Dilma (abono-salarial, seguro-desemprego, pensão por morte, auxílio-doença, seguro pescador), o governo do estado de SP, também busca ferir fortemente um direito das funcionárias públicas, a licença maternidade. Geraldo Alckmin (PSDB) moveu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal contra a lei que regulamenta a licença-maternidade de funcionárias públicas em estágio probatório - período de três anos em que o funcionário público fica sob avaliação até adquirir estabilidade. Na Unicamp, na gestão do atual reitor Tadeu, conforme a Resolução GR-032/2013, a contagem de tempo e o período de avaliação especial de desempenho dos funcionários são suspensos no caso de licença maternidade, entre outros casos.
Além dos ataques já mais conhecidos do professorado paulista, categoria do funcionalismo público de maioria feminina, como os contratos de professores categoria O que acabam sem rescisão, mais este ataque vem à tona. Este atingiria as professoras que conseguiram se efetivar no cenário caótico da educação pública paulista, em que somente no último concurso PEB II (2014), uma grande jogada eleitoreira de Alckmin, ainda não foram convocados grande parte dos aprovados para assumir o cargo, mas sim para atribuir aulas como remanescentes, sem que nem ao menos estas aulas existam, já que muitas salas de aula foram fechadas, intensificando a precarização do trabalho e da vida.
Muitas mulheres que estão em período de estágio probatório podem resolver engravidar ou podem vir a ter uma gravidez indesejada, que precisará ser bancada do seu próprio bolso, pois são oferecidos precários serviços de saúde, além dos planos de saúde ser absurdamente caros e ligados ao mercenário complexo médico-industrial-hospitalar. Se esta ADI for aprovada, além do forte assédio moral e interferência das patronais na vida das mulheres, também colocará a mulher grávida em desvantagem profissional, pois ela vai demorar 6 meses a mais pra poder ter a estabilidade. Neste momento em que os trabalhadores se preparam para lutar contra os ataques em seus locais de trabalho e estudo e que as mulheres se preparam para um 8 de março de muita luta contra os governos e patrões, nenhum direito a menos.
Não ao ADI de Alckmin!
Basta de assédio moral contra as mulheres trabalhadoras que engravidam!

Licença-maternidade de 1 ano para todas as trabalhadoras, incluindo as terceirizadas.
Original: Palavra Operária
XXXXX

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Regiane, presente!


O grupo de mulheres Pão e Rosas traz neste texto uma pequena homenagem à companheira Regiane Brant, que aos 45 anos de idade, no dia de hoje, faleceu vítima de um câncer de mama e no pulmão, doença que atinge tantas mulheres. Regiane nos últimos anos veio sendo parte de nossa agrupação na luta contra toda forma de opressão e dando um grito de liberdade contra as amarras que impedem as mulheres de viverem suas próprias vidas. Acompanhamos sua dura batalha e tivemos a oportunidade, e também o privilégio, de conhecer uma mulher cheia de vida e energia. Uma mulher que já com filhos adultos não achou que era tarde pra se tornar uma militante e ser parte da luta contra a opressão que tantas mulheres vivem nesta sociedade. Hoje choramos pela morte de nossa companheira, mas Regiane vai continuar viva em todos os nossos gritos por liberdade. Porque ela entendia perfeitamente porque lutamos pelo pão, mas também pelas rosas. Companheira Regiane, presente! Agora e sempre!


Sei que há léguas...
Mas é tanto mar, tanto mar (que transborda sobre as areias da praia)...
Sei também quanto é preciso: navegar, navegar! 
Canta primavera....


































Este texto também é uma homenagem à Adriano, filho da companheira Regiane, quem lhe apresentou o caminho da militância e da luta pela liberdade, tendo sido até o último momento seu melhor amigo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sente-se, companheiro: greve contra a General Motors de 1936

Por Celeste Murilo
Em 30 de dezembro de 1936 explode a greve na General Motors e autopeças de Flint (Michigan, EUA). Pela primeira vez, um sindicato combativo decide enfrentar a empresa que parecia invencível. Greves sentadas, ocupações, reuniões clandestinas e táticas militares para enfrentar a polícia.




Feliz Ano Novo? Começa greve


Um ditado popular dizia: "Uma vez que atravessa as portas da General Motors, esqueça a Constituição dos Estados Unidos”. Flint era uma “company town”, uma cidade onde tudo era de propriedade da empresa. Se a General Motors parava, parava tudo. A empresa estava acostumada à cumplicidade da burocracia sindical e dos funcionários.
Na cidade de Flint havia 45 mil operários da indústria automotiva, mas apenas 122 eram filiados ao jovem UAW (sindicato dos operários da indústria automotriz). O UAW queria estabelecer a negociação coletiva no sindicato, foram classistas, combativos e, embora fosse um sindicato minoritário quando começou a luta, não cederam frente a empresa.
Em 30 de dezembro se fez a primeira greve sentada na planta número 1 da Fisher Body da General Motors. O turno da noite deixou de trabalhar, a fábrica foi trancada e começou a ocupação. O método utilizado foi a greve sentada (greve de braços cruzados onde os trabalhadores sentavam sobre as máquinas para impedir que os fura-greves trabalhassem e desse modo mantinham o controle da fábrica).
O método mais utilizado até esse momento nos Estados Unidos eram os piquetes, mas os empresários contratavam pelegos e os piquetes nem sempre eram eficazes. Desta vez, os trabalhadores se trancaram na fábrica. Com a sentada, embora dependessem da ajuda externa para sobreviver, a greve foi transformada em um centro de resistência contra a empresa que controlava a cidade, o governo, a justiça e a polícia.
Um dos principais jornais, o Flint Journal, um porta-voz da General Motors, amdrontava com manchetes sensacionalistas que alertavam a "invasão dos russos”. Nas escolas se faziam trabalhos com o título "Por que a greve é errada", muitas vezes filhos e filhas dos trabalhadores eram obrigados a escrevê-los. Algo parecido acontecia nas igrejas e nos tribunais. Isso não impediu as iniciativas do sindicato e dos partidos de esquerda que acompanhavam e incentivavam a greve. Crescia a resistência dos trabalhadores.

Batalhas fabris
Passou o Ano Novo, os primeiros dias de janeiro, e os trabalhadores seguiam firmes. O governador democrata Frank Murphy tentou, em vão, desocupar as plantas com a polícia estadual. Tentaram desocupá-los com a ordem de um juiz. O sindicato fez sua própria investigação buscando contestar a decisão e descobriu que o juiz era um acionista da General Motors. Então o juiz foi cassado e os trabalhadores ganharam sua primeira batalha legal.
A greve se estendeu por todo janeiro de 1937. Dentro da fábrica, os trabalhadores instalaram "salas de estar", com assentos dos futuros automóveis e organizavam salas de leitura e discussão com todos os jornais, periódicos de esquerda e livros de história. Estabeleceu-se uma organização interna que permitiu desenvolver a greve: administradores, encarregados da comunicação, logística, um mundo próprio dentro da fábrica.
À medida que os dias passavam, os piquetes contra os pelegos e a polícia tornavam-se massivos: homens, mulheres e crianças se colocavam nas entradas dia e noite. Para evitar serem acusadas de porte de armas, as mulheres da Brigada Auxiliar de Mulheres levavam em seus bolsos uma barra e meia de sabão, para responder às provocações dos fura-greve e bate-paus.

O primeiro ataque sério da polícia foi em 11 de janeiro na planta número 2 da Fisher Body. Eles planejaram sufocar os trabalhadores com bombas de gás lacrimogêneo para forçar a saída. De dentro, os trabalhadores abriram as mangueiras contra incêndio e apontaram contra a polícia, enquanto também jogavam peças de carro. Do lado de fora, as mulheres da Brigada de Emergência quebraram as vidraças da fábrica para deixar o ar entrar.

Quatorze trabalhadores ficaram feridos por balas. A polícia fez várias tentativas, mas depois de seis horas de resistência, recuaram. Após a vitória, batizada de batalha onde "fizemos a polícia correr", a empresa queria que o governador usasse a Guarda Nacional (semelhante ao exército) para expulsar os grevistas.
A participação das mulheres nos confrontos era fundamental, nas palavras de um grevista: "Nas principais batalhas da greve, as mulheres desempenharam um papel fundamental no sucesso do sindicato... deixavam tudo nos piquetes, desafiando a General Motors a passar por cima delas”.
Momento decisivo

Terminava janeiro de 1937 e a greve estava em um impasse. Ninguém cedia. Havia que dar um golpe decisivo. Na planta número 4 estava o coração da fábrica: a fábrica de montagem que, apesar de ter reduzido drasticamente sua produção, seguia funcionando com os fura-greves.
A ala esquerda do sindicato propôs a ocupação da planta 4. Foram várias discussões, mas finalmente votou-se e o sindicato discutiu em uma reunião pública marchar até a planta 9, na qual os espiões comunicaram a ação à polícia.
Em 1° de fevereiro milhares de trabalhadores marcharam até a planta 9 para enfrentar a polícia que os esperava na porta. Eles entraram e a polícia os seguiu disparando gás lacrimogêneo; os grevistas responderam com tudo o que tinham em mãos. Do lado de fora acontecia uma batalha campal, as mulheres da Brigada foram preparadas: levavam paus e quebraram todos os vidros para sair o gás lacrimogêneo.
Enquanto isso, outro grupo de trabalhadores e mulheres entrava na planta 4. Mal chegaram e se enfrentaram com os pelegos e a segurança. A Brigada começou a discutir com a polícia: "O que você faria se sua esposa que estivesse aqui? Não queria que te defendesse?". Piquetes e barricadas foram formados, se ouviam gritos "Defender o forte", "Sobre nossos cadáveres."
No dia seguinte, um juiz ordenou o despejo, as áreas que eram não controladas pelos trabalhadores, foram controladas pela Guarda Nacional. As cartas estavam lançadas, o sindicato reuniu todos os reforços possíveis e começaram a chegar os contingentes de trabalhadores de todo o país. O momento decisivo se aproximava.

Em 11 de fevereiro de 1937, a empresa concordou com o sindicato e aceitou, pela primeira vez, o direito à negociação coletiva, reconhecendo o UAW como interlocutor para negociar salários e condições de trabalho. A partir desse momento a General Motors deveria contratar apenas os trabalhadores sindicalizados em suas 17 plantas e recontratar todos os grevistas, sem perseguição. O UAW passou de 30 mil a 500 mil afiliados em todo o país. O triunfo dos métodos combativos contra a General Motors desencadeou uma onda de greves em fábricas, oficinas e lojas, que deixaram a sua marca própria.

Há 103 anos da greve por Pão e Rosas

por Celeste Murilo


Uma mancha de tinta se expande na tela porque penetra profundamente suas fibras. Uma ação decidida muda a suas protagonistas porque penetra, como a tinta na tela, profundamente as fibras de suas vidas. Essa é a história das mulheres de Lawrence.



A greve de Lawrence

Há 103 atrás, numa cidade chamada Lawrence, no estado de Massachusetts (EUA), longe das festas de ano novo, as trabalhadoras têxteis iniciaram uma greve que será conhecida como a greve por “pão e rosas”. A greve culminaria com a implementação da redução da jornada, aumento de salários e reconhecimento dos sindicatos.

A primeira década do século XX começou com uma onde de greves nos Estados Unidos, concentradas no ramo têxtil, a indústria que mais crescia na época. As jornadas intermináveis, os salários miseráveis e as condições desumanas de trabalho lançaram milhares à greve.

Em 1908 as trabalhadoras do vestido de Chicago fizeram uma ampla campanha pela redução da jornada laboral e pela melhora das condições de trabalho. No ano seguinte, em 1909, Nova York viu a primeira ação operária de grande magnitude da história da cidade, liderada pela “veterana” Clara Lechmil de 23 anos. E 1911 foi o ano da famosa greve têxtil que terminou em desastre, devido ao incêndio provocado pelos donos da Triangle Shirtwaist Company.

Ano novo de 1912

No ano novo, longe dos banquetes das famílias ricas, trabalhadoras e trabalhadores de Lawrence entravam em greve. Uns dias antes, se havia votado uma nova legislação que reduzia a jornada de trabalho de 56 para 54 horas por semana para as mulheres e menores de 18 anos.

A indústria têxtil empregava mão de obra imigrante, feminina e infantil. Mais da metade eram mulheres e muitas eram menores de 18 anos. Uma de suas bandeiras principais era conquistar o pão (simbolizando os direitos trabalhistas) e as rosas (como símbolo da exigência de melhores condições de vida).

A enorme maioria das operárias de Lawrence não estava organizada em sindicatos, já que a AFL (American Federation of Labor, central sindical oficial) só filiava operários qualificados, isto é, homens brancos. Portanto, a indústria têxtil estava totalmente desorganizada.

Organização e luta, com as mulheres na frente

À frente da greve estava a IWW (Industrial Workers of the World), que foi uma das primeiras organizações operárias que ajudou as mulheres a ocuparem postos dirigentes e que lutava por métodos democráticos nas lutas. Buscou seguir os passos dos Cavaleiros do Trabalho, que inauguraram a tradição de sindicatos mistos (integrado por trabalhadores brancos e negros) e a incorporaram as mulheres.

Em 10 de janeiro se realizou a primeira reunião na IWW, onde mil operárias, que acabavam de receber seu cheque com um salário menor (pela redução de horas), decidiram chamar greve. Horas depois, tudo estava em marcha. As primeiras a sair foram as operárias polonesas da Everett Mill, em 11 de janeiro. No dia 12, foram seguidas pelas operárias de American Wollen Company (uma das maiores empresas). E se estendeu para a maioria das fábricas.

Elegeu-se um comitê de greve com 56 titulares e 56 suplentes, para representar os titulares no caso de serem presos, algo comum durante as greves. O comitê representava todas as nacionalidades; nas reuniões se falava 25 idiomas e 45 dialetos, e havia interpretes de  todos eles. Todos os dias se realizavam assembleias ao final do dia, onde se fazia um balanço e se resolvia os passos a seguir.

As primeiras medidas votadas foram: fundo de greve e piquete massivo ao redor das fábricas. Os enfrentamentos com a polícia e as milícias do governo local eram cada vez mais violentos e se fazia difícil bloquear a entrada dos fura-greve. Resolveu-se formar uma linha “infinita” ao redor das oficinas, um piquete que se mantinha 24 horas e se movia constantemente. Desta maneira era impossível entrar na fábrica.

Em poucas semanas, os dirigentes são presos, acusados de incitar a violência e pela morte de uma trabalhadora. A IWW envia a Elizabeth Gurley Flynn, Joe Hill e Carlo Tresca, para substituir os dirigentes presos.

Novas medidas para aumentar a participação feminina


O novo comitê de greve instalou restaurantes e creches comunitários para filhos e filhas das trabalhadoras. As medidas buscavam facilitar a participação das mulheres. Também realizavam reuniões só de mulheres, já que também é necessário combater o machismo entre os trabalhadores, incluindo os ativistas. Uma das impulsionadoras mais entusiastas desta política foi Elizabeth Gurley Flynn.

A IWW também se dirigia especialmente às crianças, que suportavam ataques na escola no bairro, a cidade estava dividida pela greve. Começaram a realizar reuniões infantis no sindicato e numa escola onde se discutiam o motivo da greve. A medida deu tão certo que foi usada novamente durante a greve de Paterson, em 1913.

Pela crescente violência se decidiu enviar as crianças a outras cidades, onde seriam abrigados por famílias solidárias. No primeiro trem saíram 120 crianças. No momento em que sairia o segundo trem para Nova York, a polícia desatou uma repressão desmedida na estação. Este episódio levou a greve às paginas dos jornais nacionais e ao Congresso.


Todos falavam de Lawrence. Os dirigentes da central sindical oficial tiveram que se pronunciar, porém não apoiaram a greve: tacharam as trabalhadoras de esquerdistas, anarquistas e revolucionárias, diziam não ter nenhuma relação com os comitês de greve. Porém as trabalhadoras de Lawrence contavam com um apoio amplíssimo. Realizavam-se manifestações de solidariedade em todo o país. As universidades próximas, como a renomada Harvard, tinham comitês estudantis que colaboravam com a greve e se precisavam se ausentar das provas, a universidade os davam  por aprovados. As estudantes universitárias mulheres recolhiam dinheiro, difundiam a luta e viajavam à Lawrence para colaborar diretamente com o comitê de greve.

A grande difusão, a firmeza das trabalhadoras, e o medo de que a greve se estendesse, fez os empresários ceder: aceitaram a jornada laboral reduzida e o aumento dos salários. Depois de uma longa luta, durante quase todo o inverno, em 12 março a greve por  “Pão e Rosas” termina com uma das primeiras vitórias do movimento operário nos Estados Unidos. Em 30 de março, os filhos e filhas dos trabalhadores voltam para Lawrence.

Sua vitória não se limitou a suas demandas. Transformou completamente a ideia de como lutar para ganhar. A história do movimento operário até então associada ao rosto de um homem valente, sem dúvida, foi superada pela ação das mulheres lutando dias e noites junto a seus companheiros, greves como a de Lawrence mostram isso claramente.



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CARTA DE UMA OPERÁRIA DA JBS-FRIBOI

Carta sobre a minha demissão

Andreia Pires



Como muitos devem saber, na última sexta-feira fui demitida por justa causa, segundo o supervisor porque levei muitas suspensões. Apesar de ainda estar com a estabilidade da CIPA. A última suspensão que levei foi na quinta, porque na segunda tinha pedido para sair 1h mais cedo. O supervisor esperou dois dias (terça e quarta) para “decidir” que não tinha sido avisado que eu sairia mais cedo e aplicou a suspensão. É claro que avisei, sabemos que a demissão não foi por causa disso.

Todos que me conhecem nessa fábrica sabem que não fico quieta frente a tanta coisa errada que fazem, seja com o trabalhador ou com o alimento que produzimos. Essa semana estávamos passando um abaixo assinado para não cobrarem nossas refeições, quase 200 assinaram e eu estava ajudando. Por isso é que fui demitida, porque não querem aceitar nem o mínimo que podemos fazer para nos defender. Eles tiram dentista, encarecem o convenio, tiram várias coisas de benefícios e quem fala alguma coisa é mandado sem direitos?!

Fazem 3 anos que trabalho aqui, foram muitas noites de trabalho pesado junto com a equipe do terceiro turno. Assim como vários colegas, também tenho buraco de sabão corrosivo na mão, muitas vezes tive que correr pra torneira com os olhos ardendo, trinquei um dedo em acidente, arrastamos peso, esfregamos chão, parede, placas pesadas da formax, damos o sangue toda noite para essa fábrica ficar limpa e agora o que recebo em troca quando tento me defender?

Durante a minha atuação na CIPA conseguimos melhorar a situação, com bastante atenção a todos no chão de fábrica, acompanhando, falando para usar luva, óculos, viseira, não só no meu turno, mas em todos os turnos. Sempre levei muito a sério meu trabalho na higienização e como cipeira, isso ninguém pode duvidar.

Faço essa carta para denunciar a todos essa grande injustiça que fizeram comigo. Agradeço aos colegas de todos os turnos com os quais pude trabalhar, continuarei lutando com unhas e dentes, seja onde estiver, por melhores condições de trabalho, contra tanta exploração.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Os encochadores e o machismo de cada dia

Por: Letícia Oliveira

Após horas e horas de expediente de trabalho, mulheres em todo o país são forçadas pela péssima qualidade do transporte público a pegar ônibus, trens e metros extremamente lotados. FOTO UOL.


Nos últimos dias recebemos a denúncia de que havia um grupo público do Facebook intitulado "Encochadores" divulgando matérias e histórias repugnantes de casos de assédio sexual nos transportes públicos. Tal grupo defende e propagandeia essa prática livremente pela web sem nenhum tipo de punição ou investigação.
Os encochadores e o machismo de cada dia
Após horas e horas de expediente de trabalho, mulheres em todo o país são forçadas pela péssima qualidade do transporte público a pegar ônibus, trens e metros extremamente lotados. A prática de assédio sexual, a qual faz referência esse grupo do Facebook, é um dos maiores medos de cada trabalhadora em nosso país. É certo dizer que quase toda mulher já passou por isso em uma ida ou volta ao trabalho, e que sentiu-se totalmente indefesa para evitar tal abuso. De fato, o que se pode fazer? Em um transporte tão lotado, não há muito para onde fugir, e por vezes diversas mulheres, como me foi testemunhado a partir das denúncias que abrimos no Facebook, desistem de fazer qualquer coisa e torcem para que o abuso da "encochada" acabe o mais rápido possível.
Os "encochadores" relatam livremente a sua repugnância: "meu junior durasso pra fora da cueca... só sei que na plataforma da estação anhangabaú eu já estava cutucando a polpa da bunda esquerda dela bem a vontade esfregando de leve... quando entramos lá dentro me posicionei e já mergulhei meu pau deitando no meio da bunda dela... a que sensação d bem estar maravilhoso... rs... dai eu deixei ele reto e entuxava no meio dela a calça entrou mais ainda... rs... ela quieta o tempo todo até a estação carrão na saida apertei a bunda dela... aaaahhhhhhh... fiquei com essa ecochada até agora no pensamento... rs".
Independentemente das denúncias realizadas por uma série de mulheres, o Facebook mantém a página ativa, alegando que "não fere os princípios de comunidade do Facebook".
Ao fazer uma alegação como essa o Facebook nos leva a compreender ainda melhor uma triste realidade: no machismo de cada dia, que perpassa todas as relações, principalmente as de trabalho, abusos como este estão muito longe de ser considerados por qualquer empresa ou grande coorporação como uma violência como de fato é.
O prazer que estes homens sentem não é nem de longe um desvio social. É apenas uma expressão mais aguda do que a sociedade nos educa todos os dias através das relações de trabalho e da ideologia dominante presente em cada filme, novela, propaganda ou jornais produzidos pelas grandes coorporações de imprensa. Aprendemos em todos esses espaços que a mulher vale muito pouco ou quase nada, recebendo em média 2/3 do salário de um homem, e se for negra, menos da metade do salário de um homem branco.
Reagir ou não reagir, eis a questão
As mulheres vivem todos os dias de sua vida com a ameaça constante de algum tipo de violência moral, sexual ou doméstica. O Brasil lidera os rankings de casos de violência, tendo totalizado no primeiro semestre do ano passado mais de 260 mil denúncias de violência doméstica. No ano passado, o IPEA revelou que a cada 90 minutos uma mulher é assassinada no Brasil vítima de violência doméstica. Em 2013, o Sistema Único de Saúde brasileiro recebeu cerca de 2 mulheres por hora com sinais de violência sexual, totalizando mais de 2300 casos, sem contar as mulheres atendidas no sistema privado e as multidões de mulheres que por vergonha deixam de procurar auxílio médico nesse tipo de situação.
Por essa realidade, não são poucas as mulheres que evitam andar sozinhas durante a noite, usar roupas curtas ou envolver-se com pessoas desconhecidas. Apesar de corretas em sua prevenção, essas medidas dão a entender que o problema da violência sexual é culpa da própria mulher. Que seus hábitos e vestuário são os grandes culpados por aquele trauma, quando na verdade o culpado por toda essa violência que sofremos é um sistema econômico que desenvolve uma ideologia machista totalmente favorável a sua dominação.
Ao convencer o conjunto dos trabalhadores de que as mulheres são inferiores, facilitam a super exploração de metade da humanidade e economizam com serviços que, se não cumpridos pelas mulheres, sairiam bastante caros para esses que precisam de tanto lucro, como são os serviços de lavanderia, cuidado de filhos e idosos, alimentação, etc.
Contra a sua própria responsabilização sobre cada um desses casos de violência, o Estado burguês nos culpabiliza ao passo que cria Globelezas e mulheres submissas em suas novelas e, se durante o dia rouba nosso dinheiro, à noite tenta nos fazer escandalizar nos jornais com os casos de estupro.
Nenhuma mulher deve se envergonhar ao ser assediada nos transportes ou em qualquer outro lugar. A vergonha deve ser carregada por esses homens e pela burguesia que lucra todos os dias com a nossa opressão, inclusive com os transportes cada vez mais lotados que pagam suas festinhas privadas e seus ganhos extras com corrupção.
É possível que o transporte seja um lugar agradável?
Sim! A vontade de todo trabalhador ao sair do trabalho é pegar um metro, um trem ou um ônibus sem estresse. A qualidade de vida de uma realidade dessa é impensável para nós hoje em dia. A única justificativa para que o transporte siga sendo assim é o fato de que é gerido e administrado pelos que não usam o transporte como meio de locomoção e que dele não extraem nada a não ser os lucros exorbitantes.
Durante as recentes jornadas do transporte e as que colocaram o Brasil no cenário da juventude internacional em junho de 2013 já defendíamos que a única saída para que o transporte fosse de fato público, de qualidade e atendesse às necessidades dos trabalhadores era a partir da estatização sob controle dos trabalhadores e usuários.
Nesse espaço, a partir da clareza de que a opressão à mulher não deve ser reproduzida pelos trabalhadores pois a nós de nada serve essa ideologia, é possível que as mulheres trabalhadoras e usuárias do transporte possam pensar medidas efetivas de combate ao assédio sexual nos trens, metros e ônibus. Não houve por parte das administradoras públicas e privadas nenhuma medida efetiva de combate a essa prática a não ser campanhas estéreis e esparsas que jamais passaram pela solidariedade entre as trabalhadoras e as usuárias ou em campanhas de vigilância dos próprios usuários para denunciar e repreender cada caso que presenciassem.
Os homens são parceiros na luta contra o assédio?
Neste tipo de discussão é comum que as mulheres passem a encarar todos os homens como seus inimigos na luta contra a opressão. A verdade é que os homens, apesar de parcialmente beneficiados pelo machismo dentro de suas casas e pelo direito que recebem de nos insultar na rua, tocar em nossos corpos ou nos violar, não são os que verdadeiramente ganham com o machismo. Apenas a burguesia - proprietária dos meios de reprodução da vida como as fábricas, os bancos e outros - ganha qualitativamente não apenas com a opressão às mulheres, mas também com o racismo, a homofobia, a transfobia, a xeonofobia e todas as possíveis formas de opressão. Esse é o melhor caminho que ela encontra para dividir e enfraquecer a classe trabalhadora e lucrar mais ao determinar postos de trabalho mais precários para aqueles que não obedecem o padrão "homem, branco, heterossexual".
Portanto, a melhor luta contra a opressão é aquela que se faz lado a lado, trabalhadores e oprimidos, numa luta unitária contra toda forma de opressão e exploração, negando a divisão das fileiras operárias e abraçando a causa de todos aqueles, trabalhadores ou não, que sofrem cotidianamente da opressão de gênero, raça, etnia ou nacionalidade.
Assim, é possível reconhecer que em cada vagão de metro, trem ou em cada ônibus em todo o mundo as mulheres encontrarão nos trabalhadores e nas outras mulheres solidariedade para interromper o assédio que estiverem sofrendo, e que a tarefa de cada uma dessas mulheres é lutar para que possa, junto aos seus irmãos de classe e oprimidos, determinar o que será feito de cada um desses vagões e ônibus através de um controle operário e popular dos transportes.
Registros de telas usados para a denúncia de conteúdo feita ao Facebook:




Texto original : Palavra Operaria
XXXXX

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Nota da agrupação Pão e Rosas sobre a Carta do EME da USP




Nós, do Grupo de Mulheres Pão e Rosas, soltamos essa nota para expressar nossa posição diante da Carta de Reivindicações redigida a partir do 2o Encontro de Mulheres Estudantes da USP. A carta será entregue à reitoria nesta quarta-feira (17), em um ato.
Assinamos criticamente a Carta, já que apresentamos alguns aportes e divergências em alguns pontos específicos. Reconhecemos a importância que teve o EME como um espaço de organização das mulheres na luta contra o machismo e a violência tão presentes na sociedade e que se reproduzem dentro da universidade. Temos acordo com vários pontos reivindicados pela carta, contudo temos algumas ressalvas.

Acreditamos que a USP têm se tornado um lugar onde a violência tem tido muito espaço. Tendo a noção que a universidade tem se mostrado, ao longo dos anos, cada vez mais fechada à população de fora (que é a população negra, pobre e trabalhadora que financia a universidade), defendemos uma abertura do campus que permita que todas e todos frequentem a USP e façam uso do seu espaço, tornando-o menos deserto, mais movimentado e, portanto, menos perigoso.

A questão do aumento da frota dos circulares, que aparece como uma reivindicação da Carta torna-se fundamental diante de um cenário onde esperar um ônibus sozinha, num ponto escuro, pode resultar num assalto, sequestro ou estupro. Porém, não podemos nos esquecer de que o busp atualmente só atende a uma parcela daquelas que frequentam a universidade: as estudantes, professoras e trabalhadoras efetivas, deixando de lado as trabalhadoras terceirizadas. Estas, que em sua maioria vivem na favela ao lado da USP, a São Remo, muitas vezes fazem o trajeto a pé até seus postos de trabalho no início da manhã, quando a USP se mostra desértica e, assim, bastante perigosa. Defendemos, portanto, que haja maior frota de circulares, mas que esses circulares atendam também às trabalhadoras terceirizadas. Pela efetivação de todas as terceirizadas sem necessidade de concurso público  Queremos de volta os circulares cinzas que não cobravam tarifa, sendo sua retirada um ataque a toda a população que não tem vinculo com a USP, mas que precisa andar pela universidade.
Vemos a importância da criação de um Centro de Referência, mas discordamos do caráter que o Encontro acabou por definir. Como escrito na Carta o Centro teria "envolvimento da comunidade universitária". Acreditamos que com essa formulação, a reivindicação deixa o centro nas mãos da reitoria, com as mulheres apenas como coadjuvantes de um processo no qual acreditamos que elas deviam ser linha de frente. As mulheres é quem deviam comandar esse Centro, que seria reconhecido pela Reitoria, e não o contrário. Isso porque deixar nas mãos da reitoria é iludir-se e pensar que ela levará até o final, de maneira consequente as nossas reivindicações, quando na verdade o que tem se provado é o contrário: Zago e os diretores em discussões sobre os recentes casos da medicina humilharam as mulheres que bravamente se colocaram, escancarado uma reitoria machista, que também é racista e homofóbica. Mesmo porque, vale lembrar que a SAS já possui um setor que seria responsável por ver casos de violência, mas desde 2009 só registrou dois casos no campus. Isso revela a falta de comprometimento da universidade com os casos de machismo que nos ocorrem cotidianamente.

O ponto que diz respeito a responsabilizar a reitoria por uma campanha contra a violência nos parece correto, porém é preciso fazer a ressalva do caráter dessa campanha. Acreditamos que, novamente, não devemos deixar nas mãos da reitoria decidir se e como será a campanha. Em última instância eles podem decidir coisas esdrúxulas, como veicular que "mulheres não devem andar sozinhas com mulheres" ou que "mulheres não devem usar roupas curtas", como já ocorreu em campanhas na UNESP. Por isso defendemos que todos os três setores que compõem a universidade, estudantes, funcionários e professores juntamente com os sindicatos, entidades estudantis e todo o movimento determinemos o conteúdo da campanha e que aí sim a reitoria se responsabilize em divulgar e nos fornecer a verba necessária. Que as mulheres sejam linha de frente numa campanha ampla contra a violência e que o movimento estudantil de conjunto tome como pauta as nossas reivindicações. É preciso ainda exigir que centros acadêmicos de nossos cursos criem uma secretaria de mulheres que, atrelados aos coletivos feministas de cada curso possam organizar-se e apurar casos de machismo não apenas em festas como também em aulas, assembleias e pelos corredores das faculdades.

Por fim, abordamos a questão da reivindicação da guarda feminina. Somos contra o aumento da frota feminina, pois acreditamos que isso cria apenas a ilusão de que com mulheres na segurança o problema da violência será sanado. Conhecemos o que a polícia brasileira faz nas favelas: muitas vezes temos policiais negros matando pobres e negros. Sabemos que a polícia é um aparato do Estado, que cumpre uma função e pouco importa se o policial será negro, mulher ou mesmo lgbt, enquanto estiver na estrutura policial irá cumprir as ordens do Estado. E nesse momento o papel que a guarda universitária vem cumprindo é semelhante ao da polícia, sendo responsável por vigiar quem faz parte do movimento e reprimindo diretamente as mobilizações. Foi a chefe de segurança Ana Lucia Pastori quem coordenou juntamente com a policia militar, a retirada dos piquetes e a repressão policial aos trabalhadores durante a greve. A guarda universitária atualmente está a serviço das ordens do reitor e não é colocando mulheres dentro desse aparato que conseguiremos sanar o problema da violência. Tampouco isolando a USP do resto da sociedade. É preciso abrir o campus, para que toda a população frequente a universidade!

Chamamos todos os estudantes, professores e funcionários juntamente com o apoio dos centros acadêmicos, DCE, SINTUSP e ADUSP a se mobilizarem numa grande campanha contra a violência dentro do campus. Tomando como exemplo os trabalhadores da USP, que se posicionaram contra os estupros ocorridos na Faculdade de Medicina. Somente a aliança entre os trabalhadores e estudantes é que pode dar uma resposta efetiva aos casos de violência dentro da universidade.


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Diana Assunção: “Avança a organização das mulheres trabalhadoras da USP”



Nesta semana se realizou o V Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP, que reuniu muitas das trabalhadoras que foram linha de frente da vitoriosa greve de 118 dias. Na mesa estiveram Maíra Rodrigues, da APEOESP Santo André e Silvia Ferraro, do Movimento Mulheres em Luta. Sobre o Encontro, Diana Assunção, diretora do Sintusp e responsável pela Secretaria de Mulheres declarou que “O Encontro foi um forte avanço da organização das mulheres trabalhadoras da USP. Depois de uma greve de 118 dias foi muito mais claro para o conjunto das trabalhadoras presentes que a luta contra a opressão as mulheres não está descolada da luta contra a exploração capitalista, pelo contrário, opressão e exploração se combinam para favorecer os capitalistas.”




Tratando de temas muito sentidos pelas mulheres, o Encontro votou uma série de resoluções, dos quais Diana ressalta que “Votamos uma pauta de reivindicações das mulheres trabalhadoras da USP onde exigimos que nenhuma mulher seja morta por aborto clandestino, como foi o caso de Jandira e Elisangela, e também repudiamos a morte de Cláudia, vítima da mais brutal violência policial. Para além das questões mais gerais, colocamos como centro a luta contra a desvinculação dos Hospitais Universitários e do Centro de Saúde, bem como queremos continuar com força na campanha pela contratação de enfermeiras para atender as mais de 1000 mulheres na fila do papanicolau”. Ainda sobre a pauta de reivindicações, Diana agregou que “Temas como mais creches, licença maternidade, contratação imediata de funcionários e vários outros foram tratados no Encontro, fortalecendo a luta das trabalhadoras. Também definimos que no próximo ano deveremos organizar um Seminário de Formação Política para o conjunto da categoria avançando também junto com todos os trabalhadores”.












Sobre os escândalos na Faculdade de Medicina, Diana declarou que “O Encontro também foi espaço de debate sobre esses casos, reafirmando repúdio à Faculdade de Medicina que junto com o Reitor Zago continuam acobertando os estupros. Queremos a punição de todos os culpados e fim imediato dos estupros dentro da USP. Também estamos exigindo que a Reitoria e todos os órgãos cabíveis divulguem o número de denúncias de estupros dentro da USP, pois não divulgar estes números é parte do acobertamento dos casos, não querem mostrar a verdade. Nós consideramos que os trabalhadores tiveram uma ação exemplar com as fotos de apoio às vítimas e que devemos aprofundar a nossa auto-organização para poder avançar na luta contra a violência às mulheres”.









Diana também colocou que votou-se moção de apoio à luta das trabalhadoras e trabalhadores da empresa terceirizada Construir, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e que ao final do Encontro as trabalhadoras tiraram fotos de apoio ao levante negro nos Estados Unidos, com a frase “Eu não consigo respirar”, além de uma homenagem aos 43 estudantes mexicanos. “Acredito que demos passos importantes na organização das mulheres trabalhadoras, fruto do impulso de nossa greve, o que somente contribui pra avançar a luta do conjunto dos trabalhadores. Um Sindicato combativo e classista deve levar adiante com toda a força a luta dos setores oprimidos, levantando-se como verdadeiros tribunos do povo contra toda forma de violência e horror que vivemos nesta sociedade capitalista”.












Original: Palavra Operaria
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