quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Somos as negras nos morros! Dor estampada nos rostos!

por Pão e Rosas RJ

Nesses últimos dias, houve um estado de pânico instaurado nas ruas do Rio de Janeiro. O que antes eram alguns carros incendiados, culminou em uma verdadeira missão de guerra nos últimos dias, da qual sabemos que o verdadeiro alvo não é o tráfico.

São quase 3.000 policiais dentre civis, militares, polícia federal, CORE, Choque, Bope, convocados para a chamada “Guerra ao terror”, como diz a mídia burguesa. Com o diferencial que, além deles, tivemos agora a presença de soldados já experientes em exterminar negros e pobres. São atiradores de elite, helicópteros da aeronáutica, soldados da marinha junto a seus blindados que são verdadeiras máquinas de destruição e mais 800 soldados do Exército, sendo que grande parte deles compunham as tropas brasileiras enviadas por Lula e a ONU ao Haiti.

A recente militarização ocorrida nos principais morros e favelas da zona norte do Rio (Penha, Complexo do Alemão) significa na verdade um projeto de paz para as áreas mais nobres da cidade (Zona Sul e região Central) enquanto fica reservado aos moradores dos morros mortes, humilhação e subjugação por parte de uma das policias mais assassinas do mundo. Assim como as UPP´s, ou o muro construído ao redor das favelas nas linhas vermelha e amarela, a ação da polícia e dos militares nessa semana tem como um dos intuitos, não deixar chegar à zona sul da cidade os reflexos de um sistema de miséria e violência inerentes ao capitalismo.

O projeto de Lula, Dilma, Cabral e a burguesia carioca frente às Olimpíadas e a Copa sediados no Rio

Desde o dia 21 de novembro, quando foram incendiados os primeiros carros na cidade, a mídia soube muito bem como criar um estado de pavor no cidadão carioca. Assaltos viraram “arrastões” e os carros e ônibus incendiados eram incansavelmente filmados.

Tudo isso nos prova o objetivo de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, junto à mídia e burguesia cariocas de fazer ser legitimado seu projeto de limpeza social na cidade, baseado no controle e na dura repressão aos negros e pobres nos morros da cidade que sediará a Olimpíadas em 2012 e Copa em 2014. Com todo esse pânico estampado nas manchetes dos jornais, buscam o aval da população para que continue sendo implantada a pena de morte a essa parte da população carioca.

Lula, que encabeçou o PAC da segurança nos morros cariocas, e esteve por trás também no massacre do Complexo do Alemão em 2007 (do qual foram registrados oficialmente apenas 19 pessoas, mas que seguramente o número é muito maior), embora tenha representado um papel coadjuvante durante toda a operação na semana, já se disse “emocionado” e “orgulhoso” com a “bem sucedida” operação policial e militar, e além disso, deixou bem claro que “a ação apenas começou”. A presidente eleita Dilma, que também já havia declarado total apoio aos apelos de Cabral no “enfrentamento com o mal”, e diga-se de passagem, que já declarou durante as eleições que uma de suas metas era tornar as UPP´s um projeto nacional, elogiou a ação encabeçada por Cabral e disse que no seu governo suas intenções são estreitar a relação do governo federal com o governo do estado do RJ, ou seja, sabemos que isso significará mais negros e pobres mortos nos morros e favelas cariocas.

Portanto, essa é a paz defendida por Lula e Dilma aos 400 mil moradores do Complexo do Alemão, além dos outros milhares nos outros morros e favelas cariocas: uma polícia que esculacha e humilha os moradores, estupra as mulheres, entra nas casas, rouba e quebra os pertences dos moradores e revista até crianças e idosos durante suas operações. Sabemos que além de corrupta, a polícia é a instituição cão de guarda da burguesia e do Estado, e que seu objetivo de manter a ordem a qualquer custo deve ser entendido como brutal violência e repressão as manifestações de resistência por parte do povo, incluindo greves de trabalhadores, protestos e manifestações.

Após vários porta vozes da burguesia carioca escreverem em seus reacionários artigos, conteúdos do tipo do jornalista Guilherme Fiúza de que “o ideal seria que o capitão Nascimento assumisse o lugar do secretário Beltrame e acabasse de vez com a raça dos vilões, cuja vocação é essa mesma, apanhar”, a mídia chega ao absurdo de celebrar o sucesso da ação policial e militar afirmando que não houveram mortos nem sequer feridos nos morros. Porém, mesmo após os dados oficiais divulgados sabemos que o número real de mortos e feridos é muito maior, e conhecemos a recorrente prática tanto da mídia quanto da própria polícia de esconder o número de moradores atingidos, e assim, divulgar o número de mortos como sendo todos de traficantes.
Queremos saber onde estão os mortos durante toda a ação sangrenta da polícia e o exército!!!

O Haiti é aqui!

O que a mídia reacionária assim como Lula, Dilma e Cabral chamam de “experiência em combates nas favelas haitianas” quando se referem aos soldados presentes no Rio significa na verdade que os mesmos tiveram como escola de extermínio, os 6 longos anos de sangrenta atuação da MINUSTAH no país, primeiro da América Latina a declarar independência, após a revolução negra, em 1804. No fim de 2009, com o grande terremoto que o país sofreu matando mais de 200.000 pessoas e deixando mais milhares de famílias desabrigadas, a miséria que já era gritante se intensificou terrivelmente.

Além da brutal violência perpetrada pelos soldados, os haitianos denunciavam que as doações coletadas em todo o mundo, assim como a água e os alimentos que deveriam ser destinados ao país, simplesmente não chegaram. E a resposta às manifestações foi mais repressão e descaso por parte da ONU e das ONG´s internacionais.

No último mês, com a pouca noticiada epidemia de cólera no Haiti, que rendeu até agora mais de 1.100 mortos, a população haitiana também denunciou o descaso dos governos e entidades internacionais, e mais repressão foi efetuada.

Esse é o histórico do exército que envia estes soldados presentes hoje nos morros cariocas: de negros e pobres massacrados, e negras estupradas, seus currículos estão cheios! Não podemos deixar que esses soldados assassinos continuem violentando e oprimindo nossas irmãs haitianas, assim como não podemos aceitar que reprimam e assassinem essa heróica população em suas manifestações!

Devemos continuar defendendo que a própria população tenha em suas mãos o controle e organização dos suprimentos enviados ao país! Devemos lutar de forma intransigente para a imediata retirada das tropas do Haiti!!!

Violência contra as mulheres cada vez mais legitimada
Estamos frente a uma onda de inúmeros ataques brutais a nós mulheres, homossexuais, negros e nordestinos por parte do estado, dos governos e também da Igreja, em especial a Católica. Desde as eleições presidenciais pudemos ver Serra e Dilma afirmando que não defenderiam o direito ao aborto, bandeira histórica do movimento de mulheres, enquanto grande parte da Igreja fazia uma ofensiva brutal pedindo a seus fiéis que votassem em Serra. Também vimos declarações de Dilma contra a união homoafetiva e contra a concretização da Lei contra a Homofobia.

Inúmeros foram os reflexos absurdos nessa situação onde reacionários ganharam espaço: declarações totalmente racistas contra uma estudante negra da PUC de São Paulo, comentários fascistas na internet contra os nordestinos, os diários assassinatos ou tentativas contra homossexuais como o do militar que baleou um jovem no Arpoador durante a Parada Gay no Rio ou as agressões na Avenida Paulista em São Paulo, a declaração homofóbica do reverendo da Universidade Mackensie e claro, o lamentável “Rodeio das Gordas”, ocorrido no Interunesp em Araraquara.

Essas absurdas violências são por sua vez legitimadas, reforçadas e também perpetradas pelo Estado e Igreja, considerando que temos um Estado que reforça a idéia de que as mulheres não devem ser vistas enquanto sujeitos assim como não são donas dos próprios corpos. A Igreja por sua vez, cria e incita violências homofóbicas quando diz que as mulheres e homossexuais não tem direito a exercer sua sexualidade livremente.

A recente ação policial e militar nos morros cariocas, assim como ações recorrentes de violência, também representam uma afronta aos direitos humanos, onde o principal alvo são os jovens negros e pobres dos morros. Ação esta que recebe o pleno aval de Lula, Dilma e inclusive do próprio Papa. Bento XVI declarou no dia 30 que apóia a ação militar e policial coordenada por Sérgio Cabral e solicita ainda que a ordem seja recomposta na cidade o quanto antes! Sabemos qual é esta ordem defendida pela Igreja: a mesma ordem que defende Cabral quando diz que as mulheres dos morros são máquinas de produzir marginais!!! Não podemos aceitar que nem Estado, nem a Igreja e nem os governos decidam por nós mesmas e muito menos que arranquem nossos direitos! Sabemos que nessas ações policiais somos nós mulheres que pagamos com nossas lágrimas e sangue por nossos companheiros e filhos mortos e presos sem justificativa pela policia assassina!

Essa é a hora em que a esquerda deve se organizar contra todos esses ataques, e não fugir da batalha como aconteceu aqui no Rio de Janeiro no dia 25 de novembro. Neste dia, Dia Internacional da Luta contra a Violência às Mulheres, tínhamos um importante ato marcado para acontecer na UFRJ na região central, mas “devido a situação na cidade” a esquerda simplesmente cancelou o ato!!!

A onda de ataques está colocada e não podemos deixar de responder: Não passarão!!! Vamos lutar com unhas e dentes e é neste sentido que chamamos as organizações de mulheres, direitos humanos, LGBTT e organizações de negros a compor com o Pão e Rosas uma forte campanha contra a militarização dos morros e pela imediata retirada da polícia e dos soldados dos morros e favelas cariocas!!!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

I FESTIVAL INTERUNESP CONTRA OPRESSÃO


O cenário aberto pelas eleições - onde Dilma e Serra fizeram todo o possível para garantir à Igreja e setores conservadores da sociedade que continuariam criminalizando o aborto - mostra aos setores oprimidos por esta sociedade o que significa Dilma, uma mulher, na presidência. Significa a continuidade do atrelamento do Estado com a Igreja Católica, garantindo a impunidade de seus bispos pedófilos, o direito de ensinar seus valores reacionários nas escolas públicas que só contribuem com a construção da violência como homossexuais, pois pregam um sexo somente para a reprodução, proibem o uso de preservativos e, para tudo isso, ainda tem isenções fiscais.

Nenhuma confiaça é possível no governo de Dilma! Uma mulher no poder não significa avanço para as mulheres trabalhadoras que morrem com abortos clandestinos e são super exploradas cotidianamente nos postos de trabalho mais precarizados. Frente a pressões da Igreja, Dilma abriu mão do direito ao aborto, uma demanda histórica das mulheres, para garantir sua eleição Do que mais abrirá mão frente a futuras exigências dos empresários, banqueiros em crise? O direito das mulheres à vida, a liberdade de exercer a sexualidade, a igualdade entre raças não são negociáveis.

Mostrando a pouca importância que dá a vida das mulheres (mortas em abortos clandestinos, assassinadas brutalmente por seus companheiros e ex companheiros), de homossexuais etc., Dilma está ajudando a cavar espaço para os setores mais preconceituosos da sociedade se manifestarem impunemente! É só observar como estes setores se sentem confiantes de criar comunidades no orkut, blogs, agredir pessoas nas ruas. É preciso a mais completa intransigência frente às demonstrações de opressão. O acordo Lula-Vaticano, a tática eleitoreira de Dilma e a omissão constróem a homofobia, o machismo, o racismo.

Parabenizamos a iniciativa dos estudantes da Unesp e construimos ativamente o ato em frente a reitoria da Unesp, no dia 17/11, desmascarando o papel conivente da reitoria com a violência às mulheres. Chamamos à todas/as a construir e participar do I Festival InterUnesp, organizado pelo DCE da Unesp, contra todas as formas de opressão e violência contra mulheres, homossexuais, negros/as.

PARA AVANÇAR PELO FIM DA OPRESSÃO,
                                    SEJAMOS INTRANSIGENTES NA LUTA PELOS NOSSOS DIREITOS!

03 e 04 de DEZEMBRO
em MARÍLIA


Performance Contra Opressão - Pão e Rosas Marília

UNICAMP: BASTA DE VIOLÊNCIA SEXUAL NO CAMPUS!

CHAMAMOS À MAIS AMPLA FRENTE-ÚNICA
CONTRA A VIOLÊNCIA ÀS MULHERES E HOMOSSEXUAIS
Coletivo Feminista e Grupo de mulheres "Pão e Rosas"


Na última segunda-feira uma aluna da Unicamp sofreu uma tentativa de estupro na saída da Funcamp. Sabemos que não se trata de um caso isolado e que são recorrentes situações deste tipo dentro e fora da universidade, assim como os últimos casos absurdos de violência que vem acontecendo: o espancamento de homossexuais na Av. paulista, e em uma festa na ECA na USP, até a útima barbaridade ocorrida no InterUnesp, que foi o intitulado "rodeio das gordas".

Nós mulheres vivemos ameaçadas pelo risco eminente dessa violência. Sabemos que a superação dessa forma brutal de opressão exige transformações profundas em nossa sociedade mas, por outro lado, medidas simples e essenciais como mais seguranças (não terceirizados e sim contratados via concurso público e orientados para saber como lidar em casos de violência) em locais de risco e melhor iluminação, poderiam ser tomadas pela Unicamp para coibir alguns desses casos. Não se trata de permitir a entrada da polícia no campus ou de restringir ainda mais o acesso e uso desse espaço público, nem que estes seguranças sirvam para reprimir os estudantes e trabalhadores que se contrapõe aos interesses da reitoria, o que condenamos veementemente, mas de tomar medidas concretas que coíbam essas e outras formas de violência e opressão machista e homofóbica, para as quais a universidade infelizmente fecha os olhos. Exigimos medidas imediatas da universidade. A omissão é uma forma de consentimento com a violência. Uma violência que tolhe cotidianamente nossa liberdade e que mutila nossos corpos.

ATO EM FRENTE À SAÍDA DA CASA DO LAGO/FUNCAMP
DIA 01/12, QUARTA-FEIRA, ÀS 17:30
(CONCENTRAÇÃO PRÓXIMA À CANTINA DO IFCH ÀS 17H, E CAMINHADA ATÉ O LOCAL DO ATO)

UNICAMP: Eleições do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas): Pão e Rosas apóia a chapa "A poesia está nas ruas"

NÃO PASSARÁ NENHUMA OPRESSÃO!

Já basta de mulheres mortas e estupradas, de negros espancados e escravizados ou de homossexuais surrados sem a liberdade de expressarem seu amor e sexualidade. Nos últimos meses vimos uma serie de casos de violência e opressão brotarem feito baratas de um bueiro, tão asqueroso quanto foram os rapazes que montaram em cima das meninas no intitulado “rodeio das gordas”, no InterUnesp, ou uma estudante de direito de São Paulo que disse desvergonhosamente que seria um favor ao Brasil se matassem os nordestinos afogados ou a agressão de um grupo de jovens de classe média contra homossexuais na Av.Paulista, sem falar as milhares de mulheres que morrem por abortos clandestinos, ou assassinadas pelos companheiros, dos estupros, e outras barbaridades.

Mas essa serie de casos de opressões não são individuais e sim um reflexo de um conservadorismo que se alastra livremente. As eleições deste ano é uma mostra disto, com um discurso que ressaltava a primeira mulher no poder como um avanço na vida das mulheres, mostrando na realidade sua posição reacionária para angariar votos ,sendo um dos principais elementos na disputa entre os presidenciáveis, a criminalização do aborto, além do discurso contra os direitos dos homossexuais, etc. E deste ínterim conservador, as Universidades não estão imunes: os homossexuais espancados em festas como na ECA, as meninas estupradas na Unicamp, entre outras, tudo isso está ligado ao projeto de universidade capitaneado pelos interesses da burguesia junto ao Estado, que sustentados nesses setores conservadores de estudantes, vem privatizando, terceirizando e elitizando cada vez mais as universidades, restringindo o conhecimento produzido nesta, a uma parcela parasita da sociedade e deixando de fora juventude pobre, trabalhadora e negras. E as reitorias são culpadas por estas barbáries quando se calam, ou muitas vezes “premiam” os agressores com bolsas para que saiam das moradias ou mesmo suspendem os agressores apenas no período de férias.

Assim, nós do Pão e Rosas, viemos expressar o nosso apoio à chapa “A Poesia está nas Ruas”, que tem uma concepção de movimento estudantil e entidade militante, entende a questão de opressões ligada a uma conjuntura socioeconômica, tendo que os estudantes responder a ela de forma cotidiana, militando em conjunto com as outras demandas do movimento estudantil, uma vez que não estão de forma alguma dissociadas. Fim do vestibular e uma universidade aberta para a população com cursos noturnos, significa, para além da democratização do acesso ao conhecimento, também uma Universidade viva, com pessoas a ocupando, ao contrario da morte atual, onde as meninas são estupradas nos campus vazios. Políticas concretas de permanência estudantil, significa também moradias para as meninas e creches. Voto universal com maioria estudantil para que os estudantes e trabalhadores possam decidir os rumos da Universidade e voltá-la aos seus interesses e da população.

Por um movimento estudantil que subverta a estrutura opressora das Universidades, chamamos a todos a conhecerem a chapa “A Poesia está nas Ruas”.

Basta de violência às mulheres, homossexuais, negros e nordestinos!

Basta de estupros e assédios moral e sexual nas moradias e universidades!

Por comissões de estudantes, trabalhadora(e)s e professoras de apuração dos casos de violência independentes das reitorias!

Por creches e moradias para todas as estudantes mães, casadas ou solteiras! Pelo fim da terceirização que escraviza, humilha e divide a(o)s trabalhadora(e)s!

 Pela contratação de toda(o)s os terceirizada(o)s sem concurso público!

Aborto legal, livre, seguro e gratuito! Pelo direito de decidir sobre nossos corpos e sexualidade!

 Pela separação da Igreja do Estado! Pela revogação do acordo Brasil-Vaticano assinada em 2008 no governo Lula!

TODOS AO ATO CONTRA A VIOLÊNCIA SEXUAL NO CAMPUS!
DIA 01/12 - CONCENTRAÇÃO NO IFCH ÀS 17H.

ATIVIDADE: CONJUNTURA NACIONAL E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E HOMOSSEXUAIS - DIA 30/11 - 14h NO IFCH.

www.apoesiaestanasruas.blogspot.com


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ATO CONTRA A HOMOFOBIA DO CHANCELER DO MACKENZIE

Estudantes do Mackenzie organizaram um ato com 500 manifestantes contra o posicionamento do chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes de defender o direito de ser homofóbico, sendo contrário a lei que criminaliza a homofobia. O ato teve apoio de estudantes USP e UNESP e, também, de integrantes de grupos feministas, movimento GLBTT.
O movimento estudantil mostra sua força e sensibilidade organizando atos como este, como o ato organizado pelos estudantes da UNESP, dia 17/11, em frente a reitoria exigindo a punição dos responsáveis pelo rodeio de gordas, com a organização do I FESTIVAL INTERUNESP CONTRA A OPRESSÃO. Este é o papel que o movimento estudantil cumpriu em maio de 68, na luta contra a ditadura e é a tarefa que deve se dar para os próximos períodos: defesa intransigente dos direitos democráticos.

Pela criminalização da homofobia! Pelo direito civil ao casamento homossexual!

Pela completa separação do Estado e a Igreja!

Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, 
aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!  



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma mulher no poder e mais violência contra as mulheres e homossexuais. No dia 25 de novembro: construir um grande ato contra a violência as mulheres, homossexuais , negra(o)s e nordestina(o)s!

por Rita Frau,
profa. da rede estadual de SP


Chegamos no dia 25 de novembro, dia internacional da luta contra a violência as mulheres, quase um mês depois de ter sido eleita a primeira mulher presidente do Brasil. A corrida eleitoral do segundo turno teve como um de seus temas centrais a questão do aborto e dos direitos aos homossexuais. No pós-segundo turno a Igreja consolidou suas posições em relação à proibição do aborto e contrárias a direitos aos homossexuais, e os setores mais reacionários passaram a expressar seu profundo preconceito social em relação aos votos nordestinos na eleição de Dilma acompanhados das diversas denúncias na grande mídia da realidade da violência homofóbica aos homossexuais. O ultimo processo eleitoral mostrou que, quanto mais se faz concessões aos setores conservadores, mais espaço político eles ocupam e não o contrário, como quer nos fazer crer setores reformistas que votaram e fizeram campanha para Dilma Rousseff como a Marcha Mundial de mulheres e centenas de intelectuais. Setores do movimento de mulheres apoiaram Dilma com o discurso de que uma mulher no poder daria maior visibilidade para as mulheres e traria avanços nos direitos nas mulheres. Mas Dilma já deu provas que não significa este avanço, pois dará continuidade ao governo Lula, que assinou o Acordo Brasil-Vaticano em 2008, dando maiores poder à Igreja católica para disseminar seus valores que subjuga as mulheres e prega contra os homossexuais tratando-os como seres enfermos. Também não garantirá o direito ao aborto e a união civil entre casais homossexuais, assim como manterá as tropas brasileiras no Haiti, legitimando a exploração, miséria e violência de milhares de haitianas.

A violência no Brasil de Dilma

É neste Brasil de Lula e Dilma, que 1 milhão de mulheres recorrem ao aborto, realizados em sua maioria de maneira insalubre, sendo as mulheres pobres, trabalhadoras e negras, as que mais sofrem as seqüelas da clandestinidade. Em estados como Bahia e Pernambuco, aonde Dilma teve grande porcentagem de votos (70,85% e 75,65%), chega a ser a primeira causa de morte entre as mulheres. A cada 15 segundos no Brasil, uma mulher é espancada e uma em cada cinco mulheres declarou ter sofrido algum tipo de violência por um homem. Segundo a ONU, aproximadamente 140 mil mulheres são vítimas da rede do tráfico sexual na Europa, sendo cada vez maior o número de mulheres brasileiras traficadas. O índice de prostituição infantil segue aumentando junto com a indústria do sexo brasileira, que fatura R$ 4 milhões por ano. E com o grande empreendimento da Copa do Mundo 2014, se intensificará ainda mais a indústria do turismo sexual no país.

Casos de violência aos homossexuais aparecem nas páginas de jornais confirmando apenas a cruel realidade a que vivem, sendo a cidade de São Paulo a que conta com mais crimes a homossexuais, colocando o país como um dos primeiros no ranking de homicídios contra homossexuais, bissexuais e transsexuais sendo um morto a cada dois dias. Exemplo expresso na mais recente violência a dois casais homossexuais na Avenida Paulista por um grupo de jovens da classe média paulistana. Na parada gay ocorrida no RJ, um rapaz homossexual foi baleado por um militar em mais uma violência homofóbica. Ainda no RJ, dois rapazes homossexuais foram agredidos no vestiário da moradia estudantil da Universidade Rural por um estudante que se sentiu ofendido com a presença deles. Na capital paulista em uma festa universitária da Atlética da USP, mais um casal homossexual foi agredido.

Nossa luta contra a violência é todo dia e não com data marcada!

O dia 25 de novembro foi criado pela ONU em 1999 em homenagem as irmãs Mirabal, da República Dominica, mulheres que lutaram contra a ditadura de Leônidas Trujillo e foram mortas neste dia no ano de 1960 à serviço do imperialismo norte-americano. O surgimento desta data fez com que obrigasse a sociedade a encarar e debater uma realidade de milhares de mulheres, mas isso não significou uma luta real contra a violência as mulheres. Não podemos nos adaptar à lógica dos setores reformistas nos manifestando apenas nas datas do calendário estabelecido pela ONU, nos dividindo na luta pelos direitos democráticos das mulheres, homossexuais e negros.

Nossa luta é todo dia pois a violência contra mulheres e homossexuais é incentivada pelo capitalismo para adestrar o corpo e a sexualidade como forma de perpetuar diferenças sociais e de classe naturalizando a violência e tornando-a cotidiana, tentado disciplinar os corpos e as mentes até sua estupidez, contando com agentes preconceituosos para levar a frente sua ideologia reacionária, como por exemplo os organizadores do “Rodeio das Gordas”. Nesse sentido não compartilhamos com grupos de mulheres e LGBTT’s que colocam a violência às mulheres e homossexuais como um problema de saída individualista a partir da consciência individual ou apenas de dar maior visibilidade à questão; e nem com os que dizem que apenas com reformas dentro do capitalismo poderia-se acabar esse tipo de violência.

Assim como Lula, para nada Dilma lutará pelos direitos das mulheres, dos homossexuais e da classe trabalhadora. No primeiro capítulo da crise capitalista Lula liberou bilhões para salvar banqueiros e empresários, Dilma o apoiou e segue seu mesmo caminho, anunciando uma possível reforma da previdência entre outros ataques sobre classe trabalhadora que estão por vir diante do cenário de crise mundial. Frente a esse cenário de nada adianta que Dilma forneça a mulheres 30% dos cargos ministeriais num governo atrelado à Igreja e aos grandes conglomerados industriais e financeiros. A presença da mulher no poder do estado burguês não significa mais direitos às mulheres e Dilma sabe disso, e assim abre espaço para a maior cooptação dos movimentos feministas para que estes continuem se calando frente verdadeiro Brasil: o que mata e violenta as mulheres e os homossexuais.

Enquanto mulheres e homossexuais morrem a Igreja pedófila ganha audiência!

O espaço aberto nessas eleições para o reacionarismo da Igreja abriu precendentes para setores da Igreja presbiteriana se declararem abertamente contra o PL122, que criminalização a homofobia, como ocorreu na universidade Mackenzie, alegando que esta lei tirava a liberdade de expressão das Igrejas de pregarem para contra a homossexualidade. Na PUC-SP os clérigos clamaram pela demissão de uma professora que defendeu o direito ao aborto. É esta mesma Igreja, homofóbica e machista, que e se cala diante da morte de milhares de mulheres por abortos clandestinos e assassinatos de homossexuais, que comete milhares de crimes de pedofilia. E ainda querem nos falar em defesa da vida! Mas exemplos no mundo mostram uma luta contra a Igreja como na Argentina com a aprovação do casamento gay e mais recentemente na Espanha com o “beijaço”, na passagem do Papa, como manifestação contra a homofobia e pedofilia da Igreja católica. Em São Paulo o movimento LGBTT e setores de esquerda, saíram as ruas para se manifestarem contra a violência ocorrida na Av. Paulista, onde um grupo de classe média atacou casais de homossexuais. E novamente, no dia 24/11, se colocará nas ruas uma manifestação contra a homofobia, repudiando o pronunciamento homofóbico dos administradores do Mackenzie.

Por uma ampla campanha contra a violência as mulheres, aos homossexuais, negros e nordestinos! Pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! Pela livre identidade sexual! Pela separação da Igreja com o Estado!

Nos somamos aos grupos de mulheres, LGBTT´S, movimento negro e direitos humanos para lutar contra toda forma de violência, assim como também nos somamos ao ato convocado pela Marcha Mundial de Mulheres no dia 25 de novembro em São Paulo, mas acreditamos que a luta deva ser cotidiana em nossos locais de trabalho e estudos, impulsionando campanhas reais contra a violência e os direitos democráticos. Neste sentido é fundamental que as entidades estudantis se coloquem nesta luta- assim como vem dando exemplo o DCE da Unesp organizando um festival contra a opressão, mostrando qual o papel que deve cumprir uma entidade estudantil combativa na defesa dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Cabe à CSP-Conlutas e a ANEL colocarem-se à frente dessa luta e organizar suas entidades na luta contra a violência às mulheres e aos homossexuais, como faz por exemplo a campanha da chapa 1 das eleições do Sindicato de Trabalhadores da USP (do qual algumas integrantes impulsionaa a Secretaria de Mulheres do Sintusp), com a necessidade de fazer um chamado ofensivo a todas entidades sindicais e estudantis do país a lutarem no dia 25 contra a violência às mulheres, pelo direito ao aborto, pelo direito ao casamento homoafetivo assim como o direito à livre identidade sexual como parte de uma luta feroz pela definitiva separação da Igreja com o Estado!

No dia 25/11, todos ao ato contra a violência a mulheres!

15 horas, em frente à Secretaria da Justiça de São Paulo
Pátio do Colégio (Próximo ao Metrô Sé)
MAIS BARBÁRIE CONTRA AS MULHERES E O POVO HAITIANO

Chegam a 900 o números de mortos por conta da epidemia de cólera no Haiti. Os culpados destas mortes tem nome e se chamam EUA, ONU e sua missão militar no Haiti, dirigida pela tropas brasileiras de Lula e Dilma. Essas tropas são as mesmas que matam e estupram as mulheres haitianas e mantém a miséria e exploração sobre o povo haitiano. Para amenizar as denúncias de violência sexual contra as tropas da ONU, o governo brasileiro estabeleceu um acordo de cooperação com o Haiti para treinar a polícia haitiana em casos de violência sexual contra as mulheres. Mas é essa mesma polícia que ajuda as tropas da ONU a assassinar e reprimir o povo haitiano, como ocorreu dia 14/11 quando vários haitianos se manifestaram contra o descaso do governo e das tropas da ONU com a expansão da cólera. Como podemos acreditar que uma mulher como Dilma pode representar as mulheres e defender nossos direitos se é conivente com tanta morte, miséria e estupros? Como podemos acreditar se é ela que apóia as tropas brasileiras que treina no Haiti como um grande laboratório para atuar nas favelas brasileiras matando o povo negro e matando homossexuais?

Basta de violência e estupros contra as mulheres haitianas!

Pela retirada das tropas brasileiras e ONU no Haiti!

Que toda a ajuda humanitária seja controlada pelas organizações dos trabalhadores e populares!







NOTA DE APOIO DO GRUPO de MULHERES PÃO E ROSAS À CHAPA ANEL ÀS RUAS PARA O DCE DA USP

Assistimos nas universidades do país a uma onda reacionária de ataques às liberdades democráticas e de casos de opressão que estouram cotidianamente, tais como a brutalidade contra mulheres no InterUnesp, a agressão física a homossexuais em uma festa da ECA e os dizeres xenofóbicos de uma estudante de direito após as eleições nacionais: “Faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado”. As reitorias são completamente coniventes com todos esses escândalos porque esses estudantes compõe a base social nas quais elas se apoiam para implementar seu projeto de universidade que está cada vez mais ligado ao grande capital.

Enquanto os opressores ficam impunes, os que se levantam para lutar contra esse projeto seguem sendo punidos. Exemplos são os 17 estudantes do CRUSP e os 4 que participaram da ocupação da Reitoria de 2007 que hoje são ameaçados de expulsão, os vários estudantes sindicados, os diversos dirigentes sindicais processados e demitidos políticos como Brandão.

Entendemos que o movimento estudantil e suas entidades devem estar aliados às mulheres, aos negros, nordestinos e homossexuais na luta contra a opressão. Por isso, nas eleições para a gestão 2011 do DCE da
USP, o grupo de mulheres Pão e Rosas se coloca em apoio e se integra à chapa ANEL ÀS RUAS, na luta contra as opressões, a repressão, o REItor Rodas e seu projeto privatista de universidade.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pão e Rosas no ato contra a violência homofóbica em São Paulo

O grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente no importante ato que aconteceu hoje, dia 21, às 15h, em protesto à recente agressão homofóbica contra um casal que caminhava pela Av. Paulista. Ao lado de militantes dos direitos humanos, LGBTTs, de agrupações feministas como a Marcha Mundial de Mulheres, e organizações operárias como a Ler-qi e o PSTU, gritamos neste domingo: “abaixo a homofobia!”.

A agressão de homossexuais, que hoje completa uma semana, não é um caso isolado. No último período, os setores mais conservadores e reacionários têm expressado publicamente todos os seus valores retrógrados e preconceituosos. A menos de um mês um casal de estudantes homossexuais da Usp foi agredido em uma festa da mesma universidade. No Rio de Janeiro houve agressões também durante a Parada Gay. Mulheres são tratadas como “gado” por estudantes durante o Interunesp, outros estudantes se organizam contra os nordestinos, incitando a violência e o afogamento pela internet! A reitoria da Mackenzie faz declarações homofóbicas e heteronormativas! E tudo isso acontece em um contexto político pós-eleitoral, em que Serra e Dilma se posicionaram claramente contra o direito elementar e democrático do aborto e do casamento igualitário para uniões homoafetivas!

Não podemos nos calar diante de tamanha ofensiva contra os nossos direitos civis e políticos, nossos corpos e sexualidade! Basta de agressões aos homossexuais, às mulheres, negr@s e nordestin@s! Precisamos lutar todos juntos por nossos direitos! Sigamos o exemplo de nossos irmãos argentinos, que ocuparam as ruas de seu país e conquistaram o direito ao casamento igualitário! Todos juntos – na luta e na rua - contra o machismo, racismo, homofobia e xenofobia!

Dando continuidade a esta luta nos somamos ao chamado para compor o ato contra a posição homofóbica da administração do Mackenzie, ligada à Igreja Presbiteriana, que se pronunciou contra o PL122 que criminaliza a homofobia.

Basta de violência contra os homossexuais! Pela liberdade de nossa sexualidade e nossos corpos! Pela separação da Igreja do Estado!

Todos ao ato de protesto contra o posicionamento homofóbico do Mackenzie!

Dia: 24/11 – Quarta Feira

Concentração às 17h30

Manifestação às 18h00

LOCAL: RUA ITAMBÉ, 45- Consolação

SURTO DE CÓLERA NO HAITI: Revolta popular é reprimida brutalmente pela Minustah

Simone Ishibashi

O Haiti encontra-se imerso em uma nova onda de crise por conta do surto de cólera. Uma revolta popular se abriu como resposta aos mais de mil mortos pela cólera, e mais de quinze mil infectados em apenas um mês por conta da atual epidemia que atingiu metade das 10 províncias do país. A cólera é uma doença que estava ausente do país há cerca de cem anos. A própria ONU estima que deve haver cerca de 200 mil pessoas infectadas pela doença em todo o país, que ainda desconhecem estar doentes. Não há água potável o suficiente para a população, e nem assistência médica, o que eleva a taxa de mortalidade. Toda esta situação desatou a onda de protestos atual.

As manifestações populares se abriram após o vazamento de uma informação divulgada por laboratórios norte-americanos de que a origem do vírus seria similar à encontrada no Nepal, país de onde provém parte do contingente que compõem as forças de ocupação da ONU, a Minustah, chefiada pelas tropas brasileiras, e composta ainda por tropas de países como a Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Equador, Espanha, França, Guatemala, Jordânia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka e Uruguai. Além disso, desde o terremoto que assolou o país no começo do ano, destruindo sua infra-estrutura e criando as condições insalubres para a disseminação da epidemia, seguem presentes milhares de efetivos militares norte-americanos. A revolta haitiana contra a ocupação pode estar prestes a atingir um ponto culminante, com a população tendo se levantado para exigir a retirada imediata da Minustah do país.

As forças da Minustah e do imperialismo norte-americano estão mostrando cada vez mais seu caráter criminoso. A justa revolta do povo haitiano atende a uma situação insuportável. Há tempos os haitianos estão sendo castigados com a fome, a miséria, a doença e a total ausência de assistência médica e social em que o país está mergulhado, além da violência e a opressão desferida pelas tropas da Minustah que estão ocupando o país desde 2005. Esta revolta popular se transformou em enfrentamentos contra as tropas da ONU em diversas regiões do país, como em Cap-Haitien, Quartier Morin (ambas a cerca de 300 km de Porto Príncipe), Hinche (130 km da capital) e diversas vilas e cidades do norte. As tropas de ocupação não tiveram dúvidas: abriram fogo contra a população que se manifestava, e há pelo menos duas pessoas mortas, e dezenas de feridos. “Primeiro eles atiraram para dispersar a manifestação, mas em seguida, atiraram para matar”, declarou a testemunha Bimps Noël ao jornal El País.

Cinicamente, a ONU, numa tentativa de mascarar que a revolta da população haitiana é motivada pela situação de miséria e opressão que as tropas da Minustah só fazem aumentar, tem divulgado que a revolta popular não passaria de uma manipulação promovida por grupos contrários à realização das eleições presidenciais, previstas para acontecer em 28 de novembro. O próximo presidente do Haiti cumpriria com o papel de abrir o balcão de negócios que seria a “reconstrução do Haiti”, do qual a construtora brasileira Odebrechet já está demonstrando interesse. Seguramente esta “reconstrução” se daria em base ao lucro dos grandes monopólios e não para atender às necessidades mais sentidas do povo haitiano. Ainda que possa haver setores que sejam contrários às eleições, o fato é que as recentes manifestações são motivados e expressam um repúdio massivo e generalizado contra a ocupação criminosa da ONU e da Minustah. O imperialismo norte-americano, a ONU e os governos dos países que compõem a Minustah demonstram seu caráter profundamente reacionário. Ao contrário de enviar médicos para atender à população, ou prover assistência médica decente, aumentaram o contingente militar que ocupa o país, demonstrando que sua política visa reprimir e assassinar a população haitiana. Enquanto o povo do Haiti sucumbe, Lula estava reunido no G20 elogiando a “maturidade” dos governos imperialistas para tratar a crise capitalista internacional, em mais uma mostra de sua subserviência em relação ao imperialismo. Enquanto, Obama, o primeiro presidente negro da história dos EUA gasta US$ 600 bilhões de dólares em um pacote que visa garantir a competitividade dos produtos norte-americanos internacionalmente, o povo negro do Haiti, primeira nação independente da América Latina, está imersa em sofrimentos inauditos.

Isso demonstra que os únicos aliados do povo haitiano são os trabalhadores e a juventude latino-americana. É necessário redobrar a campanha que levante as bandeiras de:

Não à repressão ao povo haitiano! Punição aos assassinos!
 
Pela retirada imediata das tropas de ocupação do imperialismo norte-americano e da Minustah!
 
Por comissões independentes formadas pelos sindicatos e organizações populares para investigar as causas da tragédia e punição aos responsáveis!

Que os lucros dos grandes monopólios e toda ajuda humanitária sejam utilizadas para o atendimento médico e social da população!

Que os recursos sejam controlados pelas organizações populares e dos trabalhadores!