sexta-feira, 7 de maio de 2010

Nota à imprensa dos estudantes da Fundação Santo André e Diretório Acadêmico Honestino Guimarães: Contra a repressão!

Publicamos abaixo nota à imprensa do Diretório Acadêmico Honestido Guimarães da Fundação Santo André (FSA) e cartaz de divulgação da festa contra a repressão da reitoria aos estudantes, por um bandejão na FSA e pela efetivação de todas as funcionárias da atual cantina. NOTA À IMPRENSA

O Diretório Acadêmico Honestino Guimarães, entidade dos estudantes da FAFIL do Centro Universitário Fundação Santo André vem através desta comunicar sobre os recentes acontecimentos ocorridos no CUFSA.

Desde sexta-feira, 30 de abril, os estudantes mantêm a cantina da FAFIL fechada exigindo que os salários das funcionárias sejam pagos, já que várias delas não recebem desde fevereiro. Além disso, os estudantes decidiram em assembleia realizada na mesma data reivindicar à Reitoria a implantação de um bandejão com preços acessíveis e com a efetivação das atuais funcionárias da cantina.

Os estudantes não admitem seguir se alimentando numa cantina em que as funcionárias são assediadas e ameaçadas cotidianamente. Enquanto seus salários não são pagos, os estudantes pagam preços absurdos por uma simples refeição.

Não podemos aceitar que a reitoria feche os olhos para o trabalho semi escravo dentro da instituição. Por isso, solicitamos uma reunião com a Reitoria, que foi formalmente negada pela mesma, sob o argumento de que não há nada a ser discutido sobre o tema.

Ontem, cinco funcionárias foram "dispensadas" pela dona da cantina. Entendemos tal medida como uma perseguição inaceitável às trabalhadoras. Não aceitamos nenhuma demissão.

Hoje, 07 de maio, realizar-se-á uma grande festa no Pátio da FAFIL reivindicando a implantação do bandejão e a efetivação das funcionárias. Além disso, os estudantes protestam contra as normas de conduta anunciadas pela Reitoria que cerceiam o direito de organização e expressão dos estudantes dentro do câmpus.

Festa contra a repressão da reitoria aos estudantes. Por um bandejão na FSA! Pela efetivação de todas as funcionárias da atual cantina!, com bandas Republic Bub, Avante!, 88 não! e Garotos Podres. No dia 07 de maio, sexta-feira, a partir das 23 horas, no Prédio da FAFIL

Santo André, 07 de maio de 2010.

Diretório Acadêmico Honestino Guimarães

HOJE, 7/5: ATO em defesa do direito de greve dos trabalhadores da USP! Às 17h30 da Gazeta ao MASP (Av. Paulista).

Rodas, o REItor da USP escolhido a dedo por Serra mostra mais uma vez a que vem seu "diálogo": logo no primeiro dia de greve dos trabalhadores da universidade a REI toria declarou que irá multar o Sintusp em R$1000 por cada dia de piquete e que cortará do salário os dias de greve dos trabalhadores. Depois do bombardeio da polícia na USP, a demissão inconstitucional ao dirigente sindical Claudionor Brandão, processos a estudantes e trabalhadores na universidade, denúncias de que a Guarda Universitária espancou uma moradora do Crusp, agora a mais nova medida do REI tor é impedir o livre direito de organização política e sindical na universidade não respeitando o direito democrático de organização das greves na universidade.

Frente a tal medida absolutamente repressiva de impedimento de livre manifestação e organização sindical na USP, convidamos os estudantes e professores a manifestarem- se contra a restrição ao direito de greve dos trabalhadores da USP. Chamamos todos os centros acadêmicos, DCEs, estudantes e professores a convocarem e somarem-se a este ato.

Não aceitaremos mais a restrição da liberdade de organização política e sindical na universidade! Todo apoio à greve de trabalhadores da USP!

Movimento A Plenos Pulmões; Grupo de Mulheres Pão e Rosas; Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pão e Rosas na MÍDIA: Na greve na USP estudantes do Pão e Rosas em apoio aos trabalhadores e trabalhadoras!

Publicamos abaixo trechos de duas matérias em que estudantes da USP integrantes do Pão e Rosas são entrevistadas e expressam seu apoio à greve da(o)s trabalhadora(e)s da USP!

Na entrada da faculdade, alguns alunos apoiavam o movimento. A estudante de Letras Luciana Machado juntou-se aos trabalhadores. "A gente acha que o reitor [João Grandino Rodas] está tomando atitudes antidemocráticas, como tentar cercear o direito fundamental de se organizar", diz ela. (Estadão, 06/05)

Para Paula, estudante de Ciência Sociais, as reivindicações do Sintusp são válidas. “As bandeiras levantadas pelos funcionários são justas. Eles buscam uma universidade mais democrática e eu concordo com isso”. (Ig, 06/05)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pão e Rosas no 1º de maio: marchamos sem patrões, sem governos nem a Igreja e seus padres pedófilos!

Em breve mais fotos e textos sobre nossa intervenção nesse Dia Internacional do/a Trabalhador/a.

CASO DA FARMÁCIA USP: Na universidade do “diálogo”, a homofobia corre solta... BASTA!

No último dia 23, o jornal “O Parasita”, impulsionado por um grupo de estudantes da Farmácia da USP, demonstrou que, ao contrário do que muitos pensam, a universidade não está isenta de episódios e demonstrações inaceitáveis de machismo e homofobia. Um texto de sua última publicação dizia: “(...) O Parasita lança um desafio, jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010.”

Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas e do Movimento A Plenos Pulmões, repudiamos veementemente a posição homofóbica expressa neste jornal e exigimos a imediata identificação e punição dos responsáveis por essa absurda incitação de violência contra os homossexuais. Sabemos que as universidades cotidianamente reproduzem a violência e discriminação contra os setores mais oprimidos de nossa sociedade – os homossexuais, as mulheres e os negros. A violência todos os dias se materializa em mortes e torturas a homossexuais, e no ano passado ganhou destaque na mídia com o assassinato – contando com a conivência da polícia – de Marcelo Campos, um jovem trabalhador, negro e homossexual. Também estamos num momento em que o Vaticano incentiva a violência contra os homossexuais, quando declara que os casos de pedofilia que estão tentando esconder estão diretamente ligados com a homossexualidade.

Toda esta violência se reproduz dentro da USP não só na declaração d´O Parasita, mas também na truculência, perseguição e no preconceito da Guarda Universitária, que sistematicamente aborda e assedia moralmente casais homossexuais dentro da universidade. Nesse sentido, não podemos deixar de lembrar que no dia 18 de abril duas estudantes do Crusp foram agredidas por essa mesma Guarda Universitária, comandada pelo policial civil Ronaldo Penna por conta de uma confraternização que acontecia na moradia! É importante ressaltar que o reitor Rodas se pronunciou em relação à ocupação da Coseas, armando um cerco para poder reprimir esses estudantes (com mais contundência do que esse episódio com a Guarda), mas não se posicionou para rechaçar o ato de homofobia dos alunos da Farmácia e nem muito menos tomou medidas de punição, mostrando total conivência. A violência e a opressão ganham cada vez mais espaço dentro da Universidade de São Paulo, chegando ao absurdo desses dois casos. Mas se expressam também nos inúmeros cartazes machistas e homofóbicos de festas espalhados pelos campus! Se expressam todos os dias quando centenas de trabalhadores terceirizados, na sua maioria mulheres e negras, trabalham na USP ganhando um salário de miséria e sem seus direitos garantidos! Na superexploração das trabalhadoras e trabalhadores dos restaurantes da COSEAS! Na autarquização do Hospital Universitário, que aprofundará ainda mais a precarização no atendimento a todas as comunidades pobres do entorno USP, como a São Remo!

A tudo isso nós dizemos: BASTA! É fundamental que o movimento estudantil de conjunto e suas entidades, como o DCE, os CAs e as Atléticas levantem as bandeiras de luta dos negros, das mulheres e dos GLBTT, contribuindo para uma organização independente da Reitoria, dos governos e dos patrões, porque somente a nossa mobilização independente pode arrancar nossos direitos e lutar contra a violência!

PELA IDENTIFICAÇÃO E PUNIÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELA PUBLICAÇÃO HOMOFÓBICA DO JORNAL “PARASITA”!


BASTA DE VIOLÊNCIA, MACHISMO E HOMOFOBIA NAS UNIVERSIDADES! ABAIXO A GUARDA UNIVERSITÁRIA MACHISTA E HOMOBÓFICA DA USP! FORA RONALDO PENNA! POR UMA COMISSÃO INDEPENDENTE DE INVESTIGAÇÃO, FORMADA POR ESTUDANTES, TRABALHADORES E PROFESSORES PARA AVERIGUAR O CASO DA FARMÁCIA!


ABAIXO A VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA A JUVENTUDE NEGRA E HOMOSSEXUAL!


BASTA DE DISCRIMINAÇÃO E VIOLÊNCIA CONTRA GAYS, LÉSBICAS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS! PELO DIREITO AO LIVRE EXERCÍCIO DE NOSSA SEXUALIDADE!


NÃO AO ASSÉDIO MORAL AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS HOMOSSEXUAIS NOS LOCAIS DE TRABALHO! IGUAL TRABALHO, IGUAL SALÁRIO!


PELA REVOGAÇÃO DO ACORDO BRASIL E VATICANO! BASTA DE PERSEGUIÇÃO DA IGREJA E DO VATICANO AOS HOMOSSEXUAIS!

Todos ao ato do dia 04/05, às 18h no gramado da Farmácia contra a homofobia na universidade!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nesse 1º de maio: venha marchar com o Pão e Rosas!

EM DEFESA DAS MULHERES E DA CLASSE TRABALHADORA!
Sem patrões, sem governos e nem bispos e padres pedófilos!








Nesse Dia Internacional do/a Trabalhador/a não podemos nos calar diante das festas e shows organizados pelas centrais sindicais atreladas ao governo como a CUT e a CTB, nem muito menos da Força Sindical. Essas centrais são as que cotidianamente atravancam a lutas da classe trabalhadora para conquistar seus direitos mínimos, pois estão atreladas aos patrões e aos governos que lhes servem. Além disso, nesse ano essas festas servirão como palanque político para a campanha eleitoral de Dilma Roussef do PT, e não para marcar uma trajetória histórica de luta da classe trabalhadora. Exemplo disso foi, a recente greve da(o)s professora(o)s da rede estadual, aonde apoiamos e atuamos, freada pela direção do sindicato ligada à CUT (Articulação-PT) e contendo a auto-organziação e combatividade da(o)s professora(e)s.

Enquanto setores do governo e seus opositores organizam essas festas que fogem do verdadeiro sentido desta data que é o protagonismo da classe trabalhadora, em greves, piquetes, e grandes lutas em defesa de seus direitos, os bispos e padres pedófilos seguem impunes, e as mulheres condenadas à morte diante da clandestinidade do aborto. Enquanto a Igreja, e seus padres e bispos, seguem imersos e impunes numa crise internacional diante das denúncias de abusos e pedofilia, nós mulheres seguimos condenadas à morte e perseguidas. E lamentavelmente partidos da esquerda realizam um ato na Praça da Sé junto da Igreja, precedido por uma missa! Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, não concordamos em marchar junto da Igreja, ainda por cima sem nenhuma denúncia do papel que essa instituição cumpre, pressionando através de seus parlamentares e acordos com o governo Lula, defendendo a criminalização do aborto, perseguindo mulheres. A criminalização do aborto leva milhares de mulheres à morte todos os anos, sem falar das seqüelas quando não morrem. Além disso, devemos dizer que para a luta das mulheres essa situação que observamos é uma volta na roda da história, visto que a luta pelo direito ao aborto é uma demanda histórica das mulheres e que a classe trabalhadora deve levantar em suas mãos, e não simplesmente deixar de lado por acordos que as direções sindicais e os partidos fazem com setores da Igreja. Como o acordo de Lula com o Vaticano, que permite o ensino religioso nas escolas públicas, e que seguirá perpetuando a reprodução da opressão contra as mulheres nas escolas, enquanto a falta de educação sexual em todos os níveis, contribuem para que milhares de adolescentes continuem sendo vítimas de gravidez precoces e abortos clandestinos. Basta! Chamamos às mulheres trabalhadoras e estudantes, às mulheres dos partidos da esquerda anti-governista a não deixar de lado essa nossa luta pela legalização do aborto, levantando alto nesse 1º de Maio: Educação sexual em todos os níveis da escolas públicas e privadas! Legalização do aborto já! Pela anulação do Acordo Brasil-Vaticano assinado por Lula! Punição a todos padres e bispos pedófilos!

O governo Lula destinou apenas R$ 200 milhões para as enchentes, mas deu nas mãos dos bancos e empresas R$ 300 BILHÕES frente à crise econômica no ano passado. Isso mostra uma vez mais que, apesar de toda a sua popularidade, Lula governa em benefício dos capitalistas. Toda a sua demagogia com o projeto "Minha casa, minha vida" não significou nada para os moradores que hoje estão desabrigados. Em vários lugares do país como Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina, a população segue sofrendo com as conseqüências das enchentes, que mostram o descaso dos governos de maneira mais escancarada a cada dia. Saímos nesse 1o de maio para gritar pelos moradores atingidos por estas tragédias que são sociais, por isso defendemos uma campanha de solidariedade operária e popular, lutando pelo fim da repressão aos moradores dos morros, favelas e periferias, por um plano de obras públicas que garanta moradia digna, escolas e hospitais.

Sob o governo Lula, o número de empregos cresceu, mas pouco se fala quais as condições desses empregos. A precarização avançou enormemente, garantindo maiores lucros para os capitalistas. Infelizmente, inclusive a maioria dos sindicatos e da esquerda naturaliza esse processo de precarização do trabalho, deixando de lado as/os trabalhadoras/es terceirizados, os sem carteira assinada, os informais e temporários. Nós do Pão e Rosas saímos às ruas uma vez mais pela unidade das fileiras operárias, pois não somente o machismo divide a nossa classe, mas também a precarização do trabalho. Por isso te chamamos a gritar: "A terceirização escraviza, humilha e divide". Pela efetivação de todos/as terceirizados/as com salários e direitos iguais!

Também por isso que estamos ao lado das trabalhadoras e trabalhadores da USP que estão lutando não somente pelo seu salário, mas também pela efetivação dos terceirizados, contra as péssimas condições de trabalho nos restaurantes da COSEAS, contra o assédio moral às inspetoras da Escola de Aplicação, contra a violências às estudantes do CRUSP e contra a homofobia na universidade, pela reintegração de Brandão e contra os processos a estudantes, trabalhadores e militantes sindicais! E, principalmente, por uma universidade a serviço da maioria da população! Todo apoio à greve dos trabalhadores e trabalhadoras da USP!

Nesse 1o de maio, as lutas concretas da classe trabalhadora precisam se expressar, se fortalecer e se coordenar. As trabalhadoras e os trabalhadores da USP realizaram nessa semana uma paralisação e entrarão em greve na semana que vem como parte de sua campanha salarial, lutando também contra a repressão aos lutadores e pela readmissão de Brandão. Na Fundação Santo André, inicia-se uma luta pelo pagamento dos salários das funcionárias da cantina, que estão sem receber desde fevereiro, além de submetidas a assedio moral permanente. São trabalhadoras ocupando postos precarizados dentro de um Centro Universitário que tem uma reitoria (Cacalano) que se diz democrática. Nós do Pão e Rosas nos colocamos ao lado das trabalhadoras, assim como estivemos na greve de professores de SP, lutando contra a precarização do trabalho e pela unidade das fileiras operárias.

É também o mesmo governo Lula que envia tropas para o Haiti há quase seis anos, comandando a missão de “paz” da ONU (MINUSTAH) que significa para o povo haitiano assassinatos, repressão e estupros. Por isso, nós do Pão e Rosas, seguimos nesse 1º de maio com a campanha Somos as negras do Haiti e exigimos a imediata retirada das tropas brasileiras, dos EUA e da ONU, em defesa de que o povo negro haitiano possa determinar o seu destino!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fundação Santo André: funcionárias da cantina desde fevereiro sem salário

Por Pão e Rosas ABC

Vivemos em tempos sombrios...

Na Fundação Santo André a precarização mostra mais uma vez o rosto das mulheres. As trabalhadoras da cantina estão sem receber desde fevereiro, trabalhando sob pressão e humilhação por parte do patrão e ainda de graça. E por serem terceirizadas, se fizerem alguma coisa, podem ainda ser mandadas embora sem direito algum, fora as condições de trabalho que não são nada boas.

Uma dessas trabalhadoras foi ao sindicato denunciar o abuso e o sindicato mais uma vez mostrando sua cara de como não está do lado dos trabalhadores a denunciou aos patrões e foi mandada embora. A Universidade fecha os olhos e não enxerga trabalhadores nesta condição dentro do campus. Temos que denunciar essa reitoria, que diante disso se faz cega e denunciar esses patrões que só agora com a pressão dos estudantes disseram que vão pegar um empréstimo para pagar as funcionárias.

Nós, como coletivo de mulheres, nos colocamos ao lado destas e de outras trabalhadoras que todos os dias sofrem os abusos da patronal. Temos que denunciar toda forma de abuso contra as mulheres e a classe trabalhadora.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Chuvas, enchentes, deslizamentos... Para os capitalistas: bilhões. Para as mulheres, a classe trabalhadora e o povo: mortes, miséria e dor. BASTA!

Por Babi Dellatorre
(integrante do Diretório Acadêmico da Unesp - Rio Claro)
e Clarissa Menezes (estudante da UFRJ)

Após a tragédia social vivida pelo Rio de Janeiro neste último mês, Salvador (BA) é atingida por intensa chuva que durou cerca de 7h ininterruptas. A causa é a mesma frente fria que passou pelo Rio. A previsão que esta frente seguiria em direção ao nordeste foi realizada uma semana antes do início das enchentes em Salvador. Além da tecnologia para fazer esta previsão, o conhecimento de que as fortes chuvas têm caracterizado este período (ano passado foram mais de 300 mil pessoas entre desabrigados e desalojados no nordeste devido a enchentes) poderiam ter antecipado as ações do governo para evitar as mortes. Contudo, não é isso que observamos.

Os governos de distintos países já mostraram sua verdadeira política para a classe trabalhadora e o povo pobre: foi assim nos EUA quando o furacão Katrina abalou New Orleans e o governo lá deixou a população pobre e negra; foi assim neste ano no Chile quando Michele Bachelet colocou 14 mil tropas nas ruas após o terremoto para reprimir a população que sedenta e faminta saqueava os lucrativos supermercados; foi assim no Haiti, após o terremoto, com os EUA enviando milhares de soldados e intensificando a repressão e opressão do povo haitiano que vive há quase 6 anos sob o jugo da invasão militar das tropas de “paz” da ONU comandadas pelas tropas do Brasil; e assim tem sido também em nosso país.
Só nestes 4 primeiros meses de 2010 assistimos ao descaso da prefeitura de São Paulo em socorrer a população atingida com as enchentes; a demora da defesa civil em chegar aos morros cariocas, o cinismo de Eduardo Paes/PMDB, Sérgio Cabral/PMDB e Lula/PT em culpar a população por viver nas áreas de risco, a falta de medidas rápidas e efetivas para atender as famílias desabrigadas. No Haiti, vimos a assombrosa combinação de um terremoto com a miséria do país mais pobre do continente deixando mais de 300 mil mortos e uma população submetida ao imperialismo fardado que assegura a ‘paz armada’ sob o comando, há quase seis anos, das tropas brasileiras enviadas por Lula .

O que há por trás destas catástrofes, que de naturais nada têm, são as políticas públicas dos governos capitalistas diante da pobreza. Políticas racistas e segregacionistas que constroem mais pobreza e miséria, que condenam o povo a viver sobre lixões e morros arriscando suas vidas enquanto o presidente ex-operário e o governador Sérgio Cabral investem o dinheiro da classe trabalhadora com repressão como por exemplo as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), na construção de muros ao redor das favelas e nas grandiosas obras do PAC com o objetivo de esconder as desigualdades e embelezar o Rio de Janeiro para a Copa e as Olimpíadas. Isso evidencia que o verdadeiro papel dos governos é mediar e defender os lucros dos patrões e dos burgueses, salvando os grandes empresários e banqueiros em momentos de crise, como vimos em 2008 e 2009, enquanto mantêm a pobreza criada pelo próprio sistema capitalista para garantir a mão-de-obra barata necessária ao enriquecimento e poucos[1].

Aconteceu, na semana passada, o 9º Fórum de Empresários, que inclui o Fórum de Prefeitos de capitais e o 3º Fórum de Governadores, organizado pelos grandes lideres empresariais para discutir sustentabilidade ambiental. E o que os trabalhadores e o povo podem esperar deste encontro? Mais miséria, repressão e muita hipocrisia com o discurso de sustentabilidade. Yeda Crusius (PSDB), governadora do RS, reprime e criminaliza movimentos sociais além de estar envolvida em escândalos de corrupção. Os prefeitos Gilberto Kassab, São Paulo, e Eduardo Paes, Rio de Janeiro, já mostraram sua política nefasta que mantém a população no abandono e imersas em repressão policial. O fato é que apenas 11% das pessoas expostas às intempéries da natureza vivem em países pobres, mas 53% das mortes decorrentes dessas catástrofes ocorrem justamente nos países pobres[2]. Estes dados mostram a hipocrisia da preocupação dos governos e empresários com a sustentabilidade ambiental, pois tínhamos a tecnologia para evitar as mortes e desabrigados no Rio de Janeiro, na Bahia, em Sergipe, em São Paulo, Santa Catarina, mas a tecnologia não está a serviço de atender as necessidades da população, mas aos lucros.

Nós, mulheres, e o conjunto da classe trabalhadora e o povo, não podemos esperar que a solução venha dos governos e dos empresários. É preciso construir com nossas próprias mãos através de uma forte campanha de solidariedade levantada por sindicatos, pelo movimento estudantil nas escolas e universidades, pelas organizações populares e de moradores, de direitos humanos e feministas.

Além disso, não podemos permitir que os governos reprimam e removam a população dos lugares em que moram de maneira precária por falta de uma estrutura urbana adequada a suas necessidades para colocar a classe trabalhadora e o povo pobre longe “das vistas” e dos grandes centros. Por isso é preciso lutar por um plano de obras públicas controlado pelas organizações operárias e populares que são quem realmente sabem quais as suas próprias necessidades. E, para colocá-lo em prática, é necessário traçar um plano de luta para impor aos governos e grandes empresários que se colocarão contra a organização da classe trabalhadora e do povo para solucionar suas necessidades em detrimento do lucro. Diante da repressão que os governos nos submetem quando sofremos com as catástrofes “naturais” e quando nos mobilizamos, é preciso unificar nossa luta, pois a mesma polícia que reprime os professores e professoras que lutam pelos seus direitos, reprime também o movimento estudantil, o movimento operário quando fazem greve, reprime e assassina a juventude nas periferias e morros de São Paulo, do Rio de Janeiro, da Bahia. Te chamamos a marchar junto do grupo de mulheres Pão e Rosas nesse 1º de Maio e junt@s gritar:

Em São Paulo, na Bahia, no Rio: Abaixo a repressão policial!

Fora as UPPs dos morros cariocas!

Organizar uma campanha de solidariedade operária e popular aos atingidos pelas chuvas e enchentes!

Lutar por um plano de obras públicas para construir moradias dignas, escolas, creches e hospitais, que seja controlado pelas organizações operárias e populares!

[1] O governo brasileiro destinou R$300 bilhões para tirar da crise empresários e banqueiros; tem R$169,1 bilhões em gastos com a dívida pública. E, para ajudar o Rio de Janeiro diante das enchentes, deu apenas R$200 milhões.
[2] Dados do “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento”.

Pão e Rosas em defesa da(o)s trabalhadora(e)s terceirizada(o)s da UNICAMP!

Por Pão e Rosas - Campinas

No último dia 20 de abril o Pão e Rosas esteve presente no Ato Contra a Terceirização, impulsionado pelo CACH, no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp. Algumas bandeiras levantadas diziam respeito a situações particulares do Instituto que, no entanto, expressam um processo maior de precarização das condições de trabalho, o qual extrapola os limites, pequenos, do ambiente universitário.

Estavam presentes membros do CACH e estudantes do IFCH, do IE (Instituto de Economia), além de nós, do Pão e Rosas. Alguns participantes estavam trajando azul e levando vassouras como um gesto simbólico de solidariedade aos trabalhadores terceirizados. Foi entregue uma carta à diretora do Instituto, Nádia Farage, na qual os estudantes cobravam um posicionamento da direção com relação à situação precária dos trabalhadores terceirizados. Trecho da carta: “Não podemos aceitar nenhuma demissão de qualquer trabalhador, e isso já é o suficiente para que o IFCH se posicione politicamente contra este tipo de contratos precários e contra a terceirização. Mas temos também visto outros inúmeros casos trágicos em nosso instituto: ano passado grande parte do acervo de nossa biblioteca quase se perdeu em águas devido à precária reforma feita por uma empresa terceirizada, bem como os inúmeros problemas estruturais verificados no novo prédio do AEL (Arquivo Edgard Lauenroth), que inclusive comprometem o acervo do arquivo e a eterna construção do prédio anexo da biblioteca, devido às consecutivas falências das empresas. Estes casos são também um reflexo da autuação de construtoras terceirizadas.
Porém, os danos causados pela terceirização não comprometem somente a qualidade das estruturas físicas da universidade, mas também apresentam um profundo descaso com os trabalhadores dessas empresas. Um caso recente, também ocorrido aqui no IFCH, ilustra bem esse descaso: quando a empresa responsável pela reforma da biblioteca faliu e os trabalhadores ficaram sem receber seus salários, e para garantir seu recebimento não permitiram que os caminhões com os maquinários de posse da empresa fossem retirados da obra; a justiça e a polícia, ao invés de prender os donos da empresa por esse explícito furto, abriram um boletim de ocorrência contra os trabalhadores.
Claramente com a terceirização todos os trabalhadores perdem. Conforme avança o processo de terceirização diminuem-se os trabalhadores efetivos, arrancam-se seus direitos, impõem-lhes uma hierarquia entre os funcionários, (dividindo-os, portanto). Tudo isso faz com que a precarização e a intensificação do ritmo de trabalho atinja todos os funcionários. Hoje, por exemplo, Beneti trabalha sozinho com tarefas que deveriam ser feita por muitos, isso porque a universidade não garante a continuação do número dos quadros de funcionários, nem dos efetivos e muito menos dos terceirizados.
Também não podemos falar de precarização do trabalho e terceirização sem considerar a questão de gênero, uma vez que são as mulheres que estão nos cargos mais explorados. Elas, na grande maioria, são terceirizadas ou ocupam postos temporários, que mesmo fazendo o mesmo trabalho que os homens, ganham menos, e, além disso, sofrem inúmeras outras formas de violência, como assédio sexual ou moral no ambiente de trabalho, falta de creches para seus filhos, e ainda por cima são ameaçadas de demissão quando se engravidam. E ainda precisam cuidar da casa e dos filhos, tendo assim uma dupla jornada de trabalho. Desse modo, as mulheres são, alem de oprimidas pelo machismo da sociedade, também superexploradas no trabalho.”
O Pão e Rosas de Campinas apoiou e participou do ato, entregando panfletos e dialogando com os estudantes para explicitar a estreita relação entre as mulheres e o processo de terceirização, já que são estas as principais atingidas pela precarização do trabalho. Dizemos que “a precarização tem rosto de mulher”, e esta mulher faz parte de uma classe, a classe trabalhadora, pois por mais que a opressão sobre as mulheres perpasse todas as classes sociais, sua combinação com a exploração recai brutalmente sobre as mulheres trabalhadoras. Além de, historicamente, receberem os salários menor remunerados, serem responsáveis pelas tarefas domésticas, vítimas da dupla jornada de trabalho, são as que ocupam os postos de trabalhos temporários e mais precarizados.
Nós do Pão e Rosas sempre demos centralidade a campanha contra a terceirização nas universidades e locais de trabalho, nos solidarizando com as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, reivindicando a efetivação sem concurso público dos mesmos. Entendemos que esta forma de trabalho não precariza somente o trabalho mas também a própria universidade, pois é uma forma de enxugar os gastos da universidade, contratando empresas terceirizadas que superexploram trabalhadora(e)s e constroem obras sem infraestrutura que destroem as estruturas físicas da universidade. Além disso, é uma forma de dividir a classe trabalhadora para que percam a força enquanto classe, que somente unida pode lutar pelos seus direitos e sua emancipação.
Nós, que também fazemos parte do CACH, reivindicamos a atuação desta entidade que se coloca em uma perspectiva militante e que tem como um de seus princípios lutar pelos direitos dos trabalhadores e se solidarizar aos trabalhadores nos processos de luta de classes, assim como nos solidarizamos à recente greve dos professores, e lutar contra a opressão das mulheres dentro e fora da universidade.
Daremos continuidade à esta campanha através de debates, uma exposição da campanha “A terceirização, escraviza, humilha e divide” retratando a vida das mulheres trabalhadoras, e participando do Grupo de Trabalho (GT) que foi criado no IFCH para pensar e elaborar propostas, como foi este importante ato e os próximos que virão.
Chamamos à toda(o)s estudantes, trabalhadora(e)s efetivos, professora(e)s da UNICAMP, grupos de mulheres, entidade estudantis, grupos de estudos sobre a temática do “trabalho”, organizações políticas presentes na universidades, e especialmente as estudantes que se sensibilizam contra as condições precárias vividas pelas terceirizadas, a se juntarem a esta importante campanha lutando contra a privatização da universidade e contra a precarização de milhares de trabalhadora(e)s, para que possamos construir uma universidade pública e de qualidade aberta à toda juventude e classe trabalhadora!
Contra a precarização do trabalho e da universidade pública!
Pela efetivação de toda(o)s a(os)
trabalhadora(e)s terceirizada(o)s!
Contra a divisão imposta pelos patrões, governos e também reitorias! Pela unidades das fileiras operárias!

sábado, 24 de abril de 2010

Na USP do diálogo de Rodas, as mulheres levam socos! Basta de repressão! Lutemos contra a reitoria e a guarda que agrediram duas estudantes no Crusp!

Por Pão e Rosas - USP
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No dia 18, último sábado, a guarda universitária, a mando de Rodas (reitor nomeado por Serra no ano passado) e de Ronaldo Penna (chefe da Guarda), junto com a polícia militar, tentou invadir uma confraternização que ocorria no CRUSP (moradia da USP) a despeito de acabar com a festa. Frente à resistência dos estudantes a essa ação truculenta, a guarda agrediu duas estudantes, torcendo o braço de uma, e dando um soco no rosto da outra.

Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas repudiamos completamente a agressão a essas mulheres, que entra no rol de diversas expressões de opressão que sofremos diariamente na universidade. Além dos casos de estupros nas moradias que passam impunes com a condescendência da reitoria, as dificuldades que têm as estudantes mães de manterem os seus estudos sem que haja um programa de permanência para elas, e os assédios morais, como os que têm sofrido as trabalhadoras da Educação, a terceirização que impõe um trabalho semiescravo aqui dentro, as péssimas condições de trabalho nos bandejões onde a maioria dos trabalhadores são mulheres, sofremos ainda com a política repressiva que Rodas tem para o conjunto do movimento estudantil e de trabalhadores. Para auxiliá-lo a dar cabo dessa política, no cargo de chefe da Guarda Universitária está Ronaldo Penna, que é nada mais nada menos que delegado da polícia civil e dono da empresa de vigilância Evik, que atua na USP, e que no ano passado foi denunciada pelo Jornal do Campus por assediar moralmente seus empregados e deixá-los sob péssimas condições de trabalho, como serem obrigados a não saírem de seus postos mesmo se tiverem necessidades biológicas ou fome.

O episódio do Crusp não é isolado; apesar de Rodas ter proposto a supressão da emenda que propõe o uso de força policial no campus para “manter a ordem” – a mesma que foi proposta no ano passado pelo próprio Rodas –, a repressão continua em todos os sentidos, mostrando como essa supressão não passa de pura demagogia com a comunidade universitária – e para isso ele tem se utilizado não só da guarda universitária, comandada por um policial, mas também da própria polícia que estava na ocasião. Vimos no começo do ano, na posse desse reitor, a repressão com bombas de gás e tiros de borracha a estudantes e trabalhadores que protestavam contra a sua nomeação; também podemos averiguar que os processos contra os ativistas da universidade se mantêm; as multas milionárias ao Sintusp (Sindicato de Trabalhadores da USP) e ao DCE (Diretório Central dos Estudantes) também continuam em curso; e Brandão, diretor do Sintusp, demitido no final de 2008 por conta de sua atuação em defesa dos trabalhadores, em aliança com os estudantes em defesa da universidade pública, e também em defesa das trabalhadoras terceirizadas, também continua nessa situação, e Rodas não está pra nada disposto a retroceder nestas questões.

E não à toa esse novo fato ocorre contra estudantes que já há um mês estão ocupando a Coseas, exigindo uma política de permanência que abarque as necessidades dos estudantes e também melhores condições de trabalho aos funcionários dos restaurantes. Isso mostra que a política da reitoria – seja com Suely a cabeça, seja com Rodas com a sua demagogia de querer estabelecer um diálogo – para paralisar a luta de trabalhadores e estudantes é a repressão aberta.

Nós mulheres precisamos nos organizar para, junto com o movimento estudantil e com as trabalhadoras e trabalhadores, lutarmos contra a opressão que nós mulheres sofremos aqui dentro e lá fora, e também para barrarmos essa escalada repressiva que cada vez mais aumenta e defendermos o nosso direito de manifestação e organização dentro da universidade. Nos somamos aos trabalhadores e ao Sintusp no chamado a um ato no dia 29 para levantarmos nossa voz frente ao ocorrido e pela expulsão de Ronaldo Penna da universidade! Levantemos essa campanha!

Abaixo a repressão a estudantes e trabalhadores!
Nenhuma confiança no reitor da repressão Rodas!
Basta de violência e de opressão às mulheres estudantes e trabalhadoras na universidade!
Fora Ronaldo Penna! Pela punição imediata de todos os responsáveis pela agressão às estudantes!
Fora PM da universidade, e também a PM disfarçada de Guarda!

TODOS ao ATO no DIA 29,
às 12H, EM FRENTE à REITORIA!