domingo, 29 de novembro de 2009

O dia de luta contra a violência às mulheres em Honduras: Nem golpe de Estado, nem violência contra as mulheres!

Por Andrea D´Atri, diretamente de Tegucigalpa

(Tegucigalpa, 26/11/09) O dia de Violência contra as mulheres, foi vivido de maneira especial em Tegucigalpa, sob o regime golpista de Micheletti, e a poucos dias de realizar-se as eleições fraudulentas convocadas pelo regime, que são repudiadas pela resitência. A comemoração começou com uma conferência à imprensa da plataforma de Direitos Humanos, que inclui diversos organismos da região, onde denunciaram o processo eleitoral e a repressão sistemática e generalizada, como também as capturas e detenções ilegais por parte da polícia e exército, contra as pessoas que em seguida foram assassinadas ou apresentam sinais de tortura.

Gilda Rivera, Del Centro de Derechos de Mujeres, encerrou a conferência convocando as mulheres ali presentes a marchar até a “Plaza de la Merced” (Praça de Mercedes), onde se encontra a sede parlamentar, para comemorar o Dia da luta contra a violência às mulheres, sob a consigna que já fizeram mundialmente conhecida as Feministas em Resistência: “ Nem golpe de Estado, nem golpe às mulheres!”

Centena de mulheres, marcharam desde a sede da conferência, pelas ruas centrais de Tegucigalpa cantando consignas contra o regime golpista e a favor da assembléia constituinte, enquanto recebiam o apoio das vizinhas, comerciantes e pedestres que as acompanhavam com aplausos, saudações e bozinaços. Adelay Carias, do Centro de Direitos da Mulher (CDM), nos falou sobre o informe que deram as Feministas em Resistência, sobre as violações dos direitos humanos das mulheres, perpetuada pelas forças repressivas do regime. Elas denunciaram que muitas mulheres durante as detenções, sofreram abusos e violações sexuais. “Na confusão me perdi do grupo... Somente eu fiquei diante da patrulha. Não sei que rumo tomaram. (...) Me violentaram quatro policiais, logo me ultrajaram, me estupraram com a coisa negra que a polícia utiliza.” Disse uma das mulheres que testemunhou sobre a repressão e manifestção de Choloma de 14 de agosto. Uma professora de El Durazno denunciou: “ Me cuspiam, e atiravam terra e pedras com o sapato, me bateram com o cacetete nos braços e em todo corpo. Caí na sargeta de tanta pancada, e fraturei o pé esquerdo. Enquanto me batiam, gritavam: “ Filha da puta, vamos te deixar aleijada para que deixeis de nos foder.”

Jessica Islã, feminista independente, enviou uma saudação em solidariedade às trabalhadoras de Kraft-Terrabusi da Argentina que seguem exigindo a reincorporação de seus companheiros despedidos e para as trabalhadoras do Sindicato Mexicano de Eletricistas que iniciaram recentemente uma greve de fome em luta pela reincorporação dos mais de quarenta mil trabalhadores e trabalhadoras demitidas.

Faltando somente quatro dias para as eleições convocadas pelo regime golpista sob a astúcia do imperialismo norte americano, as feministas seguem em resistência, denunciando os crimes cometidos pela ditadura. Junto a elas, e em toda América Latina as mulheres lutam para que caiam os golpistas e denunciamos as negociações que serviram somente para fortalecer Micheletti, dizemos: Wendy Carolina, presente! Todas e todos os lutadores assassinados presentes hoje e sempre! Abaixo ao golpe! Não às eleições! Por uma greve geral até que caiam os golpistas. Que as organizações operárias, campesinas e populares da resistência convoquem uma assembléia constituinte revolucionária para refundar o país sob as necessidades das maiorias exploradas e oprimidas do povo hondurenho.

Traduzido por Bruna Bastos, do Pão e Rosas - Franca

O Pão e Rosas – Campinas está com a Chapa TERRA EM TRANSE nas eleições do CACH!

Nós do Pão e Rosas – Campinas julgamos ser importante nos posicionarmos frente às eleições do Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH) da Unicamp. Enquanto um grupo de mulheres que quer muito mais do que discutir o machismo e a opressão e como eles se expressam na universidade, atuando concretamente no seu combate cotidiano, entendemos a importância de que as entidades estudantis tenham um caráter claramente militante no que tange as demandas dos estudantes e trabalhadores de dentro e de fora da universidade, e também das mulheres.

A necessidade de um C.A militante se coloca com ainda mais força em um contexto em que o governo estadual e as reitorias atacam o ensino público com projetos como a Univesp, reprimem os lutadores das universidades como fazem com o SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e restringem a organização cultural dos estudantes e a ocupação do espaço público aqui na Unicamp. É fundamental que as entidades estudantis tenham um posicionamento político claro em relação a tudo isso. E que se dêem a tarefa de combater este projeto de universidade, no sentido de lutar pela democratização do acesso, da permanência e do próprio funcionamento das universidades, para que os milhares de estudantes que não passam no filtro social que é o vestibular possam estar nas universidades públicas.

Reivindicamos a tradição do CACH de ser um centro acadêmico militante também no que diz respeito às bandeiras específicas das mulheres. O ato organizado por este C.A, há pouco menos de dois meses, durante um evento em que estava presente o ex-arcebispo de Olinda (que diante da gravidez de uma criança de 9 anos decorrente de abusos sexuais disse que o aborto é um crime pior do que o estupro), as constantes discussões sobre a terceirização nas universidades e fora delas, que atinge particularmente as mulheres negras, e a luta pela permanência estudantil contra os assédios sexuais e casos de estupro na universidade e moradias estudantis são exemplos disso. O CACH deve continuar tomando as bandeiras das mulheres como suas!

Por tudo isso, chamamos a tod@s estudantes de Ciências Sociais e História do IFCH a conhecer e discutir o programa da chapa Terra em Transe. Entendemos que esta chapa levante as discussões e as propostas em defesa da democratização da universidade e de seus lutadores, bem como as bandeiras das mulheres.
NAS ELEIÇÕES DO CACH CHAMAMOS VOTO PARA A CHAPA TERRA EM TRANSE!

Pão e Rosas - Campinas

Para ver o programa completo da chapa: http://www.chapaterraemtranse.blogspot.com/

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Chapa Terra em Transe para o CACH da Unicamp: Por uma entidade militante contra o racismo, o machismo e a homofobia

Ao contrário do que muitos pensam, o machismo, a homofobia e o racismo também se expressam nas universidades. Estas, tidas como espaço privilegiado de reflexão e pensamento crítico, são muitas vezes palco de casos absurdos de preconceito e opressão. O recente escândalo da Uniban, em que uma estudante que usava um vestido tido como “inadequado” quase foi agredida por seus próprios colegas, chegando a ser expulsa pela direção da universidade é a prova mais gritante disso. Nas universidades públicas não é diferente. Há alguns meses estudantes da Unesp de Araraquara sofreram com assédios sexuais dentro da moradia e, na Unicamp, todos sabemos que o cotidianamente acontecem estupros dentro do campus, além dos casos de assédio moral contra trabalhadoras, estudantes e professoras. Na nossa moradia, as estudantes mães passam por situações constrangedoras durante a seleção para os estúdios (casas para famílias), tendo que provar que possuem uma relação estável. Nas relações de trabalho, o machismo e o racismo também se expressam, não por acaso a maior parte das funções mais precarizadas nas universidades, e também fora delas, são exercidas por mulheres negras, as terceirizadas que limpam o IFCH são um exemplo disso. Para nós, membros da chapa Terra em Transe, é fundamental que o movimento estudantil de conjunto e suas entidades, como os centros acadêmicos, impulsionem a auto-organização dos negros, das mulheres e dos GLBTT, além de tomarem toda a luta contra as opressões como sua. Nesse sentido, o CACH deve ser uma entidade militante contra o racismo, o machismo e a homofobia, levantando as bandeiras e as demandas desses setores, sendo um espaço permanente de expressão e luta contra as opressões. Clique aqui para o ver o programa completo da chapa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"O Movimento Estudantil não é apenas um flash mob. Viva os estudantes que lutaram ao lado dos trabalhadores contra a entrada da polícia na USP!"

Por Dinizete Xavier, trabalhadora da USP e militante do Pão e Rosas

Movimento estudantil não é apenas um flash mob. Movimento estudantil é a parcela mais consciente de estudantes que entendem que sempre que necessário lutar lutarão. A tal chapa dos anti-greve, a turma do flash mob que está concorrendo as eleições do DCE deu entrevista no Estadão dizendo que são contra a radicalização do movimento estudantil da USP. Mas a radicalização de que eles falam é contra os estudantes que lutaram e apoiaram a greve dos trabalhadores e que lutaram lado a lado dos trabalhadores contra a entrada da PM no Campus e pela readmissão de Brandão demitido por perseguições políticas.

Esse nome (Reconquista) é apelação para voltar o fascismo pelo menos dentro da USP, não dando o direito das pessoas se manifestarem ou serem ligados a partidos políticos. Dizem ser apartidários, porém se for pelo menos Tucanos, tudo bem. O que não pode é ser pró operário. Preferem ser independentes e autônomos em relação às reivindicações dos trabalhadores! É claro que sim, algum desses sabe o que é trabalhar para sobreviver? Sabe quanto custa ao menos um quilo de feijão? Sabem quantos meses cada trabalhador deixa de salário para o governo? Será que sabem quem sustenta a Universidade?

Talvez até saibam, porém o projeto é estudar para gerenciar a empresa do papai e usar a universidade para produzir pesquisas apenas para o lucro, e não para a maioria que mantém a Universidade. Viva os estudantes que lutaram ao lado dos trabalhadores na greve de 2000, contra o projeto lei que privatizava a Universidade, o deputado também tucano naquela época teve de recuar. Viva os estudantes que lutaram em 2005 contra o veto ao aumento das verbas para as universidades, vetada pelo governo também tucano. Viva a ocupação de 2007 que impediu que o decreto de Serra, também Tucano, acabasse com a autonomia Universitária e que o obrigou a recuar com a Univesp. Viva o movimento estudantil que lutou ao lado dos trabalhadores contra a entrada da PM no Campus.

São esses estudantes compromissados com a luta em defesa da universidade, contra as fundações privadas, contra a terceirização, por ensino gratuito de qualidade em defesa de salários e condições de trabalho que tem de estar na diretoria do DCE. Parabéns aos estudantes e funcionários conscientes que defendem a Universidade. Fora os fascistas do flash mob. Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas, as margens que o comprimem.

Agradecimento da Federação Anarquista Gaúcha à solidariedade do Pão e Rosas

(Rio Grande do Sul, 26/11/09) Estimadas companheiras e companheiros do Coletivo Pão e Rosas. Ficamos gratos com estas palavras e a atitude solidária. Nossa melhor forma de agradecer é seguir em frente lutando contra o Neoliberalismo no RS. Nesta peleia, sem abrir mão de posições e estratégia estamos junto a todas as forças vivas da esquerda gaúcha e do movimento popular do pago. Um forte abraço, da FAG www.vermelhoenegro.org/fag

terça-feira, 24 de novembro de 2009

As estudantes e trabalhadoras do Pão e Rosas Brasil gritam pelas mulheres eletricistas do México: Não aos ataques de Calderón!

(Brasil, 24/11/09) Nós, estudantes e trabalhadoras que construímos o grupo de mulheres Pão e Rosas Brasil mandamos toda a solidariedade às mulheres eletricistas que ontem iniciaram uma greve de fome. Acreditamos que o ataque de Calderón à empresa Luz e Fuerza e ao Sindicato Mexicano de Eletricistas é um brutal ataque que deve ser respondido pelo conjunto da classe trabalhadora e das mulheres latino-americanas. Nós, que sempre nos levantamos quando o imperialismo ou os governos entreguistas atacam nossas irmãs, queremos deixar marcado aqui nossa completa solidariedade às bravas lutadoras do SME. Estamos do lado de vocês nas reivindicações pela revogação do decreto de extinção da Luz e Fuerza, retorno ao trabalho dos 44 mil sindicalizados despedidos e respeito ao contrato coletivo de trabalho. Essa nota de apoio será lida pelas companheiras do Pan y Rosas México na Conferência de Imprensa que será dada pelas mulheres eletricistas em greve de fome nesta quarta-feira. Clique aqui para ler a nota no site da Liga de Trabajadores Socialistas - Contracorriente, organização que impulsiona, junto a independentes, o Pan y Rosas - México.

Leia também o comunicado de imprensa:

Mulheres eletricistas iniciam greve de fome. Carregando seus filhos pequenos nos ombros, as trabalhadoras do Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME), chegaram anteontem ao acampamento improvisado ao lado de fora do edifício da Comissão Federal de Eletricidade (CFE), localizado na avenida Reforma e Insurgentes, onde começaram uma greve de fome por tempo indefinido. São 11 mulheres eletricistas, que após as duas da tarde do dia 23 de novembro se instalaram em pequenas barracas, onde vão levar a cabo esta forma extrema de luta, e se manterão em plantão permanente. Disseram estar dispostas a chegar às últimas conseqüências para que o governo federal atenda suas demandas: revogação do decreto de extinção da empresa Luz y Fuerza, retorno ao trabalho dos 44 mil sindicalizados despedidos e respeito ao seu contrato coletivo de trabalho.

25 de novembro: Dia de Ação Contra a Violência às Mulheres! Organize um amplo e impactante 25 de novembro com o grupo de mulheres Pão e Rosas!

“Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem”

Por Pão e Rosas Letras USP

Esses versos de Brecht expressam a nossa visão sobre a polêmica que se estabeleceu no curso de Letras em relação ao ocorrido na noite de quinta-feira da semana passada. Em meio à apuração da votação para o Caell, um grupo de pessoas entoou um grito de “gostosa”. Se dirigiam a uma militante que estava na mesa da apuração. Queríamos então que os autores da atitude machista se retratassem. E o que ouvimos, já do lado de fora do prédio, foram mais provocações e frases machistas. Filmaram, se esconderam e se trancaram no espaço dos estudantes; exigimos que apagassem as imagens, lembrando de todas as vezes em que os antigreves(istas) na universidade se utilizaram de edições bem arquitetadas postadas no Youtube para criminalizar o movimento estudantil e de trabalhadores na USP nesse mesmo ano. Apagaram, e então abrimos um corredor para que fossem embora. Demoraram, mais enfim saíram ao som das mulheres que mostravam que não engoliriam mais as manifestações machistas de setores de direita no curso em relação a mulheres do movimento estudantil.

Isso tudo se deu em meio a um clima de provocações e polarização que os setores próximos à “chapa do Fusca” – que é uma chapa que em seu programa defende o sistema em que vivemos, sistema esse que oprime e explora a imensa maioria da humanidade, e ainda com mais intensidade as mulheres, negros e homossexuais – levaram adiante contra as chapas “Estado de Exceção”, que compúnhamos, “Uma Flor nasceu na rua”, “Para que Poetas” e “AJR”. O “gostosaaa!” foi mais uma forma desse setor tentar desmoralizar o movimento estudantil que tanto detestam.

A nossa resposta não foi só em relação ao “gostosa”, mas a todas as provocações daqueles que querem destruir o movimento estudantil da Letras, este mesmo que se une aos trabalhadores para lutar pela universidade pública. Eles se utilizaram da opressão secular que o sistema capitalista impõe às mulheres para desmoralizar-nos. Foi um exagero? Vejamos: na universidade não encontramos um mundo de igualdades, nem entre as pessoas de diferentes sexos, nem de diferentes cores, nem de diferentes extratos sociais; aqui acontece exatamente como lá fora. A estrutura da nossa universidade é uma das mais elitistas, machistas e racistas desse país. Nela, são poucos os negros que entram para estudar e muitos os que entram para limpar o chão e ganhar um salário de miséria, e boa parte destes são mulheres. Nela, vemos uma burocracia encastelada que exclui a comunidade universitária e a sociedade – que a sustenta – das suas decisões, e que coloca cada vez mais nossa produção para gerar lucro para alguns poucos da FIESP e cia. Nela, vemos o silêncio dessa mesma burocracia frente aos atos de violência sexual contra estudantes mulheres nas moradias, que saem impunes. Nela, vemos o silêncio e a condescendência em relação ao assédio moral e sexual a trabalhadoras (como pudemos ver no caso da gripe A em que as trabalhadoras grávidas, que eram grandes alvos, não foram dispensadas, sob ameaças de terem seus salários cortados). Nela, vemos a academia, com suas teses rebuscadas, reproduzindo e muitas vezes justificando o machismo, a opressão, a exploração. E nela é que vemos que os estudantes não são iguais: alguns se colocam em defesa DESTA universidade (explícita ou veladamente), e outros querem transformá-la.

Esta universidade de uma só classe, a dominante e exploradora, abre espaço para a reprodução de uma opressão machista também entre estudantes. E nesse caso, a divisão entre nós também a trouxe, e esta só poderia estar a favor da direita. É contra a atitude desses estudantes, que reiteram a opressão existente na universidade, que nos revoltamos. E é dessa forma que nós, movimento estudantil, precisamos lutar contra a opressão às mulheres e contra aqueles que querem afundar o movimento.

Agora, com Rodas nomeado reitor, não podemos deixar que esses setores cavem espaço entre os estudantes. Temos que dizer abertamente que os que propõem que o CA seja um mero distribuidor de riquezas “para mostrar que o capitalismo dá oportunidades a todos”, para tirar dos estudantes a sua ferramenta de luta, que são os CAs e DCE, estão do lado da reitoria que quer destruir o movimento estudantil e de trabalhadores. E sabemos que Rodas virá com pequenas concessões, por um lado, e com mão de ferro, por outro, para continuar a desenvolver aquele projeto de universidade. É como dissemos: “Fusca não anda sem Rodas!”. E na greve, onde estavam esses estudantes? Votaram contra a greve e em nenhum momento a construíram. E nas assembleias, aparecem? Se sim, somente na hora de votar contra greve e paralisação. Nos outros momentos não, pois não querem discutir dentro do movimento estudantil as suas posições ou fazer críticas para tornar o ME mais efetivo em sua luta.

Outra coisa que ninguém diz é que no meio do conflito e ao lado dos opressores estava o estudante da Letras que integra o CDIE, o mesmo grupo que chamou a polícia para reprimir o ME, que invadiu uma assembleia dos trabalhadores ameaçando Brandão e o Sintusp, que hoje levanta uma chapa para o DCE que institucionalize (por parte dos estudantes) a presença da PM no campus e que se diz abertamente antigreve. É esse tipo de estudante que Rodas quer: o que desarticule o ME e sua luta junto aos trabalhadores em prol de uma universidade democrática e pública.

Perante tudo isso, se coloca a necessidade de abrirmos um debate com a chapa eleita “Veredas”. Durante este ano diversos membros da gestão Olhos Livres e estudantes que compõem a nova gestão estiveram ao nosso lado para defender o Sintusp e combater os estudantes do flashmob (CDIE) que se organizaram contra a greve, dissolvendo o seu “ato”; estiveram ao nosso lado para lutar contra os professores fura-greves que intimidavam os alunos com provas e trabalhos; estiveram ao nosso lado para boicotar as eleições para reitor e impedir a entrada dos professores no CO. Quando os estudantes de direita, a mídia e a reitoria classificaram a luta dos trabalhadores e seus métodos legítimos de organização, como os piquetes e a greve, como violentos e intransigentes, a Olhos Livres/Veredas defendeu conosco o direito de lutarmos com intransigência em relação à direita e a burocracia acadêmica. Agora, em sua campanha, disseram que “o sertão aceita todos os nomes”. Foi um de seus apoiadores quem primeiro iniciou o coro machista. Em seguida, alguns integrantes da chapa se colocaram como protetores dos agressores, e agora cabe perguntar-lhes: são estes nomes os que aceitam?

Este é o primeiro momento em que a nova gestão terá de decidir que vereda irá trilhar: a das mulheres que se organizam contra a opressão – como uma luta que deve ser assimilada até o final pelo ME – ou a daqueles que as oprimem como uma “brincadeirinha”, com a intenção de desmoralizar o movimento. As divergências que temos dentro do ME devem ser debatidas politicamente, e não com os métodos da direita. Ou utilizam o mesmo argumento que os antigreves utilizaram contra a greve na USP, dizendo que somos truculentos e violentos ao nos organizarmos para lutar, ou se colocam claramente em defesa da luta contra a opressão, dizendo junto conosco que a organização e a luta dos oprimidos é justa e legítima, e injustos são os que oprimem e querem se safar como se nada houvesse acontecido; e com esses não há como abrir diálogo. Esperamos que os companheiros da Veredas revejam a atitude de alguns de seus integrantes e se coloquem, mais uma vez, ao nosso lado nesta luta.

Assim esperamos que se coloquem também os companheiros das chapas “Para que poetas?” e “AJR”, que se colocam como combativos e que agora tem mais uma chance concreta de mostrarem se estão dispostos a construir isto na prática, ou se sua combatividade serão palavras ao vento. Não estavam lá; mas esperamos que travem essa luta junto a nós.

Reivindicamos o ato que fizemos junto aos companheiros da chapa “Uma flor nasceu na rua!” como um exemplo, portanto, de luta contra o machismo e contra os estudantes de direita no curso. É preciso ver que medidas incisivas devem ser tomadas frente a violências contra as mulheres que se reproduzem na universidade, e que fora dela tomam proporções enormes. Não podemos nos esquecer que no Brasil mais de 90% dos casos de maridos que matam e LINCHAM suas mulheres saem impunes. Dizemos em alto e bom som: Queremos que a USP seja o exemplo de uma nova tradição no movimento estudantil nessa luta!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

No Haiti, nos morros e favelas, nos locais de trabalho, no campo, nas universidades, em nossas casas...

Basta
de violência contra as mulheres!

Chegamos ao mês da consciência negra num contexto de recrudescimento da violência policial e racista que sofrem as mulheres e o povo negro nas periferias e favelas do Brasil. Por isso, o 20 de novembro tem que ser um dia de denúncia e combate às atrocidades contra o povo negro, apesar de todos os discursos de que o racismo é coisa do passado. A presidenciável Dilma Roussef, declarou que o crime organizado cresceu nas favelas pela falta de intervenção do Estado, propondo a “disputa do bem”, que significa reforço e investimento da polícia nos morros, com controle militar sobre o cotidiano dos moradores e constantes humilhações à comunidade negra e pobre.

Obama, primeiro presidente negro dos EUA, desde sua candidatura fortaleceu um discurso a favor dos negros, mulheres e imigrantes, mas rapidamente prova que veio para aprofundar a política imperialista e não irá parar com a violência contra as mulheres dos povos oprimidos. Assim que assumiu a presidência, sua política foi de injetar bilhões de dólares no sistema financeiro para salvar os capitalistas da crise. Mantém suas tropas no Iraque, Paquistão e Afeganistão (e ainda assim ganhou o Nobel da Paz!) justificando ser a verdadeira “guerra contra o terrorismo”. Foi conivente com o golpe de estado em Honduras, que teve uma brava mostra das feministas em resistência, junto ao povo hondurenho se mobilizando contra o golpe. E no último dia 13/10 aprovou no Conselho de Segurança da ONU a manutenção das tropas no Haiti, dirigida pelas tropas brasileiras do governo Lula que quer “mostrar serviço” para o imperialismo e hipocritamente faz seu discurso humanitário, mas que significa para as mulheres, crianças e todo o povo haitiano, nada menos do que mais violência, estupros, assassinatos e repressão às mobilizações populares. Contra a violência às mulheres e crianças haitianas, gritamos: Somos as negras do Haiti! Fora as tropas da ONU!

No Brasil, vemos pela TV Lula se vangloriar que foi o primeiro país a sair da crise, mas esconde que a saída só valeu para os capitalistas que se beneficiaram com a injeção de 360 bilhões de reais, enquanto os trabalhadores e o povo brasileiro pagam os prejuízos. No campo, enquanto o MST é criminalizado, os capitalistas do agro-negócio ganham milhões com ajuda do governo. A Síntese de Indicadores Sociais, recente pesquisa publicada pelo IBGE, demonstra que o crescimento do país beneficiou apenas os grandes capitalistas, mas a miséria, a fome, a baixa escolaridade, a falta de um sistema de saúde digno se mantém para a maioria da população.

As mulheres, apesar de terem mais anos de escolaridade que os homens, continuam recebendo salários menores. A maioria das crianças continua em situação de pobreza. O povo negro continua tendo menor escolaridade que os brancos, recebendo menores salários, e se tratando das mulheres negras a situação é pior ainda, são as que ocupam os postos de trabalhos mais precarizados e sofrem cotidianamente com a violência policial nas favelas, vendo seus filhos serem mortos, além de serem estupradas pela polícia em suas operações facínoras nos morros. O governo está comemorando a vitória do Brasil para sediar as Olimpíadas em 2016 no Rio de Janeiro, mas isso significa maior repressão ao povo pobre das favelas, para afirmar a imagem do país receptivo fazendo a “segurança” dos turistas. Terá o aumento da prostituição infantil, do turismo sexual e da exploração das mulheres negras mercantilizando seus corpos com o slogan das “mulatas do carnaval”. Violência e repressão que será exercida também sobre mulheres e povo sul africano, com a Copa 2010 na África do Sul.

Diante do respiro econômico que se liga a uma maior precarização do trabalho, recentemente diversas categorias se mobilizaram e enfrentaram a patronal, o governo e a burocracia sindical em importantes greves. Correios, metalúrgicos, professores, garis, bancários, INSS, só para enumerar alguns... Ainda que muitas destas greves tenham sido por reivindicações de melhorias de salários e condições de trabalho, esta é a prova de que a classe trabalhadora mobilizada e disposta a lutar, é capaz de derrubar os diários ataques de que são vítimas. O grande exemplo de luta foi a greve impulsionada pelos trabalhadores e trabalhadoras da USP, que vêm travando uma importante batalha junto aos estudantes e professores, e têm sido vítimas da intensa repressão por parte do governador Serra, a reitora Suely Villela e a polícia: todos representando os interesses burgueses e agora com seu mais novo representante, o novo reitor Grandino Rodas. Esses lutadores, como os trabalhadores do MST, que além de brutalmente assassinados são massacrados pelo governo de Yeda Crusius e difamados pela mídia burguesa, são ainda chamados de vândalos pelo presidente, deixando claro seu forte atrelamento com os latifundiários e políticos envolvidos em assassinatos de trabalhadores rurais sem terra. Recentemente, o governo Yeda mandou invadir a sede da FAG (Federação Anarquista Gaúcha) como mais uma demonstração de repressão por parte do Estado contra a mobilização dos movimentos populares e da classe trabalhadora. Basta! Diante disso gritamos: Abaixo a repressão! Por uma ampla campanha nacional contra a repressão aos movimentos sociais, sindicais e camponeses e contra a repressão policial aos negros e pobres nas favelas e periferias!

A caminho do dia 25 de novembro, dia internacional de combate à violência contra a mulher, nos deparamos com barbáries sustentadas, legitimadas e potencializadas pela exploração capitalista. São estupros, espancamentos, assassinatos, exploração sexual e tráfico de mulheres e meninas. Mulheres imigrantes vindas da Bolívia são vítimas da exploração das indústrias têxteis. Além de violência física e sexual, a precarização e superexploração do trabalho feminino também são uma forma de violência contra as mulheres, assim como o assédio moral nos locais de trabalho. O Estado e a Igreja nos privam de decidirmos sobre nossos próprios corpos, enquanto o aborto clandestino tem como conseqüência a morte de milhares de mulheres. E o direito à maternidade plena segue sendo negado com um sistema de saúde público precário, pressões dos patrões para que as mulheres não engravidem, entre outros fatores. E o que faremos agora com o acordo entre Lula e o Vaticano, que somente dá mais privilégios à Igreja? A mesma Igreja que se impõe sobre a vida das mulheres que morrem por conseqüências de abortos clandestinos, também se impõe sobre a vida de milhões de pessoas quando condena o uso de camisinhas que além de prevenir gravidez indesejada, previne várias DST’s, quando nos aproximamos do Dia Internacional de luta contra a AIDS, 01 de dezembro.

E nesse mesmo Brasil, o país onde a burguesia brasileira nos oferece uma demagógica “emancipação” através de uma suposta “liberdade sexual” e da exposição de nossos corpos, casos como o da estudante Geisy, ao ser ameaçada de estupro e agredida pelos estudantes da UNIBAN por usar um vestido curto na universidade, é produto de uma moral burguesa que mercantiliza o corpo da mulher, para controlá-lo. Mas é também produto de uma sociedade dividida em classes, onde o poder de uma instituição de ensino como a UNIBAN está nas mãos de uma cúpula de diretores onde os estudantes e funcionários não têm voz. Tanto é que a resposta da UNIBAN foi a expulsão da jovem, com um recuo rápido, quando distintos setores da sociedade se pronunciaram diante de tamanho reacionarismo. É preciso lutar pela punição e destituição da direção desta universidade, assim como pela estatização e por uma estrutura de poder democrática como única saída real para que a comunidade universitária tome para si os destinos da universidade. Enquanto isso não acontecer, novas Geisys surgirão, talvez de forma mais dissimulada, latente, escondida, mas sempre como forma de perpetuação dessa opressão milenar que sofremos. As estudantes vítimas de assédio sexual nas moradias estudantis devem se unir às estudantes das universidades privadas numa luta contra a opressão às mulheres, mas entendendo que se trata de uma luta maior contra esse sistema de ensino excludente, machista e racista, e conseqüentemente, contra toda esse sistema capitalista.

A violência contra a mulher não é uma questão individual ou privada. A violência está diretamente ligada à opressão histórica da mulher que se inicia junto com o surgimento da propriedade privada. Nos dias de hoje, o capitalismo se beneficia super-explorando as mulheres, dividindo a classe trabalhadora e lucrando de maneira exorbitante, além de legitimar e justificar a violência contra as mulheres. Por isso dizemos que nossa luta não é apenas contra o machismo, e sim contra esta sociedade de opressão e exploração chamada capitalismo. E por mais que haja leis em defesa das mulheres, esbarram numa grande contradição: essas leis são feitas pelo mesmo Estado que garante manutenção dos órgãos de repressão e da propriedade privada, o mesmo Estado que reprime e mata.

Mulheres, é necessário que acreditemos em nossas próprias forças. É por isso que neste mês de novembro queremos organizar um amplo e impactante dia contra a violência às mulheres que seja combativo, contra o governo, classista e anti-capitalista. Também por tudo isso, estamos lançando a campanha pela retirada das tropas “Somos as negras do Haiti” e estamos participando de eleições estudantis na PUC-SP, na USP, na Unicamp e na Unesp, colocando toda essa luta como parte das chapas que impulsionamos. Também com esse espírito estivemos no Congresso Estatutário do SINTUSP, onde aprovamos a organização anual de um Encontro de Mulheres Trabalhadoras. Queremos que você, mulher trabalhadora, efetiva ou terceirizada, estudante, camponesa, dona de casa, desempregada, junte-se a nós nessa luta para gritar: Seja no Haiti, nos morros e favelas, em nossos locais de trabalho, no campo, nas universidades, em nossas casas: Basta de violência contra as mulheres!
...e que as mulheres do Haiti escutem nossas vozes!

O jornal do Pão e Rosas tem um espaço que é seu!

Abrimos as páginas do nosso jornal para as mulheres trabalhadoras em luta, para aquelas que sofrem assédio moral em seus locais de trabalho, para as estudantes, para as mulheres desempregadas e donas de casa... para todas que são oprimidas e exploradas e querem fazer escutar as suas vozes na luta contra esse sistema capitalista! Mande seu depoimento, texto, comentário, denúncia, relato, entrevista, poema para o email paoerosasbr@gmail.com


“A bala dos fuzis têm invadido nossas casas”

A violência policial vivida pela população e sofrida mais intensamente por moradores dos morros e favelas não tem limites! A bala dos fuzis têm invadido nossas casas e levado nossos amigos e familiares. Soldados da polícia com suas imundas botinas têm invadido as casas de moradores das favelas cariocas para roubar, matar e abusar das filhas e trabalhadoras.

No mês de setembro foi noticiado nos principais jornais o que a mídia hegemônica citou como “suposta violência sexual” de uma jovem no morro da Mangueira. A noticia no site G1 da Globo tem título “ Moradora da Mangueira acusa policial do BOPE de estupro” dando margem a manchete para uma invenção da menina. Toda a reportagem faz referência à moça como suposta vítima, levando sempre o leitor a indagar sobre a acusação. E muitos da população, comentários de fóruns nos jornais, insinuam que a moça era mulher de traficante, como se um fato justificasse o outro. Mesma postura quando algum morador de favela é assassinado por “bala perdida”, sempre a pergunta/justificativa é “ele era bandido?”. Porque se as respostas são afirmativas a população a favor da morte tem um argumento para o policial de “dever cumprido”.

Apresentada a introdução sobre o abuso sexual dessa moça, pensei antes de começar a escrever tal artigo na quantidade de violências que a mulher na sociedade sofre, moças namoradas de traficantes que são espancadas, ou quando com 13 ou 14 anos citadas nas letras de funk carioca como “novinhas” vendem seus corpos para homens muito mais velhos para sobreviverem. Independente do que diz a reportagem da moça ser ou não namorada de um traficante, que provavelmente já devia sofrer agressões, e a policia que além de invadir e violentar, já existe um ESTADO que a violenta em seus direitos de mulher e cidadã da falta de hospitais de qualidade, escola, lazer e todo conjunto de deveres que tem o ESTADO que só abastece o caveirão.

L. estudante de Ciências Sociais que reside numa comunidade no Rio de Janeiro


“Não vou esperar a massa do pão crescer e nem o jardineiro colher as flores”

Quando recebi o convite para escrever para o jornal, fiquei muito surpresa, pois hoje em dia é quase que impossível achar espaços disponíveis para secundaristas assim como eu, onde possamos expressar nossos pensamentos e ideais.

Talvez não exista um fator responsável por isso. Nós secundáristas talvez estejamos fechando os olhos para a realidade e deixando assim que outros decidam nosso futuro.

Em meados de agosto, a chapa da qual faço parte foi eleita com 98% de aprovação dos alunos. Esta aceitação nos tornou mais conscientes da realidade demonstrando assim a expectativa e a ânsia dos mesmos em ter um órgão representativo,que supra suas necessidades dentro da escola.

Algo perceptível desde o inicio da formação da chapa foi o sexismo junto com o machismo impregnado em alguns integrantes. Via-se de forma clara a exclusão de nós mulheres. Os homens sempre querendo ter voz ativa, assim ofuscando a voz feminina, tirando-nos assim uma das poucas situações em que pudéssemos nos sentir livres pra nos expressar, sem a presença da opressão que vivenciamos em nosso cotidiano ocasionado pelo machismo, ali sempre presente.

Em meio a tudo isso, fiquei espantada em perceber em como um órgão, cujo objetivo é o de tentar acabar com o preconceito, machismo e sexismo dentro do nosso meio escolar, que ainda esteja encarcerado essas práticas.

Por desprezar essas atitudes não pude me abster de cumprir meu dever em declarar que a mulher também tem poder. Assim criando a coordernadoria de opressões, até então nunca mencionada em reuniões. Logo de início houve a repulsa de alguns integrantes do grêmio e o julgamento pré- concebido de ser desnecessária a abertura para uma nova coordenadoria, mesmo tendo esta devida importância. Após várias tentativas os mesmos que se colocavam contra, baixaram a guarda dando abertura para poder começar a prática de um projeto de conscientização feminina com o preceito a valorização da mulher.

Até o presente momento nesta coordenadoria a única integrante sou eu, sendo que na sua maioria o grêmio é formado por mulheres.Na minha opinião o principal causador deste número lamentável é a falta de espaços parar divulgar os projetos e o moralismo aliado ao machismo presentes nas decisões dos(as) integrantes do grêmio, resultando assim na votação de todos os projetos apresentados por mim,sem alegações de motivos concretos.

Mais decidi: - Sou a voz que não irá se calar.

No meu mundo não vou esperar a massa do pão crescer e nem o jardineiro colher as flores.Vou ceifar o trigo, preparar a massa, para só depois colher as rosas e sentir o seu perfume.

Ana Caroline, estudante secundarista da ETE Albert Einstein, São Paulo