quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Boletim Pão e Rosas especial 8 de março!

Leia e difunda o novo boletim especial 8 de março!


EDITORIAL: Da Copa eu abro mão! Pelos direitos das mulheres, contra Dilma e o Patrão!


         O Brasil com as “jornadas de junho” de 2013 foi palco de grandes manifestações políticas históricas, não apenas pelo número de pessoas que saíram as ruas mas também pelo conteúdo político profundo determinado pelas demandas sociais mais sentidas pelo conjunto da população. Foi um movimento que se enfrentou diretamente com os governos federal, estaduais e municipais e fez uma importante experiência com a política e repressão depois de décadas de estabilidade social e ofensiva neoliberal. Não é à toa que todos dizem que o país não é mais o mesmo, pois o país realmente mudou! O governo Dilma e os governos estaduais recuaram no aumento das tarifas, o que significou uma vitória da mobilização de massa.
Porém, todas as demandas sociais que surgiram em junho permanecem sem solução. Um dos principais catalisadores da repulsa social foram os exorbitantes gastos da Copa do mundo - 38 bilhões de reais, a copa mais cara da história - enquanto as necessárias obras sociais como moradia, saneamente básico, creches, hospitais, escolas e transporte são deixadas de lado. Milhares de mulheres saíram às ruas em junho reivindicando melhoria dos serviços públicos, pois são as que mais sofrem, cotidianamente, com as péssimas condições dos mesmos. São as mulheres também que seguem sendo violentadas todos os dias, que morrem por abortos clandestinos e por não terem acesso a um sistema público, gratuito e de qualidade, e vivem do trabalho precário como a terceirização, que “tem rosto de mulher”!
Essa Copa está sendo feita através de corrupção, superfaturamento e privatização. Várias famílias nas proximidades dos estádios estão sendo removidas, deixando avós, mães e filhos sem moradia. Essa Copa também é baseada no trabalho precário onde vários trabalhadores foram mortos nas obras sem segurança e feitas “a toque de caixa”. Quando chegar mais próximo da copa veremos que, na realidade, as cidades serão montadas apenas para receber os turistas, enquanto para os trabalhadores e lutadores mais repressão e exploração! Para as mulheres mais violência, tráfico de mulheres e redes de prostituição para alimentar o turismo sexual! E ainda contamos com deputados que se dizem de esquerda, como Jean Wyllis do PSOL, que defende um projeto de lei que permite a cafetinagem.
O governo de Dilma, apesar de ser uma mulher, não responde aos interesses das mulheres, menos ainda das mulheres trabalhadoras. Por isso as mulheres trabalhadoras e jovens têm que se organizar de maneira independente dos patrões e dos governos! Também não podemos confiar na burocracia sindical que vende nossos direitos! Devemos nos organizar em nossos locais de trabalho e estudos para sair às ruas como saímos em junho, e sermos milhões lutando por nossos direitos! Por um 8 de março classista e anti-governista!
           
Da Copa eu abro mão! Basta de assédio e violência! Pela estatização dos transportes com gestão de trabalhadores e controle dos usuários!

A demanda que motorizou as mobilizações de junho foi justamente o transporte. O direito ao transporte não se trata apenas de mobilidade urbana como querem dizer, mas de desigualdade social profunda. Quem mais sofre com os elevados preços e péssimas condições de transporte são os trabalhadores, principalmente os de serviço precarizados, como as mulheres e os negros, que chegam ao absurdo de gastar até seis horas por dia para chegar ao trabalho e voltar para casa. Essas horas, obviamente, não são remuneradas pelos patrões, siginificando uma superexploração dos trabalhadores e, neste contexto, as mulheres, com sua tripla jornada e com essas horas perdidas, têm suas vidas cada vez mais degradadas. Agora, os governos descaradamente retornam com os aumentos das tarifas, como no Rio de Janeiro que Paes aumentou para R$ 3,00, o que significa um roubo direto dos trabalhadores! Para as mulheres, o transporte superlotado ainda significa dar espaço para assédio sexual e violência, como as trabalhadoras e jovens vivem todos os dias!
Temos que dar um basta! Nas mãos dos capitalistas e de seus governantes as demandas sociais de junho não terão solução. Por isso, através dos seus sindicatos, organizações e movimentos, os trabalhadores e as trabalhadoras, junto com a juventude, podem reorganizar o movimento nacional verdadeiramente em defesa de um transporte de qualidade, seguro e com tarifa reduzida! Para nós, mulheres do Pão e Rosas, o problema transporte só pode ser resolvido atacando os interesses capitalistas através da estatização de todo sistema de transporte sem indenização, pois assim, o transporte poderá funcionar de acordo com as necessidades da população e não dos lucros de um punhado de parasitas! Porém não basta ser estatal, pois os governos já mostraram que não governam para a população e todos seguem a política de privatização, terceirização e corrupção. Em São Paulo, onde o Metrô é estatal, temos a comprovação disso, com cada vez mais falhas, acidentes, panes, e violência para as mulheres! Por isso defendemos que os transportes sejam geridos pelos trabalhadores e que tenha um controle dos usuários, através de alianças com organizações de bairro, outros sindicatos e organizações!

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Da Copa eu abro mão! Basta de violência contra as mulheres! Organizar a luta a partir dos sindicatos e locais de trabalho e estudo!

O Brasil é reconhecidamente um país com altos índices de violência contra a mulher: a cada 15 segundos uma mulher é espancada, a cada 2 horas uma é assassinada e em 2012 dados oficiais registraram 50.617 estupros (que foram notificados!). Esse ano, os números aumentarão com a Copa, intensificando o turismo e exploração sexuais.  As diversas violências extremas que sofremos, física e psicológica – estupros, feminicídio, mortes por aborto clandestino - expressam a violência cotidiana em nossas casas e trabalho: o assédio moral e sexual, a mercantilização do nosso corpo e a imposição dos padrões de beleza.
O governo Dilma lançou ano passado o programa “Mulher, viver sem violência”, de combate à violência contra a mulher. Contudo, no governo da primeira mulher presidente, a violência foi cotidiana para a maioria das mulheres nos trabalhos precários; para as mulheres que pegam transportes lotados para ir trabalhar e as que deixam suas vidas nas filas e hospitais cheios.
Somos tratadas como propriedade dos outros, submissas, e não temos o poder de sermos sujeitos de nossas vidas.  O controle de nossos corpos serve para que quando voltemos do trabalho (precário, maioria dos casos), façamos todo o serviço doméstico, cuidemos dos filhos e familiares, reproduzindo a força de trabalho sem recebermos por esse serviço que o Estado deveria garantir. Essa dominação serve para que fiquemos restritas à vida “privada”, que nos consome e impossibilita nosso convívio social e político. O controle do corpo da mulher pelo Estado, pelo marido e pelo patrão é funcional para que a burguesia siga nos explorando.
A Lei Maria da Penha, aprovada em 2006 no governo Lula, que criminaliza a violência doméstica contra a mulher, foi um avanço no nosso arcaico código penal. Porém, dados de 2013 mostram que a lei não foi suficiente para diminuir o número de mulheres assassinadas. Tal combate à violência deve estar ligado à luta contra o sistema opressor em que vivemos. Além disso, a gritante violência policial nos afeta diretamente. Somos violentadas e estupradas pela polícia, vemos nossos maridos e filhos serem assassinados ou “desaparecem”, como foi o caso de Amarildo, no RJ. Por isso não devemos ter nenhuma confiança no Estado, na polícia e nem nos governos, que são aliados dos empresários e dos setores mais conservadores das Igrejas. As saídas institucionais não vão contra o capitalismo que legitima a opressão. Diferente do que defendem outros movimentos de mulheres, como o setor majoritário do Movimento Mulheres em Luta – o qual integramos –, sabemos qual o papel da polícia e somos contra a defesa de mais delegacias de mulheres, pois significaria mais violência e repressão. Devemos organizar saídas independentes, exigir estruturas para o atendimento às vítimas de violência que não estejam subordinadas à polícia, como casas abrigo sob o controle das vítimas e profissionais.
A violência que sofremos não é individual! Deve ser discutida junto aos trabalhadores e os setores oprimidos da sociedade para acabarmos com o sistema de exploração, passando pelos organismos de auto-organização nos locais de trabalho e estudo: sindicatos, centrais sindicais e centros acadêmicos, com criação de comissões independentes que discutam essa questão e apurem os casos de violência contra a mulher.

Basta de violência contra os LGBTTs!

O Brasil é também um dos campeões mundiais de violência e assassinatos aos LGBTTs, sendo que em 2013 foram quase 10 mil violações e mais de 300 assassinatos, considerando somente os dados oficiais. Além disso, as travestis e transexuais serão as mais atingidas pelo aumento do turismo e exploração sexual durante a Copa. Enquanto isso se mantém os Bolsonaros, Felicianos e toda corja de homofóbicos nos governos! Basta já!

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Da Copa eu abro mão! Pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! Por um SUS 100% estatal sob controle dos trabalhadores e usuários!

           O direito ao aborto é uma demanda histórica urgente. Infelizmente, essa importante bandeira tem sido secundarizada por diversos movimentos de mulheres.
            No Brasil, há uma mulher no poder – reivindicada por várias feministas como uma vitória –, o que não representa avanços para as mulheres. Dilma, do PT, escreve em meio a sua campanha eleitoral, a “carta ao Povo de Deus”, em que retira seu projeto de legalização do aborto para tranquilizar setores religiosos, em um país pretensamente laico. Tais acordos implicam em ataques aos nossos direitos, pois fortalecem as bancadas religiosas e atuação de parlamentares como Marco Feliciano (PSC) e Jair Bolsonaro (PP), claramente machistas, racistas e homofóbicos. Junto a isso, há o retrocesso representado pelo avanço do Estatuto do Nascituro (“Bolsa Estupro”), um projeto que dá direitos plenos ao feto ainda no corpo da mulher, secundarizando os direitos e a saúde da própria mulher, mesmo que essa gravidez seja fruto de um estupro. Pelo arquivamento do Estatuto do Nascituro! Pela separação entre a Igreja e o Estado e fim do acordo Brasil-Vaticano!
          Nesse contexto de legitimação da violência e negação de demandas básicas, o direito da mulher sobre o próprio corpo é vetado, lhe restando apenas a clandestinidade. Na ilegalidade, a maioria das mulheres abortam de maneira insegura: a cada ano, cerca de um milhão de mulheres realizam abortos clandestinos no Brasil, sendo que 250 mil tem complicações, levando à morte de 1 mulher a cada dois dias. É a quinta causa de morte materna, se consideramos os dados oficiais, mas na verdade é muito mais, já que muitas morrem desapercebidas. Majoritariamente, são as mulheres trabalhadoras e negras que morrem, por não poderem arcar com os custos de um aborto seguro. A luta pela legalização do aborto, além de ser a luta por decidir pelo próprio corpo, é uma questão de saúde pública, a qual a precariedade dos serviços afeta diretamente as mulheres.
           Em 2013, nas Jornadas de Junho, uma das reivindicações foi a qualidade da saúde pública. O SUS tem sua administração cada vez mais concentrada nas mãos de empresas privadas, o que agrava mais a situação precária de trabalhadores e usuários: longas filas, infraestrutura ruim, falta de materiais, e poucos profissionais para atender com qualidade os trabalhadores e o povo pobre. As poucas mulheres que recebem tratamento não dispõem do tempo necessário para se recuperar, e acabam voltando aos postos de trabalho. A negligência ocorre também no atendimento a nossos filhos. Por isso é necessário lutar por um SUS de qualidade, 100% estatal, controlado pelos trabalhadores e usuários, que na sua maioria são mulheres. Somente um sistema de saúde que leve em conta a saúde integral da mulher pode garantir seus direitos com segurança, ou seja, um aborto legal, livre, seguro e gratuito.
         Por outro lado, a mesma precariedade dos serviços públicos não dá às mulheres o pleno direito à maternidade, pois quando decidem ter o filho não possuem estrutura, o que intensifica a dupla jornada de trabalho para a mulher que trabalha e cuida dos filhos. Por isso lutamos também por creches, hospitais, restaurantes e lavanderias públicas para as mulheres que decidirem ser mães!
           Desde criança aprendemos que não somos donas dos nossos corpos e não pertence a nós a decisão de sermos mães e de como vivenciar nossa sexualidade. A educação sexual e as políticas de prevenção à gravidez são falhas e pouco consideram as individualidades de cada mulher. É importante que nossa luta seja também por educação sexual livre nas escolas, e contraceptivos gratuitos e de qualidade nos postos de saúde!
           
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Da Copa eu abro mão! Por igual trabalho, igual salário, iguais direitos! Efetivação de todas terceirizadas sem concurso público!

            A precarização do trabalho é uma realidade que atinge – escraviza e humilha – milhões de brasileiros e que se expressa fortemente através da terceirização. Há, hoje, cerca de 12 milhões de terceirizados no Brasil, sendo que a maioria são mulheres negras. A burguesia, para garantir a ofensiva dos países imperialistas, criou mais essa divisão da classe trabalhadora, dividindo-a em efetivos e autônomos, o que aumentou, ainda mais, a precarização generalizada do mercado de trabalho, pois é resultado da perda dos direitos trabalhistas, conquistados durante anos de lutas.
            Umas das formas mais antigas da divisão da classe trabalhadora, e que evidencia a apropriação pelo sistema das formas de opressão, é a divisão entre homens e mulheres. As mulheres entraram no mercado de trabalho, mas não participam em condições de igualdade com relação aos homens. Elas recebem salários inferiores e enfrentam duplas, as vezes triplas jornadas de trabalho, ao terem que chegar em casa e ainda arcar com as tarefas domésticas e cuidados com os filhos.
            O trabalho realizado em empresas terceirizadas da área de limpeza pode demonstrar, de forma mais clara, as situações de exploração, segregação, machismo e racismo. A grande maioria de trabalhadores destas empresas são mulheres – pois se institui que este tipo de trabalho é feminino –, em sua maioria negras, que possuem jornadas de trabalhos extenuantes e salários minúsculos. Além disso, sofrem uma enorme repressão por parte das chefias, são as mais suscetíveis ao assédio moral e sexual, além da violência física.
           Durante os anos de governo do PT houve um aumento massivo do trabalho informal, da terceirização e da rotatividade dos cargos. É sob esse mesmo governo que se vangloria de ter criados vários postos de trabalho – precários – que vem sendo discutido, no Senado, o projeto de lei conhecido como lei Mabel (PL 4330), que liberará a terceirização de todas as atividades produtivas de uma empresa. Isso mostra que o governo não leva em conta as condições precárias que os trabalhadores vêm enfrentando e que, mesmo sendo uma mulher, a presidente não representou avanços para as demandas das mesmas, mostrando que governa para os ricos, para a FIFA, banqueiros e empresários. Pelo imediato arquivamento da PL 4330!
            Nós temos orgulho de ter apoiado e participado, lado a lado, da luta de trabalhadoras terceirizadas contra as condições precárias de trabalho. Apoiamos, nos anos de 2005 e 2011, as trabalhadoras das empresas Dima e União (terceirizadas contratadas pela USP) que se auto organizaram e reivindicavam seus direitos e salários, aos patrões e à burocracia da Universidade, após estas empresas decretarem falência e as deixarem à míngua. Silvana, militante linha de frente do nosso grupo e grande protagonista dessa luta, disse que foi após essa greve que ela percebeu que não poderia ter patrão dentro de sua casa, se libertando das amarras do patriarcado. Também participamos da luta dos trabalhadores terceirizados da empresa Façon do Metrô de São Paulo, e recentemente fizemos uma grande batalha por melhores condições de trabalho e saúde a partir da morte da companheira Regina, terceirizada da empresa de limpeza Higilimp no Metrô de São Paulo.
           Propomos uma campanha nacional contra a terceirização e precarização do trabalho, através da efetivação de todos os terceirizados sem a necessidade de concurso público! Também lutamos pela igualdade dos salários, pois, independentemente do sexo e da classificação do trabalho (efetivo ou terceirizado), os trabalhos são iguais!

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Que 8 de Março precisamos?

         Como já dissemos neste boletim, a mulheres seguem sofrendo com a opressão, exploração capitalista e todas as formas de violência. Mas a história mostra que a participação das mulheres sempre foi determinante para que os processos revolucionários fossem vitoriosos, pois como diria o grande dirigente da Revolução Russa Leon Trotsky, “aqueles que lutam com mais energia pelo novo são os que mais sofreram com o velho”. Nesse 8 de março, numa situação nacional onde as jornadas de junho mudaram o país, as mulheres jovens e trabalhadoras unidas ao conjunto da classe trabalhadora e da juventude devem confiar em suas próprias forças para arrancar seus direitos. 
           Como  resposta às mobilizações  de  Junho,  o governo Dilma  (PT) anunciou medidas  para atender  “a voz das  ruas”,  entre  elas  a  reforma  política.  Uma  tentativa  de  desvio das  manifestações  de  rua  contra  as  péssimas  condições  de  vida  para  uma  saída  que  busca  aperfeiçoar a  democracia  dos ricos.  Mas  2014  nem  bem  começou  e  já  se  percebe  a  crescente  disposição  de mobilização nas ruas contra a violência policial, a homofobia e com greves fortes como a dos rodoviários de Porto Alegre. Cada vez mais se desfaz a ilusão que o PT e outros partidos da ordem  poderiam se desvencilhar das grandes empresas para investir e realizar melhorias nos serviços públicos e nas condições de vida da população.
           Em  coro  as  ruas  apontam  suas  prioridades: “Se  não  tiver  direitos,  não  vai  ter  Copa!”.  A  reforma política não é o grande anseio colocado. Ainda assim, a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) defende a Reforma Política e um plebiscito como principal pauta na luta pela emancipação da mulher nesse 8 de março, pois seria “passos na despatriarcalização do Estado” e na garantia dos direitos das mulheres. Ao mesmo tempo que também não querem se confrontar contra a Copa do mundo preparada através do suor dos trabalhadores, repressão e mais violência contra as mulheres, pois seria questionar o governo Dilma e sua aliança com os empresários e corruptos da FIFA. As feministas governistas chegam a dizer que a reforma política é a forma de avançar na luta contra o patriarcado e o Estado que legitima o machismo e  violência contra as mulheres. Como se uma reforma fosse capaz de muda o caráter de classe do Estado, que é o Estado dos ricos, da burguesia, e avançar na luta pela emancipação das mulheres. Para isso defendem maior participação das mulheres nos meios institucionais através da disputa eleitoral, como se a participação das mulheres já bastasse para avançar em nossos direitos. Mas omitem que Dilma, uma mulher no poder, governa para os ricos e em aliança com os setores mais reacionários que criminalizam as mulheres e o aborto. Na década petista, Lula e Dilma também se utilizaram da opressão às mulheres para aumentar a exploração, precarizando as condições de trabalho, sendo as mulheres as mais precarizadas e seguimos responsáveis pela dupla e tripla jornada de trabalho, enquanto os patrões se utilizam desse trabalho doméstico não pago para garantir seus lucros. 
        Nós mulheres combativas, classistas e revolucionárias dizemos basta! Precisamos retomar as mobilizações de rua através de nossa organização nos locais de trabalho e estudo com independência dos patrões, governos e burocracias dos sindicatos, para seguirmos na luta por nossas demandas como saúde, educação, moradia e transporte contra a reforma política Dilma que para nada avançará em nossos direitos. Neste 8 de março devemos sair as ruas com uma política antigovernista e contra os patrões para lutarmos contra a exploração, toda forma de opressão e contra a violência do estado, física e psicológica contra as mulheres. Por isso nós, do grupo de mulhere Pão e Rosas faremos ouvir nas ruas e nos locais de trabalho e estudo: “Da copa eu abro mão, pelos direitos das mulheres contra a Dilma e o patrão!”
          É neste sentido que nós, que também integramos o Movimento Mulheres em Luta (MML), debatemos com as militantes do PSTU, setor majoritário do MML, para  construirmos um 8 de março classista, anti governista e anti capitalista. Pois corretamente colocam a denúncia da copa do mundo e as conseqüências na vida das mulheres, mas a principal política que levam à frente é a exigência de investimentos para o combate à violência contra as mulheres e para direitos sociais, sem denunciar o governo Dilma e defender um programa que responda de fato os anseios das mulheres e população, atacando os lucros dos patrões e governos que só nos oferecem violência e exploração. Tudo isso em nome de uma unidade para disputar a consciência das mulheres que ainda têm ilusões no governo Dilma. Mas achamos que esta política está equivocada pois está para trás do significou as mobilizações de junho, com as massas nas ruas questionando os governo, e também está para trás da potencialidade que mostrou o Encontro do MML em outubro de 2013, com mais de 2 mil mulheres, confirmando que podemos organizar milhares de mulheres nas bases dos locais de trabalho e estudo com uma política antigovernista e classista, sendo esta a maneira mais correta de disputar mentes e corações das mulheres para uma política verdadeira na luta pela emancipação das mulheres! Por isso chamamos a todas as mulheres que simpatizam com a MMM a romper com o governo Dilma e forjarmos uma verdadeira unidade classista e de luta pelos direitos das mulheres, contra os governos e em defesa das demandas de junho! E chamamos as militantes do MML a que em cada cidade e estado que impulsionemos atos por um oito de março classista, anticapitalistas, antigovernista e contra Dilma e o patrão!





terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Todo apoio à Profa. Beatriz Abramides! Contra a perseguição política na PUC!



A Profa. Maria Beatriz Costa Abramides acaba de ser condenada em processo disciplinar e punida com uma advertência pela reitoria da PUC. O processo foi aberto devido a sua participação em uma manifestação de caráter político, durante reunião do Conselho Universitário, contra a posse da reitora Ana Cintra, eleita de forma antidemocrática. A companheira Beatriz Abramides tem uma reconhecida trajetória na defesa da universidade, da educação e dos direitos sociais e essa punição é uma clara medida de perseguição política. Sua participação na manifestação foi deliberada em assembleia da Associação dos Professores da PUC-SP, da qual a professora é vice-presidente, sendo portanto este um ataque também a essa entidade, e à organização sindical e política na universidade como um todo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Pão e Rosas se soma à indignação contra o cruel assassinato de Sandra Fernandes, militante do PSTU e do MML de Recife


É com muita indignação que recebemos a triste notícia da morte da companheira Sandra, militante do PSTU e do MML de Recife, e seu filho Cauã, de 10 anos, cruelmente assassinados pelo namorado de Sandra, sendo mais um entre os milhares de casos de feminicídios no Brasil.
Esta violência perpetrada pelo sistema capitalista que só tem a oferecer opressão, exploração e violência contra as mulheres legitima uma ideologia patriarcal onde o papel das mulheres é serem reprodutoras e propriedade privada dos homens. A luta contra esta ideologia e contra a violência às mulheres é a mesma luta contra este sistema!
É fundamental que todos os sindicatos e entidades estudantis estejam na linha de frente no combate contra a violência às mulheres e que possamos juntos, homens e mulheres, lutarmos contra esta cruel realidade de violência contra as mulheres e contra o capitalismo.
Nós do grupos de mulheres Pão e Rosas, que integra o MML, nos solidarizamos com a família e os amigos de Sandra e seu filho, com todos os seus companheiros de luta do PSTU e MML de Pernambuco e nos colocamos à inteira disposição.

Sandra e Cauã, presentes!

Rita Frau, dirigente do Pão e Rosas e da executiva nacional do MML

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

"Regina não foi a primeira, mas exigimos que seja a última!"

Nota do ato do dia 22/01 pela investigação da morte de Regina e por melhores condições de trabalho aos terceirizados do metrô de SP




“Regina não foi a primeira, mas exigimos que seja a última!"
Eram estas as palavras na faixa do grupo de mulheres Pão e Rosas no ato em solidariedade e pela investigação da morte de Regina, funcionária terceirizada da empresa Higilimp, que teve sua morte oficializada no último dia 05 de Janeiro, no Hospital São Paulo, após ser encontrada desacordada em uma das áreas internas da estação Santa Cruz do Metrô.



Além do grupo Pão e Rosas, estavam presentes representantes do Sindicato dos Metroviários, do Movimento de Mulheres em Luta, SINTUSP, Metroviários pela Base, Juventude às Ruas, metroviários da estação Santa Cruz, além de outros metroviários efetivos e terceirizados.

Muitos usuários pararam para ouvir as falas e chegaram a pedir informações para poderem ajudar na situação, parabenizando os metroviários pela iniciativa.



Uma das intervenções mais emocionante foi feita por um trabalhador terceirizado da Higilimp, na qual ele relatou o tratamento que os funcionários têm dos diretores da empresa, das más condições de trabalho e da extenuante jornada que eles levam para manter as estações do metrô sempre limpas. Em sua fala também colocou que esta não era a primeira tragédia e não seria a última, pois a empresa faz sansões aos trabalhadores que faltam, mesmo apresentando atestado médico e que ele não tinha medo de se apresentar, que poderia ser até demitido, mas que gostaria que todos soubessem o que ocorre por trás da limpeza impecável das estações de metrô de São Paulo.

O ato se encerrou com os participantes em coro: “Ô passageiro eu limpo o chão, mas eu sou contra a escravidão!"

A terceirização fornece um salário de miséria para milhares, causa a maioria das mortes por acidentes de trabalho, segrega a classe trabalhadora e, para as mulheres, ainda recai a dupla ou tripla jornada de trabalho. Não é por acaso que os piores postos de serviço são ocupados por mulheres, na maioria das vezes negras, pois o machismo e racismo, além de outras formas de opressão, são utilizados, pelo sistema capitalista, para explorar ainda mais estes setores.


Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/proxy/AVvXsEhOGAwHjWgQ8_EkcpPbFJvMbVW0gibHr68uikoW9vvMNFfu0ZZ6p68htExezADB2qA83T3ReQnfRigQ2ab5AtsfSKff0awCSMQSTR-1Pcc9TxZfCif8grvurQfMstAlzQF4jx5C6qfvhhB3X-h5ALgNJ8Yzzw=s0-d-e1-ft



“Basta de acordos e de demissões,
Nós somos mulheres que enfrentam os patrões....
... Trabalho precário para nos dividir,
As trabalhadoras não vão permitir,
Sou Pão e Rosas, mulheres em luta já!
O Estado capitalista, não vai nos emancipar!"

Nós do Pão e Rosas chamamos a todas e todos a nos somarmos ao novo ato votado na assembléia de trabalhadores do metrô.

Na Estação Luz, sexta, dia 31/01 as 10h.

Chamado no face: 
https://www.facebook.com/events/1413795882199724/?previousaction=join&source=1

BASTA DOS TERCEIRIZADOS DEIXAREM SUA VIDA NO METRÔ! Melhores Condições de Trabalho já!



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Nota do Grupo de Mulheres Pão e Rosas sobre a morte de Regina, trabalhadora terceirizada da Higilimp




Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas transmitimos nossa solidariedade à família e aos colegas de trabalho de Regina, funcionária terceirizada da empresa Higilimp, que foi encontrada desacordada em uma das áreas internas da Estação Santa Cruz e que teve sua morte oficializada no Hospital São Paulo, no último dia 05. 
Regina, 39 anos, era mulher, negra e mãe solteira de 2 filhos menores de idade. Trabalhava com limpeza, um serviço completamente desvalorizado porque as mulheres limpam, lavam e cozinham todos os dias em suas casas, depois de um dia inteiro de trabalho. As mulheres negras são as que mais sofrem com o machismo e racismo, ocupam os piores postos de trabalho (a maioria das trabalhadoras terceirizadas são negras) e sofrem com a objetificação da mulher.
Essa tragédia é resultado da precarização do trabalho e da vida destes trabalhadorxs que recebem salários miseráveis por jornadas extenuantes de trabalho, não possuem áreas de repouso, plano de saúde, não passam por exames periódicos e  ainda sofrem com descontos nos vales alimentação e transporte em caso de faltas mesmo sendo justificada com atestado médico. 
Apoiamos e participamos da campanha, dos Metroviários pela Base, de denúncia da responsabilidade do metro e da Higilimp, que devem apresentar documentos para apuração das causas da morte de Regina. Exigimos a melhoria das condições de trabalho, pela igualdade de direitos e de salários para os trabalhadores terceirizados, além da contratação destes trabalhadores, sem a necessidade de concurso.
Com isso, chamamos todos a participarem do Ato pela investigação da morte de Regina e por melhores condições de trabalho aos terceirizadxs do metro, que será realizado no dia 22/01 (quarta-feira), às 17h na estação Santa Cruz.
A terceirização escraviza, divide, humilha e mata! Regina não foi a primeira, mas exigimos que seja a última!





quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A MULHER, O ESTADO E A REVOLUÇÃO: entrevista com Diana Assunção sobre edição brasileira

"Um livro que entra de cabeça nos debates sobre o amor livre após 1917”

Parceria entre Edições ISKRA e a editora Boitempo trará publicação inédita para o Brasil sobre as conquistas dos direitos e libertação das mulheres nos primeiros anos após a tomada do poder na Rússia em 1917 e a política do partido bolchevique neste âmbito. “A mulher, o estado e a revolução” é fruto de uma pesquisa da historiadora norte-americana Wendy Z. Goldman e foi publicado em 2010 em espanhol pelas edições IPS. A publicação brasileira terá o prólogo escrito por Diana Assunção, diretora do SINTUSP integrante de sua Secretaria de Mulheres, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas Brasil e dirigente nacional da LER-QI. A tradução será de Natália Viskov, das Edições ISKRA. A seguir entrevistamos Diana sobre este novo lançamento.

Veja também o novo lançamento no site da Boitempo: http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/titles/view/382


JPO: Qual a importância dos temas tratados neste livro?

Diana: Os temas tratados neste livro tem uma importância inédita porque transcendem a luta por igualdade de direitos, tratando dos problemas mais profundos de uma sociedade em transição entre o capitalismo e o comunismo, a partir da maior obra da classe operária mundial que foi a Revolução Russa de 1917. Já é bastante conhecido o fato de que a tomada do poder na Rússia significou um avanço sem tamanho em direitos elementares como a legalização do aborto e o direito ao divórcio – algo que democracias burguesas demoraram décadas para proporcionar às mulheres. Mas o livro “A mulher, o estado e a revolução” entra de cabeça nos debates mais vivos após 1917, quando os bolcheviques não somente tomaram nas mãos o poder de dirigir e construir uma nova sociedade, a partir de planificar a economia, mas também se propunham a pensar os temas relacionados ao combate à opressão às mulheres, uma vez em que ao contrário do que considerava o stalinismo, após a tomada do poder havia uma grande tarefa para consolidar a revolução rumo ao comunismo.

JPO: Qual contribuição você acha que este livro trará para o movimento de mulheres da esquerda brasileira?

Diana: Para nós das Edições ISKRA sem dúvidas o livro é um grande aporte ao movimento de mulheres brasileiro e planejamos fazer junto com a Boitempo grandes lançamentos no mês de março de 2014. O estudo pormenorizado sobre como passar as tarefas domésticas para o âmbito público, libertando as mulheres desta verdadeira “escravidão” como dizia Lenin, um dos dirigentes da Revolução Russa, é um dos pontos fortes do livro. Ao mesmo tempo, trata-se de uma publicação que alcança a profundidade de encarar temas como amor e sexo de um ponto de vista de classe, pensando concretamente como homens e mulheres podem repensar todo o modo de vida, costumes, organização familiar e relações a partir de bases materiais e econômicas totalmente diferentes das que proporciona a sociedade capitalista. O tema do amor livre, praticamente inexistente nos debates atuais da esquerda, é uma das principais investigações através de documentos que registraram reuniões entre os bolcheviques logo após a tomada do poder debatendo sobre o combate a relações que reproduziam a ideia de propriedade, opressão e submissão das mulheres.

JPO: Quais expectativas vocês tem para o lançamento?


Diana: O livro terá alcance nacional e esperamos organizar dezenas de lançamentos com trabalhadoras, estudantes, intelectuais nas principais capitais do país. Queremos discutir que a agrupação de mulheres Pão e Rosas não somente organize um estudo sobre este material, que pode significar um salto na compreensão teórica e estratégica na luta das mulheres, mas também contribuam em fazer chegar esta publicação entre as mulheres trabalhadoras, ecoando em todos os cantos do país.


Entrevista publicada no Jornal Palavra Operária publicado pela Liga Estratégia Revolucionária- Quarta Internacional, dezembro de 2013, n 100.  

SOMOS TODAS SUZANE! NÃO NOS CALAREMOS!


O machismo mata! Mata centenas de mulheres todos os dias. Suzanne quase foi uma delas. A estudante Suzanne, do 5º ano de historia da USP foi arremessada pela janela do 4º andar de apartamento da Vila Mariana, após chamar um cara de machista! Ela sofreu uma tentativa de assassinato e ainda assim a mídia e alguns setores da sociedade tentam atribuir a culpa a ela, sempre colando em dúvida seus depoimentos, questionando sua atitude e seu estado mental na noite do crime. Ouvimos recorrentemente frases como: “o que ela fez para ele fazer isso?”, “Você tem certeza que não fez nada?” ou “estava bêbada, né?”, mas sempre algo que remeta a dúvida quanto a veracidade de suas declarações. Quantas Suzanes não existem por aí? Da periferia de Diadema ao norte da Índia. Suzane não é um caso pontual, é mais uma nas estatísticas de mulheres agredidas e violentadas por homens, que na maioria das vezes, são seus conhecidos. É mais uma mulher sendo acusada, julgada e desacreditada depois de passar por uma tentativa de feminicídio. São milhões de mulheres, trabalhadoras, estudantes, moradoras das periferias, negras que mais sofrem com violência do machismo, de seus companheiros, de desconhecidos, da polícia, do patriarcado. São centenas de mulheres mortas todos os dias e ainda há quem diga que a culpa é nossa! E por muitas vezes essa culpa é incorporada por nós, dificultando mais ainda o processo de superação de uma violência. E quando somos agredidas, a quem procuramos? A polícia que mata, reprime e forja crimes todos os dias nas periferias? A polícia que não leva em conta o depoimento de Suzane na hora de abrir o inquérito? Não precisamos de mais delegacias que só servem para reproduzir a lógica machista, racista e higienista de nossa sociedade.

A violência contra a mulher não é individual e somente através de nossa organização e acreditando na união com todos os trabalhadores é que podemos ter perspectiva de emancipação. Menos polícia e mais casas abrigos para mulheres e seus filhos, formação de comissão de mulheres em sindicatos, organizações de bairro e entidades estudantis para combater efetivamente a violência de nossos dias.

Estamos com você Suzanne! . Que o seu agressor não saia impune da violência cometida, assim como tantos outros! Você não se calou e nós também não nos calaremos! Força!

Que as outras Suzanes que existem por ai, também se levantem. Utilizando das palavras da própria Suzanne: “- Não esperem que te lancem em queda livre, mas caso aconteça, aproveite a brisa e aprenda a voar!”

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Mulher e Revolução: entrevista com a historiadora Wendy Z. Goldman

Entrevista publicada no blog da Revista Ideas de Izquierda – Revista de Politica y Cultura http://ideasdeizquierda.org

tradução de Ana Carolina Fulfaro, do Pão e Rosas Marília




Entrevistamos a historiadora norte-americana Wendy Z. Goldman sobre a política bolchevique acerca da libertação das mulheres durante os primeiros anos logo após a tomada do poder em Outubro de 1917. A autora resume alguns dos esforços para modificar as condições materiais que seriam a base da emancipação das mulheres. Em sentido oposto às políticas implementadas pela burocracia stalinista mais tarde, o bolchevismo questionará - alimentado pelas forças da revolução proletária - as hierarquias da velha sociedade burguesa e de suas instituições.

Ideias de Esquerda: Nos primeiros capítulos do livro A Mulher, o Estado e a revolução, um dos temas centrais são as inovações da Revolução Russa em relação aos direitos civis, especialmente para as mulheres. Para você, quais foram as mais importantes?

Wendy Goldman: Naquela época, em 1918, os direitos mais importantes para as mulheres incluíram a igualdade perante a lei, o direito ao divórcio e o direito ao aborto legal e gratuito. Estes direitos eram essenciais para a independência das mulheres de instituições patriarcais como a Igreja Ortodoxa e outras autoridades religiosas, e do controle de seus pais e esposos. A igualdade perante a lei deu as mulheres o direito a controlar seus salários e suas propriedades, a lutar pela guarda de seus filhos em caso de divórcio, e decidir onde viver, estudar e trabalhar. Esses direitos não existiam antes da revolução. Hoje, em muitas partes do mundo, as mulheres ainda não gozam destes direitos civis básicos ou de igualdade com os homens. Creio que os direitos civis elementares – o direito de serem tratadas em igualdade de condições com os homens em termos do emprego, participação política, educação, papéis sociais, oportunidades – ainda são problemas urgentes. Sob o capitalismo, o direito a um salário digno é um direito essencial para ambos os sexos. Se os homens e as mulheres de todo o mundo gozassem de direitos básicos ao emprego e a um salário que lhes permita sustentar a suas famílias, muitos dos problemas sociais atuais desapareceriam.

IdE: Além dos direitos formais, os bolcheviques acreditavam que a libertação das mulheres seria impossível se não fosse socializado o trabalho doméstico. Este é um enfoque muito interessante, inclusive ainda hoje continua sendo um debate dentro do feminismo (marxista ou não marxista). Por que você acha que se focaram nesse problema?

WG: Os bolcheviques se focaram na socialização do trabalho doméstico porque acreditavam que a libertação das mulheres dependia da autonomia econômica e financeira em relação aos homens. Se uma mulher tinha que depender de um homem para mantê-la, sua capacidade para escolher e tomar suas próprias decisões seria limitada pelo controle econômico. Além disso, os bolcheviques acreditavam que a responsabilização pelo trabalho doméstico era um obstáculo tanto ao ingresso das mulheres ao trabalho assalariado em igualdade com os homens, quanto para alcançar a igualdade de oportunidades na educação. Para alcançar a igualdade na esfera pública, as mulheres deviam ser libertadas da carga desigual do trabalho doméstico que pesava sobre elas. Limpar, fazer as compras, lavar a roupa e cuidar dos filhos pequenos, em síntese, todo o trabalho não remunerado que Marx definiu como “reprodução da força de trabalho”, cotidianamente, consome uma grande quantidade de tempo. Os bolcheviques esperavam libertar as mulheres dos aspectos mais monótonos e pesados deste trabalho para lhes permitir participar inteira e ativamente da sociedade. Realizaram muitos estudos sobre o trabalho e o tempo, sobre a quantidade de horas diárias que as mulheres e homens da classe trabalhadora dedicavam ao trabalho doméstico. O que constataram é que depois do trabalho, os homens liam jornais enquanto as mulheres lavavam roupas. Socializavam com amigos enquanto as mulheres cuidavam das crianças. Jogavam xadrez enquanto as mulheres cozinhavam, limpavam e faziam as compras. Resumindo, os homens podiam se desenvolver como seres humanos enquanto as mulheres serviam à família (e aos homens). A solução bolchevique foi socializar o trabalho doméstico o quanto fosse possível: criar restaurantes públicos, construir lavanderias, criar creches e reduzir o trabalho doméstico ao mínimo. As pessoas que trabalhavam em empresas, tanto homens quanto mulheres, tinham bons salários e seriam respeitados como trabalhadores. O trabalho doméstico, ou uma boa parte dele, seria socializado e remunerado. As mulheres seriam livres para procurar trabalho, se educar e desfrutar do tempo livre em igualdade com os homens. Os bolcheviques tiveram uma excelente ideia, ainda que o Estado fosse pobre demais para transformá-las em realidade.

IdE: É importante destacar que os bolcheviques tiveram uma política aberta sobre as relações pessoais, especialmente considerando o atraso social e cultural da Rússia. Porque acredita que decidiram incluir o amor livre e o questionamento das relações hierárquica entre pais e filhos?

WG: A ideia do “amor livre” data de vários séculos atrás. Tem muita história! Muitos movimentos por justiça social, incluindo as primeiras seitas cristãs sonharam com a ideia de amor livre de condicionantes econômicos. Os bolcheviques vieram de uma longa linha de pensadores socialistas, socialistas utópicos e marxistas, que buscavam criar vidas melhores e mais livres para as mulheres. Também foram conscientes, há muitos anos, da necessidade dos “direitos das crianças”, ou o direito da juventude a se libertar da tirania e do poder abusivo de seus pais. Em uma cultura patriarcal, os pais exerciam um controle tremendo sobre as mães e crianças. Tomavam as decisões sobre o matrimonio, a educação e o trabalho. Os bolcheviques queriam abolir o controle a favor dos direitos do indivíduo, do ser humano. Ao chegar ao poder depois de uma revolução, e com esperanças de construir um mundo novo, muitos juristas, educadores e outros sonharam com novas possibilidades. Eles questionaram as hierarquias de todo tipo, não somente aquelas dentro da família. O Exército Vermelho foi reconstruído sob novas regras mais democráticas em termos das relações entre oficiais e soldados. As escolas tornaram-se mistas, e os professores, estudantes e trabalhadores criaram soviets para governa-las. Os juristas discutiam o “desaparecimento” da lei e do Estado e faziam leis destinadas a incentivar esse objetivo. Inclusive desafiaram as hierarquias na arte e na música. Na década de 1920, os músicos soviéticos experimentaram uma “orquestra sem diretor”. Foi um momento de grande nivelamento e de experimentação apaixonante em todas as áreas da vida.

IdE: Uma das conclusões de seu livro é que a inversão realizada pela burocracia stalinista não foi somente material (considerando a difícil situação econômica) mas também ideológica. Quais são as bases centrais dessa discussão?

WG: Muitas das tentativas bolcheviques de criar mais liberdade para as mulheres enfrentaram a pobreza e a miséria criada por anos de guerra civil. A década de 1920 foi um período de alto desemprego, especialmente para as mulheres. A ideia da independência feminina não podia se realizar simplesmente facilitando o divorcio porque as mulheres não tinham como sustentar a si e a seus filhos. Muitas delas tinham que manter também seus pais e familiares idosos ou deficientes. No entanto, a atitude do Estado com a libertação das mulheres se transformou exatamente no momento em que se iniciou a industrialização e que a União Soviética se transformava em uma sociedade de pleno emprego.
Uma grande quantidade de mulheres ingressaram no mercado de trabalho nos anos 30, muitas com bons salários e em postos industriais. Era precisamente nesse ponto que a libertação das mulheres poderia ter sido realizada. Apesar do Estado soviético incentivar firmemente a educação, capacitação e emprego das mulheres, e criar um sistema massivo de creches e restaurantes públicos, também realizava uma inversão ideológica dos papéis de gênero tradicionais dentro do lar. Além das mulheres trabalharem passaram a ser estimuladas a assumir a completa responsabilidade de criar espaços domésticos acolhedores.
O Estado criminalizou o aborto em 1936 e dificultou a realização do divórcio. Nesse sentido, o Estado stalinista adotou um híbrido de participação feminina na força de trabalho junto com os papeis de gênero tradicionais na família. A criminalização do aborto representou um peso terrível e perigoso sobre as mulheres, que continuaram realizando abortos, mas na ilegalidade. Os hospitais se encheram de mulheres com hemorragias e terríveis infecções. A taxa de aborto caiu momentaneamente em 1937, mas logos subiu rapidamente outra vez; as mulheres sempre tentaram controlar sua fertilidade (é algo essencial para poder escolher livremente e tomar decisões sobre suas próprias vidas). O resultado foi que as mulheres, privadas do direito ao aborto legal e seguro, seguiram abortando, mas recorrendo a métodos perigosos.

IdE: Finalmente, gostaríamos de saber sua opinião sobre a participação das mulheres nas mobilizações que vem se desenvolvendo ao redor do mundo.

WG: Marx, Engels, August Bebel, Clara Zetkin, Lenin, Alexandra Kollontai, e muitos outros pensadores socialistas acreditavam que o trabalho assalariado criava condições para a emancipação das mulheres. Um salário independente libertaria as mulheres da família como unidade econômica e forneceria as bases para sua independência econômica, que por sua vez, lhe permitiria decidir livremente. Creio que esses pensadores tinham razão essencialmente. Hoje, porém, é necessário muitas batalhas, inclusive nos países industrializados e pós-industriais. Em muitos lugares, as mulheres trabalham, mas não tem acesso a um salário digno. As ideias sobre os papeis da mulher na família, as mulheres como objeto sexual, e o não respeito às mulheres como pessoas, são aspectos que ainda devem mudar.
Apesar disso, as mulheres são ativas em todos os âmbitos de uma forma nova e apaixonante. Exigem castigo aos agressores na Índia, reivindicam educação para as meninas no Afeganistão. Na Arábia Saudita reivindicam seu direito a dirigir. Também na América Latina existem novas lutas e reivindicações. Meus filhos alcançaram a maioridade numa nova era. Acreditam que os jovens, sem importar o gênero, possuem os mesmos direitos e oportunidades. Apoiam o direito das pessoas em escolher sua orientação sexual e casar com quem queiram. É claro que eles terão de enfrentar muitos dos mesmo problemas que sua mãe: como combinar o trabalho e a família, como criar um lar amoroso, em que os homens se comportem de forma igualitária dividindo as tarefas domésticas e se ocupando do cuidado das crianças. Lutamos estas batalhas, mas creio que as novas gerações vão fazer melhor do que nós. Nossas meninas vão exigir mais. E assim as coisas se transformarão.

Entrevista: Celeste Murillo.

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WENDY GOLDMAN

É historiadora social e política, especializada em Rússia e União Soviética. É autora de A mulher, o Estado e a revolução (publicado em castelhano pelas Edições IPS, 2010), que foi considerado no momento de sua edição, em 1994, o melhor livro da história escirto por uma mulher nos Estados Unidos. Também é autora de Terror e Democracia na era de Stalin. Dinâmicas sociais da repressão; Mulheres as portas: gênero e indústria na Russia de Stálin. Seu último trabalho publicado foi Íntima traição, um livro que aprofunda no comportamento e a psicologia dos cidadãos soviéticos durante o período do terror estalinista.



Carta aberta da Suzane Jardim



Hoje é dia 05 de dezembro. Aniversário de 21 de uma das pessoas que mais amo em minha vida, minha irmã Suzi. Mas não passarei a data ao lado dela e sim, lembrando de como agora há pouco o Seu Sebastião, velhinho boa praça que chegou ontem, morrer no leito ao meu lado após mais de uma hora de esforço médico. Ele foi o segundo que vi falecer desde que fui internada no dia 30 em estado gravíssimo. Após ser jogada do quarto andar de um prédio... Mas esse texto não é sobre meu dia a dia no hospital, toda a minha dor e tudo que perderei nos dias longos que ficarei aqui. O assunto é outro. Vamos a ele:
Uma bela noite resolvi transar com um homem que eu já havia ficado duas vezes. Senti vontade/tesão e essa é a minha única justificativa e acho que é boa o suficiente pois era algo mútuo e só dizia respeito a nós dois. Após uma longa noite, resolvi confrontar o homem por seu agir, sua fala desrespeitosa, direcionada a mim e a outras mulheres, suas ameaças e sua fala possessiva.
Não foi romântica a nossa primeira vez. Não houve uma discussão frutífera de como ele era uma arma opressora criada pelo patriarcado. Não mandei o meu recado como queria. Apenas cai da janela do quarto empurrada por ele.
Sou solteira. Fui mãe aos 17 anos. Não tenho vontade de casar. Não sou hétero. Sou negra. Desempregada. Tenho problemas psiquiátricos. Falo alto. Danço na rua. Bebo. Fumo. Gosto de sexo. Sou mulher – Se eu não soubesse que ser uma mulher com algumas ou todas essas características faz com que pessoas por aí pensem: “ Deve ter feito algo para o cara ter feito isso” “A história esta mal contada” “ Ela não é santa, deve ter merecido” esse texto não teria porque ser escrito.
Sou um número apenas. Estatisticamente falando, não represento nada. Sei que milhões de mulheres no mundo são humilhadas, oprimidas, violentadas e mortas todos os dias. Sei que ainda mais. Sei que a sociedade contraditoriamente classifica o cara que amamos, casamos, vivemos, transamos desejamos, de “criminoso passional” após ele ter se tornado nosso estuprador, violentador, opressor, assassino (ou quase assassino no meu caso), somente monta um leito confortável e longe dos holofotes para o machismo se esconder – o machismo serve ao sistema e vice-versa e o amor, esse não mata nem oprime.
Entenda a diferença:

1- Jogar qualquer ser humano da janela de um prédio constitui tentativa de homicídio
2- Jogar uma mulher com qual você homem acaba de transar da janela de um prédio, exatamente no momento em que ela joga seu machismo em sua cara e demonstra não ter medo de você na frente de outra mulher é tentativa de homicídio, sexismo, demonstração de superioridade masculina, ameaça para garotas presentes, crime de ódio.

Machismo, isso sim mata e vai continuar fazendo se não gritarmos e lutarmos por nosso simples direito de não sermos violentadas e mortas impunemente.
Autorizei e pedi que amigxs e familiares divulgassem ao máximo meu caso pois vi nele, na improbabilidade da minha sobrevivência e na monstruosidade desse crime, a chance de abrir seus olhos, mulher.
Se você também quer o direito de contestar o que te dói, se quer respeito de seus amigos e parceiros, se quer apenas igualdade, o direito de ser alguém livre e digna, saiba que você o tem desde que nasceu com garantia de que não será exterminada!
Meu direito foi tomado sem permissão e várias liberdades que tinha foram restritas por esse ato: estou presa a uma cama de hospital, com movimentos ultra limitados, fraturas de estado grave, não posso ver ou falar com meu filho, tenho que usar fraldas, após a operações – o que levará meses – carregarei sequelas para toda a vida...Mas sobrevivi e nunca mais me calarão ou poderão tentar achando que minha voz se perderá ao se encontrar com a de milhões.

Não aguarde os extremos!
Imponha-se! Se expresse!
Denuncie! Faço-os ver que não aceitaremos mais o machismo passivamente!
Que a justiça e a lei pensem na mulher!
Sobreviva e lute!

Chorei de alegria em saber que as páginas que curto, pessoas que admiro etc ajudaram o caso a se tornar público. A TV e outras mídias podem fazer suas edições, mas essa carta foi feita para mostrar minha real intenção, minhas reais alegrias e quem realmente agradeço: Quem esta comigo na luta – MACHISTAS NÃO PASSARÃO!
Confesso que não iniciei isso com otimismo ou pensando que teria uma hashtag com meu nome, mas já que assim foi, só agradeço e deixo o último recado amigo a todas as mulheres, amigas e companheiras:
- Não esperem que te lancem em queda livre, mas caso aconteça, aproveite a brisa e aprenda a voar!

Suzane Jardim

No dia 21 de novembro a FAFICH/UFMG foi palco da mulher negra!

Por Iaci Maria

No último dia 21 de novembro, como atividade da semana da Consciência Negra e do dia de combate à violência contra a mulher (25/11), o grupo de Mulheres Pão e Rosas realizou conjuntamente às Secretaria de Mulheres e LGBTTI e de Questão Negra do CAFCA, pela gestão Jornadas de Junho, duas importantes rodas de conversa sobre violência contra a mulher negra. Contou com as mesas compostas por Letícia Parks, ativista negra de São Paulo e militante do grupo de Mulheres Pão e Rosas e da LER-QI; Taynara Marques, militante do Pão e Rosas, que compõe a Secretaria de Questão Negra do CAFCA; Firmínia e Izabella, militantes do PSTU, pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) e Miriam Alves, militante do Coletivo de Estudantes Negrxs da UFMG (CEN).

Entre as duas atividades (diurno e noturno), passaram cerca de 80 pessoas, sendo a da manhã a atividade mais cheia da semana da Consciência Negra da UFMG. Letícia fez sua fala dando bastante enfoque na questão de que é necessário que se lute pela demandas democráticas, como junho já mostrou, sendo as do povo negro as mais urgentes! Porém, as conquistas do povo negro não serão garantida apenas através de reformas, dando o exemplo da PEC das domésticas, que garante os direitos trabalhistas básicos à essas trabalhadoras, mas esse continua sendo um trabalho precário realizado em sua maioria por mulheres negras, sendo o Brasil o país que mais emprega esse tipo de serviço. A luta do povo negro, fundamental para o avançar da luta de classes no Brasil, deve se dar ao lado dos trabalhadores, classe essa fortemente composta por negras e negros, no combate a esse sistema que oprime e explora mulheres negras com “excelência”. Denunciou fortemente o governo PT, o grande responsável por todas as demandas reivindicadas nas ruas em junho, como o direito ao transporte, saúde, educação, ou seja, contra a precarização da vida, que afeta diretamente o povo negro; e também o papel da polícia na sociedade, verdadeiro agente do genocídio da juventude negra!
Taynara colocou em questão a Universidade de “excelência”, que com seu machismo e racismo institucional, aplica trabalho terceirizado, precário, que afeta majoritariamente as mulheres negras. Retomou exemplos como o trote racista no Direito no começo do ano, e o silêncio da reitoria com relação ao racismo; e também a produção de conhecimento a serviço de empresas como a Vale, que utiliza essa tecnologia desenvolvida na Universidade para melhor explorar os negros na África. Defendeu o fim do vestibular como único meio para que toda juventude negra, trabalhadora, pobre, tenha acesso ao ensino superior, e lembrou que desde o começo, o programa da chapa Jornadas de Junho (atual gestão majoritária do CAFCA) já defendia a efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público. Lembrou também a opressão que a mulher negra sofre devido ao padrão de beleza europeu que impõe o cabelo liso e o nariz fino.
Desde o MML, as falas passaram por tocar também que a violência contra a mulher negra vem desde a miscigenação, que se deu através dos estupros de escravas negras pelos senhores brancos. Colocaram sobre o recorte de classe que há nas opressões às mulheres e aos negros, sabendo que as mulheres negras são maioria dentre os trabalhadores e pobres, e que é preciso se ligar à classe operária para vencer o racismo e o machismo.
Miriam, pelo CEN, falou enquanto mulher negra que foi recentemente agredida dentro da universidade, reforçando que fazia a denúncia pois as mulheres não podem se calar frente a essas situações, e devem se apoiar na sua própria organização para responder a tais situações, já que as reitorias já se calam frente a opressão existente dentro do campus.
Aberta a discussão à roda de conversa, a discussão permeou temas como o combate à violência contra a mulher, retomando o exemplo das mulheres indianas, que se organizaram em centenas e saíram às ruas após os estupros coletivos em ônibus na Índia virem a tona, exigindo punição aos estupradores e dizendo basta à essa violência. Tal violência, infelizmente cotidiana, não pode ser combatida com exigências de mais delegacias de mulheres, que significa exigir mais polícia, mas através da auto-organização das mulheres junto aos trabalhadores, pela conformação de secretarias e comissões de mulheres nas entidades estudantis e sindicatos, organizações de bairro, independentes, e com a criação de casas-abrigo para as mulheres e seus filhos, sem polícia, sob controle dessas mulheres.
Desde a Secretaria de Mulheres e LGBTTIs do CAFCA, foi colocada sobre a violência aos LGBTTIs, principalmente às mulheres trans*, que somente por se colocarem como trans* são uma afronta à sociedade, estando sujeitas aos mais diversos tipos de violência física, moral, estupros corretivos, além de estarem relegadas aos trabalhos mais precários, muitas vezes à prostituição, e possuírem expectativa de vida de apenas 35 anos. Lembraram o ataque à companheira Kathalina Friedman, no Chile, militante trans* do Pan y Rosas Chile, que foi espancada por 10 homens dentro da própria casa. Colocaram que para combater tal violência, desde o movimento estudantil, é necessário que haja entidades militantes, que rompam com o rotineirismo e o autonomismo, e se coloquem a perspectiva combativa de se ligar aos trabalhadores de dentro e fora da Universidade, no combate consequente às opressões.

Houveram importantes e emocionantes saudações de operários fabris, militantes do Pão e Rosas e da LER-QI, que saudaram a oportunidade de participarem de uma atividade tão importante como aquela, e que isso era a concretização do papel fundamental que os estudantes e as entidades estudantis podem cumprir: a aliança operário-estudantil.

No dia 02 de dezembro, fizemos também uma importante reunião aberta de apresentação da agrupação, para colocar a importância da organização das mulheres desde uma perspectiva revolucionária, classista e antigovernista, ligada aos trabalhadores, aos negrxs e LGBTTIs, no combate consequente à todas as formas de opressão e exploração, na luta pela emancipação dos setores oprimidos, dos trabalhadores, e de toda humanidade! Chamamos todas e todos que participaram dessas atividades e que vem acompanhando as atividade do Grupo de Mulheres Pão e Rosas, a nossa atuação dentro do Movimento Mulheres em Luta e também como parte da gestão majoritária do CAFCA, a conhecerem nosso grupo, se aproximarem e discutirem conosco!