sexta-feira, 23 de maio de 2014

Brasil na Copa: campeão da exploração sexual

Rita Frau, membro da Executiva Nacional do MML e da Coordenação Nacional do Pão e Rosas


Em menos de um mês para iniciar a Copa do Mundo no Brasil, reabre o tema da exploração e turismo sexual. No início do ano, uma das patrocinadoras oficiais da Copa, a Adidas, lançou nos EUA camisetas que relacionavam diretamente o mundial no Brasil com o turismo sexual através do corpo de mulheres negras. Recentemente, o famoso empresário da prostituição, proprietário da boate Bahamas, Oscar Maroni, que já foi preso acusado por “favorecer a prostituição” e logo em seguida absolvido, lançou um outdoor da boate com sua cara estampada, e uma imagem de uma mulher como se estivesse fazendo sexo oral em um homem. O Ministério do Turismo se pronunciou dizendo que esta propaganda "vai em sentido oposto ao da política de promoção nacional do país realizada pelo governo".

No Brasil a prostituição e o tráfico de mulheres para a exploração sexual no exterior fazem parte de redes capitalistas envolvendo políticos, empresários, redes hoteleiras e a polícia, fazendo dos corpos das mulheres, mercadorias para gerarem lucros. O governo Dilma tem se pronunciado contra e mais recentemente lançou uma campanha chamada “Proteja Brasil – Faça Bonito”, contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, tendo Xuxa como porta voz, e disse através da ministra Eleonora Minecucci que “o governo como um todo é tolerância zero com o turismo sexual”. Ao mesmo tempo que faz todo esse falso discurso, gasta 30 bilhões para realizar a Copa que está sendo preparada às custas do suor de operários nas obras dos estádios por todo o país, da remoção de centenas de famílias das favelas do entorno dos estádios, da repressão aos que lutam por saúde, educação, transporte e moradia de qualidade. Além disso, é o governo de uma mulher que mantém as tropas brasileiras no Haiti acusadas de estupros de mulheres e que através de alianças com a igreja católica, os evangélicos e setores reacionários se nega a garantir a legalização do aborto.

Ao lado de homens como Maroni, se enquadram projetos de lei como o do deputado federal Jean Wyllis, do PSOL, que através da Lei Gabriela Leite defende a regulamentação da cafetinagem e institui que só é reconhecido como exploração sexual a “apropriação total ou maior de 50% do rendimento de prestação de serviço sexual por terceiro”; e que seria uma forma de “liberdade sexual”, na prática legalizando por via do Estado a exploração sexual das mulheres, favorecendo os lucros dos envolvidos na cafetinagem. Projetos de lei como este falam a mesma língua de Maroni, que ao se pronunciar sobre a reprovação do outdoor disse que “falar de turismo sexual é moralista e vai contra a sexualidade", mostrando que tratam a vida e o corpo das mulheres como mais uma mercadoria.

A experiência de quase 10 anos da lei Maria da Penha mostra que na democracia dos ricos ela segue sendo uma formalidade, e a cada ano o governo Dilma diminui o investimento de verba direcionado à aplicação desta lei. Isso demonstra que mesmo que haja leis formais no capitalismo não são capazes de colocar abaixo este elemento estruturante da sociedade capitalista, demonstrando que a luta contra a opressão e violência às mulheres só pode ser efetiva se for em aliança com o conjunto da classe trabalhadora. Por isso, uma política revolucionária não deve ser através da estratégia de exigência somente por mais investimentos para campanhas do governo ou então campanhas simbólicas como foi a “dos alfinetes” levada adiante pelo PSTU.
A luta contra a violência às mulheres e o turismo sexual deve ser parte do atual momento de ondas de greves e mobilizações onde a classe trabalhadora se coloca como sujeito, fazendo com que sindicatos e entidades estudantis tomem para si este combate e defendam um programa que atinja de fato o turismo sexual e a violência contra as mulheres, o que só pode ser feito combatendo os lucros gerados pela exploração sexual das mulheres, sustentada pelo Estado capitalista.

Basta de turismo sexual e tráfico de mulheres! Não à repressão às mulheres em situação de prostituição! Pela descriminalização da prostituição (fim da perseguição policial, social e penal)!

Prisão a todos os envolvidos nas redes de cafetinagem, tráfico de mulheres e turismo sexual!

Confisco dos bens e lucros de todos os empresários, políticos, policiais e cafetões envolvidos na exploração sexual de mulheres e jovens e responsáveis por propagandas que incentivam a exploração e turismo sexual!

Emprego digno e salário mínimo do DIEESE (R$ 3.019,07) para todas as mulheres!

Assistência psicológica e social garantidas por profissionais do Estado e casas abrigos sob controle das vítimas da exploração sexual, associações e organizações de mulheres! 

Não a regulamentação da cafetinagem! Contra o controle do Estado sobre nossos corpos!



sábado, 17 de maio de 2014

DEPOIMENTO | "Apenas organizadas, lutando contra a opressão e exploração podemos dar uma resposta que coloque em xeque a violência"


Depoimento de Camila Moraes, metroviária e militante do Pão e Rosas

Ontem às 6h da manhã, iniciando um dia de trabalho atendi uma mulher de 33 anos que estava aos prantos na estação, falando que iria se matar. Ela havia sofrido uma tentativa de estupro dentro de um carro de homens conhecidos. Não sei o que essa mulher passou na mão desses homens dentro do carro, mas ela estava um choque, em crise completa, imagino que - entre todo trauma e pensamentos - estava também se sentindo culpada por ter saído de noite, bebido e pegado uma carona com conhecido, que infelizmente é o que o senso comum (incluindo os que devem ser preparados para atende-la) pensa. Eu me senti completamente impotente, não sabia o que fazer, ela mesmo falou: "O que vou fazer? Fazer um B.O? Só quero ir para a minha casa..".


Casos como este devem ser atendidos pelos seguranças do Metrô, mas - não por responsabilidade destes - me deixaram atendê-la sozinha, não a toa, pois eu era a única mulher trabalhando. A situação que ela estava é de certa forma parecida com as dezenas de casos de assédio sexual que as mulheres sofrem cotidianamente no Metrô, e ontem foi muito claro para mim que é uma demagogia absurda essa ofensiva que o Metrô estava fazendo na sua campanha para denunciar o assédio, dizendo que o Metrô treina "mais de mil agentes para ajudar".

A mulher que tiver sido suja de "gozo" por ter sido assediada dentro do sistema metroviário deve ir SUJA para a Delpom (delegacia do metro) para fazer a denuncia. Ou seja, para ela poder denunciar deve se expor ao absurdo, e se ela nega ainda a culpam por não denunciar(!).
Não mulheres, vocês não são culpadas por nenhum tipo assedio e abuso ao corpo de vocês e infelizmente, quando não se sentem seguras de denunciar nos lugares instituídos pelo governo, vocês tem razão, pois tem milhares de Eliza's Samudio's para comprovar a ineficiência dessas instituições e o descaso do governo com o combate a violência contra a mulher.

Apenas organizadas, lutando contra a opressão e exploração que sofremos - junto aos nossos companheiros homens - podemos dar uma resposta que de fato coloque em xeque a violência, pois esta é completamente funcional ao sistema. Cada mulher abusada e agredida, cada negro que é discriminado, cada trans e homossexual que apanha ou é morto na rua, cada imigrante que é fadado ao trabalho escravo, fortalece o poder do capitalismo.

A divisão da classe, a partir de vários preconceitos e violências - dentro dela própria - é um passo atrás que damos na luta contra toda a miséria que a esmagadora maioria da humanidade está fadada. Lutemos contra nosso verdadeiro inimigo.

Hoje este inimigo treme, pois há greves por todos os cantos do Brasil, há trabalhadores, juventude e movimentos sociais nas ruas, se colocando como sujeitos dos próximos rumos desse país, colocando que a Dilma e seus comparsas empresários não farão o que quiser com a população brasileira, não rifarão nossos direitos por uma "Copa Padrão Fifa", não entregarão à prostituição milhares de meninas e mulheres negras.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Wendy Goldman lança "Mulher, Estado e revolução" no Brasil




Em maio de 2014, a historiadora Wendy Goldman estará no Brasil para um ciclo de conferências de lançamento de seu premiado  Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936, publicado pela Boitempo Editorial. Durante os dias 19, 20 e 21 de maio ela passará pelas cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro em eventos gratuitos e sem necessidade de inscrição, seguidos de sessões de autógrafos.

Ganhador do prêmio Berkshire Conference, o livro examina as mudanças sociais pelas quais passou a sociedade da União Soviética nas duas décadas após a revolução de 1917, com foco nas mulheres e a relação que estabeleceram com o Estado revolucionário. Analisando a estrutura familiar, a sexualidade, o casamento e o divórcio na União Soviética, a obra explora como as mulheres responderam às tentativas bolcheviques de redefinição da instituição familiar.

Programação completa:

Campinas
Quando: 19/05 | 17h30 | Debate “A emancipação das mulheres: o debate e os desafios da luta contra o machismo como parte da experiência da revolução russa”
Com: Wendy Goldman, Diana Assunção e Renata Gonçalves
Onde: Unicamp | Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
Realização: Boitempo, Edições Iskra e Grupo de Pesquisa “Para Onde vai o Mundo do Trabalho?”
Apoio: Programa de Pós-Graduação de Sociologia da Unicamp, Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais da Unicamp e Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH)

São Paulo
Quando: 20/05 | 19h30 | Debate com Wendy Goldman, Andrea D’Atri (Argentina), Sofia Manzano e Diana Assunção
Onde: USP | Anfiteatro de História | FFLCH 
Realização: Boitempo, Edições Iskra e FFLCH/USP
Apoio: Sintusp

Rio de Janeiro
Quando: 21/05 | 16h | Debate com Wendy Goldman, Andrea D’Atri (Argentina), Diana Assunção e Carlos Eduardo Martins
Onde: UFRJ | Sala 109, Evaristo de Moraes Filho | Térreo | IFCS 
Realização: Boitempo, Edições Iskra e Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) Apoio: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Confira mais informações dos eventos no site da Boitempo
Acompanhe a página especial do livro no Facebook aqui

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Mulher, Estado e revolução
Política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936
Wendy Goldman

A Boitempo, em parceria com a Edições ISKRA, publica o premiado livro Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936. Escrito por Wendy Goldman, historiadora e professora da Universidade Carnegie Mellon (EUA), especializada em estudos sobre a Rússia e a União Soviética, a obra ganhou o Berkshire Conference Book Award ao examinar as mudanças sociais pela qual passou a sociedade soviética nas duas primeiras décadas pós-revolução, com foco nas mulheres, e na relação que estabeleceram com o Estado revolucionário.

O livro retrata as grandes experiências da libertação da mulher e do amor livre na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) depois da Revolução – e por que falharam, quando entrou em cena a burocracia stalinista. “Seu tema é a difícil relação entre vida material e belos ideais”, afirma Goldman. O livro examina as condições materiais da União Soviética logo após a Revolução e explora questionamentos relevantes para qualquer movimento social: quando um novo mundo poderá ser criado? Quais são as condições necessárias para se realizar ideais revolucionários? É possível que se crie total liberdade sexual para homens e mulheres sob condições de desemprego, discriminação e persistência de atitudes patriarcais? O que podemos apreender dessa experiência, depois da Revolução Russa? Combinando história política e social, o livro recupera não apenas as lições discutidas por juristas e revolucionários, mas também as lutas diárias e ideias de mulheres trabalhadoras e camponesas.

Ao chegarem ao poder em 1917, como resultado de uma revolução, e com esperanças de construir um mundo novo, muitos juristas, educadores e outros militantes sonharam com novas possibilidades. Os bolcheviques lutavam para que, sob o socialismo, a instituição “família” definhasse; para que o trabalho doméstico não remunerado das mulheres fosse substituído por lavanderias, creches e refeitórios comunitários; para que o afeto e o respeito mútuos substituíssem a dependência jurídica e financeira como base das relações entre os gêneros. Uma geração de legisladores soviéticos se empenhou em concretizar essa visão e como parte dela, em 1920, legalizaram o aborto, que passou a ser considerado um serviço público e gratuito.

É importante destacar que os bolcheviques tiveram uma política aberta sobre as relações pessoais, especialmente considerando o atraso social e cultural da Rússia. A ideia de “amor livre” e as relações hierárquicas entre pais e filhos foram temas amplamente debatidos. “Em uma cultura patriarcal, os pais exerciam um controle tremendo sobre as mães e as crianças. Tomavam decisões sobre o matrimônio, a educação e o trabalho. Os bolcheviques queriam abolir esse controle, em favor dos direitos do indivíduo, do ser humano”, afirma Goldman. "Questionaram as hierarquias de todo tipo, não somente aquelas dentro da família. O Exército Vermelho foi reconstruído sob novas regras, mais democráticas em termos de relações entre oficiais e soldados. As escolas tornaram-se mistas, e os professores, estudantes e trabalhadores criaram Sovietes para governá-las. Os juristas discutiam o ‘desaparecimento’ da lei e do Estado e faziam leis destinadas a alentar esse objetivo. Inclusive desafiaram as hierarquias na arte e na música. Na década de 1920, os músicos soviéticos experimentaram uma ‘orquestra sem diretor’. Foi um momento de grande nivelamento e de experimentação apaixonante em todas as áreas da vida”.

No entanto, uma década e meia depois, com a atuação de forças contrarrevolucionárias, a legalidade do aborto foi revogada e a experimentação social deu cada vez mais lugar a soluções conservadoras, que reforçaram as amarras da família tradicional e o papel reprodutivo da mulher. A autora analisa nesse contexto como as mulheres responderam às tentativas de refazer a família, com Stalin defendendo a “volta à família e ao lar”; e como suas opiniões e experiências foram utilizadas pelo Estado para atender as suas próprias necessidades. A edição brasileira do livro será enriquecida com fotografias da época e textos complementares, como o texto de capa de Liliana Segnini, professora do Departamento de Ciências Sociais da Unicamp, e o prólogo escrito por Diana Assunção, historiadora e militante dos direitos das mulheres.
Dia Internacional da Mulher, 1917, Pitsburgo, Rússia


Trecho do livro:
“Uma vez que havia expectativa generalizada de que a família iria definhar, a questão de como organizar o trabalho doméstico provocou extensa discussão. Lenin falou e escreveu repetidas vezes sobre a necessidade de socializar o trabalho doméstico, descrevendo-o como ‘o mais improdutivo, o mais selvagem e o mais árduo trabalho que a mulher pode fazer’. Sem poupar adjetivos duros, escreveu que o trabalho doméstico banal ‘esmaga’ e ‘degrada’ a mulher, ‘a amarra à cozinha e ao berçário’ onde ‘ela desperdiça seu trabalho em uma azáfama barbaramente improdutiva, banal, torturante e atrofiante’. Lenin obviamente desprezava o trabalho doméstico. Argumentava que ‘a verdadeira emancipação das mulheres’ deve incluir não somente igualdade legal, mas também ‘a transformação integral’ do trabalho doméstico em trabalho socializado.”

Sobre a autora:
Wendy Goldman é professora do Departamento de História da Carnegie Mellon University e especialista em estudos políticos e sociais sobre a Rússia e a União Soviética. Autora de diversos livros sobre o terror stalinista, gênero e classe trabalhadora, já foi traduzida para o russo, espanhol, italiano, alemão, francês, tcheco e japonês.  Com o livro Mulher, Estado e revolução, ganhou o Berkshire Conference Book Award, em 1994. É diretora de um intercâmbio universitário entre a Carnegie Mellon e a Universidade Estadual para Humanidades, em Moscou.

Ficha técnica:
Título: Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936
Título original: Women, the State and Revolution: Soviet Family Policy and Social Life, 1917-1936
Autora: Wendy Goldman
Prólogo: Diana Assunção
Orelha: Liliana Segnini
Páginas: 400
ISBN: 978-85-7559-364-6
Preço: R$ 49,00
Editoras: Boitempo e Edições ISKRA

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terça-feira, 6 de maio de 2014

Boletim Pão e Rosas - Especial Metroviárias



Não podemos aceitar operar um trem e trabalhar nas estações com mulheres sendo assediadas!

          A realidade da violência contra a mulher e estupros no nosso país é gritante. São mais de 50 mil mulheres estupradas por ano e uma média de 5 mil mulheres mortas. Contando com as que não denunciam por medo, vergonha ou por desacreditar da polícia, que na maioria dos casos comprem um papel de humilhá-la ainda mais (até mesmo nas Delegacias da Mulher), os números são ainda piores. Essa discussão ficou evidente pela pesquisa publicada pelo IPEA, que divulgou um dado de que 65% dos entrevistados concordavam com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Posteriormente, assumiram o erro e divulgaram o dado correto de 26%, que não deixa de ser um número alto. Também ganhou destaque o assédio nos transportes depois da propaganda do Metrô e do governo do estado de SP que dizia que “o trem cheio é bom porque dá pra xavecar a mulherada”. O que eles querem é justificar os assédios, justificar o machismo e tirar o foco da responsabilidade que têm por conta da superlotação.
            O Metrô de São Paulo está no olho do furacão. Somente este ano já foram registrados cerca de 20 casos. Nós, trabalhadoras e trabalhadores do Metrô, não podemos aceitar trabalhar em estações ou operar trens normalmente, enquanto tem mulheres sendo assediadas ou violentadas! Por isso nós do Pão e Rosas interviemos no Seminário da Campanha Salarial do Metrô propondo uma verdadeira campanha contra o assédio sexual. Achamos que trabalhadores e trabalhadoras do Metrô podem, junto com a população usuária, fazer efetivamente diferença para dar um basta nessa situação!
            Lutamos para que a Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários elabore, junto às metroviárias e usuárias, uma ampla campanha com fotos, cartazes, vídeos e painéis, além de um anúncio sonoro nos vagões contra o assédio. Que o Metrô disponibilize espaço na TV do trem e nos painéis publicitários para esta campanha. E nós, operadores e operadoras de trem e funcionários das estações, devemos emitir esse anúncio, deixando claro que os metroviários estão do lado das mulheres no combate à violência, chamando a que as mulheres denunciem os casos para a secretaria de mulheres do sindicato e denunciando a responsabilidade do governo e da empresa. Devemos lutar por comissões de metroviárias e usuárias a partir da Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários para apurar os casos de assédio e exigir punição dos agressores. As mulheres violentadas ou assediadas devem ter direito a licenças remuneradas no trabalho e assistência financeira garantida pelo Metrô, com tratamento físico e psicológico!
                 Acreditamos que essa é a forma de colocar as metroviárias e metroviários em ação, buscando fazer a diferença na luta contra o assédio e se aliar a população usuária, em especial às mulheres. Nada a ver com a política do PSTU (em nome do Movimento Mulheres em Luta) de distribuição de alfinetes, que não à toa perdeu a votação no Seminário da Campanha Salarial do Metrô, já que os trabalhadores não consideram que se trata de uma campanha efetiva ou a política também defendida pelo PSTU da implantação dos vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico, uma medida que segrega a mulher, naturalizando a situação de assédio.
                 Chamamos todos que tem acordo com a perspectiva que apresentamos aqui a se somar na luta cotidiana contra a opressão às mulheres!


 Lutar pelas demandas das trabalhadoras terceirizadas nessa campanha salarial!

Recentemente, as trabalhadoras da Higilimp (limpeza da L1 Azul) se organizaram e fizeram uma grande campanha nas eleições da CIPA, com apoio dos Metroviários pela Base e do Pão e Rosas. Conseguiram eleger uma bancada da CIPA que pela primeira vez não tem nenhuma representante direto da empresa, o que representa um novo passo no sentido da luta contra as condições de trabalho semi-escravas que essas trabalhadoras estão submetidas! Nós do Pão e Rosas defendemos que, além de nossas demandas e das demandas dos usuários, devemos defender também as demandas das trabalhadoras terceirizadas (maioria mulheres) nessa campanha salarial para fortalecer ainda mais essa luta!
- bilhete de serviço para todos os terceirizados do Metrô!
- Pagamento do VA para as trabalhadoras da Higilimp!
- Plano de saúde para os terceirizados! Que qualquer atestado seja aceito pelas empresas e que não tenha nenhum desconto por falta justificada!
- Licença maternidade de 6 meses para as terceirizadas!


É só uma piada?!
 
            Por meio de declarações feitas por pessoas que participaram de treinamentos oferecidos pelo metrô, sabemos que há instrutores fazendo colocações machistas, racistas e homofóbicas. Israel Cravo, instrutor do treinamento de bilheteria, é um deles e, não à toa, foi e é alvo de muitas reclamações vindas de pessoas que se sentem ofendidas e desrespeitadas por seus comentários. Quando questionado sobre o caráter preconceituoso do que diz, este instrutor afirma que está apenas fazendo brincadeiras e piadas “inofensivas”.
             Há muito tempo ocorrem casos de abuso sexual no metrô de São Paulo e percebemos que ao invés de promoverem discussões críticas sobre o assunto, contribuindo para que haja a compreensão de como essa situação é humilhante e agressiva às vítimas, alguns instrutores reforçam e perpetuam preconceitos através de suas observações e “piadas”.
          No Brasil, 15 mulheres são mortas por dia, uma a cada uma hora e meia. Negros são assassinados três vezes mais do que brancos e um homossexual é morto a cada 28 horas no país, sendo que 44% de todos os casos letais de homofobia do planeta ocorreram aqui.
            Não deve haver nenhum espaço para comentários e piadas preconceituosas no treinamento do metrô de São Paulo. Este comportamento deve ser completamente repudiado e combatido, pois reproduz e perpetua graves preconceitos e, sendo assim, contribui para que pessoas continuem sendo desrespeitadas, excluídas, agredidas e assassinadas.
         Por tudo que foi colocado, exigimos a retirada do instrutor Israel Cravo do treinamento de bilheteria! Já houve inúmeras reclamações sobre a postura preconceituosa deste instrutor e não existe justificativa para que ele continue dando o treinamento. É urgente que uma pessoa que respeite as diversidades humanas assuma este treinamento! Estaremos atentas a qualquer comportamento e colocação preconceituosa.
            Há, além disso, o anúncio de que o metrô conta com mil agentes de segurança treinados para receberem as vítimas de assédio sexual. No entanto, sabemos que esta é uma propaganda enganosa! O metrô não oferece treinamento para que os funcionários saibam lidar de maneira adequada com essa situação e assim, além de fazer com que a vítima não tenha o acolhimento necessário, a empresa coloca os funcionários em uma posição delicada ao terem que enfrentar uma realidade para a qual não foram preparados.
          É imprescindível que o metrô forneça um treinamento voltado para o atendimento às vítimas de opressão, com participação das secretarias de mulheres e de negros do sindicato.
Todxs merecem dignidade e respeito!

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Venha junto com o Pão e Rosas ao Lançamento da Cartilha sobre Violência contra a Mulher do Movimento Mulheres em Luta!
Dia 10/05, a partir das 14h, no sindicato dos Metroviários!

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GRANDE LANÇAMENTO do livro A MULHER, O ESTADO E A REVOLUÇÃO!
Inédito em português!
Com a presença da autora, a historiadora norte-americana Wendy Goldman e também Andrea D’Atri (autora do prefácio da edição Argentina e dirigente do Pan y Rosas Argentina), além de Diana Assunção (autora do prólogo à edição brasileira e dirigente do Pão e Rosas Brasil)
Dia 20 de Maio em São Paulo!


terça-feira, 29 de abril de 2014

As lições de 1917 na luta pela emancipação das mulheres

LANÇAMENTO MULHER, ESTADO E REVOLUÇÃO

Por Rita Frau, professora e da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta

Artigo publicado no Jornal Palavra Operária, n 104.                                                              
http://www.ler-qi.org/As-licoes-de-1917-na-luta-pela-emancipacao-das-mulheres

Nos dias 19, 20 e 21 de maio, em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente ocorrerão as conferências de lançamento do livro “Mulher, Estado e revolução” com a presença da autora, a historiadora norte-americana Wendy Goldman. A publicação, uma coedição da Boitempo Editorial e Edições ISKRA, conta com prólogo de Diana Assunção.

Nem mesmo as mais avançadas “democracias” capitalistas conseguiram conceder às mulheres de forma simples e rápida direitos elementares como o direito ao aborto ou a possibilidade de se divorciar quando quisesse, de acordo com seus sentimentos. Mas foi com a classe operária chegando ao poder, em uma revolução que desatou com uma greve de mulheres operárias, que foi possível conhecer as medidas mais avançadas no que diz respeito a luta pela nossa emancipação. “Mulher, Estado e revolução” vem a publico mostrar os grandes debates entre os bolcheviques para lidar com o avanço nas medidas de libertação das mulheres e o fato de que só seria possível a emancipação completa das mulheres em uma sociedade efetivamente comunista, onde se impusesse o fim do valor, do dinheiro, da mais-valia e assim de todas as classes sociais. Por isso o estado operário de transição colocou em cena todo o processo de “metamorfose” interna da revolução, como já apontava Leon Trotsky em sua Teoria da Revolução Permanente.
Da socialização das tarefas domésticas para livrar as mulheres deste serviço atrofiante até a necessidade de que as mulheres passassem a dirigir o estado operário, muito se debateu e avançou no processo de libertação das mulheres. Como muitos bolcheviques diziam, todas as leis implementadas no estado operário deveriam, conforme se avançasse para o fim das classes, definhar. As leis eram dialeticamente implementadas também como forma de proteger as mulheres diante das mudanças radicais da sociedade, a contradição entre a forma de organização familiar capitalista – que impunha a dependência financeira das mulheres em relação aos homens – e o ideal do amor livre onde as relações estariam livres dos entraves capitalistas e cada relação seria definida por sentimentos mútuos.
Como Edições ISKRA queremos que esta elaboração seja um aporte para a luta das mulheres no Brasil, mas queremos retomar o debate que já completa mais de um século entre marxistas e feministas sobre qual a estratégia de luta das mulheres. Enquanto o feminismo da igualdade é expressão da integração cada vez mais profunda ao Estado burguês através de ONG´s e grupos feministas ligados ao governo que continuam enaltecendo a possibilidade de emancipação das mulheres no capitalismo, vemos também uma série de “feminismos” que se reivindicam radicais e que voltam a negar as contradições de classe voltando-se exclusivamente para a implementação de medidas individuais contra os homens. Todos estes feminismos são funcionais uns aos outros, algumas vezes com roupagem mais de esquerda, outras vezes mais radical, mas todos nutrem-se de um profundo ceticismo na classe operária – e às vezes ódio de classe – para buscar respostas imediatas a opressão cotidiana que vivem as mulheres.

Este livro é portanto uma ferramenta científica para trabalhadores e trabalhadoras, jovens e estudantes, avançarem em uma compreensão revolucionária da emancipação das mulheres, e também uma ferramenta de combate a todo tipo de ideologia feminista que em sua estratégia terminam negando a única possibilidade de emancipação para as mulheres: a tomada do poder pela classe operária, como fizeram as operárias e operários russos em 1917. Estamos na primeira fileira das demandas mais sentidas das mulheres, sobretudo as trabalhadoras, negras e pobres, e intervimos no movimento real de mulheres existente, mas com estas perspectiva revolucionária porque queremos ser sujeito do fim desta sociedade que nos relega somente miséria e opressão.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

1º de maio - Bloco Classista e Combativo Movimento Nossa Classe


O Movimento Nossa Classe impulsionado por militantes da LER-QI, do grupo de mulheres Pão e Rosas e independentes, e apoiado pela Juventude Às Ruas, chama a construir um Bloco Classista e Combativo neste 1º de maio! Participaremos do ato na Praça da Sé lutando por uma política anti-governista e anti-burocrática, buscando tirar as lições das principais lutas operárias que vimos em nosso país este ano e retomando as demandas de junho. Basta de um 1º de maio rotineiro, organizemos um grande bloco classista e combativo! Venha com o Movimento Nossa Classe! Concentração às 10h no Páteo do Colégio.

Nossa classe viu que não pode esperar mudanças de cima
Está surgindo um novo movimento operário em todo o Brasil

O povo elegeu Lula e Dilma com grande expectativa de mudança. Em anos de crescimento econômico, quem mais ganhou foram os empresários e banqueiros. Foi por isso que milhões saíram às ruas em todo o país em junho de 2013. Os governantes recuaram nos aumentos das passagens, mas já estão aumentando novamente e ignoraram as demandas de serviços públicos de qualidade. Seguimos sofrendo no transporte público, nas filas dos hospitais, com racionamento de água, educação precária e os baixos salários (segundo um órgão do governo, o DIEESE, o salário mínimo deveria ser R$ 2992,19). Enquanto isso, o governo e os capitalistas só se preocupam com a Copa, reprimem o povo pobre e negro nas periferias e morros, os políticos seguem roubando descaradamente e 42% do orçamento público é destinado para grandes banqueiros (através do pagamento da dívida interna e externa). A oposição burguesa, encabeçada pelo PSDB (mas que agora lança também Eduardo Campos do PSB), faz discurso contra o governo, mas não é nenhuma alternativa, ao contrário, são representantes ainda mais diretos dos empresários.
Disseram que o gigante tinha dormido depois que retrocederam as manifestações de junho. Mas o gigante mais forte de todos, a nossa classe trabalhadora, que faz tudo nesse país se mover, é quem está acordando. Quando houve as manifestações de junho de 2013, muitos trabalhadores em todo o país quiseram lutar, mas foram impedidos pelas burocracias sindicais. Centrais sindicais como CUT, UGT, CTB e Força Sindical só querem saber de proteger os seus privilégios e o de seus parceiros nos partidos do governo ou da oposição burguesa.
Mas o número de greves não para de crescer ano a ano, a organização dos trabalhadores pela base avança e surge uma nova militância de trabalhadores em várias categorias, começando a fazer grandes greves e manifestações contra a vontade dos burocratas sindicais, deixando os patrões e os governos de cabelo em pé. O maior exemplo foi os garis do Rio de Janeiro, mas também foi o que ocorreu em greves de garis de vários outros estados e principalmente no ABC paulista. Rodoviários de Porto Alegre também fizeram uma grande luta. Professores do Rio de Janeiro conseguiram no ano passado um apoio popular para sua greve que não ocorria há décadas. Nesse momento, há uma onda de greves no país que há anos não se via. Professores e servidores em vários estados. Garis de várias cidades. Estaleiros de Niterói (RJ). E muitas outras categorias pelo país. O ramo da metalurgia começa a organizar greves e outras medidas de luta como operações tartaruga contra as demissões, o lay-off, as férias coletivas, entre outros ataques. Infelizmente, ainda não como necessitamos para barrar os ataques devido ao controle da burocracia sindical, que seguem nos dividindo e fazem do 1º de maio um dia de festa e não de luta. Sofremos com os mesmos problemas. Se unificamos as lutas teremos muito mais força. 

Propostas do Movimento Nossa Classe para avançar a luta dos trabalhadores em todo o país:

1 – Avançar na organização dos trabalhadores pela base
Não podemos esperar que a luta venha das direções sindicais burocráticas. Precisamos nos organizar pela base em cada local de trabalho. Onde for necessário, como nas fábricas, clandestinamente, evitando a repressão da patronal e os dedo-duro. Temos que ter confiança de que alguns que assumem essa tarefa fazem toda diferença, foi assim que fizeram os garis do RJ, alguns mais ativos começaram, depois suas gerências pararam e a partir de algumas gerências influenciaram toda a categoria. 

2 – Unir as greves e campanhas salariais em uma jornada de paralisações e atos
Nas categorias que estão em greve agora ou em campanha salarial, temos que fazer como os garis, aproveitando a Copa do Mundo (como eles fizeram com o carnaval) para arrancar nossas demandas mais importantes. Tem que ser convocadas grandes assembleias e votar a unificação das campanhas salariais com as greves em curso, exigindo de cada sindicato que lute efetivamente e que convoque encontros regionais dessas categorias, onde tenhamos representantes eleitos pela base, para coordenar as lutas. A partir dessas categorias, e dos sindicatos onde a esquerda dirige, temos força para exigir das centrais sindicais que convoquem uma paralisação nacional (com piquetes, bloqueios de avenidas e rodovias) para arrancar as reivindicações dos patrões e governos. Podemos obrigar a CUT, Força Sindical, UGT e outras a convocar ações como essa se a pressão da base aumenta, que foi o que aconteceu na Argentina (ver artigo nesse jornal).

3 – Lutemos unificados pelas demandas dos trabalhadores e do povo
Sobram motivos para uma luta nacional como essa, além das demandas de cada categoria, seria uma oportunidade para lutar: a) contra a precarização do trabalho e a terceirização, defendendo a efetivação sem necessidade de concurso público ou processo seletivo; b) pelo salário mínimo do DIEESE (R$ 2992,19) e gatilho automático de acordo com o aumento do custo de vida; c) além de re-colocar as demandas que surgiram nas manifestações em junho do ano passado, como a retirada de todos os aumentos das passagens, a melhoria dos serviços públicos e do transporte (que para nós só pode melhorar efetivamente com a estatização sob controle dos trabalhadores e usuários) e a luta contra a repressão; d) punição e confisco dos bens de todos os corruptos e que todos os deputados e funcionários públicos de alto escalão (do executivo, legislativo, juízes, etc) ganhem o mesmo salário que uma professora efetiva.

4 – Lutemos para tirar as burocracias dos sindicatos e recuperá-los para a luta
Todos percebem como a maioria dos dirigentes sindicais não estão do lado do trabalhador. Há aqueles que, em resposta a isso, se desfiliam ou acham que os sindicatos não podem mais servir para a luta. Com as direções de hoje não vão servir mesmo. Mas se avançamos na nossa organização pela base (usando as bancadas eleitas pelos trabalhadores nas CIPAs, delegados sindicais e todos os espaços que pudermos), podemos e devemos tirar esses burocratas dos sindicatos e coloca-los a serviço da luta.

Quando: 01/05/2014 (quinta-feira)
Horário: 10h
Onde: Largo Páteo do Colégio.

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domingo, 13 de abril de 2014

Nota de repúdio ao ataque racista e machista ocorrido na UNESP de Presidente Prudente!


O Grupo Pão e Rosas, vem através desta nota repudiar o ocorrido com a militante Thaís Telles, na UNESP – Universidade Estadual Paulista – campus de Presidente Prudente, como também manifestar nossa solidariedade à companheira.



Nas paredes do banheiro feminino de alunas da Geografia havia escrito: THAIS TELLES, PRETA, MACACA, SAFADA”. Estes escritos racistas e elitistas tem como objetivo amedrontar e calar dois setores historicamente oprimidos: as mulheres; e o povo negro! Além disso, o conteúdo possui um viés extremamente machista, que se faz necessário para manter as bases de toda opressão. Quando nos deparamos com frases como essas – ainda mais no interior de uma das faculdades mais elitistas do país – é notório a reprodução de toda uma ideologia dominante, assim como também legitima o projeto de universidade em vigor, que se mostra excludente desde sua entrada, que através do filtro social do vestibular seleciona quem adentrará à universidade, colocando a classe trabalhadora, majoritariamente negra, as margens desse projeto de educação. Ainda sim, quando conseguem adentrar às Universidades, não estão isentos de praticas machistas, racistas e também homofóbicas, não sendo raro caso de agressões como esta.



Frente a casos como estes, se faz necessário travarmos discussões políticas com toda a comunidade acadêmica, sobretudo discussões que abarquem o conteúdo histórico dos setores tidos como oprimidos socialmente, como é o caso das inúmeras práticas machistas, racistas e homofóbicas no interior das universidades, que muitas vezes são silenciadas ou tratadas como atos banais, naturalizando assim essas questões.



Em nota, a companheira Thaís coloca a questão e nos mostra sua garra e coragem, saindo do silênciamento muitas vezes imposto à nós mulheres, tornando público o ataque dirigido à ela, dizendo às pessoas que ousam romper com o silêncio diante de uma sociedade assassina e cruel, que não tenham medo, que sigam em frente!



Esse ser anônimo, covarde, RACISTA e asqueroso expôs aquilo que é o sentimento de muitos dentro desta universidade. Essa é apenas uma amostra grátis do que é sociedade brasileira, RACISTA.
Proferiu meu nome, com o intuito de me abalar, humilhar e subjugar a minha ancestralidade NEGRA.
Proferiu os dizeres “PRETAS”, querendo endossar a sua ofensa inescrupulosa.
Continuou com “MACACA” , é assim que meus irmãos de cor são chamados desde de que estes foram colocados na condição de ESCRAVOS em favorecimento de uma lógica perversa que persiste até os dias de hoje; nos Ônibus, mercados, hospitais, campo de futebol , áreas dos Shopping center e nas Universidade Brasileiras.
Sim, são nesses espaços e em muitos outros que cotidianamente somos ofendidos e humilhados. Não quero que você leitor sinta pena, NÃO muito obrigada, não preciso dela.
Eu e todas essas pessoas que são VITIMAS DE RACISMO DIARIAMENTE, precisamos que você entenda essa luta como sua também, e que de uma vez por todas, encarre o fato de que o RACISMO EXISTE NO BRASIL SIM, lembre-se que aceitar é o primeiro passo para exigir a transformação
Ainda os insultos não pararam por ai... me chamou de “SAFADA”. Tenho certeza que este veio do seu mais intimo e repugnante machismos.
Enquanto as pessoas olharem nós mulheres que se colocam como dona de seus corpos, dos seus desejos e autônoma de todo e qualquer mando e desmando de uma lógica que padroniza e coisifica as mulheres; essas serão comumente chamadas de SAFADAS, isso é mais uma prova da necessidade que esses vermes tem de nós subjugar...
Infelizmente acho que o racismo no Brasil se manifesta da pior maneira possível: sempre atrás de alguma coisa; das portas de banheiros, nas carteiras de sala de aula, nas piadas do cotidiano. Afetando constantemente aqueles que ainda não conseguiram se colocar diante deste desafio que é encarar o “racismo á brasileira” de fato.

Pois sim senhor (a) RACISTA.

Eu vos encaro; e sei que te incomodo, mas foi justamente para isso que eu vim . Para tirar todos nós PRETOS e PRETAS da INVISIBILIDADE da INSEGURANÇA e do Medo de se assumirem enquanto PRETOS E PRETAS e ainda lutar para que nossos irmãos não se deparem com essa ‘ TRADIÇÃO’ NOJENTA que nosso país ainda carrega e que o Estado brasileiro legitima.”


Nós do Grupo Pão e Rosas Marília, queremos manifestar toda solidariedade à camarada e dizer que nos colocamos abertas ao debate para pensar ações conjuntas de como elaborar práticas que dialoguem com esses ataques que sofremos diariamente, seja fruto de racismo, machismo ou homofobia. Assim como lutaremos pelo fim desse projeto de universidade elitista, que não se mostra à serviço de todxs, que exclui e que também mantém seu caráter racista.



POR UMA SOCIEDADE LIVRE DE RACISMO PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO! FORA MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA DAS UNIVERSIDADES E SOCIEDADE!


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dinizete Xavier fala sobre a campanha dos alfinetes do MML no metrô de SP


Dinizete Xavier, trabalhadora da USP, da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta e do grupo de mulheres Pão e Rosas


Quero dialogar com algumas dessas companheiras mulheres militantes do MML que entregaram o alfinete como símbolo de defesa das mulheres que sofrem assedio sexual nos meios de transporte como a encoxada. Pode ter sido uma ação imediata e desesperadora diante da situação gritante que está acontecendo diariamente, porém sabemos que um simples alfinete não vai barrar um tarado, não vai coibir a ação do sujeito. Concordo que as mulheres precisam se organizar e combater juntas o assédio sexual nos meios de transporte, mas não podemos deixar de cobrar e exigir que os governos melhorem os transportes de forma que todas e todos usuários possam ir sentados (as). Que obriguem a burguesia distribuir os horários de entrada do trabalho em vários e não todos de uma só vez. Que reduzam a jornada sem redução do salário repartindo as horas em dois turnos, que prendam exemplarmente o estuprador e se não for feito que as mulheres organizadas possam se defender e revidar da melhor forma possível sem serem penalizadas entre outras medidas governamentais. Também faço parte do Movimento Mulheres em Luta e não colocaria como símbolo de defesa jamais um alfinete.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pão e Rosas RJ apóia a chapa 1 "Por todxs xs Amarildxs" para o CASS (Serviço Social)/ UERJ

Estudante, Mulher, trabalhadora e Negra: 
Por que votar na chapa “Por todxs xs Amarildxs”?

Vivemos numa sociedade capitalista e o machismo é um dos seus pilares para exploração e opressão da classe trabalhadora e na universidade não é diferente, todo ano na UERJ e nas universidades acontecem os trotes machistas, isso é o que sofremos nos primeiros dias de aulas, nem as reitorias e nem os governos fazem nada para impedir que esses casos aconteçam depois muitas de nós somos submetidas a duplas, triplas e às vezes quadruplas jornadas de trabalho, temos que cuidar da casa, dos filhos, trabalhar e estudar, aqui não tem creche, para poder estudar sem ter que se preocupar com os filhos sozinhos em casa, não têm matérias na faculdade que resgate o papel histórico que as mulheres, xs negxs cumpriram. Saímos do trabalho e pegamos transporte lotado nos submetendo ao assedio sexual, não nos sobra tempo para participar nem da vida politica, nem do movimento estudantil. E o que a chapa tem haver com isso? Uma entidade estudantil deve ser o espaço dos setores mais relegados a lutar para que xs trabalhadorxs, xs negrxs e homossexuais possam também viver dessa vida universitária e ser parte dela.
Nós que militamos no grupo de mulheres Pão e Rosas fazemos parte da chapa “Por todxs xs Amarildoxs” para combater ao lado dxs estudantes e trabalhadoras a opressão que enfrentam cotidianamente dentro e fora da universidade, como os trotes opressores, defender as mulheres terceirizadas da universidade, que seus trabalhos sejam valorizados com a efetivação de todas sem concurso, para ter melhores condições de vida, ressaltando a importância de combatermos todas as formas de opressão, pois a opressão não tem fim enquanto ainda tivermos mulheres deixando a vida em trabalhos subvalorizados, sendo invisíveis para a ampla maioria dentro da Universidade! Para impulsionar debates e campanhas junto com xs estudantes sobre as mulheres, negrxs e homossexuais. E a luta por uma gestão proporcional, para que todas as posições eleitas pelos estudantes sejam expressas democraticamente na gestão e a partir desse espaço também nos ligarmos xs trabalhadorxs de dentro e fora da universidade e a toda ampla juventude que não furou o filtro de classe do vestibular. É ao lado desses setores, essas mulheres, que o Pão e Rosas chama todas as estudantes a VOTAR NA CHAPA 1 Por todxs xs Amarildxs!

Visite o facebook e conheça o programa da chapa: https://www.facebook.com/porumcassdeluta?fref=ts




terça-feira, 8 de abril de 2014

Basta de assédio e violência contra as Mulheres no transporte público!


As usuárias do metrô, após pagarem R$3,00 por um transporte público, extremamente lotado e insuficiente para toda a população (que além do metrô tem que fazer uso de ônibus e/ou lotações), diariamente, sofrem com abusos sexuais dentro do metrô. Neste ano já temos 16 casos, isso contando os que se tornaram públicos, pois sabemos que a grande maioria passam desapercebidos, pois grande parte das mulheres não denuncia com receio de serem desacreditadas ou humilhadas, como acontece muitas vezes nas delegacias, mesmo as especiais para mulheres. Prova disso é que nos últimos casos que ocorreram tivemos apenas um assediador preso, mas outros dois que foram pegos foram soltos em seguida.

O sucateamento do transporte é um problema de toda a população. Enquanto o Governador e seu partido se aliam a esquemas de corrupções, terceirização e privatização, os trabalhadores e a juventude pagam muito caro por um serviço que diariamente dá problemas, superlotado, com falta de funcionários. Não por acaso a demanda de junho que sacudiu o Brasil esteve atrelada aos transportes. É muito nítido para toda a população o quanto somos desrespeitados e humilhados diariamente ao nos locomovermos pelas cidades. E isso não se dá somente no Metrô de São Paulo, mas também sob o governo do PT de Haddad e de Dilma, que tem o mesmo projeto de precarização e sucateamento dos transportes, como podemos notar pela superlotação dos ônibus, que também tem muitos casos de abuso.

Porém, se toda a população sofre com os transportes, são as mulheres trabalhadoras que sofrem ainda mais. A grande maioria recebe menos que os homens pelo mesmo trabalho e, depois de seu turno ainda chega em casa e tem que trabalhar, sem remuneração, cuidando dos filhos, limpando, cozinhando etc. Chegam tarde do trabalho, devido à distância de suas casas, pois a grande maioria, aquelas que moram na periferia, gastam cerca de 5h só para se locomoverem! Além do mais, somos nós o alvo dos assediadores sexuais, da gozação da Globo – em acreditar que é um agrado ser assediada no trem, como demonstrou no seu quadro de “humor”, no programa Zorra Total – e da violência psicológica e sexual dentro dos transportes. E os governos e as empresas não dão nenhum treinamento ou suporte para capacitar os funcionários dos transportes a lidar com mulheres que são violentadas ou assediadas. Pelo contrário, faltam funcionários e os poucos que tem ficam sobrecarregados e não tem treinamento para isso. E o Governo do Estado tem a cara de pau de soltar uma propaganda onde diz que a "superlotação é boa para xavecar a mulherada"!! Uma barbaridade! Não podemos aceitar isso! A Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários deve elaborar, junto às metroviárias e usuárias, uma ampla campanha com fotos, cartazes, vídeos e painéis, além de um anúncio específico contra o assédio nos transportes. Que o Metrô disponibilize espaço na TV Minuto e nos painéis publicitários para esta campanha e que autorize os operadores de trem e funcionários das estações a emitir o anúncio.

Frente a essa situação de calamidade, as mulheres do PSTU, que compõe a Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários e o setor majoritário do MML (que nós do Pão e Rosas também compomos como setor minoritário), defendem a implantação dos chamados “vagões rosa”, vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico. Por outro lado, a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) se posiciona de forma hipócrita e demagógica contrária a essa política do vagão exclusivo. A MMM defende os governos federal de Dilma e municipal de Haddad em São Paulo, que mantém a situação de calamidade, superlotação, privatização e falta de investimento nos transportes, além de não ter uma política efetiva para combater a violência e o assédio às mulheres.

É necessário discutir entre as usuárias se consideram que essa medida, claramente paliativa, traria alguma solução para esta situação. Nós alertamos que seria uma medida que segrega a mulher, naturalizando a situação de assédio e o “instinto sexual masculino” como uma coisa normal e incontrolável, como se fosse impossível colocar homens e mulheres num mesmo ambiente sem que se corra o risco de algum tipo deassédio. Além disso, 58% dos usuários hoje são mulheres e não caberiam todas num só vagão do trem! Ou seja, as mulheres que não conseguissem entrar no vagão exclusivo e fossem obrigadas a embarcar no vagão junto com homens seriam ainda mais oprimidas!
Para além dessa questão prática, não é responsabilidade individual de cada mulher sofrer abusos sexuais. A principal causa disso é a superlotação do trem, o sucateamento dos transportes, nossa sociedade doente e violenta que prega o machismo deliberadamente e de forma naturalizada, com uma mídia que propaga todo tipo de violência aos setores mais oprimidos da nossa sociedade. As mulheres tem o direito de andar em todos os locais, com qualquer roupa, sem serem assediadas! Digamos não! Devemos lutar por comissões de metroviárias e usuárias a partir da Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários para apurar os casos de assédio e exigir punição dos agressores. As mulheres trabalhadoras efetivas e terceirizadas violentadas ou assediadas devem ter direito à licenças remuneradas no trabalho, com tratamento físico e psicológico pago integralmente pelo governo e pela direção da empresa de transporte onde ocorreu o abuso! Devemos construir reuniões por local de trabalho (estação) aberta aos usuários e usuárias para discutir a questão da violência com todos os trabalhadores e com a população!

Além disso, o único jeito de darmos uma saída a essa violência é se juntando com as demandas que se abriram em junho pela melhoria dos transportes, expansão do sistema metroferroviário, construção de linhas paralelas, aumento da oferta de trens, tudo isso com tarifa reduzida! Nós do Pão e Rosas defendemos que isso só será possível com a estatização dos transportes públicos, com controle dos trabalhadores em aliança com a população, únicos interessados num transporte de qualidade! Nós mulheres devemos estar na linha de frente dessa demanda se queremos acabar com essa situação de assédio e violência!