quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Trabalhadoras, vamos juntas lutar contra a dupla jornada!

Sheila Diaféria, militante do Pão e Rosas e servidora do Judiciário Paulista


Olho o relógio e dou um suspiro de alívio. 19 horas, enfim acaba mais um dia de trabalho. Bato o ponto e dirijo-me para a rua com uma sensação boa de ter cumprido minha jornada de trabalho. Durante o percurso até o ponto começam a surgir em minha cabeça as tarefas que me aguardavam em meu lar:
“Preciso preparar o jantar, lavar a louça, colocar a roupa para lavar, verificar o banheiro, recolher o lixo, os brinquedos e tudo o mais que estiver espalhado pelo caminho, conversar com minha neta, saber do seu dia e isto inclui neste curto espaço de tempo brincar um pouco também. Minha filha também cobra sua cota de atenção, quer conversar, contar o seu dia, seus problemas, pois sente necessidade de conversar com um adulto”.

Ao lembrar disso tudo tento criar forças e ânimo, pois são tarefas que não posso deixar para o dia seguinte. E assim, a noite se torna longa.

A classe trabalhadora feminina com toda certeza compreende o que estou falando.

Este trabalho “invisível”, feito majoritariamente pelas mulheres, permite que milhões de assalariadas e assalariados se levantem todos os dias para ir a seu trabalho. Mas a outra parte deste trabalho necessário, o que se realiza gratuitamente entre as quatro paredes da casa – ou seja, no mundo destinado exclusivamente à reprodução da força de trabalho – ninguém percebe.

Em todas as sociedades divididas em classes existem três processos para a reprodução da força de trabalho: em primeiro lugar, certas atividades diárias para re-estabelecer a energia dos produtores como descrito nas primeiras linhas permitindo-lhes voltar a trabalhar; em segundo lugar, a responsabilidade em cuidar dos membros inativos (no sentido capitalista de “não produtivo”) das classes exploradas – crianças, idosos, doentes, desempregados – que cabe exclusivamente às “donas de casa” consideradas também improdutivas; em terceiro, os processos de “substituição” que renovam a força de trabalho, substituindo os membros das classes exploradas que morrerem ou não puderem trabalhar por novas gerações (gerar filhos).

Por tudo que foi explicado até agora, precisamos ter como meta nos reunir para trocar idéias sobre as nossas vidas e sobre tudo o que nos oprime. Ter clareza do que acontece no nosso país e no mundo como um todo, politicamente, socialmente, as tragédias do mundo e procurar explicações para tudo o que acontece. Com isso, veremos que a opressão da mulher foi construída historicamente a partir do estabelecimento da propriedade privada e que nossa luta contra a opressão passa pelo combate ao capitalismo – a burguesia, os governos, o Estado e todas as suas instituições. Com essa perspectiva, lutamos pelas nossas demandas. Pela efetivação das/os terceirizadas com salário e direitos iguais, pelo salário mínimo do DIEESSE para conseguir sustentar nossas famílias, por lavanderias e restaurantes comunitários, por creches e escolas 24 horas.

- A auto-organização para debater nossas dificuldades perante esta sociedade machista e capitalista;

- Unificação das fileiras de trabalhadoras terceirizadas com as trabalhadoras efetivas com salário e direitos iguais. Pelo fim das diferenças salariais entre homens e mulheres.

- Salário mínimo necessário para uma família (conforme cálculos do Dieese);

- Creche-escola 24horas (não apenas para trabalhar, mas para podermos ter uma vida social, cultural, política);

- A decisão de ter ou não filhos depende unicamente da mulher, por isso o direito ao aborto é um direito à vida. Não é certo que só as mulheres com dinheiro possam ter direito a esta escolha, porque têm condições de pagar por uma clínica cara e boa.

- Lavanderias e restaurantes comunitários para que não percamos horas com essas tarefas e tenhamos tempo para nos relacionar com nossas famílias, nossos companheiros e podermos estudar e nos reunir para debater nossos interesses.

Faço um chamado às mulheres que desejam mudar de fato esta sociedade elitista e racista a se reunir no grupo Pão e Rosas para que juntas possamos encontrar saídas para a exploração e opressão que sofremos nesta sociedade capitalista.

Falam as sapateiras de Franca...

Publicamos abaixo os depoimentos de Débora e Claudinha, integrantes do Pão e Rosas – Franca:

Quando falamos em Franca, logo pensamos: ”Capital Mundial do Calçado”, mas não sabemos o que vem por trás desse titulo. Uma realidade dura pra todos trabalhadores e trabalhadoras que somos explorados diariamente pra construir o império de nossos patrões. Trabalhamos em um ambiente sujo, sob forte calor, com uma carga horária intensa, com barulho quase que insuportável e em condições desumanas.

E a situação se agrava ainda mais para as mulheres. Nós, sapateiras, somos desvalorizadas – a maioria ganha um salário mínimo – trabalhamos em quantidade desproporcional ao que recebemos. Muitas de nós exercemos funções iguais de homens e nem por isso ganhamos o mesmo. E ainda enfrentamos dupla jornada, sim porque as que não são estudantes são em grande maioria mães de família que, além de trabalharem fora, ainda cuidam da casa, dos filhos, do marido, etc.

Quando abordamos a problemática da exploração feminina, das sapateiras, por exemplo, não tratamos de uma guerra de sexos nem de transformar a sociedade em matriarcal, com um feminismo sem nexo. Trata-se apenas de uma luta por melhores condições de trabalho, para nós, de valorização da mulher, de construção de um local de trabalho que não exija de nós a exaustão, que nos permita trabalhar, estudar, cuidar da família, sem esgotar nossas forças, e principalmente, que nos permita sermos MULHERES.
Mulheres que se amam, que se gostam, se valorizam, que gostem de si.
Para que ser sapateira, um dia, possa ser orgulho, não uma decepção.

Débora, sapateira e estudante de História

***
Tenho dezenove anos, curso Serviço Social pela UNESP e trabalho há dois anos numa empresa de calçados. Há pouco tempo faço parte do grupo Pão e Rosas – Franca, que atua unificando estudantes e trabalhadoras, por exemplo, trazendo à universidade discussões sobre a realidade das sapateiras.

Acredito que iniciativas como essa são de fundamental importância, uma vez que, como tenho presenciado no meu dia-a-dia, minhas colegas de trabalho não se dão conta da dupla, ou até mesma tripla exploração à que são submetidas. Mulheres estas, que não apresentam nenhuma perspectiva de independência, e que em muitos casos, já se conformaram com a realidade em que estão inseridas.

Sei que não vai ser uma tarefa fácil, visto que, pela necessidade do emprego e medo de perdê-lo, muitos se negam a reivindicar seus direitos, e lutar por melhores condições de trabalho. Mas o que eu tenho aprendido com o grupo, é que não devemos desistir dessas trabalhadoras, planejando os meios corretos para chegarmos a elas, e fazer um processo de conscientização, não só dessas mulheres trabalhadoras, mas dos trabalhadores como um todo.

Então, tendo consciência da exploração sofrida, e de que a união e a organização entre eles são indispensáveis para lutar contra tais injustiças, os trabalhadores lutarão por si só, transformando esse projeto do grupo junto às sapateiras, apenas no primeiro passo rumo à vitória da classe trabalhadora.
Claudinha – sapateira e estudante de Serviço Social

Pão e Rosas no Congresso de Trabalhadores da USP

"Congresso do SINTUSP avança no classismo, na democracia operária e aprova organização de Encontro Anual de Mulheres Trabalhadoras da USP"

Após 57 dias de greve na luta em defesa de nosso sindicato, e agora na campanha que fazemos contra a repressão aos lutadores e lutadoras e pela democratização real da universidade, nós trabalhadores e trabalhadoras da USP realizamos nosso V Congresso Estatutário, que foi um momento de importantes discussões políticas sobre essa fundamental ferramenta dos trabalhadores que tanto vem sendo atacada pela Reitoria e pelo governo - o que tende a piorar com a "eleição-indicação" de Grandino Rodas para reitor. Somente um sindicato que prime pela independência política do Estado, dos governos e dos patrões, ao mesmo tempo em que se utilize do princípio da democracia operária, baseado nas assembléias das categorias, na rotatividade dos dirigentes sindicais e na organização pela base, poderá ser uma ferramenta a altura dos desafios e enfrentamentos que teremos pela frente. Para as mulheres trabalhadoras significou um grande avanço, porque o classismo aplicado no dia a dia é o que pode permitir que avancemos na luta pelos nossos direitos, lutando contra a dupla jornada e contra qualquer forma de violência às mulheres, e que nesse Congresso demos um primeiro passo, com a aprovação por aclamação de uma Secretaria de Mulheres que organize, entre outras atividades, um Encontro Anual das Mulheres Trabalhadoras da USP aberta a todas as categorias.

Diana Assunção, dirigente da LER-QI, integrante do Pão e Rosas e trabalhadora da Faculdade de Educação da USP

Pão e Rosas - Rio Claro e Araraquara: Chega de violência contra a mulher!

É preciso que toda a juventude se levante para lutar contra a violência à mulher!

A violência sexual no interior do país é algo que cresce de forma assustadora, vemos o aumento de ocorrências de atentados contra mulheres seja nas ruas, seja dentro das suas casas ou mesmo dentro das Universidades, seguido da resposta da polícia e da mídia inocentando os culpados, ou no caso da Universidade, abafando os casos.

No interior de São Paulo, bem como deve acontecer em outras partes de nosso país de proporções continentais, casos de estupro são investigados, mas os inquéritos policiais são abertos com o intuito de questionar a palavra de crianças e mulheres estupradas, convertendo as vítimas em culpadas quando se ressaltam os argumentos visando apresentá-las como erradas e mentirosas dando assim, respaldo para a atuação de diversos maníacos que vivem tranqüilamente em nossa sociedade, enquanto as mulheres assediadas carregam dentro de si o peso da culpa e muitas vezes a vergonha de terem sido assediadas.

Temos como exemplos desse mecanismo utilizado para maquiar os casos de assédio sexual, o caso ocorrido ainda em 2007, na Moradia Estudantil da Unesp Rio Claro, (caso que, assim como em várias outras instituições, foi abafado pela Universidade) onde um aluno do curso de Geologia (curso do qual o diretor do Instituto na época era professor) assediou uma companheira de casa enquanto ela estava alcoolizada. A direção alegou que a aluna não deveria ter bebido, a partir do momento em que ela o fez abriu margem para que o aluno fizesse com ela o que ele quisesse. Por mais absurdo que pareça, esta é a mesma opinião da delegada da Delegacia da Mulher. Tanto o assediador quanto a estudante que sofreu o assédio receberam a mesma “punição”, ambos foram expulsos da Moradia. O assediador ainda é taxado de coitado por alguns alunos da Unesp que souberam do caso, o que demonstra o extremo grau de alienação e consciência reacionária da maioria dos estudantes universitários.

Mais recentemente tivemos os casos de estupro ocorridos na Universidade Federal Fluminense, campus Rio das Ostras, onde a diretoria da Instituição teve acordo de que não poderia fazer nada contra um estuprador em série, levando em consideração que os casos ocorreram fora da Universidade, com ingressantes de apenas 18 anos. O delegado da cidade, como bom homem da lei, disse que tais tipos de ocorrência são banais e corriqueiras, e assim sendo, não poderia fazer nada á respeito.

Voltando agora ao estado de São Paulo, o mais promissor e desenvolvido de nosso país, encontramos novamente dentro dos muros da Unesp, casos de tentativas de estupro ocorridas no campus de Rio Claro e que a direção, (como bem manda nosso conjunto de normas morais) nada disse ao conjunto da comunidade acadêmica, reagindo da forma mais passiva possível, deixando o campus no mais completo breu (o campus de Rio Claro possui enorme extensão e iluminação precária).

Ainda na tão elogiada Unesp, agora em Araraquara e novamente na Moradia, veio à tona o caso de um morador que assediou estudantes durante os 6 (seis) anos em que esteve lá. Essas estudantes, temendo represálias, mantinham o silêncio, bem como os demais moradores. A Direção da Faculdade, após ser pressionada pela mobilização de estudantes (que estavam dispostos a lutar pela saída do assediador da Moradia), receosa com a proporção que essa mobilização poderia tomar e com o escândalo que poderia prejudicar a burocracia acadêmica, decidiu sim, tirar o assediador da Moradia. A saída encontrada pela burocracia acadêmica foi um tanto quanto benevolente: concedeu uma bolsa ao assediador (após ter cortado grande parte dos auxílios alimentação dos alunos), demonstrando assim sua “revolta” com o caso, que ainda rendeu um incêndio em um dos blocos da Moradia.

Como infelizmente a lista de casos é gigantesca, temos ainda exemplos em Rio Claro, onde no último mês oito mulheres foram estupradas e a polícia fez seu papel: inventou histórias e, com a colaboração da mídia, questionou a veracidade dos casos relatados pelas mulheres. Desses oito casos, três, incluindo o de uma menina de apenas 13 anos que foi estuprada por 5 (cinco) homens, entre eles um senhor de mais de 60 anos, foram desmentidos pela mídia. Ora acusando a mulher de infidelidade, ora questionando como uma mulher pode ser estuprada por seu namorado, ora dizendo de forma hipócrita que era pura invenção de uma mente fantasiosa e pervertida.
Mas a violência contra a mulher tem origens milenares, é anterior a essa sociedade que conhecemos, o capitalismo, e está ligada com o surgimento da propriedade privada e da família. Apesar de que as formas de violência (e de organização social) se modifiquem, bem com a compreensão social da mesma, deriva dessa opressão da mulher no seio da família e da propriedade privada a idéia de que a violência praticada contra a mulher seja algo "privado", que ocorre no âmbito doméstico e que portanto ninguém deveria se meter. Quando ocorre fora do âmbito familiar, não é raro ouvirmos que "ela provocou", seja por estar usando tal ou qual roupa (como no caso recente de Geisy Arruda da Uniban), ou ainda, alguns afirmam que a mulher estaria "faltando com a verdade", ou que o seu relato de ter sido vítima de uma violência seria uma "suposição" (como recentemente noticiou o G1, em relação à denúncia de estupro por um policial do BOPE feita por uma moradora do morro Mangueira, no Rio de Janeiro). Ou seja, ao mesmo tempo em que se estabelece que é "politicamente correto" ser contra a violência contra às mulheres, discursos e práticas cotidianas demonstram o contrário. Apesar de que sabemos que as mulheres burguesas também sofrem com a violência à mulher, casos que envolvem mulheres burguesas são tratados de forma diferente de casos que envolvem mulheres pobres ou negras, nestes últimos é bem mais comum que a veracidade do ocorrido seja questionada. Isso ocorre porque vivemos em uma sociedade burguesa que tem um extenso histórico de opressão à classe trabalhadora.

Diante de todos esses acontecimentos, os quais todas as mulheres estão sujeitas, fica claro que apenas as pobres sofrem com a impunidade e com o desrespeito das autoridades e de toda a sociedade. Nós do Grupo de Mulheres Pão e Rosas chamamos todos e todas a nos levantarmos para gritar:

Basta de violência contra a mulher! Punição aos culpados!

Que todas e todos estudantes, suas entidades sejam grêmios, CA’s e DCE’s, assim como a ANEL, tomem com seu o exemplo que nos dá o movimento estudantil da Unesp de Araraquara, que após intensa mobilização conseguiram expulsar um assediador da moradia estudantil, se colcando à frente na luta contra a violência a mulher. Tomemos em nossas mãos esse exemplo e essa bandeira de luta, chamando a mais ampla discussão e mobilização nesse próximo dia 25 de novembro, dia internacional de ação contra a violência à mulher!

O Pão e Rosas nas universidades: atuando pelos direitos das mulheres e por entidades estudantis militantes

Por Bia Michel, integrante do Pão e Rosas
e da chapa PAGU para o CASS/PUC-SP


Se alguém ainda imaginava que nas universidades a opressão à mulher não se expressasse de maneira tão gritante, o caso recente da Uniban demonstrou o contrário. A universidade, que deveria ser um espaço de produção de conhecimento crítico, é um cenário em que o machismo se reproduz sistematicamente. Outro exemplo está nos casos de assédio sexual nas moradias e universidades que temos denunciado fazendo um chamado a romper o silêncio frente à tamanha violência. Partindo da necessidade de dar uma resposta combativa a tal situação, neste fim de semestre, o Pão e Rosas está sendo ativo na construção de chapas para as eleições de entidades estudantis junto a companheiras e companheiros independentes, como no Serviço Social-PUC, Letras-USP e Ciências Humanas-Unicamp.

Para nós, mulheres, é sempre mais difícil nos organizar por nossas demandas. Nas universidades, defendemos que nas entidades as estudantes possam encontrar um amplo espaço de discussão e organização para podermos, assim, nos colocar no movimento estudantil, convencendo nossos companheiros a levantar nossas bandeiras e para que possamos também nos ligar às trabalhadoras de nossas universidades que são muitíssimo exploradas, como as terceirizadas.

Não nos conformamos com o fato de que as demandas das mulheres sejam tratadas como notas de rodapé dos programas e das resoluções dos encontros estudantis. É preciso estabelecer uma prática militante que coloque na ordem do dia do movimento estudantil as demandas levantadas pelas mulheres. Foi com essa compreensão que desde o CACH-Unicamp, centro acadêmico do qual fazemos parte, que impulsionamos em outubro um ato pelo direito ao aborto em repúdio à presença do bispo de Olinda que afirmou que o aborto é um crime pior que o estupro.

Assim como a luta pelo direito ao aborto, temos atuado nas universidades e também nos fóruns do movimento estudantil como a ANEL lutando para que sejam incorporadas às lutas cotidianas questões como a luta por creches nas universidades para os filhos das estudantes e das trabalhadoras; direito à moradia e permanência estudantil para as estudantes que são mães; defesa das trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, defendendo a sua efetivação com salário e direitos iguais aos dos efetivos.

Ao mesmo tempo, não nos limitamos às questões tidas como específicas das mulheres. Como um grupo de mulheres classista e militante, nos colocamos ao lado das lutas dos trabalhadores e contra todos os ataques dos governos e reitorias. Nessa perspectiva que o Pão e Rosas atuou na mobilização das estaduais paulistas neste ano, que começou com a greve dos trabalhadores da USP e ganhou maiores proporções após a repressão da policia. Hoje, essa luta precisa ter continuidade apresentando nas eleições estudantis um programa que se coloque em defesa de todos os lutadores que vêm sendo perseguidos.

Isso tudo se coloca numa perspectiva de subverter a lógica que coloca as entidades estudantis como meros aparatos que pouco ou nada servem para as lutas concretas. Queremos centros acadêmicos que se coloquem ativamente frente à realidade, como fizeram os estudantes da Universidade de Buenos Aires recentemente manifestando-se contra a repressão policial aos trabalhadores da Kraft-Terrabusi.

Estamos nos colocando a lutar por entidades estudantis que não se adaptem à atual estrutura de poder estabelecida nas universidades, dando um combate pela democratização como fazem nossas companheiras e companheiros na USP boicotando as eleições para reitor. E porque não estamos satisfeitas dentro da universidade sabendo que a maioria da juventude brasileira está fora dela, temos que colocar de pé entidades estudantis que levem à frente uma dura luta pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas, para que o acesso à universidade seja de fato democratizado.

Chamamos as estudantes a lutar conosco contra o elitismo, racismo e machismo que ainda imperam nas universidades e pelos direitos das mulheres!
Entre em contato conosco para organizar o Pão e Rosas em sua universidade!

Apóie e vote nas chapas que o Pão e Rosas participa nessas eleições estudantis!

"Queremos que o CEUPES encabece uma nova tradição na luta contra a opressão da mulher na USP"

Queremos um centro acadêmico militante que tome com toda centralidade a luta contra a opressão das mulheres, sabendo que nesta universidade é preciso acabar com a tradição de "mulheres no poder" como Suely Vilela que colocou a polícia pra nos reprimir. E também é preciso combater a tradição de professoras como Eva Blay – fundadora do PSDB, um dos principais partidos burgueses no país – que desde a década de 1960 enche a boca para falar sobre as operárias industriais. Contra esse feminismo burguês, queremos colocar nosso Centro Acadêmico a serviço de resgatar a história das grandes lutadoras socialistas para hoje forjar uma nova tradição dentro da universidade, a tradição das mulheres trabalhadoras, das terceirizadas da limpeza, das estudantes combativas, das moradoras do CRUSP, das donas de casa e trabalhadoras da São Remo.

Flávia Vale, integrante da chapa Canto de Guerra para o CEUPES-USP


"No CACH estamos construindo uma entidade militante que saia às ruas pelos direitos das mulheres"

Lembra daquele bispo que disse que "o aborto é um crime pior que o estupro"? Ele teve coragem de vir até Campinas para falar a "verdade sobre o caso de Alagoinha"! Nós do Pão e Rosas e do CACH, junto com outros grupos e estudantes secundaristas saímos às ruas pra dizer: Fora Dom José Cardoso Sobrinho! Aborto é direito, estupro é crime! Mas a violência contra as mulheres não pára por aí! Nas últimas semanas, a UNIBAN mostrou sua cara mais reacionária e demonstrou que numa universidade atrelada ao capital, com uma estrutura de poder anti-democrática e voltada para os lucros o que prima é o autoritarismo. Queremos fazer parte de todas as mobilizações contra a violência às mulheres, mas também pela punição e destituição dessa direção universitária, rumo a estatização da UNIBAN e de todas as universidades privadas!
Paulinha Berbet, integrante da gestão CACH Unicamp


"Falar em centro acadêmico é falar em um instrumento militante e combativo”

(...) Cumprindo um papel fundamental de debate e intervenção, o centro acadêmico deve ser um espaço vivo de discussões políticas e culturais, um espaço onde as demandas estudantis e dos trabalhadores devem ser problematizadas e manifestadas. No âmbito cultural, o CA deve dar espaços às vozes artísticas que opinam as questões sociais, vozes que poderiam desmascarar um sistema burocrático dentro e fora da universidade.
Enfim, um centro acadêmico militante e combativo deve ir além da teoria, da burocratização, trazendo prática e coerência às reivindicações dos estudantes, podendo assim intervir consistentemente em defesa de setores oprimidos.
Gabrielle Borges, da chapa Pagu para o CASS-PUC


“Pela aliança com os trabalhadores da USP que são uma grande liderança de luta”
Nós, integrantes do Pão e Rosas, estamos impulsionando uma chapa para o Centro Acadêmico do curso de Letras-USP de 2010, chamada ESTADO DE EXCEÇÃO, junto com integrantes do Coletivo AGIR e do Movimento A Plenos Pulmões. (...) O papel do Pão e Rosas nesse espaço será o de promover debates e atividades que discutam a opressão da mulher, seja como estudante, trabalhadora ou professora. Numa faculdade de Letras, onde a maioria esmagadora é mulher, essa discussão se torna ainda mais importante e necessária. Nossa chapa tem como principal foco a construção de uma universidade pública, democrática e autônoma, na contramão do projeto neoliberal que vem sendo implementado na USP nos últimos anos. Por isso, acreditamos ser importante a aliança com os trabalhadores do SINTUSP, que têm se mostrado sujeitos históricos e uma grande liderança nesta luta. (...) Chamamos todas as companheiras do Pão e Rosas a nos apoiarem e nos ajudarem a construir um centro acadêmico e uma universidade que seja realmente construída por todos e para todos.
Cristiane Toledo, da chapa Estado de Exceção para o CAELL-USP

"O papel do Centro Acadêmico é se colocar em luta contra a burocracia acadêmica e denunciar toda a estrutura de poder"

Ao meu ver, no decorrer das discussões no caso de assédio em Araraquara e como militante do Pão e Rosas, achei mais que importante o aporte dado pelas meninas do grupo na argumentação e no processo de luta que travamos, juntamente com os demais estudantes, na Moradia Estudantil, onde descaradamente o assediador após ter sido expulso da moradia foi beneficiado com uma Bolsa Auxílio. Com a resposta dada pela direção, que mais uma vez deixou bem claro a que veio, torna-se mais que óbvia a necessidade de nos colocarmos em luta contra a burocracia acadêmica e denunciar toda a estrutura de poder. Creio que o papel do Centro Acadêmico é colocar essa discussão e também mobilizar os estudantes e esclarecê-los sobre qual o seu papel dentro da Universidade.

Ane, integrante da Chapa Ekóabok para o CAFF da UNESP Araraquara

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Chapa PAGÚ no CASS da PUC-SP: A satisfação intelectual não me basta... a ação me faz falta!

Publicamos abaixo trechos do programa da chapa PAGU para o Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC-SP, composto por militantes do Pão e Rosas e independentes. O lançamento da chapa será no dia 19/11, veja ao lado em "Agenda".

No Brasil a universidade é extremamente elitista, para garantir a manutenção dessa realidade é necessário impedir que principalmente seus funcionários e nós estudantes tenhamos poder de decisão internamente. Na PUC quem tudo decide é a Igreja Católica, na USP e demais universidades públicas é o governo estadual ou federal. Nesse sentido não existe autonomia universitária, nem democracia interna, essenciais para garantir a expansão e qualidade do ensino para nossa profissão. Uma contradição é que, por exemplo, o governo concedeu para o bilionário Eike Batista R$ 3,2 bilhões só em 2009, para comparar, o orçamento prometido para a Reforma Universitária é de R$ 2,4 bilhões até 2012. Ao invés de expandir a educação pública com qualidade o governo Lula e Serra investem nas universidades privadas (programa ProUni) que lucram com a falta de vagas públicas e o vestibular, através de absurdas mensalidades. O vestibular e as mensalidades criam um filtro social para o ensino superior (...). Clique aqui para ler programa completo.

Na Sociais da USP estamos com a chapa CANTO DE GUERRA! Porque nosso canto é o espanto dos que nos julgaram mortas!

Reproduzimos abaixo parte do programa da chapa Canto de Guerra para o Centro Acadêmico de Ciências Sociais da USP (CEUPES) impulsionado por militantes do Movimento A Plenos Pulmões, do grupo de mulheres Pão e Rosas e da Liga Estratégia Revolucionária. Num momento em que Grandino Rodas é escolhido a dedo pelo governador José Serra para REItor da USP, está mais do que na hora de lutarmos por Centros Acadêmicos militantes, combativos e aliados aos trabalhadores.

Sabemos que o movimento estudantil é visto com maus olhos por muitos estudantes e acreditamos que em muitos aspectos estes têm razão. Se o movimento estudantil hoje não é capaz de lutar pelos problemas da universidade a partir de um programa que o ligue à juventude e aos trabalhadores, essa certamente é uma origem deste repúdio. Outras são o repúdio às assembléias, por estas serem altamente burocratizadas, e a falta de direções democráticas capazes de permitir a expressão dos distintos setores do movimento estudantil e dos estudantes em geral. Hoje vivemos uma crise profunda do capitalismo que dá sequência a um longo período de ataques ideológicos do neoliberalismo, que deixou marcas profundas na esquerda em geral, fragmentada e, até agora, incapaz de uma auto-crítica que lhe permita superar sua esterilidade. Ao invés disso o que vemos é uma marcação de feudos dentro da esquerda que insiste em reinvidicações que nada tem a ver com a luta concreta que se coloca, o que tem como causa e resultado, simultaneamente, o corporativismo no movimento estudantil e no de trabalhadores. É como parte de tentar superar estes problemas que lançamos uma chapa para o CEUPES como continuidade de nossa luta do primeiro semestre, e que faremos um debate a partir de polêmicas abertas no movimento estudantil (...).

Por um Centro Acadêmico militante: contra a opressão à mulher.
Por fim, como mais um exemplo de como romper com o corporativismo, achamos que uma entidade militante e combativa tem que se colocar ao lado de todos os setores oprimidos e explorados. Não podemos deixar passar em branco o caso da jovem estudante da Uniban que foi expulsa da universidade pelo fato da diretoria desta considerar que usar roupas curtas é imoral e que a tentativa de estuprá-la e linchá-la foi um ato de defesa do ambiente escolar. A jovem foi expulsa e os envolvidos na tentativa de estupro da garota foram somente suspensos. Desta forma, a Uniban e sua comissão sindicante expressam a conivência e cumplicidade a práticas de violência contra a mulher. Achamos que a direção universitária da UNIBAN tem que ser punida, não a jovem. No entanto, as universidades públicas não estão isentas das mesmas práticas, e não a toa poucos sabem quão frequentes são os casos de assédio sexual a mulheres nas moradias universitárias – respondidas por essa estrutura de poder com advertências e suspensões, mais preocupadas em manter sob os tapetes os abusos que as estudantes sofrem nessas moradias. Esta questão escancara a necessidade de que entidades estudantis militantes coloquem-se lado a lado das mulheres nas moradias estudantis, organizando estudantes, professoras, trabalhadoras, organizações feministas, Sintusp e C.A.s militantes contra a perpetuação da opressão à mulher.

"Queremos que o CEUPES encabece uma nova tradição na luta contra a opressão da mulher na USP"
Nós, do Movimento A Plenos Pulmões e do Pão e Rosas estamos organizando a chapa Canto de Guerra para o Centro Acadêmico de Ciências Sociais da USP. Queremos um centro acadêmico militante que tome com toda centralidade a luta contra a opressão das mulheres, sabendo que nesta universidade é preciso acabar com a tradição de "mulheres no poder" como Suely Vilela que colocou a polícia pra nos reprimir e que oprime tantas outras mulheres, mas também é preciso combater a tradição de professoras como Eva Blay, que desde a década de 1960 enche a boca para falar sobre as operárias industriais enquanto fundava um dos principais partidos da burguesia brasileira, o PSDB. Contra esse feminismo burguês, nós estudantes queremos colocar nosso Centro Acadêmico a serviço de resgatar a história das grandes lutadoras socialistas dos séculos passados para hoje forjar uma nova tradição dentro da universidade, a tradição das mulheres trabalhadoras, das terceirizadas da limpeza, das estudantes combativas, das moradoras do CRUSP, das donas de casa e trabalhadoras da São Remo. Flávia Vale, estudante da Ciências Sociais da USP

Chapas Estado de Exceção e Canto de Guerra gritam: Lutar contra a violência às moradoras do CRUSP! Incorporação das terceirizadas!