sábado, 10 de outubro de 2009

Artistas contra o golpe em Honduras! Zinho Trindade, Coletivo Sonoro Radiola, Bá Kimbuta, QI Alforria, Gabriel Nascimento e Mara Onijá

No último sábado, 03/10, a Casa Socialista Karl Marx (SP) recebeu vários artistas numa jornada cultural contra o golpe em Honduras. O Pão e Rosas gritou uma vez mais abaixo o golpe em Honduras!











Zinho Trindade

Organizada pelo Pão e Rosas, juntamente com o Movimento A Plenos Pulmões e a LER-QI, a jornada cultural Artistas Contra o Golpe em Honduras, contou com a presença de artistas como Zinho Trindade, Gabriel Nascimento, Mara Onijá, Bá Kimbuta, Pedro QI Alforria e Coletivo Radiola, além de exposições e roda de poesias.














Coletivo Sonoro Radiola












Bá Kimbuta











Pedro - QI Alforria












Gabriel Nascimento

Mara Onijá começou sua apresentação saudando as mulheres hondurenhas que resistem bravamente ao golpe que traz ao povo hondurenho uma dura repressão com prisões, torturas, estupros e assassinatos.

Que o sangue derramado não seja negociado! Esta foi a principal afirmação lembrada na apresentação de vários artistas que se colocam contra o golpe em Honduras. Nós do Pão e Rosas, chamamos a redobrar as ações de solidariedade ativa por todo país. Abaixo o golpe em Honduras! Nenhuma negociação sobre o sangue derramado!

Entrevista com Cristiane Toledo, do Coletivo Agir, sobre projeto de educação com trabalhadores efetivos e terceirizados da USP

Entrevistamos Cristiane Toledo, estudante da pós-graduação da Letras, integrante do Coletivo Agir e do grupo de mulheres Pão e Rosas

O que é o Coletivo Agir?
O Coletivo Agir é um grupo formado por estudantes de graduação e pós-graduação da USP, além de ex-alunos e funcionários da instituição. Temos em comum uma formação marxista e o objetivo de não nos focar em discussões meramente teóricas que se fecham em pequenos círculos acadêmicos. Buscamos unir teoria e prática de forma orgânica, travando um diálogo entre diversos setores da sociedade.

Qual o objetivo deste projeto de educação?
O projeto de educação e cultura possui como intuito geral a formação e o diálogo político com setores populares. Temos como objetivos:
- Garantir o direito à educação, enquanto condição para a atuação política;
- Ampliar os espaços de construção do conhecimento dentro da universidade para que também os trabalhadores sejam incluídos nesse processo de produção;
- Oferecer um projeto através do qual seja possível a formação de sujeitos críticos, já que a educação oferecida pelas escolas regulares tem se mostrado insuficiente nesse quesito.
- Buscar uma educação vinculada à realidade e às necessidades práticas dos trabalhadores;
- Buscar a troca de saberes: compartilhar experiências e integrar o mundo intelectual à luta política dos trabalhadores;
- Discutir os ideais de educação pública e concepções políticas;
- Levar à compreensão de que o ato de estudar é um dever político.
- Relacionar a educação à esfera cultural (cinema, teatro, Internet, etc.). Todos esses temas devem ser tratados de uma perspectiva política, visando sempre a troca e construção de saberes dos envolvidos.

Porque fazer em conjunto com o Sintusp?
Diante dos últimos acontecimentos vividos na USP, que visam à luta pela democratização da universidade, vemos o SINTUSP como um aliado na construção desse projeto, tendo em vista o relevante papel de agente político desempenhado pelo Sindicato, ao se mostrar resistente às tentativas de sucateamento da USP e outras medidas neoliberais implementadas ao longo das últimas décadas. Por partilharmos com o SINTUSP um profundo interesse na democratização da universidade fazendo com que esta, cada vez mais, deixe de ser um benefício destinado a poucos, nós nos sentimos honrados com a possibilidade de desenvolvermos em conjunto esse projeto.

E os trabalhadores terceirizados?
Os terceirizados, apesar de contribuírem com o desenvolvimento da universidade, são excluídos da construção do conhecimento aqui produzido, de forma ainda maior que os funcionários concursados. O SINTUSP e o Coletivo Agir, por não concordarem com a terceirização, que escraviza, humilha, e divide, gostariam de abrir as portas deste projeto também aos terceirizados, para que a USP seja cada vez menos um local onde haja setores separados. Temos em mente, no entanto, que a luta pelo fim da terceirização e incorporação dos terceirizados como funcionários contratados diretamente pela universidade é maior que nosso projeto, e deve continuar a existir.

Você acha que o Pão e Rosas pode contribuir pra esse projeto?
Como o Coletivo pretende desenvolver um projeto ligado a movimentos populares, o Pão e Rosas é mais do que bem vindo como parceiro. Um movimento que traga à tona a luta das mulheres relacionada a uma posição classista pode contribuir de muitas formas na organização do projeto, elaborando atividades culturais e módulos que explorem a discussão do papel de mulher na sociedade, por exemplo. Será uma contribuição interessante, com certeza!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Estas mulheres são aquelas que limpam todos os prédios da Fundação Santo André mas são impedidas de sentar nas carteiras e estudar"

O outro lado da terceirização... A modalidade de vínculo empregatício terceirizado tem se alastrado pelos mais diversos setores do mercado, e na Fundação Santo André isso não é diferente! Sob o argumento de dinamizar o trabalho em alguns ramos de uma determinada empresa, indústria, universidade... o que se mostra realmente é um brutal golpe contra os trabalhadores. Estes ataques se expressam na falta de estabilidade, baixissimos salários comparados aos funcionários efetivos, maior incidência de assédios morais, divisão da categoria entre efetivos e terceirizados, punições como o não recebimento de cesta-básica por motivo de falta ainda que com atestado médico, impossibilidade de se organizar sindicalmente e questionar os abusos da patronal, o que reflete por exemplo o fato de não existirem leis específicas que garantam os direitos da categoria. Estes são alguns dos cotidianos abusos sofridos pelos trabalhadores terceirizados, que se intensificam ainda mais quando se trata das mulheres, pois bem sabemos que a nós recaem os serviços mais precarizados, como visivelmente podemos observar no setor da limpeza. Estas mulheres são aquelas que embora garantam toda a limpeza dos prédios da FSA (trabalho este sem o qual não seria possível haver todas as atividades acadêmicas que aqui ocorrem), são privadas de sentar nas carteiras e estudar, ou ao menos ter a perspectiva de que seu filho o faça. Com tudo isso se prova o quão mentiroso é o discurso de emancipação feminina através da inserção ao mercado de trabalho, já que a nós ainda é relegado a “natural” função de donas do lar e mães, tendo, após ao expediente, que garantir todas as tarefas de casa sem nenhuma remuneração. O trabalho masculino só se assegura através do naturalizado trabalho doméstico feminino não remunerado!

Neste marco a agrupação de mulheres Pão e Rosas ABC agora conta com uma Casa para discutir suas opressões, pensar em meios para combatê-las, se expressar culturalmente,...enfim, todas as práticas que a nós são barradas pela sociedade capitalista. Casa de Cultura e Política na Rua Príncipe de Gales, 527, Bairro Príncipe de Gales (próximo à FSA)

Campanha Latino-Americana pelo Direito ao Aborto chega na USP São Carlos

Veja exposição que compõe a Campanha Latino-Americana pelo Direito ao Aborto na USP de São Carlos. Para organizar essa exposição em sua universidade ou local de trabalho, envie um email para paoerosasbr@gmail.com

"Neste 28 de setembro não poderíamos deixar de gritar pelas mulheres hondurenhas que resistem bravamente ao golpe!"

Neste ano, o 28 de setembro, Dia Latino Americano e Caribenho Pelo Direito ao Aborto, não poderia passar sem a denúncia do que acontece em Honduras nesse exato momento. No mesmo dia em que se completavam três meses do golpe, as mulheres latino-americanas saíram às ruas para defender o direito a decidir sobre os seus próprios corpos.

Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas estivemos no ato da Praça da Sé em São Paulo convocado pela Frente contra a criminalização das mulheres e pela legalização do aborto. Somando nossas vozes ao grito “Legalizar o aborto! Direito ao nosso corpo, denunciamos que as mulheres seguem morrendo por abortos clandestinos, enquanto se propagam os discursos “em defesa da vida”. Assim como no 8 de março e no 1º de maio, saímos cantando: “Basta de estupros, de morte e de dor. Hipócrita Igreja está com o estuprador”, lembrando do caso absurdo de Olinda, quando um bispo afirmou que o aborto era um crime pior que o estupro ao se contrapor ao direito ao aborto de uma menina de 9 anos que havia sido estuprada.

Não poderíamos deixar de gritar pelas mulheres hondurenhas que resistem bravamente ao golpe que propaga uma repressão brutal com estupros, prisões, torturas e assassinatos. Nos últimos dias, o toque de recolher vem impondo um patamar superior de repressão, a qual o povo hondurenho segue combatendo nas ruas. Ao contrário de alguns setores presentes no ato que nos questionaram dizendo que não deveríamos falar de Honduras num ato sobre o direito ao aborto, respondemos que nossa luta em defesa das mulheres passa pelo combate aos setores da direita pró-imperialista e à defesa de todas as mulheres que se colocam na linha de frente hoje em Honduras.

Frente à ofensiva dos setores reacionários que se colocam contra o direito ao aborto, infelizmente o ato expressou que ainda há muito a avançar na mobilização em defesa desse direito. Apesar de o manifesto da Frente ser assinado por tantas organizações, infelizmente o ato não expressou a mobilização que cada organização, movimento, etc poderia fazer para colocar nossas vozes nas ruas com muito mais força. A Conlutas e a ANEL – que por sua vez havia aprovado por proposta nossa participar das atividades do 28 de setembro – não colocaram suas forças para levar trabalhadoras/es e estudantes ao ato. Seguimos afirmando que é fundamental avançar em ações comuns pelo direito a decidir sobre os nossos corpos. Seguimos gritando: Nenhuma morta mais! Pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Entrevista com Diana Assunção, trabalhadora da USP, sobre precarização do trabalho e homenagem a Mercedes Sosa hoje, às 19h30 na Rádio MUDA

O programa Pão e Rosas dessa semana traz uma entrevista com Diana Assunção, trabalhadora da USP e integrante do Pão e Rosas sobre terceirização e precarização do trabalho. Saiba como a flexibilização trabalhista que vem ocorrendo nos últimos anos afeta a classe trabalhadora e, principalmente, entenda porque a mulheres são as principais vítimas desse processo. Acompanhe o movimento no Giro Pão e Rosas e fique por dentro da nossa atuação em diversos lugares. Ouça ainda uma homenagem a cantora argentina Mercedes Sosa, falecida no último dia 04. O programa Pão e Rosas vai ao ar toda quinta às 19h30. Ao vivo em Barão Geraldo na rádio Muda, 105,7MHz FM ou pela internet no site http://muda.radiolivre.org/ . Não perca!

“Essas mãos quebradas são as mãos da resistência”

Carta da escritora feminista hondurenha Jéssica Islã ao seu irmão, agredido e preso pelos golpistas nas mobilizações que se deram na Embaixada do Brasil, em Honduras, onde quebraram suas duas mãos.

Ao meu irmão Léo. Penso que mãos não são mais que algumas mãos. As que tenho em frente: feridas, machucadas, cortadas em pedaços. Mãos com dedos imperfeitos, quebrados por outras mãos cheias de ódio. Mãos que sustentei entre as minhas de irmã mais velha desde o berço até que crescessem, pouco a pouco, para que moldassem sua própria vida. Mãos que defendi para que pudessem crescer sãs, sem contusões, nem golpes, para poder acariciar e abraçar a vida, para estudar, fazer anotações e escrever. Mãos para desenhar e curar. Mãos para dar risadas.

Esse mesmo par de mãos se defenderam surpreendidas, enquanto caminhavam alegres junto ao corpo, que ia em direção à casa de um amigo. Só puderam formar um muro frente aos golpes e aos chutes e pontapés de vinte policiais. Duas mãos, contra quarenta extremidades de fúria. Essas mãos só puderam quebrar-se, devido à violência sem sentido, pela violência que se crê estar no direito da razão. Mãos que agora são de gesso e estão imóveis, que nunca ficarão iguais e terão que percorrer um longo caminho até curar-se. Mãos que são a face angustiada da minha mãe acompanhada de sua pergunta: “Como isso aconteceu?”. Mãos que são minha raiva e minha impotência. Uma dor que explode em cada parte do meu corpo e que rasga minhas entranhas. Salga, se retorce e pestaneja.

Penso porque me dói tanto, e imagino o que eu faria sem minhas mãos sem os dedos que teclam nesse momento, sem minha ferramenta de vida, sem minha voz. Sem todas essas mãos que me sustentam: as mãos de meu companheiro e minha filha sobre minhas mãos a me consolar; as de Manitos Negras, sobre minhas costas brancas doentes, me fazendo chorar; as de Margarita que no computador traduzia às outras minhas mensagens de auxílio e apoio, enquanto sofria sua própria dor, sua própria perda. As mãos da irmã com nome de abelha que cada dia se assegurava que estivera bem. As mãos que sustentam o cobertor de solidariedade infinita de El Salvador, Costa Rica, México, Cuba, Argentina e Guatemala. As de minhas irmãs escritoras e a “teia de aranha” tecida pacientemente por minhas irmãs e irmãos hondurenhos direto desta resistência. As mãos de meus antepassados, anciãos, bruxas e guias espirituais. As mãos de Obatalá e Oshúm.

Essas mãos quebradas são as mãos da resistência. Espancadas, quebradas, mas firmes. Mãos dignas que gritam uma mensagem ao mundo que ainda não escuta. Que cuidam e acolhem, que embalam, se encolhem, cozinham, se levantam e abraçam. Mãos que com paciência, tempo e ternura voltarão a curar-se e a crer. Que não voltarão a ser as mesmas. Que crescerão de outra forma, que se curarão mais ou menos, que se estenderão ao mundo. Que em si mesmas formam uma voz. Que são milhares de mãos e ao mesmo tempo uma só. Algumas mãos são todas as mãos...

Jéssica Islã, direto de Honduras
Outubro, 2009

*Traduzido por Livia Barbosa, do Pão e Rosas Franca.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pão e Rosas Rio Claro convida: exibição do documentário "O aborto dos outros" e debate.

Hoje na Unesp Rio Claro o grupo de mulheres Pão e Rosas realiza a exibição do documentário "O aborto dos outros" seguido de debate sobre o tema. A atividade integra a Campanha Latino-americana pelo Direito ao Aborto. Saia mais sobre a campanha clicando aqui.

Zinho Trindade, Mara Onijá, Gabriel Nascimento, Bá Kimbuta, Pedro QI Alforria e Coletivo Radiola na jornada Artistas Contra o Golpe em Honduras

No último sábado, dia 03/10, o Pão e Rosas gritou uma vez mais contra o golpe em Honduras. Organizada pelo Pão e Rosas, juntamente com o Movimento A Plenos Pulmões e a LER-QI, a jornada cultural Artistas Contra o Golpe em Honduras, contou com a presença de artistas como Zinho Trindade, Gabriel Nascimento, Mara Onijá, Bá Kimbuta, Pedro QI Alforria e Coletivo Radiola, além de exposições e roda de poesias.

Mara Onijá começou sua apresentação saudando as mulheres hondurenhas que resistem bravamente ao golpe que traz ao povo hondurenho uma dura repressão com prisões, torturas, estupros e assassinatos.
Que o sangue derramado não seja negociado! Esta foi a principal afirmação lembrada na apresentação de vários artistas que se colocam contra o golpe em Honduras na Casa Socialista Karl Marx em SP.
Confira em breve mais fotos e vídeos dessa jornada cultural.