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sábado, 14 de julho de 2012

Somos todas mulheres do carvão!

Por Pão e Rosas México, Chile, Argentina, Brasil, Bolivia, Estado Espanhol

Estender e apoiar a luta das mulheres trabalhadoras contra os ajustes da crise econômica! Que a crise seja paga pelos empresários e não pela classe trabalhadora!

Diante da crise econômica internacional que evidencia cada vez mais que a decadência do sistema capitalista não tem nada a oferecer além de anti-democracia e violência, exploração e opressão, guerras e devastação ambiental, fome e miséria ao conjunto dos trabalhadores e da juventude, fica claro que a mudança de governos é para melhor atender os empresários. Os patrões e os governos vêm descarregando a crise econômica nas costas dos trabalhadores e, em especial, das trabalhadoras. Mas ao mesmo tempo, há um despertar da juventude, dos trabalhadores e das mulheres para lutar contra os ataques dos governos patronais.

Nesse marco, no Estado Espanhol, os mineiros do carvão em Astúrias, Aragon e Leon estão em greve indefinida há quase um mês contra os ajustes do governo direitista de Mariano Rajoy que pretende liquidar por completo com a mineração do carvão no país que ocupa mais de 8 mil mineiros. O governo espanhol, à mando da União Européia, pretende cortar 60% do subsídio ao carvão, o que levaria ao fechamento quase imediato de todas as minas. Um ataque direto a classe trabalhadora.

Os mineiros do carvão mostram o caminho


Enquanto a economia do Estado Espanhol mergulha numa profunda crise, os mineiros, retomando o melhor de sua tradição, vão às ruas para combater com grandes jornadas de greve, barricadas, bloqueios de estradas e enfrentamento com a polícia e a Guarda Civil em defesa de sus postos de trabalho. Já dura mais de 35 dias. E a luta mineira se fortalece com greves de solidariedade, retomando a tradição dos anos 60 e 70. Os mineiros, historicamente, tem sido um dos batalhões mais combativos do proletariado espanhol, especialmente na bacia mineira asturiana. Foram os que dirigiram a insurreição de 1934 que levantou a Comuna de Astúrias e, em 1962, as greves mineiras dessa região significaram um ponto de inflexão no despertar do movimento operário que faria entrar em crise a Ditadura de Franco. Hoje voltam a sair às ruas, à mostrar toda sua organização e tradição de luta com as novas gerações que saem a lutar por seus postos de trabalho.

Em 18 de junho, a greve geral contou a participação de 100% das bacias mineiras de Astúria, Leon e Aragon. Em 22 de junho, iniciou a "marcha negra" dos mineiros que, ao passar pelas cidades, receberam grande solidariedade. Esperamos que a luta mineira consiga confluir e impactar todos os setores que estão em pé de guerra contra o Governo de Rajoy e seus planos de ajuste, como os estudantes, professores, trabalhadores das saúde. Para isso é preciso levantar a maior solidariedade possível como a que estão fazendo as mulheres do carvão.

As mulheres do carvão em luta: Diante da crise, somos as primeiras a levantar a voz e nos organizar para lutar

Justamente nesse momento de crise econômica, o capitalismo decadente mostra que nada mais tem a oferecer às mulheres. Internacionalmente, ocupamos 70% dos trabalhos precários, não temos estabilidade no emprego, nem previdência social e nossos salários são menores. Somado a isso, arcamos com duplas e triplas jornadas de trabalho - o trabalho doméstico e com as crianças que neste sistema é um trabalho invisível. Por isso, as mulheres são as mais golpeadas pelos planos e medidas de austeridade impostas pelo FMI e Banco Mundial que descarregam sobre nossos ombros as piores consequências econômicas e nos empurra à luta.

No Estado Espanhol, as combativas "mulheres do carvão" se somam à greve e são vanguarda da luta mineira. Como nas históricas jornadas de luta mineira, as mulheres saíram como um só punho para impor suas demandas, para se organizar, são as trabalhadoras dos postos e dos armazéns, as familiares e amigas dos mineiros, as vizinhas das bacias mineiras. São as mulheres que nos recordam as combativas lutadoras da greve de 62 sob o regime ditador e podre de Franco, onde as mulheres estenderam a paralisação das tarefas e da solidariedade, enfrentando a repressão da luta nas ruas, dispostas a tudo por todos. Hoje são as "mulheres do carvão" também as que saem a manifestar e gerar solidariedade nas ruas para que a luta mineira triunfe, empurradas pelas ameaças patronais, são um exemplo de luta, e não estão sozinhas!

Em 19 de junho, dezenas de mulheres irromperam nas portas do Senado quando estavam aprovando os cortes de verba gritando "Aqui estão, essas são as mulheres do carvão!" Gritavam aos senadores "sem vergonhas" e sendo expulsas do senado, continuaram marchando umas 400 mulheres. Estas combativas companheiras saíram com os punhos erguidos cantando o hino dos mineiros deixando claro que estão unidas e denunciando o governo patronal gritando "o próximo desempregado, será um deputado". Em 28 de junho, 200 mulheres tomaram a rua do Parlamento de Astúria demonstrando que não se renderam diante dos políticos dos patrões que querem impor o plano de ajuste à classe trabalhadora mineira. É necessário desenvolver essa perspectiva de luta, fazendo um chamado a que as trabalhadoras, estudantes e pobres do país se juntem à luta no chamado que está sendo feito para o dia 11 de julho, em Madri, para uma manifestação onde espera-se a grande "Marcha Negra". É necessária a solidariedade de toda a classe trabalhadora, estudantes e pobres do Estado Espanhol para fazer retroceder a patronal.

Desde o Pão e Rosas, consideramos necessário lutar por uma saída independente e anticapitalista para vencer os planos do reacionário Rajoy e da patronal mineira que durante décadas se enriqueceu as custas da exploração dos trabalhadores e dos grandes negócios que fizeram com os subsídios do Estado. Para isso é necessário lutar pela nacionalização das minas e do subsídio do Plano do Carvão e colocá-los sob controle dos trabalhadores, contra os negócios corruptos da patronal mineira. Esta é a única saída para garantir os postos de trabalho, as condições de segurança e subsistência no território dos mineiros e do povoado da região para que a crise seja paga pelos patrões e não pela classe trabaladora.

Também consideramos fundamental a solidariedade internacional aos mineiros em luta e às "mulheres do carvão" que tomaram seu posto nessa combativa greve. É necessária a mais ampla unidade entre os explorados do mundo para que sua luta triunfe. Por isso chamamos a construir a mobilização de 11 de julho - que está sendo feita desde as bacias mineiras até Madri - solidarizando à sua luta, em frente às embaixadas do Estado Espanhol em cada país, para levantar as bandeiras da luta mineira e das mulheres do carvão, exigindo o fim da repressão, das demissões e estendendo a solidariedade para que a luta triunfe, achamos que a mineração deve ser nacionalizada sob controle operário.

Liberdade aos mineiros e lutadores sociais que estão presos! Pela unidade com os outros setores em luta! Viva os mineiros! Viva as mulheres do carvão!