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sábado, 27 de outubro de 2012

Do armário para às ruas de Antofagasta sem deixar de lado o "dia pela despatologização trans"


por Pan y Rosas - Chile

Tal como aconteceu nas cidades mais importantes do mundo, na capital regional se realizou uma manifestação onde se chamou a não tolerar as posturas discriminatórias que sem base cientifica alguma propõem alguns setores.

Com o fim de rechaçar as afirmações realizadas por setores conservadores do país que rotularam a homossexualidade como uma doença, cerca de 30 pessoas se reuniram durante este sábado nas ruas centrais da capital regional exigindo igualdade de direitos e respeito a diversidade sexual.


Trataram de comemorar o Dia Internacional pela despatologização da transsexualidade, que contou com atividades ao redor do mundo e que em Antofagasta foi convocada pela agrupação Pan y Rosas.
Somos combativos, revolucionários, somos gays e lésbicas que queimamos o armário’, gritavam os manifestantes em pleno centro da capital, despertando interesse entre os que passavam.
Desde a agrupação fizeram mais um chamado a participar durante esta quinta-feira (25) de uma “funa” contra o psicólogo local Peter Radic – quem em anúncios publicou ser capaz curar a homossexualidade, o lesbianismo, entre outros – por tentar lucrar mediante a difusão de teorias que são rechaçadas pela comunidade cientifica, que não considera a homossexualidade como uma doença.
Tradução: Virginia  Guitzel
Veja o video do ato


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pão e Rosas Brasil no Encontro Nacional de mulheres: pela construção de um forte movimento de mulheres classista, combativo e revolucionário


Junto às trabalhadoras metalúrgicas, gráficas, ceramistas, têxteis, da alimentação, do funcionalismo, dos engenhos de açúcar... junto às imigrantes, às donas de casa e empregadas domésticas...junto às secundaristas e universitárias!


por Pão e Rosas Brasil

Na Argentina, como no Brasil, as mulheres, sob o governo de uma mulher, Cristina Kirchner e Dilma Roussef, seguem sofrendo com as mortes por abortos clandestinos, com as redes de tráfico de mulheres, com a violência e com a precarização do trabalho. O Encontro demonstrou que existem milhares de mulheres dispostas a se mobilizar para mudar essa situação, apesar das intervenções e dos boicotes truculentos de setores organizados e reacionários da igreja e setores ligados ao governo. Infelizmente, a Comissão Organizadora do Encontro, nas mãos do PCR (Partido Comunista Revolucionário), não organizou o Encontro de forma a expressar essas mulheres lutadoras, deixando caminho aberto à participação dos setores mais reacionários e contra os direitos básicos das mulheres. Além de manter o caráter de consenso do Encontro que não tem votações nos grupos de discussões e plenária final para que se vote planos de luta pelos direitos das mulheres.

Foi com muito orgulho que o Pão e Rosas Brasil, através das companheiras Marília Rocha (metroviária de SP) e Rita Frau (professora da rede estadual em Campinas), fez parte da delegação do Pan y Rosas da Argentina, junto a outras centenas de trabalhadoras e jovens, que travaram uma grande luta política para que o Encontro servisse de fato para organizar as mulheres para lutar por seus direitos e para que o Encontro votasse um Plano de Luta efetivo pelo direito ao aborto e pelos direitos das mulheres trabalhadoras e da juventude. Participamos junto às centenas de mulheres da delegação do Pan y Rosas de toda a Argentina, mulheres estudantes universitárias e secundaristas, mulheres trabalhadoras das fábricas de alimentação e metalúrgicas da Zona Norte de Buenos Aires, trabalhadoras de Zanon, professoras, trabalhadoras da Saúde, donas de casa, empregadas domésticas, aeronáuticas, trabalhadoras gráficas, trabalhadoras estatais, trabalhadoras imigrantes das indústrias têxteis e trabalhadoras dos engenhos de açúcar.


As companheiras travaram uma luta exemplar contra os setores que queriam apoiar a greve dos policiais que ocorria na Argentina, colocando que policiais não são trabalhadores e sim cães de guarda da burguesia e seu Estado, que reprimem a classe trabalhadora, assim como foram os mesmos na Argentina que criaram o Projeto X, onde espionavam  dirigentes operários. Discutiram contra os setores que queriam fazer parte de um ato contra o governo kirchnerista, convocado pela CTA, mas junto com setores da patronal agrária como a oposição “sojeira”, que explora os trabalhadores rurais, defendendo a independência de classe frente ao governo e também à oposição burguesa e lutando pela mobilização dos trabalhadores por suas próprias reivindicações. Elas elegeram a consigna “Nem com Cristina, nem com a Rural...trabalhadoras do campo e da cidade!” para expressar a luta por uma política independente do governo e da oposição patronal. Foram as mesmas mulheres que mostraram seu compromisso com a luta pela justiça  contra os assassinos de Mariano Ferreira discutindo a necessidade que Encontro se somasse a marcha do dia 20 de outubro, aniversário de luto do assassinato deste jovem trotskista do Partido Obrero que foi morto pela burocracia sindical pois defendia a luta dos trabalhadores terceirizados da ferrovia de Buenos Aires. À Mariano Ferreira elas cantavam: “À Mariano Ferreira nós vamos vingar, à Mariano Ferreira nós vamos vingar, com a luta, luta operária e popular”.

Nos emocionamos junto à essas companheiras ao fazer um grande escracho na igreja central da cidade, denunciando a conivência dessa instituição com a ditadura militar e com as milhares de mulheres mortas por abortos clandestinos. Nos emocionamos mais uma vez na plenária do Pan y Rosas de encerramento do Encontro, ao escutar as trabalhadoras mais precárias das fábricas, as imigrantes e as trabalhadoras dos engenhos contar sua experiência, se sentindo totalmente acolhidas e parte desse movimento, dizendo que a luta pelos direitos das mulheres é também da classe trabalhadora, e que esta luta é sem fronteiras pois a classe trabalhadora é uma só! Neste momento todo o plenário cantava “Nativa ou estrangeira, a mesma classe operária!” e em seguida as jovens estudantes puxaram “Trabalhadora escuta, sua luta é nossa luta!”.

As jovens e trabalhadoras do Pan y Rosas mostraram que é possível colocar de pé um grande movimento pelos direitos das mulheres trabalhadoras e da juventude, lutando contra o governo, contra os patrões, contra a polícia e contra a igreja. Queremos fazer dessa experiência internacionalista um exemplo para as mulheres trabalhadoras e jovens no Brasil, para colocar de pé, também aqui, um movimento de mulheres classista, combativo e revolucionário que lute contra a precarização do trabalho, contra toda forma de violência, e por um plano de luta pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito para sairmos às ruas e arrancarmos este direito elementar que assim como na Argentina, no Brasil milhares de mulheres seguem morrendo por abortos clandestinos. Estamos orgulhosas de ser parte desse grande movimento! A luta das mulheres trabalhadoras é uma só, e não tem fronteiras!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Agora mais que nunca... Pelos direitos da mulher trabalhadora e da juventude!


por Andrea D’Atri

Sob um sol escaldante, ao longo do Paraná, aconteceu o XXVII Encontro Nacional de Mulheres. Como tem ocorrido ultimamente, não alcançou a massividade que já teve noutros anos, mas sentiu o impacto da situação política nacional, que cruzou os debates em todas as oficinas. O descontentamento com a Igreja, com o governo e com as condições de uma vidas submetidas a precarização do trabalho, à necessidade de terra e moradia, os assassinatos de jovens pelas mãos da polícia, às mortes por abortos clandestinos, ao perigo das redes de tráfico, à violência em todas as suas formas, abriu novos caminhos, mesmo com a regulamentação e o rotineirismo imposto pela comissão organizadora encabeçada pelo PCR.
Tudo isso mostra que sobram motivos para que os Encontros se transformem num pontapé inicial para que milhares de mulheres encabecem um grande movimento de luta por seus direitos, que por sua vez se dirija a milhões de mulheres que suportam as mesmas injustiças, que aspiram também à uma vida liberada de toda a violência e opressão. As ações cada vez mais burocráticas de uma minoria e pouco representativa Comissão Organizadora vai na contramão das milhares de mulheres que sustentamos, com nossa participação, os Encontros. É evidente que se não fosse por este controle que exerce a Comissão Organizadora, poderiam se transformar num canal de expressão, organização e luta para milhares de mulheres. Infelizmente outras organizações de esquerda também participam rotineiramente e com pequenas delegações que não mostram vontade de organizar um grande movimento de mulheres na luta por nossos direitos.
Os debates políticos atravessaram todo o Encontro
Com a presença de uma maioria de mulheres organizadas em partidos de esquerda, agrupações estudantis ou sindicais, diversos grupos políticos de todas as tendências, grêmios, ONG’s e coletivos feministas, foi inevitável que nas oficinas os temas previstos se mesclassem com os debates políticos nacionais do momento. Todas opinaram sobre o motim de policiais e prefeitos, sobre que atitude adotar frente a paralização e o ato convocado pela CTA opositora com a Federação Agrária, sobre a proposta de participar na marcha a dois anos do assassinato de Mariano Ferreyra, o 20 de outubro.
As companheiras do Pan y Rosas e o PTS apresentamos claramente nossas ideias: não apoiamos aos repressores que o governo encorajou e fortaleceu, que reprimiu os povos que se levantaram contra a grande mineração, que são os criadores do Projeto X com o qual se vigia os dirigentes sindicais operários de Kraft, os que reprimem as lutas da classe trabalhadora. E consideramos que apesar de no dia 10 outubro sobrarem motivos para paralisar contra a política do governo kirchnerista, não vamos ao ato convocado pela CTA com os setores das patronais agrárias (Sociedade Rural). “Nem com Cristina, nem com a Rural... trabalhadoras do campo e da cidade!” foi a consigna eleita para apresentar que é necessário luta por uma política independente tanto do governo como da oposição patronal. E uma vez mais reafirmamos nosso compromisso com a luta por justiça para Mariano Ferreyra, convidando a somarem na marcha convocada no aniversário de luto por seu assassinato.

Paradoxalmente, este ano, quando mais claramente se expressou em muitas oficinas o descontentamento com o governo, apareceu pela primeira vez um grupo não muito numeroso de diversas agrupações K que, com certa prepotência, pretendia frear o questionamento ao governo que impede a legalização do aborto na Argentina. Por isso não pode surpreender que tanto esta delegação K como a Comissão Organizadora tenham se negado a passar pela catedral de Posadas e pela Casa do Governo, durante a marcha de encerramento do Encontro. As militantes K e as dirigente do PCR, que regulamentaram os Encontros Nacionais de Mulheres, terminaram alinhadas, de fato, com os setores “anti-direitos”, ao mesmo tempo em que Macri vetava o projeto de aborto não punível, em Buenos Aires.
Contudo, mais uma vez, a raiva que geram as mortes de mulheres jovens e pobres em consequência do aborto clandestino se expressou majoritariamente, especialmente quando a maioria das manifestantes decidiu ir à catedral e na Casa do Governo. A Igreja quis evitar o confronto e foi um grupo de fundamentalistas católicas que vieram de outras províncias os que cumpriram o reacionário papel de guardas clericais. “Igreja, lixo, você é a ditadura!” foi a clássica consigna que centenas de mulheres cantaram frente a “torcida organizada” que rezava o rosário em voz alta, enquanto nos insultava por baixo.
Pan y Rosas, do Norte açucareiro à Patagônia ceramista
Na marcha, fomos ainda muito mais, porque dezenas de mulheres que conheceram nas oficinas decidiram se mobilizar com o Pan y Rosas. Também nos acompanharam as operárias ceramistas de Zanon. Com os braços entrelaçados, encabeçaram nossa numerosa e combativa coluna, junto as delegadas e trabalhadoras de Kraft, de Pepsico, as mulheres do noroeste do país, as imigrantes... Não faltaram as trabalhadoras de Felfort, de Soriano, as trabalhadoras gráficas, a comissão de mulheres de Donnelley, as trabalhadoras aeronáuticas, da telefonia, estatais, docentes. Um verdadeiro orgulho para centenas de estudantes secundaristas e universitárias que as encorajavam ao grito “trabalhadora, escuta, sua luta é nossa luta!” Todas concordamos que, no marco da crise política que sacode o governo, a classe trabalhadora tem que intervir com suas reivindicações de forma independente dos diferentes setores patronais.
Neste marco, é muito mais urgente para as mulheres, as mais exploradas da classe trabalhadora, as que sofrem as consequências da precarização do trabalho, os abortos clandestinos, a violência machista e o trafico de pessoas, colocar de pé um amplo movimento de luta por nossas demandas. Por isso levamos estas bandeiras ao Encontro. Sobram motivos e entusiasmo para lutar por nossos direitos. O que falta é a vontade política de quem impede que os Encontros Nacionais de Mulheres se transformem numa força esmagadora de lutadoras por todo o país. É possível construir um canal onde se expresse o descontentamento de milhares de mulheres prejudicadas pelas patronais exploradoras, por um governo que carrega sobre seus ombros a responsabilidade de centenas de mulheres mortas por abortos clandestinos, por uma oposição direitista que se alinha atrás da reacionária Igreja que nos oprime e das patronais que nos humilham.
A mulheres do Pan y Rosas voltamos do XXVII Encontro Nacional de Mulheres dispostas a que estas ideias comecem a se tornar realidade, colocando em  pé um grande movimento de milhares de mulheres em luta por nossos direitos. Mãos à obra!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Por um grande movimento pelos direitos da mulher trabalhadora e da juventude



por Andrea D'Atri e Laura Lif




Na Argentina de Cristina Kirchner, a metade das trabalhadoras são precarizadas e não têm o direito de se organizar. Ninguém fala dos milhões de chefes de família, mães solteiras, jovens super exploradas, imigrantes! Por isso, em Nossa Conferência Nacional de Trabalhadores, votamos impulsionar uma campanha pelos direitos da mulher trabalhadora que já conta com inúmeras iniciativas em todo o país.
Na Cidade de Buenos Aires, companheiras do Pan y Rosas, da Juventude do PTS e operárias têxteis se organizaram com o lema “Na indústria têxtil, os direitos das operarias não estão na moda.” Outro dos setores mais precarizados é, sem dúvidas, o serviço doméstico. Por isso, em Neuquen, junto à banca operária da Frente de Esquerda, colaboramos com a Associação de Empregadas Domésticas, apresentando um projeto de lei por seus direitos.

Organizar as mulheres que são a maioria na educação, saúde e serviços!

As mulheres são maioria nas escolas e hospitais, onde nossas companheiras da agrupação Marrón classista e da Corrente Nacional 9 de Abril impulsionam esta campanha pelos direitos da mulher trabalhadora. Em ADEMYS organizamos o curso “Aportes dos estudos de gênero à prática educativa”. Colocamos em pé comissões de mulheres em INDEC, Ministério de Economia, INCAA, Promoção Social da Cidade, IOMA e outras dependências.
Nos setores de serviços, como telefonia e aeronáuticos, também nos organizamos para viajar à Posadas.

Basta de discriminação na indústria!

E ainda que as mulheres sejam minoria no setor industrial, nas fábricas alimentícias há milhares de companheiras que têm trabalhos não qualificados, com altos ritmos de produção que provocam lesões e enfermidades. Por isso, com a comissão interna de Pepsico, lutamos e conquistamos a categorização para as operárias, um grande estímulo para levar esta luta a outras fábricas. Agora, a comissão interna de Kraft apresenta “Kraft discrimina as mulheres”, exigindo categorias, aumento de auxílio-creche e outras reivindicações. No curso de Ciências Sociais da Universidade de Buenos aires – UBA, com a agrupação Bordó da alimentação e trabalhadoras da fábrica Soriano, iniciamos uma campanha denunciando as deploráveis condições de trabalho.
Também nos organizamos na indústria gráfica. Em WorldColor, as mulheres, o setor mais explorado, se prepraram, com o apoio da comissão interna que a lista Bordó dirige, para viajar ao Encontro; como em Donnelley, onde na fabrica são todos homens, mas sua comissão interna fez uma declaração contra os feminicídios, enquanto as mulheres de suas família formaram sua própria comissão e recorreram fábricas vizinhas para organizar a viagem.

Junto às aguerridas mulheres dos engenhos açucareiros!

Estas milhares de trabalhadoras são as que sofrem abuso dos chefes e patrões; as que se organizam nos bairros para buscar suas filhas sequestradas pelas redes de tráfico ou para pedir justiça para seus filhos assassinados pelo gatilho fácil; as que também arcam com as tarefas do lar; e que lutam por terra e moradia para suas famílias, como nos assentamentos do noroeste.
Em Jujuy, acompanhamos a luta da comissão de mulheres do Engenho Esperança. Em Tucuman, impulsionamos a solidariedade ativa com a comissão de mulheres do assentamento do Engenho San Juan, que resistiram aos desalojamentos de Alperovich e às ameaças da patronal e a burocracia açucareira. Foram os trabalhadores rurais de UATRE os que, num debate organizado pelo Pan y Rosas, propuseram juntar dinheiro para que as companheiras pudessem viajar ao Encontro!

Nenhuma morta mais por abortos clandestinos! Dissolução das redes de tráfico! Basta de violência contra as mulheres!

E as mais jovens inflam as dramáticas estatísticas de mortes por abortos clandestino, 6 de cada 10 mulheres que chegam aos hospitais com ferimentos causados por abortos clandestinos têm entre 15 e 18 anos! Mas Cristina que se gaba da “ampliação dos direitos” continua junto aos reacionários hierarcas da igreja se colocando contra a legalização deste direito elementar que teria impedido a morte de mais de 2500 mulheres durante os anos de governo dos Kirchner!
As jovens são sequestradas pelas redes de tráfico e prostituição que operam com completa impunidade em cumplicidade com as forças repressivas, agentes políticos e judiciais. A cada 30 horas uma mulher é assassinada: o último e letal elo de uma vasta cadeia de violências contra as mulheres.
Por isso, em todo o país, nós do Pan y Rosas e da Juventude do PTS, lutamos educação sexual, o acesso aos métodos contraceptivos e direito ao aborto. Exigimos a dissolução das redes de tráfico e das forças repressivas do Estado. Basta de violência contra as mulheres! Essas são também as bandeiras que levamos ao Encontro.

Rumo ao XXVII Encontro Nacional de Mulheres!

Ocultado a maternidade para conseguir um emprego, suportando o assédio sexual, fazendo malabarismo para conciliar os horários de trabalho com as exigências domésticas, sofrendo todas as formas de violência... Assim segue a vida de milhões de mulheres trabalhadoras e jovens na Argentina de Kirchner. Vidas que não são mostrados no Clarín nem em “cadeia nacional”.
Portanto, o PTS, sua juventude e o Pan y e Rosas nos propomos a organizar centenas de trabalhadoras, donas de casa e estudantes em um grande movimento para os direitos das mulheres trabalhadoras e jovens. O primeiro passo é se preparar para ir ao XXVIIº Nacional de Mulheres, nos dias 6, 7 e 8 de Outubro, em Misiones.

Sob o olhar das mulheres

Sem dúvida, a nossa luta pela emancipação feminina não se limita à participação destacada que temos nos encontros, nem tampouco à organização de comissões, agrupações sindicais, estudantis e outras formas de participação política nas quais confluímos com companheiras independentes.
Damos uma grande importância para a elaboração teórica marxista, tendo já publicado várias edições dos nossos livros “Pan y Rosas” e “Lutadoras”, assim como “A mulher, o Estado e Revolução”, da norte-americana Wendy Goldman, junto com centenas de artigos em revistas, jornais e folhetos. Nos últimos meses, organizamos palestras no curso de Psicologia da Universidade de Buenos Aires-UBA, Quilmes e La Plata, além de seminários sobre marxismo e feminismo, com a participação de centenas de estudantes, compartilhando pela primeira vez as aulas universitárias com as mulheres trabalhadoras, na UNLu e na UNSAM do norte do subúrbio, em Jujuy e Tucumán.
Lamentavelmente, a maior parte da esquerda, sustenta “ritualmente” algumas consignas pelos direitos das mulheres conforme a ocasião exige, mas cotidianamente reproduz, sem questionar, o machismo dominante. Outros se adaptam de forma acrítica à modismos teórico-feministas, abandonando o marxismo e a perspectiva revolucionária. No PTS consideramos que uma crítica implacável contra as misérias da vida diária, incluindo o machismo, faz parte de nossa compreensão marxista do mundo, do nosso programa na luta para transformar radicalmente a sociedade capitalista e de nossa prática militante. Porque, como disse Leon Trotsky, "se quisermos realmente transformar a vida, temos que aprender a olhar através dos olhos das mulheres." Todas e todos os militantes do PTS, seguindo as melhores tradições do marxismo, tomamos com esforço, paciência e orgulho as tarefas de elevar a auto-confiança das mulheres trabalhadoras e banir os desvios machistas do movimento operário, que só dividem e enfraquecem a força dos explorados.



Nos vemos em Misiones!
Sob o kirchnerismo, os encontros foram se esvaziando e se tornando cada vez mais rotineiros, pela ação da igreja, do governo e das organizações reformistas, como o PCR, que não querem discutir e votar ações pelo direito ao aborto e pelos direitos das mulheres trabalhadoras. No entanto, apesar destas tentativas de esvaziá-los de participação, os encontros continuam a ser um grande espaço político de debates e  troca de experiências de vida de milhares de mulheres.
Para muitas companheiras que irão com o Pan y Rosas e o PTS, representa uma grande oportunidade de fazer uma “escola política” em grande escala e uma experiência de atividade comum entre militantes e independentes.
Lá, esperamos discutir, nos divertir, trocar experiências, enfrentar juntas as forças reacionárias da igreja, para lutar por nossas ideias, compartilhar atividades culturais, sociais e políticas... E, fundamentalmente, começar a construir um movimento de mulheres de luta, independente de todas as variantes políticas dos patrões, para conquistar todos os nossos direitos.

Delegação do Pão e Rosas Brasil no XXVII Encontro Nacional de Mulheres da Argentina


por Pão e Rosas

Desde o Pão e Rosas Brasil, enviaremos uma delegação com as companheiras Marília Rocha, metroviária, e Rita Frau, professora, levando uma calorosa saudação às companheiras do Pan y Rosas da Argentina, que compartilham conosco dessa visão. Saudamos a grande delegação que as companheiras estão organizando junto às mulheres trabalhadoras da indústria, da educação, da saúde e dos serviços, as mulheres imigrantes, trabalhadoras dos engenhos de açúcar, donas de casa, empregadas domésticas, estudantes e jovens, rumo a um grande movimento pelos direitos da mulher trabalhadora e da juventude. 


Nos dias 06, 07 e 08 de outubro ocorrerá na Argentina, na cidade de Posadas (província de Missiones), o XXVII Encontro Nacional de Mulheres. É um Encontro tradicional do movimento de mulheres na Argentina, que sempre cumpriu um papel importante na organização e na luta das mulheres. Desde o início, de 1986 até 2003 o Encontro mantinha um caráter anti-governista, porém, nesta última década, fruto da atuação da igreja e dos setores reformistas e governistas, mas também do PCR (Partido Comunista Revolucionário da Argentina), o Encontro foi se esvaziando e se tornando cada vez menos vivo e um espaço onde as mulheres não podiam se organizar de forma independente. O fato de ter Cristina Kirchner, uma mulher, no poder, trouxe também uma ilusão de que se pode por essa via mudar a vida das mulheres.
No Brasil vivemos uma situação parecida no movimento de mulheres. A presidente Dilma além de ser uma mulher ainda carrega consigo as ilusões que boa parte da classe trabalhadora tinha de que o PT faria um governo em benefício dos trabalhadores. Isso fez com que boa parte do movimento de mulheres no Brasil, dirigido pelas governistas do PT e PCdoB a partir principalmente da Marcha Mundial de Mulheres, acreditasse que bastava lutar para que as mulheres pudessem galgar espaços de poder.
Porém, tanto na Argentina como no Brasil as coisas foram muito diferentes das ilusões prometidas pelas reformistas e governistas. Cristina Kirchner e Dilma, ambas de mãos dadas com a igreja e impedindo às mulheres o direito básico de decidir sobre suas vidas e seus corpos, não avançaram em nada para a descriminalização e legalização do aborto. No Brasil e na Argentina, milhares de mulheres continuam morrendo todos os anos vítimas de abortos clandestinos, principalmente as mulheres negras, imigrantes e pobres, com a cumplicidade dos governos.
O discurso de crescimento econômico e do “Brasil-potência” sobre o qual se assentaram os governos de Lula e de Dilma, não passa de uma falácia. Este crescimento não significou nenhuma melhora nas condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Pelo contrário, a garantia de crescimento dos lucros dos patrões brasileiros e estrangeiros instalados no país se dá justamente sob a base do enorme crescimento do trabalho precário e terceirizado, que afeta especialmente as mulheres, que já sofrem com a dupla jornada de trabalho. Na Argentina, no mesmo sentido, as companheiras do Pan y Rosas vem denunciando a violência contra a mulher, as redes de tráfico de mulheres, a discriminação nas fábricas e a situação das trabalhadoras imigrantes.
Por isso dizemos que nenhum governo que defenda os interesses da burguesia, seja ele dirigido por um homem ou por uma mulher, pode representar as mulheres trabalhadoras! Desde o Pão e Rosas Brasil, enviaremos uma delegação com as companheiras Marília Rocha, metroviária, e Rita Frau, professora, levando uma calorosa saudação às companheiras do Pan y Rosas da Argentina, que compartilham conosco dessa visão. Saudamos a grande delegação que as companheiras estão organizando junto às mulheres trabalhadoras da indústria, da educação, da saúde e dos serviços, as mulheres imigrantes, trabalhadoras dos engenhos de açúcar, donas de casa, empregadas domésticas, estudantes e jovens, rumo a um grande movimento pelos direitos da mulher trabalhadora e da juventude. Saudamos especialmente as mulheres da agrupação Marrón que, junto aos seus companheiros trabalhadores, acabaram de protagonizar um importante triunfo dessa chapa classista no Sindicato Ceramista de Neuquén.
Nós, mulheres do Pão e Rosas no Brasil, que no ano passado lutamos junto às trabalhadoras terceirizadas da empresa de limpeza União na USP, que foi uma pequena expressão da combatividade das mulheres trabalhadoras cansadas da sua situação de semi-escravidão, temos orgulho de ser parte da mesma luta que as companheiras do Pan y Rosas na Argentina travam contra a exploração e a opressão às mulheres. Atuamos nessa perspectiva a partir da Secretaria de Mulheres do Sintusp (Sindicato de Trabalhadores da USP), encabeçada pela companheira Diana Assunção, diretora do Sindicato e uma das processadas pela Reitoria da USP, defendendo a unidade das fileiras operárias e os direitos dos setores mais explorados de nossa classe. A partir da atuação entre professores da rede estadual de São Paulo, há um ano e meio defendemos uma ampla campanha pelo direito ao aborto legal, livre seguro e gratuito e educação sexual em todos os níveis escolares, combatendo a interferência da Igreja na educação e em nossas vidas, em luta política com a burocracia sindical (PT-CUT) que se nega a levar adiante. Neste momento nossas companheiras metroviárias estão defendendo a unidade entre efetivos e terceirizados ao lado dos trabalhadores terceirizados da empresa Façon que lutam pelos seus salários não pagos, e mais de um ano não recebem seus direitos como o FGTS e INSS. E assim defendemos a efetivação dxs trabalhadores e trabalhadoras terceirzadxs sem concurso público! No Encontro Aberto da Juventude Às Ruas, onde se organizam também as companheiras estudantes do Pão e Rosas Brasil, votou-se com centralidade uma forte campanha pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.
Desde nossas companheiras no movimento estudantil, professoras, metroviárias, trabalhadoras da USP, terceirizadas e bancárias nos sentimos parte dessa delegação especial de lutadoras junto ao Pan y Rosas da Argentina. Queremos que essa experiência internacionalista nos ajude a fortalecer a luta das mulheres em nosso país, mas que, acima de tudo, fortaleça a unidade das mulheres trabalhadoras e jovens, pois nossa luta, assim como a do conjunto da classe trabalhadora, não tem fronteiras. Nos vemos em Missiones!